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27/05/2008

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Terça-feira, 27 de maio de 2008.
Comentários, dúvidas e sugestões:
sercom@inpi.gov.br

 

1. A extemporânea Unasul já nasce com divisões
2. Mangabeira quer incentivo fiscal para indústria sustentável na Amazônia
3. O que se pode esperar das células-tronco
4. OMS fecha acordo para quebra de patentes de remédios
5. Inovação abre fronteiras no agronegócio
6. Cultura inovativa
7. Produção 100% nacional
8. Educação Corporativa é tema de encontro que une Brasil e Europa em Portugal
9. Consumidor deixa de ver preços e prefere produtos de melhor qualidade
10. O management do intangível
11. Prêmio Finep de Inovação 2008 abre inscrições
12. OMPI realiza seminário sobre propriedade intelectual em Curitiba

 

 

A extemporânea Unasul já nasce com divisões Volta

Mídia Impressa: Valor Econômico
Editorial
27/05/2008

A União das Nações Sul-Americanas nasce com o Mercosul politicamente estagnado e a Comunidade Andina em frangalhos, quase às voltas com uma guerra entre vizinhos. Nestas condições, é bastante claro que se trata de uma iniciativa em que a vontade suplanta a realidade e que estará condenada ao marasmo. Há inegáveis vantagens em buscar uma integração política e econômica do continente, desde que ela não seja fruto de artificialismos como os que deram origem à Unasul.
 
Politicamente, a América do Sul vive momentos de razoável instabilidade, patrocinada por governos democraticamente eleitos que tentam escapar dos mecanismos democráticos de controle e decisão, como os de Hugo Chávez, na Venezuela, Evo Morales, na Bolívia e Rafael Correa, no Equador ou até mesmo o de Álvaro Uribe, empenhado em uma terceira reeleição, quando a Constituição de seu país não permite sequer uma. A belicosidade entre os "bolivarianos" Chávez e Correa para com o colombiano Uribe levou os dois países à beira de um conflito armado há pouco. Tão grave quanto a iminência de uma guerra foram as revelações obtidas por meio da apreensão do computador de Raúl Reyes, um dos líderes das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas mortos durante uma incursão de tropas em território venezuelano. Sua autenticidade foi comprovada pela Interpol - o que não indica que os fatos ali apontados sejam verdadeiros. Eles indicam que o governo venezuelano teria financiado compra de armas para as Farc e sugerem relacionamento constante de membros do governo de Chávez e de Correa com a guerrilha colombiana. 

As Farc são um divisor de águas político na região, que precisa ser ultrapassado para que qualquer idéia de integração possa prosperar. Uribe exigiu, para se comprometer com a criação de um Conselho de Defesa da região, que a guerrilha fosse considerada um grupo terrorista, definição que é claramente rejeitada pelos chavistas e da qual o governo brasileiro foge sempre que pode. O próprio Conselho de Defesa, adiado, é um delírio burocrático ou coisa pior. Não há inimigo externo a combater, enquanto que a ameaça maior é de um choque entre países vizinhos com objetivos territoriais e políticos incompatíveis. O combate à força desestabilizadora do narcotráfico teria de ser um objetivo comum dos governos. Não é. 
Em termos econômicos, as perspectivas de integração estão igualmente longínquas. A adesão de Chávez ao Mercosul foi feita às pressas, enfrenta oposição e ainda não se consumou. Uma vez consumada, tem tudo para acirrar ainda mais as divergências que paralisam o bloco quase que desde sua criação. Há contestação do Mercosul por parte dos sócios menores, como o Uruguai de Tabaré Vázquez, que agora ganhará maior dinamismo com a eleição de Fernando Lugo no Paraguai. Há atritos entre os dois sócios maiores, como Argentina e Brasil. E há atritos entre sócios maiores e menores, como o da Argentina com o Uruguai na questão da operação de papeleiras na fronteira com a Argentina - e as tentativas seguidas do governo uruguaio de se bandear para o lado dos Estados Unidos, com os quais assinaram um acordo de investimentos. 

Buscar integrar os países da Comunidade Andina não garantirá mais coesão econômica ao Mercosul - talvez ocorra o contrário. Peru e Colômbia têm acordos de livre comércio com os EUA e o Chile tem uma vasta coleção de acordos comerciais bilaterais. Nenhum desses três países têm entre seus principais interesses amarrar-se ao Mercosul, embora possam com ele nutrir interesses circunstanciais. Onde há interesse comum - a integração energética -, é onde há maior divergência política. A Bolívia nacionalizou petróleo e gás, Correa e Chávez têm estes setores sob controle e a Argentina, que precisa desesperadamente de energia, tenta obtê-la às custas do fornecimento ao Brasil. 

A solidificação de laços econômicos poderia abrir caminho para uma aproximação política frutífera dos países sul-americanos. Uma das prioridades dos governos deveria ser, em vez de construir instituições de cúpula artificiais, o de promover o fortalecimento dos blocos regionais de comércio. Por meio deles, pode-se avançar na consolidação gradual de instituições políticas que, mais adiante, propiciariam a integração de fato. A criação extemporânea da Unasul não é o caminho para isso.

 

 


 

 


Mangabeira quer incentivo fiscal para indústria sustentável na Amazônia Volta

Mídia impressa: Valor Econômico
Daniel Rittner e Mauro Zanatta
27/05/2008

O ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, defendeu ontem, em entrevista ao Valor, medidas concretas para aliviar a pressão sobre a Amazônia e estimular uma política de "convergência nacional" no tema. Coordenador do Plano Amazônia Sustentável (PAS), o filósofo prega a concessão de incentivos fiscais para a instalação de indústrias destinadas ao manejo sustentável da floresta e desonerações tributárias para "agregar valor" nas indústrias de transformação agropecuária e extrativista mineral já instaladas na região. 

