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22/10/2007

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Segunda-feira, 22 de outubro de 2007.

Comentários, dúvidas e sugestões:
sercom@inpi.gov.br

 


1. O guaraná da Amazônia é dos japoneses
2. “Devemos nos antecipar aos biopiratas”, ensina pesquisador
3. China terá estratégia para a proteção da propriedade intelectual
4. MCT discute com instituições da área a criação do Sibratec
5. Raitec apóia 93 empresas de TI
6. Congresso discutirá propriedade intelectual e inovação tecnológica
7. O setor público e a satisfação do cidadão
8. Petróleo nas alturas
9. EUA barram satélite do Brasil com a China
10. O momento "língua portuguesa" do Brasil
11. Garimpo biológico
12. Uma ética dos robôs
13. A China 'científica' de Hu
14. Warner licencia times europeus no Brasil
15. Vidas em jogo
16. Microsoft concorda com exigências antitruste da UE

 

 


O guaraná da Amazônia é dos japoneses    volta   

Mídia eletrônica: Notícias da Hora
http://www.noticiasdahora.com
20/10/2007


O governo brasileiro travou uma luta diplomática no passado para reaver a patente do cupuaçu que chegou a pertencer aos japoneses, nesta briga o Brasil teve sucesso.

Mas agora o Brasil tem mais uma batalha pela frente. A empresa “Modan” uma das maiores indústrias multinacional de cosméticos japonesa, registrou em 2004 o nome guaraná como marca para diversos produtos. A empresa até hoje fatura milhões de reais com importações e exportações, estampando no rótulo de suas embalagens a marca guaraná.

O guaraná é um aurbusto originário da Amazônia, encontrado no Brasil e Venezuela. Sua fruta possui uma substância parecida com a  cafeína (guaraína) e devido a essa propriedade estimulante é usada para a fabricação de xarope e refrigerantes. No Brasil é cultivado no estado do Amazonas e Bahia. A fruta possui casca vermelha e quando madura deixa aparecer a polpa branca e suas  sementes, assemelhando-se com olhos. Na região próxima ao município de Maués no Amazonas, onde é cultivada, os índios da nação  saterê – mawê tem lendas sobre a origem da planta, considerada um energético natural.

O governo brasileiro já pediu aos japoneses a quebra e o cancelamento da patente, alegou que nome guaraná pertence às comunidades tradicionais da Amazônia, mas o governo do Japão negou.
O Japão é atualmente a maior potência mundial no seguimento de registro de marcas de produtos.

Em Tóquio existe um órgão do governo com uma grande estrutura com centenas de funcionários que trabalham 24 horas reconhecendo de maneira rápida patentes. No país bilhões de reais giram na economia quando um produto é reconhecido pelas instituições governamentais, além disso, os orientais dominam com muita eficiência a gestão das leis criadas pelo parlamento e o poder judiciário local.

No Brasil a situação ainda é bem diferente, faltam leis específicas a cerca do registro de marcas e patentes de recursos biológicos e conhecimentos tradicionais da Amazônia.  As iniciativas ainda são tímidas. Durante a ECO-92 no Rio de Janeiro, foi assinado a Convenção da Diversidade Biológica que visa, entre outros, a regulamentação do acesso aos recursos biológicos e a repartição dos benefícios oriundos da comercialização desses recursos para as comunidades. Em 1995, a Senadora Marina Silva (a partir de 2003, Ministra de Meio Ambiente do Brasil) apresentou um projeto de lei para criar mecanismos legais para por em pratica às providências da Convenção da Diversidade Biológica.

Em Dezembro 2001, Pajés de diferentes comunidades indígenas do Brasil formularam a carta de São Luiz do Maranhão, um importante documento para OMPI (Organização Mundial de Propriedade Intelectual da ONU), questionando frontalmente toda forma de patenteamento que derive de acessos a conhecimentos tradicionais. Em maio de 2002, dez anos após a Eco 92 houve em Rio Branco - Acre, o workshop "Cultivando Diversidade". Participaram deste evento mais de 100 representantes de agricultores, pescadores, povos indígenas, extrativistas, artesãos e ONGs de 32 países da Ásia, África e América Latina, os quais formularam o "Compromisso com de Rio Branco” alertando sobre a ameaça da biopirataria e requerendo, entre outros, que patenteamento de seres vivos e qualquer forma de propriedade intelectual sobre a biodiversidade e o conhecimento tradicional sejam banidos.

Países vítimas da biopirataria pretendem assinar a convenção internacional de combate ao roubo de patentes. A idéia e que para reconhecer qualquer tipo de patente, o suposto dono comprove por meios legais as origens e declare que não existem em nenhum outro lugar produtos semelhantes, sob risco de penalidades.

A organização não governamental Amazon Link que atua no Acre, foi quem comprou briga para que o cupuaçu fosse reconhecido como produto brasileiro. A ong teve que correr atrás de recursos para bancar os gastos jurídicos. Mas agora está sem dinheiro para entrar na luta contra os japoneses que são donos do guaraná da Amazônia. Mas a amazon link, faz o que pode para preservar o conhecimento genético, um dos projetos e o aldeias vigilantes, 15 comunidades tradicionais já receberam atividades de conscientização e preservação dos conhecimentos tradicionais e combate a biopirataria.

Se o poder público não faz nada os japoneses vão continuar enriquecendo com nosso conhecimento, agora com o guaraná, e em breve com mais riquezas da Amazônia.

Marcos Venícios – Da Redação do Noticias da Hora

 



“Devemos nos antecipar aos biopiratas”, ensina pesquisador  volta

Mídia eletrônica: Notícias da Hora
http://www.noticiasdahora.com
19/10/2007

“Gerar, patentear e comercializar os produtos antes dos outros. Se antecipar aos biopiratas. Ser competente mesmo”. Essa é a receita do pesquisador Luis Antônio de Oliveira, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), para acabar com a biopirataria que vitima a fauna e a flora brasileiras. O tema foi abordado em audiência pública na manhã de ontem na Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional (CAINDR) da Câmara dos Deputados.

Apesar de acreditar que a legislação ainda é precária e precisa ser melhorada, Luis Antônio Oliveira deixa claro que lei e fiscalização não resolvem o todo do problema. “Existem deficiências regionais em recursos humanos e qualificação. É fundamental investir em pesquisa e formação de mestres na região Amazônica. É preciso pelo menos 10 mil doutores na região para uma pesquisa consistente. Só assim teremos condições de conhecer adequadamente nosso ecossistema e a biodiversidade da Amazônia”, ressaltou.

O pesquisador criticou o fato do modelo Zona Franca de Manaus (ZFM) não ter nenhum percentual para pesquisa e fortalecimento da Universidade Federal do Amazonas. “Este modelo é muito bom, mas não impõe parte da isenção que dispõe para financiar pesquisas e consolidar as instituições da região”, desabafou. Ele defendeu também a socialização de conhecimento: “É conhecendo a região que vamos ajudar a preservá-la. É fundamental que promovamos o envolvimento da sociedade com a ciência e o conhecimento”.

Luiz Oliveira afirmou também que a educação precisa ser voltada para o aproveitamento do potencial biológico de cada região. “As larvas de moscas, por exemplo, têm sido testados na limpeza de tecidos necrosados em ferimentos e os urubus podem ser usados na localização de matadouros clandestinos”. O pesquisador lembrou também o caso da toxina botulínica, conhecida como botox. “Essa substância é altamente tóxica, mas tem sido usada de forma ampla e com sucesso em todo o mundo pela Medicina e em tratamentos estéticos”, informou.

Os mais procurados - O assessor do diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Marcelo Sauwen Cruz, disse que as espécies mais cobiçadas pela biopirataria são insetos, aracnídeos, serpentes e sapos.

