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14/11/2007

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Quarta-feira, 14 de novembro de 2007.

Comentários, dúvidas e sugestões:
sercom@inpi.gov.br

 


1. Especialista britânico em propriedade intelectual e biotecnologia abre ciclo de estudos no Inpi
2. Incubadora do “agronegócio”
3. A tecnologia como uma aliada da vida
4. Como competir num mundo dirigido pelas ciências
5. ONU defende propriedade intelectual e controle de abusos na Internet
6. Pedidos de proteção industrial por instituições de ensino superior aumentam 120%
7. Avião solar rende tecnologia para energia renovável eficaz
8. Companhias de TI buscam reduzir impacto ambiental
9. Destruição (nada) criativa
10. Um mercado tão grande quanto o átomo
11. Se insistir na técnica, não sai negócio
12. Inovar não é criar
13. Viva a dissidência!
14. Com as mãos ou com a mente

 


Especialista britânico em propriedade intelectual e biotecnologia abre ciclo de estudos no Inpi  volta


Mídia eletrônica: Jornal da Ciência
http://www.jornaldaciencia.org.br
13/11/2007

 
Graham Dutfield, da Universidade de Leeds, profere palestra no próximo dia 23

A Academia de Inovação e Propriedade Intelectual do Inpi promove, no dia 23, no Rio, uma palestra com o professor britânico Graham Dutfield, da Universidade de Leeds. Ex-consultor de diversos governos e de agências da ONU, Dutfield é especialista em biotecnologia e mecanismos de proteção da inovação. Suas pesquisas incluem temas como recursos genéticos, biopirataria e acesso a medicamentos.

O evento, cujo tema será “Desafios e oportunidades para o Desenvolvimento: do uso e proteção dos conhecimentos tradicionais à biotecnologia”, começará às 9h, na sede do Inpi (Rua Mayrink Veiga, 9 – Centro do Rio), e será voltado para alunos do mestrado e técnicos em biotecnologia do Instituto.

A palestra abre o “Ciclo de Estudos em Propriedade Intelectual e Desenvolvimento”, uma parceria dos governos brasileiro e britânico, que trará ao Brasil outros especialistas do Reino Unido até março de 2008.

Em sua palestra, Dutfield dará atenção especial aos mecanismos para que a propriedade intelectual se transforme em arma estratégica para o desenvolvimento. Isso inclui, por exemplo, a regulamentação internacional para quem se apropriar de conhecimentos tradicionais ou recursos genéticos dos países.

Além de Dutfield, estarão presentes Michelle Frew, chefe de Estratégia Internacional do Escritório de Propriedade Intelectual do Reino Unido (UKIPO, na sigla em inglês), Colin Dick, primeiro-secretário da Embaixada Britânica no Brasil, John Wilkinson, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFFRJ) e Jorge Ávila, presidente do Inpi.

(Serviço de Comunicação Social do Inpi)


 

Incubadora do “agronegócio”  volta

Mídia eletrônica: Revista Fator
http://www.revistafator.com.br
13/11/2007

A Incubadora Guarulhos (SP) firmou convênio de cooperação técnica com a Embrapa. É a primeira parceria entre a entidade e uma incubadora paulista. Visa transferir tecnologia do agronegócio às empresas incubadas, principalmente as que atuam na área ambiental e de biotecnologia. Criada em 2005, a Incubadora Guarulhos reúne hoje 26 empreendimentos, sob a batuta da Agência de Desenvolvimento de Guarulhos (Agende) e com apoio da prefeitura local, Associação Comercial e Empresarial, Sebrae-SP e Ciesp.

 



A tecnologia como uma aliada da vida  volta


Mídia eletrônica: Portal HSM
http://www.hsm.com.br
07/11/2007

Hoje já é possível fazer uma palestra usando a realidade virtual, como se estivesse em frente ao público, tridimensionalmente. Essas e outras tecnologias de comunicação, incluindo “Second Life”, por exemplo, farão com que as relações fiquem cada vez mais fáceis e permitam a interação entre as pessoas por intermédio da tecnologia da informação. “Isso era apenas um sonho anos atrás, quando ingressei no MIT”, lembrou Ray Kurzweil, em sua palestra no terceiro dia da ExpoManagement 2007, da HSM.

Um dos maiores empreendedores dos Estados Unidos e autor dos livros The age of spiritual machines e The singularity is near, Kurzweil ainda comemora o fato de ter sido o primeiro palestrante que se apresentou virtualmente a uma platéia. Segundo ele, a tecnologia da informação não é apenas celulares, computadores ou iPods, ela chega a diversos outros setores, até mesmo a medicina e a energia. “Assim como o celular, que se tornou comum, as tecnologias também ficarão cada vez mais acessíveis a todos, seja de que nível econômico for”, avisou.

Evolução – Kurzweil destacou o impacto da tecnologia nas indústrias de saúde e energia, por exemplo. “A biologia e a farmacologia se tornaram tecnologias da informação. O mesmo aconteceu com o setor de energia, que hoje já emprega a nanoengenharia para conseguir produzir nanoenergia. Com isso, poderemos fazer com que a energia solar possa suprir a necessidade da humanidade depois da extinção dos combustíveis fósseis”, apostou.

Como não conseguimos saber como a tecnologia se desenvolverá, é importante criar um forecast anual, para abarcar esse desenvolvimento. É necessário também pensar em seu crescimento exponencial. A taxa de pobreza na Ásia foi reduzida à metade graças a esse desenvolvimento exponencial da tecnologia. E a TI fará com que os demais países, como os africanos e americanos, também possam chegar a uma nova realidade econômica e social.
“Estou envolvido com um leitor de livros para cegos e nossa intenção era chegar a um dispositivo que permitisse a uma pessoa levar no bolso um equipamento que pudesse ler todo o tipo de material durante o dia. Precisávamos de um hardware e um software para permitir que isso fosse possível. Iniciamos o projeto em 2002 e no ano passado o dispositivo estava disponível. Atualmente, ele custa em torno de dois mil dólares. Mas acreditamos que em um ano este preço vai cair e o aparelho vai ficar menor, permitindo quem sabe o seu uso em aparelhos celulares. Também deverá incorporar outras línguas, para funcionar como um tradutor que auxilie o usuário em suas viagens”, relatou. E, a partir dessa experiência, Kurzweil alertou que, para que as pessoas não fiquem para trás, elas precisam ser capazes de prever o que vai ocorrer nos próximos quatro ou cinco anos.

Inteligência artificial – Para Kurzweil, pouco se fala hoje em inteligência artificial porque já é uma tecnologia que se incorporou à vida moderna. “Ela está escondida nos processos atuais, como exames computadorizados, ligações telefônicas, controle aéreo, entre outras. A taxa de progresso está duplicando a cada década e não estamos apenas adicionando, mas multiplicando os resultados”, considerou.

A biotecnolo/userfiles/expo2007/ray3_200x150.jpggia também está progredindo muito, como aconteceu com o Projeto Genoma. Em algum dia bem próximo, teremos diversos dispositivos com o tamanho de uma célula do corpo, como o Respirocyte, que controla a diabetes tipo 1. Também já é possível colocar um computador no cérebro de quem sofre de Mal de Parkinson, que pode passar por download a partir de outra máquina externa ao corpo.

Emprego da tecnologia – O uso da tecnologia também vai continuar a crescer exponencialmente. Na área de educação, por exemplo, estão sendo destruídos empregos na base da escala, mas outros estão sendo criados nos patamares mais altos. Por outro lado, dispositivos permitem que as pessoas de diferentes linguagens possam se comunicar, com tradução em tempo real.