O ministro defende ainda uma "remuneração adicional" a pequenos proprietários de terras para que ajudem na vigilância e monitoramento das zonas de transição do Cerrado para a Amazônia. Mangabeira também quer reformas no Código Civil para fortalecer a regularização fundiária e fazer um zoneamento ecológico-econômico capaz de impedir o avanço das fronteiras agrícolas sobre a floresta - o que inclui, em princípio, o banimento do plantio de cana em áreas já desmatadas da região.
 
Mangabeira vai levar suas propostas sexta-feira à primeira reunião do Fórum de Governadores da Amazônia Legal, em Belém (PA), sem esquivar-se de questões mais polêmicas, mas em postura conciliadora. "Cultiva-se a impressão de que há uma guerra entre ambientalistas e desenvolvimentistas", afirmou , argumentando que essa tendência escurece o debate sobre a região. "Não temos preservação sem desenvolvimento. A Amazônia não é uma coleção de árvores, mas um lugar em que 25 milhões de pessoas buscam oportunidades e têm aspirações." 
Mangabeira traçou conjuntos de iniciativas para promover o desenvolvimento sustentável na região. Um deles diz respeito à regularização fundiária e ao zoneamento ecológico e econômico. "A Amazônia é hoje um caldeirão de insegurança jurídica", diagnostica. Ele vê a necessidade de simplificação do direito civil sobre a posse da terra, por meio de "uma reforma geral profunda" - que ocorreu, segundo ele, em todos os outros países que enfrentaram a questão. "Duvido que se leve a cabo a regularização fundiária por ato administrativo", completou, em referência indireta à frustrada tentativa de recadastramento feita pelo Incra. "Tudo que construirmos lá será sobre areia movediça. Seremos uma anomalia no mundo se não fizermos isso." 

Quanto ao zoneamento, Mangabeira deixou claro que a Amazônia não pode ser vista como fronteira agrícola e toma posição semelhante à da ex-ministra Marina Silva, que entrou em conflito com a Agricultura ao atacar o aproveitamento de áreas desmatadas para o plantio de cana. "Há atividades econômicas que são conduzidas por grandes empresas que têm uma dinâmica de expansionismo preocupante. Não gostaria de ver (a cana) sequer aproximar-se da floresta amazônica qualquer atividade produtiva que a ameace", disse, ao refoçar que a cana-de-açúcar não está enquadrada na categoria de cultura pouco ameaçadora. 

Em linha com as preocupações do governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, o zoneamento estabelecerá duas estratégias diferentes para a Amazônia - uma da região de floresta e outra das áreas de "savana tropical", como classifica o ministro. Depois, definirá as peculiaridades de cada microrregião. "A solução é compreender a realidade cada lugar", afirmou, sem comprometer-se com a revisão do conceito de Amazônia Legal, defendida pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. 

Questionado sobre sua avaliação da medida do Banco Central que restringe o crédito oficial a produtores sem comprovação de regularidade ambiental e fundiária, Mangabeira não quis ser taxativo, mas sublinhou: "Temos que ser cuidadosos em não confundir a defesa da natureza com uma agressão desnecessária aos interesses da produção. Vamos encontrar um caminho para acomodar esses objetivos legítimos." 

O ministro não vê risco de retrocesso na agenda ambiental e destacou que, antes de criar novas unidades de conservação florestal, o país precisa encontrar uma forma de resguardar melhor as reservas existentes. Cita a ausência de estrutura para cuidar dessas unidades, bem como a proliferação de estradas clandestinas que abrem caminho para o desmatamento. 

Em resumo, para o ministro, só uma minoria da sociedade brasileira enxerga a Amazônia como um "parque". Para promover o desenvolvimento sustentável, não há como fugir da industrialização, observou. "Toda a vez que se fala de industrialização na Amazônia, se faz um escarcéu, como se já não houvesse indústria na região. O problema é que a Zona Franca de Manaus fabrica motocicletas, produz coisas que não têm nada a ver com a floresta tropical. Queremos empresas que tenham produtos associados à riqueza da floresta."

 

 


 

 

O que se pode esperar das células-tronco Volta

Mídia Impressa: Época (num. 0523)
27/05/08

De todas as perguntas que respondo sobre células-tronco (CTs), a mais difícil é: “Em quanto tempo estaremos usando essas células para tratar doenças?”. Apesar de absolutamente natural e justificada – afinal, com sua capacidade de regenerar órgãos e tecidos, as CTs são a grande promessa terapêutica do século XXI –, a pergunta exige uma clarividência desconfortável para qualquer cientista sério, que conhece bem os rumos incertos da pesquisa biomédica. De fato, com elas pretendemos tratar doenças comuns como infarto e diabetes, e nos últimos dez anos cientistas do mundo todo trabalham para transformar essa pretensão em realidade. Porém, até hoje as CTs ainda são usadas somente no tratamento de leucemias e outras doenças raras do sangue, na forma de transplantes de medula óssea e de sangue do cordão umbilical. E as CTs embrionárias, apesar de em animais serem capazes de tratar diabetes, doença de Parkinson e até paralisia por lesão de medula, ainda não foram usadas em nenhum paciente... Pois bem, vou arriscar um palpite. Bem embasado, seja dito: eis aqui o que espero das pesquisas com CTs nos próximos dez anos.

