
Segunda-feira, 12 de novembro de 2007.
Comentários, dúvidas e sugestões:
sercom@inpi.gov.br
1. Exclusivo: Al Ries faz alerta às marcas brasileiras
2. Para não correr o risco de dormir ao volante
3. Fabricante de chocolate ganha controle de sites com seu nome
4. Paradoxos da inovação
5. Emergentes e inovadores
6. MARKETING: Brastemp e Sadia anunciam parceria
7. Softex começa a mapear setor de software brasileiro
8. Vernor Vinge
9. Bagaço da cana pode ser futuro energético do país
10. Desinteresse pela inovação
11. Web 2.0 cria ambiente de inovação e crescimento para empresas
12. Liberdade e pesquisa
Exclusivo: Al Ries faz alerta às marcas brasileiras volta
Mídia eletrônica: Mundo do Marketing
http://www.mundodomarketing.com.br/
Por Bruno Mello
08/11/2007
As marcas brasileiras correm sérios riscos de serem extintas caso elas não se tornem globais. O alerta é feito por Al Ries, um dos mais respeitados estrategistas de marketing e de marca do mundo em entrevista exclusiva ao Mundo do Marketing. Para o especialista, além de atuarem fora de suas fronteiras, as empresas precisam ser as primeiras a promoverem as mudanças no marketing, sob o risco de ficarem ultrapassadas com a constante mudança do consumidor e da tecnologia.
O autor de best-selles “A Origem das Marcas”, “A Queda da Propaganda” e as “22 Consagradas Leis do Marketing”, esteve no Brasil nesta semana para uma apresentação exclusiva para convidados da LAMAC - Latin American Multichannel Advertising Council - e da ABA - Associação Brasileira de Anunciantes. Na palestra, Ries falou sobre o poder da segmentação e, nesta entrevista, deixou claro a importância do foco em grupos de consumidores e do produto ser o líder em sua categoria.
Para Ries, o que vai determinar o sucesso dos produtos são marcas pioneiras. Para isso, além de criarem produtos e serviços diferentes, elas precisam ter cada vez mais foco e não esquecer da segmentação. Durante a entrevista, o especialista citou pelo menos três vezes o caso de sucesso da Red Bull. Acompanhe.
Desenvolver um produto de sucesso depende, cada vez mais, de muitos compostos de marketing. O que vai determinar o sucesso de um produto daqui para frente?
O mais importante é o ser o primeiro em uma nova categoria. A Red Bull é a primeira em bebida energética. A Starbucks é a primeira em cafeteria premium. Esta é a melhor estratégia para se construir uma marca. Pode ser o primeiro do segmento também, mas a estratégia mais poderosa é ser o primeiro em uma categoria. Quando você é o primeiro, as pessoas percebem você melhor, de forma original e sendo líder. A Coca-Cola é percebida como a melhor porque ela é a primeira em Cola.
Como as empresas podem ser as primeiras em suas categorias?
Geralmente elas estão em primeiro lugar quando inventam uma categoria. É um bom caminho ser visto como o nome de uma categoria de produtos. Quando você pensa na categoria vem o nome do produto. É como o Red Bull, que vem na mente quando se quer um energético. Quando você é o primeiro, você cria a categoria.
É certo afirmar que o consumidor mudou e o ambiente de marketing também deve mudar quase que constantemente na busca pelo lucro?
Concordo com a afirmação de que o consumidor mudou, mas o problema é que as empresas quererem conquistar os consumidores de forma geral e elas não terão sucesso porque estão querendo agradar a todo mundo de forma geral. Estamos vendo, constantemente, marcas sem sucesso porque não são focadas em um segmento, como, de novo, a Red Bull.
Ela é focada fortemente em pessoas jovens, não nos teenages. Se você olha para os consumidores entre 11 e 19 anos, verá como eles mudaram. É como os produtos financeiros, voltados para pessoas acima dos 50 anos, que também mudaram. Então, se você focar desta forma geral, a estratégia não vai funcionar porque as mudanças foram culturais e não na faixa etária. E aí está um dos problemas do marketing que não funciona. O marketing hoje tem que ter o foco na mente do consumidor, específico para cada tipo de consumidor.
Até que ponto a estratégia de uma companhia pode ser alterada no curto prazo, uma vez que a cada dia surgem novas tecnologias que obrigam as empresas a mudarem?
O melhor caminho é a empresa iniciar esta mudança. Desenvolver produtos e serviços que forcem os consumidores a mudarem. Um exemplo é a categoria de alimentos saudáveis que foi desenvolvida nos Estados Unidos. Quando se cria estas mudanças, você pode controlá-las porque geralmente os consumidores só reagem as muitas escolhas no ponto de venda. Há muitos consumidores que não sabem o que querem comprar e aí está uma oportunidade para criar novas categorias de produtos porque eles vão adotá-los. A empresa está fora do caminho certo quando ela olha em volta e vê como as coisas mudaram e se pergunta como ela deve se adaptar a estas mudanças. Ela deve ser uma companhia que faz a mudança.
Como uma marca pode ser construída sem grandes gastos com publicidade?
Você nunca construirá uma grande marca sem comunicação de massa, sem que as pessoas falem dela. Não há como deixar de fazer publicidade, principalmente em algumas categorias de produto. Mas, na maioria delas, pode-se usar algo que as pessoas falem sobre o produto. E este é o segredo da Red Bull, em que as pessoas falam para seus amigos e parentes sobre os benefícios da bebida.
Quais são os desafios para se construir uma marca forte no mundo de hoje?
Uma coisa que não ouvimos muito falar é que, para uma marca ser forte, ela precisa ser global. Quando você vai ao supermercado na Europa, você vê as mesmas marcas que estão nos Estados Unidos. É surpreendente o número de marcas que atuam globalmente em diversas categorias. Por isso, não é suficiente uma marca estar apenas no Brasil porque um dia uma marca global vai vir ao país e tomar o seu negócio. Então, o que deve ser feito é criar a marca em todo mundo e, assim, protegê-la contra ataques.
