Terça-feira, 27 de novembro de 2007.
Comentários, dúvidas e sugestões:
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1. Qualificar é desenvolver
2. Totvs adquire fabricante de software para varejo
3. Mais fashion, Shoulder planeja ser a Zara brasileira
4. A evolução da internet e os 'cibercrimes'
5. Imã de negócios
6. Lula diz que investir em ciência e tecnologia dá retorno
7. O difícil caminho da modernização
8. Ares envenenados
9. Biodiversidade interna
10. Marcas unidas para oferecer mais
11. Disputa entre Nokia e Qualcomm sobre patentes começa se julgada
Qualificar é desenvolver volta
Folha de São Paulo
ALBERTO GOLDMAN e LAURA LAGANÁ
27/11/2007
Os ensinos técnico e tecnológico são ferramentas fundamentais no processo de desenvolvimento econômico e humano
UM RECENTE estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) constatou que falta 1 trabalhador qualificado para cada 4 vagas com carteira assinada abertas pela indústria -sobretudo em determinados setores, como transportes, mecânico, extrativismo mineral, químico e petroquímico. Esses dados confirmam a importância da decisão do governador José Serra de definir como uma das prioridades de sua gestão a expansão do ensino técnico e tecnológico, que hoje já está sendo realizada no Estado.
É lugar-comum afirmar que o Brasil requer grandes investimentos para recuperar e ampliar sua infra-estrutura no que se refere a transportes e energia elétrica. Também é fato inconteste que o país precisa ampliar o ensino superior de qualidade. Mas só agora estamos acordando para o "apagão" de profissionais especializados de nível técnico e para a necessidade de cuidar do ensino superior tecnológico, essenciais ao processo de desenvolvimento econômico. Instituição vinculada à Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, o Centro Paula Souza -responsável por 138 escolas técnicas (Etecs) e 33 faculdades de tecnologia (Fatecs)- dará um salto na oferta da formação pública qualificada.
Em 2008, haverá uma ampliação de 88,5% de vagas do ensino médio, 33% no ensino técnico e 48% no ensino superior tecnológico. Até 2010, o salto será ainda maior. Aumentaremos de 75 mil para 175 mil matrículas nos cursos técnicos; de 24 mil para 70 mil no ensino médio; e de 22 mil para 46 mil no superior tecnológico. Quando concluída essa ampliação, o Centro Paula Souza será responsável por 80% das matrículas do ensino técnico no Estado de São Paulo.
Além da diversificada oferta de mais de cem habilitações nos variados segmentos -indústria, serviços, saúde, entre outros-, novos cursos estão sendo criados em parceria com especialistas dos setores produtivos. Com currículos focados nas necessidades da produção local, o Centro Paula Souza atende a todo o território paulista, em mais de 150 municípios, na formação de profissionais nos níveis técnico e superior tecnológico.
Hoje, o Centro Paula Souza se destaca não só pela abrangência e dinamismo mas também pela qualidade. As Etecs, que combinam o ensino médio com o técnico, por exemplo, tiveram ótimos resultados no último Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). No ranking de escolas públicas e privadas da cidade de São Paulo, sete Etecs ficaram entre as 50 melhores, destacando a Escola Técnica Estadual de São Paulo, que conquistou o décimo lugar entre todas as públicas (estaduais e federais) do país.
São Paulo tem uma economia pujante, extremamente diversificada e em constante evolução. Além de sua expressão na produção agrícola e pecuária, é o Estado em que a indústria de transformação mais se desenvolveu. Ao lado das indústrias de açúcar e álcool, hoje em grande expansão, e mais recentemente do setor de petróleo e gás, crescem a indústria automobilística, o setor químico, a área de informática e comunicação, o setor eletroeletrônico, a indústria de bens de capital e as indústrias de base tecnológica. Tal desenvolvimento exige maior qualificação da mão-de-obra.
O governo do Estado, ante essa realidade, deu uma resposta imediata. O Centro Paula Souza terá papel fundamental no processo de formação desses profissionais por meio de um pesado investimento. A alocação de recursos será o dobro dos atuais 450 milhões de reais e terá como meta incrementar sua infra-estrutura, modernizando seus laboratórios, capacitando seus professores e melhorando os vencimentos de seus servidores.
Os ensinos técnico e tecnológico são ferramentas fundamentais no processo de desenvolvimento econômico e humano. Na medida em que têm seu conteúdo programático adequado à vocação econômica de cada região, as Etecs e as Fatecs qualificam os jovens ao mesmo tempo em que contribuem para a atração de novos investimentos. Isso explica suas altas taxas de empregabilidade: em até um ano após o final do curso, 74% dos egressos de Etecs e 92% dos de Fatecs têm emprego.
Considerando seus vestibulares e vestibulinhos, com sistema de pontuação acrescida para os candidatos oriundos de escolas públicas e afro-descendentes, temos aí uma importante ação social. São Paulo, seguindo sua tradição, coloca-se à frente desse processo. Com eficiência e responsabilidade, promovendo ações que serão refletidas no desenvolvimento de todo o Brasil.
ALBERTO GOLDMAN , 70, engenheiro civil, é vice-governador e secretário de Desenvolvimento do Estado de São Paulo. Foi ministro dos Transportes (governo Itamar Franco) e secretário da Administração do Estado de São Paulo (governo Quércia). LAURA LAGANÁ , 52, formada em matemática, é diretora-superintendente do Centro Paula Souza.
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br
Totvs adquire fabricante de software para varejo volta
Valor Econômico
João Luiz Rosa
27/11/2007
A Totvs, fabricante de software de gestão, vai comprar 70% do capital da Midbyte Informática, que desenvolve software para o varejo. Segundo comunicado divulgado na noite de ontem, a aquisição será formalizada mediante pagamento de R$ 6 milhões, podendo chegar ao valor máximo de até R$ 8 milhões no prazo de até três anos, sujeito a determinadas condições.
A Totvs terá uma opção adicional de aquisição dos 30% remanescentes da Midbyte, a qual poderá ser exercida a partir de 1º de dezembro, totalizando 100% do capital social da empresa. A operação, que será submetida ao Cade, foi aprovada em reunião do conselho de administração da Totvs, na sexta-feira.