Há algum tempo experimentamos em seres humanos o uso de CTs de medula e de sangue de cordão umbilical no tratamento de várias doenças comuns, incluindo doenças cardíacas, derrame, diabetes e hepatite. Essas células parecem não fazer mal, mas ainda não está claro se fazem algum bem naquelas situações. Nos próximos anos, teremos as respostas desses estudos e saberemos para quais doenças as CTs adultas têm de fato efeito terapêutico.

Já as CTs embrionárias, polêmicas por envolver a destruição de um embrião para sua obtenção (lembrem-se: embriões microscópicos de cinco dias, com cem células, que sobram das fertilizações in vitro), devem no próximo ano sair do laboratório e passar para os testes clínicos em seres humanos. Assim, finalmente poderemos verificar se os importantes efeitos terapêuticos observados em animais se reproduzem nos pacientes, tratando doença de Parkinson ou ajudando um paralítico a recuperar os movimentos.
Em conclusão, nos próximos anos colheremos os frutos de toda pesquisa básica feita com os diferentes tipos de CTs. Saberemos quais células são mais adequadas para o tratamento de quais doenças; qual o valor terapêutico de outros tipos de CTs adultas, como as da gordura e placenta; conseguiremos ensinar uma célula adulta a se comportar como embrionária, evitando a polêmica do “início da vida”.

A partir desse ponto minha bola de cristal começa a ficar nebulosa... Vejo o conhecimento básico sobre biologia humana adquirido nas pesquisas com CTs se traduzindo de formas indiretas em melhora de qualidade de vida; vejo a descoberta de moléculas que induzam a auto-regeneração de membros e órgãos, da mesma forma que uma lagartixa regenera seu rabo cortado; vislumbro algo que parece ser uma medicina digna acessível a toda a população. Mas aqui me aventuro numa área não-científica, e posso estar confundindo clarividência com desejo. O que aparece, sim, com clareza no horizonte do Brasil é um governo com políticas bem definidas de prioridades nas pesquisas com CTs, unindo forças e criando condições para transformá-las numa realidade terapêutica para toda a nossa população.

 

 


 

 

OMS fecha acordo para quebra de patentes de remédios Volta

Organização também decidiu financiar pesquisa de doenças que mais atingem países pobres

Mídia Impressa: O Estado de S. Paulo
AE e Reuters
26/05/2008

GENEBRA - Após cinco anos de negociações, a Organização Mundial da Saúde (OMS) fechou um acordo sobre patentes e acesso a medicamentos. A decisão reconhece o direito dos países de quebrar patentes e estabelece a criação de um grupo de especialistas para que seja desenvolvido um novo mecanismo de financiamento para estimular a pesquisa e o desenvolvimento no setor de saúde. O objetivo desses novos recursos seria financiar a pesquisa de doenças que mais atingem países emergentes.

Na reunião anual dessa agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para o estabelecimento de políticas oficiais, em Genebra, governantes também pediram para a diretora geral da OMS, Margaret Chan, finalizar o plano de incentivos para a produção da indústria farmacêutica que ajude no combate às doenças que mais afetam os pobres.

"Esse é um grande avanço para a saúde pública que vai beneficiar milhões de pessoas por muitos anos", disse Chan ao final dos encontros, que duraram uma semana.

A resolução das patentes pede que Chan "finalize urgentemente os componentes do plano de ações, incluindo as previsões de datas, indicações de progresso e estimação de fundos necessários." Essas determinações serão revisadas na próxima assembléia da OMS em maio de 2009.

Brasil

Pressionada pelo Brasil, que defende o fundo para bancar o acesso a tecnologias no setor de saúde, a entidade foi obrigada a colocar o tema de patentes em sua agenda mesmo sob protesto do governo dos Estados Unidos e da Suíça. Mas ainda permanece longe de uma solução para garantir uma melhoria nas condições de saúde dos países em desenvolvimento.

O Brasil buscava garantir que o direito ao acesso a medicamentos fosse reconhecido e a OMS desse assistência aos governos que quebrassem patentes.Tanto o Itamaraty como o Ministério da Saúde comemoraram o acordo, fechado no fim de semana em Genebra. Mas críticos alertam que, depois de tantos anos de debates, os resultados conseguidos ainda são modestos.

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, defendeu ainda a criação de um novo fundo internacional que seria administrado pela ONU. Sua idéia é que empresas de tabaco, de bebidas e de armas sejam sobretaxadas, e que os recursos financiem o combate contra a malária, o diagnóstico de tuberculose e outras doenças, além da transferência de tecnologias aos países mais pobres.

ONGs

Ativistas da saúde pública aplaudiram o consenso a que chegaram os 190 países representados nas conversas de Genebra.

"A OMS deu um grande passo para a mudança da maneira como pensamos sobre inovações e acesso a medicamentos", disse James Love da Knowledge Ecology International, que notou que os acordos se deram em assuntos "que eram considerados controversos há apenas algum tempo."

A ONG Médicos Sem Fronteiras disse estar satisfeita com os esforços da OMS para quebrar a propriedade intelectual, que abrange patentes, copyright e marcas registradas.

"Alguns passos importantes foram dados na direção certa", disse Tido von Schoen-Angerer, diretor do grupo humanitário para o acesso a medicamentos essenciais. Ele apelou à organização para que implemente incentivos para a indústria farmacêutica, como um prêmio para a criação de testes diagnósticos para a tuberculose.