“E isso nos leva a acreditar que em 2010, as imagens serão escritas na própria retina, os computadores estarão disponíveis a todos e ajudará a manter a saúde do corpo e da mente”, previu.

Já em 2029, os implantes neurais permitirão a entrada de informações de ambientes virtuais, numa expansão contínua da capacidade humana e os nanobots estarão no corpo do ser humano comum. “Os computadores poderão pensar por meio de algoritmos. Acredito que logo poderemos ter inteligência artificial e natural num mesmo ambiente, sem que seja possível distinguir qual é uma ou outra”, disse.

Evolução da humanidade – A evolução que está ocorrendo atualmente é a tecnológica, já que a evolução biológica é mais lenta. Hoje já há dezenas de milhares de pessoas que contam com computadores no corpo. Assim, de uma forma ou de outra, a evolução tecnológica influencia a evolução humana.

Mas isso é uma faca de dois gumes. A tecnologia pode trazer destruição, como nas guerras ou no desenvolvimento das armas biológicas. Até agora, foram respeitadas as normas de bom uso das tecnologias biológicas, mas nada impede que os bioterroristas mudem isso. “Por isso já estamos desenvolvendo formas de resposta a esse tipo de ataque. Funcionará como o sistema de resposta para os vírus de computador, que contam com contra-ataque rápido e poderoso”, acentuou, arrematando: “Essas e outras oportunidades de negócio não devem ser desprezadas pelas empresas que querem estar presentes no futuro muito próximo”.



Como competir num mundo dirigido pelas ciências  volta


Mídia eletrônica: Portal HSM
http://www.hsm.com.br
07/11/2007

Uma das características mais marcantes da economia mundial na atualidade diz respeito à ascensão da China e da Índia no mercado internacional. Usando esse mote, Juan Enriquez, chairman e CEO da Excel MedicalVentures/Biotechonomy, e considerado uma das maiores autoridades mundiais no impacto da ciência nos negócios e em nossas vidas, iniciou sua conferência na ExpoManagement 2007.

Segundo ele, esse fenômeno tem marcado os rumos da economia. “A Índia está crescendo mais do que pode sustentar. Esse é um problema que eu como mexicano gostaria de ter e que os brasileiros também gostariam”, confessou.

Ele lembra, por exemplo, que a idade da pedra não terminou por falta de pedra, mas pelo surgimento do ferro. E se nós não entendermos o que vem acontecendo na revolução tecnológica, poderemos ficar fora dessa nova realidade, desse mercado. “A única diferença entre nós e o macaco é que temos capacidade de transmitir conhecimento através das gerações e não apenas aos nossos filhos”, refletiu.

Nova linguagem – Os ensinamentos contidos numa parede de caverna podem guiar uma tribo, mas não um império. É necessário que o conhecimento seja disponível em diversas localidades, em diversas línguas. De repente, todas as línguas e idiomas estão disponíveis em código binário 1 e 0, e cada música, palavra, imagem pode ser codificada nesses dois números. “Ou seja, houve uma mudança de linguagem que a Índia aproveitou, ensinando-a a suas crianças e nós, no Brasil, no México e na Argentina, por exemplo, não fizemos nem fazemos isso ainda”, lamentou, lembrando que o conhecimento é um produto cada vez mais valioso e é pouco produzido na América Latina.

Para ele, o que fez com que alguns países, como Índia, o segundo maior desenvolvedor de software no mundo, China, Singapura, Malásia e Coréia do Sul alcançassem níveis de crescimento de dois dígitos é o investimento em educação. “A forma de ascender na Índia é mostrar o quão inteligente se é a ponto de conseguir entrar numa escola de tecnologia. Isso faz com que grande parte dos técnicos do Vale do Silício seja proveniente da Índia e da China. Os talentos em tecnologia são incentivados, como o que ocorre com os talentos para o futebol no Brasil”, esclareceu. Lembrando que faz parte da cultura indiana as crianças montarem seus próprios computadores, mostrando o quanto é importante a introdução do ensino de uma nova linguagem.

Oportunidade – Segundo ele, agora devemos atentar para o fato de que existe uma oportunidade a agarrar. O estudo do DNA, do genoma. Toda a vida no planeta está inserida nas letras do código ATCG. A decodificação dessa nova linguagem, com base nessas letras, contém toda a base da vida, seja vegetal, animal ou humana. “Saber qual é o código e que a conseqüência da mudança de uma única letra em mil desse código é suficiente para transformações radicais é o futuro. Tudo depende do código genético. Uma mudança na forma como um gene está ativado pode causar a diferença entre morte e vida nas pessoas que podem desenvolver o câncer”, ressaltou.

Toda a vida é um código e estamos começando a entender e interpretá-lo. O futuro é o estudo da linguagem da vida e o seu domínio. A Argentina, por exemplo, já está desenvolvendo a clonagem genética em bovinos. “Mas, além da clonagem, as vacas estão sendo usadas para produzir remédios contra o câncer, a partir de uma única mudança no gene”.

Ele ainda lembrou que é possível programar a vida de acordo com a sua vontade, da mesma forma que pode programar um computador. O corpo tem toda a capacidade de produzir e reproduzir tudo o que forma a estrutura humana. Apenas é necessário reprogramar as células para produzir o que se quer. Isso muda o setor farmacêutico, mas também a alimentação, o setor energético, têxtil, produtivo, com a introdução de bioenergia, bioplástico, biofibras, biocomponentes plásticos para automóveis. Isso faz com que grandes empresas, como a Toyota, GE, Google e outras invistam em biotecnologia.

Como aproveitar a oportunidade – Essa nova linguagem, novo código é importante porque significa que se pode construir um novo Brasil em uma geração, segundo o conferencista. Mas para isso é necessário que se tomem algumas providências. Uma delas é começar a tratar pelo menos 5% das escolas como se fossem peneiras para treinamento de futebol. É necessário identificar os melhores alunos e investir neles. Além disso, é preciso investir em novas empresas.

“É essencial dobrar o número de empresas na Bolsa para que se dobre o crescimento do país. E as empresas devem deixar de ser apenas fábricas para se tornar provedoras de soluções e fornecedoras de tecnologia”, ensinou, acrescentando que também pode ser boa idéia compara algumas dessas novas companhias voltadas à tecnologia genética. “Os países que criam os novos negócios e que são empreendedores vão ser os novos líderes econômicos”, previu.

 


ONU defende propriedade intelectual e controle de abusos na Internet   volta


Mídia eletrônica: Convergência Digital
http://www.convergenciadigital.com.br
Luiz Queiroz, do Rio de Janeiro
13/11/2007

O Sub-secretário do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da Organização das Nações Unidas, Sha Zukang, defende a proteção da propriedade intelectual como forma de incentivo ao desenvolvimento dos países. sem a proteção dos direitos, não haverá incentivos ao desenvolvimento, tampouco inovações. "Esse é um dos lados da moeda”, destacou.

Segundo ele, o uso correto de ferramentas da Tecnologia da Informação é um instrumento poderoso para acelerar o crescimento econômico de nações que ainda se encontram em processo de desenvolvimento. Porém, Zukang destaca que o maior problema neste quesito é a questão do custo do acesso para os países em desenvolvimento, considerado muito alto pelo representante da ONU.

O equilíbrio para se chegar a uma situação "em que todos ganhem" no processo de desenvolvimento dos países seria, na visão dele, a criação de estímulos ao processo de inovação, suportado pelo "patrocínio" dos países mais ricos da oferta do acesso a essas novas tecnologias aos que não têm tantos recursos. Caberia à Internet ser o canal para superar esse hiato digital e também economico no mundo,  avalia do Sub-secretário do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da Organização das Nações Unidas, Sha Zukang.