No Brasil, a Totvs foi a pioneira na consolidação no setor de software. Em fevereiro de 2005, a Microsiga, a semente da holding, recebeu um aporte de R$ 40 milhões do BNDESPar, o que permitiu a aquisição da rival Logocenter. Em março de 2006, a Totvs abriu o capital na Bovespa, levantando R$ 460 milhões (dos quais R$ 250 milhões foram para o caixa). Trinta e cinco dias depois, a Totvs adquiriu a RM Sistemas.
Mais fashion, Shoulder planeja ser a Zara brasileira volta
Valor Econômico
Beth Koike
27/11/2007
Avessa a exposições, a fabricante e varejista de roupas femininas Shoulder vai crescendo quase na surdina. O novo layout das lojas, que chama atenção de quem circula pelos corredores dos shoppings, é o indicativo mais expressivo de que algo está mudando. Mas há muito mais. A empresa investiu na expansão de sua fábrica e agora parte para um projeto de ampliação da rede de lojas. Além disso, aposta na sofisticação de seus produtos.
Hoje, a Shoulder vende mais de 65 mil peças por mês em 14 lojas próprias e duas franquias. Há dois anos, tinha dez pontos-de-venda. E a meta para o ano que vem é chegar a 20 lojas, ou seja, o dobro do que possuía em 2005. "Antes de começar essa expansão, investimos fortemente na ampliação da nossa fábrica, que hoje tem capacidade mensal para produzir 90 mil peças", disse Hélio Majtlis, diretor-presidente da Shoulder, ao Valor, em sua primeira entrevista a um veículo de comunicação em 26 anos à frente da empresa, criada inicialmente como uma fabricante de roupas para terceiros.
Majtlis não revela quanto está investindo no projeto de expansão nem tampouco quanto fatura. Informa apenas que está crescendo a uma média de 30% ao ano, com um ticket médio (o valor médio gasto por compra) de R$ 480.
Praticamente tudo o que vende em suas lojas - o equivalente a 85% - é produzido na moderna fábrica de localizada no Bom Retiro, que conta com 300 funcionários. "Conseguimos ser competitivos porque temos fabricação própria. Não sofremos pressões com fornecedores e podemos gerenciar prazos de entrega", contou Beny Majtlis, filho do proprietário, que tem 23 anos e está sendo preparado para tocar o negócio familiar.
Quase tudo o que é vendido nas 14 lojas da marca vem da fábrica própria - são lançados 30 modelos por semana
Um dos pontos fortes da Shoulder é a rápida produção. São 30 novos modelos entregues semanalmente nas lojas. Os Majtlis (pai e filho) não escondem que sonham em ser uma Zara, varejista espanhola conhecida no mercado por ter em suas araras novos modelos todas as semanas, com modelagens semelhantes a das grifes famosas, mas com preços mais competitivos. O sistema é conhecido no mundo da moda como "fast fashion". "Não queremos ser uma marca que lança moda e sim que acompanha as tendências", explicou o executivo, que abriu sua primeira loja em 1995 no Shopping Ibirapuera, em São Paulo.
Para concretizar o sonho de ser a Zara brasileira, a Shoulder começou neste ano a sofisticar lojas e produtos, que até então tinham um apelo mais comercial. As novas lojas são verdadeiras butiques, decoradas por arquitetos renomados que apostam em ambientes aconchegantes, com sofás, carpetes e provadores amplos.
As roupas, sapatos e acessórios da marca também ganharam uma modelagem mais moderna. Há 600 opções de modelos, com preços que variam de R$ 49 a R$ 700, para atender diversos públicos - numa estratégia semelhante à usada pela espanhola Zara.
A evolução da internet e os 'cibercrimes' volta
Valor Econômico
Marcelo Goyanes
27/11/2007
A internet apresenta, de tempos em tempos, novas facetas, o que recentemente desencadeou a adoção da expressão "web 2.0" para definir uma evolução mais acentuada nas suas características originais. A expressão web 2.0 refere-se à segunda geração da internet, que permite maior interatividade e colaboração dos usuários na utilização da rede, como ocorre com a enciclopédia interativa Wikipedia, o site de vídeos YouTube e as comunidades virtuais Orkut, My Space e Second Life. Estudo da União Internacional das Telecomunicações aponta que uma em cada três pessoas está inserida no meio digital através de celular ou de computador com acesso à internet. O levantamento indicou ainda que pessoas com idade entre 18 e 54 anos ficam em média 16 horas semanais consumindo conteúdos digitais, o que supera a atenção direcionada aos meios tradicionais de comunicação.
Trata-se de um meio revolucionário em todos os sentidos, que, pelas suas características naturais, é também muito propício para a prática de delitos à distância. Muitos ainda parecem não acreditar na aplicação das leis tradicionais à internet, o que é um erro. Um quadro comparativo elaborado pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática demonstra que a maioria esmagadora dos atos ilícitos praticados na internet está expressamente tipificada na legislação brasileira.
A relação entre o direito e a tecnologia nunca foi tranqüila, não só pela resistência histórica de profissionais da área jurídica a se adaptarem às inovações mas, sobretudo, pela lentidão do processo legislativo brasileiro e pela dificuldade do Poder Judiciário de julgar ações com base na eqüidade e em leis que não prevêem expressamente o ambiente virtual. Este leve descompasso sempre foi tolerado. O agravante da era web 2.0 decorre da velocidade da evolução tecnológica, que revela o espantoso atraso da aplicação da lei diante das necessidades da chamada sociedade da informação. A bem da verdade, só a própria tecnologia tem condições de regular e evitar, no tempo certo, os seus próprios excessos. Neste contexto, o Poder Judiciário assume um papel fundamental para apaziguar conflitos surgidos durante a transição entre o avanço tecnológico e o aperfeiçoamento da tutela jurídica.