Negócios e saúde

A propriedade intelectual se encontra no cruzamento entre negócios, desenvolvimento e questões de saúde. A OMS se dividiu devido à questão de como superar o atual sistema de patentes, que críticos apontam como responsável pela inacessibilidade dos medicamentos para muitas pessoas.

Há dois anos, os estados membros da OMS estabeleceram um grupo de estudo para assegurar que cada vez mais pessoas pobres tenham acesso aos medicamentos, diagnósticos e equipamentos médicos necessários.

Diferenças marcantes nas opiniões de países ricos e pobres em questões centrais das patentes apareceram marcadamente nesse grupo de trabalho inicial, cujo rascunho para a proposta foi utilizado pela organização neste sábado, 24.

Países em desenvolvimento dizem que as companhias farmacêuticas investem grandes quantidades de dinheiro para a criação de tratamentos que consumidores ricos vão comprar - como remédios para acne ou calvície - dando pouca atenção para doenças tropicais ou parasitas, que afetam milhões de pessoas nos países pobres todos os anos.

Nações ricas resistiram às tentativas de quebra de propriedade intelectual, particularmente das patentes, que dão às companhias o direito exclusivo para a venda de remédios desenvolvidos por elas por tempo determinado e por preços relativamente mais altos que os genéricos.

A Federação Internacional das Manufaturas Farmacêuticas e Associados, representando a maioria das firmas como a Novartis, Pfizer e Merck, disse que tais proteções são críticas para a operação da indústria farmacêutica.

 


 

Inovação abre fronteiras no agronegócio Volta

Mídia Eletrônica: http://www.administradores.com.br
Acadêmica Agência de Comunicação
26/05/ 2008

Em tempos de biocombustíveis e crise alimentar, o agronegócio brasileiro é um campo fértil para a inovação tecnológica. Na sessão “Cases de Sucesso em Inovação de Produtos e de Processos” da área, na VIII Conferência Anpei de Inovação Tecnológica, Alellyx, Dedini, Embrapa e Senai mostraram abordagens distintas, mas que compõem um panorama promissor para a inovação no agronegócio.

O co-fundador e diretor científico da Alellyx, Paulo Arruda, mostrou, com a história da empresa, o caminho do casamento da pesquisa científica com o desenvolvimento tecnológico. A Alellyx nasceu da experiência de um grupo de cientistas da USP, Unicamp, e Unesp, responsável pelo mapeamento genético da Cytrus Xillela, que decidiram criar uma empresa e encontraram na Votorantim Novos Negócios, em 2002, o parceiro ideal para um negócio integralmente voltado para a inovação tecnológica, com foco no mercado.

Arruda ressaltou que a modelagem do negócio foi extremamente cuidadosa para garantir sua continuidade. “Fizemos um modelo bem dimensionado desde a abertura, já que os resultados vêm em longo prazo e o setor não funciona com pouco dinheiro”, disse. Com isso, a Alellyx opera com segurança para obter seu primeiro produto em 2013. Hoje, 25% da área plantada de cana-de-açúcar no País está sob contrato para o desenvolvimento de melhoramentos diversos.

Na Dedini, os 87 anos de mercado se refletem em um market share em torno de 80% no fornecimento de bens de capital para usinas de açúcar e álcool. Essa posição se sustenta na busca constante de tecnologias que aumentam a eficiência industrial. O gerente de Engenharia de Novos Produtos, Fernando Boscariol, apresentou também o principal projeto em desenvolvimento, que une a produção de bioetanol, bioeletricidade e biodiesel em uma única planta, com alta eficiência industrial e ambiental.

 

O chefe da Embrapa Tecnológica, Lúcio Brunoli, apresentou o PAC da Embrapa, iniciativa do governo federal que ampliará o orçamento da empresa em R$ 5 milhões entre 2008 e 2010 e permitirá a contratação de 1.100 técnicos e pesquisadores. Indo além, a Embrapa passa a atuar mais próxima da iniciativa privada para financiar e disseminar suas pesquisas, atingindo Estados do Norte e Nordeste do País, que hoje estão desassistidos.

O gerente de Desenvolvimento Tecnológico do Senai, Marcelo Oliveira, apresentou o Edital de Inovação Senai, que prevê o desenvolvimento de tecnologias sob demanda, em parceria com as empresas. A instituição conta com 48 centros de tecnologia para pesquisa aplicada e 129 laboratórios de metrologia, que são acionados para desenvolver as pesquisas. Na área de agronegócio, foram desenvolvidos produtos para envasamento de cachaça, bebidas lácteas e uma paçoca de soja que se transformou em produto de exportação.

 

 


 

Cultura inovativa Volta

Mídia Eletrônica: http://www.agencia.fapesp.br
Por Sabine Righetti, de Belo Horizonte*
26/05/2008

Agência FAPESP – Para inovar, é preciso ter uma cultura de inovação. Essa foi uma das frases mais ouvidas durante a 8ª Conferência Anpei de Inovação Tecnológica, realizada pela Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras na semana passada, em Belo Horizonte.

Essa cultura, ou o ambiente favorável à inovação, de acordo com os especialistas presentes no evento, deve ser construída internamente pelas empresas a partir de instrumentos do governo e de políticas públicas.

“A atividade de inovação depende das empresas, mas a maioria delas tem uma tradição de imitação e não de inovação. O grande desafio é superar tal posicionamento”, disse Ruy Quadros de Carvalho, professor do Departamento de Política Científica e Tecnológica do Instituto de Geociências da Universidade Estadual da Universidade de Campinas (Unicamp).