Uma das melhores e mais fortes marcas do mundo é a Coca-Cola porque ela está no mundo todo. Não importa em que país você viva, você pode comprar Coca-Cola e, geralmente, na maioria dos países do mundo, a Coca-Cola é a número um em sua categoria. Você imagina eu pedindo um outro refrigerante de cola que seja do Brasil? É claro que tem que criar uma marca forte no país, mas o passo seguinte é torná-la global. Um dos problemas do Brasil é que o país é grande e as pessoas se satisfazem em ter 50% do mercado. Aconselho que essas pessoas tornem as suas marcas globais para fortalecer e protegê-las contra concorrentes que entrem no Brasil.
Mas não é preciso um trabalho grande e de alto investimento?
Depende da categoria e da marca. Um dos problemas do Brasil é a língua. Muitos nomes em português não são usuais, as pessoas não conseguem soletrar. Uma das maiores oportunidades no mundo hoje é a cana de açúcar, que tem um produto que é a cachaça (Ries soletra cachacha). Tenho garantias de que ela não se tornará uma marca global porque as pessoas não conseguem falar “cachacha”. Tem que haver um nome que as pessoas consigam pronunciar e que se transforme em categoria. Este é o primeiro passo.
Para não correr o risco de dormir ao volante volta
Óculos com sensores monitoram o movimento das pálpebras do motorista
Mídia eletrônica: Bem Paraná
http://www.jornaldoestado.com.br
Agência Estado
08/11/2007
Há cerca de três anos, o especialista em tecnologia da informação Luiz Edgar Bains, indignado com os preços de itens de segurança e tecnologia para automóveis, resolveu criar um dispositivo barato que combatesse o sono ao volante. O resultado são óculos com sensores que monitoram o movimento das pálpebras do motorista e que, quando chegarem ao mercado, custarão cerca de R$ 50.
A invenção foi registrada em março deste ano no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e tem funcionamento bem simples e eficiente. O motorista que estiver utilizando os óculos e permanecer mais de 2 segundos com os olhos fechados ouvirá um apito estridente emitido por um dispositivo instalado nas hastes.
De acordo com Bains, a idéia é que o produto esteja disponível aos consumidores a partir de janeiro do ano que vem. Ele diz que está em busca de parcerias para reduzir ainda mais o preço final da invenção.
Testamos um protótipo que, de acordo com o inventor, ainda passará por um processo de miniaturização, ou seja, os sensores serão bem menores do que os que aparecem nas fotos desta página. Na versão definitiva, os controles das funções serão acionados em uma das hastes.
As armações serão oferecidas em várias cores e poderão receber lentes corretivas, de acordo com a necessidade do usuário.
Fabricante de chocolate ganha controle de sites com seu nome volta
Australiano queria vender à empresa Lindt sites que usam o nome da marca.
Organização considerou a prática irregular e transferiu as páginas à empresa.
Mídia eletrônica: Portal G1
http://g1.globo.com
08/11/2007
A fabricante suíça de chocolates Lindt venceu uma batalha jurídica na Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI) em um caso de criação irregular de páginas de internet com o nome da marca.
Um australiano queria obter mais de US$ 10 mil na revenda dos endereços, que tinha registrado com o nome da chocolataria suíça em maio, anunciou nesta quinta-feira (8) a OMPI.
O comitê de arbitragem da organização, com sede em Genebra, considerou que as páginas foram criadas de maneira irregular e decidiu transferi-las para o grupo suíço.
No processo, a Lindt alertava sobre a confusão que os sites criados pelo australiano (lindtchocolates.biz, lindtruffles.info e lindtchocolates.info) poderiam causar com os próprios endereços registrados pela companhia, como lindt.com e lindt.biz.
Paradoxos da inovação volta
Mídia eletrônica: Agência FAPESP
http://www.agencia.fapesp.br
Por Thiago Romero
09/11/2007
Agência FAPESP – Além de o Estado de São Paulo ter a maior produção científica da América Latina, nos Estados Unidos não há nenhuma universidade que forme mais doutores por ano do que a Universidade de São Paulo (USP) ou a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
A comparação foi feita por Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, no painel “Políticas de inovação e parcerias público-privadas: o que precisa ser feito”, nesta quinta-feira (8/11), na capital paulista, durante o seminário O Desafio da Inovação no Brasil.
Brito Cruz ilustrou com um ranking do número de doutores formados por ano em universidades paulistas e norte-americanas. A USP aparece em primeiro lugar por formar, todos os anos, cerca de 2 mil doutores, seguida da Unicamp, com cerca de 870. Em terceiro aparece a Universidade da Califórnia em Berkeley, com média de 769, seguida da Universidade do Texas em Austin, com 702, e da Universidade da Califórnia em Los Angeles, com 664 doutores formados anualmente.
“Temos capacidade de produzir conhecimento altamente competitivo mundialmente, o que seria suficiente para inovarmos mais. Mas, como o foco da inovação deve estar nas empresas, há forte desequilíbrio no aproveitamento dessa capacidade científica pela indústria nacional”, disse.
Uma das causas é que, do total de cientistas brasileiros, apenas 23% (menos de 20 mil) desenvolvem pesquisas em laboratórios industriais, enquanto que na Coréia do Sul e nos Estados Unidos, por exemplo, cerca de 54% (94 mil) e 80% (790 mil) dos cientistas, respectivamente, estão empregados nas indústrias para o desenvolvimento de produtos e processos inovadores.
Brito Cruz apresentou outros dados que ilustram a relação entre a capacidade da indústria em ter idéias relevantes que podem gerar patentes e o número de cientistas trabalhando em seus laboratórios. “Na Espanha, país cujas condições de trabalho se aproximam das brasileiras e que também não tem nenhuma universidade que forma mais doutores que a USP, Unicamp ou Unesp [Universidade Estadual Paulista], as indústrias têm muito mais capacidade de trabalhar com conhecimento científico do que as paulistas. Naquele país, pouco menos de 60% dos cientistas trabalham na indústria”, destacou.
