
Segunda-feira, 26 de novembro de 2007.
Comentários, dúvidas e sugestões:
sercom@inpi.gov.br
1. BNDES e Finep têm pressa em liberar recursos para inovação
2. Investir para vender mais à Argentina
3. Infra-estrutura pode dar fôlego para país crescer entre 6% e 7%
4. Grandes projetos impulsionam negócios de automação no país
5. Veteranas dominam mercado e ampliam os investimentos
6. Um balanço que contempla a inteligência corporativa
7. Pesquisa da UNIFRAN é patenteada nos Estados Unidos
8. Brasil e Índia vão intensificar cooperação técnica em prol do desenvolvimento agropecuário
9. Apple registra patente de tecnologia Multi-touch pra a mão inteira do usuário
BNDES e Finep têm pressa em liberar recursos para inovação volta
Valor Econômico
Chico Santos, do Rio
26/11/2007
As duas principais agências do governo para financiamento à inovação, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) estão ampliando as liberações de recursos, mas ainda vão precisar aumentar muito mais para dar conta dos R$ 42 bilhões que o governo pretende liberar com esse objetivo até 2010.
O valor representa as inversões previstas no Plano Nacional de Ciência e Tecnologia, o chamado PAC Tecnológico, lançado na semana passada. A soma dos desembolsos das duas empresas estatais para este ano, incluindo as liberações da Finep para instituições de estudos científicos e tecnológicos, devem ficar abaixo de R$ 3 bilhões. Finep e BNDES estão criando um comitê para ampliar a articulação das suas ações.
O número de R$ 3 bilhões pode parecer pequeno diante da meta de R$ 42 bilhões, mas nas duas instituições os desembolsos estão em franco crescimento. As linhas Inovação PD&I e Inovação Produção, do BNDES, criadas em fevereiro de 2006, que no primeiro ano desembolsaram juntas apenas R$ 5,6 milhões (totalmente para a Inovação Produção), até outubro deste ano já liberaram R$ 120 milhões, sendo R$ 18 milhões para a de PD&I. As duas linhas tinham, entre projetos já contratados e em tramitação, R$ 583,6 milhões em carteira até outubro deste ano. O BNDES dispõe, em princípio, de R$ 1 bilhão para financiamentos no âmbito dessas duas linhas.
Os desembolsos totais do banco para inovação, quando somadas às duas primeiras linhas as do Profarma PD&I (inovação no setor farmacêutico) e Prosoft Empresa (inovação na área de software), somaram até outubro R$ 452 milhões, ante R$ 259,6 milhões em todo o ano de 2006. A carteira ativa do banco somava até outubro R$ 1,23 bilhão.
A chefe do Departamento de Políticas e Programas do BNDES, Helena Tenório, disse que os números não estão incluindo uma série de outros programas do banco voltados para pesquisa e inovação, como participação no capital de empresas, diretamente ou via fundos, e também recursos não-reembolsáveis. Segundo os técnicos do BNDES, o aumento dos desembolsos está associado, especialmente, ao amadurecimento das linhas e à retirada de obstáculos para agilizar os processos de aprovação.
O banco tomou providências que resultaram na redução do prazo de tramitação dos projetos, em média, de cinco para três meses. Uma das medidas foi extinguir o comitê que avaliava o nível de inovação do projeto, passando a concentrar essa avaliação no próprio comitê de crédito. Embora ressalte que o BNDES ainda não tem respostas para dizer o que será feito com os recursos adicionais que virão do PAC Tecnológico, Helena disse que a ampliação dos recursos implicará novas destinações.
Os desembolsos da Finep também estão em expansão. Em 2006, os desembolsos da empresa ficaram próximos a R$ 1,5 bilhão, sendo R$ 516 milhões reembolsáveis.
Para este ano, segundo o seu presidente, Luís Fernandes, o valor vai chegar a R$ 2,15 bilhões, sendo R$ 550 milhões em operações de crédito, R$ 1,15 para desenvolvimento científico e tecnológico e R$ 450 milhões na modalidade de subvenção a empresa.
Para 2008 o orçamento da Finep é de R$ 2,8 bilhões, sendo R$ 800 milhões reembolsáveis, e para 2010 a expectativa de Fernandes é de que o orçamento chegue a R$ 3,8 bilhões. Ele acha que para atingir o volume de recursos do PAC será necessário "colocar todas as agências envolvidas em um novo patamar".
Fernandes acha necessário criar um novo marco legal para o financiamento à inovação, retirando pontos de insegurança, como o fato de a Receita Federal entender a subvenção como renda, e a interpretação da Lei da Inovação, que restringe a subvenção a despesas de custeio e não às de capital.
Investir para vender mais à Argentina volta
Valor Econômico
26/11/2007
Adversário eterno no futebol, a Argentina é o principal parceiro do Brasil no comércio, a ponto de os empresários brasileiros acreditarem que há pouco espaço para ampliar ainda mais as vendas ao mercado vizinho. O jogo empresarial exige nova estratégia, segundo mostra uma inédita e oportuna pesquisa coordenada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre as perspectivas da América do Sul para os interesses dos industriais brasileiros. "O futuro das relações bilaterais e a própria ampliação das exportações brasileiras parecem exigir esforços maiores em ampliação dos laços de investimentos", recomenda o estudo.
Um dos pontos altos dos investimentos brasileiros na Argentina foi 2002, quando a Petrobras e outras empresas, aproveitando a queda de preços dos ativos locais, investiram quase US$ 1 bilhão na compra e ampliação de instalações no vizinho. Em 2004, os investimentos atingiram pouco mais de US$ 500 milhões (12,5% do total de investimentos diretos estrangeiros no país), mas vêm crescendo, desde então, a ponto de chegar ao recorde de US$ 1,8 bilhão no ano passado, segundo a Secretaria de Indústria argentina.
A recuperação dos produtores locais explica a maior parte das quedas de exportações brasileiras na participação do mercado argentino, constaram os investigadores da Funcex contratados pela CNI. Mas o avanço chinês é, hoje, a maior ameaça, na Argentina, aos exportadores do Brasil. No primeiro semestre deste ano, os chineses venderam aos argentinos pouco menos de US$ 1,8 bilhão, o dobro do que exportaram em 2006 - o que levou o governo Néstor Kirchner a baixar medidas de controle na entrada de mercadorias asiáticas.