Censura

Sha Zukang entende que a Internet favorece essa possibilidade de crescimento sustentado dos países quando ela conjuga os interesses sociais. Defendeu ainda a liberdade de expressão e da livre circulação de informação e idéias na rede mundial. Mas alertou que há casos que o Fórum de Governança da Internet deverá analisar com cautela, pois a liberdade de expressão não pode favorecer o crescimento de problemas como o terrorismo, spams ou a pedofilia. "Será que esses problemas não devem ser considerados quando se discute controle da rede?", indagou.

Sobre as denúncias de censura, sobretudo na China, Zukang mostrou um certo desconforto com as perguntas de jornalistas. Lembrou que, agora, ocupa uma função na ONU e, por isso, não seria apropriado fazer comentários sobre denúncias na Internet chinesa. “Todos somos a favor da liberdade da informação. Isso é algo básico nos direitos humanos. É por isso que a internet é útil”.

Mas reafirmou que o uso da Internet não pode favorecer a disseminação do terrorismo ou da pedofilia. "Tem que haver um meio de se regulamentar isso”, concluiu o Sub-secretário de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas.


 

Pedidos de proteção industrial por instituições de ensino superior aumentam 120% volta


O Globo
Roberta Jansen
12/11/2007

RIO - As universidades brasileiras começam a se dar conta da importância de proteger as suas invenções. Um estudo realizado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) revela que, entre a década passada e a atual, o número de pedidos de patente depositados por universidades brasileiras aumentou em 120% - um salto considerado significativo. Ainda assim, o número é muito baixo.

Intitulado "Universidades brasileiras - utilização do sistema de patentes de 2000 a 2004", o estudo dos pesquisadores do INPI Jeziel da Silva Nunes e Luciana Goulart de Oliveira mostra que ao longo desses cinco anos foram depositados 784 pedidos de patentes pelas instituições de ensino superior do Brasil, mais que o dobro do volume registrado na década de 90.

Os números absolutos impressionam, mas revelam apenas parte da verdade, como frisam os pesquisadores. Os depósitos das universidades representam somente 0,78% do total de pedidos feitos ao INPI. Se forem levados em conta apenas os pedidos feitos por residentes no Brasil o percentual sobe um pouquinho, para 2,3%. Ou seja, o número ainda é muito baixo.



Avião solar rende tecnologia para energia renovável eficaz  volta


Folha de São Paulo
RICARDO BONALUME NETO
DA REPORTAGEM LOCAL
14/11/2007

Um ano antes de seu vôo de estréia, o primeiro avião movido a energia solar já deu frutos na área de energia sustentável. Graças à necessidade de economizar peso, a aeronave Solar Impulse conseguiu reduzir pela metade o peso das células solares, além de melhorar a eficiência das baterias de lítio.
Um dos líderes do projeto e um dos pilotos do avião, André Borschberg, apresentou ontem em palestra em São Paulo o desenho final do protótipo da aeronave, revelado há uma semana na Suíça. Ele veio ao Brasil a convite da Solvay, multinacional suíça que é uma das patrocinadoras do Solar Impulse.
O protótipo deverá ter uma asa com 80 metros de envergadura quase toda coberta por painéis solares, "que são como filmes plásticos finos", segundo Borschberg. A estrutura será feita de fibras de carbono e plásticos especiais; apenas o mínimo indispensável de metal será usado, na fiação elétrica.
A idéia de construir o modelo -e usá-lo para dar a volta ao mundo- foi do explorador suíço Bertrand Piccard, o outro piloto. Ele percorreu o mundo em balão em 1999, e imaginou como seria fazer a viagem sem emitir poluição.
"É um símbolo do que precisa ser feito", diz Borschberg. Voar comercialmente com energia solar, porém, é algo ainda impensável e tecnologicamente distante.

Cada metro quadrado de painel solar produz só 30 Watts de energia por dia, segundo Borschberg. Com 200 m2, a energia "é a mesma de uma árvore de Natal com duzentas lâmpadas de 30 watts". A energia coletada de dia é armazenada nas baterias para uso de noite, e a velocidade do avião oscila de 50 km/h a 100 km/h.



Companhias de TI buscam reduzir impacto ambiental   volta


Valor Econômico
João Luiz Rosa
14/11/2007
 

Os arredores do Moscone Center, o gigantesco centro de exposições da cidade de San Francisco, estão tingidos de vermelho, a cor predominante no logotipo da Oracle. Mas a atual edição do Oracle Open World, a conferência anual da companhia de software, bem poderia ter outra cor: verde.

A preocupação com a preservação do ambiente começa no próprio credenciamento das cerca de 43 mil pessoas inscritas no evento. Os cadernos com a programação da conferência - um calhamaço de 436 páginas - são feitos com papel reciclado, mas o participante tem a opção de abrir mão do livro e levar apenas um pen drive (um chaveiro que armazena dados) que traz as mesmas informações, com a vantagem de caber no bolso. "Going green" é como a Oracle batizou a iniciativa.

Essa disposição de "tornar-se verde" mostra que as companhias de tecnologia da informação (TI) estão mais preocupadas com a preservação ambiental, mas também reflete o fato de que - a despeito de não estarem no grupo das companhias poluidoras - há uma pressão econômica crescente para que seus produtos sejam mais "ambientalmente" corretos.

O foco dessa preocupação é a conservação de energia. "Entre os anos 2000 e 2006, a energia consumida pelos centros de dados (das companhias) dobrou", disse Paul Otellini, executivo-chefe da Intel, ontem, durante sua apresentação no evento. Isso significa um custo crescente para as companhias, independentemente do setor em que atuam.

Em média, para cada dólar gasto em servidores, são gastos US$ 0,50 para resfriar os equipamentos, afirmou Otellini. Como o volume de dados usados pelas companhias não pára de crescer, o risco de o custo da energia tornar-se oneroso demais parece uma ameaça iminente.

Nos últimos 15 anos, isso de certa forma já vem ocorrendo, disse Otellini. Enquanto os gastos com TI permaneceram relativamente estáveis no período, as despesas com energia para manter os computadores em funcionamento aumentaram substancialmente. O problema, agora, é que com o acesso cada vez maior das pessoas à internet, a massa de informações que circula na rede coloca uma pressão adicional sobre as companhias.

Atualmente, meio trilhão de pesquisas são feitas anualmente em serviços de busca na web, dois bilhões de vídeos são vistos diariamente e cem mil blogs são criados todos os dias. Tudo isso tem um custo de energia - talvez invisível para o consumidor comum, mas muito conhecido dos diretores financeiros.

É por isso que oferecer dispositivos capazes de reduzir esses custos tornou-se um fator comercial importante para as companhias de TI, até como vantagem em relação aos concorrentes. A Intel já havia dado mostras desse interesse em junho, quando se juntou ao Google para lançar a iniciativa "Climate Servers", que ontem ganhou a adesão da Oracle.

Na segunda-feira, a companhia de semicondutores reforçou a aposta ao lançar seu esperado chip Penryn. Desenhado para servidores - os computadores que administram os recursos em uma rede -, o Penryn é o primeiro lançamento da empresa na tecnologia de 45 nanômetros. O nanômetro é o bilionésimo do metro. As gerações anteriores eram de 65 nanômetros. Grosso modo, isso significa que os transistores embutidos no Penryn são menores. Por isso consomem menos energia e produzem menos calor. Segundo a Intel, o desempenho é 20 vezes superior, como um consumo de energia 30% menor.