Numa relação da biodiversidade com a economia ele informou que o mercado mundial de produtos farmacêuticos são 40% derivados da biodiversidade e geram US$ 400 bilhões ao ano. Já o de enzimas industriais gera US$ 3.6 bilhões ao ano e o de cosméticos US$ 167 bilhões.

Marcelo Cruz lembrou o caso do Captopril (remédio contra hipertensão) que foi patenteado por um laboratório norte-americano e é produzido a partir do veneno da jararaca. Esse laboratório, segundo ele, lucra 5 bilhões de dólares por ano com esse medicamento. Ele destacou ainda que o jaborandi, planta amazônica, tem 34 patentes registradas no exterior, 18 delas nos EUA.
Para Sauwen Cruz é urgente o aprimoramento da legislação para reforçar o combate à biopirataria. Uma dessas lacunas, segundo ele, é a falta de tipificação do crime de biopiratria. Ele lembrou o caso de um alemão que foi detido no aeroporto de Brasília, em 2004, com várias aranhas que seriam levadas para o exterior e foi enquadrado na lei de crimes ambientais por tráfico de fauna, cuja a pena é de até dois anos de detenção, porém acabou sendo liberado.

Polícia Federal – o delegado da divisão de repressão contra os crimes ao meio ambiente e patrimônio histórico da Polícia Federal, Marcelo Oliveira Andrade, disse que a PF foca sua atuação nos pontos de saída do País como portos marítimos e aeroportos internacionais, nos entroncamentos (aeroportos nacionais e rodoviárias) e nos pontos de fluxo como rodovias e portos fluviais. Ele ressaltou que o trabalho da Polícia Federal é educacional e não policialesco. (Assessoria de Imprensa da Comissão da Amazônia)

Da Redação
 



China terá estratégia para a proteção da propriedade intelectual   volta

Mídia eletrônica: Folha Online
http://www1.folha.uol.com.br
da Efe, em Pequim
19/10/2007

As autoridades chinesas implantarão, após dois anos de preparativos, uma estratégia nacional para a proteção da propriedade intelectual no país, informa hoje o jornal estatal "China Daily".

O diretor do Escritório Estatal de Propriedade Intelectual (Sipo, em inglês), Tian Lipu, anunciou a medida, que considerou "crucial" para manter o desenvolvimento do país. Ele explicou que o objetivo é atender às necessidades de um desenvolvimento sustentável, mais do que ceder à pressão de outros países.

"Se não podemos proteger os direitos de propriedade intelectual, as principais vítimas serão os próprios chineses", disse, durante uma entrevista coletiva no Congresso Nacional do Partido Comunista, em Pequim.

"As infrações dos direitos de propriedade intelectual são um problema, mas não tão grave como dizem outros países. Até certo ponto, o tema vem sendo exagerado e politizado", opinou.

Ele acrescentou que o número de patentes registradas pelo Japão, Estados Unidos e Coréia do Sul na China aumentou de 10 a 30% no último ano.

"Isso demonstra que as companhias estrangeiras têm confiança na capacidade da China de proteger os direitos de propriedade intelectual", disse.

Na sua opinião, a China precisa de mais tempo para melhorar a consciência geral sobre a importância de proteger os direitos de propriedade intelectual, um conceito relativamente novo no país.

"A Inglaterra precisou de 300 anos para estabelecer sistemas eficazes de proteção de propriedade intelectual; os EUA, 200; o Japão, 100", comparou.

 



MCT discute com instituições da área a criação do Sibratec  volta

 

Sistema Brasileiro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico das Indústrias deverá apoiar o desenvolvimento de empresas industrais e de serviços no País, segundo plano do MCT.

 

Mídia eletrônica: Computerworld
http://computerworld.uol.com.br
Por COMPUTERWORLD
19/10/2007

Integrando o Plano de Ação 2007/2010 – Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional, o Programa que cria o Sistema Brasileiro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico das Indústrias (Sibratec) foi tema de um encontro na sede do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), em Brasília.

De acordo com o Plano de Ação, elaborado pelo MCT, o Sibratec será formado por um conjunto de institutos de pesquisa tecnológica e centros universitários federais, estaduais e privados, distribuídos por todo o território nacional, para apoiar o desenvolvimento de empresas industriais e de serviços no País.

Tal apoio se dará por meio da realização de atividades de P&D, prestação de serviços tecnológicos, extencionismo tecnológico, e assistência e transferência de tecnologia, visando ao aumento da competitividade das empresas brasileiras, priorizando os setores da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (Pitce) e os Sistemas Produtivos Locais.

O Sibratec será estruturado na forma de redes - organizadas conforme as principais atividades, competências e áreas de atuação das entidades participantes – com três tipos distintos: Rede de Centros de Inovação, Rede de Núcleos de Serviços Tecnológicos e Rede de Núcleos de Extencionismo.

O ministro Sergio Rezende fez uma apresentação inicial do Sibratec, quando indicou que sistemas similares já existem nos países industrializados, e cuja função primordial é realizar atividades de inovação tecnológica em áreas estratégicas, além de apoiar o setor produtivo por meio de contratos de P&D e serviços tecnológicos especializados.

Rezende citou como exemplo a Organização Fraunhofer, na Alemanha, que congrega cerca de 60 institutos tecnológicos espalhados por todo o país, com participação decisiva no desenvolvimento de projetos de inovação em todos os setores da economia local.

Outro país citado foi a Coréia do Sul, onde o governo incentiva a geração de conhecimento e sua aplicação por meio de iniciativas como o Industrial Research Cluster Support Program, criado no ano de 2002 pelo ministério de C&T coreano para apoiar institutos de pesquisa de pequenas e médias empresas.

Para o representante do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), João Alziro Jornada, a iniciativa do MCT é positiva, “uma vez rompe com o corporativismo das instituições, sob a égide da integração, sendo um passo inicial fundamental para se fazer algo similar no País”.

Segundo o secretário Guilherme Pereira, “a reunião cumpriu seu papel, de submeter ao debate de especialistas - e enriquecê-lo com suas idéias e sugestões - o documento preliminar do MCT”, que exercerá a coordenação do Programa, sob a articulação da Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação.

Com informações do MCT

 


Raitec apóia 93 empresas de TI  volta
 
Mídia eletrônica: B2B Magazine
http://www.b2bmagazine.com.br
18/10/2007
 
O grande avanço de novas tecnologias vem provocando a revisão de diversos processos nas indústrias, empresas de marketing e até mesmo no setor agrícola. Esses segmentos têm suas atividades analisadas novamente, priorizando a adaptação às novas tendências. O suporte da Rede de Apoio a Inovação Tecnológica nos Empreendimentos em Criação (Raitec) através de suas dez incubadoras participantes permite que as suas 93 empresas de TI inovem nesse sentido.

A Netz Informática Soluções dedica-se ao desenvolvimento de simulação de gerenciamento de manufatura. Seus softwares auxiliam no planejamento e controle de todo o processo produtivo.

Já a Gamion atua na criação e desenvolvimento de softwares livres de games e realidade virtual. Nascida no ano 2000, a empresa desenvolve games para o mercado corporativo e escolas. "Atualmente, estamos abrindo frentes em escolas do Sesc, Senai e outros", conta Gustavo Queiroz de Oliveira, sócio-diretor da empresa.

Sistemas inteligentes são a área da NatComp. A empresa, nascida no final de 2006, desenvolve sistemas de identificação voltados para a classificação de grãos, como os de café. "O projeto encontra-se em fase de desenvolvimento, com a aprovação do Pipe I pela Fapesp", afirma Helder Knidel, diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da empresa.