De acordo com a Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica (Pintec 2005), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um terço das empresas industriais brasileiras, pouco mais de 30 mil, diz fazer algum tipo de inovação, seja em produtos ou processos. O Estado de São Paulo reúne 35,3% das empresas industriais inovadoras e, do total do gasto industrial em inovação em todo o país, mais da metade (55,6%) foi efetuada pelas empresas paulistas.
Além da falta de cientistas na indústria, Brito Cruz afirmou que a desconfiança institucional dos empresários pode ser outra causa potencial da baixa atividade inovativa da indústria brasileira. Ao citar a Lei da Inovação (10.973/04) e a Lei do Bem (11.196/05), o diretor científico da FAPESP ressaltou que, “como as estratégias de inovação das empresas são feitas para durar uma ou duas décadas, a falta de confiança na continuidade dos recursos concedidos por meio dos marcos regulatórios é também um grande problema a ser analisado.”
Carlos Américo Pacheco, secretário-adjunto da Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, também presente no encontro, complementou dizendo que a atividade de inovação no Brasil pode ser comparada com um copo meio cheio ou meio vazio.
“Não tenho dúvida de que fizemos razoáveis progressos nos últimos anos, a começar pela explícita inserção do tema inovação na agenda das instituições públicas e privadas. Mas, por outro lado, nosso desempenho ainda é frágil devido à complexidade das políticas brasileiras de estímulo à inovação”, afirmou.
O seminário foi promovido pelo Woodrow Wilson International Center for Scholars, instituto voltado ao debate de políticas públicas sediado em Washington, nos Estados Unidos, e pela Prospectiva Consultoria Brasileira de Assuntos Internacionais.
Foi o segundo de uma série de três seminários que pretendem avaliar necessidades para mobilizar o potencial brasileiro em inovação e desenvolver uma agenda sobre o tema, que será distribuída aos representantes de agências governamentais, empresas e comunidade científica.
Emergentes e inovadores volta
Mídia eletrônica: Agência FAPESP
http://www.agencia.fapesp.br
Por Thiago Romero
12/11/2007
Agência FAPESP – As atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D), requisito básico para a inovação tecnológica, estão se tornando globais e, por isso, os investimentos para sua implementação não estão mais circulando apenas entre países da Europa, nos Estados Unidos ou Japão: há muitas empresas migrando para o território fértil de potências emergentes como Índia e China.
“Nos últimos cinco anos, os dois países, que tinham cerca de 200 laboratórios de P&D implementados em indústrias, ganharam pelo menos outros 600, o que lhes permite ter planos ambiciosos para o futuro. Sobretudo na China, cada uma dessas fábricas pode ser considerada uma universidade que investe em tecnologias de patentes e em cursos de administração das inovações”, disse Kent Hughes, diretor do Programa de Ciência e Tecnologia: América e a Economia Global, do Woodrow Wilson International Center for Scholars, instituto voltado ao debate de políticas públicas para a inovação sediado em Washington, Estados Unidos.
Hughes, que participou do painel “Perspectivas internacionais sobre inovação”, no seminário O Desafio da Inovação no Brasil, na semana passada, em São Paulo, afirmou que são muitas as possibilidades de cooperação em P&D entre os dois países em vários setores industriais, com destaque para fármacos, medicamentos, saúde e nanotecnologia.
“A China já está em segundo lugar no ranking mundial de publicações científicas sobre nanotecnologia, ficando atrás apenas dos norte-americanos", disse o especialista, que coordena estudos sobre sistemas de inovação na China e na Índia.
Um dos planos mais audaciosos que envolve esses países, segundo ele, é um projeto do governo chinês para implantação de universidades nos Estados Unidos, principalmente em Michigan, um dos estados líderes no país em indústria de manufaturação. “No início da década de 1990, a China começou a olhar para a economia mundial, criou uma base sólida de educação superior e agora quer ampliar seu ensino para outros países”, disse Hughes.
Ao mesmo tempo, os institutos indianos de tecnologia têm formado especialistas de nível mundial e exportado recursos humanos para nações desenvolvidas, especialmente em software e equipamentos de tecnologia da informação.
“Os Estados Unidos têm feito muitas terceirizações para a Índia, aumentando a capacidade da economia digital e fazendo emergir serviços como a arquitetura avançada de design de chips daquele país”, destacou.
Calcula-se que China e Índia formem, respectivamente, por volta de 300 mil e 200 mil engenheiros por ano. “E nossos levantamentos mostram a existência de cerca de 6 mil novos engenheiros dos dois países circulando todos os anos nos Estados Unidos. A maioria é formada por profissionais teóricos, e não por pessoas aptas a resolver problemas pragmáticos. Mas sabemos que, devido ao alto nível desses engenheiros, eles levam apenas três meses para se adaptar à abordagem de multinacionais como a Microsoft, por exemplo”, afirmou Hughes.
Para ele, por conta do crescimento de pesquisas inovadoras realizadas na China e na Índia e pela atuação de cientistas desses países em outras regiões, as grandes companhias, como IBM ou Microsoft, “que eram chamadas de empresas multinacionais, devem a partir de agora ser reconhecidas, assim como as instituições de ensino, como empresas globalizadas que estão modificando todo o sistema mundial de inovação e a dinâmica das atividades de P&D”.