Carvalho apresentou os resultados de uma pesquisa que buscou mapear o posicionamento estratégico e a organização da gestão da inovação em 50 empresas industriais do país. A pesquisa apurou que a minoria (16%) realiza pesquisa tecnológica de maneira sistemática.

Para o pesquisador, as empresas nacionais não buscam competir com base na inovação porque a inovação ainda não é uma atividade sistemática. Conforme o modelo por ele apresentado, a cultura de inovação resulta de três fatores principais: governança (decisões da empresa sobre inovação, como orçamento para pesquisa e desenvolvimento), organização estratégica da empresa para inovar e recursos humanos qualificados.

Especificamente, a temática dos recursos humanos qualificados para pesquisa, desenvolvimento e inovação também ganhou destaque durante a conferência. Foi tema de uma das sessões que expôs as atividades do comitê de recursos humanos para a área criado pela Anpei há alguns anos. O comitê integra empresas como Embraer e Vallèe e pesquisadores do Programa de Gestão Tecnológica (PGT), da Universidade de São Paulo (USP).

Os dados apresentados pelo comitê indicam que o Brasil deverá formar 80 mil engenheiros em 2008, mas que apenas 10 mil trabalharão com pesquisa, desenvolvimento e inovação no setor produtivo.

Nesse contexto, a demanda por profissionais qualificados, como engenheiros, foi um dos principais gargalos identificados na instalação de um ambiente de pesquisa, desenvolvimento e inovação – e de uma cultura de inovação – nas empresas.

*Da Coordenadoria de Comunicação da Secretaria de Ensino Superior de São Paulo

 


 

Produção 100% nacional Volta

Mídia Eletrônica: http://www.agencia.fapesp.br
26/05/2008
Por Washington Castilhos, do Rio de Janeiro

Agência FAPESP – A tecnologia de uma vacina contra a dengue está sendo transferida para o Instituto Butantan pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês), dos Estados Unidos.

O acordo de cooperação permitirá que o Butantan produza o imunizante em pequena escala, em fase piloto, e realize testes clínicos em humanos. Com isso, o instituto estaria capacitado a produzir a vacina em escala industrial. O acordo com a instituição do governo norte-americano também prevê a transferência de tecnologia da vacina do rotavírus.

Um acordo de cooperação semelhante está sendo feito com o laboratório francês Sanofi-Pasteur, responsável pelo desenvolvimento da vacina contra a gripe e até hoje seu maior produtor mundial.

Por meio dessa parceria, o Butantan poderá fornecer 20 milhões de doses da vacina contra a gripe. Tornar o país 100% auto-suficiente em vacinas é uma das metas da nova política de inovação em saúde do governo.

“Estamos indo atrás de produtos para a saúde pública, como vacinas e fármacos, a preços menores, para que possamos atingir uma população de maior número. Não podemos usar uma vacina cara no programa nacional de imunização”, disse Hisako Gondo Higashi, diretora da Divisão de Desenvolvimento Tecnológico e de Produção do Instituto Butantan.

Embora o conceito de Complexo Industrial de Saúde esteja sendo mais discutido agora que o governo federal busca articular inovação em saúde e desenvolvimento industrial, o instituto paulista já está inserido nesse complexo, segundo Hisako, desde meados da década de 1980.

“A inserção do Butantan no programa de auto-suficiência se deu em 1985, quando faltou soro no país e precisamos aumentar a produção. A partir daí começou o investimento no instituto”, relembrou durante o Seminário sobre o Complexo Econômico-Industrial da Saúde, realizado na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro, na semana passada.

Para realizar os testes clínicos das vacinas contra a dengue e do rotavírus, o Butantan receberá apoio financeiro do BNDES, dentro do Programa de Desenvolvimento Produtivo (PDP), lançado este mês pelo governo federal. “Atualmente, testes clínicos são muito caros”, disse Hisako à Agência FAPESP.

Segundo a pesquisadora, o BNDES está injetando R$ 32 milhões neste novo projeto. “O problema é que vacinas como dengue, a anti-rábica e a do rotavírus são produzidas em cultivo celular”, explicou a bioquímica.
O método, descoberto por cientistas japoneses em 1961, além de evitar o sacrifício de animais, permite a obtenção de um produto mais puro e capaz de induzir maior produção de anticorpos. O Butantan recebeu cinco cepas do rotavírus para o cultivo.

A produção atual de imunizantes nos laboratórios públicos, como Butantan e Bio-Manguinhos, já é altamente expressiva, permitindo que o país atinja a auto-suficiência. O instituto paulista, por exemplo, produz hoje a vacina tríplice, a hemófilos, a tríplice infantil, a vacina recombinante contra a hepatite B, a anti-rábica e a vacina da gripe.

“Em dois anos, o Brasil será auto-suficiente na imunização de idosos”, afirmou Hisako. A diretora do Butantan também adiantou que o instituto produzirá a primeira vacina pentavalente brasileira – que atuará contra o tétano, a difteria pertussis, a hepatite B e a Haemophilus influenza tipo B.

 


 

Educação Corporativa é tema de encontro que une Brasil e Europa em Portugal Volta

O objetivo do evento será debater a importância da internacionalização empresarial como uma ferramenta para a concretização de estratégias e para a qualificação de recursos humanos

Mídia Eletrônica: http://www.portugaldigital.com.br
26/05/2008


Brasília – O 1º Encontro de Educação Corporativa Brasil/Europa marcado para os dias 11 e 12 de junho, na Universidade Fernando Pessoa (UFP), na cidade do Porto, em Portugal, será garantido por um conjunto de organizadores e entidades parceiras: a UFP, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil (MDIC), a Associação Brasileira de Educação Corporativa (ABEC) e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), com o apoio da União Européia.