O foco da Mobile Vision é a busca pela automação em procedimentos comerciais e industriais. A empresa, do consultor de negócios Kerler Chaves Marcondes de Souza, desenvolve sistemas para computadores móveis como palms, smartphones e celulares. Desse modo, eliminando pranchetas e papéis, as informações são transmitidas direto dos equipamentos para computadores.

A Lemonblue Internet atua no desenvolvimento de sites. "Todos os sites têm objetivos comerciais e publicitários. Então, pesquisamos o mercado e concorrentes para oferecer os melhores serviços", declara Rodrigo Aleixo, diretor administrativo da empresa.

A Voltal Sistemas de Digitação de Dados atua identificando e viabilizando soluções integradas de software nos segmentos de usinagem, termoplásticos e embalagens. Com experiência desde 1998, tem foco na gestão de custos, da aquisição de matérias-primas até o final de produção.

 



Congresso discutirá propriedade intelectual e inovação tecnológica  volta


Mídia eletrônica: O Documento
http://www.odocumento.com.br
Da Redação
19/10/2007

Na próxima semana, nos dias 23 e 24 de outubro, será realizado em Cuiabá o ‘III Congresso Mato-grossense de Propriedade Intelectual e Inovação Tecnológica 2007’, com o objetivo de divulgar a importância dos temas, como fatores de contribuição à pesquisa e desenvolvimento industrial. O evento é coordenado pela Comissão de Propriedade Intelectual e Direito Autoral da OAB/MT, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-MT), Escola Superior de Advocacia (ESA), Secretarias de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia (Sicme) e de Ciência e Tecnologia (Secitec).

O Congresso faz parte dos eventos técnicos que o Senai-MT realiza neste ano, e que pertencem ao programa ‘Indústria em Ação’, promovido pelo Sistema Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso, em parceria com o governo do Estado. “É necessário que os empresários participem de eventos dessa natureza para que percebam a importância de se investir em inovação tecnológica, em um mercado cada vez mais competitivo. A China é um exemplo de superação e investimento em desenvolvimento industrial e, portanto, considerada uma potência mundial”, diz a coordenadora da Unidade de Tecnologia do Senai-MT, Fátima Elizabete dos Reis Matias.

Entre as palestras que serão apresentadas durante o Congresso estão as seguintes: ‘Direitos Autorais: Uma visão nos Direitos Fundamentais’, ‘Panorama da Pirataria de Software no Brasil’, ‘Mecanismos de Apoio à Inovação Tecnológica’, e ‘Gestão da Propriedade Intelectual’. Durante o evento também será discutida a importância do registro da marca e o processo administrativo para a obtenção no INPI. “É uma grande oportunidade tanto para os empresários quanto para os estudantes participarem do evento, porque os palestrantes são profissionais de renome nas áreas em que atuam”, destaca Fátima. As palestras serão realizadas no período matutino e noturno.

A coordenadora informa ainda, que cinco empresas mato-grossenses, que se inscreveram no Prêmio Finep de Inovação Tecnológica 2007, irão promover um show room durante a realização do Congresso. Elas foram selecionadas entre 75 empresas que se inscreveram para o Prêmio neste ano. O evento será realizado na sede da OAB, no Centro Político Administrativo. As inscrições custam R$ 10 para os estudantes e R$ 20 para os profissionais. Elas podem ser efetuadas na sede da OAB/MT e nas Faculdades de Direito de Cuiabá e Várzea Grande. Outras informações podem ser obtidas pelos telefones (65) 3613-0952 e 3611-1531.

 


O setor público e a satisfação do cidadão   volta

Valor Econômico
22/10/2007

 

Atolado entre a ortodoxia fiscal e declarações rasas como a de que o verdadeiro choque de gestão seria contratar pessoal, o debate sobre o que fazer com a máquina pública precisa incorporar as sugestões de especialistas que põem a ênfase na eficiência dos serviços ao cidadão. "Quando se adota a maneira correta de atuação no setor público, há economia de dinheiro, porque aumenta a eficiência", defende o economista Win Oosterom, especialista em setor público da PriceWaterhouseCoopers, que esteve recentemente no Brasil para discutir o assunto com autoridades do governo Lula.

Oosterom, que fez carreira como consultor no setor de serviços de saúde, assessora o governo holandês nessa área, e presta consultoria também a outros governos da Europa, do Oriente Médio e da Ásia. O que ele diz parece óbvio, mas é raramente considerado nas estratégias de governo: o governo precisa criar um sistema de gerência, como nas empresas privadas, que dê prioridade para o atendimento do cliente, no caso, o cidadão. "Não é uma questão de orçamento, ou de economizar verbas: é executar as ações do setor público de maneira eficiente", diz Oosterom.

O especialista da PriceWaterhouseCoopers defende a adoção de "novos modelos" de prestação de serviços no setor público, que criem um modelo real de "competição" entre os diversos provedores desses serviços, seja o próprio setor público, sejam ONGs ou prestadoras de serviço privado. Diferentemente das empresas, o setor público não escolhe seus clientes, mas precisa aperfeiçoar seus sistemas de planejamento, para identificar mais claramente as demandas e necessidades de cada segmento do público, lembra o especialista. É preciso uma atenção maior à execução dos programas de governo, coisa para a qual os políticos no topo da máquina pública dão pouca atenção.

Para sair do atendimento burocrático e fragmentado, que gera ineficiência e desperdício, é preciso liderança, diz Oosterom. Os políticos se contentam em fixar grandes linhas e direções gerais para os programas públicos, mas não têm o mesmo entusiasmo para acompanhar a execução do que prometem. É preciso fixar metas precisas, divulgá-las e cobrar cumprimento. Um exemplo do que pode ser feito no Brasil é a experiência do Reino Unido, em que os britânicos chegaram a divulgar o nome de 60 autoridades que não foram capazes de criar, em suas repartições, planos de atendimento a pessoas com deficiência, como foi prome- tido pelo governo.

 
Governo precisa de gerência, diz especialista
 

Em um país no qual os políticos esperam safar-se, sem danos, de pecados bem maiores que o descumprimento de metas de governo, parece utopia sonhar com medidas tão simples como as defendidas por Oosterom. Mas são um bom ponto de discussão, para cobrar das autoridades.

A cobrança por maior qualidade dos serviços públicos é uma prática com efeitos eleitorais cada vez mais fortes, e também vem se tornando uma exigência para atração de investimentos, garante o especialista. Não é à toa que um número crescente de governos, inclusive nos Estados brasileiros, vem adotando práticas de desburocratização e melhoria no atendimento ao cidadão - experiências como o Sistema de Atendimento Integrado, na Bahia, ou o Poupatempo, de São Paulo, que concentram em locais de fácil acesso diversos serviços básicos para a população.

Sem essa preocupação constante com a satisfação do consumidor de serviços públicos, a campanha por melhoria na qualidade dos gastos corre o risco de se ver traduzida em contingenciamentos rígidos de verbas, a mercê do jogo de pressões entre os órgãos públicos e partidos governistas, sem garantia de eficiência ou de resultados sustentáveis. É uma discussão a se cobrar também do Congresso, que começa, nesta semana, a se debruçar sobre o relatório preliminar do orçamento de 2008, preparado pelo relator-geral José Pimentel (PT-CE).

Brinquedos importados

Nem se notou: as áridas páginas do Diário Oficial publicaram, na semana passada, o último capítulo da novela protagonizada pelo governo e os importadores de brinquedos da China. Uma portaria da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) regulamentou os procedimentos para entrada, no país, de brinquedos estrangeiros, que, agora, terão de apresentar certificação de entidade credenciada pelo Inmetro, para cada lote importado.