--------------------------------------------------------------------------------
Avanço chinês é ameaça para o Brasil
--------------------------------------------------------------------------------
No radar dos empresários brasileiros, mercados de grande potencial, como o México, começam a provocar grande interesse. Mas a Argentina segue como o alvo principal, e de maior peso para os negócios das empresas com interesses no exterior. A eleição de Cristina Kirchner, claramente mais engajada na agenda bilateral e na atração de investimentos ao país, cria uma oportunidade que não deve ser desperdiçada.
A pesquisa da CNI identificou interesses consolidados, ameaçados, potenciais e emergentes dos exportadores brasileiros na Argentina. Entre os interesses potenciais, de fabricantes com grandes vendas ao mundo, mas poucas à América do Sul, a CNI identificou 29 casos, dos quais o produto realmente relevante é avião, mercadoria que, na Argentina, tem os EUA como principal fornecedor. Os acenos da presidente Kirchner para cooperação com a Embraer indicam que há perspectivas favoráveis nesse setor.
O Brasil está muito bem no país vizinho. Em 83% das vendas brasileiras à Argentina, os produtos encontram um mercado consolidado, do qual ocupam mais de 50% da fatia de mercado para importados, mas 418 produtos que já representaram um quarto das vendas brasileiras à Argentina hoje são considerados "interesses ameaçados" pela pesquisa da CNI. Na maioria desses produtos, porém, o que aconteceu foi a retomada da produção argentina, que deslocou todos os importados - o Brasil, embora perca clientes, mantém sua fatia no total de importados.
A Argentina, vista como país com grande potencial de crescimento de mercado, atrai principalmente empresas que fornecem produtos diferenciados às indústrias, ajustados às necessidades dos clientes, e àquelas com preços fortemente influenciados por custos e prazos ditados pela logística. A recuperação econômica, somada ao mercado de renda média e alta, fazem com que o país seja o mais citado como alvo de investimentos, na pesquisa feita pela CNI com 99 exportadores brasileiros. A principal reivindicação desse grupo ao governo, no caso argentino, é melhoria da infra-estrutura de transportes, promoção comercial e negociação para reduzir as chamadas barreiras não-tarifárias, como exigências técnicas e fitossanitárias.
Entre as conclusões interessantes do trabalho estão a constatação de que os principais problemas para os investidores do Brasil na América do Sul não estão nos mercados lá fora, mas no ambiente aqui dentro. Há alguma dificuldade na mobilidade de funcionários para instalações no exterior, mas os empresários não vêem problemas em estabelecer suas filiais na vizinhança. Acordos de proteção de investimento começam a ser vistos como forma desejável de seguro contra instabilidade regulatória na América do Sul, mas são preocupações quase restritas aos setores de infra-estrutura e construção civil - a Argentina, com a Bolívia, é um país que desperta preocupações, ainda que não muito sérias.
Além das dificuldades burocráticas e das exigências de normas de origem, comuns entre as dificuldades apontadas pelos empresários, o que incomoda mesmo o setor privado são as regras tributárias no Brasil, que dificultam a vida dos que têm investimentos no exterior. O estudo da CNI, que será discutido com o setor empresarial para orientar uma agenda comum de reivindicações, sugere acordos para evitar a dupla tributação e pede mudanças no atual sistema de tributos, que cobra imediatamente impostos sobre lucros no exterior. O tema tributário tende a ganhar importância na discussão sobre a expansão dos interesses brasileiros no exterior, especialmente na vizinhança.
Sergio Leo é repórter especial em Brasília e escreve às segundas-feiras
Infra-estrutura pode dar fôlego para país crescer entre 6% e 7% volta
Valor Econômico
Sergio Lamucci e Denise Neumann, de São Paulo
26/11/2007
Antônio Delfim Netto acredita que o Brasil pode voltar a crescer, em breve, em um ritmo de 6% a 7%. A última vez em que essa velocidade foi alcançada foi no chamado milagre econômico, nos anos 70, período durante parte do qual ele foi o comandante da área econômica. A chave para essa mudança, diz ele, está na aposta que a União e Estados importantes - entre eles São Paulo e Minas Gerais, comandados pelo PSDB e por potenciais candidatos a sua sucessão - estão fazendo na infra-estrutura. E a aposta, explica, vem junto com a convicção de que agora parte importante deste investimento cabe ao setor privado, Para Delfim, o BC, apesar de sustentar "o último peru disponível no mundo fora do Dia de Ação de Graças e do Natal", não tem mais o poder de frear esse crescimento porque o investimento privado não "obedece" à Selic. A seguir, os principais trechos da entrevista.
Valor: Quais suas perspectivas para o crescimento da economia nos próximos anos?
Delfim Netto: Estou com uma visão otimista por muitos motivos, mas talvez o mais importante é que caiu a ficha do governo federal. Houve alguns sinais importantes dados pelo ministro que considero talvez o mais eficiente do governo Lula, que é a Dilma Rousseff. No começo, os atrasos nos leilões de concessão faziam com que ficássemos desconfiados de que eles queriam devolver para o Estado todas as tarefas. Era aquela ameaça: vai recriar a Telebrás, vai recriar a Diabobrás. Mas não foi por isso que demorou e sim pela assimetria de informação entre o poder concedente e o concessionário. Nas concessões do governo Fernando Henrique, a assimetria de informação levou o concessionário a montar um sistema em que as vantagens eram substanciais. Isso era possível, porque o concessionário sempre sabe muito mais do que o poder concedente sobre a sua tarefa. Hoje estou convencido que era esse problema e não um resíduo ideológico. O que demorou foi o governo entender que poderia transferir para o setor privado algumas tarefas e, ao mesmo tempo, proteger o consumidor.
Valor: De onde vem essa mudança?
Delfim: Eles descobriram isso quando começaram a pensar no leilão de concessões rodoviárias, que poderia ser um leilão frio, comum, mas de repente aparece um animal estranho, que transformou o leilão num sucesso extraordinário. O governo sabe hoje que há mecanismos adequados que permitem transferir ao setor privado aquelas tarefas que antigamente apenas o Estado podia fazer.
Valor: E o que fica para o Estado?
