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29/10/2007

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Segunda-feira, 29 de outubro de 2007.

Comentários, dúvidas e sugestões:
sercom@inpi.gov.br

 


1. Direitos Autorais: debate no olho do furacão
2. Empresa prepara nova coleção para atrair jovens da classe B
3. Produtiva, mas ordinária
4. PAC terá foco em inovação tecnológica
5. Cérebro emigrado
6. Cérebro imigrado
7. "No Brasil todo mundo quer ser chefe"
8. Gestão da marca traz dividendos
9. Construção da marca é feita a partir do foco nos detalhes
10. Agora o diferencial são as certificações segmentadas
11. Parceria une franquias e shoppings
12. Também quero!
13. Crescimento do mercado de TI anima empreendedores
14. Lula visita centro que desenvolve pesquisa pioneira para produção de bioetanol
15. País prepara reunião de emergentes para discutir Doha
16. A aposta brasileira na África
17. BNDES vai medir capital intangível das companhias
18. Banco cria fundo de 'capital semente' voltado à inovação
19. Novo paradigma corporativo, tema ainda carece de medidas e objetividade
20. Mandioca doce é nova opção para etanol
21. Em defesa da inovação e da saúde pública
22. Portugal está já a exportar mais tecnologia do que a importar
23. Serverside Group recebe patente européia sobre principal arquitetura de customização de cartão

 

 

 

Direitos Autorais: debate no olho do furacão  volta


De posições antagônicas, Fernando Brant e Ronaldo Lemos trocam perguntas e respostas sobre o espinhoso tema


O Globo
Segundo Caderno
Leonardo Lichote
20/10/2007


Fragmentos do noticiário dos últimos tempos: o Radiohead lança seu CD na internet e dá ao consumidor a oportunidade de pagar o quanto quiser pela música; o DVD de "Tropa de elite" é encontrado em qualquer esquina antes de sua estréia nos cinemas; uma internauta americana é processada em US$ 222 mil por compartilhar 24 músicas na rede; na turnê "Banda larga" de Gilberto Gil, a platéia é incentivada a gravar áudio e vídeo; a grande atração do TIM Festival 2007, Arctic Monkeys, tornou-se fenômeno antes de lançar seu primeiro disco, graças ao compartilhamento gratuito de suas músicas na rede; Prince processa o YouTube, pelo uso não autorizado de suas músicas; a Wikipedia — enciclopédia vistual em que qualquer pessoa pode escrever e que hoje ocupa o lugar que já foi da tradicional Britânica — chega aos dois milhões de verbetes em inglês.

Atravessando todas essas notícias está a discussão sobre direitos autorais, muitas vezes cortada por duas palavras: Creative Commons. O termo denomina um tipo de licença no qual o autor diz antecipadamente os usos gratuitos permitidos para sua obra — e que tem gerado polêmica das fortes. Gilberto Gil, ministro da Cultura, é favorável e tem sido duramente criticado por isso. O Ecad e um grupo de compositores brasileiros já se declararam contra. É o caso de Fernando Brant, diretor da União Brasileira de Compositores (UBC). Recentemente, ele escreveu que Gil é um "exterminador de criadores" e que o Creative Commons é um "engodo".

Com o objetivo de lançar luz sobre o debate, ainda nebuloso, O GLOBO convidou dois representantes de posições antagônicas — Brant e Ronaldo Lemos, coordenador do Creative Commons no Brasil — a fazerem perguntas um ao outro. Veja as respostas nas entrevistas abaixo e entenda melhor a questão


FERNANDO BRANT entrevista RONALDO LEMOS

FERNANDO BRANT: A legislação brasileira não é de "copyright" (direito de cópia), é de direito de autor. O autor brasileiro pode, sem o Creative Commons, autorizar o uso de sua obra, sem perder o controle de sua propriedade. Por que ele deveria desfazer-se do que tem para dar de mão beijada para o domínio de todos?

RONALDO LEMOS: O Creative Commons não é uma ferramenta para o autor se "desfazer" de seus direitos. É um conjunto de licenças que permitem a ele gerenciar diretamente os direitos sobre suas obras, sem intermediários. Com a internet e a cultura digital, o número de criadores intelectuais tem crescido enormemente, e eles procuram novas formas de difundir e explorar o seu trabalho. O CC atende a uma grande parte desses novos criadores. Sua principal característica é ser voluntário: só usa quem quiser. Cerca de 150 milhões de obras já foram licenciadas através dele. No modelo tradicional, muitas vezes exige-se que o criador transfira seus direitos para um intermediário. Nesse caso ele deixa de ter seus direitos autorais, que passam a ser do intermediário. No caso do CC, o autor continua como dono integral de sua criação. O criador apenas permite à coletividade alguns usos sobre a obra. Quais são eles? Cabe ao autor decidir. A licença mais utilizada do CC é a de uso não comercial. Ela permite que a obra circule, mas que o autor receba direitos autorais sempre que sua obra seja utilizada comercialmente (por exemplo, no rádio ou na televisão). Essa licença representa um bom equilíbrio entre divulgação da obra e manutenção das possibilidades de sua exploração.
BRANT : As licenças CC são perpétuas e irrevogáveis. Como é que um mecanismo que se presta a flexibilizar o uso de obras intelectuais pode ser tão inflexível?

LEMOS: A principal característica do CC é propiciar flexibilidade na exploração da obra. Quem utiliza uma licença do CC permanece dono da sua criação e pode sempre licenciá-la ou mesmo transferi-la para outras modalidades que não o CC. Não há contradição entre o licenciamento em CC e a exploração normal da obra. Quando a banda pernambucana Mombojó licencia suas músicas através do CC, isso não impede que o seu disco seja lançado pela gravadora Trama. O criador pode a qualquer momento cessar a distribuição da obra ou lançar outra versão que não está licenciada em CC, se assim preferir.

BRANT: A quem interessa que a licença seja perpétua e irrevogável, senão àqueles (Google, Microsoft e telefônicas) que se utilizam de conteúdo intelectual para divulgar seus serviços e produtos na internet?

LEMOS: O CC interessa a todos os autores que desejam maximizar o alcance de suas obras, sem perder os direitos sobre elas para intermediários. Interessa também a toda a sociedade, que busca acesso à cultura e ao conhecimento de forma legal. O modelo do CC é uma ferramenta fundamental, por exemplo, para a produção descentralizada de conteúdo (como a Wikipedia, feita pela colaboração de pessoas de todo o mundo). Para muitos criadores, ele é a ferramenta ideal para permitir a disseminação da obra de forma legal, mantendo seus direitos sobre ela. Além disso, o projeto é global, atuando em 50 países e não possui qualquer filiação com empresas de qualquer natureza. Desde que foi lançado em 2002, o CC tornouse um modelo para políticas públicas em todo o mundo. O exemplo mais recente é sua incorporação no texto da Agenda do Desenvolvimento, que foi aprovada na Organização Mundial da Propriedade Intelectual. Ele é uma ferramenta que propicia um modelo de equilíbrio entre o interesse privado de exploração da obra com o interesse público de acesso ao conhecimento. Por isso, ele se desdobra também no Science Commons, que desempenha um papel fundamental na disseminação do conhecimento científico e também na geração de materiais educacionais.

BRANT: O que ocorre se eu autorizar, pelo CC, o uso não comercial de minha obra e alguém utilizála com fim comercial? Tendo em vista que o CC "se exonera de qualquer responsabilidade pelo mau uso da licença", eu vou ter que me virar sozinho?

LEMOS: O CC é totalmente baseado no direito autoral e só existe por causa dele. Quando alguém viola uma licença do CC, está violando os direitos autorais do seu criador. Não há diferença nenhuma entre violar uma licença CC e violar um contrato. Quem usa o CC tem à sua disposição todos os recursos que a lei disponibiliza para coibir violações: busca e apreensão, indenização, e até mesmo efeitos criminais. São vários os casos de tribunais de todo o mundo fazendo valer as licenças do CC. Um exemplo famoso: o ator Adam Curry, na Holanda, teve uma foto sua, licenciada para uso não comercial, utilizada por um grande jornal naquele país. Os tribunais holandeses fizeram o jornal pagar uma indenização ao ator, por entender que se tratava de uso comercial. E o sistema jurídico holandês é idêntico ao brasileiro, de direito de autor (e não de copyright ). O Creative Commons não é uma nova sociedade de registro, arrecadação e distribuição. Ele dá possibilidades de gestão da obra baseadas na legislação do direito autoral, que geram caminhos mais diversificados e interessantes para os autores


RONALDO LEMOS entrevista FERNANDO BRANT

RONALDO LEMOS: Quando somadas, todas as sociedades arrecadadoras do mundo (como o Ecad) representam menos de três milhões de autores. Com a tecnologia digital, passaram a existir centenas de milhões de pessoas envolvidas na criação, inclusive musical, que buscam alternativas aos modelos tradicionais de exploração das suas obras. Considerando esse baixo número, as sociedades arrecadadoras representam mais os autores ou gravadoras e outros intermediários?

FERNANDO BRANT: Você gosta mesmo de sofismar. Finge ser contra as gravadoras e as editoras, mas não as ataca. O seu alvo, e o de seus colegas, são os autores. Fala sempre em custo alto do direito autoral, quando ele representa um mínimo no preço final para o consumidor. Se as sociedades autorais representam, como você afirma, três milhões de autores, elas são o braço que recolhe os direitos desses e de todos os criadores que venham a aparecer. Que têm suas obras executadas e são profissionais da cultura. Mas não representam as gravadoras. Elas recolhem direitos de execução e comunicação públicas. São sociedades de autores. Com o fim dos suportes materiais, continuarão vivos os autores, músicos e cantores. E suas sociedades de gestão coletiva.

LEMOS: Ainda sobre sociedades arrecadadoras: o estatuto do Ecad prevê que o direito de voto está atrelado ao resultado econômico arrecadado no ano anterior por seus membros. Têm mais votos os membros (como a UBC) que arrecadaram mais dinheiro. Isso não prejudica a representatividade de novos criadores intelectuais, caso queiram constituir uma nova associação e esta vier a se filiar ao Ecad?