MARKETING: Brastemp e Sadia anunciam parceria volta
Gazeta Mercantil
10/11/2007
SÃO PAULO, 9 de novembro de 2007 - A Brastemp e a Sadia, marcas líderes na preferência dos consumidores e Top of Mind em suas áreas de atuação, anunciam uma parceria exclusiva para o desenvolvimento de ações, promoções e até produtos para seus consumidores em todo o País. As empresas trabalharão em conjunto evidenciando as características e sinergias entre seus produtos e a relação entre as duas marcas. Contarão ainda com a oportunidade de uma forte troca de informações sobre o consumidor por meio dos seus serviços de SAC ou pesquisas, além do desenvolvimento de produtos em conjunto.
A primeira iniciativa das marcas, que terá início no dia 10 de novembro, reunirá duas grandes novidades lançadas no último mês para os amantes da pizza: a Pizza para Microondas Sadia e a nova linha de microondas Brastemp com a exclusiva Tecla Do Meu Jeito. Durante o mês de novembro, a parceria dará o primeiro passo com o lançamento da Promoção Brastemp-Sadia em algumas lojas da Rede Carrefour. Para a promoção foram selecionadas 39 lojas da rede, localizadas na Grande São Paulo. Durante um mês, qualquer consumidor que adquirir um dos seis novos modelos de microondas da Brastemp com a Tecla do Meu Jeito mais duas Pizzas para Microondas Sadia, em uma das lojas selecionadas, será presenteado com dois pratos exclusivos de cerâmica no formato de uma fatia de pizza. Para retirar o prêmio, o consumidor deverá apresentar o comprovante das compras no SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) da loja. A promoção terá duração até o dia 10 de dezembro ou enquanto durarem os estoques.
Além da promoção, será realizada uma ação nas lojas participantes por meio das promotoras Brastemp, que explicarão sobre os produtos e realizarão a degustação das Pizzas para Microondas Sadia nos microondas Brastemp no setor de Eletrodomésticos das Lojas Carrefour.
'O objetivo da parceria é gerar valor para ambas as marcas, tendo como premissas principais a otimização dos investimentos, o incremento do volume de vendas, e o fortalecimento das marcas junto aos públicos prioritários', afirma Fernanda Oru', gerente de marketing que atende interinamente pela diretoria de marketing da Sadia em nota. (Redação - InvestNews)
Softex começa a mapear setor de software brasileiro volta
Mídia eletrônica: TI Inside
http://www.tiinside.com.br
09/11/2007
A Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex) anunciou que vai mapear o setor de software por meio da criação do Sistema de Informação da Indústria Brasileira de Software e Serviços (SIBSS), que foi apresentado no Painel de Compromisso, encerrado nesta sexta-feira (9/11), em São Paulo.
O próximo passo agora será mobilizar e sensibilizar as empresas, fornecedoras potenciais de dados ao SIBSS, para a importância de participar do projeto, segundo Virgínia Duarte, gerente de projeto da Softex. “Queremos fazer isto utilizando o apoio das entidades de classe e dos Agentes Softex”, esclarece.
Ao fazer um balanço do encontro, a executiva destacou que cerca de 50 mil empresas constituem, atualmente, a indústria brasileira de software e serviços, lembrando que 97% desse universo é formado por empresas com menos de 20 empregados. “A formação de um banco de dados confiável só trará benefícios a todos os envolvidos, inclusive o governo federal, que poderá desenvolver políticas especiais para o setor, a partir da radiografia que o sistema irá permitir”, disse Virgínia.
Ela conta que o SIBSS, que é coordenado pela Softex e conta com recursos e apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia, através da Secretaria de Política de Informática (Sepin), surgiu da necessidade de acesso a dados básicos sobre a indústria brasileira de software e serviços de maneira consistente e periódica.
Para conceber o sistema e analisar os dados coletados, a Softex conta com a participação de uma equipe formada por seis consultorias, cada uma delas responsável por um dos seus subsistemas: caracterização do ofertante de software e serviços; o mercado consumidor de software e serviços; a capacitação da força de trabalho, P&D, inovação, qualidade e produtividade; as políticas governamentais, questões tributárias, propriedade intelectual e fomento; tecnologias em áreas pré-selecionadas; e a imagem do software brasileiro.
Para que o levantamento seja ainda mais preciso e reúna o maior volume de dados possível, a Softex já firmou acordos de cooperação com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) e a Embrapa Informática. A entidade espera, em breve, fechar acordo com outras instituições, inclusive organismos governamentais. “Também queremos muito trabalhar em colaboração com os Agentes Softex e com entidades como a Abes (Associação Brasileira de Empresas de Software) e a Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação, Software e Internet (Assespro)”, informa Virgínia.
O SIBSS tem como objetivo buscar um padrão conceitual e metodológico, o alinhamento dos dados a padrões internacionais e a inclusão do Brasil em levantamentos estatísticos realizados por organismos como a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). “É importante destacar que o SIBSS não é um projeto de uma instituição só. Ele está sendo construído por todos aqueles que estão preocupados e comprometidos em saber quem somos, quais as nossas competências e as nossas necessidades”, conclui Virgínia. Da Redação
Vernor Vinge volta
Autor do conceito de singularidade tecnológica e de idéias que vêm influenciando figuras como Ray Kurzweil, o matemático Vernor Vinge especula sobre onde a atual demanda por rapidez pode nos levar.
Mídia eletrônica: Com Ciência
http://www.comciencia.br
Por Cristina Caldas
10/11/2007
“O que acontece se reduzirmos para zero o tempo para finalizarmos todas as tarefas? O que faremos depois?”, questiona e nos faz refletir Vernor Vinge. Professor aposentado, desde 2002, da Universidade de San Diego, nos Estados Unidos, o matemático Vinge ficou bastante conhecido por seu ensaio A singularidade tecnológica. Publicado em 1993, o ensaio traça cenários das conseqüências do crescimento tecnológico, e apresenta conceitos e idéias que vêm influenciando figuras como Ray Kurzweil, o polêmico autor de A era das máquinas espirituais.