A medida é dura, e desagrada aos grandes importadores, pelos custos e burocracia que acarreta. Mas, com ela, o governo, discretamente, retirou a determinação para que fossem suspensas as concessões de licenças para importações da maior compradora de brinquedos fabricados na China para o Brasil, a Mattel. A empresa, que previa falta de brinquedos no Natal, por causa da suspensão das importações, agora encerrada, até agora não se pronunciou sobre o assunto.

Sergio Leo é repórter especial e escreve às segundas-feiras

sergio.leo@valor.com.br

 



Petróleo nas alturas   volta

Folha de São Paulo
22/10/2007

Fatores da economia real e das finanças fazem a cotação do produto disparar, mas estragos são pequenos até agora

DE 1998 para cá, o preço do petróleo foi multiplicado por sete. A procura pelo produto, com o vigoroso crescimento mundial, aproximou-se da capacidade de produção. Segundo a OCDE (clube dos 30 países mais ricos), a demanda global diária deverá atingir 85,7 milhões de barris em 2007, contra oferta pouco menor (85,1 milhões).

O surto na procura pela commodity, em contraste com a baixa capacidade de expansão rápida da oferta -dados os longos períodos de maturação dos investimentos nessa atividade-, é uma explicação para a tendência de alta nos mercados de petróleo. Mas não é a única.

O efeito na cotação do combustível exercido pela demanda superaquecida foi potencializado por uma combinação de fatores conjunturais, de ordem financeira. Grandes investidores passaram a comprar petróleo para se proteger da desvalorização do dólar no mercado internacional.

Em 2007, a moeda americana já perdeu 8% do seu valor ante o euro. As preocupações com as reservas de petróleo dos EUA -os estoques estão 4% abaixo do nível registrado no mesmo período do ano passado- também fomentaram as compras. Finalmente, o temor sobre a ampliação de conflitos no Oriente Médio, diante da ameaça turca de invadir o Iraque à cata de rebeldes curdos e das escaramuças entre potências ocidentais e o Irã, realimentou a alta do óleo.

O preço do barril voltou a bater recordes. Em Nova York, a cotação roçou os US$ 90, com valorização de 10% só em outubro. Ampliaram-se os temores de o barril ultrapassar US$ 100, aproximando-se da cotação máxima em termos reais (considerando a inflação americana), atingida em abril de 1980 -com a revolução xiita no Irã e o início da guerra entre este país e o Iraque.
À diferença daquele período, a repercussão da alta do petróleo na economia e na inflação do mundo tem sido menor. A fim de explicar o contraste, invocam-se fatos como as tecnologias que hoje permitem o uso muito mais eficiente do combustível.

Se for mantida como tendência, contudo, a elevação acentuada nos preços da energia poderá contaminar a expectativa de crescimento mundial -já influenciada negativamente pela crise no mercado imobiliário dos EUA. Nesse caso, o Brasil, onde o impacto das altas nas cotações globais tem sido mitigado pela valorização do real, dificilmente deixaria de ser afetado.

 

 


EUA barram satélite do Brasil com a China  volta

 

Empresas nacionais que trabalham na construção das naves CBERS-3 e 4 não conseguem mais importar peças americanas

 

Limitação à exportação de tecnologia à China causa o problema, que pode atrasar lançamentos; embaixada afirma que veto não é novo


Folha de São Paulo
CLAUDIO ANGELO
EDITOR DE CIÊNCIA
RAFAEL GARCIA
DA REPORTAGEM LOCAL
22/10/2007

Os Estados Unidos têm imposto restrições ao programa de satélites que o Brasil mantém em parceria com a China.

Empresas nacionais que fabricam peças para as naves CBERS (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres) 3 e 4 têm tido dificuldade para importar peças dos EUA. E, segundo a Folha apurou, representantes do governo americano disseram a diretores do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que não gostariam que o satélite Amazônia-1, de produção 100% nacional, fosse lançado em 2010 a bordo de um foguete chinês.
As restrições não são voltadas especificamente contra o Brasil, mas sim contra sua parceira, potência militar e agora também espacial. Os americanos temem transferir à China, através do Brasil, tecnologias sensíveis, que possam ser usadas em equipamentos militares como mísseis balísticos, satélites-espiões e bombas atômicas.

Quem acaba sofrendo com isso é o setor de inovação tecnológica no Brasil. Pelo menos duas empresas subcontratadas pelo Inpe para produzir partes do CBERS-3 e do CBERS-4 -a Mectron, de São José dos Campos, e a Opto, de São Carlos- foram impedidas recentemente de comprar equipamentos norte-americanos.

O caso mais grave foi o da Opto, que está montando a câmera do CBERS-3. Neste ano, ela teve de cancelar um contrato de US$ 45 mil com a IR (International Rectifier), uma firma da Califórnia, porque o componente comprado -um conversor de corrente altamente sensível- não pôde ser embarcado para o Brasil, mesmo depois de pago.

"O departamento jurídico disse ao nosso contato lá que, se ele exportasse, poderia pegar nove anos de cadeia e multa de US$ 1 milhão", disse Mario Stefani, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Opto. O dinheiro foi devolvido, mas o projeto atrasou em seis meses.

Graham Robertson, gerente de Relações-Públicas da IR, diz que não é raro que a empresa seja proibida de exportar depois que se descobre qual é o mercado final do produto. "Nós somos controlados no que diz respeito à China."

"Bomb letter"

O veto atinge dimensões orwellianas. Stefani teve um software para desenvolvimento de instrumentos ópticos médicos (comprado dos EUA) travado remotamente em pleno uso, porque ele poderia também ser aplicado em satélites.

"A empresa viu no nosso site que nós trabalhamos no CBERS e seus advogados mandaram bloquear o programa", afirma. "Aí mandaram uma "bomb letter" e eu tive de assinar dizendo que aquilo era só de uso médico."
"Bomb letter" é o apelido dado a termos que empresas americanas fazem compradores de seus produtos no exterior assinarem, comprometendo-se a não dar a esses produtos nenhuma destinação que os EUA não aprovariam, como a fabricação de bombas -daí o nome.

Em agosto último, a Dell computadores mandou uma carta dessas a um físico brasileiro que comprara duas máquinas da empresa. O termo exigia compromisso de que os computadores não seriam repassados a cidadãos do "eixo do mal" -como Irã, Coréia do Norte e Cuba. O cientista denunciou o caso e o Ministério da Ciência e Tecnologia passou uma reprimenda na Dell.

Paranóia reforçada

Limitações à transferência de tecnologia sensível não são novidade, nem exclusividade dos EUA. Vários acordos internacionais regulam o comércio de produtos de uso dual.

No caso americano, o Departamento de Estado faz cumprir uma regulamentação chamada Itar (International Traffic in Arms Regulations), que lista uma série de componentes de exportação restrita e classifica os países em vários graus de proibição, de acordo com seu grau de desenvolvimento tecnológico e suas relações com os EUA. Os objetos controlados vão de colas a chips e softwares.

"Depois do 11 de Setembro, essa lei tem sido aplicada de forma indiscriminada", afirma Stefani, da Opto.

Ricardo Cartaxo, diretor do programa CBERS, diz que os dois primeiros satélites da série (desenvolvidos na década de 1990) não sofreram embargo. "Usávamos um componente feito por uma empresa americana subsidiária da Fujitsu japonesa, mas não conseguimos [comprá-lo agora]. Tivemos de mudar o projeto para utilizar uma parte já montada feita por uma empresa francesa."