Sabe-se que a internet também está infestada de atividades criminosas e urge disciplinar o uso das novas tecnologias sem impedir o seu avanço, ou seja, aumentar a segurança na internet sem comprometer as liberdades individuais e a privacidade. A este respeito, muito se comenta sobre o substitutivo ao Projeto de Lei nº 89, de 2003, da Câmara dos Deputados, que tem como objeto a regulamentação e repressão aos crimes de informática, que serviria como uma espécie de plataforma para o Brasil aderir à Convenção sobre o Cibercrime, tratado internacional assinado em Budapeste no início deste século. De acordo com esta proposta legislativa, algumas condutas praticadas através da internet seriam expressamente tipificadas como crime - como a difusão de vírus digital, o acesso indevido a sistemas informatizados e o furto de senhas, a divulgação de dados pessoais e a falsificação de cartão de crédito.
A maior dificuldade no combate aos crimes cibernéticos no Brasil não é legislativa, mas sim operacional
A característica mais polêmica do projeto é a previsão de identificação e cadastramento prévio dos usuários como condição para acessarem redes de computadores. Na prática, isto equivale a um formulário digital que deverá ser preenchido e validado sempre que desejarem praticar ações que envolvam interatividade, como compartilhamento de arquivos, e-commerce e foros de discussão. Os provedores de serviço passariam a ser responsáveis pela coleta, validação e armazenamento dos dados de conexões realizadas por seus equipamentos, aptos à identificação do usuário e endereços eletrônicos de origem das conexões, pelo prazo de três anos.
Parece certo que, com o referido cadastramento, não se pretende autorizar o provedor ou o Estado a interferir na liberdade dos usuários. No entanto, há que se ponderar os altíssimos custos e a responsabilidade criminal, que poderiam comprometer as atividades dos provedores.
A livre manifestação do pensamento é garantia constitucional fundamental do cidadão, mas só pode ser exercida mediante identificação. A auto-identificação daquele que expõe sua opinião postando um comentário pessoal, por exemplo, em um site jornalístico é condição para o exercício desta prerrogativa. A vedação ao anonimato se justifica com clareza, na medida em que o princípio que assegura a liberdade de expressão deve ser conjugado com outras prerrogativas constitucionais, como a da ampla defesa e a que garante o direito de resposta. O principal objetivo da projetada regra de cadastramento parece ser a segurança da comunicação eletrônica - garantir que, no caso da prática de um crime na internet, a instrução processual possa ser viabilizada mediante requisição judicial ao provedor, para identificação do usuário suspeito e garantia do direito da vítima.
Novas leis penais são insuficientes para estancar as ilegalidades cometidas no ciberespaço. É crucial ao Estado e à iniciativa privada investir em campanhas educativas para conscientização dos internautas. Há pessoas que nem imaginam que compartilhar arquivos protegidos pelo direito autoral pode ser ilegal, mesmo que para uso privado, Há outras que nem desconfiam dos riscos envolvidos com a exposição da vida privada proporcionada pelos sites de relacionamento.
Parece-nos certo que a maior dificuldade no combate aos crimes cibernéticos no Brasil não é legislativa, mas sim operacional. Seria mais proveitoso aparelhar o Estado com recursos para aplicar com eficácia as leis já existentes e eliminar a sensação de impunidade presente em todos os meios e classes da sociedade, a promover a indesejada inflação legislativa e a prejudicar a democratização da internet.
Marcelo Goyanes é advogado e sócio de renda do escritório Veirano Advogados, professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, co-autor do livro "O Direito e a Internet" pela Editora Forense Universitária e autor do livro "Tópicos em Propriedade Intelectual" pela Editora Renovar
Este artigo reflete as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações
Imã de negócios volta
Valor Econômico
Por Alisson Avila e Genilson Cezar, de São Paulo
27/11/2007
Aumento de renda e, conseqüentemente do consumo da população, mão-de-obra mais barata e mais bem qualificada, concessão de empréstimos e incentivos fiscais estão transformando o Nordeste na mais promissora fronteira de expansão econômica do país. Trata-se de um novo cenário de oportunidades que vem atraindo investimentos significativos do empresariado nacional. Não apenas em atividades consideradas tradicionais para a região, como os segmentos de serviços e de turismo, mas, também, nos setores industriais, de comércio de bens de consumo e em áreas voltadas para a exportação.
Segundo dados do governo federal, nos próximos dois anos, a economia nordestina deverá receber um incremento de R$ 3 bilhões em novos projetos comerciais e industriais. Só Pernambuco, dono da segunda maior economia da região, já recebeu, nos últimos anos, 73 novas indústrias de alimentos destinados aos consumidores do Nordeste e ao mercado externo.
"O Nordeste é a bola da vez. A renda cresce de maneira expressiva, bem acima da média nacional. Pernambuco, por exemplo, está com uma taxa de crescimento anual de 30%. Por isso, estamos reforçando os investimentos na região para efetivar nossa liderança de mercado", resume Felipe Luz, diretor de relações industriais da Sadia, uma das principais empresas do setor de alimentos, com faturamento de R$ 7,9 bilhões em 2006, que está investindo R$ 250 milhões na construção de uma nova unidade industrial na cidade de Vitória de Santo Antão, em Pernambuco.
A fábrica, que começa a ser montada em janeiro de 2008, criará 1,5 mil empregos diretos e 4 mil indiretos, produzirá 150 mil toneladas de alimentos embutidos, como mortadela, salsichas e lingüiças (10% do total da produção da companhia) e vai gerar uma receita adicional de R$ 400 milhões.
O otimismo do empresariado em relação às possibilidades de aumento de negócios no Nordeste - região de cerca de 1,5 milhão de quilômetros quadrados (18,3% do país), com nove Estados e população estimada em 51 milhões de habitantes (quase 28% do total do Brasil) - é generalizado. E não é sem razão. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2004 - último ano da pesquisa consolidada sobre o tema - , mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) do Nordeste aumenta gradativamente sua participação no PIB nacional - era de R$ 119 bilhões em 1998 (13,1% do PIB do Brasil) e atingiu R$ 248 bilhões em 2004 (14,1%). A renda per capita também tem aumentado sistematicamente desde 1994 (ver gráficos).