As próprias companhias de TI estão provando de seus novos remédios. A Oracle adotou, no ano passado, servidores com uma geração recente dos chips Xeon, também da Intel, em seu programa Oracle University, que atende 350 mil estudantes em 56 países. O resultado é que o número de equipamentos foi reduzido em 70% e o consumo de energia caiu 47%. Em outra medida, a companhia adotou um processo para reciclar a água usada para resfriar seus computadores. "Economizamos 1 milhão de galões de água por ano", informou Jurgen Rottler, vice-presidente executivo da Oracle.

O repórter viajou a convite da Oracle


 

Destruição (nada) criativa   volta


O Estado de São Paulo
Antonio Corrêa de Lacerda*
14/11/2007


Os impactos da valorização continuada do real na produção brasileira têm sido erroneamente associados à destruição criativa. O aumento do conteúdo importado, muitas vezes em substituição à produção local, o deslocamento de parte da produção anteriormente destinada ao mercado externo para o mercado doméstico e a transferência de plantas produtivas para outros países são algumas da nuances do processo.

As condições desfavoráveis de competitividade, como carga tributária acumulativa e elevada, deficiências de infra-estrutura e logística, juros elevados, exigências burocráticas, etc., ampliadas pela persistente valorização cambial, têm provocado ações defensivas por parte das empresas. É uma resposta microeconômica às con(tra)dições do ambiente.

Já o conceito de destruição criativa defendido por Joseph Schumpeter (1883-1950) se baseia na revolução tecnológica. Um processo que inevitavelmente faz sucumbir atividades e empresas, substituídas por outras inovadoras e criativas. Trata-se, nesse caso, de um processo benévolo de renovação, em que novas atividades são criadas, a partir dos impulsos, substituindo o ciclo anterior.

Trata-se, portanto, de fenômenos totalmente distintos: o criador, a partir da mudança tecnológica e de condições favoráveis; o deletério, como no nosso caso, decorrente de condições não isonômicas de competitividade e distorções nos preços relativos, basicamente provocadas pela apreciação artificial do câmbio.

Os estragos nem sempre são totalmente perceptíveis porque, no agregado e na visão de curto prazo, tendem a ser mascarados por falsas benesses. Há uma baixa circunstancial dos preços e do nível de inflação em geral, assim como em um primeiro momento estimulador de atividades comerciais e de consumo. Todos esses efeitos, no entanto, não só não se sustentam no longo prazo, como tendem a provocar estragos na cadeia produtiva, no emprego, na renda e nas contas externas, que custam para ser consertados.

Há quem considere o aumento significativo nas importações incentivadas pelo câmbio barato como fator de modernização. Mesmo que isso fosse verdadeiro, o instrumento utilizado - câmbio - está equivocado. A melhor ferramenta para conduzir a política comercial não é a taxa de câmbio - que, distorcida, desarruma toda a estrutura produtiva, afetando negativamente as decisões de investimentos -, mas as tarifas alfandegárias. Bem utilizadas, elas podem favorecer a competição, de forma inteligente, estimulando a geração de valor agregado local, a partir de objetivos estrategicamente definidos.

Assim, do ponto de vista das políticas econômicas, o ideal é articular uma combinação de fatores que favoreçam competitivamente a produção local, a criação de empregos qualificados, a geração de renda, tanto do trabalho como de tributos para o Estado, e de competências para ampliação da participação nos nichos mais nobres dos mercados exportadores.

Isso explica por que a grande maioria dos países bem-sucedidos no desenvolvimento industrial e tecnológico adota não apenas políticas macroeconômicas favoráveis, como câmbio desvalorizado e taxas de juros baixas, mas também políticas de competitividade (políticas industrial, comercial, tecnológica, etc.) para fomentar suas novas competências e vantagens competitivas.

Para o Brasil isso representa um grande desafio, ao mesmo tempo, uma grande oportunidade. Poucos países podem contar com condições tão favoráveis como as brasileiras. Deter um dos maiores mercados domésticos mundiais, aliado às vantagens comparativas naturais nas áreas agrícolas e minerais, é um ponto de partida bastante vantajoso. Assim como contar com uma diversificada base industrial já constituída.

Alguns dos segmentos das cadeias produtivas brasileiras já atingiram níveis de competitividade internacional, outros carecem de apoio para ampliar o seu dinamismo, assim como há aqueles em que temos claras debilidades de produção e desenvolvimento locais. Cada caso tem a sua especificidade, que vão nos exigir políticas e estratégias diferenciadas. Mas o ponto comum é que todos não podem prescindir de condições equilibradas de competitividade sistêmica e, especialmente, de um nível de câmbio ajustado.

*Antonio Corrêa de Lacerda é professor doutor da PUC-SP, doutor em economia pela Unicamp e autor de Globalização e Investimento estrangeiro no Brasil (Saraiva). E-mail: aclacerda@pucsp.br


 

Um mercado tão grande quanto o átomo volta


Gazeta Mercantil
13/11/2007

13 de Novembro de 2007 - A nanotecnologia tem atraído grande interesse em diversos setores industriais e acadêmicos devido aos benefícios e diversificação que podem ser alcançados no desenvolvimento tecnológico e econômico. Podem ser criados novos materiais e produtos com base na capacidade de manipular átomos e moléculas.

O grande diferencial desses materiais é potencializar propriedades físicas/químicas em concentrações extremamente reduzidas e conferir características antes não apresentadas por um dado produto. Este alcance de propriedades se deve basicamente ao fato de tais estruturas possuírem dimensões nanométricas, que resultam em uma área superficial elevada, maior grau de dispersão e funcionalidades que são dependentes do tamanho da estrutura. Atualmente, em países desenvolvidos, há altos investimentos e programas em nanotecnologia, sendo esta última uma das principais áreas de fomento à P&D&I, ao lado da biotecnologia, tecnologia da informação (TI) e meio ambiente. Todos os programas estão vinculados às estratégias nacionais de desenvolvimento econômico e competitividade, com alvos bem definidos e compatíveis com as características industriais do País.

Os EUA são os maiores investidores neste ramo, possibilitando a criação de diversas agências federais destinadas à pesquisa e desenvolvimento em nanotecnologia. A partir de 2006, o valor total dos investimentos nos EUA por parte do governo atingiram valores acima de US$ 1 bilhão por ano, sendo destinados principalmente para as áreas de processo/fenômenos em nanoescala e sistemas/dispositivos nanométricos.

Nos países da comunidade européia existem programas especiais para projetos de pesquisa e desenvolvimento em nanotecnologia. Estes têm como objetivo aumentar a competitividade das empresas européias e estabelecimentos de parcerias internacionais.

No período de 2002 a 2006, foi investido US$1,6 bilhão em projetos relacionados com a nanotecnologia. Já para os próximos quatro anos, serão destinados US$ 5 bilhões, um aumento em três vezes no orçamento para P&D em nanotecnologia em relação ao programa anterior. No Japão, foram destinados US$ 780 milhões à área de nanotecnologia em 2004.
A China investiu entre US$ 250 milhões e US$ 300 milhões no período de 2002 a 2005. O gigante asiático já ocupa a terceira posição em números de patentes depositadas no mundo, sendo responsável por 12% do total, ficando atrás apenas dos EUA e Japão. O foco dos produtos chineses está em pós-nanoestruturados, e diversas empresas que comercializam produtos baseados em nanotecnologia são subsidiárias provenientes de centros e institutos de pesquisas.

No Brasil, os maiores investimentos em nanotecnologia são provenientes de iniciativas do governo, um total de US$ 170 milhões até 2006. Por parte das empresas privadas estima-se algo próximo de R$ 30 milhões. Os progressos neste ramo se concentram nos setores de eletrônica, ótica, comunicações, materiais, transportes aéreo e naval, biotecnologia, engenharia de produção e agronegócios, com algumas pesquisas de ponta, tanto básicas quanto aplicadas. A "língua eletrônica", ou sensor gustativo, desenvolvida pela Embrapa, é capaz de distinguir diferentes tipos de vinho, café, chá e água mineral, reconhecendo os padrões básicos do paladar - doce, salgado, azedo e amargo - com rapidez e precisão.