Atraso

Segundo Cartaxo, o risco de o CBERS-3 sofrer atraso é iminente. "Um lote de componentes está sendo comprado agora. Fizemos a escolha dos fornecedores alternativos e vamos manter o cronograma", diz. "A aposta é que dá para manter o lançamento em abril de 2010, mas não está fácil, não."
Segundo Fernando Ramos, assessor de Cooperação Internacional do Inpe, a ameaça de militarização do espaço pela administração Bush contribui para agravar as restrições. "Isso tem ocasionado problemas para o Brasil, sim, sobretudo depois daquele ensaio que os chineses fizeram [em janeiro de 2007] e destruíram um satélite antigo deles em órbita", disse. "Os EUA apertaram o cerco à China e aos seus parceiros."

 



O momento "língua portuguesa" do Brasil   volta

Folha de São Paulo
LUIZ COSTA PEREIRA JUNIOR
22/10/2007


Ao falar, o brasileiro expressa sua identidade, que nunca é uniforme, e o país respira sua diversidade, que insiste em nos unir


A LÍNGUA portuguesa é desses assuntos aos quais parecemos dar importância só em ocasiões especiais, como com a recente badalação em torno da reforma ortográfica prevista para 2009.

A questão foi tratada com uma urgência preguiçosa, de quem poucas vezes pensa no idioma, tão habitual o seu uso. Por coisa de momentos, o tema saiu das marginais do noticiário e esboçou relevo até ser engolido pelo próximo bombardeio de novidades.

Não sem razão. Como reforma, o acordo ortográfico dos países lusófonos pouco simplifica. Em alguns casos, como o uso do hífen, até baratina o que já era confuso ("anti-semita", por exemplo, perde o sinal, e "microondas" ganha). Houve quem exagerasse e falasse da ortografia como "o" fator de organização da língua; por isso, a reforma ameaçaria "transformar o idioma". Mas, anunciada com temor ou desprezo, ela nem sequer é certeza. Portugal, que vê nela um "abrasileiramento" do idioma, resiste e pode melar o acordo.
Se vingar, haverá, claro, implicações no mercado (livros reeditados), no ensino e na mentalidade (esforço, mesmo temporário, para desaprender grafias, como "idéia" sem acento).

Já se viveu isso no país e sobrevivemos. Por isso, o assunto, na verdade, chama a atenção para outro aspecto, diria incidental, do português.
Sem dar pelota para a coisa, o país vive há uns dez anos o que se pode chamar de um "momento língua portuguesa". Mesmo que não vivamos a inclusão digital, nunca se escreveu tanto como agora. São 500 milhões de mensagens diárias só pelo MSN no país. Mais do que há dez anos, nunca se viu tanta faculdade no Brasil em razão da abertura, não entremos no mérito, promovida desde a era FHC: são 2.300 instituições privadas mandando alunos escreverem monografias, trabalhos e dissertações.

Temos um respeitável mercado editorial cujo tema é o idioma (quase 25 milhões de exemplares de dicionários, gramáticas etc. vendidos todo ano) e uma carência de informação básica que turbinou a procura por consultores de português com consultórios gramaticais na mídia.

Os últimos anos ainda mostraram outro grau da língua nas corporações.
É de imaginar que a retomada do fôlego econômico do país estimulou o relacionamento de empresas em seu próprio idioma. Há hoje a intuição de mais negócios mediados por tecnologias que enfatizam a comunicação -mensagens eletrônicas e apresentações com projeções em tela, que não podem exibir tropeços. E, em reuniões de trabalho, o desempenho retórico virou chave empresarial.

Quem muito escreve ou fala tem risco maior de expor sua eventual falha de formação. Daí pipocarem os cursos de português para brasileiros, executivos, secretárias e gerentes.

Em paralelo a essa demanda no mundo do trabalho, mais que antes, temos um circuito de estudos sobre a língua com uma consistência, uma pluralidade e um amadurecimento que permitem maior certeza nas afirmações sobre os fenômenos do idioma e um debate cada vez mais acalorado entre tendências acadêmicas.

A percepção hoje é a de que a língua vai bem, obrigado, não está ameaçada, não precisa de proteção, mas de promoção. Falta um projeto de promoção do idioma a integrar o país, que corrija as distorções de um ensino que virou fábrica de decorebas.

O vale-tudo do idioma está não tanto no uso cotidiano que o brasileiro faz dele, mas na filosofia de ensino, que não é uniforme. Cada região, cidade, escola e professor parecem atirar para um lado.

Há cinco anos, apesar disso, vivemos uma atmosfera institucional pelo idioma. O preconceito de linguagem não foi suficiente para impedir a chegada de Lula à Presidência; o governo de São Paulo e a Fundação Roberto Marinho criaram o único museu do mundo dedicado ao assunto, que agora virou inspiração para os ingleses; e o governo federal lançou o Instituto Machado de Assis, iniciativa a ser devidamente materializada, para promover o português no mundo e nas escolas do país.

A língua portuguesa não é a coisa chata das piores aulas, pode ser revigorante, ao ser percebida como aquilo que nos faz interagir, namorar melhor, vivenciar o cotidiano. A língua que usamos revela o que somos, e nem nos damos conta. Trai nossos preconceitos, nossas ênfases e os papéis que adotamos na sociedade.

Ao falar, o brasileiro expressa sua identidade, que nunca é uniforme, e o país respira sua diversidade, que insiste em nos unir.

Não será a badalação temporária por uma reforma duvidosa o único fato a nos lembrar disso.

LUIZ COSTA PEREIRA JUNIOR, 41, doutorando em filosofia e educação pela USP, é jornalista, editor da revista "Língua Portuguesa" (Segmento) e autor de "A Apuração da Notícia".

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

 


Garimpo biológico   volta

 

Projeto brasileiro tenta mostrar que é possível, enfim, usar as plantas da floresta para curar doenças

  
O médico Drauzio Varella a bordo do barco-escola da Unip em Novo Airão, Amazonas

 

Folha de São Paulo
EDUARDO GERAQUE
DA REPORTAGEM LOCAL
21/10/2007


O tão declamado potencial farmacológico das plantas amazônicas tem muito mais de lenda do que de realidade. E a situação só será revertida com muita pesquisa -e muito dinheiro. É o que defendem os coordenadores de um projeto científico de garimpagem botânica feito na região do rio Negro, no Amazonas.
Apesar de saber que é politicamente incorreto, Antônio Drauzio Varella, médico infectologista e colunista da Folha, percebeu há mais de uma década -quando começou seus trabalhos no local- que contar apenas com a ajuda dos conhecimentos tradicionais só daria problema, na certa.

Interessado em plantas que pudessem lhe render um princípio ativo efetivo contra o câncer ou contra uma doença infecciosa qualquer, Varella, que hoje trabalha ao lado de Riad Younes, contratou um índio como mateiro. Um olhar mais treinado para aqueles tons de verde deveria ser útil.

Não foi bem assim. "Ele identificava apenas plantas que eram usadas em chá. E, ainda por cima, 90% delas só eram boas para o fígado", explica o médico, que na semana passada conseguiu alavancar ainda mais a idéia de fazer plantas amazônicas virarem remédio.

Mas, antes disso, trocou o índio (já faz tempo) por técnicos em botânica -nascidos na Amazônia, mas criados no meio científico de instituições como o Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia).

Além de recursos públicos, Varella, que é pesquisador da Unip (Universidade Paulista), instituição privada, e Younes, diretor do Hospital Sírio-Libanês, conseguiram respaldo nas próprias instituições, algo que os pesquisadores das universidades, por exemplo, não conseguem sempre.

Depois de coletarem, durante todos esses anos, 2.200 extratos aquosos e orgânicos retirados de mais de 600 espécies vegetais, apenas uma visão empresarial pode permitir à dupla sonhar em vender suas patentes para uma multinacional do setor farmacêutico. Segundo Younes, isso não deve acontecer antes de uma década.