Como escritor de ficção científica, foi premiado quatro vezes com o Hugo Awards, concedido anualmente pela sociedade mundial de ficção científica. A fire upon the deep e A deepness in the sky foram os livros premiados. O seu conto True names, publicado em 1981, ganhou notoriedade por ter sido uma das primeiras histórias que apresentou o conceito de cyberspace, tornando-se posteriormente o ponto central de livros de William Gibson e Neal Stephenson.
Nesta entrevista, concedida à ComCiência, Vinge fala sobre o estilo de vida sempre ocupado dos humanos, apontando a agricultura e a iluminação de ambientes fechados como o início das ações cada vez mais rápidas. Conta o que é e como surgiu a idéia da singularidade tecnológica e comenta sobre os impactos do avanço tecnológico em nossas vidas.
ComCiência - Não é um paradoxo o fato de tecnologias permitirem ações cada vez mais rápidas, desde comunicação, deslocamento, alimentação, e o homem ter, cada vez mais, menos tempo livre?
Vernor Vinge – Essa é uma discussão que remete no mínimo à invenção da agricultura, que nos forneceu alimento para ficarmos mais ativos, e da iluminação de ambientes fechados, que permitiu que trabalhássemos à noite. Acredito que haja estudos mostrando que humanos são as criaturas macroscópicas mais ativas, mais até do que formigas e abelhas. Ao contrário da maioria das outras criaturas, nós temos formas de abastecimento próprias para tal atividade. Biologicamente, não acho surpreendente que tiremos vantagem dessa habilidade. Muitas culturas contemporâneas impõem, além disso, regras morais encorajando tal atitude. Se a liberdade do homem aumenta, seria então de se esperar que houvesse tolerância para que pessoas ou grupos sociais escolhessem trocar mais lazer por menos riqueza. Mas eu suspeito que a maioria das pessoas não faria essa escolha até sentir que suas vidas seriam menos ameaçadas pela pobreza.
ComCiência - O editorial do presente dossiê termina com a seguinte frase: “A velocidade é um valor caro ao presente, avesso ao passado e arrogante de futuros”. Qual sua opinião sobre isso?
Vinge – Eu acho que a palavra “velocidade” tem muitos significados diferentes, até mesmo em relação à tecnologia, que não se encaixam exatamente na descrição acima. Por exemplo:
“Velocidade” do transporte: se o custo permanecer fixo (ou diminuir), então as pessoas de todas as eras ficariam gratas pelo aumento desta velocidade. Se o custo aumentar junto com o aumento da velocidade do transporte, aí a crítica cultural seria muito mais justificada.
"Velocidade" da computação: Uma aceleração de mil vezes em um dispositivo computacional geralmente produz uma mudança comportamental qualitativa, que pode não parecer aceleração, mas ao contrário, é a abertura de novas possibilidades comportamentais e uma considerável diminuição de custos na computação. Trata-se de uma clara continuação da tendência de produtividade dos últimos séculos, trazendo melhorias objetivas às vidas das pessoas. Um corolário desse dito aumento de velocidade é que é possível ter velhas velocidades por preços mais baixos, o que significa ter categorias inteiras de produtos tornando-se mais baratas. Isto se manifesta em outra marca do nosso tempo: a tendência à ubiqüidade da computação e networking.
"Velocidade" na comunicação: mesmo comentário do ponto anterior. Além do mais, as pesssoas usam “velocidade da comunicação” para significar, abusando um pouco da linguagem, o número de bits transmitidos por segundo. Um aumento de mil vezes nessa quantidade torna possível melhorias qualitativas na habilidade humana em conhecer uns aos outros e rastrear acontecimentos.
"Velocidade" da mudança tecnológica: O que uma pessoa precisa saber muda tão rápido que é impossível manter-se atualizado. À primeira vista, este pode parecer um problema limitante, uma vez que a mudança tecnológica acontece mais rapidamente do que os inovadores conseguem inovar, então não deveria o progresso acontecer mais lentamente? Talvez. Depende de quem (ou o quê) os inovadores realmente são.
Quando velocidade significa “tempo para completar uma tarefa”, há uma questão filosófica: “O que acontece se reduzirmos para zero o tempo para finalizarmos todas as tarefas? O que faremos depois?”. Essa questão não é realista, mas como reductio ad absurdum, é interessante. Há muitas tarefas da vida moderna que são realizadas tão rapidamente e de forma transparente, que muitas pessoas nem se dão conta delas. O tempo livre é usado para tarefas que sobram. Há algumas tarefas que não queremos terminar imediatamente, ou que gostaríamos de realizar mais devagar. Decidir quais são essas tarefas é um importante aspecto de definição da nossa humanidade.
Há uma sobreposição entre competição econômica e as várias noções de velocidade. Mas muitos dos resultados dessa competição são coisas que nós, da raça humana, realmente precisamos para sobreviver.
ComCiência – O que significa “singularidade tecnológica”?
Vinge – Parece razoável que com a tecnologia possamos, em um futuro próximo, criar - ou nos tornarmos - criaturas que ultrapassem os seres humanos nas dimensões intelectual e criativa. Eventos que vão além disso são tão inimagináveis para nós quanto uma ópera é para um verme.
ComCiência – Como surgiu essa idéia? Como o senhor percebe a apropriação desse conceito por autores como Kurzweil?
Vinge – Essa idéia surgiu em um conferência sobre inteligência artificial (IA), realizada em 1982. Quando se discute IA é comum a pergunta: “haverá um dia uma máquina tão inteligente quanto o ser humano?”. Ocorreu-me que a pergunta mais interessante seria “se uma máquina vier a ser tão inteligente quanto um ser humano, o que ocorrerá imediatamente após este fato?”. Isso traria uma mudança global muito maior, grosseiramente comparável com o surgimento do ser humano no reino animal – e a conseqüência seria tão distinta de qualquer mudança tecnológica ocorrida no passado. Daí o termo singularidade. Acredito que Ray Kurzweil e eu temos noções similares da singularidade.