Nesta linha de materiais nanoestruturados, um dos projetos desenvolvidos pela Suzano Petroquímica foi baseado na utilização de nanopartículas de prata para produção de resinas de polipropileno com propriedades antimicrobianas. O grande sucesso de mercado do produto-piloto possibilitou a primeira produção em escala industrial de resina de polipropileno com nanotecnologia, sendo primeiramente apresentada na BrasilPlast 2007.

Há outras empresas no Brasil investindo em produtos com nanotecnologia. A Nanox, por exemplo, desenvolveu coatings nanoestruturados que, ao serem aplicados em superfícies, como metais, vidro, cerâmicas e plásticos, facilitam os processos de limpeza e esterilização. Também a Oxiteno desenvolveu produtos nanoestruturados (nanolatex), com diâmetro entre 20 e 40nm, com características de excelente adesão. Essas iniciativas mostram o grande potencial da nanotecnologia, cujo universo ainda está longe de ser desvendado. Um mercado gigantesco, do tamanho do átomo.
kicker: A nanotecnologia é hoje uma das principais áreas de P&D no Primeiro Mundo

(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 3) (José Ricardo Roriz Coelho - Diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp)



Se insistir na técnica, não sai negócio   volta


Gazeta Mercantil
13/11/2007

13 de novembro de 2007 - Quando as perguntas técnicas aumentaram os chineses pararam de conversar. Nesse momento, Zulfiro Antonio Bosio, dono de empresa de engenharia de iluminação no Paraná, experiente em importações de equipamentos de iluminação desde os anos 1990, percebeu; "eles desconfiaram que eu era um espião industrial". Ele mudou de tática e passou a falar que pretendia ser um distribuidor: "venci a desconfiança deles pelo lado comercial, se insistisse na questão técnica, não sairia negócio algum".

O foco desse empresário na feira de Cantão era iluminação pública, em especial, tecnologia de placa de energia solar para luminárias. Entusiasmado, Bosio descreve custos favoráveis do fornecedor chinês. Porém, quando disse ao executivo chinês que ele teria custos adicionais foi surpreendido com inesperada proposta de parceria. Bosio contou que ao mencionar o que chamou de investimentos pesados para trabalhar com um produto inovador (testes de laboratórios, divulgação, marketing), os chineses ofereceram compartilhar esse investimento "com 20% do total das importações realizadas".

Bosio reconheceu que os chineses foram bastante transparentes quanto aos problemas operacionais que enfrentam. Eles produzem o equipamento com a tecnologia mais avançada (a mesma dos fabricantes europeus), tecnologia que foi desenvolvida em joint venture com uma empresa japonesa. Há dois anos os sócios brigaram e a questão está na Justiça, tanto em Pequim como em Tóquio, porque os chineses se consideram dono da patente e acusam os japoneses de cópia sem autorização. O empresário brasileiro questionou as garantias que teria frente a uma derrota judicial e os chineses, asseguraram a certeza da vitória no processo, mas ofereceram cláusula contratual de ressarcimento pleno do investimento no caso de derrota judicial. A franqueza do parceiro chinês surpreendeu Bosio.

Os primeiros protótipos para testes de laboratório das placas de energia solar chegam ao Brasil em três meses, para conferir dados técnicos. Até o final deste ano, segundo Bosio, o contrato será elaborado "de acordo com as normas técnicas brasileiras". A maior exigência dos chineses para o contrato é a expressa proibição de qualquer forma de cópia da tecnologia, "com estrito respeito à patente que os chineses detém". O empresário brasileiro insistiu que o modelo do produto e a qualidade era sua maior demanda contratual, mas percebeu que a garantia de propriedade intelectual interessava mais aos chineses do que a própria garantia financeira de que receberiam pelo produto exportado. (L.T. - Gazeta Mercantil)



Inovar não é criar  volta

Especialista belga diz que a inovação pode ser copiada. Mas a criatividade exige que se abra mão das velhas certezas


Revista Época Negócios
por Marcelo Coppola
Edição Novembro 2007

 

Uma empresa que queira prosperar na era do conhecimento tem pela frente dois desafios. O primeiro é inovar seus produtos e processos, objetivo que domina corações e mentes no mercado global. O outro, tornarse mais criativa, tarefa que não é enfrentada com o mesmo entusiasmo. O filósofo e consultor belga Luc de Brabandere, autor de O Lado Oculto das Mudanças (Editora Campus), defende a separação dos conceitos de inovação e criatividade. Inovar é mudar a realidade, o que se consegue mesmo sem criatividade – quando se copiam ações de outros setores, por exemplo. Ser criativo é transformar a percepção que se tem sobre o próprio negócio. Essa empreitada foi cumprida com louvor por companhias como a IBM ou a Apple, que souberam se reinventar para enfrentar a ameaça asiática e dar conta dos avanços tecnológicos. Para chegar a esse estágio é preciso superar estereótipos que, embora ajudem a organizar nosso pensamento, funcionam como barreiras à criatividade. Leia a seguir a entrevista de Brabandere, sócio do Boston Consulting Group, a Época NEGÓCIOS.

O senhor afirma que inovação e criatividade precisam ser vistas como conceitos diferentes. Por que essa separação?
Aos 40 anos, abandonei meu trabalho em bancos para me dedicar à minha paixão, que era estudar a criatividade. Nos dez anos seguintes fiz psicanálise, escrevi cinco livros, me formei em fi losofi a e mergulhei no assunto. Aos poucos me dei conta de que o difícil não é ter uma grande idéia. Muito mais difícil é mudar as idéias que já se tem. Um exemplo é a General Motors. Em 1915, vendia carros para fazendeiros. O que os fazendeiros faziam? Removiam o banco de trás, para ter mais espaço para colocar suas coisas. Demorou 15 anos para a GM inventar a picape. Não foi propriamente uma invenção, já que a idéia estava lá. O desafi o não foi quebrar a cabeça até inventar a picape, mas mudar a idéia que se tinha do que era um carro. O mais difícil em criatividade não é pensar, mas mudar as próprias idéias. Há basicamente duas coisas: o mundo e o jeito como você vê o mundo. Realidade e percepção. Descobri que inovação é a capacidade de uma empresa mudar a realidade. E criatividade, a capacidade de mudar a percepção que se tem do mundo.

Isso significa que você pode inovar sem ser criativo ou ser criativo sem inovar?
Exatamente. Inovação, como falei, é a mudança da realidade. Você pode adotar idéias de outros e inovar seus produtos e processos. Mas também pode ter uma grande idéia que é ignorada pela direção da empresa – um caso de criatividade sem inovação, já que não é aplicada à realidade. Você sabe quem primeiro patenteou o mouse? Não foi a Apple, mas a Xerox. Foi uma grande sacada. Você tem um teclado e então imagina um mouse, que pode substituí-lo. Uma idéia sensacional que não virou, porém, um produto da Xerox. Um caso de criatividade sem inovação. As pessoas entraram em contato com a novidade em computadores da Apple, que transformou o equipamento num sucesso. Uma empresa precisa das duas coisas. Para inovar, é preciso que tenha uma equipe capacitada, planejamento, projetos etc. Para ser criativa, é necessário que mude a sua percepção. A empresa que deseje realmente mudar, portanto, deve mudar duas vezes. Precisa ser inovadora, transformando a realidade, e criativa, mudando o jeito como vê as coisas.