BRANT: O Ecad é uma empresa privada que tem como donos os autores. É dirigido por uma assembléia-geral, composta por sociedades que representam os autores. Em toda empresa, quem tem mais ações tem mais votos. Isso faz parte do mundo capitalista e ocorre com a Vale do Rio Doce, a Petrobras e o Bradesco. Novos criadores são bem-vindos: se eles se associarem a uma sociedade já existente, vão agregar força a ela. Se quiserem criar uma nova, precisam compor um corpo de sócios que tenha muitas obras executadas e, assim, construir um bom capital. Você imagina eu ou você comprando um mínimo de ações de uma empresa e exigirmos, por nossos belos olhos, comandar a empresa?

LEMOS: Os mecanismos de proteção tecnológica (chamados DRM) têm sido rejeitados por consumidores e empresas em todo o mundo. A Sony-BMG foi processada recentemente nos EUA por instalar um sistema que prejudicava o computador de usuários que tentavam ouvir um CD no computador. A EMI e a Universal também estão abandonando o uso do sistema, até porque ele se mostrou totalmente ineficaz no combate à pirataria. O presidente da UBC afirma apoiar essas tecnologias (como marca d'água) como uma possível solução. Existe alguma tecnologia existente ou em desenvolvimento que de fato está resolvendo o problema? Qual?

BRANT: Vivemos uma fase de transição, por isso não me assusta o descontrole atual na internet. Participo, há muitos anos, de congressos internacionais que discutem o assunto e a equação do problema. A tecnologia, que criou as facilidades de distribuição das obras no mundo digital, está criando caminhos que levarão à proteção dos direitos dos criadores e à possibilidade de utilização pela população, a preço acessível (sem os intermediários de hoje), das obras dos autores de todo o mundo. Sem prejudicar computador de ninguém. Agora não consigo entender a razão do Ministério da Cultura do Brasil e de vocês da Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas (parceira do CC no Brasil) serem contra os autores se defenderem, também, com tecnologia.

LEMOS: O CC não existe apenas para música, mas para todas as formas de criação intelectual (de fotos ao conhecimento científico). O projeto possui um braço educacional, que disponibiliza amplo acesso a materiais didáticos, trabalhos científicos e projetos de arquitetura para áreas vitimadas por desastres naturais. A revista científica mais citada no mundo hoje ("Plos — Public Library of Science") usa o CC. O compositor afirmou no passado que o CC seria um "engodo". Essa opinião continua?

BRANT: Pelas minhas perguntas, você pode ver que muitas são minhas dúvidas sobre o CC. Mas continuam sendo engodo, cilada, ardil essas insinuações de que os criadores são contra o uso educacional de suas obras. O artigo do presidente da UBC repercutiu até em Portugal ( http://remixtures.com/2007/09/a-cruzada-de-um-compositor-brasileiro-contra-o-p2p-e-as-creative-commons/ ). O blogueiro português Marcelo Caetano escreveu que conheceu e se encantou com as músicas do Clube da Esquina há pouco tempo, graças à internet, pois os discos são difíceis de serem encontrados em Portugal. Ao ficar sabendo da posição do presidente da UBC sobre a questão, passou a avaliá-lo negativamente. Qual sua avaliação sobre isso?

BRANT: Não faço avaliação nenhuma. Ele está confundindo as coisas. Não misturo a pessoa, o autor, músico e artista Gilberto Gil, que admiro, com o eventual ministro e suas idéias. Apenas discordo delas. Só isso.

 



Empresa prepara nova coleção para atrair jovens da classe B  volta


Folha de São Paulo
JANAINA LAGE
DA SUCURSAL DO RIO
27/10/2007

 

A H.Stern pretende lançar uma linha de jóias mais acessíveis, focadas no público jovem da classe B. Segundo Roberto Stern, responsável pela área de criação da joalheria, o crescimento da renda no país permite uma democratização do acesso ao mercado de jóias.

De acordo com Stern, a escolha da nova estrela da campanha publicitária da joalheria, Camila Pitanga, está relacionada a essa tentativa de aproximação com um jovem público consumidor.

"O projeto que estamos fazendo agora é de jóias mais acessíveis, que sejam interessantes e bonitas. A escolha da Camila Pitanga tem a ver com isso. Estávamos antes com estrelas de Hollywood e agora resolvemos trabalhar com uma estrela brasileira", disse em entrevista há duas semanas.

Questionado sobre a escolha de uma atriz que acaba de interpretar uma prostituta na novela "Paraíso Tropical" para a campanha de produto consumido principalmente nas classes de renda mais alta, Stern disse que a empresa resolveu fazer uma aposta ousada.

"O Brasil é um país sui generis. É uma provocação porque o personagem dela teoricamente estava errado, mas deu certo. As pessoas começaram a querer se vestir como ela e ver o que ela aprendia. Existem pessoas assim, como a Kate Moss ou a Vera Fischer", afirmou.

Stern participou no Rio do seminário "A propriedade intelectual e a indústria da moda", promovido pelo Inpi (Instituto Nacional da Propriedade Industrial).
Ele contou como a partir de 1995 a empresa implantou uma nova estrutura organizacional e fez com que as jóias passassem a ter a identidade da marca. O Brasil é o principal mercado para a joalheria, que tem lojas em diversos países, além de distribuição em lojas de departamento e franquias.

Grupo Corpo

A joalheria estuda uma parceria com o Grupo Corpo, de dança contemporânea, de Minas Gerais. Stern não quis adiantar detalhes nem a data de lançamento da coleção.

Durante a apresentação, Stern manifestou preocupação com o avanço da pirataria e das cópias de produtos. Relatou que em 2001 chegou a encontrar um falsificador com um estoque maior do que o da própria joalheria. "A legislação aqui existe, protege e tem eficácia. O que é caro é a empresa tomar alguma providência. A cópia é ofensiva para quem comprou o original", disse.

 


Produtiva, mas ordinária  volta

O Brasil é um dos países líderes em produção científica, mas continua com atraso tecnológico imenso, incapaz de atrair jovens para a atividade -e sem um Prêmio Nobel; pesquisadores explicam o porquê

 

Folha de São Paulo
GIOVANA GIRARDI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
28/10/2007

 

O governo federal prometeu anunciar nas próximas semanas o Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação, o "PAC da Ciência", que prevê investimento de cerca de R$ 41 bilhões na área até 2010. O lançamento é aguardado pela comunidade científica nacional com entusiasmo, mas também com uma boa dose de ceticismo. Dinheiro é sempre bem-vindo, claro, mas só ele não vai resolver os problemas que a pesquisa brasileira enfrenta, disseram os cientistas ouvidos pela Folha diante da pergunta: O que falta para o Brasil se tornar uma potência científica?
A reportagem conversou com especialistas de diversas áreas, que apresentaram o diagnóstico na ponta da língua. Sozinho, o PAC não vai fazer milagre. Para dar um salto qualitativo, dizem, o país precisa derrubar entraves dos quais a comunidade científica já está cansada de reclamar, como a burocracia que cerca a importação de material científico e leis que dificultam os estudos da biodiversidade nacional.
As respostas também foram unânimes sobre a necessidade de aumentar a quantidade institutos de pesquisa no país e espalhá-los por regiões do Brasil que sofrem de um vazio científico, como a Amazônia.
Essas são medidas que, juntamente com um maior investimento, auxiliariam os cientistas que já estão na ativa e talvez tornassem a área mais atraente para novos profissionais. Mas, para fazer o país alcançar um novo patamar de excelência, as mudanças teriam de ser mais profundas. A solução passa por resolver problemas estruturais, a começar pela deficiência no ensino e a falta de uma postura política que enxergue o incentivo à pesquisa como a melhor forma de promover o desenvolvimento nacional.
"Falta para a ciência brasileira o que temos no esporte - o efeito futebol de rua. Acho que um dos motivos pelos quais o Brasil se tornou campeão no futebol é porque existem milhões de crianças jogando bola na rua. É uma massa enorme, treinada desde a infância. É um ambiente que forja campeões", afirma Luiz Davidovich, físico da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e membro das academias brasileira e americana de ciências.
"Mas com a ciência não é assim. A criança e o jovem não têm esse estímulo por conta das falhas na educação básica -professores que ganham mal, aulas de ciência sem sentido. Esse é um obstáculo poderoso para o Brasil se tornar uma potência científica. Se tivéssemos milhões de crianças interessadas em ciência, também seríamos campeões nesse setor."
Por trás dessas questões estruturais, os cientistas acreditam que esteja um desinteresse quase crônico do país em investir no setor. "O modelo de desenvolvimento brasileiro só recentemente começou a se preocupar com a formação do conhecimento. O país tradicionalmente preferiu comprar tecnologia e conhecimento do exterior a desenvolver aqui", afirma o físico Ennio Candotti, ex-presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência). "Nunca tivemos, por exemplo, políticas de longo prazo que promovessem a continuidade de programas em prol da ciência."
A falta de investimentos no setor é o que melhor reflete isso. Praticamente todos os Estados do Brasil têm leis que estabelecem um repasse de uma determinada porcentagem da arrecadação para suas FAPs (fundações de amparo à pesquisa). Mas o único a cumprir a regra é São Paulo, que destina 1% de sua receita diretamente à Fapesp -sem que o dinheiro se perca na vala comum dos cofres da Fazenda, por exemplo, e acabe desviado para outras atividades. "Não é à toa que o Estado produz 55% da ciência nacional e abriga 30% dos doutores do país", lembra Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor-científico da Fapesp.