O objetivo do evento será debater a importância da Internacionalização Empresarial numa ligação estreita à Educação Corporativa como uma ferramenta para a concretização de estratégias e para a qualificação de recursos humanos.

O professor José Rincon Ferreira, diretor de Articulação Tecnológica do MDIC, é o coordenador do evento, no Brasil. Ele declarou ao Portugal Digital que o Ministério já vinha desenvolvendo a idéia de promover o evento, mas, antes, realizou cinco oficinas no decorrer dos últimos três anos. "Elas foram organizadas para discutir a educação corporativa e a própria questão das pequenas e médias empresas".

Nas duas últimas oficinas, Portugal enviou representante. "Portugal não só gostou do assunto. O professor Miguel Trigo, Diretor do Gabinete de Projetos Estratégicos e Qualidade Organizacional – ProjEst-Q da Universidade Fernando Pessoa (UFP), utilizou-se dos conhecimentos e temas debatidos para fazer sua tese focando as pequenas e médias empresas", explicou.

A expectativa do professor Rincon é grande tanto em relação ao 1º Encontro de Educação Corporativa Brasil/Europa quanto à homenagem que receberá da Universidade Fernando Pessoa, no dia 13 de junho: ele será agraciado com o título de Doutor Honoris Causa. "Receber uma titulação como esta muito me honra e muito me envaidece", disse com satisfação.

O 1º Encontro de Educação Corporativa Brasil/Europa a ser realizado em Portugal é destinado a empresários, administradores e gestores. Quadros médios e superiores ligados à área dos Recursos Humanos, Formação, Internacionalização de empresas e Comercial também terão grande aproveitamento no evento. Os temas a serem debatidos abordam Estratégias para a Internacionalização, Formação e Desenvolvimento de Competências, Recursos Humanos, Cooperação Empresarial, Sustentabilidade, Comércio Externo e Inovação.

Os casos práticos que entrarão na pauta envolvem as seguintes empresas: Petrobras, Vale do Rio Doce, Datasul, Embraer, Lexus, Isvor/Fiat, Tam Linhas Aéreas, Accor Latin-América, Efacec, Ordem dos Engenheiros de Angola e a Ceval.

Cooperação européia

O apoio da União Européia ao evento é um diferencial na opinião do coordenador brasileiro do evento. A cooperação entre a União Européia (UE) e o Brasil possibilita a realização de vários projetos em temas prioritários como o desenvolvimento social, fortalecimento das relações empresariais e a proteção ambiental. Destacam-se o apoio ao Programa Piloto para Conservação das Florestas Tropicais Brasileiras (PPG7), a ajuda técnica e financeira às populações desfavorecidas das regiões Norte e Nordeste e de grandes cidades brasileiras, projetos de desenvolvimento em ciência e tecnologia e o apoio à internacionalização às pequenas e médias empresas brasileiras.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, por meio da Secretaria de Tecnologia Industrial, conduz a implementação de dois projetos que resultam dessa cooperação. O primeiro é relativo a 'Redes de Centros Tecnológicos e Apoio às PMEs Brasileiras', cujo objetivo é intensificar o intercâmbio e a cooperação entre parceiros tecnológicos e empresariais brasileiros, e entre estes e entidades homólogas européias, com vista ao aumento da qualidade e inovação tecnológica de produtos e processos nos setores industriais de plásticos e eletroeletrônicos.

O segundo visa o 'Apoio à Inserção Internacional das PMEs Brasileiras' tendo como meta promover e apoiar a expansão e a diversificação das exportações das PME's brasileiras, com ênfase particular em produtos de maior conteúdo tecnológico.

 


 

Consumidor deixa de ver preços e prefere produtos de melhor qualidade Volta

Mídia Eletrônica: http://www.cosmo.com.br
26/05/2008

A alimentação é um dos itens que figura no topo da lista de consumo do brasileiro. A classe C campineira deve gastar este ano R$ 514,2 milhões com as refeições dentro do domicílio e fora dele.

Esse volume de recursos representa 20% da projeção de consumo da população residente em área urbana e classificada nesse estrato socioeconômico no município, conforme dados da pesquisa da Target Marketing. Já a classe D deverá gastar cerca de R$ 111,7 milhões, que corresponde a 22,42% da projeção total de consumo.

Esses consumidores impulsionam as vendas nos supermercados, principalmente nos situados em bairros. E também provocam mudanças nesses estabelecimentos, como a sofisticação da linha de produtos nas gôndolas e o incremento na quantidade de marcas.

Um exemplo que ilustra essa nova realidade é o da telefonista Rosângela Sossai, de 35 anos. Casada com o vigilante Juliano Vilela, de 33 anos, e mãe de Arthur, de 15, e Rafael, de 3, ela diz que uma das suas preocupações na hora que passa pelos corredores dos mercados é escolher produtos de boas marcas.

Residente na região do Ouro Verde, ela diz que prima pela qualidade dos produtos. "Recebo cesta básica e venho ao mercado para comprar itens como biscoitos, enlatados, verduras e produtos para limpeza. Prefiro reduzir a quantidade de itens no carrinho, mas comprar produtos de marcas boas", afirma. A família gasta R$ 350,00 por mês com alimentos.