ComCiência - A inteligência dos computadores parece não ter acompanhado as previsões de aceleração nos últimos 10 anos. Como o senhor vê esse panorama recente e como projeta a aceleração para os próximos anos? Ainda é possível afirmar um crescimento exponencial?
Vinge – Na verdade, penso que os cientistas da computação têm sido bastante conservadores em suas previsões dos últimos 10 ou 15 anos. As mais extraordinárias previsões de IA foram feitas nos anos 1960 e 1970. Acredito que o progresso atual é consistente com as estimativas de pessoas como Hans Moravec e Ray Kurzweil, e também com as possibilidades por mim apresentadas. Entretanto, ao menos no meu caso, não tenho claro quais dos vários caminhos para a singularidade é o mais provável de acontecer. Há também forte possibilidade de que a singularidade não ocorra, apesar de eu achar que esta é a mais provável das possibilidades não-catastróficas para este século. Para possibilidades catastróficas, vale a pena ler o livro Hora final - alerta de um cientista, de Martin Rees.
ComCiência - Bill Joy, em artigo publicado na Wired em 2000, mostrou-se preocupado com as dimensões éticas da tecnologia e da aceitação passiva dos avanços tecnógicos em nossas vidas. O senhor concorda que essa discussão deva estar presente?
Vernor Vinge – Sim. Tecnologia atrái para si risc os desmedidos e possibilidades positivas. Mas sem tecnologia, a calamidade é praticamente inevitável. É muito importante considerarmos vários cenários. Ao mesmo tempo, soluções comandadas de forma centralizada são provavelmente inevitáveis. Sucesso e sobrevivência dependem, provavelmente, de alguma combinação de inteligência e boa-vontade de uma grande porcentagem da raça humana.
ComCiência - Nos países em desenvolvimento, como o Brasil, a aceleração tecnológica é diferente?
Vinge – Países em desenvolvimento como o Brasil - aqueles com tecnologia e número crescente de pessoas educadas, criativas e participativas - têm ao menos uma vantagem em relação ao Velho Mundo tecnológico (Estados Unidos, Europa, Japão etc). Em países como o Brasil não deve haver tanto investimento em infra-estrutura de velhas tecnologias. Assim, seria mais fácil mover-se em direção a uma nova infra-estrutura. Comunicação é provavelmente o exemplo mais óbvio disso.
ComCiência - Como fica a questão de patentes nesse contexto?
Vinge – Sobre as patentes e outras questões de propriedade intelectual, há uma revolução em progresso nessas áreas. Cenários extremos são possíveis, e eu não tenho idéia de qual deles ocorrerá. No entanto, há pessoas que querem usar a tecnologia para tornar a propriedade intelectual até mais difundida e permanente. Parece-me que esses regimes impostos tecnologicamente seriam, provavelmente, tiranos e trabalhariam contra as razões sociais originais das leis de propriedade intelectual.
ComCiência - Agora colocando-se como escritor de ficção científica, o senhor poderia especular sobre onde essa forte demanda por rapidez em nossas vidas vai nos levar?
Vinge – Obrigado por usar a palavra “especular” ao invés de “prever”. Não acho que seja possível saber o futuro relativo a essas questões. O livro do Nassim Nicholas Taleb, The black swan, é merecidamente popular por explicar o motivo pelo qual a previsão é um objetivo irracional para questões sociais e tecnológicas.
Por outro lado, a especulação – imaginar cenários consistentes e prováveis juntamente com seus sintomas e conseqüências – é muito importante para a nossa sobrevivência. Em histórias de ficção científica, nós autores fazemos isso principalmente para entreter, mas a idéia de cenários é mais importante de um modo geral: por exemplo, meu ensaio de 1993 poderia ser relacionado com partes da questão da velocidade. Eu descrevo 4 cenários que levam à singularidade tecnológica. No momento, o mais provável parece ser a junção do crescimento da superinteligência para além da humanidade, os bancos de dados e a s redes de trabalho.
A população capacitada do mundo é uma força intelectual muito maior do que qualquer coordenador de planejamento do governo. Isto é muito parecido com a história que eu conto no meu romance Rainbows end.
Deveríamos também pensar sobre outros cenários (não-singularidade), projetando com base nos sintomas que vemos, sempre tentando manter nossas opções mais flexíveis possível.
Bagaço da cana pode ser futuro energético do país volta
Mídia eletrônica: A cidade
http://www.jornalacidade.com.br
12/11/2007
Um estudo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP) avançou mais um passo na corrida pela hidrólise enzimática (reação microbiana que permite a liberação dos açúcares utilizados na fermentação) com o bagaço de cana. Esse processo biológico é objeto de interesse de diversos centros de pesquisa no Brasil e tem como objetivo permitir nova fermentação da matéria-prima vegetal, após a moagem da cana na usina para produzir açúcar e álcool.
A pesquisa foi iniciada há três anos em Piracicaba. Consiste em introduzir fungos da classe dos basidiomicetos para fazer a hidrólise enzimática e reaproveitar a celulose contida no bagaço. Segundo a professora Sandra Cruz, coordenadora do estudo, os resultados obtidos no laboratório têm sido promissores. A experiência está em fase inicial, mas pretende dobrar a produtividade da cana sem aumentar as áreas de plantio, quando for concluída.
Abundância
Da moagem de uma tonelada de cana, a usina produz, em média, 153 quilos de melaço (açúcar e etanol), 165 quilos de palha e 276 quilos de bagaço. Essa matéria-prima é abundante, de baixo custo e está disponível em grandes quantidades no País. Em comparação com outras biomassas existentes no Brasil, como a soja e o dendê, o bagaço de cana é o mais rico em celulose e essa propriedade desperta grande interesse científico e empresarial.
