Rio, 10/06/2008
Juliana Borel (INPI)
Imagine guardar a carteira, a chave do carro e de casa dentro de um saco de cimento. Estranho? Pois a grife A Fábrica, do estilista Rogério Lima, em exposição no 12º Fashion Business, no Rio de Janeiro, lançou uma nova coleção de bolsas e carteiras usando esse material. Aliado a tecidos e peças de metal ou envernizadas, as bolsas ilustram a preocupação, também do mundo fashion, com a reciclagem, principal tema do evento.
Claudia Moura, sócia de Rogério Lima, explicou que a idéia de usar sacos de cimento surgiu na reforma do Showroom, local onde a grife vende por atacado. O sucesso foi tanto que a feira francesa de moda e acessórios Première Classe, que acontece em setembro deste ano e homenageia o Brasil, convidou a grife para participar.
Com a possibilidade de estender seus negócios, Claudia despertou para a importância de registrar a marca no exterior. Ela, que já foi vítima de pirataria no Brasil, tem medo de expor seus produtos em outro país e sofrer o mesmo problema. Contudo, a empresária afirma não saber se vale a pena a proteção do registro de desenho industrial, uma vez que as coleções saem de moda muito rápido.
- Já conversei com os técnicos do INPI e eles mostraram que o processo é simples, mas nossos produtos só ficam em voga por três ou quatro meses – afirma.
Susana Serrão, coordenadora substituta de Desenho Industrial do INPI, argumenta que o mundo fashion é imprevisível.
- Foi-se a época em que a moda era somente temporária. Como saber o que vai continuar a ser usado? O registro é barato e garante proteção por 25 anos. Com certeza vale a pena – conclui a coordenadora.