 


 

O management do intangível

Mídia Eletrônica: http://www.revistapropriedade.com.br
Por Beatriz Amorim
Março/Abril


No final da década de 80, ao olhar para o modelo de crescimento econômico da Coréia, O Brasil procurou entender as razões que fizeram com que os indicadores de competitividade e os efeitos sentidos na qualidade de vida daquele país asiático alcançassem índices invejáveis de desenvolvimento. O exemplo coreano reforçou ainda mais a idéia schumpeteriana de que conhecimento e inovação estão no centro dos avanços da indústria e do comércio.

Finalmente, já na era em que China e Índia chamam a atenção do mundo, o Brasil implementa uma política industrial em que tecnologia apresenta-se como elemento-chave para ganhos sustentáveis. O modelo de substituição de importações e escolhas de não-adoção de medidas planejadas para indústria deu lugar à Política, Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (Pitce) e a iniciativas fundamentais como a Lei de Inovação. A edição de 8 de novembro de 2007 da Revista The Economist oferece uma longa matéria sobre os resultados e desafios dos dois novos candidatos a protagonistas do mundo globalizado. Um dos aspectos apontados como estratégico para a crescente importância das economias indiana e chinesa é justamente o sério investimento em um capital humano altamente treinado e de elevado nível técnico e científico. No caso brasileiro, o estabelecimento das referidas políticas governamentais têm ajudado a inserir inovação na pauta de prioridades, seja de instituições públicas, seja de empresas que buscam conquistar ou consolidar ganhos de mercado. Capacidade científica necessária para colocação em prática de tais metas já existe, resultado de um esforço iniciado na década de 50.

No entanto, no atual momento chamado por Manuel Castells de Era da Informação, cresce a demanda por novos tipos de profissionais que militam na interface da ciência, tecnologia, inovação e propriedade intelectual. Cresce a necessidade de formação de recursos humanos que venham ocupar-se do gerenciamento de conhecimento. Tais gerentes devem ser capazes de compreender a função de departamentos de pesquisa e desenvolvimento, unidades de negociação e proteção de tecnologia e, ainda, de facilitar a comercialização de intangíveis levando em conta oportunidades de mercado. Sem esse novo profissional, instituições âncoras das políticas do governo, a saber, instituições de ciência e tecnologia, agências de fomento e indústria, terão dificuldades de avançar no jogo da economia baseada em inovação. Esse jogo requer a formação e atuação de gerentes do conhecimento.

No caso do Brasil, universidades e centros de pesquisas são responsáveis por grande parte do conhecimento gerado no país, uma vez que ainda são as instituições acadêmicas que absorvem 80% dos mestres e doutores e recebem grande parte do investimento destinados à pesquisa e desenvolvimento (P&D). A Lei de Inovação prevê que instituições de ciência e tecnologia se utilizem de Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs) para a gestão de sua propriedade intelectual. Nesse caso, quem seriam os profissionais a serem recrutados para atuarem em tais NITs?
Desde 1980, por meio do Bayh-Dole Act que transferiu para as universidades o direito de serem titulares de suas patentes, o Governo americano vem assistindo a um aumento significativo no número de Escritórios de Transferência de Tecnologia (Technology Transfer Offices - TTOs), estabelecidos por instituições acadêmicas. A alocação de profissionais atuando em gestão de tecnologia acompanhou tal crescimento, conforme demonstra a tabela abaixo.

Vale destacar um estudo desenvolvido pelo Milken Institute (DeVol, Ross & Bedroussian, Armen, Mind to Market: a Global Analysis of University Biotechnology Transfer and Commercialization, September, 2006, Milken Institute) em que se aponta a importância do recrutamento de gerentes de tecnologia como fator central de sucesso de TTOs nos EUA. Tal estudo revela que para cada dólar investido no engajamento de profissionais, os referidos escritórios recebem um pouco mais de seis dólares em renda proveniente de acordos de licenciamento de tecnologia. Nessa mesma linha, a AUTM (Association of University Technology Members) ressalta que: “o sucesso de programas de transferência de tecnologia depende do seu corpo de gerentes, que inclui pessoal especializado em licenciamento e em gestão”. Acrescenta que devem ser criadas condições para que haja um aumento no número de gerentes de tecnologia, bem treinados e competentes.

No rol das competências dos novos profissionais do conhecimento, estejam eles em instituições de C&T ou em empresas, está a capacidade de enxergar “novidade”, avaliando a melhor estratégia para sua proteção. Vai, ainda, mais além. Os novos gerentes de setores centrados em conhecimento precisam ser bons negociadores, compreendendo que o objeto de seu trabalho já não é mais baseado em ativos tangíveis, e sim em propriedade intelectual cuja valoração é outro grande desafio a ser ultrapassado. Quem lida com tecnologia deve ter condições de decidir sobre o destino do conhecimento desenvolvido. Por vezes empresas vêem no licenciamento o melhor destino para parte do seu portfolio de patentes. Outras patentes destinam-se a proteger o negócio e algumas podem facilitar o acesso a conhecimentos gerados por outros por meio de licenciamentos cruzados. Estratégias para construção e gestão de um portfolio de patentes devem ser definidas para aumentar a capacidade das empresas de competir num mercado dinâmico e internacionalizado.
No contexto dos novos gerentes do conhecimento deverão estar aqueles capazes de redigir, com eficiência, um pedido de patente. Muitas matérias na imprensa têm chamado a atenção para o baixo número de depósitos de patentes no Brasil efetuados por residentes, que alcança hoje uma média de 30% do total dos pedidos apresentados ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial. É verdade que tal índice não reflete a capacidade tecnológica do País. No entanto, a preocupação deveria também se estender para o fato de que muitos desses pedidos não se convertem em patentes por estarem mal elaborados. Apenas 10% do total de patentes concedidas são de residentes. O redator de patentes também requer uma formação especial, uma vez que precisa ter sólido conhecimento técnico, sabendo aplicá-lo dentro de parâmetros definidos por regras jurídicas, estando, ainda, consciente da dimensão do mercado que pretende proteger. Quantos engenheiros ou biotecnólogos bacharéis em Direito existem no Brasil? Eles são raros. No contexto da competição tecnológica, precisam ser multiplicados. Tal formação híbrida pode ser estratégica para elevar o nível da qualidade das patentes nacionais.