Delfim: É possível reservar para o Estado apenas aquilo que ele tem que fazer. Ele tem que proporcionar uma Justiça razoável, saúde, educação e, numa palavra, precisa equalizar as oportunidades dos cidadãos. E aqui há uma idéia que vai salvar o capitalismo. O capitalismo é uma corrida, uma competição desenfreada. O que se exige numa corrida? Que os sujeitos saiam do mesmo ponto e que pelo menos tenham duas pernas. É evidente que no Brasil isso não existe. No Brasil, 60% das pessoas nascem em lares que são incapazes de dar a eles igualdade de oportunidades. O capitalismo só sobrevive quando há consciência de que essa igualdade de oportunidades está caminhando. A profecia marxista só não se realizou por causa do sufrágio universal. O sufrágio universal deu voz ao trabalhador e o está transformando em cidadão. Não adianta o economista vir e dizer: "Eu sou o portador da ciência e vocês devem seguir os meus conselhos", como se fosse um daqueles velhos sacerdotes incas, afirmando que temos que sacrificar alguém hoje para que a colheita seja boa no futuro. Ninguém quer ser sacrificado hoje para que a colheita seja boa no futuro. Você tem que convencer o sujeito, que está hoje produzindo a colheita do futuro, que o regime é razoavelmente justo. Isso vem da tentativa de melhorar as oportunidades. Eu me divirto muito porque, ao contrário do que as pessoas pensam, o Lula é o salvador do capitalismo.
Valor: Por que o sr. acha que ele é o salvador do capitalismo?
Delfim: Porque ele colocou na mesa, inconscientemente até, que a igualdade de oportunidades é a única coisa que pode salvar a boa política econômica. O Lula é o salvador do capitalismo, porque é óbvio que antes de voltar a crescer, estamos indo para uma sociedade que eu nem sei se é mais justa, mas ela se pensa mais justa, ela se percebe mais justa.
Valor: Mas por que sr. acha que o crescimento será mais forte?
Delfim: Porque vão se realizar projetos do PAC que jamais seriam realizados pelo governo. O governo não tem recursos. E no discurso do lançamento do PAC da ciência, o Lula descobriu uma coisa importante: não adianta nada fazer um programa e disponibilizar os recursos porque é no governo que o programa não se realiza. A verba não chega ao laboratório não porque nós não sabemos que a pesquisa é importante, mas porque tudo isso é bloqueado pela própria máquina, que é ineficiente para transferir os recursos. Isso é outro passo muito importante na sua compreensão do governo. Nesse cenário, os investimentos em infra-estrutura vão crescer e muito. Isso é apenas um pequeno aspecto. Eu olho para São Paulo e vejo o José Serra com um passo à frente, fazendo a mesma coisa e até melhor.
Valor: Por que melhor?
Delfim: Ele vai colocar em leilão as estradas, vai vender uma parte do patrimônio que não interessa, vai privatizar, vai fazer parcerias público-privadas. Nas estradas, ele escolheu um modelo que tem um certo interesse, que o governo federal não usou. Você fixa a outorga. O governo federal usou simplesmente minimizar a tarifa. A proposta do Serra tem uma coisa mais interessante, pois posso usar os recursos da outorga para investir onde a taxa de retorno social é maior que a privada, onde o setor privado não vai entrar. O Aécio Neves está fazendo a mesma coisa, o que prova que a competição é a única coisa que resolve. Você tem uma competição óbvia entre União, São Paulo e Minas, que são os potenciais sucessores do Lula. A União é uma interrogação, os outros dois vão disputar entre si, mas um dos dois vai ser candidato. Isso significa que você vai ter um aumento significativo do investimento em infra-estrutura.
Valor: Qual o impacto dessa alta?
Delfim: A bibliografia internacional mostra que 1% do PIB de aumento do investimento em infra-estrutura tende a aumentar a taxa de crescimento do PIB entre 0,4 e 0,5 ponto percentual. A soja, para ser trazida de Mato Grosso para Santos, metade é custo de transporte. Se arrumo as estradas, isso cai para 25%. Gasto menos pneumático, gasto menos energia. A externalidade do investimento público é enorme e eleva a produtividade do setor privado. Isso vai ser visível nos próximos dois anos.
Valor: Isso se materializa em 2008, ou é mais para 2009?
Delfim: Acho que é agora, porque está começando. São Paulo está funcionando, Minas está funcionando e a União está funcionando. Em 18, 24 meses, você vai notar esse efeito. O simples fato de que você está melhorando porto, melhorando estrada, você vai ter uma elevação do crescimento. Quais são os fatores que impedem o crescimento? Energia e conta corrente. Conta corrente, Deus resolveu para a gente. Na energia, Deus deu uma mãozinha agora, o que prova que esse tal de Lula tem alguma coisa com o divino. Há um problema de curto prazo óbvio, mas o entendimento de que há um problema de curto prazo é o primeiro passo para a solução do problema. Não adianta discutir, haverá problema de gás se não chover direito, mas ele não é suficiente para inibir ou abortar o crescimento. Hoje, estou muito mais confiante de que o único fator que poderia abortar o crescimento, que é a oferta de energia, aos trancos e barrancos será superado, infelizmente com custo marginal crescente.
Valor: O sr. acha que nós podemos sair dos 4,5% a 5% de crescimento neste ano para quanto?
Delfim: Acho que é perfeitamente razoável imaginar 6%, 7% nos próximos anos.
Valor: Inclusive em 2008?
Delfim: Em 2008 acho que você terá provavelmente mais do que 5%. É sempre muito arbitrário, mas o que digo é o seguinte: é óbvio que o governo colocou na mesa o problema do desenvolvimento, que tinha sido esquecido nos últimos 25 anos. Colocou na mesa, mostrou que o grosso dos diagnósticos dos cientistas estava errado. O que os cientistas diziam em 2002? Não há a menor possibilidade de superar contas correntes porque falta poupança. Um miserável fato destruiu a brilhante teoria. Subiram os preços externos, acabou. Houve movimento de capitais, uma porção de outras coisas, mas o que me interessa, o que sobrou desses pensamentos cerebrinos, é que, se você eliminar as duas restrições ao crescimento, o crescimento só depende da capacidade do governo de acordar o espírito animal do empresário.
Valor: O sr. acha que não há mais o risco de o BC inibir o crescimento?
Delfim: A taxa de juros fixada pelo BC não tem nada a ver com a taxa de juros que funciona no investimento. O investimento é controlado ou pela taxa de juros externa, para quem pode tomar, ou é controlada pelo BNDES. Aquilo na verdade é um banco de brincalhões, que nós continuamos levando a sério porque eles continuam a produzir o último peru disponível no mundo, fora do Dia de Ação de Graças e do Natal.
Valor: O BC não pode adormecer o espírito animal dos empresários? Ou não pode ter sua autonomia questionada pelo governo?