O senhor poderia citar um exemplo de empresa que mudou a percepção sobre o próprio negócio?
A Apple e a IBM, duas empresas de computação, estão entre elas. Ambas concluíram há alguns anos que precisavam se transformar para enfrentar os novos desafi os do mercado global. Mas antes tinham de mudar o modo como enxergavam seus negócios. “Posso também ser uma companhia musical”, disse a Apple. “Preciso ser uma consultoria”, concluiu a IBM, certa de que seria difícil sobreviver fabricando computadores para o mercado global. Por isso vendeu a divisão de PCs para a chinesa Lenovo. Fui a um encontro recentemente em Nova Délhi e visitei a IBM. Nenhum sinal de hardware ou software. Apenas prestação de serviços. Hoje em dia, se você não é flexível, corre perigo.

É fundamental, portanto, se libertar do antigo conceito da empresa?
Sim. Para criar um iPod você precisa de um novo conceito de Apple. O Google é outro exemplo. Inicialmente, foi montado apenas para ser o mais efi ciente mecanismo de busca do mercado. Pense no Google Earth. Você não cria o Google Earth se você mantém a visão tradicional sobre um mecanismo de busca. A BIC antes fazia apenas canetas. Hoje vende também lâminas, isqueiros, cola. Deixou de ser um fabricante de canetas para se transformar numa indústria de coisas descartáveis. Google e BIC são empresas que comprovam que, se você não muda o jeito que vê o seu negócio, não consegue ser realmente criativo. A percepção, porém, também tem dois lados. Não basta ver minha companhia como algo diferente. É preciso também mudar a maneira como os consumidores vêem sua companhia.

O que leva uma empresa a mudar a percepção de seu negócio?
 Descrevo em O Lado Oculto das Mudanças alguns fenômenos que as empresas podem reconhecer no seu cotidiano, aquilo que chamo de “sinais fracos”. O que são esses sinais fracos? Você vende um PC e alguém diz “não gosto do seu teclado”. A reação normal é dizer, “ô estúpido, não ligo para sua opinião”. Mas talvez devesse ouvi-lo. Pode ser que ele esteja certo e a manifestação seja uma primeira indicação de que é preciso desenvolver um novo tipo de teclado. Tendemos a exagerar a importância de uma informação que esperamos, e subestimamos a importância de outras. Ao ler os jornais, as pessoas tendem a gastar mais tempo nos artigos com os quais concordam. Muitas decisões ruins são tomadas porque a maneira de processar as informações está errada, não porque a informação não esteja lá.

O senhor pode elaborar essa questão dos sinais?
Há dois cenários possíveis quando você recebe um desses pequenos sinais. A Philips detectou há alguns anos que as pessoas não tomavam tanto café quanto antes. Investigou e viu que isso acontecia por diferentes razões, como o fato de as pessoas terem cada vez menos tempo – as máquinas existentes no mercado eram lentas – e de preferirem beber pequenas quantidades várias vezes ao dia, em vez de tomar uma enorme quantidade ao acordar. A partir dessas informações a empresa desenvolveu a Senseo, um novo tipo de cafeteira que atendia a essas necessidades e se transformou num enorme sucesso de vendas. A Lego é o exemplo oposto. Criou o brinquedo do século 20. Mas demorou para perceber que os jovens estavam trocando massivamente os tijolinhos pelos videogames. Agora lançou um brinquedo em que você pode desenhar, no seu PC, uma espaçonave, e receber os tijolos pelo correio. É uma boa idéia, mas muito tardia, umproduto de quem foi vítima das mudanças, e não de quem construiu as mudanças. O momento “heureca” acontece, como mostra o caso da Senseo, quando você sabe ler os sinais e constrói a idéia correta. É fundamental ter a mente aberta.

As empresas da nova economia têm um ambiente mais favorável à criatividade?
Tendo a acreditar que sim. Por que o iPod não surgiu na Nokia, na Sony ou na Philips? Não foi por causa dos desafios tecnológicos, mas da mentalidade. A Apple acredita mais em inovação do que a Sony, a Nokia e a Philips. O iPod surgiu por causa do Napster, uma grande novidade. Uma empresa podia reagir de duas maneiras ao Napster. Uma seria manter a antiga visão do negócio e ir à Justiça, como fizeram algumas gravadoras. A Apple viu isso como um sinal, algo que veio para ficar e exigia um novo modelo de negócio. Por que a necessidade de vender sempre 16 músicas de uma vez? Venda uma única música. O BlackBerry, criado pela então empresa canadense RIM, é um outro caso. Dá para imaginar que surgisse na Nokia? A Nokia gasta milhões em pesquisa todos os anos mas é escrava do sucesso, uma síndrome que atinge muitas empresas que mantêm orçamentos bilionários em pesquisa.

Como as empresas devem se organizar para estimular a criatividade?
É preciso construir um ambiente adequado. As companhias são diferentes, e a maneira de criar um ambiente favorável à criatividade também é diferente. Já trabalhei com o diretor de pesquisa e desenvolvimento da 3M. Um dia, foi realizada uma grande festa na empresa. Motivo? O fracasso de um produto. O que está por trás desse comportamento? Se você não se arrisca, não avança. Às vezes, tem de fracassar, isso faz parte. Imagine, uma empresa que celebra o fracasso! Ótimo!

Como lidar com a velocidade das mudanças do mercado?
Na economia da informação, uma idéia é roubada em seis meses. Antes demorava 30 anos. Agora, basta a Apple lançar o iPod para a Microsoft criar o Zune. O ciclo de vida dos produtos encurtou tremendamente. Hoje é preciso se reinventar a toda hora. Há um famoso restaurante na Espanha, o El Bulli, considerado o melhor restaurante do mundo, onde o dono fecha as portas seis meses a cada ano. Nesse período, inventa novos pratos. Se você compara a velha e a nova economia, vê uma mudança do papel da criatividade. Na velha economia, a criatividade acontece no início do processo. Tenho uma boa idéia, ótimo, vou lançá-la. E o produto dura alguns anos. Hoje, não se sabe mais o que vai acontecer. A criatividade virou um processo de correção. Um bom exemplo é o Twingo, da Renault. Vou fazer um carro que os jovens gostem. Uma idéia brilhante. Mas quando lançaram o carro, descobriram que era comprado por muita gente da minha idade. Apresentaram novas cores e mudaram a campanha para atender melhor também a esse público. Poderiam ter gasto esse dinheiro para entender o gosto desse consumidor. Mas isso hoje não é tão importante. O fundamental é você se adaptar rapidamente às mudanças do mercado. Essa é a diferença entre a velha e a nova economia. Hoje você não pode confiar mais em previsões como antes. As melhores companhias não fazem mais previsões, simplesmente estão prontas para atender às mudanças de gosto do mercado. Compare a Hewlett- Packard e a Dell. Duas visões diferentes. A HP é uma fábrica que tenta vender computadores com base em grandes estoques. A Dell é uma máquina de vendas que monta PCs sob demanda dos clientes. Modelos de negócios completamente diferentes. Por isso, a Dell está muito mais adaptada a incertezas do que a HP.

Empresas da velha economia conseguem se adaptar aos novos tempos?
Um bom exemplo é a Philips, com mais de 100 anos de existência. Há dez anos, identificou problemas, como a ameaça asiática, e concluiu que não conseguiria competir com alguns produtos numa dimensão global. Atenta ao que acontecia à sua volta, notou que o sistema de previdência europeu entraria em colapso com o envelhecimento da população, o que geraria uma enorme procura por equipamentos médicos para uso doméstico. E investiu nesse setor, que hoje responde por 20% do seu negócio. Antigas divisões foram fechadas. Gerard Kleisterlees, CEO da Philips, ganhou o prêmio de administrador do ano da revista Fortune por ter vendido a divisão de semicondutores, onde seu pai havia trabalhado por 30 anos. Foi difícil, mas teve de fazer isso porque não havia como competir com a China, que paga salários muito menores.