As exportações nordestinas estão em alta, avalia estudo da consultoria Deloitte: cresceram 10% em 2006, refletindo o movimento de desconcentração regional nos segmentos automotivo, petroquímico, papel e celulose, siderúrgico, calçadista, têxtil, sucroalcooleiro, soja e fruticultura.
O bom desempenho da economia e a melhoria da renda da população, inclusive por conta de programas sociais, como o Bolsa-Família e o Bolsa-Escola, favoreceram, igualmente, a expansão do consumo. Segundo o IBGE, as vendas do varejo no Nordeste cresceram 17,7% em 2006, enquanto no Sudeste, por exemplo, o aumento foi da ordem de 7%. Os nordestinos passaram a comprar mais alimentos perecíveis, material de limpeza, higiene e beleza, registrando a maior alta da taxa de consumo em 2006 (8,4%), enquanto a média nacional ficou em 4%, segundo levantamento da ACNielsen, especializada em pesquisa de mercado. "A recuperação do poder de compra e maior oferta de crédito, associados à criação de novos postos de trabalho, geraram maior consumo das famílias nordestinas", atesta Ana Carolina Franceschi, responsável pela pesquisa da ACNielsen "Mudanças no Mercado Brasileiro".
O avanço dos indicadores econômico se reflete no maior interesse de indústrias de segmentos importantes, como alimentos, bebidas, metalurgia, papel e celulose em investir na região. De outubro de 2004 a agosto de 2007, a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) recebeu 112 cartas-consulta de empresas de dentro e fora da região visando obter os benefícios do novato Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE).
A maior parte dos candidatos apresentou projetos de investimentos estruturais, como a geração de energia eólica e a proposta de construção da ferrovia Transnordestina. Alimentos, bebidas e o setor do turismo também estão entre os mais demandados. Dois projetos estão em andamento: a construção de uma fábrica de revestimentos cerâmicos em Mossoró, no Rio Grande do Norte, com custo total de R$ 93 milhões, e um empreendimento para desenvolvimento de energia eólica em Aracati, no Ceará, orçado em R$ 56 milhões
"O crescimento da economia nordestina a taxas superiores à média nacional nos levou a optar por construir na região um novo complexo agroindustrial, abrangendo os segmentos de carnes e lácteos", justifica Nildemar Secches, presidente da Perdigão, um dos maiores fabricantes de congelados e industrializados de carne. Em setembro, o grupo anunciou a decisão de investir R$ 280 milhões na implantação de duas fábricas - uma da Batávia para o processamento de laticínio e outra da Perdigão para industrialização de embutidos de carne, além de um centro de distribuição regional, no município de Bom Conselho, a 287 quilômetros de Recife (PE). Serão 950 empregos diretos e terceirizados, além de outros 2,8 mil indiretos. "A vinda da Perdigão para o Nordeste aproxima a produção do consumo e da mão-de-obra e aumenta o leque de produtos oferecidos aos consumidores", diz.
Razões semelhantes são apresentadas por indústrias do segmento de bebidas, como a Femsa Cerveja Brasil, do grupo Femsa Fomento Econômico Mexicano S.A. Com produção total de 7 bilhões de litros por ano, a Femsa está investindo R$ 1,2 milhão para aumentar a capacidade da sua fábrica de Feira de Santana, na Bahia, onde produz Kaiser e Bavaria. A empresa tem outra fábrica em Pacatuba, no Ceará. "O Nordeste é hoje o terceiro maior mercado de cervejas do país e estamos atualizando as linhas de produção para facilitar mais ainda o nosso acesso aos consumidores", explica Gisleine Silveira, gerente de marketing da Femsa.
Também estão motivadas empresas do segmento de produtos de higiene e limpeza, como a Unilever, que se estabeleceu em Pernambuco nos anos 1990, mas que vem atualizando constantemente suas plantas industriais. "Além de um grande centro de distribuição, temos quatro fábricas na região. A última delas foi construída há dois anos com um investimento de mais de R$ 65 milhões. Mas continuaremos investindo para atender as expectativas dos consumidores de baixa renda", afirma Luiz Carlos Dutra, vice-presidente de assuntos corporativos da Unilever.
Outro exemplo de forte dinamismo é o do setor de varejo. As Lojas Renner, que registrou aumento de 23,8% (R$ 1,2 bilhão) em receita líquida nos três primeiros trimestres do ano em relação a igual período de 2006, sem contar os serviços financeiros, inaugurou nova loja em Salvador (BA) em novembro e estréia na Paraíba, na capital João Pessoa, até o fim do ano. Ao ressaltar que o incremento consolidado da receita da Renner foi bastante superior à média do varejo nacional de vestuário e calçados na mesma base de comparação (11% até agosto, segundo o IBGE), Luiz Elísio de Melo, diretor de operações da rede, lembra que novas lojas no Nordeste estão garantidas para 2008. "Nossa presença ainda é pequena para a importância da região", que tem com nove lojas lá (três em Fortaleza, duas em Recife, uma em Aracaju e três em Salvador), com de 92 lojas no país. "Tudo depende da abertura de novos shoppings ou da expansão das operações já existentes", diz.
Entre os varejistas de supermercados, o cenário é de novos desafios por conta da mudança no esquema de competição: a rede GBarbosa, grande força supermercadista no Nordeste (lojas na Bahia, Sergipe e Alagoas), que estava sob o controle do fundo norte-americano Acon, foi vendida por R$ 430 milhões em novembro para os chilenos da Cencosud, líder no setor em seu país de origem, também com operações na Argentina e Colômbia, e que prometem investir para crescer no Brasil no ano que vem. A venda evitou a polarização do setor, já que a eventual compra do negócio por parte do Grupo Pão de Açúcar, Wal-Mart ou Carrefour geraria uma possível concentração de mercado na mão de um único player.
Lula diz que investir em ciência e tecnologia dá retorno volta
Mídia eletrônica: Folha Online
http://www1.folha.uol.com.br
26/11/2007
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, durante o programa de rádio "Café com o Presidente", que investir em ciência e tecnologia dá retorno.