Delfim: Nunca ninguém respeitou a autonomia do BC como o Lula. Ninguém vai se meter a mudar a política do BC porque a única coisa para a qual ela tem importância hoje é a dívida pública, é disso que se trata. E mesmo assim o seu papel foi muito reduzido quando você deu o incentivo, que tem certo caráter exagerado, que foi a isenção de IR para o investidor estrangeiro. Você podia dar, mas dar para todos, não apenas para o investidor estrangeiro. O que acho é que não há mais a possibilidade de fazer o terrorismo. Isso é uma das vantagens do regime de metas inflacionárias. Há muitos problemas, mas uma das vantagens é que ele obriga o governo a explicitar a taxa de inflação que quer. A sociedade pode julgá-lo. Você acha que alguém tem condição de chegar hoje para o Brasil e dizer: eu quero uma taxa de inflação de 10%? Não tem. Ela é um instrumento de controle do próprio Executivo e cada vez está mostrando que não é o BC que é importante. O importante é a política fiscal. Se a política fiscal estiver correta, o BC pode fazer o seu trabalho sem prejudicar coisa nenhuma. Por que o Brasil precisa ter taxa de juro real de 8%? Qual é o motivo, qual é a doença, que faz que o Brasil seja o único país do mundo, além da Turquia, com juro desse tamanho? O Brasil é um país que tem que ter taxa de juro real como a do mundo inteiro, de 2,5% a 3%. Se você olhar a estrutura fiscal - e não a política fiscal -, ela é terrível. A carga tributária é a maior do mundo para um país do nosso nível de renda per capita, uma dívida pública bruta que é 65% do PIB. Esses fatos é que acabam exigindo a taxa de juros. Não é a economia brasileira. Você precisa financiar a dívida. O BC age mais na necessidade de financiamento do governo do que no processo produtivo.
Valor: O câmbio não pode abortar parte desse crescimento?
Delfim: Pode. Tudo isso está na direção de sustentar um câmbio artificialmente supervalorizado. A taxa de câmbio brasileira tem três componentes. Uma componente é a imagem da desvalorização do dólar. Todo mundo se valorizou. De vez em quando as pessoas pensam que a política econômica brasileira é tão virtuosa que produziu a valorização. Não. O segundo fator é que houve uma mudança estrutural fundamental. Eu gastava metade do valor das exportações para importar petróleo. Hoje somos auto-suficientes em petróleo. Mas há o que chamo de supervalorização. É triste ter visto grandes economistas, o BC, os mais sofisticados cientistas, negarem a relação entre diferença de taxa de juros e valorização do câmbio. É um momento negro da teoria econômica brasileira, a negação feita pelos financistas de que não há nenhum efeito do diferencial de juros. Agora, não sabem o que fazer com a grana toda que entrou.
Valor: Quanto é essa supervalorização causada pelo diferencial de juros?
Delfim: Não sei, mas não é nada diferente de uns 10%, 15%.
Valor: Mas um dólar na casa de R$ 1,70 não pode ofuscar os efeitos benéficos dos investimentos em infra-estrutura sobre a economia?
Delfim: Sem investimento em infra-estrutura, o dólar a R$ 1,70 produz uma desgraça de 100. Com investimentos de infra-estrutura, o dólar a R$ 1,70 produz uma desgraça de 80. Os investimentos em infra-estrutura significam aumento da produtividade do sistema econômico brasileiro, ou seja, significa a capacidade de resistir a uma valorização maior do que sem ele. É claro que tudo seria muito melhor se o Brasil acordasse para o fato de que precisa uma taxa de juro real igual à do mundo. Você eliminaria essa supervalorização e o efeito do investimento seria ainda maior. O investimento em infra-estrutura ajuda a resistir a um câmbio que está fora do seu equilíbrio.
Valor: Há muita gente que prevê déficit em conta corrente em 2008. Não há o risco de a restrição externa voltar a aparecer, talvez não em 2008, mas em 2009 ou 2010?
Delfim: A restrição externa vai aparecer se não tivermos inteligência, por um motivo simples. O Brasil vai ter, daqui a 25 anos, 250 milhões de habitantes e terá que dar emprego para 140 milhões de sujeitos entre 15 e 65 anos. É óbvio que o paradigma brasileiro não pode ser o neozelandês, que daqui a 25 anos vai ter 5 milhões de habitantes, ou seja, vai ser menor que a favela do Alemão. Também não pode ser o chileno, que daqui a 25 anos terá 20 milhões de habitantes. Estamos surfando no crescimento global. Junto com a expansão do mundo, apareceu a China, apareceu a Índia. Os preços dos produtos agrícolas e minerais cresceram muito mais do que os dos produtos industriais e estamos nos beneficiando disso. Mas sabemos que o mundo não é exponencial. A economia global flutua. O período varia, a amplitude varia, de modo que mais dia, menos dia, esses países vão caminhar para uma estabilização, vai haver uma recessão nos EUA, que terá conseqüência na China, você terá uma flutuação nesses preços. Quando os preços flutuarem, rapidamente vai aparecer um déficit comercial e em conta corrente. Por que ele não será um impedimento no curto prazo? Porque você tem reservas de US$ 170 bilhões. Você pode fazer besteira cambial por mais uns três anos. É óbvio que, para sustentar esse país é necessário ter política industrial exportadora. O Brasil não está se inserindo no mundo. O Brasil está servindo ao mundo, e na minha opinião, tem todo o motivo de servir e aproveitar ao máximo essa possibilidade, mas não acreditar que esse é o modelo que vai permitir ser um país decente daqui a 25 anos. O Brasil é o 5º país em dimensão geográfica, é o 8º ou 9º em dimensão demográfica, é o 11º em PIB. O Brasil tem que pensar o que ele é. Não é simplesmente essa cópia, essa idéia de que se deixar o mercado fazer tudo vai dar certo. O mercado é um instrumento fantástico porque não foi inventado por ninguém, foi descoberto no próprio processo de viver. Ninguém pensa em abandonar o mercado. Mas para crer que o mercado pensa 25 anos na frente, tem que acreditar muito mais do que qualquer muçulmano.
Valor: O câmbio se corrige só com o diferencial de juros?
Delfim Se os juros estivessem na posição correta, o movimento de capitais seria muito menor. A taxa de câmbio estaria no seu equilíbrio, um pouco mais, um pouco menos, pois o câmbio flutua, é assim mesmo.
Valor: O cenário externo não pode nublar essas perspectivas?
Delfim: Se nós continuarmos como está, nós vamos dar com a cabeça na parede mesmo. Do mesmo jeito que Deus deu essa alegria de eliminar a vulnerabilidade externa construída pelo Fernando Henrique, vai retirar. Essa expansão produzida pelo aumento dos preços dos produtos agrícolas e dos produtos minerais não é coisa permanente.