O senhor mostra em seu livro que estereótipos e paradigmas, apesar de nos ajudarem no processamento das informações, bloqueiam o surgimento de novas idéias. Que conselho daria para o empresário que pretende quebrar essas amarras?
Abra os olhos. O sucesso é perigoso, pode cegar. Repare nos pequenos sinais de mudanças. O sucesso torna as coisas muito difíceis. O engenheiro francês Ferdinand de Lesseps projetou há mais de 130 anos o Canal de Suez. Um sucesso fantástico. Depois se dedicou à construção do Canal do Panamá, mas não reparou nos pequenos detalhes que inviabilizavam o projeto original. Um fracasso absoluto. Os americanos acabaram executando o próprio projeto e construindo o canal. É fundamental reconhecer esses sinais. Isso muitas vezes não é feito porque esses avisos não se adequam à idéia original. Em 1977, Ken Olsen, CEO da Digital Equipment Corp., sabia que estudantes estavam projetando computadores pessoais. Numa conferência, afirmou que não havia motivos para as pessoas terem esses equipamentos em casa. É preciso aprender com erros como esse.

A HORA DA MUDANÇA

Sinais que indicam a necessidade de repensar sua empresa de repensar seu negócio

1>>>Reclamações
Ouça a opinião dos que falam mal de seus produtos. Não a despreze. Talvez ela indique a necessidade de mudanças
2>>>Dissonâncias
Atenção ao modo como clientes de culturas diferentes recebem seus produtos. Nos anos 90, a EuroDisney foi recebida com estranheza pelos europeus, que reclamavam, por exemplo, da proibição da venda de vinhos em seus restaurantes. Aos poucos prevaleceram os costumes locais
3>>>Paradoxos
O senso comum às vezes está errado. Nos anos 60, as siderúrgicas americanas lideravam o mercado mundial e fechavam os olhos aos avanços tecnológicos dos europeus e asiáticos. Achavam que a tecnologia que as levou ao topo garantiria seu domínio. Erraram
4>>>Tédio
Fique atento a sinais de tédio do consumidor. Nos anos 80, as crianças foram enfeitiçadas pelos games eletrônicos e abandonaram as pecinhas da Lego, que demorou a reagir
5>>>Surpresas
Olhos abertos. Muitas invenções teriam passado despercebidas não fosse a atenção de alguém. Um químico da DuPont descobriu por acaso o Teflon, quando o gás que havia guardado num cilindro se solidificou durante a noite


Luc de Brabandere

Cargo>>>sócio do escritório francês do Boston Consulting Group Formação>>>matemático e engenheiro de tecnologia da informação. Possui mestrado em engenharia civil e doutorado em filosofia pela Universidade Católica de Louvain, na Bélgica
Trajetória>>> foi chairman do National Geografic Institute e diretor-geral da Bolsa de Valores de Bruxelas
Influências intelectuais>>>os filósofos Heráclito (540-470 a.C.) e Francis Bacon (1561-1626)
Produção intelectual>>>autor ou co-autor de nove livros, o mais recente deles O Lado Oculto das Mudanças (Editora Campus)

 


 

Viva a dissidência!  volta


Revista Época Negócios
Don Peppers e Martha Rogers*
Edição Novembro 2007


As empresas precisam estimular um clima de discordância respeitosa dentro de suas equipes para se tornar mais inovadoras

 
Em uma época de rápidas mudanças, a inovação é a única garantia de sobrevivência das empresas, e a discordância é a chave para a inovação. Em nossas pesquisas para o próximo livro, observamos que empresas que encorajam uma cultura de respeitosa e criativa discordância tendem a se destacar, tornando-se líderes não apenas em satisfação e fidelidade de clientes, mas também em inovação.

Quão importante é inovar? Um estudo da BusinessWeek realizado em 2006 demonstrou que 25 grandes corporações que investem em inovação têm, em média, um aumento de lucro de 3,4% ao ano, muito acima da média, que é de 0,4%. A inovação faz diferença nos resultados financeiros e, para se beneficiar, as empresas devem aprender a encorajar novas idéias.

É importante saber lidar com conflitos. A criatividade surge do choque de diferentes pontos de vista 
Google, Apple e Toyota estão entre as empresas que descobriram como fazer isso. O Google, por exemplo, é famoso por pedir aos funcionários que utilizem ao menos 15% de seu tempo em projetos independentes. E a empresa não espera sucesso em todos os projetos, pois o fracasso também é uma peça importante quando se quer inovar. Portanto, deve-se tolerar a discordância e abraçar as falhas como itens necessários para se chegar à inovação.

A criatividade e a inovação surgem de diferentes pontos de vista. Por isso, as empresas não devem apenas tolerar, mas efetivamente encorajar a discordância. Pessoas criativas tendem a ter "mentes independentes", são avessas ao autoritarismo e, às vezes, um pouco inconformadas. A criatividade requer uma mistura de elementos e, ao confrontar idéias, as pessoas podem entrar em desacordos e discussões.

Se você pretende que sua empresa seja verdadeiramente inovadora, é necessário envolver pessoas criativas e saber lidar com conflitos. E as melhores decisões são tomadas por grupos compostos de especialistas e leigos. Quando eles têm apenas especialistas, normalmente gasta-se muito tempo utilizando conhecimento prévio, e pouco tempo explorando alternativas.

Curiosamente, muitas das ferramentas usadas para cortar custos e aumentar a produtividade tendem a diminuir a habilidade de cultivar opiniões divergentes. Pontos de vista diferentes são ameaças à eficiência de custos. Considere a recente experiência da 3M, reconhecida por seu alto nível de criatividade. Quando um novo CEO foi trazido para melhorar seus custos e suas operações, adotando a metodologia Seis Sigma, seus problemas de curto prazo foram resolvidos, mas sua habilidade de inovar parece ter sido neutralizada.Não existia espaço para descobertas espontâneas. O atual CEO busca equilibrar a manutenção da saúde financeira, introduzida na gestão anterior, com uma cultura inovadora.

Na próxima vez que formar uma equipe para resolver um problema, misture alguns novatos com os conselheiros mais experientes e acrescente alguns "encrenqueiros" no processo, pois é muito fácil esquecer a grande verdade sobre a inovação: mentes brilhantes pensam... diferente!

* Don Peppers e Martha Rogers são sócios fundadores do Peppers & Rogers Group, consultoria em gestão com foco no cliente.

 


 

Com as mãos ou com a mente  volta


Mídia eletrônica: Portal Exame
http://portalexame.abril.com.br
Por Françoise Terzian
01/11/2007


As novas interfaces de controle vão mudar para sempre a interação com os computadores

EXAME Bill Gates fez, há mais de 20 anos, a famosa previsão de que haveria um computador em cada mesa e em cada casa. Ainda não chegamos a esse dia, mas ao que tudo indica trata-se somente de uma questão de tempo: a adoção de computadores cresceu com uma velocidade formidável nas empresas e nas residências graças à explosão da internet. Os PCs sofreram uma transformação profunda nesse período: um computador típico comprado hoje numa loja de varejo é várias vezes mais rápido que as mais sofisticadas máquinas de duas décadas atrás. Um minúsculo cartão de memória, daqueles usados em câmeras fotográficas, armazena 32 gigabytes de informação, o equivalente a 20 filmes inteiros. A Lei de Moore, que rege a evolução dos microchips, continua dobrando o poder de processamento a cada 18 meses -- e, ao mesmo tempo, cortando os preços pela metade. A revolução digital, que nasceu nos países ricos, agora se espalha pelo mundo em desenvolvimento, na mais veloz disseminação de tecnologia vista pela hu manidade. Mas em toda essa incrível história de transformações existem dois itens que se mantiveram inalterados desde os primórdios da computação pessoal: o mouse e o teclado. Os sistemas de controle, ou interfaces, como se diz no jargão dos tecnólogos, permanecem imunes à passagem do tempo. Ou melhor, permaneciam: a próxima grande onda de inovações no mundo da computação não vai ser invisível, como a velocidade dos chips. Ela estará na ponta de seus dedos.