Isolamento rápido

A parceria selada na semana passada entre a Unip e o Sírio-Libanês, na prática, vai resultar em um laboratório, que será capaz, a partir de janeiro, de dar velocidade ao isolamento de princípios ativos derivados de plantas da Amazônia. O hospital vai colocar no projeto R$ 600 mil em 2008.
O trabalho, mesmo com recursos, não deixa de ser árduo. De todas as plantas coletadas na região do rio Negro -alguns extratos vieram da mata atlântica paulista- apenas 5% mostraram ser realmente viáveis. E nada pode ser patenteado por enquanto. "Não podemos patentear extratos, apenas o princípio ativo", explica Younes.

O foco farmacológico, neste primeiro momento, nem poderia ser outro. O câncer é o que une as necessidades profissionais tanto do infectologista Varella quanto de uma empresa como o Sírio-Libanês.

No caso da triagem antitumoral, 1.220 extratos foram testados. Destes, 72 apresentaram atividade biológica contra células tumorais humanas.
O segundo foco são as bactérias, que também causam muitos problemas para o homem todos os dias. Também 1.220 extratos já foram testados pela equipe da Unip. Apenas 50 apresentaram algum potencial.

Durante a próxima década, enquanto as coletas continuarem na Amazônia, e a garimpagem química continuar em São Paulo, o debate sobre o potencial da biodiversidade amazônica estará aberto.

E, provavelmente, a lenda ainda estará bem mais forte do que a realidade.
Em termos gerais, Varella, que passou a viver alguma parte de seu tempo no norte do país desde que o projeto começou, tem a receita para proteger a floresta. Investimento em ciência. "Levar alunos e estudantes para lá."
E nada de tentar excluir os estrangeiros desse cenário. "Vocês [jornalistas] gostam muito da palavra biopirataria, mas isso, nesse caso da bioprospecção, não existe."

Para Varella, é impossível que uma multinacional queira levar uma árvore toda para o exterior para depois tentar encontrar onde está aquele princípio ativo tão buscado pelo mundo. No tronco? Nas folhas?

Ele acha que elas só vão entrar após os biogarimpeiros nacionais terem feito a sua parte. A biopirataria amazônica, diz, deve continuar uma lenda.

 



Uma ética dos robôs  volta
 
Forte expansão da robótica já provoca debate no Reino Unido, Japão e na Coréia do Sul sobre o estatuto humanos das máquinas

Folha de São Paulo
FRANÇOISE LAZARE
PHILIPPE MESMER
21/10/2007

O mais novo dos robôs humanóides japoneses tem capacidades impressionantes. Desenvolvido por meio de uma parceria entre a Kawada e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Avançada (AIST) do Japão, o "HRP-3 Promet" tem tudo que o trabalhador do futuro precisa. A máquina branca e preta, de 1,60 metro e 80 quilos, consegue se movimentar nos terrenos mais acidentados, e em qualquer clima.

O robô é capaz de caminhar durante duas horas, manipular com precisão uma chave de fenda, ajudar um homem a carregar uma tábua, conduzir veículos de trabalho. Seus criadores esperam começar a comercializá-lo em 2010.
Em menos de uma década, de acordo com os pesquisadores, os robôs farão parte da vida cotidiana dos japoneses. Bill Gates, cuja Microsoft acaba de desenvolver um sistema operacional padronizado para esse tipo de máquina, acredita que a indústria da robótica, como a dos computadores pessoais 30 anos atrás, está às portas de uma forte expansão.
As novas máquinas evoluirão no contato com os seres humanos e poderão substituí-los na execução de certas tarefas; mas será que terão direitos?
A questão já está em debate no Reino Unido, em um relatório encaminhado ao governo em dezembro de 2006. O projeto Horizon Scan teve por tema cerca de 250 assuntos que estão em desenvolvimento, entre os quais as conseqüências da evolução da robótica.

Podem votar?

Sob o título "sonhos utópicos ou máquinas melhores", os especialistas discutem aquilo que será preciso prover aos robôs à medida que sua inteligência artificial se desenvolva. Será que terão direito de voto? Serão forçados a pagar impostos, a prestar serviço militar?

De acordo com o estudo, caso os robôs participem da força de trabalho e, portanto, do crescimento da economia, será necessário fornecer a eles, por exemplo, uma cobertura de seguro social que garanta o bom funcionamento de seus equipamentos. Como aponta o texto, um computador, que legalmente não é considerado uma pessoa, não poderia ser responsabilizado judicialmente por qualquer delito.

Seu fabricante, no entanto, poderia proteger seus direitos de propriedade intelectual.

No Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), uma das organizações líderes na pesquisa em robótica nos EUA, Aaron Edsinger está envolvido há três anos no desenvolvimento do robô Domo.

Trata-se de uma fusão entre o Kismet, robô criado para o estudo dos contatos entre máquinas e humanos e da aprendizagem que eles propiciam, e do Cog, muito eficiente na manipulação de objetos.

"A questão dos direitos dos robôs será importante no futuro não apenas para os estudiosos da robótica mas para a sociedade em geral", diz ele.
"Não estou certo de que ela venha a ser tão diferente da questão dos direitos animais. A probabilidade é que venhamos a nos comportar assim também em relação às diferentes categorias de robôs. Uma lavadora de louças deve continuar a ser uma lavadora de louças. Já os robôs mais infantilizados talvez venham a ocupar o lugar de um cão ou gato. E creio que dentro de 50 anos parecerá natural que concedamos direitos semelhantes aos dos animais a essas duas categorias de companheiros", diz.

Isaac Asimov

No Japão, a questão vai se apresentar mais cedo, dada a posição importante que a robótica já ocupa na vida cotidiana do país. O envelhecimento da população apresenta problemas de mão-de-obra para as empresas, e também no que tange a encontrar assistência para os idosos. Por isso, laboratórios e parcerias, sob forte pressão do governo, estão investindo pesadamente nesse ramo de atividade.

Os robôs humanóides vêm sendo desenvolvidos pouco a pouco pelos laboratórios, como por exemplo o Wakamaru, que já está à venda para trabalhar como recepcionista em empresas. Já a Alsok, uma fabricante de produtos de segurança, está oferecendo aos clientes os robôs de vigilância C4 e C5, para operar em centros comerciais.

Com uma abordagem bastante pragmática, o Ministério da Economia japonês está trabalhando na redação de normas de segurança para o uso de robôs. A comissão criada para essa finalidade em dezembro de 2006 não deve se pronunciar em favor do estabelecimento de uma distinção entre robôs e outras máquinas.

O fabricante será sempre considerado responsável pelos problemas criados por seu produto, a não ser que as instruções de uso tenham sido desrespeitadas. As normas do governo exigirão que os fabricantes garantam fiscalização séria dos robôs que prestarão serviços pessoais.

Na Coréia do Sul, país igualmente avançado em termos de robótica e grande rival do Japão nessa área, uma "carta ética dos robôs" deve ser redigida neste ano. O texto se inspira nos princípios propostos pelo escritor de ficção científica Isaac Asimov.

Os robôs não deverão fazer mal aos seres humanos ou permitir que estes os façam sofrer. Deverão obedecer aos seres humanos, a menos que isso contradiga a primeira lei. E deverão garantir sua própria proteção, caso isso não contradiga as duas primeiras leis.

Este texto foi publicado no "Le Monde". Tradução de Paulo Migliacci.