"Quando se fala de ciência, tecnologia e inovação, nós precisamos ver isso como investimento que vai trazer retorno, não apenas na produção de novos cientistas, mas vai trazer retorno do ponto de vista de melhorar a vida do povo brasileiro, melhorar a indústria brasileira, melhorar a qualidade do nosso produto. Portanto, fazer com que o Brasil se torne mais senhor da situação em ciência, tecnologia e inovação."
Lula afirmou que o Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional, também conhecido como "PAC da Ciência", lançado no último dia 20, é um programa do Estado brasileiro. O plano prevê investimentos de cerca de R$ 41 bilhões em pesquisa e capacitação científica até 2010.
"O Brasil nunca teve um plano do Estado brasileiro. Agora, nós poderemos dizer em qualquer parte do mundo que o Brasil tem um programa de ciência e tecnologia pronto, acordado com todo o segmento da sociedade, com pesquisadores, com empresários, com professores. Conseguimos juntar todos os ministros que tinham alguma coisa de ciência e tecnologia, empresas públicas brasileiras. Ou seja, porque antes era assim, a Petrobras tinha o seu, o Ministério da Educação tinha o seu, o Ministério da Saúde tinha o seu, agora, nós juntamos tudo num programa do Estado brasileiro."
O presidente ainda destacou as prioridades do programa. "Esse programa tem quatro prioridades. Primeiro, expansão e consolidação do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Segunda prioridade: promoção da inovação tecnológica nas empresas. Terceira prioridade: pesquisa, desenvolvimento e inovação em áreas estratégicas, como tecnologia da informação, biocombustíveis, agronegócio, insumos para a saúde e energia nuclear. E a quarta prioridade: ciência, tecnologia e inovação para o desenvolvimento social."
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O difícil caminho da modernização volta
O Estado de São Paulo
Rubens Barbosa *
27/11/2007
Foi interessante, apesar de menos confortável, estar em Paris na semana passada, quando eclodiu a greve comandada por centrais sindicais, representando mais de 500 mil trabalhadores dos setores ferroviário, de ônibus, metrô e servidores públicos, que paralisou a França e instaurou o caos no já complicado trânsito de Paris.
A razão imediata da greve foi a decisão do governo francês de promover reforma da Previdência Social em que os aposentados desses setores passariam a receber pensão integral somente depois de 40 anos de contribuição, como todos os demais trabalhadores, modificando o sistema atual, em que os ferroviários se aposentam aos 50 anos e recebem os benefícios na sua totalidade.
O presidente Nicolas Sar-kosy, eleito justamente por seu programa de reformas estruturais que pretende levar a França para a linha de frente dos países mais competitivos da Europa, defendeu as medidas propostas como um primeiro passo para introduzir modificações no sistema previdenciário, com o aumento da contribuição e da idade da aposentadoria. Além dessa mudança, Sarkosy propõe a ampliação da jornada de trabalho de 35 para 39 horas, maior facilidade para as demissões, restrições ao direito de greve, preenchimento de apenas metade das vagas abertas por aposentadoria no serviço público, a redução do poder dos sindicatos e da autonomia universitária.
Em pronunciamento público, Sarkosy prometeu não recuar e enfrentar o desafio dos sindicatos, evitando a repetição do que ocorreu em 1995, quando Jacques Chirac, depois de três semanas de greve, teve de retirar proposta semelhante de reforma da Previdência Social. Agora, divididos, os sindicatos tiveram de voltar ao trabalho sem concessões da parte do governo.
O fato novo, no contexto francês, é que os sindicatos estão isolados e a maioria dos estudantes e da população trabalhadora desaprovou a greve. Os eleitores que elegeram Sarkosy se opõem à defesa de benefícios generosos, como os da Previdência Social e outras benesses corporativas, que caracterizaram seu país até aqui.
Diferentemente dos países anglo-saxões, onde o Estado de bem-estar garantiu as conquistas sociais, a França tem uma tradição de concessões assistencialistas, com grandes privilégios corporativos, e de influência e militância dos sindicatos, o que lhes deu uma voz importante nas reformas econômicas.
A greve transformou-se em teste significativo para a agenda de reformas prometidas pelo novo presidente. O movimento grevista é simbólico e representa o confronto entre o esquerdismo conservador e o futuro da França num mundo globalizado e altamente competitivo.
Paradoxalmente, a França, que sempre resistiu às transformações capitalistas e globalizantes - a das 35 horas de trabalho por semana -, coexiste com uma outra França altamente dinâmica e empresarial, inserida no comércio internacional e que tem algumas das mais bem-sucedidas empresas do mundo.
Observando esses acontecimentos, é inevitável associar o que ocorre hoje naquele país europeu com a perspectiva brasileira a partir de 2010, respeitadas, naturalmente, as peculiaridades de cada país.
Nas eleições de 2010, o Brasil terá de enfrentar os desafios do mundo globalizado e decidir se quer ter um programa de reformas para completar o processo de modernização política, econômica e social. As transformações que terão de ser submetidas ao eleitorado deverão afetar interesses corporativos e privilégios, um dos fatores que atualmente impedem o crescimento do País.
Vendo a reação desses setores na França, não pude deixar de pensar na reação de movimentos como o MST, de sindicatos como os da CUT, dos funcionários públicos e dos que tanto se beneficiam do aparelhamento partidário do Estado, por exemplo. O próximo governo deverá enfrentar um período de turbulência política para conseguir exercer algum tipo de controle sobre esses grupos, que defenderão seus privilégios sem hesitar em utilizar todos os métodos ao seu alcance.
Se, no governo do PT, o MST, aliado de Lula, apenas para chamar a atenção sobre suas preocupações, faz ocupações ilegais, inclusive de prédios públicos, e destrói propriedades e pesquisas científicas, sem nenhuma conseqüência, imagine-se o que não fará para atacar um governo que queira exercer sua autoridade, nos limites da democracia, e impedir que ações desse tipo continuem a ser executadas impunemente, desrespeitando a lei e perturbando a ordem pública.