Pouco impacto
Hoje o Brasil é responsável por cerca de 2% da ciência mundial, ocupando o 15º lugar no ranking de países por produtividade, segundo levantamento da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Em termos qualitativos, no entanto, a posição do Brasil é mais discreta -20º lugar no ranking que mede o impacto dos estudos publicados, ou seja, o quanto eles são citados por outros trabalhos. Em primeiro lugar vem a Suíça (que fica atrás do Brasil em produção de artigos), seguida dos EUA e da Dinamarca.
Para o presidente da Capes, Jorge Guimarães, esses números merecem ser vistos com otimismo. "Estamos crescendo cada vez mais na na produção total e mesmo a 20ª posição no ranking de impacto não é ruim. A nota do Brasil foi 2,95; a dos Estados Unidos, 6,6. Não é tão distante. E temos áreas de destaque, como os estudos de doenças tropicais. Todavia não temos vacina. As empresas farmacêuticas ainda não fazem pesquisa no Brasil, precisamos estimular isso."
O ranking da Capes considerou todos os trabalhos brasileiros publicados em revistas científicas indexadas na base de dados do ISI (Instituto para Informação Científica). Mas o contraste entre publicação e citação fica ainda mais evidente quando se olha mais de perto, como fez Rogério Meneghini, da Unicamp, que há anos estuda esses indicadores.
Em seu mais recente levantamento, ele considerou as 27 instituições nacionais que publicaram mais de cem artigos em 2005 e quanto esses artigos foram citados até setembro deste ano. As mais produtivas, como USP e Unicamp, foram superadas em citação pelo Instituto Butantan, que publicou pouco mais de uma centena de artigos. Mas mesmo ele ficou muito atrás no quesito impacto se for comparada com a Universidade Harvard, campeã em publicação e em citação.
"A verdade é que não basta só publicar. O "publish or perish" [publicar ou perecer, ditado básico da pesquisa] é só o primeiro passo. Tem de ser citado e tem de ser algo que incremente, que traga uma nova idéia, uma nova perspectiva para a ciência mundial, além de ter impacto diante das questões que importam para a sociedade brasileira", comenta o neurocientista paulistano Miguel Nicolelis, que só alcançou destaque como pesquisador quando foi para os Estados Unidos.
Ele defende uma mudança na forma de financiar a pesquisa. "Talvez seja caso de distribuir verba com novos critérios, de modo que ela vá para áreas que sejam estratégicas para o país e para grupos de qualidade comprovada. Para pesquisa que tenha mérito", comenta.

Os Sem-Nobel

Líder de um laboratório na Universidade Duke, Nicolelis é um dos idealizadores do Instituto de Neurociência de Natal, pensado como uma forma de atrair os cérebros brasileiros que, como ele, tiveram de sair do Brasil para fazer ciência.
"Acho que aqui ainda existe muita coisa errada, um corporativismo exagerado dentro da própria academia. É preciso mudar o paradigma de que ciência tem de ser feita só na universidade. Ela pode ser feita na indústria. O governo tem de começar a incentivar que as multinacionais façam centros de pesquisa aqui", comenta.
O incentivo à pesquisa nas indústrias foi defendido também por outros pesquisadores como uma forma de fortalecer a inovação, hoje um dos grandes gargalos do país. "A produção científica é uma beleza, mas cadê as patentes?" -pergunta Guimarães. "Em quase todos os segmentos ainda não vemos a transformação do conhecimento em tecnologia."
O físico Rogério Cezar de Cerqueira Leite, professor-emérito da Unicamp e membro do conselho editorial da Folha, concorda com essa necessidade, mas faz um alerta. "Esse excesso de preocupação com os resultados imediatos é preocupante. A pesquisa, tem sim, de ganhar espaço na indústria. Mas não se pode esquecer que boa parcela da ciência se faz somente para aumentar o conhecimento sobre uma determinada área. E o cientista precisa ter absoluta liberdade para chegar a isso. Inovação não nasce no cabresto", afirma.
Guimarães aposta no entanto que será esse investimento que poderá fazer a ciência do país deslanchar. "De um modo geral, a posição no ranking de produtividade acompanha o PIB. O Brasil tem o o 12º PIB do mundo. Acho que é questão de tempo alcançarmos essa posição com a pesquisa."
Apesar disso, o presidente da Capes disse não acreditar que o país terá um dia seu Prêmio Nobel em ciência. "Não acho que vai ganhar tão cedo, se é que vai ganhar um dia. Já tivemos nossa chance com Oswaldo Cruz, Carlos Chagas, César Lattes. Perdemos."
Com ou sem promessa de um Nobel, para essa ciência industrial funcionar vai ser preciso primeiro resolver as burocracias que prejudicam a importação de material científico. "Muitas empresas estrangeiras têm receio de trazer seus centros de pesquisa para cá porque temem não conseguir mantê-los competitivos, não conseguir importar equipamentos, enzimas etc", lembra Nicolelis.
O pesquisador nato que o diga. Um levantamento divulgado pela Fesbe (Federação de Sociedades de Biologia Experimental) em seu congresso em agosto deste ano mostrou que o cientista brasileiro gasta em média três vezes mais do que o valor do produto por causa de impostos e custos de estocagem em portos e aeroportos.
"Certamente o nosso maior entrave é essa burocracia. Os preços que a gente paga pelas coisas e os prazos que a gente tem de enfrentar são uma das maiores causas do nosso atraso científico", afirma Luiz Eugênio de Mello, pró-reitor de Graduação da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e presidente da Fesbe.
"O pesquisador tem de lidar com um conjunto de regras que às vezes brigam entre si, e o aplicador dessas regras normalmente não está suficientemente instruído para resolver os problemas", complementa.
O pior é que, enquanto espera, o pesquisador brasileiro vai perdendo em competitividade. "Um americano ou um europeu que precisem de um produto o recebem no dia seguinte. Aqui leva em média três meses para chegar. E se, por um acaso, quando receber o material o cientista descobrir que não era daquilo que ele precisava, o europeu e o americano resolverão o problema no dia seguinte. Aqui serão mais três meses. Fica difícil competir assim."
Ele defende que o PAC seria mais efetivo se de algum modo contemplasse esses problemas. "Deveria criar uma secretária da desburocratização, que simplificasse as coisas", brinca. "Mas aqui no Brasil se considera por definição que todo mundo é desonesto. As leis têm tantas dobras para evitar isso que no final eu acho que elas acabam fomentando a desonestidade e a corrupção. No desespero, o que vemos é o pesquisador tentando driblar o sistema mesmo, trazendo na mala, contrabandeando."

Efeito Roosmalen
Mello lembra que nesse mesmo nível de dificuldade se vêem os pesquisadores que estudam biodiversidade no Brasil. As leis que tentam coibir a biopirataria acabam por impedir, na verdade, a pesquisa. Não é à toa que muita gente tem considerado o primatólogo holandês naturalizado brasileiro Marc van Roosmalen, preso sob acusação de biopirataria, como quase um herói. "Talvez ele não queira respeitar lei nenhuma, mas, por outro lado, pode ser simplesmente o cientista fazendo as coisas dentro do que julga ético, moral, aceitável."
Um outro estrangeiro trabalhando na Amazônia resumiu a situação. "A verdade é que todos nós biólogos que fazemos o mesmo tipo de trabalho que ele estamos sujeitos ao mesmo risco de ser acusados erroneamente de sermos criminosos", disse Mario Cohn-Haft, especialista em aves do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia).



PAC terá foco em inovação tecnológica  volta

 

Folha de São Paulo
DA REDAÇÃO
28/10/2007

 

Composto em parte por programas novos e em parte por programas antigos repaginados, o "PAC da Ciência", que o governo federal promete lançar antes do fim deste ano, prevê investimentos de R$ 2,7 bilhões para estimular a inovação.

O dinheiro seria usado para criar um fundo de capital de risco, gerenciado pelo BNDES, para comprar participação em empresas de base tecnológica.
Do total de R$ 41 bilhões do PAC, R$ 15,3 bilhões iriam para 13 áreas de pesquisa consideradas estratégicas, entre elas Amazônia, mudança climática, biotecnologia e energia nuclear.



Cérebro emigrado  volta

Neurocientista que trocou Brasília por Nova York diz que milionários brasileiros precisam abrir a mão e doar para as universidades

 

Folha de São Paulo
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
28/10/2007

 

Um dos indicativos que a ciência de um país não vai bem é a chamada fuga de cérebros. Estimativa feita pelas Nações Unidas em 2005 mostrou que mais de 40 mil cientistas latino-americanos abandonam anualmente seus países para instalar-se em institutos e universidades de nações ricas. No Brasil, apesar de não haver estatísticas sobre isso, a situação não é diferente.
Baixos salários, dificuldade para conseguir financiamento e o fator atraente de trabalhar em algum lugar no qual seja possível se dedicar 100% à pesquisa foram alguns dos motivos pelos quais o neurocientista Claudio Mello, 44, trocou a Universidade de Brasília pela Universidade Rockefeller.
Logo após se formar em medicina e sem a menor vontade de praticar a profissão, Mello conseguiu uma vaga para fazer o doutorado nos Estados Unidos. "Eu sabia na época que queria fazer pesquisa, mas confesso que não tinha um plano para ficar por aqui", conta.

Quando terminou o doutorado, no entanto, ele consegui um financiamento dos NIH (Institutos Nacionais de Saúde) para continuar suas pesquisas e resolveu ficar. "Eu não tinha nenhum vínculo com o Brasil e pensava que, se fosse voltar, não poderia me dedicar integralmente à pesquisa. Nas universidades brasileiras o pesquisador tem de reservar um tempo para o ensino e isso realmente não me atraía."

Hoje ele comanda um laboratório na Universidade de Ciência e Saúde do Oregon onde estuda a evolução da vocalização em aves. Passados 19 anos no exterior, ele começa a ver uma chance de fazer pesquisas no Brasil. Seu plano é pesquisar as aves da floresta amazônica em estudos de campo, mas a conclusão do trabalho continuará sendo em seu laboratório no Oregon.
Mello é também um dos idealizadores do Instituto de Neurociência de Natal, junto com Miguel Nicolelis e Sidarta Ribeiro (o único dos três que se fixou definitivamente aqui), mas ao menos por enquanto também não pretende trocar Portland pelo Rio Grande do Norte. "Acho que nos Estados Unidos tenho a possibilidade de levar recursos daqui para projetos no Brasil por meio de parcerias com outras instituições brasileiras. Se eu voltar, perco isso."
Sua sugestão para o país é o investimento privado em ciência: "No Brasil, as grandes fortunas deveriam fazer como as americanas. Não dá para deixar tudo na mão do governo." (GG)



Cérebro imigrado   volta

Pesquisador que trocou Buenos Aires por Porto Alegre diz que país precisa concentrar recursos em grupos de excelência já estabelecidos

 

Folha de São Paulo
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
28/10/2007

 

Por mais problemas que os brasileiros enfrentem para fazer ciência, isso não impediu que o país tenha centros de excelência que se destaquem por fazer pesquisa de qualidade. USP e Unicamp costumam chamar mais a atenção, mas grupos no Rio, na Amazônia e no Sul do país não só têm feito a lição de casa como ainda atraem pesquisadores estrangeiros para cá.