Está claro também que as preocupações em torno dessas novas atividades profissionais não devem limitar-se à esfera da proteção do intangível. O maior desafio ainda é transformar propriedade intelectual em riqueza. O gerenciamento de um portfolio de intangíveis deve basear-se na busca de ganhos de mercado e de competitividade. A patente deve ser um ativo e não somente um escudo. Nesse sentido, competências na esfera da negociação e do licenciamento de tecnologia são essenciais. Habilidade gerencial nesses campos também requer a atenção dos setores público e privado. Quantas empresas brasileiras tratam propriedade intelectual como ativos estratégicos e quantas delas dispõem de gerentes capazes de otimizar ganhos financeiros e de mercado por meio de exploração de intangíveis? Quantos programas de formação em licenciamento de tecnologia existem no país?
O gerenciamento de PI pressupõe também o desenvolvimento de estratégias em torno da valoração de intangíveis. Valorar uma marca e especialmente uma patente surge como mais um dos novos desafios não só de gerentes, como também de atores do setor financeiro e de profissionais das agências de fomento. Como dar valor à propriedade intelectual de uma empresa que necessita de recursos e apresenta seu portifolio de patentes, juntamente com bens materiais, como garantia para empréstimos e financiamentos? Qual o profissional capaz de conduzir tal desafio de valorar patentes?

Políticas industriais centradas em inovação devem considerar a necessidade da geração urgente de novas competências. Oferta de treinamento em temas como gerenciamento de intangíveis ainda não existe de maneira estruturada. O tão esperado salto de competitividade baseado em tecnologia depende também da formação desses novos profissionais com habilidades que passam pelo entendimento de propriedade intelectual no contexto de estratégias de negócios. Não se pode tratar os desafios da inovação, sem considerar a implementação de inciativas que trabalhem a formação e a retenção de gerentes preparados para um ambiente econômico baseado em conhecimento. Não fazê-lo pode colocar-nos como espectadores de mais uma onda inovadora vinda do oriente.

 


 


Prêmio Finep de Inovação 2008 abre inscrições

Mídia Eletrônica: http://www.bonde.com.br
26/05/2008

Os vencedores ganharão recursos financeiros para projetos que variam de R$ 500 mil a R$ 10 milhões

Os empresários paranaenses já podem se inscrever ao Prêmio Finep de Inovação 2008. Este ano, o prêmio tem uma novidade: os vencedores regionais e nacionais receberão recursos financeiros pré-aprovados para projetos de inovação, que variam de R$ 500 mil a R$ 10 milhões. As inscrições podem ser feitas até 28 de agosto no site www.finep.gov.br/premio.

Em sua 11ª edição, o Prêmio é um reconhecimento a quem investe em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e processos. É realizado nacionalmente pela Finep, em parceria com o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) e o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), do Sistema Confederação Nacional da Indústria (CNI). No Paraná, o Prêmio tem o apoio do Sistema FIEP, por meio do IEL.

Categorias

O prêmio tem cinco fases regionais e uma nacional, contemplando as seguintes categorias: Micro/Pequena Empresa, Média Empresa, Instituição de Ciência e Tecnologia e Tecnologia Social. São ainda duas categorias especiais: Inventor Inovador, na qual são escolhidos os inventores que mais se destacaram no país, e Grande Empresa, que seleciona casos de sucesso em inovação dentre as empresas financiadas pela Finep.


OMPI realiza seminário sobre propriedade intelectual em Curitiba Volta

O Seminário Internacional sobre Promoção da Inovação e da Propriedade Intelectual em Tecnologia da Informação será realizado de 28 a 30 de maio, em Curitiba (PR). O evento é organizado pela Organização Mundial da Propriedade Industrial (OMPI) em cooperação com o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site www.tecpar.br.

As palestras serão divididas entre os temas Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior: Programas de Computador e Serviços de Tecnologia da Informação; Propriedade Intelectual e Software: Desafios e Perspectivas; Comparando Diferentes Regimes de Proteção à Propriedade Intelectual para Programas de Computador; Criação e Propriedade do Software: Proprietário, Open Source e Plataformas Mistas; Lei de Inovação e o Poder das Compras Governamentais e Inovação na Indústria Brasileira de Software: Estudos de Caso. Além dos palestrantes de várias instituições brasileiras, foram convidados palestrantes internacionais.

Já nos dias 8 a 10 de junho, será realizado, também em Curitiba, o 5º Seminário – A propriedade intelectual como fator de inteligência competitiva: inovação tecnológica na saúde. A organização é da Rede Paranaense de Gestão em Propriedade Intelectual. As inscrições podem ser feitas pelos sites www.nitpar.pr.gov.br e www.tecpar.br/appi
O Tecpar é associado à ABIPTI.