Desde a década de 70, as usinas brasileiras queimam o bagaço para gerar eletricidade. A energia obtida impulsiona as turbinas e o complexo industrial da propriedade. Torna, assim, a usina auto-suficiente em energia na época da safra (abril a novembro), período que coincide com o de baixos níveis de água nos reservatórios das hidrelétricas. “A hidrólise enzimática pode ampliar o uso do bagaço sem prejudicar a geração de eletricidade”, avalia Sandra. “Essa matéria-prima é usada para produzir ração animal. No futuro, irá atender aos diversos segmentos industriais, como polímeros (plásticos especiais) e à alimentação humana”, prevê.
Processo de hidrólise
A pesquisadora Sandra observa que a barreira tecnológica da hidrólise já foi vencida em alguns laboratórios de empresas brasileiras e estrangeiras. A técnica emprega enzimas produzidas nos Estados Unidos e na Dinamarca, principal produtora. No entanto, o custo de importação encarece e dificulta sua disseminação no Brasil.
“Seguimos um caminho paralelo ao já obtido. Nos dois processos, o fungo sintetiza as enzimas. No entanto, em vez de usar o material importado, introduzimos no bagaço colônias inteiras dos microorganismos, produzidos na Esalq. A partir daí, um processo biológico dos fungos degrada a lignina e libera as moléculas de glicose existentes”, explica Sandra.
Desinteresse pela inovação volta
O Estado de São Paulo
12/11/2007
Enquanto nos países desenvolvidos as atividades de pesquisa e desenvolvimento tecnológico são cada vez mais impulsionadas pela iniciativa privada, no Brasil elas continuam se circunscrevendo predominantemente ao setor público. Na França, por exemplo, 53% dos cientistas trabalham para empresas particulares. Nos Estados Unidos e na Coréia do Sul, esse porcentual já está próximo dos 80%. Entre nós, porém, apenas 16% dos pesquisadores atuam na iniciativa privada. Os 84% restantes trabalham em universidades públicas ou em órgãos governamentais, como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica e o Centro de Energia Nuclear na Agricultura.
O resultado acaba sendo paradoxal: apesar do aumento dos investimentos do País em pesquisa e desenvolvimento, que pode ser constatado pela ampliação do número de doutores formados por universidades de ponta e pela elevação do número de artigos publicados por cientistas brasileiros em conceituadas revistas especializadas internacionais, as empresas nacionais continuam enfrentando dificuldades para incorporar as inovações científicas aos seus negócios e, com isso, ganhar produtividade, lançar novos produtos e conquistar novos mercados.
Trocando em miúdos, embora a ciência avance, “ela não vira Produto Interno Bruto”, como afirma o físico Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor-científico da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp), uma das mais importantes agências de fomento ao desenvolvimento tecnológico do País. Isso acontece, diz ele em importante estudo recentemente divulgado pelo Estado, por causa da incapacidade de governos e empresários de construírem “pontes” entre o mundo da ciência e a realidade dos mercados.
Os cientistas fazem pesquisa de ponta, mas as empresas não sabem utilizar o potencial de inovação propiciado pelos institutos do setor público. E, como são elas que geram riquezas, o avanço da ciência não tem os efeitos que poderia ter no aumento da produção e na criação de novos postos de trabalho.
Segundo Brito Cruz, só quando o setor produtivo passar a registrar aproveitamentos significativos da inovação científica é que a economia brasileira reunirá condições para crescer num ritmo mais acelerado do que o atual. Para isso é indispensável a contratação de maior número de cientistas e pesquisadores e a presença de empresários nos principais órgãos deliberativos das universidades de ponta, assim como a modernização da legislação. Sancionada há dois anos com o objetivo de incentivar as empresas particulares a investirem em ciência e tecnologia, a Lei da Inovação Tecnológica foi o primeiro passo nesse sentido.
Mas, como lembra o diretor-científico da Fapesp, ainda há muitos desafios pela frente e a expansão da ciência e da tecnologia não pode ficar na dependência de financiamento direto do poder público. Para vencer esses desafios, uma saída seria adotar medidas inspiradas na bem-sucedida política posta em prática pela Finlândia e pela Suécia. Nas últimas décadas, indústrias desses países se tornaram líderes mundiais nas áreas em que as inovações são quase diárias, tais como a informática e a telefonia.
Graças a um engenhoso sistema de estímulos fiscais, à criação de comitês científicos, constituídos por professores universitários, pesquisadores e executivos de grandes empresas, e ao compromisso dos governantes de manter intocadas as “regras do jogo”, nos dois países a iniciativa privada pôde aumentar significativamente os investimentos em tecnologia. E, à medida que se converteram nos principais empregadores de cientistas e pesquisadores, as empresas finlandesas e suecas em pouco tempo se tornaram grandes conglomerados mundiais.
No Brasil, conforme reportagem recentemente publicada no Estado, muitas empresas têm interesse em firmar acordos com universidades públicas, mas esbarram em problemas que vão da falta de comunicação ao anacronismo da legislação. Nas agências públicas de fomento à pesquisa já não predomina o preconceito ideológico que condena parcerias com a iniciativa privada, mas elas reivindicam leis mais modernas para poderem formalizar acordos. E falta, enfim, um marco regulatório que encoraje o setor produtivo nacional a aumentar seu peso relativo em matéria de inovação tecnológica.
Web 2.0 cria ambiente de inovação e crescimento para empresas volta
Mídia eletrônica: Segs
http://www.segs.com.br
12/11/2007
Os conceitos de Web 2.0 podem criar ambientes de maior interação e um alto nível de inovação através da colaboração entre funcionários, consumidores ou mesmo empresas, sejam elas de quaisquer áreas de atuação. No entanto, muitas organizações não sabem como aproveitar possibilidades como esta. Para esclarecer os conceitos da Web 2.0 e deixar claro o seu papel central nos processos de inovação, o Gerente de Tecnologia para Colaboração, Portais e Web 2.0 da IBM Brasil, Mario Costa, irá participar do Fórum de Inovação Tecnológica, realizado nos dias 22 e 23 de novembro.