 


A China 'científica' de Hu   volta

 

O Estado de São Paulo
22/10/2007

 

Visto pelos telescópios ocidentais, o Planeta China é a encarnação contemporânea e em escala colossal - como tudo mais nessa vastidão onde vive 1 de cada 5 seres humanos - do capitalismo selvagem produzido pela Revolução Industrial, com a diferença de ter sido obra de uma revolução comunista que há duas décadas importou o regime de mercado aberto, mas até hoje não dá sinais de pretender importar as instituições da democracia política e social a que esteve associado historicamente aquele regime. É também o maior fator potencial de agravamento da degradação do meio ambiente no mundo, na medida em que a sua economia, em todas as fases da cadeia produtiva e de consumo, reproduz desenfreadamente o modelo ocidental de exploração dos recursos energéticos apontado como a causa primeira das atuais mudanças climáticas cujos efeitos podem vir a ser catastróficos.

O planeta chinês é, ainda, um manancial de políticos, militares, burocratas e empresários corruptos perto dos quais os “barões ladrões”, que estiveram na crista da onda da modernização da economia americana depois da Guerra da Secessão, formariam uma confraria de querubins. Mas, visto por lentes made in China, tudo isso como que sai de foco perto do panorama das portentosas transformações por que vem passando a civilização que entrou para a história como o supremo paradoxo entre o extremo refinamento cultural de suas elites e a extrema esqualidez de suas vastas massas. Nunca antes neste mundo, parafraseando o presidente Lula, as condições materiais de existência de tantas centenas de milhões de pessoas mudaram espetacularmente para melhor em tão pouco tempo - embora os beneficiários desse salto quântico ainda sejam apenas mais ou menos 1/3 da população de 1,3 bilhão.

A revolução dentro da revolução promovida no último quarto do século 20 por Deng Xiaoping (“enriquecer é glorioso”) - este sim o Grande Timoneiro com quem começou a metamorfose da esclerosada China agrária na mais dinâmica economia mundial - não dá sinais de arrefecimento. Do mesmo modo, porém, não há sinais de arrefecimento do poder do partido nominalmente comunista que, em parceria com o Exército, se confunde com o Estado chinês. A órbita desse planeta não o aproximará do mais glorificado modelo de enriquecimento político: a democracia da imprensa livre, direitos trabalhistas, pluripartidarismo, sufrágio universal… Eis o que deixaram entrever os 2.200 membros da elite do poder que esteve enclausurada na semana passada no Grande Salão do Povo, em Pequim, para o congresso do PCC, evento qüinqüenal que elege ou reelege o chefe do partido e presidente da República Popular.

Ele, por sua vez, anuncia - ou dita, conforme o alcance da sua hegemonia pessoal - a palavra de ordem para o período seguinte. O slogan a prevalecer até 2012, típico da peculiar sintaxe do sistema político chinês, é “visão científica do desenvolvimento”, uma expressão não menos enigmática do que o pensamento de seu autor, Hu Jintao, o líder nacional que a nata dos seus camaradas elegeu pela primeira vez em 2002. “Visão científica do desenvolvimento” é um duplo saludo a la bandera, como dizem os argentinos: ao pretenso cientificismo do velho Marx e à verdadeira busca do domínio das novas ciências e tecnologias. A expressão é mais do mesmo implícito em outra palavra com fundas raízes na cultura chinesa: harmonia (como em “sociedade harmônica”, “desenvolvimento harmônico”). Traduz-se na promessa de reduzir as abissais desigualdades de renda nas cidades e entre o planeta urbano e o rural - que crescem no mesmo ritmo da economia.

É o social-desenvolvimentismo à chinesa, em que o primeiro termo vem a reboque do segundo. Hu enfatizou no discurso de abertura que a maior conquista dos últimos cinco anos, ou seja, a dele, foi “o desenvolvimento rápido”. Foi mesmo. As exportações triplicaram (para US$ 969,1 bilhões). As reservas em moeda estrangeira praticamente quintuplicaram (para US$ 1,41 trilhão). O PIB per capita quase duplicou (para US$ 2.010). A meta de Hu é dar prioridade ao crescimento com a gestação de uma sociedade “moderadamente próspera”, com renda por habitante de US$ 5 mil em 2020. E democracia - mas somente “intrapartidária”, conforme a sua pitoresca delimitação.

 



Warner licencia times europeus no Brasil   volta

 

Setor movimenta R$ 10 milhões ao ano no País

 

O Estado de São Paulo
Ana Paula Lacerda
22/10/2007

 

A partir de amanhã, chegam ao mercado brasileiro os primeiros produtos licenciados de cinco grandes times europeus: Milan, Barcelona, Manchester United, Juventus e Paris St. Germain. Não são as camisas, que já chegam ao País pelas fabricantes esportivas, e sim fichários, roupas de cama, brinquedos e até roupas para homens, mulheres e bebês.

A novidade é da Warner Bros. Consumer Products (WBCP), braço de licenciamentos da Warner Bros. A empresa, que já licencia no Brasil o time do São Paulo, acredita que trazer os times europeus trará novo gás para esse setor. Atualmente, os licenciamentos ligados ao futebol representam apenas 5% dos licenciamentos do Brasil.

'O futebol europeu une times com boa gestão, bons jogadores e bons estádios, que geram espetáculo', diz Marcos Bandeira, diretor-geral da WBCP Brasil. 'Pareceu uma combinação poderosa para a Warner, ainda mais em um país onde o interesse por futebol é gigantesco, como o Brasil.' Segundo o instituto alemão Sport+Markt, 77% das pessoas entre 16 e 69 anos no Brasil apontam o futebol como o esporte que mais assistem na TV. E 85% dizem conhecer a UEFA Champions League - a principal competição interclubes da Europa.

'Os primeiros pedidos ficaram 20% acima do esperado', diz Bandeira. Já há sete contratos para a fabricação de produtos licenciados dos times europeus no Brasil, nos segmentos de confecção, calçados, acessórios, brinquedos, papelaria e roupas de cama. 'Não vamos usar só os brasões dos times, e sim criar produtos inspirados nos símbolos e cores de cada um.' Fora as marcas próprias da Warner (como Looney Tunes e Harry Potter), futebol é o maior filão da empresa.

O mercado total de licenciamento brasileiro movimenta cerca de R$ 200 milhões ao ano em royalties.'O licenciamento esportivo deve estar em pouco mais de R$ 10 milhões', estima Davi Diesendruck, diretor da Redibra, empresa que licencia o time do Grêmio. 'O grande problema do Brasil é que poucos times possuem um departamento de marketing organizado para realizar um programa de licenciamentos. Caso tivessem, o setor poderia crescer muito no País.'

Outro problema é a pirataria - estima-se que a venda de produtos seja duas vezes e meia maior que a de produtos oficiais dos times. E o terceiro entrave é o próprio time. 'O brasileiro é passional. Se o time não ganha, o produto não vende', diz Bandeira. 'Com os times estrangeiros, esse problema é menor, porque eles são desejados mesmo quando não estão tão bem.'

Mauro Holzman, diretor de marketing do Atlético Paranaense, clube que já tem cerca de 150 produtos licenciados por conta própria, diz que o licenciamento é uma das maneiras de fazer o time crescer como marca. 'Hoje, licenciamos de roupas a espetos de churrasco. O licenciamento representa quase 5% da nossa receita anual, que é de R$ 40 milhões', diz.

O time achou uma maneira também de lidar com a pirataria de camisas, a mais forte no setor. 'Criamos uma camisa só para os ambulantes venderem. Chamada 'temática', é diferente da camisa do time, mas é oficial e tem o preço da pirata. No Paraná, eles só vendem essa e não tivemos mais problemas.'