É o caso do neurocientista argentino Martín Cammarota, 38, que há cinco anos trocou Buenos Aires por Porto Alegre, onde faz parte do laboratório de estudos da memória da PUC do Rio Grande do Sul. E ele nem pensa em voltar para a beira do rio da Prata.

O grupo gaúcho é coordenado pelo argentino-brasileiro Iván Izquierdo, autoridade mundial no estudo de fisiologia da memória. Izquierdo, a quem Cammarota chama de "pai científico", é um dos motivos pelos quais ele decidiu se mudar para o Brasil. O outro é que ele se casou com uma brasileira que conheceu na Universidade de Buenos Aires.

"Eu trabalho com o maior cientista do Brasil e duvido que alguma outra universidade na América Latina fosse melhor. Mas estou aqui também por razões familiares e culturais. Hoje me sinto brasileiro. Seria um estrangeiro na Argentina."

Sobre os problemas da ciência nacional, ele concorda que eles existem e que são complicados, às vezes, limitantes, mas diz acreditar na capacidade do país. "É claro que poderia ser melhor, mas não tenho dúvida de que o Brasil será um potência científica. Seu tamanho continental o obriga a ser uma potência científica. Agora, o tempo que vai levar para isso ocorrer depende de quanto os políticos vão roubar."

Um dos pontos positivos no Brasil para Cammarota, na comparação com a Argentina, é o sistema de bolsas de doutorado. "Na Faculdade de Medicina da Universidade de Buenos Aires são concedidas três bolsas para 20 mil alunos. Eles têm mais estudantes que a Federal do Rio Grande do Sul inteira. Mas aqui, só para o departamento de bioquímica e genética, que tem 500 alunos, há 30 bolsas por ano. Então nesse sentido, a vantagem é enorme."
Apesar disso, ele defende que talvez seja o momento de passar a redirecionar esse investimento. "A política de distribuição de recursos não pode parar, mas acho que hoje, ao menos aqui no Sul, alcançamos uma massa crítica suficiente. É hora de fortalecer os grupos de excelência já consolidados. Criar políticas de premiação para a qualidade da produção. Repartir é fácil, selecionar é antipático, eu sei, mas faz parte do processo de evolução", afirma.
Então vale a pena ficar aqui? "Sim, por fazer parte de algo que está sendo construído."

 


"No Brasil todo mundo quer ser chefe"  volta

Paranaense que trabalhou com Nobel diz que ensino de física no país destrói interesse dos alunos e que brasileiro não sabe trabalhar em equipe

 

Folha de São Paulo
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
28/10/2007

 

Fazer pesquisa no Brasil é difícil e frustrante, mas vale a pena. Essa é a opinião do físico Dante Mosca, que saiu do laboratório do francês Albert Fert, Prêmio Nobel de Física deste ano, para fazer pesquisas na Universidade Federal do Paraná. Em entrevista à Folha, ele conta porque resolveu voltar ao Brasil. (GG)

FOLHA - O senhor teve a oportunidade de estudar e pesquisar em um laboratório de ponta. Por que resolveu voltar? Vale a pena pesquisar no Brasil hoje?
DANTE MOSCA - Inicialmente, eu precisava voltar após os dois anos de doutorado-sanduíche para defender a minha tese de doutorado na UFRGS. Apesar de ter tido diferentes oportunidades de ficar na França, optei por ficar no Brasil porque Curitiba apresentava boas perspectivas de desenvolvimento científico. De fato, trabalhar em pesquisa científica no Brasil é muito difícil e frustrante. As universidades vivem sucessivas crises salariais, não temos cultura de criação e transferência tecnológica entre universidade e empresa. Nossa indústria mantém a preferência pela compra de tecnologia no exterior a desenvolvê-la no próprio país. Para mim, vale a pena pesquisar no Brasil em meio a colegas de trabalho competentes e engajados e mantendo colaborações com outros centros de pesquisa nacionais e internacionais. Ações desse tipo permitem manter-me atualizado, enviar alunos para estágios no exterior, desenvolver pesquisa de ponta.

FOLHA - O senhor tem esperanças de que o Brasil uma hora deslanche como potência científica?
MOSCA - Sim, mas o atraso é grande e a missão é ingrata. No Paraná, por exemplo, temos uma fundação de amparo à pesquisa que distribui poucos recursos em comparação com a Fapesp, em São Paulo. O Brasil chegou a investir bastante em bolsas de doutorado no país e no exterior, mas descuidou-se da fixação e do bom aproveitamento dos talentos decorrentes desse investimento. E ainda assim há dificuldade em obter bolsas de mestrado e doutorado para todos os bons alunos. A partir de minha experiência dentro da equipe de Albert Fert e instituições francesas, percebo algumas diferenças significativas. No Brasil a grande maioria quer ser chefe e não sabe ou não quer trabalhar em equipe, há poucos casos de transferência tecnológica e o ensino público vai muito mal.
Tirando raras exceções, o ensino de física no Brasil é lamentável, com uma ênfase exagerada em matemática que destrói o interesse dos jovens pelos fenômenos físicos e pela ciência em si.

FOLHA - Como o senhor recebeu a notícia do Nobel para Fert? Sentiu-se um pouquinho premiado também?
MOSCA - Fiquei muito feliz por ele e pela sua equipe. Fiquei contente por ter participado de uma pequena parte dessa história e de ser lembrado por ele na entrevista coletiva após o anúncio da Fundação Nobel. Como em ciência é primordial o reconhecimento dos pares, sinto muito honrado pelo reconhecimento expressado pelo Albert. Acredito que o brasileiro que deva se sentir premiado com o Nobel é o Mario Baibich, pelo trabalho desenvolvido e co-autoria no artigo da descoberta da magnetorresistência gigante que levou à spintrônica.

FOLHA - Em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo", Fert disse: "Sei que Dante Mosca tem ótimas idéias, mas sei também que ele precisará de muita sorte. Curitiba não é um grande centro para desenvolvimento da pesquisa." Como o senhor recebeu isso?
MOSCA - Sei que o desafio de fazer pesquisa no Brasil é grande, mas também sou conhecido pela minha teimosia.
 



Gestão da marca traz dividendos   volta

Empresário deve fazer revisão constante do conceito que deseja transmitir ao público-alvo
 


Folha de São Paulo
DIOGO BERCITO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
28/10/2007


A microempresa de Adrianna Zaccaro, 32, foi inicialmente planejada para atuar na área têxtil -vendia de roupas a diversos tipos de acessório.

Para atravessar as dificuldades de mercado, contudo, decidiu especializar-se no segmento de jóias. Foi quando percebeu que precisava mudar não apenas os itens que vendia mas também o nome do negócio. Assim, a AZW Alternativa passou a se chamar Mãe da Mata.

Sem ser especializada em "branding", a empresária teve de aprender, na prática, o que é e como fazer gestão de marca.

"A escolha do nome não foi arbitrária. Uma vez que as jóias são feitas com sementes brasileiras, procurei um nome que expressasse isso", comenta.

Os desafios enfrentados por Zaccaro nessa mudança são comuns a muitos dos micro e pequenos empresários que se deparam com a necessidade de fazer um check-up de sua marca.

"O momento da mudança é aquele em que se percebe que a marca não está transmitindo o conceito desejado", explica o publicitário Stalimir Vieira.

Um dos possíveis motivos para transformações na marca é a passagem do tempo -a empresa é antiga e precisa reciclar sua imagem.

É o que faz Edna Armellini, 55, sócia da Edmur Imóveis: sempre que preciso, promove mudanças pontuais na imagem da firma, que existe há 30 anos.
O slogan anterior, "Edmur garante", deu lugar a "vendendo tranqüilidade". O logotipo sofreu "pequenas alterações". "Mudar demais prejudicaria a força da marca", diz Armellini.

Cautela

Mudanças excessivas podem, de fato, descaracterizar uma marca. O efeito psicológico é o de afastamento, afetando a relação entre cliente e empresa.

Ser cauteloso é a chave para que a gestão da imagem seja feita com sucesso. Especialistas ouvidos pela Folha recomendam, por exemplo, a realização de estudos prévios de impacto.

"Os pequenos negócios apresentam maior flexibilidade para essas mudanças", afirma Ivan Pinto, professor de marcas da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing).

Quando bem-feita, a revisão pode trazer retornos diretos. Gustavo Carneiro, 23, conta que o check-up da marca Doces Dona Alcinda -fundada por sua avó e dirigida por seus pais- teve impacto positivo.

"Os clientes sempre comentam sobre o nosso site na internet", diz. Formado em relações públicas, Carneiro foi o principal idealizador das mudanças.

 



Construção da marca é feita a partir do foco nos detalhes   volta

 

Folha de São Paulo
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
28/10/2007

 

A análise do logotipo demorou cerca de um mês e meio. Depois, começaram os trabalhos dos outros itens de comunicação: uniformes de funcionários, site, papelaria, jornal interno, veículos e crachás.

Foi só então que a Redondo Design entregou para seu cliente, a Álamo Engenharia de Manutenção e Facilities, a revisão completa da sua marca.
Todo esse esforço, no entanto, pode não trazer resultado efetivo se não forem tomados alguns cuidados essenciais.

"Caso não haja na empresa quem entenda que a marca é um patrimônio da firma, todo o trabalho vai por água abaixo", diz Cristiana Nogueira, diretora de arte da Redondo Design.

De acordo com ela, é primordial que cada funcionário entenda que faz parte da construção da imagem da empresa.

"Em cada microdetalhe, o posicionamento da marca pode ser reforçado ou destruído. Até pelo modo como a secretária atende ao telefone a percepção que o cliente tem da empresa pode ser modificada", explica.
"O efeito da marca deve ser cumulativo. É isso que vai fa-vorecer sua fixação na mente do consumidor", acrescenta o publicitário Stalimir Vieira.
Para auxiliar nesse trabalho de padronização da imagem corporativa, uma ferramenta útil são os manuais de estilo. Eles orientam o funcionário sobre procedimentos nas mais diversas situações -por exemplo, quando usar cada logotipo.

"Sua aplicação deve ser quase religiosa", salienta Vieira.