Valor: Além do câmbio, o que mais pode ser feito pelo governo?
Delfim: É a disposição de entender isso, que o mercado é formidável, mas não é ele que faz o crescimento. Quem faz o crescimento é o espírito animal do empresário quando é despertado pelo governo. Esse pavor estadofóbico que se apropriou de alguns economistas, que é compensado pela estadolatria que se apropriou de outros, é que perturba o crescimento. Nenhum dos dois está certo.
Grandes projetos impulsionam negócios de automação no país volta
Valor Econômico
Guilherme Manechini, de São Paulo
26/11/2007
A previsão de crescer 25% neste ano por conta de grandes projetos das indústrias siderúrgicas, petroleiras, de papel e celulose, petroquímicas e outras enquadradas na mesma categoria, será confirmada por boa parte das empresas que atuam no desenvolvimento de automação. Para 2008, as estimativas mais conservadoras apontam para a manutenção no ritmo de crescimento.
No caso da automação industrial para a área de manufaturas, que incluem os fabricantes de sapatos, automóveis e eletrônicos, não se deve observar o mesmo desempenho, como no grupo que envolve processos. Com isso, a performance total do setor alcançará evolução pouco superior a 10% em 2007. Mas, para quem atua com indústrias de base, o ano foi bom e promete mais.
"Atualmente, a empresa que tem equipamentos para viabilizar automações complexas tem mercado no país", afirma o presidente da Altus, Luiz Gerbase. A companhia é uma das beneficiadas pelos grandes projetos ocorridos neste ano, principalmente, na área de petróleo e gás. O contrato mais recente, que elevará em 70% o faturamento da Altus no ano que vem, coloca-a como responsável pelo sistema de automação do gasoduto Urucu-Manaus, da Petrobras, com 662 quilômetros de extensão.
Gerbase espera fechar este ano com resultado de R$ 35 milhões, o que significa alta de 37% em relação a 2006. No próximo ano, a estimativa é de faturar algo em torno de R$ 60 milhões. "Estamos trabalhando intensamente. Além do gasoduto, há diversos projetos em curso de atualização de plataformas em novas áreas de exploração da Bacia de Campos", afirma. No entanto, apenas o contrato do gasoduto significa R$ 32,8 milhões ao caixa da Altus.
As estimativas da Associação Brasileira da Indústria de Elétrica e Eletrônica (Abinee), divulgadas em agosto, apontam para um faturamento geral do setor de automação industrial de cerca de R$ 3,1 bilhões, em 2007. Segundo Marcus Coester, presidente da Coester Automação, a tendência deste mercado é de crescer, em média, de três a quatro vezes mais que o Produto Interno Bruto (PIB) do país.
"A nossa expectativa para 2008 é de manutenção de crescimento", diz o executivo, ao informar que a Coester aumentará em 30% seu faturamento em 2007. Com isso, prevê faturar R$ 13 milhões. "A indústria de base está vigorosa. Açúcar e álcool, petroquímica, petróleo, gás e papel e celulose estão em expansão".
Apesar de prever menor crescimento no ano, de 10%, a Yaskawa se beneficiou de grandes projetos no setor siderúrgico para compor seu resultado. Entre os negócios destacados pelo diretor geral da empresa, José Luiz Rubinato, estão a parceria com a Bardella na expansão da Gerdau Açominas, em Minas Gerais.
"Nossa atuação é no fornecimento de inversores de freqüência para pontes rolantes construídas pela Bardella", explica Rubinato. E acrescenta: "O mercado como um todo está aquecido".
A fabricante participará também das expansões da Usiminas e Acesita. Em 2007, o faturamento previsto é de US$ 25 milhões, 10% superior ao verificado no ano passado. De acordo com o executivo, a idéia é de, ao menos, manter este ritmo para o próximo ano. "Imaginamos que o mercado brasileiro para inversores seja de algo em torno de US$ 100 milhões por ano", finaliza.
Veteranas dominam mercado e ampliam os investimentos volta
Valor Econômico
Marli Olmos, de São Paulo
26/11/2007
Já se passou mais de uma década desde que fabricantes de veículos japoneses e franceses decidiram seguir a trilha aberta por Volkswagen, Ford e General Motors na década de 50 e pela Fiat vinte anos depois. Hoje, há 10 empresas produzindo carros de passeio no país, mas o mercado brasileiro ainda pertence quase todo às quatro veteranas, que têm juntas 79,5% das vendas acumuladas este ano. Os recentes reforços de investimentos nas maiores empresas do setor indica que esse quadro deve permanecer inalterado por um bom tempo".
As duas maiores montadoras do país - Volkswagen e Fiat - cresceram este ano acima da média do mercado brasileiro. Coincidentemente, as duas empresas anunciaram nos últimos 30 dias reforços nos programas de investimentos para os próximos dois a três anos.
De janeiro a outubro, período em que o mercado brasileiro total cresceu 28,8%, as vendas da Volks e Fiat aumentaram 33% e 31%, respectivamente. A estabilidade econômica tem sido a razão apontada pelos executivos para elevar investimentos. No final de outubro, a Volkswagen, que não havia anunciado nenhum plano de investimento em 2006, comunicou a decisão de elevar o volume de recursos para as operações brasileiras.
O programa de investimentos da Volks para o período 2007-2011 ganhou reforço de 28%, totalizando R$ 3,2 bilhões. Segundo a direção da companhia no Brasil, cerca de dois terços dos recursos serão aplicados em novos veículos e o restante em processos.
Na sexta-feira, foi a vez da direção da Fiat anunciar um aumento de investimentos do grupo, incluindo as fábricas de carros, câmbios e construção em Minas Gerais e de máquinas agrícolas e construção em São Paulo.
O grupo vai investir R$ 6 bilhões no Brasil e mais o equivalente a R$ 400 milhões na fábrica argentina até 2010. Até agosto, o montante de recursos anunciado também por Marchionne em visita à Argentina estava em R$ 5 bilhões.
A maior parte do investimentos - R$ 5 bilhões - será usada na expansão da Fiat Automóveis, em Betim, da Iveco, em Sete Lagoas, da New Holland Construções, em Contagem, e da Magneti Marelli, em Contagem e Lavras. Em São Paulo, serão investidos R$ 1 bilhão na reativação da fábrica da Case Construções em Sorocaba. Marchionne disse durante entrevista em Brasília que a capacidade anual da fábrica de automóveis em Betim vai aumentar de 700 mil para 1 milhão de unidades até 2010.
