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Primeira tese de Doutorado é defendida na Academia do INPI

por última modificação: 03/12/2015 10h23
Natália Calandrini Marcelo Chimento apresenta trabalho sobre divulgação da IG na imprensa

Marcelo Chimento apresenta trabalho sobre divulgação da IG na imprensa

Após chegar a centésima dissertação de Mestrado, agora a Academia de Propriedade Intelectual, Inovação e Desenvolvimento tem a primeira tese de Doutorado defendida. O estudo “Indicação geográfica na imprensa: cenário e desafios”, do servidor do INPI Marcelo Chimento, realiza um cenário sobre a divulgação da Indicação Geográfica (IG) na imprensa brasileira, apresentando sugestões para aprimorar o conteúdo, de acordo com o critério de construção de notícias. Isso foi feito a partir da análise de conteúdo de textos divulgados sobre o tema, entre 2009 e 2013, em jornais/revistas, rádios, TVs e páginas de internet. 

Segundo a tese, as conclusões levaram à produção de um Guia para Divulgação das Indicações Geográficas, com sugestões para evitar os erros e recursos para tornar as matérias mais fortes para o público. Porém, também se constatou que o número de reportagens vem aumentando e que o tema é quase sempre retratado de forma positiva, o que confirma o potencial do tema IG virar notícia. 

A orientadora da tese foi Lucia Regina Fernandes. Já a banca é formada pelos professores Luiz Otávio Pimentel (INPI), Jorge Tonietto (Embrapa), Vânia Araújo (consultora), Adelaide Antunes (INPI), Celso Lage (INPI) e Maria Helena Hatschbach (INPI). 

Entendendo a IG

Para uma divulgação eficaz, a primeira etapa é entender o que é a IG e que aspectos devem ser ressaltados na divulgação. A IG é um registro que protege produtos com reputação ou qualidades vinculadas à origem. Entre as diretrizes para tornar a divulgação da IG mais eficaz, simplificando um tema técnico, está o reconhecimento bidirecional desse registro. Produtos mais famosos com IG valorizam o próprio registro, enquanto este torna mais valiosos os novos produtos que acabam de obtê-lo. Portanto, essa ideia pode ser aproveitada nas divulgações, por exemplo, mencionando que a IG obtida por certo produto brasileiro é semelhante ao reconhecimento dos “espumantes da Champanhe”, região da França.  

Outro ponto importante de ser destacado é que a IG é o resultado da construção de um mosaico de fatores que tornam aquele produto ou serviço diferenciado pela sua origem. Também deve ser reforçado que IG é diferente de marca coletiva, uma confusão comum de ser feita. A primeira protege os produtos ou serviços de uma região, enquanto a segunda identifica produtos ou serviços dos membros de uma determinada entidade (ou seja, não há necessariamente vinculação a um local).

O estudo complementa: “Após a compreensão da IG, outra etapa prévia à divulgação é entender o diferencial da Indicação Geográfica em si, para seus detentores e os consumidores, bem como as particularidades dos produtos/serviços que possuem ou buscam sua proteção no INPI – afinal, se eles tiveram (ou terão) o reconhecimento, é porque possuem notoriedade ou características que os diferenciam. Diante da importância da tangibilidade no jornalismo, esta é uma questão essencial para qualquer divulgação”.

Divulgação

O estudo recomenda que os especialistas no assunto passem por uma capacitação a fim de se prepararem para “auxiliar a imprensa na tarefa de simplificação necessária à construção do texto jornalístico”.

Outra questão é buscar formas (pautas) diferentes para abordar a IG. “O início das exportações de café com IG da Região do Cerrado Mineiro (apresentando um índice concreto de valorização do produto – 10% no valor da saca) foi um exemplo. Também podem ser mencionadas as reportagens com foco no turismo, inclusive convidando jornalistas para conhecerem as regiões, com um potencial amplo de influência em várias cadeias produtivas, assim como a realização de atividades de degustação”, exemplifica o autor.

Aproveitando a linguagem jornalística, a indicação de “personagens” (pessoas comuns) que apreciam os produtos ou determinadas prestações de serviços aumenta a chance de que leitores e espectadores mostrem interesse no assunto. Esses personagens podem ser consumidores, produtores e especialistas.

Por fim, “é preciso acompanhar a produção da notícia e, sempre que for necessário, auxiliar o jornalista, que é o responsável pela simplificação final do tema e pelo texto que será publicado”, afirma a tese.