Ciente disso, Amélia Whitaker, 29, sócia da Visar Planejamento, adotou o uso de um manual de conduta. "É para uniformizar a nossa imagem", diz.
O trabalho de vigiar se o guia está sendo seguido fica a encargo de todos os funcionários. "Todo mundo é responsável pelo seu próprio policiamento e pelo dos colegas de trabalho."

O logotipo da empresa de Whitaker também sofreu modificações recentes "devido a novas diretrizes da empresa".

As até então tradicionais estrelas foram substituídas por folhas quando a agência passou a trabalhar com clientes ligados à sustentabilidade.

Impacto holístico

Outro aspecto que o empresário deve levar em conta é o monitoramento do impacto das mudanças nos "stakeholders" -clientes, fornecedores e comunidade em contato com a marca. "Se a recepção inicial das alterações for negativa, pode ser o caso de retroceder", alerta Luciano Deos, 43, presidente da consultoria de marcas GAD Branding & Design. (DB)

MANDAMENTOS

Para ter uma marca de sucesso

1 Lembre-se: a identidade da marca é como a firma quer ser percebida; a imagem é como ela é realmente percebida

2 Veja a marca como uma pessoa, uma organização e um símbolo, não só como um produto. Reduzir a identidade da marca aos produtos vendidos é uma armadilha

3 Considere os benefícios funcionais (usos para o produto) e os emocionais (emoções provocadas) da marca

4 Entenda o relacionamento entre a marca e o cliente

5 Mantenha símbolos, imagens e metáforas que funcionem. É importante ser coerente e entender a necessidade de enfrentar mudanças

6 Nomeie alguém para criar a identidade da marca e coordenar ações de comunicação

Fonte: "Construindo Marcas Fortes", de David A. Aaker



Agora o diferencial são as certificações segmentadas  volta

Caros, selos para orgânicos são tidos como pré-requisito

 

Folha de São Paulo
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
28/10/2007

 

O mercado de produtos orgânicos está cada vez mais fértil. Acompanhando esse ritmo, as certificações já são tidas como inevitáveis por quem produz e vende esses tipos de alimento.

Estampar a aprovação na embalagem do produto não é, contudo, um processo fácil.

Para garantir que o alimento foi cultivado sem adubos químicos ou agrotóxicos, é preciso procurar uma das seis certificadoras que atuam no Brasil e submeter o produto a inspeções e a outras burocracias.

José Pedro Santiago, diretor da IBD Certificações, estipula que o selo orgânico não saia por menos de R$ 2.500 reais por ano ao produtor.

Para os pequenos empresários que não querem -ou não podem- arcar com essa despesa, uma saída possível é unir-se a outros produtores e pagar, em conjunto, por uma só certificação.

O custo, dessa forma, cai consideravelmente. Para 30 produtores, o preço individual fica cerca de R$ 300 por ano.


Selo biodinâmico

Uma das vantagens de obter o selo é a agregação de valor ao produto. "Um alimento orgânico deve ser comercializado por um preço mais alto, que pode chegar a 40% mais do que o de um produto convencional", calcula Renata Tozaki, coordenadora de inspeções da empresa certificadora OIA Brasil.
A chancela, no entanto, não é mais uma escolha para o produtor nem um diferencial. "Sem ela, não é possível vender produtos orgânicos para supermercados nem para outros países", explica Santiago.
Para ir além, a tendência agora é especializar-se por meio de selos ecologicamente corretos. A marca alemã Demeter, por exemplo, aposta no açúcar biodinâmico.

A novidade foi apresentada no último dia 16, durante a segunda edição da feira de produtos orgânicos BioFach América Latina -que reuniu, segundo a organização do evento, 350 expositores e cerca de 8.000 visitantes em São Paulo.
(DIOGO BERCITO)

 

 


Parceria une franquias e shoppings   volta

 

Folha de São Paulo
MARIANA IWAKURA
DA REPORTAGEM LOCAL
28/10/2007

 

Com o objetivo de aproximar as franquias -incluindo as pequenas e médias- dos shopping centers, a ABF (Associação Brasileira de Franchising) fechou parceria com a BRMalls, que administra e comercializa 34 shoppings no país.
A idéia é trocar benefícios: enquanto as franquias levam suas marcas fortes aos centros de compras, os administradores desses locais reduzem os custos da manutenção das lojas e priorizam as franquias na alocação em novos empreendimentos.
O acordo será inaugurado em evento no próximo dia 6, quando 30 empresários associados da ABF entrarão em contato com gerentes comerciais da BRMalls. As informações trocadas serão divulgadas aos demais associados, e outros encontros deverão acontecer.
"Grandes franquias já tinham acesso a informações e negociações privilegiadas [nos lançamentos de shoppings], mas agora queremos gerar esse benefício também para as pequenas e médias", conta João Baptista Júnior, diretor de cursos e eventos da ABF. "Aliando o setor, há maior poder de barganha", argumenta.

 

 


Também quero!  volta

 

Folha de São Paulo

Valdo Cruz
29/10/2007
 
BRASÍLIA - Os servidores públicos tiveram uma bela derrota no Supremo Tribunal Federal, que tende a pôr fim na farra das greves sem limites. Digo bela pensando no interesse do cidadão. Aquele que é o verdadeiro patrão dessa turma e sempre acaba pagando o pato a cada paralisação.
Até aqui, pela omissão do Congresso e dos últimos governos, inclusive o atual, greve no serviço público é igual a licença remunerada. Com direito a xingar mãe de ministro na porta de ministério.

Antes de prosseguir, gostaria de testemunhar que conheço muito funcionário público competente, que trabalha mais do que gente no setor privado. Só que é confundido com um grupo que só quer privilégios e nenhum ônus.
Hoje, por exemplo, o maior desejo do funcionalismo é que o governo dê à categoria o direito de ter uma negociação coletiva, como orienta resolução da OIT (Organização Internacional do Trabalho).

Só que esse "direito" não faz o menor sentido num governo com tantas carreiras diferentes e com níveis opostos de avaliação.

Não é possível tratar desiguais de forma igual. Seria dar carona ao incompetente no bom desempenho do técnico de ponta, aquele que, por merecimento, deve ser premiado. O pior é que essa é a intenção de muita gente.

É hora de dar um verdadeiro "choque de gestão" no funcionalismo, não o de Lula, mas um que fixe critérios de promoção mais parecidos com os do setor privado. Coisa que causa ojeriza nos líderes dos servidores, que costumam decidir greves arrastando aposentados para assembléias. Pode?
Taí um belo teste para o governo Lula, repleto de sindicalistas em postos-chaves. Como enfrentar sua base histórica ao tratar do direito de greve? A conferir.

Por falar em funcionalismo, tem servidor que aderiu a plano de demissão voluntária, veja bem, voluntária, e está pedindo reintegração ao cargo. Socorro.

 


Crescimento do mercado de TI anima empreendedores   volta

Setor de tecnologia oferece produtos genuinamente brasileiros

 

O Estado de S.Paulo
Lucas Pretti
27/10/2007

 

O economista Wellington Freire já foi tachado de 'megalomaníaco da Bahia'. Talvez seja mesmo. Aos 41 anos, desde os 14 envolvido com tecnologia, seu modesto plano é dominar o mundo da programação de softwares com uma ferramenta 'multilíngüe' desenvolvida no Brasil. Ele teve uma boa idéia, desafiou céticos e agora parte para a briga contra gigantes, como Microsoft e Oracle.

O mercado brasileiro de tecnologia tem apresentado uma expansão considerável. Nos últimos 12 meses, o total de celulares no País cresceu 17,6%, atingindo 112,7 milhões em setembro. Este ano, a venda de computadores deve chegar a 10,1 milhões, ultrapassando pela primeira vez a de televisores. O acesso maior à tecnologia, somado às condições macroeconômicas favoráveis, tem incentivado empreendedores e investidores no setor de tecnologia.

Como a do baiano Wellington Freire. Por não ter formação em desenvolvimento de softwares, ele criou ojeriza às complexas linguagens de programação em linha (em que os comandos são digitados), como Java, Delphi, SQL ou C++. Desde que fundou a empresa Freire Informática, em 1996, e passou a fornecer soluções para prefeituras do interior da Bahia, sentiu necessidade de algo que não havia no mercado.

'Não podia simplesmente aceitar alguns conceitos estabelecidos pela maioria. Resolvi brincar, testar o novo', disse Freire ao Estado em Salvador, na sede de sua segunda empresa, a Softwell Solutions. Ele organizou uma equipe de 1,2 mil desenvolvedores em um trabalho de cinco anos para produzir o Maker, software que substitui as linhas de programação por interfaces gráficas. É o equivalente a migrar do antigo DOS para a plataforma Windows.

Quando por fim a versão beta ficou pronta, em 2003, Freire conseguiu argumentos para convencer seus programadores incrédulos. Em testes internos de desempenho, o Maker aumentou a velocidade de produção de programas em 60 vezes e trabalhou integrado à web, gerando o mesmo sistema em 180 linguagens diferentes. Ajustes foram feitos até chegar à versão comercial 2.3, lançada nesta semana durante a feira Secop, em Belo Horizonte.

Apesar de algumas vendas já realizadas, o mercado não está plenamente convencido das promessas do Maker. Mais de 80 sites e fóruns de tecnologia abrigam discussões calorosas sobre o software, e as opiniões pendem para o lado negativo. 'É difícil aceitar que brasileiros saiam na frente', diz Freire.

Outro exemplo de empreendedorismo é a Veotex, de Belo Horizonte, que criou um sistema de monitoramento com vídeo, via celular, que, segundo o diretor-presidente da companhia, Claudio Gaspari, não existe em nenhum outro lugar do mundo. 'Usar um equipamento importado aqui é como colocar um Fórmula Um para rodar numa estrada de terra', compara o executivo. 'Com um ano de lançamento, já temos mil módulos em funcionamento.'

Entre os clientes do sistema estão a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo, a Oi (ex-Telemar) e a Telemig Celular. A idéia para o equipamento foi do técnico em eletrônica Roberto Fernandino, diretor de Tecnologia da empresa. 'O horizonte é muito promissor.' A empresa espera faturar R$ 10 milhões este ano.