Com os mercados dos países de origem estagnados, as montadoras vêem o Mercosul como oportunidade de crescimento. Há quatro meses, o presidente mundial da General Motors, Rick Wagoner, veio ao Brasil anunciar investimento de US$ 500 milhões para novas família de veículos pequenos para os mercados emergentes.
Não se pode dizer que Honda, Peugeot, Toyota, Renault, Citroën e Mitsubishi, que ocupam hoje, nessa ordem, as cinco últimas posições do mercado brasileiro, entre os fabricantes, não estejam, investindo no país. Os grupos franceses têm se dedicado ao lançamento de novos carros pequenos, os japoneses têm renovado as versões dos seus veículos.
A produção anda acelerada em todas as fábricas. O grupo PSA Peugeot Citroën já começa a funcionar em três turnos. Mas as fatias de mercado ainda são pequenas. A Honda detém a maior participação desse grupo, com 3,4%. Grande parte desses fabricantes ainda está fortemente atrelada às matrizes, tanto para o fornecimento de peças como para o desenvolvimento de novos veículos. A Toyota, que há tempos ensaia um grande salto de expansão, não tomou ainda nenhuma decisão nesse sentido.
Um balanço que contempla a inteligência corporativa volta
Valor Econômico
Por Cecília Carboni
26/11/2007
Quando se pensa em proteger uma empresa, o primeiro alvo é sempre o seu patrimônio físico. Seguranças são alocados para resguardar a sede e as fábricas, caríssimos sistemas de logística e monitoramento de cargas são implantados para evitar desvios e roubos, sem falar na contratação de seguros contra um sem número de acidentes e intempéries ou mesmo de auditores para afastar a possibilidade de fraudes. No entanto, alguns casos recentes comprovam que as principais fontes de prejuízo para uma corporação são bem mais complexas de se proteger, pois não representam ativos físicos. São os chamados ativos intangíveis, que não têm um valor claramente definido, expresso numa nota fiscal ou num balanço, mas que dependendo da maneira como forem gerenciados podem impactar tremendamente o resultado final da empresa.
Foi o que aconteceu, por exemplo, com a fabricante americana de brinquedos Mattel - cuja política de segurança dos produtos comercializados era tida como referência no setor. Quando, em agosto deste ano, a companhia descobriu que parte dos brinquedos produzidos na China continha tinta à base de chumbo que poderia causar danos à saúde das crianças, suas iniciativas para lidar com a crise não foram suficientes para segurar o preço de suas ações. De lá para cá, as perdas já chegam a 27%, a despeito dos esforços liderados pela própria Mattel, como a realização de testes em brinquedos antigos, a demissão dos fornecedores e o recall de mais de 21 milhões de peças, em três ocasiões distintas.
Na década de 90, ficou bem conhecido também o caso da Nike. O preço das ações listadas na Bolsa de Nova York caiu 57% quando a utilização de mão-de-obra infantil na produção de bolas veio à tona. E há milhares de outros casos em que aspectos como o relacionamento com fornecedores, a segurança dos produtos e a integridade dos serviços prestados atingiu de maneira indelével a reputação de uma determinada marca. "No passado, quando se queria atingir uma empresa, bastava atear fogo a um de seus depósitos para vê-la praticamente afundar", observa Jorge Emanuel Reis Cajazeira, coordenador do Comitê de Capital Intelectual e Inovação da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ). "Hoje, uma campanha na mídia ou até mesmo um blog pode ter um efeito muito mais devastador sobre o valor de uma empresa e sua posição no futuro."
O engenheiro, que supervisionou o estudo "A Gestão dos Intangíveis", desenvolvido em 2005 pelo comitê, explica que o objetivo da pesquisa foi identificar a profundidade de inserção da inovação, do conhecimento e do capital intelectual na gestão das empresas brasileiras que buscam a excelência. A partir desse levantamento, a missão passou a ser identificar meios de incorporar definitivamente esta vertente da gestão moderna - que pressupõe a identificação, a mensuração e a administração dos intangíveis como parte do dia-a-dia das empresas. Para que isso possa acontecer de maneira efetiva, um grande passo ainda precisa ser dado: a criação de uma metodologia de mensuração de intangíveis que seja aceita universalmente.
Os modelos contábeis tradicionais não oferecem uma metodologia adequada para atribuir o devido peso no balanço a aspectos como capacidade de inovação, gerenciamento de riscos, relacionamento com fornecedores, acesso a crédito e financiamentos, ou mesmo políticas e iniciativas nas áreas ambiental e social. "O que existe hoje são iniciativas isoladas, lideradas por empresas, grupos de investidores ou mesmo firmas de auditoria", explica Nir Kossovsky, secretário-executivo da Intangible Assets Finance Society, uma organização sem fins lucrativos, sediada nos Estados Unidos e formada por executivos de grandes empresas para fomentar o desenvolvimento de novos padrões e metodologias de mensuração de ativos intangíveis.
Kossovsky lembra que, durante as últimas duas décadas, foi criada uma série de modelos para atribuir valor aos intangíveis. Alguns deles foram amplamente adotados por companhias e até mesmo por governos, como o método do "Triple Bottom Line", que analisa a atuação de uma empresa nas esferas econômica, social e ambiental. Outras duas metodologias bastante conhecidas das empresas brasileiras são o "Balanced Score Card", que mede o desempenho de uma instituição a partir de quatro perspectivas (financeira, do cliente, dos processos internos e do aprendizado), e o "Valor Econômico Agregado", também conhecido como EVA , que ajusta o lucro financeiro de uma empresa de acordo com custos relacionados aos intangíveis.
As grandes firmas de auditoria - como PriceWaterhouseCoopers, Deloitte, Ernst & Young e KPMG - também desenvolveram recomendações e modelos de cálculo para quantificar intangíveis sem, no entanto, convergir para uma base comum. Os especialistas no assunto dizem que o tão esperado padrão único é apenas questão de tempo. Em novembro do ano passado, os presidentes de seis grandes auditorias internacionais (BDO e Grant Thornton, além das quatro citadas acima) divulgaram, num simpósio em Paris, o ensaio intitulado "Mercado de capitais global e economia global - uma visão dos CEOs das firmas de auditoria internacionais" em que conclamavam o mercado a acelerar o processo de desenvolvimento de uma nova contabilidade, mais adequada à realidade atual.