O exercício da autoridade para coibir os excessos contrários aos interesses da maioria da população, que deseja progredir e melhorar sua condição de vida pelo trabalho ordeiro e pacífico, certamente será denunciado como autoritarismo repressor.
A regulamentação do direito de greve dos servidores públicos, se não for feita no atual governo, terá de ser realizada pelo futuro governo e podemos imaginar a reação dos sindicatos das diferentes categorias de servidores e os problemas que poderão criar para o funcionamento normal do País.
Daqui a três anos, a exemplo do ocorrido na França, o eleitorado brasileiro vai ter de optar entre o progresso e a modernidade, com a redução dos gastos públicos e dos privilégios, ou a continuação de políticas internas assistencialistas e corporativas, e do terceiro-mundismo na política externa, justificáveis 50 anos atrás e ainda existentes em países que preferem ou insistem em perder as oportunidades que as transformações globais oferecem.
A França hoje poderá ser o Brasil amanhã. Só espero que, como acontece naquele país, a instabilidade e a turbulência políticas não perturbem nem contaminem a estabilidade da economia, que continuará a crescer e a se internacionalizar num mundo globalizado e interdependente. O mundo não vai esperar pelo Brasil.
* Rubens Barbosa, consultor de negócios, é presidente do Conselho de Comércio Exterior da Fiesp
Ares envenenados volta
O Estado de São Paulo
27/11/2007
Marcada para dezembro, a próxima reunião de cúpula do Mercosul será realizada num ambiente cada vez mais empestado - e não só pelo odor produzido na fábrica de celulose instalada na cidade uruguaia de Fray Bentos. Com muito vigor, os governos contribuem para tornar irrespirável a atmosfera sul-americana desde o Cone Sul até a zona caribenha. O governo do Uruguai fechou no domingo três pontes internacionais para impedir a passagem de manifestantes argentinos contrários ao funcionamento da papelera de capital finlandês. Com isso, deteve também, segundo o jornal Ambito Financiero, de Buenos Aires, cerca de 200 caminhões de vários países do bloco. Duas das pontes foram reabertas na segunda-feira, mas o ambiente continua envenenado e o governo brasileiro, até agora, não aceitou a função de mediador, embora tenha sido convocado para esse papel pelas autoridades uruguaias.
Os governantes do bloco terão de levar em conta, quando se reunirem no dia 18 de dezembro, em Montevidéu, muito mais que o conflito entre Argentina e Uruguai por causa da indústria de celulose. O ingresso da Venezuela no bloco foi aprovado pelos congressistas dos dois países, mas o assunto ainda não foi resolvido nos parlamentos do Brasil e do Paraguai. O Executivo brasileiro defende a aprovação, mas encontra resistência no Senado e terá dificuldade para discutir o assunto, nas próximas semanas, sem levar em conta as tensões entre a Venezuela e dois de seus vizinhos, a Guiana e a Colômbia.
O ingresso da Venezuela, segundo a presidenta eleita da Argentina, Cristina Kirchner, resolverá a equação energética da América do Sul, mas essa avaliação é claramente fantasiosa. A equação é muito mais complexa e envolve tanto as dificuldades de três grandes consumidores - Brasil, Argentina e Chile - quanto a insuficiência da produção boliviana e as dificuldades políticas do presidente Evo Morales, discípulo do venezuelano Hugo Chávez.
A posição pró-Chávez do presidente Néstor Kirchner e de sua mulher e sucessora reflete as dificuldades financeiras do Tesouro argentino. Sua dívida só tem sido rolada graças ao financiamento venezuelano. Se o governo argentino renegociar o débito com o Clube de Paris e conseguir um entendimento com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a influência regional de Chávez poderá diminuir. É um excelente motivo para o Executivo brasileiro apoiar o reingresso da Argentina no mercado financeiro internacional. Mas falta ver se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se dispõe a rever - contra as inclinações de seus estrategistas internacionais - sua avaliação do colega venezuelano, de sua democracia plebiscitária e de seu papel no Mercosul.
Objetivamente, a normalização do acesso argentino ao crédito internacional pode ser um fato de grande importância geopolítica, se contribuir para a redução da influência de Chávez. A presidenta eleita Cristina Kirchner tem dado sinais de ser capaz de aproveitar essa oportunidade.
Mas a agenda Brasil-Argentina envolve um conjunto importante de outras questões. Buenos Aires mantém barreiras a várias categorias de produtos brasileiros e espera-se de Brasília algum esforço para regularizar o comércio bilateral. Pelo menos no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, há sinais de interesse na solução do problema. A disposição dos estrategistas do Itamaraty e do Palácio do Planalto não é tão clara.
O governo argentino, além disso, não desistiu de propor aos sócios do Mercosul, principalmente ao Brasil, a adoção de impostos sobre a exportação de produtos básicos. O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, já se pronunciou contra essa medida, inteiramente contrária aos interesses comerciais do Brasil, mas a idéia parece atrair autoridades do Ministério da Fazenda e é considerada com simpatia por alguns “desenvolvimentistas”.
Não se pode, portanto, menosprezar o risco de o governo brasileiro aceitar a proposta, ou por motivação política ou por um erro de avaliação econômica. O presidente Lula e seus principais assessores têm cedido a todas as pressões dos vizinhos para embarcar em aventuras insensatas, mesmo quando encena uma leve resistência durante algum tempo. A adesão ao Banco do Sul, uma iniciativa inoportuna sob todos os aspectos, ilustra bem essa tendência.
Biodiversidade interna volta
Mídia eletrônica: Agência FAPESP
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Por Alceu Luís Castilho, de Brasília, e Fábio de Castro
26/11/2007
Agência FAPESP – Após dois dias de debates no Ministério do Meio Ambiente (MMA), em Brasília, na semana passada, a consulta sobre biodiversidade feita pelo governo federal a cientistas resultou na priorização do debate interno.
Isso significa que, por enquanto, nada será decidido a respeito da posição brasileira sobre os mecanismos de consulta à comunidade científica no âmbito da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) e do Mecanismo Internacional de Expertise Científica em Biodiversidade (Imoseb).