No São Paulo, licenciado pela Warner desde o início do ano, 2% da receita vem da venda de licenciados. 'Queremos chegar a 8% no médio prazo', diz o diretor de marketing do clube, Julio Casares. O clube está criando uma megaloja com bar no estádio do Morumbi para vender todos os produtos. 'Além de reforçar a marca, o licenciamento nos torna menos dependentes de verba de TV, jogos e patrocinadores.'

 



Vidas em jogo  volta

 

O Estado de São Paulo
Mara Gabrilli
20/10/2007


Falar de células-tronco é falar de esperança. Já se sabe que são o futuro da medicina regenerativa. Retomo o tema, aqui, no jornal O Estado de S. Paulo, no momento em que dois fatos de suma importância estão prestes a acontecer: o Supremo Tribunal Federal (STF) decidirá o destino das pesquisas brasileiras com células-tronco extraídas de embriões e, nos Estados Unidos, o neurocientista Hans Keirstead, da Universidade da Califórnia, poderá tornar-se o primeiro a testar a terapia com células-tronco embrionárias em seres humanos.

A lei brasileira que autoriza as pesquisas foi aprovada em março de 2005 pelo Congresso Nacional (96% dos senadores e 85% dos deputados federais foram favoráveis), mas foi contestada pela Procuradoria-Geral da República como inconstitucional. O argumento é que fere o direito à vida e à dignidade humana. Afora a polêmica moral - pesquisar as células de um embrião humano é um passo imperdoável para muitos -, ninguém se atreve a negar o potencial extraordinário das células-tronco embrionárias para a cura de doenças genéticas, degenerativas e neurológicas graves e, muitas, fatais.

Enquanto corremos o risco de proibição das pesquisas no Brasil, os laboratórios americanos poderão revolucionar o tratamento e a expectativa de vida para pessoas no mundo todo. Por isso é fundamental que as pessoas compreendam o que é real e o que não é nesta discussão. O Brasil investe pouco em pesquisas nas áreas da saúde e da medicina. Uma conseqüência visível é a luta do governo federal para quebrar as patentes de medicamentos do coquetel antiaids porque eles chegam a custar sete vezes mais para os brasileiros. Vamos continuar sendo espectadores dos avanços da medicina?

Eu defendo as pesquisas. Diferentemente do que se ouve por aí, os cientistas não usam células de fetos abortados nem brincam com vidas humanas em formação. A nossa legislação determina que só podem ser usados os embriões congelados há mais de três anos em clínicas de fertilização assistida. E apenas os que já estavam congelados no momento da aprovação da lei, para coibir a produção comercial de embriões. Além disso, os genitores precisam autorizar a doação, assim como é feito com a doação de órgãos: anônima e voluntariamente.

Não dá para comparar a vida de um embrião congelado há anos (cerca de cem células indiferenciadas, que não serão implantadas num útero materno para se desenvolverem) com a vida de milhões de pessoas em busca de cura. São mães, pais, filhos, amigos, estudantes, profissionais... Gente comum que convive diariamente com o fantasma da morte. Defendo as pesquisas para crianças que nascem com alguma doença genética. A distrofia muscular, por exemplo, que as faz perder os movimentos de maneira irreversível. Não há tratamento para impedir o seu avanço e elas podem não chegar até a adolescência. Ouvi a história de uma menina que pediu à mãe que abrisse um buraco nas suas costas e colocasse uma pilha igual à de suas bonecas. Ela só deseja continuar vivendo, brincando, crescendo. Defendo as pesquisas para quem tem esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença que pode matar em menos de dois anos. Quando a pessoa se dá conta de que algo não vai bem e busca diagnóstico, 60% do sistema nervoso já está comprometido. Existem mais outras 450 doenças progressivas e degenerativas como estas.

Somente as células-tronco embrionárias podem tornar realidade tantas esperanças de vida. As células-tronco adultas não servem para essas doenças. Extraídas da medula óssea, do cordão umbilical, da polpa do dente, entre outras possibilidades, e pesquisadas há três décadas, já se sabe que estas têm capacidade limitada. Já as embrionárias podem se transformar em qualquer um dos 216 tipos de tecido do corpo humano - ósseo, muscular, nervoso. Todos. Podem nos fazer entender a formação de doenças e tumores. Podem revolucionar a medicina.

Será que, um dia, as mesmas pessoas que condenam as pesquisas não virão a se beneficiar de seus resultados? Diretamente ou para um ente querido. Hans Keirstead iniciará, em 2008, um estudo destinado a devolver movimentos às pessoas com lesão medular. Ele transformou células-tronco embrionárias num tipo de célula da medula que restaura a transmissão de impulsos nervosos. Injetou-as em ratos e eles voltaram a andar.

Dá muita esperança. Haverá um desejo enorme de se ter acesso a essas terapias. Elas poderão, no entanto, ter um custo alto, já que todas as descobertas serão patenteadas. E o direito à vida e à dignidade dos brasileiros que não puderem pagar por isso? O Brasil financia um estudo com células-tronco adultas para tratamento de cardiopatias graves que envolve 1.200 pacientes em 33 instituições do País. Se os resultados forem positivos, a terapia será oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), acessível a todos os cidadãos. O caminho deve ser esse, não podemos esperar a cura vinda de outros países.

Há um longo caminho a ser percorrido até haver terapias com células-tronco embrionárias. Já se pesquisa nos Estados Unidos, em Israel, no Reino Unido, na Austrália, em Cingapura, na China, na Coréia do Sul, na Suécia, na Espanha, na Dinamarca e até mesmo no ultraconservador Irã. Nós, no Brasil, começamos as nossas. E queremos o direito de continuar investindo no nosso formidável quadro de cientistas para termos autonomia na promoção da saúde e na manutenção da vida dos brasileiros.

Mara Gabrilli, vereadora em São Paulo (PSDB), psicóloga, publicitária e empreendedora social - tetraplégica há 13 anos, em razão de um acidente de carro -, foi a primeira titular da Secretaria Especial da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, instituída neste Município em 2005

 

 



Microsoft concorda com exigências antitruste da UE  volta

 

Mídia eletrônica: Estadadão.com.br
http://www.estadao.com.br
22/10/2007


Acordo entre a companhia e a Comissão Européia ocorre após multa de US$ 400 milhões


BRUXELAS - A Microsoft finalmente concordou em tomar medidas para cumprir a decisão de 2004 que considerou como anticompetitivas práticas comerciais da gigante do software, informou a Comissão Européia nesta segunda-feira, 22.
 

O acordo marca uma grande virada na atitude da companhia. Há mais de três anos a Microsoft vinha afirmando que queria atender à decisão da Comissão, mas até agora nunca tinha cumprido as determinações do braço executivo da União Européia.

 

A Comissão informou em comunicado que tem certeza que a "Microsoft tomará as medidas necessárias para cumprir suas obrigações de acordo com a decisão de 2004".

 

A Microsoft, que foi multada em 280,5 milhões de euros (US$ 400,6 milhões) em 2006 por não cumprir as exigências, enfrentava a possibilidade de incorrer em novas multas se não obedecesse a Comissão.

 

A companhia vai disponibilizar para os produtores de software de "código aberto" informação necessária para que seus programas funcionem bem no sistema operacional Windows, assim como acontece com software da própria Microsoft. A Microsoft também reduziu royalties elevados relacionados às informações de interoperabilidade, informou a Comissão.

 

A Comissão divulgou que a Microsoft fez mudanças substanciais em seu programa de royalties. Em primeiro lugar, os produtores de software livre poderão acessar e usar as informações de interoperabilidade. Em segundo, os royalties a serem pagos pelo acesso a essas informações serão reduzidos para um pagamento único de 10 mil euros. Finalmente, os royalties de uma licença mundial, incluindo patentes, serão reduzidos de 5,95% para 0,4%.