Ao mesmo tempo em que surgem empresas, os investidores buscam oportunidades. A gestora de fundos Stratus planeja captar, até o começo do próximo ano, pelo menos R$ 100 milhões para um novo fundo de tecnologia. 'Existem oportunidades de captar lá fora também', afirma Carlos Kokron, diretor de Venture Capital da Stratus.

COLABOROU RENATO CRUZ



Lula visita centro que desenvolve pesquisa pioneira para produção de bioetanol  volta
 

Mídia eletrônica: A Tarde Online
http://www.atarde.com.br
26/10/2007
 
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou hoje (26) o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes), na Ilha do Fundão, subúrbio da capital. No local, ele conheceu pesquisas pioneiras da Petrobras com o bioetanol, combustível obtido de resíduos agroindustriais, que representa a segunda geração de biocombustíveis.

Acompanhado do presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, e dos ministros Nelson Hubner, interino de Minas e Energia, e Sergio Resende, da Ciência e Tecnologia, Lula esteve na primeira unidade-piloto brasileira para testes de produção de bioetanol. Na unidade, desenvolvida pelo Cenpes em parceria com a empresa Albrecth, os pesquisadores usarão resíduos agroindustriais, principalmente bagaço de cana-de-açúcar, mais expressivo rejeito agrícola no Brasil, para produzir etanol com as mesmas características do convencional, que é feito com cana.

Segundo a Petrobras, a planta experimental representa “uma etapa intermediária do projeto de pesquisa em bioetanol (etanol de lignocelulose)”, iniciado em 2004, em parceria da estatal com a Universidade Federal do Rio de Janeiro e outras universidades brasileiras. Como resultado da pesquisa, a Petrobras já fez dois pedidos de patentes no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI).

Com base no resultado dos testes da unidade experimental, será desenvolvida uma planta com escala semi-industrial, que deve começar a operar em 2010, com capacidade para processar até 10 toneladas de bagaço, que resultarão na produção de 2,8 mil litros de etanol por dia.

Na visita de hoje, o presidente também tomou conhecimento de outras rotas tecnológicas para produção de biocombustível. Uma delas é a do HBio, processo de hidrogenação para obtenção de óleo diesel por meio da mistura de óleos vegetais ao diesel de petróleo. O processo, desenvolvido no Cenpes, foi bem sucedido em testes nas refinarias Petrobras.

Existem ainda a rota óleo, que tem como matéria-prima óleos vegetais ou gorduras animais; e a rota semente, que usa sementes oleaginosas. Tanto no caso do processo HBio (óleo diesel mineral em fase de teste em algumas unidades da petróleo), quanto no das rotas tecnológicas de biodiesel, a Petrobras fez pedidos de patente ao INPI.

Antes da visita, o presidente Lula assistiu a uma apresentação de dados sísmicos na Sala de Visualização do Cenpes. Foram exibidas imagens em três dimensões de uma sessão sísmica no fundo do mar em áreas de exploração e produção de petróleo.

Neste momento, o presidente está reunido com a diretoria da Petrobras. Segundo a assessoria de imprensa da Petrobras, o objetivo da reunião é avaliar o andamento das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) a cargo da empresa. Depois da reunião, o presidente segue para a Base Aérea do Galeão, de onde embarca de volta para Brasília.



País prepara reunião de emergentes para discutir Doha   volta

 

Valor Econômico
Assis Moreira
29/10/2007
 

O Brasil aumenta a pressão na Rodada Doha, preparando uma reunião de ministros do G-20 e dos outros grupos em desenvolvimento para 15 de novembro, em Genebra, antecedendo os textos finais para eventual acordo agrícola e industrial. O embaixador brasileiro junto à OMC, Clodoaldo Hugueney, prefere nâo falar de aliança dos países em desenvolvimento, mas de esforço para obter equilibrio na negociação. "O G-20 sempre disse que trabalha por entendimento até o fim do ano."

Os países em desenvolvimento representam dois terços dos 150 membros da OMC. Estão de acordo sobre dois dos três pilares da negociação agrícola: combate aos subsídios à exportação e às subvenções domésticas, que derrubam preços internacionais. Mas no terceiro, sobre acesso ao mercado, há claras diferenças. Os mais pobres, da África, Caribe e Pacifico, têm preferências para vender para Europa e EUA e temem a erosão dessa vantagem com a redução das tarifas de importação para países como Brasil e Argentina. Além disso, o G-20 é um grupo para negociação agrícola. Dentro dele, há quem não queira misturar a discussão com a negociação de produtos industriais, onde o racha entre alguns emergentes é evidente.

Hoje ou amanhã, o Uruguai, em nome do Mercosul, apresentará a proposta por flexibilidade adicional, de 10 para 16% das linhas tarifárias, e nenhum limite sobre o volume de importações, para proteger indústrias do bloco. O curioso é que o Mercosul não menciona coeficiente, que determinará o corte tarifário em geral. Ou seja, não engessou sua demanda, deixando margem para a negociação.

 


A aposta brasileira na África  volta

 

Valor Econômico
Por Luiz Inácio Lula da Silva
29/10/2007
 

Acabo de voltar de minha sétima viagem à África, onde estive em Burkina Fasso, República do Congo, África do Sul e Angola. Desde 2003, visitei 19 países africanos, muitos dos quais nunca tinham recebido um chefe de Estado brasileiro.

Esse continente passa por profundas transformações. Quem se acostumou a só ver imagens trágicas de guerras, refugiados e miséria, ignora que países como Angola e República do Congo estão em franca trajetória de reconstrução nacional. Que Burkina Fasso, após processo de independência traumático, vem realizando eleições livres, conforme atestam observadores internacionais. Que a África do Sul superou a herança do "apartheid" e está construindo uma história de sucesso, no marco da consolidação democrática. Os países africanos avançam na integração econômica e comercial e estão engajados na pacificação de todo o continente.

Graças à crescente estabilidade política, a economia africana deverá crescer 6,2% este ano. A região atrai investimentos de todas as partes do mundo, interessados nos recursos naturais, na construção da infra-estrutura e em um mercado que se amplia.

O Brasil tem todas as condições de contribuir para esse "renascimento africano". Queremos superar o passado cruel da escravidão, que infelicitou-nos de um e de outro lado do Atlântico. Temos vínculos históricos. Somos étnica e culturalmente semelhantes. Precisamos reforçar o intercâmbio nas áreas da cultura e da educação. Por isso, em Burkina Fasso participei da inauguração de um festival de cinema brasileiro e, em Angola, anunciamos a disposição de receber mais bolsistas daquele país.

Hoje, desenvolvemos relações baseadas no interesse mútuo e na solidariedade. Por essa razão passamos a ter uma relação diferenciada com a África. Inauguramos 12 novas embaixadas na região em meu governo e o número de missões diplomáticas africanas em Brasília passou de 16 (em 2003) para 24.

No plano econômico, empreiteiras brasileiras participam em obras de infra-estrutura viária, urbana e energética em Angola, e tencionam voltar à República do Congo, onde já tiveram presença importante. Para facilitar esses investimentos, e estimular exportações de bens e serviços, ampliamos nossa capacidade de crédito para o comércio e os investimentos e criamos linhas especiais de financiamento a partir do perdão de dívidas bilaterais.

A Petrobras já está presente em sete países da região - Nigéria, Angola, Guiné Equatorial, Líbia, Tanzânia, Moçambique e Senegal -, trabalhando com empresas locais e estrangeiras na prospecção em águas profundas e no segmento de exploração e produção.

Prova de que vivemos momento novo nas relações com a África é a participação de empresa privada angolana na exploração de hidrocarbonetos no Brasil. A Somoil venceu disputa para explorar petróleo e gás na Bacia do Recôncavo, tornando-se a primeira empresa petrolífera angolana a trilhar o caminho da internacionalização.

 
Graças à crescente estabilidade política, a economia africana, que deve crescer 6,2% este ano, atrai investimentos
 

O comércio entre Brasil e África avança em ritmo impressionante. Triplicou, desde 2002, atingindo US$ 15,5 bilhões. Nesse mesmo período, as exportações brasileiras também se multiplicaram três vezes, passando, em 2006, a US$ 7,5 bilhões, a maioria de produtos industrializados. Para o Congo, cresceram 15 vezes. Para a África do Sul o aumento foi de 205%.
Agora, o objetivo é diversificar as exportações africanas ao Brasil, atualmente de baixo valor agregado e concentradas em número reduzido de produtos.

Os países africanos estão construindo suas soluções e caminhos. Dispensam receitas mágicas impostas de fora. Não querem o mero assistencialismo. A inauguração de escritório da Embrapa, em Gana, cria posto avançado de cooperação técnica em setores em que o Brasil detém reconhecida competência, como pesquisa agrícola. O mesmo vale para o combate a doenças infecciosas. Assim, vamos ajudar Burkina Fasso a modernizar sua cotonicultura e cooperar com os congoleses no combate à Aids e à malária. Em Moçambique, pretendemos construir fábrica de anti-retrovirais, que dará a pessoas em necessidade maior acesso a medicamentos vitais.

Enfatizei o potencial dos biocombustíveis para os países que visitei. Desde que respeitadas as características e realidades locais, o etanol e o biodiesel podem ser ferramentas de transformação econômica e social, gerando empregos e renda, ademais de ajudar no combate ao aquecimento global. No caso de alguns países que não dispõem de hidrocarbonetos, poderão constituir importante alternativa para a geração de energia. A participação desses países será decisiva para a criação de um verdadeiro mercado internacional para os biocombustíveis.

Fui à África com o objetivo de aprofundar nosso diálogo político. Numa época de desafios e ameaças globais, é fundamental encontrar soluções duradouras e eqüitativas que reflitam o interesse da maioria.

Queremos que as negociações multilaterais eliminem as distorções no comércio de produtos agrícolas praticadas pelos países desenvolvidos. Por isso, o Brasil ajudou a criar o G-20, que se transformou em interlocutor fundamental no processo negociador de Doha. Também por essa razão, o Brasil questionou, com êxito, em painel na OMC, práticas comerciais de países ricos que prejudicam fortemente a principal exportação de Burkina Fasso, o algodão.