O governo estimulou a decisão. Antes da abertura das discussões em grupos, nas quais foram divididos cerca de 30 pesquisadores ligados ao tema biodiversidade, o representante do MMA, Bráulio Dias, recomendou que eles priorizassem a estruturação do aconselhamento interno em relação ao externo.
Depois da apresentação das propostas dos três grupos, Dias ressaltou a “coincidência” entre elas, no que se refere exatamente à prioridade dada à organização do debate no próprio país. A reunião foi coordenada pelo MMA e pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.
“O balanço que fazemos é que foi dada ênfase à estruturação da relação governo-academia primeiro no Brasil, e que não saiu nenhuma proposta concreta que detalhasse a estruturação no plano internacional”, disse Dias à Agência FAPESP logo após o encerramento do evento, no dia 22.
Na prática, isso significa que o Brasil seguirá reticente em relação ao Imoseb. Era a posição do Itamaraty, que teme um esvaziamento da CDB no caso da criação de outra instância internacional. Os defensores do Imoseb alegam que o braço científico da CDB, o SBSSTA (em português, Órgão Subsidiário de Assessoramento Técnico, Científico e Tecnológico), está ocupado muito mais por políticos do que por cientistas, não sendo tão eficiente em termos de divulgação e pressão como o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC).
“Vimos que o mais importante será solucionar nossos problemas internos. Precisamos retomar e reconstruir a relação entre comunidade científica e governo e, com isso, criar uma confiança mútua. Só a partir daí poderemos pensar em uma inserção internacional”, disse Carlos Alfredo Joly, professor do Departamento de Botânica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Segundo Ione Zegler, coordenadora geral de biodiversidade do MCT, a reunião foi positiva porque, tradicionalmente, os pesquisadores brasileiros não se envolvem muito na esfera do aconselhamento aos governos, diferente do que ocorre em outros países. “A academia brasileira precisa se acostumar a participar do processo de assessoramento”, afirmou.
Fórum de pesquisas
Os pesquisadores apresentarão daqui a 15 dias ao governo uma síntese das propostas feitas pelos três grupos. A Agência FAPESP foi o único órgão da imprensa presente na plenária final, realizada no auditório do Ministério da Cultura, e adianta algumas das conclusões.
· Será criado um fórum de pesquisadores, indicados pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e pela Academia Brasileira de Ciências (ABC). Segundo Ione Egler, o governo quer valorizar as instituições, em detrimento das indicações individuais, “que resultam muitas vezes em pareceres contraditórios dos cientistas”, segundo destacou. Não ficou decidido se esse fórum será coordenado pela academia ou pelo governo.
· Foi proposta a criação de um Programa Nacional de Pesquisas Científicas em Biodiversidade, com caráter interministerial e recursos mínimos assegurados por pelo menos dez anos, gerenciado por pesquisadores indicados pelos órgãos representativos (Academia Brasileira de Ciências e SBPC) e sociedades científicas. "O programa funcionaria na base de fluxo contínuo para estimular a pesquisa básica, utilizando-se editais específicos para geração de dados necessários para o aperfeiçoamento de políticas públicas. Teria cotas de bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado concedidas junto com a aprovação dos projetos e estaria associado a um programa efetivo de fixação, por contratação e não por bolsas de curto prazo, dos pesquisadores formados, de forma a fortalecer as instituições de pesquisa e ensino da área", explicou Joly.
Esse programa teria também, obrigatoriamente, linhas de financiamento para melhoria e manutenção da infra-estrutura das coleções biológicas, incluindo a informatização e disponibilização on line dos respectivos acervos. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) seria o órgão gestor do programa que, dentro do possível, atenderia as demandas oriundas das COPs da CBD. O governo minimizou a demanda, procurando inserir a proposta no âmbito do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBIO) do MCT, que, após a gradual expansão de sua atuação por biomas, "ganharia naturalmente esse caráter interdisciplinar e mais amplo", de acordo com Ione Egler.
· Os cientistas referendaram uma proposta do MMA de criar uma Biblioteca Virtual em Biodiversidade e Meio Ambiente, que valorizará as informações publicadas sobre o tema – sem prejuízo das informações de bancos de dados, ou coleções. Um dos objetivos da BV Bioma é aumentar a visibilidade e acessibilidade da informação científica em biodiversidade publicada no Brasil e no exterior. A coordenação do projeto é da SciELO (Bireme e FAPESP) em colaboração com do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.
Oportunidade perdida
Uma proposta que atinge diretamente as decisões do poder público se refere às pesquisas demandadas pelos órgãos ambientais, para efeito de licenciamento ambiental, como o Estudo de Impacto Ambiental – Relatório de Impacto Ambiental. Os pesquisadores defendem a criação de uma força-tarefa para criar um sistema de monitoramento dessas pesquisas, com a padronização de metodologias.
“A reunião mostrou que um dos impedimentos para o avanço das discussões – principalmente da perspectiva de botânicos, zoólogos e ecólogos – são os entraves burocráticos que existem hoje em relação à coleta de materal biológico e acesso ao patrimônio genético”, afirmou Joly.
“Há um impasse entre os órgãos que emitem essas licenças e a comunidade científica, que vê necessidade de mudanças. Nós trabalhamos e cooperamos com esses órgãos para elaborar projetos de lei, minutas de resoluções referentes a licenças de coleta e não vimos nosso esforço refletido em mudanças concretas na legislação”, disse o professor da Unicamp.
Segundo Joly, que representou o programa Biota-FAPESP na reunião no MMA, essas dificuldades geraram um processo de desgaste entre a comunidade e o governo, representado pelos ministérios que regulam as ações da área ambiental.
A origem desse impasse vem do inicio do primeiro mandato do atual governo quando, por solicitação do MMA e do MCT, a comunidade científica se articulou para elaboração de um anteprojeto de Lei de Acesso aos Recursos Genéticos. Concluído em outubro de 2003, o texto encalhou na Casa Civil e não foi enviado ao Congresso Nacional.