Segundo o gerente da IBM, a Web 2.0 é um conceito: agregar arquitetura de software como serviços, interfaces mais ágeis e amigáveis e tirar proveito das comunidades para alavancar os negócios. "Os diferenciais que a aplicação deste conceito pode proporcionar aos negócios são muitos, mas destacam-se o fomento a colaboração e a inovação, que são temas fundamentais para a competitividade e envolvem todos os aspectos do negócio", afirma Costa.
Desse modo, a Web 2.0 tem o poder de incentivar o processo de inovação nas organizações a partir do fortalecimento das relações entre pessoas ou mesmo entre empresas. "Ela ajuda a criar novas conexões entre as pessoas, fortalecendo a rede social. Através do fortalecimento da rede social há um aumento da colaboração e o aumento de colaboração facilita o processo de inovação", explica. "Este processo pode ocorrer tanto dentro das empresas como entre empresas, e ainda entre empresas e consumidores", finaliza Costa, lembrando que a participação ativa dos consumidores e de parceiros do negócio são dois grandes catalisadores da inovação.
Os conceitos de Web 2.0 têm sido adotados por um número cada vez maior de organizações. Pesquisa recente da consultoria americana McKinsey aponta que 70% de um conjunto de 700 empresas de todo o mundo utilizam esses conceitos em seus negócios, seja interna ou externamente. A IBM, por exemplo, utiliza esses conceitos para influenciar diretamente a elaboração de parte de seus produtos.
Com 20 anos de experiência em TI, Costa afirma que os clientes das organizações que utilizam Web 2.0 também tiram proveito das inovações, tanto de forma direta quanto indireta. "De forma direta por obterem produtos e serviços mais atraentes e, eventualmente, a custos mais baixos, mas também por passarem a contar com a colaboração e dicas de outros clientes para, assim, obter o máximo valor do produto ou serviço adquirido", afirma. O benefício indireto seria permitir aos consumidores participar ativamente do próprio processo de inovação, o que levaria a produtos mais adequados às suas necessidades.
O gerente da IBM participará do Fórum de Inovação Tecnológica ministrando a palestra "O papel dos conceitos de Web 2.0 no contexto da Inovação", no dia 22, quinta-feira. O evento é promovido pela Associação dos Usuários de Informática e Telecomunicações de Santa Catarina (SUCESU-SC). Inscrições e maiores informações no site www.sc.sucesu.org.br.
SERVIÇO
O que: Fórum de Inovação Tecnológica
Quando: 22 e 23 de novembro
Onde: Sede dos CORREIOS - São José – SC
Informações: www.sc.sucesu.org.br
Liberdade e pesquisa volta
Cientistas encaram com alarme iniciativas para barrar experimentos com animais e células-tronco embrionárias humanas
Folha de São Paulo
12/11/2007
UM CRITÉRIO para julgar o grau de civilização de um povo, já se disse, está no modo como trata seus animais. Em plena era do conhecimento, e a julgar por iniciativas jurídicas recentes no Brasil, seria o caso de incluir nesse critério também o tratamento reservado aos cientistas: são cada vez mais freqüentes tentativas de cercear a pesquisa com regulamentos inspirados em valores particularistas, da religião ao sentimentalismo com animais.
No Rio de Janeiro, uma lei municipal (nº 4.685) chegou a ser sancionada -com erros- pelo prefeito Cesar Maia (DEM). O projeto do vereador Cláudio Cavalcanti (DEM) prescrevia multa para maus-tratos com animais, mas havia sido emendado em plenário para isentar a pesquisa. Por erro da Câmara Municipal, foi enviado para sanção na versão original, equívoco anulado depois por ato administrativo.
Enquanto persistiu a confusão, pesquisadores da cidade, como os da renomada Fundação Oswaldo Cruz, concluíram que seus trabalhos se tornavam inviáveis. A definição de maus-tratos, afinal, era ampla o bastante para abrangê-los: "privação das necessidades básicas, sofrimento físico, medo, estresse, angústia, patologias ou morte".
Iniciativas como essas há muitas pelo Brasil. Em São Paulo, o então deputado estadual Ricardo Tripoli (hoje deputado federal pelo PSDB) também fez vingar um Código de Proteção aos Animais (lei estadual nº 11.977), que dificultava até a pecuária ao proibir o confinamento de animais. Vários dispositivos do código, inaplicável, foram suspensos pelo Tribunal de Justiça.
As pessoas têm uma compreensível empatia com o sofrimento de animais. Sentem repulsa diante de procedimentos que possam causar estresse, dor ou até a morte de cobaias. Mas, infelizmente, não existem métodos alternativos ao emprego de animais em vários estudos imprescindíveis para criar tratamentos destinados a curar seres humanos. A saída para esse dilema ético é estabelecer regras que minimizem o dano sem impedir o avanço do conhecimento.
Cientistas não negam a necessidade dessa regulamentação. Batalham há 12 anos para aprovar na Câmara dos Deputados o projeto de lei nº 1.153, que daria ao país regras similares às de países com pesquisa biomédica digna de menção (nenhum proíbe usar animais). É preciso aprovar um estatuto que proíba todo sofrimento desnecessário, que obrigue ao uso de anestésicos e responsabilizando pesquisadores por eventuais abusos.
Os pesquisadores também voltam sua atenção, agora, para o Supremo Tribunal Federal. Em dezembro estará em julgamento ação direta de inconstitucionalidade (nº 3.510) apresentada pela Procuradoria Geral da República, sob clara inspiração católica, para barrar a pesquisa com células-tronco embrionárias humanas. Seu uso foi autorizado, em condições já bem restritivas, pela nova Lei de Biossegurança (nº 11.105), mas é dada como inadmissível por grupos religiosos.
Câmara e Supremo estão convocados a explicitar qual valor de civilização atribuem à ciência.