Precisamos juntar nossas vozes nos foros internacionais. Caso contrário, decisões que nos afetam diretamente continuarão sendo tomadas à nossa revelia. Esse é o objetivo principal do Fórum Ibas (Índia, Brasil e África do Sul), que se reuniu agora em Pretória: buscar uma ordem mundial mais justa e digna para os países em desenvolvimento. Para lograr esses objetivos será necessário também reformar a ONU e seu Conselho de Segurança, que deverá contar com novos membros permanentes vindos da Ásia, África e América Latina.

Milhões de africanos trabalham para encontrar o caminho do desenvolvimento sustentável e eqüitativo. Essa é a África que visitei e a África na qual o Brasil aposta. É o continente com o qual nós, brasileiros, queremos cada vez cooperar para transformar afinidades e interesses comuns em benefícios concretos para nossos povos.

Luiz Inácio Lula da Silva é presidente do Brasil



BNDES vai medir capital intangível das companhias   volta

 

Valor Econômico
Vera Saavedra Durão
29/10/2007


O BNDES começará a medir a presença do capital intangível nas empresas para as quais empresta. O que se pretende é criar uma nota de classificação de risco baseada no peso do fator "inteligência" dentro das corporações. Este rating poderá beneficiar o cliente na análise de crédito feita pelo banco, reduzindo o custo de capital. Nesta classificação entram práticas de governança, treinamento de mão-de-obra, práticas de gestão, processos de relacionamento com clientes, design, software, tecnologia da informação, tratamento dos minoritários, P&D, marca e patentes, entre outros.

Para implementar a novidade nas políticas operacionais, o banco desenvolveu junto com a Coppe/UFRJ uma metodologia para medir o capital intelectual no universo de seus tomadores de crédito. O resultado do trabalho BNDES/Coppe, inédito no país, vai ser apresentado no seminário "Avaliando os capitais intangíveis no Brasil", hoje e amanhã na sede do banco.

A iniciativa do BNDES foi bem recebida por empresas de pequeno porte como a Genoa, da área de biotecnologia, estruturada em ativos intangíveis com destaque para P&D. "O que temos de tangível é muito pouco", disse Ana Paula Wirthmann, diretora financeira da empresa. A expectativa de Ana é que com a nota de risco do BNDES a Genoa possa ser mais valorizada no mercado financeiro e consiga abrir espaço para se capitalizar via fundos de venture capital.

José Rogério Luiz, vice-presidente de gestão e relações com investidores da Totvs, que produz software de gestão e tem faturamento de quase R$ 500 milhões, prevê que a introdução dos intangíveis na análise de crédito do banco reforce a idéia de que não há risco de emprestar às companhias que tenham em sua composição mais capital intangível. "Muitas instituições financeiras não sabem reconhecer isto", disse Luiz. Ele enfatizou que os resultados financeiros da Totvs, que dobrou seu faturamento nos últimos três anos, demonstram que o conhecimento usado de maneira intensiva tem se convertido em números palpáveis e sólidos e revertido em crescimento para a empresa.

A Genoa e a Totvs, junto com Embraer e Suzano, foram selecionadas para terem seus ativos intangíveis medidos pelo estudo do BNDES/Coppe. Elas são referências nacionais e até mesmo internacionais nessa área, como é o caso da Embraer, além de pertencerem a diferentes setores e terem portes diversos, o que as credenciou para um projeto-piloto. Cada uma foi visitada pelos pesquisadores e respondeu a um amplo questionário em 53 indicadores de qualidade que geraram relatórios e um Plano de Ação para o futuro. O resultado da pesquisa foi o rating de capital intangível (CI), ao qual ainda não tiveram acesso.

Para lidar com os novos conceitos, o BNDES acabou de criar um Departamento de Programas e Políticas, na área de Planejamento, chefiado por Helena Tenorio Veiga de Almeida. Ela participou do grupo de trabalho para criar a metodologia de avaliação do capital intangível. Sua função será a de incorporar o conceito intangível à rotina de análise de projetos de financiamento do banco.

Eduardo Rath Fingerl, diretor da área de Mercado de Capitais do BNDES e organizador do seminário, disse ao Valor que a idéia do banco, ao promover um debate sobre o capital intangível, é buscar acompanhar a tendência mundial das empresas. "Estamos diante de uma mudança de paradigma, em que os principais fatores competitivos das corporações não são mais os tradicionais, como mão-de-obra, equipamentos e imóveis. O conhecimento tem sido cada vez mais determinante no desempenho das companhias", alertou.

A avaliação dos capitais intangíveis no Brasil é ainda uma questão embrionária, reconhece. E muito complexa. Rath Fingerl diz que o interesse do banco pelo assunto é resultado de visão estratégica sobre os fatores que criam hoje um diferencial no valor das companhias. "Isto é uma mudança estrutural fundamental para quem trabalha no longo prazo".

Para ele, o bem intangível é algo difícil de ser transformado em ativo e por isso não entra no balanço das empresas, pois não é considerado investimento. Quando entra, no geral, entra como despesa. "O que o banco quer é tornar este capital intelectual ativável, pelo menos em parte, dando-lhe um referencial de valor. Esta é uma discussão grande no mundo atual, envolvendo a SEC, a OCDE, o Banco Mundial, o METI do Japão", analisou. "A divulgação das atividades de capital intelectual dentro das empresas vai afetar diretamente as contas nacionais dos países. Tem um PIB gerencial gigante não contabilizado no mundo. Mas esta é ainda uma tarefa muito complexa", concluiu Rath Fingerl.

 

 


Banco cria fundo de 'capital semente' voltado à inovação   volta

 

Valor Econômico
Do Rio
29/10/2007


Em novembro, começa a operar o fundo de investimento de capital semente (seed money) do BNDES, o Criatec, constituído pela área de mercado de capitais para apoiar com participação acionária minoritária de até 40% empresas inovadoras nascentes com faturamento de até R$ 6 milhões. O banco vai investir R$ 80 milhões no Criatec, num prazo de 4 anos. A expectativa da instituição de fomento é garantir o desenvolvimento de até 60 empresas no período, gerando 3 mil empregos. O valor máximo de investimento por empresa é de R$ 1,5 milhão. A duração do fundo é de 10 anos. 


O Criatec tem modelagem de um fundo nacional, que contará com a atuação de seis gestores de núcleos regionais baseados em Belém (PA), Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Florianópolis (SC). Os gestores nacionais do fundo já foram escolhidos. Será a Antera junto com o Instituto de Inovação de Belo Horizonte. Eles ganharam o processo de seleção concorrendo com seis propostas. O foco da Antera e do Instituto de Inovação de Belo Horizonte é trabalhar com empresas inovadoras nascentes. Eles têm expertise financeira para lidar com estas empresas e já carregam um portfólio próprio. 


O BNDES pretende, porém, que os gestores nacionais do Criatec formem um segundo portfólio com empresas incubadas, que são mais de 300 no Brasil, sendo que deste total, no mínimo umas 30 são muito bem-sucedidas, como as da USP e da Coppe/Rio. Um terceiro grupo de empresas nascentes também será alvo do Criatec. São as chamadas empresas "âncoras", derivadas de divisões (spin off) de empresas grandes. A Vale do Rio Doce e a Braskem, por exemplo, são fantásticas geradoras de inteligência do que gravita em torno delas. 


O foco do Criatec são as empresas dos setores de TI, biotecnologia, novos materiais, nanotecnologia e agronegócios. 


O diretor da área de mercado de capitais do BNDES, Eduardo Rath Fingerl, disse que o banco está empenhado em criar apoio tanto financeiro, quanto via participação acionária, para as empresas inovadoras emergentes. A área de mercado de capitais da instituição já criou 10 fundos de investimento - 8 de Venture Capital e 2 de Private Equity, todos atuantes - visando o desenvolvimento das empresas inovadoras. Rath Fingerl prevê que estes 10 fundos que receberam R$ 260 milhões do banco vão alavancar R$ 1,2 bilhão no total de investimentos nos próximos 4 anos. 


"A nossa ênfase é na base tecnológica, razão pela qual estamos agora criando o fundo de capital semente. A inovação é vista pelo BNDES como o cerne da empresa. Nossa meta com este novo instrumento financeiro é manter a inteligência do Brasil no Brasil, transformando criadores em empreendedores", afirmou o diretor do BNDES. (VSD) 

 

 



Novo paradigma corporativo, tema ainda carece de medidas e objetividade  volta

 

Valor Econômico
Graziella Valenti
29/10/2007

 

Embora ainda haja muita dúvida sobre o que são e como se administra, os intangíveis já entraram para a agenda dos executivos. Pesquisa realizada pela Fundação Nacional de Qualidade (FNQ) mostra que houve unanimidade em torno da afirmação que os "ativos intangíveis têm cada vez mais valor". O tema está entre os apontados como de grande impacto nas corporações, segundo a percepção dos 561 executivos ouvidos pela fundação, junto de questões como desenvolvimento de parâmetros competitivos (benchmarking) e responsabilidade social.

Porém, trata-se de um campo em que a carência por informações é grande. Michal Gardenkraut, presidente-executivo do FNQ, conta que o estudo da instituição sobre esse assunto é o mais demandado de todos. Muitos mistérios ainda envolvem os intangíveis. Talvez, segundo ele, essa seja a explicação da diferença entre o impacto que os administradores atribuem ao tema e o que efetivamente percebem no resultado.

A mesma pesquisa da FNQ mostra que o percentual daqueles que vêem impacto dos intangíveis sobre o desempenho do negócio é de 71%. Na prática, significa dizer que 29% dos entrevistados acreditam que os ativos que não são tangíveis têm mais valor a cada dia, mas não percebem o que agregam na performance de sua atividade.

Tal fato vem da dificuldade de se quantificar os bens intangíveis: ativos essenciais como marca, conhecimento, base de dados da empresa, rede de relacionamento dos executivos e tecnologia. Ninguém nega que eles fazem a diferença na performance de venda de produtos e serviços de uma companhia, mas também não há quem ouse atribuir-lhes valor inquestionável. Daí a quantidade de dúvidas.

"Hoje, as empresas se diferenciam pela percepção que o cliente tem do produto", ressalta Tadeu Pagliuso, superintendente-geral da FNQ. Na grande maioria das vezes, a diferença vem do intangível.