As esperanças foram renovadas no período que antecedeu a COP 8 em Curitiba [Oitava Conferência das Partes da Convenção da Diversidade Biológica, realizada em abril de 2006], quando o governo sinalizou que, aproveitando o momento positivo das questões associadas a biodiversidade, o texto seguiria para o Congresso, o que não ocorreu.
"A nova promessa é que o texto deste APL será colocado para consulta pública agora e todos interessados terão 30 dias para apresentação de críticas e sugestões. O de fato sediar a COP nos deu todo um espaço e um interesse – inclusive uma inserção midiática e no Congresso Nacional – para um avanço na questão da biodiversidade. Foi um momento importante que se perdeu porque as inciativas não ocorreram”, destacou Joly.
"Nova decepção da comunidade ocorreu com o desfecho das reuniões do Comitê de Assessoramento Técnico do Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade (CAT-Sisbio), criado para viabilizar a implantação das Instruções Normativas de Coleta e Coleções, mas que acabou gerando um impasse entre os representantes das sociedades científicas e os órgãos responsáveis pela concessão das licenças, Ibama e, mais recentemente, o Instituto Chico Mendes", disse Joly.
Marcas unidas para oferecer mais volta
Mídia eletrônica: Mundo do Marketing
http://www.mundodomarketing.com.br
Por Thiago Terra
26/11/2007
Fazer um mesmo consumidor comprar mais produtos ou serviços de uma única marca é um grande desafio. Por isso, na hora da venda, o mercado tem criado novas estratégias para que o mesmo cliente consuma cada vez mais. Hoje, a captação e manutenção de consumidores alimentam a criatividade dos responsáveis por departamentos de marketing, que utilizam o Cross Selling e o Up Selling com cada vez mais freqüência. O Cross selling é usado para oferecer produtos ou serviços que interessem ao consumidor, além do que ele procura. É como mostrar para quem comprou um livro, por exemplo, as outras obras do mesmo autor. Assim, a venda pode ser mais rentável quando existem produtos relacionados.
O que não é aconselhável, segundo Jayme Nigri, sócio-diretor da New Marketing, empresa especializada em estratégias e metodologias para o mercado, são vendas programadas para adicionar produtos. De acordo com ele, o cliente não sabe que a loja pode ter outros produtos que podem ajudá-lo. Neste caminho nasce o Up selling, que é somar produtos à compra depois da solicitação do consumidor. Oferecer algo que possa satisfazer ainda mais as expectativas de cada cliente. Nada mais do que qualidade por um preço maior.
Parceria como palavra de ordem
O sucesso de empresas que trabalham com o Cross selling é a parceria. Surgindo do interesse de ambos os lados, é criada uma sinergia entre um produto que tem grande volume de venda com uma marca de alta aceitação no mercado. “É o resultado da combinação de dois fatores. É preciso pensar estrategicamente sem passar a idéia de obrigatoriedade de compra”, explica o professor de administração de marketing da Escola Superior de Administração e Gestão - ESAGS, Carlos Saraiva (foto), em entrevista ao site.
Por isso, é cada vez mais comum ver marcas como Unilever criar novas versões de um produto. Prova disso é o “Omo com um Toque de Comfort” e seu sucesso é refletido em 7,2% da participação de mercado segundo dados de pesquisa da Nielsen em agosto deste ano. Além desta, a marca também se uniu com a Ambev e criou o Kibon Guaraná Antarctica. Derivado da receita do refrigerante, o picolé chega ao mercado em dezembro. Ambas nasceram como estratégia de sucesso em cross sell e se transformaram em co-branding, que é a junção entre duas marcas dando origem a um novo produto.
Cotidiano mostra casos clássicos
Outra ação que gerou grandes negócios de cross e up-selling foi a realizada pela Net Serviços de Comunicação, com assinatura da Direkt. Gerenciando banco de dados por cada assinante, o projeto derivou em produtos e serviços mais assertivos e segmentados que consolidaram o relacionamento tanto entre empresa e cliente quanto para as companhias.
Os cases mais comuns de up selling e cross selling são comunidades na Internet, que funcionam como um canal de distribuição de informação e os restaurantes, que oferecem um prato mais caro ou uma sobremesa quando a finalidade é satisfazer o cliente. Comuns no cotidiano, muitas vezes estes serviços oferecem as oportunidades mas normalmente o consumidor não as percebe. “Oferecer algo a mais, que deixe o cliente satisfeito com a compra, automaticamente prepara a próxima venda”, afirma Jayme Nigri(foto).
Acesse
www.esags.edu.br
www.newmarketing.com.br
Disputa entre Nokia e Qualcomm sobre patentes começa se julgada volta
Mídia eletrônica: Reuters Brasil
http://br.reuters.com
26/11/2007
HELSINQUE (Reuters) - A Nokia, maior fabricante mundial de aparelhos celular, disse nesta segunda-feira que está confiante de que não violou a patente de duas tecnologias da fabricante norte-americana de chips Qualcomm, como esta alega em processo que começa a ser julgado nesta segunda-feira na Grã-Bretanha.
A Qualcomm quer uma ordem para que a Nokia pare de vender produtos usando as patentes na Grã-Bretanha. Não ficou esclarecido quais produtos da Nokia seriam afetados.
A Qualcomm processou a Nokia por uma patente GSM similar também nos Estados Unidos, Alemanha, França, Itália e China. Em nenhum dos casos chegou-se a um veredicto ou acordo.
"A Nokia está confiante de que os fatos e as evidências apresentadas no processo irão demonstrar definitivamente que as alegadas patentes da Qualcomm são inválidas e não foram infringidas", afirmou a porta-voz da Nokia, Anne Eckert.
A Qualcomm, que abriu o processo britânico em maio de 2006, não estava disponível para comentar o assunto.
A Nokia disse esperar que as audiências no caso se encerrem em aproximadamente três semanas.
As empresas travam disputas legais desde que não conseguiram renovar um contrato chave de licenciamento de tecnologia, que expirou em 9 de abril. Analistas estimam que Nokia paga cerca de 500 milhões de dólares anuais à Qualcomm por patentes e que a empresa quer reduzir a quantia.
(Por Tarmo Virki)