Curitiba, 30/05/2008
Marcelo Chimento (INPI)
Atualmente, o governo já responde por 40% das compras de software na indústria nacional. Porém, mais do que adquirir produtos, o Estado pode transformar suas compras numa política efetiva para estimular a inovação em software no Brasil. Foi o que afirmou o presidente do INPI, Jorge Ávila, no dia 30 de maio, o terceiro do Seminário Internacional Promoção da Inovação e da Propriedade Intelectual em Tecnologia da Informação, realizado em Curitiba (PR).
Citando o complexo de Defesa norte-americano, que contribuiu para o desenvolvimento de diversas tecnologias, inclusive a Internet, Ávila defende um modelo no Brasil em que as parcerias entre o governo, as estatais e as empresas gerem benefícios para todo o segmento de software.
- O desafio é relacionar as políticas de fomento direto e de compras para estimular a inovação no setor de software, que é uma das prioridades para a Política de Desenvolvimento Produtivo do governo – disse Ávila, lembrando que a discussão sobre a legislação brasileira é essencial para promover este modelo.
Alguns casos já apontam para o sucesso desta proposta no Brasil. Raphael Teixeira, da Petrobras, revelou que a empresa investiu em 2007 mais de R$ 1,7 bilhão em pesquisa e desenvolvimento, sendo parte deste valor em parcerias e convênios com 120 instituições nacionais e 70 internacionais.
- A Petrobras foi uma das pioneiras no modelo de inovação aberta que é tão importante na economia atual – comentou Teixeira.
No mesmo debate, o coordenador de Informática do IBGE, Sérgio Ferreira, mostrou como o contrato com uma instituição levou à produção de um PDA que atende às demandas da instituição para recolher informações nos censos, mas também chega ao mercado. Por sua vez, John Forman, da Softex, sugeriu mais parcerias entre governo e empresas de software no Brasil.
Ainda na linha dos exemplos de sucesso, o evento foi encerrado com instituições nacionais de software que inovaram e estão se posicionando bem no mercado, como a Ci&T, a TOTVS, o CPqD e a Datasul. Também foi apresentada a parceria entre a Petrobras e a PUC-Rio para desenvolver soluções eletrônicas na área de petróleo.