A questão central colocada pelos CEOs era justamente a de contemplar nas demonstrações financeiras informações que permitissem aos acionistas e à comunidade financeira conhecer melhor o que acontece com uma empresa hoje e que irá impactar seus resultados lá na frente. O grau de inovação (que hoje pode ser indicado pelo número de patentes reconhecidas, mas que ainda carece de outras medidas mais amplas), o nível de satisfação dos consumidores, os prêmios recebidos tanto pela empresa quanto por seus executivos, as taxas de produtos defeituosos e de perdas, os níveis de satisfação e de rotatividade dos funcionários foram sinalizadores que o documento apontou como fundamentais e que deveriam ser medidos e divulgados de maneira mais ampla desde já.
Na visão dessas grandes firmas, as mudanças do mundo moderno exigem um novo modelo de prestação de contas sobre resultados. Além disso, o valor das companhias, cada vez mais, reside nos ativos intangíveis, que não são reportados de forma consistente nos atuais relatórios financeiros - a não ser por algumas poucas empresas que tomaram a frente do processo, como a Microsoft, a Dell e a seguradora sueca Skandia. No Brasil, a Suzano Papel e Celulose foi pioneira na divulgação de informações do tipo, em seu relatório anual relativo ao ano de 2004, publicado em março de 2005. Bernardo Szpigel, diretor de finanças, planejamento e relações com investidores da empresa, conta que, na ausência de um padrão oficial, a Suzano optou por inserir uma discussão sobre os ativos não-financeiros já identificados pela administração e a maneira com que estavam sendo trabalhados.
"Com o tempo, fomos aperfeiçoando esses relatos, mas ainda há um amplo caminho a percorrer, especialmente no que diz respeito à sua mensuração", afirma Szpigel. Apesar de relativamente complexo, o trabalho desenvolvido pela Suzano partiu de um simples processo de mapeamento. O diretor financeiro explica que, a partir de questões levantadas durante o planejamento estratégico, foram identificados os ativos - físicos ou não - mais relevantes para as metas que a empresa se propusera atingir. "Depois de diagnosticar e quantificar esses elementos, passamos a cuidar para que tivessem desempenho cada vez melhor." Com isso, a empresa foi capaz de entender exatamente os aspectos que melhor a diferenciavam em seu setor e este conhecimento acabou conduzindo uma completa revisão na estrutura organizacional da Suzano cerca de dois anos depois.
O organograma passou a ser dividido por unidades de negócios (celulose, florestal e papel) atendidas por áreas prestadoras de serviços. Tudo isso para intensificar diferenciais como o relacionamento com clientes, o desenvolvimento de lideranças dentro da organização e também promover uma maior responsabilidade por resultados. Bernardo Szpigel diz que o processo de desenvolvimento de um novo modelo organizacional é um bom exemplo de um dos principais benefícios trazidos pelo processo de gestão dos ativos intangíveis: transformar a empresa numa organização que aprende.
É por esse motivo também que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está trabalhando numa metodologia própria de avaliação de capital intangível, num projeto em conjunto com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A proposta é criar um modelo que funcione como um demonstrativo complementar ao financeiro, uma espécie de inventário de ativos intangíveis, realizada a partir do preenchimento de um questionário padrão.
Com o questionário, também será possível ao banco atribuir uma espécie de rating, uma nota de classificação de risco baseada na "inteligência" da empresa. Essa nota irá auxiliar o banco no processo de avaliação das empresas e poderá até influenciar o custo do capital emprestado.
Para validar o modelo desenvolvido e garantir a sua implementação em 2008, um teste foi aplicado em quatro empresas de setores e portes distintos. Dividido em seis tipos de capital (estratégico, ambiental, de relacionamento, estrutural, humano e financeiro) o questionário abordava desde a capacidade de monitoramento do mercado e da formulação de estratégias até a inteligência financeira e a confiabilidade do administrador- passando pelo sistema de governança corporativa, capacidade de inovação, reputação, ambiente regulatório e redes de fornecedores e clientes.
Embraer, Genoa Biotecnologia, Suzano Papel e Celulose e a produtora de softwares de gestão Totvs consideraram que a metodologia proporciona um "bom entendimento ao financiador de cada empresa sob a ótica de sua capacidade competitiva e permite à administração da empresa estabelecer os ativos e as competências que devem ser construídos para dar conta da visão e da estratégia de longo prazo", de acordo com relatório apresentado durante seminário realizado em outubro pelo BNDES.
A metodologia definitiva ainda será submetida a ajustes finais e deve ser bem recebida pelo mercado. Ela já conta com o apoio da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que regula o mercado de capitais brasileiro, e foi elogiada por investidores, que vêem na iniciativa um estímulo à inovação e à produção de conhecimento - já que empresas ligadas às áreas de tecnologia e de pesquisa científica têm seus capitais compostos majoritariamente por ativos intangíveis, como a produção de conhecimento.
Cajazeira, que coordenou o estudo da Fundação Nacional da Qualidade e também é gerente corporativo de competitividade na Suzano Papel e Celulose, elogia a iniciativa do BNDES. Ele lembra ainda que o potencial de geração de valor está justamente em quem desenvolve o conhecimento. "Com a terceirização da manufatura de produtos para os países emergentes o conceito de ´made in´ já não é mais o do lugar onde o produto foi fabricado e sim o de onde foi concebido", afirma. Isso faz com que o conhecimento esteja muito concentrado nos países desenvolvidos e reforça a importância de se dar a devida atenção aos ativos intangíveis para reforçar a capacidade de competir globalmente.
Pesquisa da UNIFRAN é patenteada nos Estados Unidos volta
Mídia eletrônica: Universia
http://www.universia.com.br
23/11/2007
O estudo inédito sobre o medicamento capaz de, a princípio, controlar a Doença de Chagas acaba de ser patenteado nos Estados Unidos. A pesquisa realizada pelo Prof. Dr. Márcio Luis Andrade e Silva vem sendo desenvolvida há oito anos e os avanços nos estudos apontam que o medicamento surgirá de um composto obtido a partir da cubebina, uma substância extraída da semente seca da Piper cubeba pimenta asiática. O Prof. Márcio Andrade conseguiu chegar à definição após pesquisar por vários meses lignanas (substâncias ativas extraídas da Piper cubeba) com grande potencial anti-chagásico.
O mal de Chagas já infectou 16 milhões de pessoas no continente americano, sendo seis milhões no Brasil. O remédio mais utilizado no momento (benzonidazol) retarda os efeitos da doença, mas não promove a cura, além de provocar diversos efeitos colaterais.