A necessidade de novas formas de interação entre máquinas e pessoas tem dois grandes impulsionadores. O primeiro, é claro, vem do mercado. Há mais de uma década, Nicholas Negroponte, fundador do Media Lab do Massachusetts Institu te of Technology, já dizia que qualquer tecnologia poderia ser desenvolvida desde que uma necessidade fosse criada e um modelo de negócios justificasse o retorno do investimento. Pois foi justamente o que fizeram Apple, com o iPhone, e Nintendo, com o videogame Wii. Os dois produtos têm menos de um ano de existência, mas já alcançaram o status de fenômenos culturais graças a seus sistemas de controle, mais simples e intuitivos do que os da concorrência. Agora, a tendência é que os consumidores passem a exigir controles orgânicos e naturais também de seus PCs. "A voz dos consumidores ficou mais forte com a queda dos preços e a popularização dos computadores", diz Edison Spina, professor-doutor do departamento de engenharia da computação e sistemas digitais da Escola Politécnica da USP.

A tecnologia mais promissora para os computadores pessoais é parecida com a do iPhone. Seis meses antes de o aparelho deslumbrar consumidores mundo afora, um acadêmico da Universidade de Nova York chamado Jeff Han já havia demonstrado uma tela multitoque semelhante, mas maior, a um pequeno grupo de notáveis do Vale do Silício. Manipulando um punhado de fotos com as duas mãos, ampliando as imagens e as organizando de forma absolutamente natural -- como se estivesse agrupando em pilhas uma porção de fotos em papel --, Han disse para uma platéia embasbacada: "A interface desapareceu, e não existe um manual de instruções". O pesqui sador americano foi um dos primeiros a provar que nos dias de hoje a combinação de mouse com teclado já não é a mais adequada a muitos usos dos computadores. Eles deixaram de ser meras máquinas de produtividade no trabalho para passar à condição de organizadores digitais. Dizem os rumores que Han foi sondado para trabalhar na Apple. Questionado a respeito, ele desconversou e disse apenas que "desejaria que a tela (do iPhone) fosse maior". Pois agora esse desejo pode se tornar realidade. A Apple já tem patentes para um laptop com um sistema de controle multitoque, mas ainda não se sabe quando ele chega ao mercado. Certo é o enorme interesse pelas telas sensíveis ao toque: o dinheiro movimentado por essa tecnologia deverá chegar a 2,8 bilhões de dólares neste ano, de acordo com a consultoria americana iSuppli.


Adeus, mouse e teclado
A nova onda de inovação dos computadores não virá mais de chips e memória, e sim das interfaces de controle.Conheça as principais novidades

Leitor de ondas cerebrais
Até o fim do ano, a empresa NeuroSky promete lançar um sistema que permite controlar jogos somente com o pensamento
Comandos de voz
Ainda sofrem com a baixa confiabilidade, mas a IBM aposta em uma versão capaz de transcrever e traduzir ditados para outras línguas
Mesacomputador
A Microsoft lança em dezembro a mesacomputador Surface, que tem uma tela grande e sensível ao toque, semelhante à do iPhone
Sensores de movimento
Populares graças ao videogame Wii, da Nintendo, os sensores agora equipam celulares e tocadores de MP3, que respondem a simples sacudidas
Controle pelos olhos
O ponteiro se desloca pela tela de acordo com os movimentos dos olhos do usuário, dispensando o uso de mouse
Telas multitoque
Chegaram ao mercado com o iPhone, e agora as apostas são de que elas estarão presentes também em laptops


Se o avanço das interfaces parece lento, é preciso levar em conta que há obstáculos a superar. Um deles é a própria indústria, que tende a resistir às rupturas. "A Microsoft demorou algum tempo até se convencer de que os usuários preferiam uma interface com janelas e mouse, lançando o primeiro Windows anos depois da Apple", afirma Ricardo Anido, professor e ex-diretor do Instituto de Computação da Unicamp. Hoje, diga-se, a empresa tem uma atitude diferente: vai lançar comercialmente no fim do ano a Surface, um computador em forma de mesa de centro que é inteiramente controlado com o contato dos dedos com a tela. Outro obstáculo a superar é cultural. No começo dos anos 80, o mouse era considerado uma curiosidade de laboratório. Igualmente, quem viu o filme Minority Report -- A Nova Lei nos cinemas, cinco anos atrás, certamente deve ter estranhado as cenas que mostravam Tom Cruise trabalhando numa tela de computador do tamanho de uma parede, usando as duas mãos para vasculhar arquivos. Hoje, as duas tecnologias são vistas de modo muito diferente.

Outra área importante para testar novas idéias é a dos games. Os sensores de movimento fizeram do Wii um sistema revolucionário, capaz de encantar idosos e adultos que jamais chegariam perto de outro videogame, e agora eles começam a aparecer em celulares e tocadores de MP3. Uma sacudida para avançar para a próxima música, duas para voltar -- nada de procurar botões minúsculos durante uma corrida pelo parque. No próximo ano, chega às lojas o jogo Wii Fit. Acompanhado de uma plataforma parecida com uma balança de banheiro, o jogo pretende ser uma mistura de exercício físico com diversão eletrônica. O lançamento, um dos mais aguardados do console, pode ter impacto até mesmo nas academias de ginástica. A NeuroSky, empresa com sede em San Jose, no Vale do Silício, criou um sistema capaz de controlar jogos eletrônicos apenas com o pensamento. A interface tem o mesmo princípio de um eletroencefalograma: os impulsos elétricos do cérebro são colhidos por um sensor e transformados em comandos compreendidos por um computador. A empresa promete lançar ainda neste ano um jogo-protótipo de baixo custo inspirado no filme Guerra nas Estrelas. Quando o usuário se concentra, um sabre de luz acende e permanece ligado. Se ele se distrai, o jogo pára.

O problema dos leitores de ondas cerebrais é que, idealmente, os sensores deveriam ser adequados às características físicas de cada indivíduo para assegurar uma leitura correta dos "pensamentos" de cada jogador. Igualmente, os sistemas de reconhecimento de voz sempre esbarraram na variação dos sotaques e das pronúncias de pessoa para pessoa. A IBM persegue há décadas uma tecnologia ideal de comandos de voz. A mais nova tentativa da Big Blue é o sistema Mastor, hoje usado por soldados americanos no Iraque. Ele permite a tradução do inglês para o árabe falado no Iraque e vice-versa em tempo real. "Mesmo assim, ainda tem problemas para entender nuances da fala humana", diz Jean Paul Jacob, guru que trabalha no laboratório da IBM em Almadén, na Califórnia. Ele dá como exemplo uma frase que tem muitas palavras com som parecido mas cujo significado é muito diferente: "Please write to Mrs. Wright right now". Como se vê, por mais orgânicas e interativas que sejam as interfaces dos computadores, ainda falta muito para que eles possam compreender as nuances do ser humano.