A formulação de estratégias e o desenvolvimento do mercado de capitais estão na raíz do crescimento desse debate. Ao mesmo tempo que os executivos desejam agregar cada vez mais valor a sua produção e prestação de serviços, os investidores vivem da projeção de lucros futuros e querem mais dados sobre as companhias. Não registrar tais bens pode tornar o balanço menos fiel à realidade, quando o objetivo é medir valor.

Na contabilidade, o intangível não é registrado, nem pelas regras brasileiras, nem pelas internacionais. Eliseu Martins, da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), explica que a finalidade principal do balanço é mostrar de onde vem e para onde vai o dinheiro - e não atribuir um valor ao negócio.

O Brasil tem um diferencial nas regras. Enquanto lá fora, investimento em pesquisa e desenvolvimento deve ser registrado como despesa, aqui há possibilidade de contabilizá-lo como ativo diferido. Porém, a regra é facultativa e a maioria das companhias, segundo Martins, prefere considerar como despesa. Assim, reduzem o lucro tributável e o imposto a pagar.

Na opinião do professor, para dar mais informações aos investidores, o adequado seria fornecer um balanço tradicional e um com os ativos que a empresa entende deter, incluindo os intangíveis. Para Martins, por serem subjetivos, os intangíveis são voláteis e poderiam trazer instabilidade desnecessária aos números.



Mandioca doce é nova opção para etanol   volta

 

Valor Econômico
Cibelle Bouças
29/10/2007
 
A estatal Embrapa identificou, em meio às suas pesquisas como fontes alternativas de energia, uma variedade de mandioca ideal para a produção de etanol, mas que hoje não é produzida em escala comercial. Nativa da região amazônica, a variedade é conhecida como mandioca doce e tem como diferencial o fato de produzir açúcar em vez de amido.

No país, algumas empresas realizam tentativas com o etanol de mandioca. Entre 1978 e 1983, a Petrobras produziu o combustível em uma destilaria no Maranhão, que hoje produz álcool a partir do babaçu. Empresários pernambucanos também anunciaram neste ano investimento em micro-destilarias com álcool de mandioca naquele Estado.

De acordo com Manuel Cabral, coordenador-geral da Embrapa Recursos Energéticos e Biotecnologia, as indústrias adotam um processo químico para quebrar as moléculas de amido da mandioca e convertê-las em açúcar para, em seguida, fazer a fermentação, que converte o açúcar em álcool. "Esse processo exige o uso de enzimas que são muito caras. A vantagem da mandioca doce é que ela dispensa a primeira etapa e, por isso, o custo industrial é menor".

A variedade, mais arredondada e com aparência similar à batata-doce, é pesquisada pela Embrapa desde 1999. Neste ano, a estatal iniciou os testes de campo em diferentes regiões do país para avaliar a sua adaptabilidade a diferentes condições de clima e solo. "Em laboratório, já produzimos o melaço, que é bastante semelhante ao melaço da cana. Agora vamos produzir o etanol em laboratório", diz. A expectativa , segundo ele, é obter os primeiros resultados dos testes de campo já no próximo ano. "Como é uma variedade nativa e não-transgênica, a liberação para uso comercial será simples".

Ainda na área de energia limpa, a Embrapa desenvolve variedades de cana-de-açúcar transgênicas resistentes à seca e tolerantes a insetos e pragas. A expectativa da estatal é que as novas variedades cheguem ao mercado dentro de seis anos.

Além da mandioca e da cana, a Embrapa negocia com países da África a importação de oleaginosas que apresentam resistência natural à seca. O objetivo é avaliar a sua adaptação no Brasil para a produção de matérias-primas voltadas a biocombustíveis.

 



Em defesa da inovação e da saúde pública volta

 

Mídia eletrônica: Farmácia.pt (Portugal)
http://www.farmacia.com.pt
27/10/2007


Foi lançado nesta quinta-feira, por um grupo de “opinion makers” de nível internacional, um fórum online que pretende fomentar o debate de questões relacionadas com a propriedade intelectual, a inovação na indústria farmacêutica, a protecção por patentes e a investigação na área da saúde pública. O debate está instalado no endereço electrónico http://www.essentialinnovation.org/.

Trata-se de um novo recurso global que se centra no diálogo sobre o papel dos direitos de propriedade intelectual na área da pesquisa e da inovação, onde também estarão disponíveis os comentários e as análises dos especialistas que tenham em conta a importância da inovação contínua e dos direitos de propriedade, bem como as consequências potencialmente nefastas de um enfraquecimento desses direitos em termos da saúde pública mundial. É um fórum sem precedentes na história da indústria farmacêutica mundial, que demonstra um elevado grau de cooperação entre investigadores, académicos, médicos e inventores de bens e produtos que visam salvar ou melhorar a vida dos seres humanos.

O novo site surge num momento em que tem sido crescente a onda de ataques à propriedade intelectual no desenvolvimento de novos fármacos, em que a organização Médicos sem Fronteiras francesa veio a público defender que “as patentes não constituem um factor relevante no estímulo da investigação e do desenvolvimento de novos produtos, enquanto a Tailândia e o Brasil violaram a lei, a coberto de um esquema que pretendia “mascarar” uma acção irregular de uma oferta de medicamentos mais baratos aos doentes, e a própria Organização Mundial de Saúde se prepara para, já no próximo mês, considerar a introdução de novas políticas que, de acordo com os especialistas, “enfraquecem significativamente a protecção intelectual de quem concebe e produz medicamentos.

Carla Teixeira

 



Portugal está já a exportar mais tecnologia do que a importar    volta

Mídia eletrônica: Portugal.pt (Portugal)
http://ultimahora.publico.clix.pt/
27/10/2007
 

O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou hoje que Portugal está a exportar mais tecnologia do que a importar e considerou que nunca houve um período tão curto com igual aposta na ciência.

José Sócrates falava no Centro Cultural de Belém, na abertura de mais uma edição do Fórum Novas Fronteiras, dedicada à ciência e à tecnologia, em que fez um balanço dos resultados obtidos nessas áreas desde que o seu Governo tomou posse, em Fevereiro de 2005.

O secretário-geral do PS apresentou como novidade que "este ano, desde Janeiro, a balança tecnológica do país é positiva".

"Portugal está a exportar mais tecnologia do que aquela que importa. Isto tem sido permanente ao longo dos meses", sublinhou.

"Significa que esta é uma actividade bem integrada na economia global, significa que Portugal tem já o nível de investimento e desenvolvimento para responder às exigências desta área comercial", acrescentou.

"Em 2008, pela primeira na história de Portugal, vamos conseguir atingir um por cento de investimento em ciência em percentagem do PIB (Produto Interno Bruto), cumprindo o que foi desde sempre um grande objectivo nacional", salientou, por outro lado.

José Sócrates alegou que "nunca houve um período tão curto com uma tamanha e tão importante aposta na ciência e na tecnologia" no país.

Sócrates referiu também como "resultados dessa aposta, dessa política" o crescimento de 18 por cento da produção científica, medida através dos artigos referenciados em publicações científicas, e a subida para 100 mil dos investigadores doutorados a trabalhar em centros de investigação científica.

"Isto quer dizer que há uma comunidade científica em Portugal", disse, mencionando ainda, entre outros números, a duplicação das patentes registadas na Europa e o aumento de 71 por cento das patentes registadas nos Estados Unidos da América.

O secretário-geral do PS destacou as parcerias estabelecidas com entidades como o Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT).


 


Serverside Group recebe patente européia sobre principal arquitetura de customização de cartão  volta

Mídia eletrônica: Business Wire
http://home.businesswire.com
26/10/2007

LONDRES--(BUSINESS WIRE)--A fornecedora de tecnologia global, Serverside Group, anunciou que o European Patent Office concedeu uma patente européia para sua principal arquitetura de customização de cartão.

A concessão da patente foi oficialmente publicada em 26 de setembro de 2007 sob o Número de Patente Europeu No. 1602072. A solicitação que levou a essa patente definiu a primeira de três invenções derivadas da família de patentes mundiais original, que por sua vez é uma das várias famílias de patentes mundiais solicitadas para cobrir o projeto, comercialização e produção de cartões de transações financeiras customizados. A imagem incluída (com o logotipo MyBank remarcado) corresponde a um esboço da patente concedida e indica o tipo de ferramenta de manipulação de imagem protegido.

A patente européia melhora significativamente a posição competitiva da Serverside e a confirma como inovadora líder na área de customização de cartões. Com efeito imediato, a Serverside estará buscando ativamente licenciados para trabalhar com eles em termos comerciais apropriados. Ela também continuará a procurar seu crescente portfólio de direitos de patentes internacionais.

James Pendley, diretor executivo da Serverside Group, comentou:
"O recebimento da patente européia representa uma excelente notícia para a Serverside. Considerando o nosso nível de inovação, nós sempre achamos importante investir em nossa IP (Propriedade Intelectual) e a decisão do European Patent Office, a primeira a considerar essa solicitação, para a concessão em nosso favor, claramente justifica nossa estratégia. O European Patent Office não é a mais fácil das agências e esperamos que outros territórios sigam o exemplo. Naturalmente, embora este seja um ótimo resultado, nós ainda temos um trabalho a fazer e agora enfocaremos nossa atenção no restante das nossas solicitações de patentes."

Sobre a Serverside

Fundada em 2003, a Serverside Group é líder global de tecnologia em design de cartão digital e fornecedora de soluções de software inovadoras para emissores, bureaus de personalização e fabricantes de cartões. Os dois produtos carros-chefes da companhia, AllAboutMe, um aplicativo baseado na Web que permite aos possuidores de cartões projetar seus cartões de pagamento exclusivos online, e Virtual Portfólio, uma ferramenta de gerenciamento baseada na Web que permite aos emissores lançar rapidamente campanhas de cartões de qualquer tamanho, ajustá-las em tempo real e imprimir cartões sob demanda. A Serverside possui atualmente 52 clientes contratados em 19 países abrangendo mais de 200 programas de cartões globalmente.

A Serverside Group está sediada em Londres e possui escritórios em Taipei, Nova York, Chicago e Auckland, Nova Zelândia. A companhia tem alianças estratégicas com a Visa e a Datacard Group. Para obter informações adicionais e ver uma demonstração de cartão ao vivo, visite www.serversidegroup.com.
MULTIMÍDIA DISPONÍVEL: http://www.businesswire.com/cgi-bin/mmg.cgi?eid=5527953

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