Os cursos de propriedade intelectual, que se limitavam à formação de advogados, atraem cada vez mais o interesse de profissionais de áreas relacionadas à tecnologia e economia. No Brasil esta tendência é verificada nas universidades e incentivada por programas realizados pelo INPI. A observação foi feita Maria Beatriz Amorim, da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (Ompi), na abertura do curso sobre licenciamento tecnológico, realizado no dia 21 de julho na PUC.
Beatriz Amorim afirmou que este novo panorama é o efeito das mudanças de conceitos, percebido principalmente como resultado do acordo internacional sobre propriedade internacional relacionado ao comércio, (TRIPS) firmado em 1994. O tema propriedade intelectual passou, desde então, a se associar à inovação, aos negócios e à competitividade, além dos aspectos legais.
A chefe da Divisão de Propriedade Intelectual da Ompi falou também sobre o crescimento dos pedidos de patentes feitos por universidades. Um questionamento muito comum é sobre o impacto que esta tendência poderia provocar na produção científica básica.
Citando estudo da Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (Oecd), realizado em universidades americanas, Amorim revelou que as instituições que mais patenteiam são as que mais produzem ciência. No Brasil, um exemplo é a Unicamp, instituição que lidera a lista dos maiores depositantes de patentes no país.
O curso que acontecerá até o dia 24 de julho é organizado pela Ompi em cooperação com o INPI, a Rede de Tecnologia do Rio de Janeiro e a PUC-Rio e conta com palestrantes como Gustavo Fuchs, da Universidade Hebraica de Jerusalém e advogados especialistas em propriedade intelectual.