A pesquisa despertou o interesse da JP Farmacêutica, de Ribeirão Preto. A assinatura de convênio realizada em outubro de 2006 entre a Universidade e a Industria de medicamentos (foto) garantiu o financiamento de 50% dos recursos necessários para os testes em humanos. "Os testes clínicos são muito caros. Com a parceria, em breve, iniciaremos os ensaios pré-clínicos em animais", revela o pesquisador da Unifran. A universidade e a empresa farmacêutica aguardam também uma resposta do Projeto de Inovação Tecnológica (PITE) enviado para a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) que viabilizará o início dos testes pré-clínicos e clínicos.
Com o Apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp), o projeto está sendo desenvolvido na própria Universidade, com a colaboração dos professores doutores, Paulo Marcos Donate e Rosângela da Silva, todos do Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (USP). Nesse projeto estão envolvidos também os professores doutores Sérgio Albuquerque e Jairo Kenupp Bastos e o aluno de doutorado Gustavo Henrique Souza, ambos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (USP). "A participação da Unifran e da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp) no desenvolvimento deste trabalho é muito importantes", ressaltou o Prof. Márcio Andrade e Silva.
Detalhes sobre a Patente
As substâncias, de origem natural, que apresentam possibilidades de combater a Doença de Chagas não apresentaram efeitos colaterais e sua eficácia é de em quase 100% "in vitro", o que foi suficiente para a aprovação do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) do registro de patente.
O próximo passo foi solicitar depósito em forma de Patent Corporacion Treaty (PCT), no exterior. "A patente é garantida em 130 países. Na Áustria, um escritório especializado em patentes já fez o exame técnico e não encontrou nada semelhante no mundo, ou seja, é uma patente inédita", explica Andrade e Silva. Há 2 anos a patente foi depositada EUA, Japão e Europa. Na semana passada recebi a notícia do escritório de Advocacia responsável pela parte legal do depósito que os EUA por acha de extrema relevância a patente de medicamento contra Chagas, concedeu a patente. Fato muito importante, pois tal concessão não ocorre facilmente.
Fonte: Unifran
Brasil e Índia vão intensificar cooperação técnica em prol do desenvolvimento agropecuário volta
Mídia eletrônica: Portal Agrosoft
http://www.agrosoft.org.br
23/11/2007
A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, uma das 41 unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, recebeu ontem a visita do Secretário do Departamento de Agricultura e Cooperação do Ministério da Agricultura da Índia, P.K. Mishra, acompanhado do Segundo Secretário da Embaixada da Índia no Brasil, S. Janakiranam. A visita foi decorrente da participação da delegação indiana na 1ª reunião do Grupo de Agricultura do Fórum de Diálogo Índia, Brasil, África do Sul (IBAS), que termina hoje (23/11) em Brasília, e teve como objetivo discutir temas de interesse comum para o desenvolvimento do setor agrícola dos três países, como: produção e saúde Animal; medidas sanitárias e fitossanitárias; capacitação e políticas públicas.
A delegação indiana foi recebida pelo Diretor-Executivo da Embrapa, José Geraldo Eugênio de França; pelo Chefe-Geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, José Manuel Cabral, e pelo Chefe de Pesquisa e Desenvolvimento, Mauro Carneiro, e conheceu as pesquisas desenvolvidas para controle biológico de pragas agrícolas e conservação de recursos genéticos vegetais.
Durante a visita, os representantes da Embrapa deixaram claro o interesse brasileiro em aumentar a cooperação com a Índia em áreas relacionadas ao intercâmbio de material genético, especialmente de espécies frutíferas como manga e laranja e de outras com potencial energético para produção de biodiesel, além de ações referentes ao compartilhamento de conhecimento científico e tecnológico, com a ida de pesquisadores e estudantes brasileiros à Índia e vice-versa.
Hoje, já existe uma acordo de cooperação técnica entre o Brasil e a índia na área agrícola, que é conduzido a partir da Embrapa e do ICAR - Indian Council of Agricultural Research, e inclui intercâmbio de material genético, além de outras pesquisas, como tecnologias para reduzir os efeitos nocivos da seca nas culturas agrícolas, que já vêm sendo amplamente utilizadas pela Embrapa Semi-Árido, em Petrolina, PE. Mas, esse acordo termina em 2007 e precisa ser rapidamente renovado e ampliado.
COOPERAÇÃO RENOVADA
Segundo Mishra e França, dessa vez o acordo vai contemplar novas áreas do conhecimento, como biotecnologia e genômica, que são fundamentais para os países em desenvolvimento, já que permitem o desenvolvimento de variedades agrícolas melhoradas com características de interesse para o agronegócio, como por exemplo, tolerância à seca, entre outras inúmeras possibilidades.
Na primeira semana de dezembro, o Diretor-Executivo da Embrapa estará em Nova Déli, na Índia, quando pretende aprofundar as questões discutidas durante a visita e avançar na definição das linhas de pesquisa que vão nortear a parceria técnica entre os dois países.
FONTE
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
Fernanda Diniz - Jornalista
Telefones: (61) 3448-4769 e 3340-3672
Apple registra patente de tecnologia Multi-touch pra a mão inteira do usuário volta
Mídia eletrônica: PC World
http://pcworld.uol.com.br
Por MacWorld/Reino Unido
23/11/2007
Tecnologia entenderia o que usuário quer digitar ao tocar palmas das mãos no dispositivo
A Apple registrou algumas patentes criadas para melhorar características já existentes em seus produtos, como uma versão da tecnologia Multi-touch, presente no telefone iPhone, que pode ser usado pela mão inteira.
No caso do Multi-touch, o dispositivo poderia ser utilizado por toda a mão, com áreas diferentes delimitando ações individuais.
Esta patente sugeste um display com Multi-touch maior do que o encontrado no iPhone, e deverá aumentar a especulação de que a Apple pode estar desenvolvendo um tablet da linha Mac, combinando tecnologias do iPhone, iPod Touch e de seus laptops.
A patente combina três documentos, incluindo uma combinação de sensores capaz de traduzir um receptor de diferentes partes da mão, além de patentes para os condutores e sensores usados, explicou o site Electronista.
A tecnologia entenderia que um usuário quer digitar algo no momento em que coloca as palmas de ambas as mãos no dispositivo.
A empresa registra que as invenções não precisam ser utilizadas com displays, podendo também ser aplicadas em interfaces de controle já existentes.
Outras patentes descrevem novas implementações da iniciativa Apple + Nike, como a permissão do uso de discos ópticos de 8 centímetros dentro de drives de 12 centímetros encontrados nos Macs.
A patente envolvendo a parceria entre Apple e Nike pode sugerir um iPod com um monitor de exercícios interno que aceita comandos de voz.