Skip to content. Skip to navigation

Portal INPI

Sections
You are here: Home Imprensa Clipping Maio 2008 05/05/2008 08 de January de 2009
Document Actions

05/05/2008

 logo
Segunda-feira, 05 de maio de 2008.
Comentários, dúvidas e sugestões:
sercom@inpi.gov.br


1. A vantagem competitiva de uma liderança transformadora
2. "Concorrentes" admitem perder capital para Brasil
3. Em aeroporto falso, Siemens testa novas tecnologias
4. Acabaram as utopias?
5. REMÉDIOS RASTREADOS
6. Plágio de sermão pode dar cadeia
7. Aumenta espaço de marcas próprias nas redes de varejo
8. 2ª Semana da USP da Propriedade Intelectual
9. Planejamento autoriza concurso para 126 vagas no INPI
10. Paraguai e EUA assinam acordo anti-pirataria

 

 

A vantagem competitiva de uma liderança transformadora  Volta

Mídia Impressa: Valor Econômico
Betania Tanure e Priscila Soares
05/05/2008


A liderança transformadora tornou-se crucial no ambiente de negócios em movimento que caracteriza o século XXI. Recursos financeiros, tecnologia, definições estratégicas ou acesso a determinados fornecedores já não sustentam a competitividade das organizações. O que de fato, diferencia é o jeito da empresa ser e fazer- é a articulação entre estratégia, processos, estrutura e pessoas, que é sustentada pela cultura organizacional. Este é o papel do líder transformador, articular e movimentar de forma integrada essas diferentes dimensões organizacionais que são "coladas" pela cultura, criando desta forma vantagens competitivas sustentáveis.

Existem duas principais fontes de energia que movimentam as pessoas: o medo e a aspiração. O medo pode produzir mudanças significativas em curtos períodos de tempo. Nesse tipo de modelo, o controle externo é fundamental para gerar e garantir a ação. Por outro lado, a aspiração impulsiona, gera visões promissoras, grandes expectativas e reúne melhores condições para persistir como fonte contínua de aprendizagem e crescimento profissional. Nesse sentido, a autodisciplina é fundamental e substitui o controle externo. No Brasil, o poder tem sido mais freqüentemente usado para controlar as pessoas, não criando, portanto, um contexto para a utilização plena do potencial e do comprometimento de cada uma delas.

O poder que orienta a ação da liderança transformadora tem o significado de "eu quero", "eu posso" e "eu vou" iniciar e sustentar as ações que modelam o futuro, traduzindo a ambição estratégica em realidade concreta. Criar significado para o movimento de transformação, para o trabalho de cada um, impulsiona as pessoas, desperta o desejo no indivíduo de modelar o futuro. Mais: cria espaço para expressão de sua capacidade de realização, estimula a busca de novas formas de atuar e dá o poder de fazer e participar. Neste modelo não existe espaço para o medo crônico, para o medo de pessoas que detêm mais poder. Práticas gerenciais que ampliam a autoconfiança e as competências do indivíduo aumentam sua sensação de poder e ampliam a efetividade desse poder. O líder transformador contribui fortemente para que as pessoas se desenvolvam, capacitando-as a transcender seus limites.

Não existe líder sem liderados voluntários. Portanto, a legitimação da liderança vem dos liderados, representando uma conquista. As pessoas seguem voluntariamente um líder; permitem que ele as lidere quando se identificam com seus conceitos, aspirações e expectativas. A essência da liderança é a capacidade de construir e sustentar esse relacionamento, que é interativo e significa troca, influência e persuasão. Liderar é também a capacidade de mobilizar as pessoas na direção de uma aspiração comum, trazendo significado para a vida delas.

Há traços comuns entre verdadeiros líderes. Pesquisas indicam alguns traços mais freqüentes nos líderes em muitos países. Reanalisamos esses traços a seguir, enfatizando ou entremeando alguns aspectos, na perspectiva da liderança transformadora. "Visão de futuro, capacidade de compartilhar sonhos e de criar significado". Credibilidade. Age inspirado por valores como a justiça e gera confiança.

"Relacionamento mobilizador". Ao relacionar-se, o líder tem a capacidade de mobilizar o coração e a alma das pessoas. Um dos principais requisitos para obter isso é a comunicação competente. "Comportamento 'agridoce'". Gera sofrimento, mas ajuda a cuidar dele. "Alto grau de autoconhecimento". Ouve sua voz interior, conhece e reconhece seus pontos fracos.

Além desses traços, nas pesquisas foram ainda identificadas algumas outras características importantes. Líderes de sucesso têm ambição e são bem-sucedidos- afinal, ninguém gosta de seguir gente malsucedida. Nem todos são líderes o tempo inteiro e em todos os lugares; isso depende dos valores, do contexto em que o indivíduo está e da dinâmica dos grupos.

É importante dizer que, apesar desses traços serem comuns nos grandes líderes- e fundamentais nos líderes transformadores- em diferentes partes do mundo, o significado de cada uma das palavras que os definem difere nos diversos países. Por exemplo, ser "agridoce" no Japão vai ter determinado impacto no comportamento do líder, mas na França ou na Rússia o efeito é outro. Em síntese, o que mobiliza a alma e o coração dos brasileiros pode ser diferente do que mobiliza a alma e o coração de outros povos.

Converse francamente com você mesmo: está desempenhando o papel de líder transformador ou apesar de um discurso moderno e alinhado com essas tendências ainda faz valer- mesmo que de forma disfarçada- o "manda quem pode e obedece quem tem juízo?"

Betania Tanure e Priscila Soares são professora da FDC/Puc Minas e consultora, respectivamente.


"Concorrentes" admitem perder capital para Brasil Volta

Mídia Impressa: Valor Econômico
De Basiléia
05/05/2008


Argentina, México e Turquia admitem que o Brasil vai abocanhar uma fatia de capitais que seria destinada a outras economias emergentes, com a obtenção do grau de investimento.

O presidente do Banco Central do México, Guillermo Ortiz, disse que o Brasil vai passar pelo mesmo fenômeno que ocorreu no México há seis anos, e lembrou que seu país não fez restrições a entrada de capital.

"A demanda por títulos soberanos e de empresas do Brasil vai aumentar por parte dos fundos", afirmou o mexicano, sem mostrar preocupação com eventual perda no fluxo, porque o Brasil e o México sao normalmente os que mais atraem capital na região da América Latina.

"Pode ser que isso (desvio de capital) ocorra para o Brasil, mas não nos afeta", respondeu o presidente do BC da Turquia, Durmus Yilmaz, aparentemente acreditando que outros é que vão perder, ainda mais que continua a aumentar os juros já elevados no país.

Martin Redrado, presidente do BC da Argentina, também admitiu mais desvio de dinheiro para o Brasil, mas preferiu recorrer ao humor sobre o impacto para seu país. "Nos contentamos com algumas migalhas, está bom", disse.

Pelas estimativas do Deutsche Bank, o México terá déficit de US$ 16,8 bilhões nas contas correntes este ano e a Turquia US$ 43 bilhões, enquanto a Argentina poderá ter saldo de US$ 5,6 bilhões.

Segundo um participante das reuniões dos bancos centrais, ontem, em Basiléia, nenhum país que obteve grau de investimento reagiu em seguida com controle de capital. O Chile impôs restrição há alguns anos, mas as abandonou.

A expectativa desse participante é de que o grau de investimento melhora no grau de capital que entrará no país, acreditando que o capital especulativo diminuirá, mesmo com o país tendo uma das taxas de juros mais altos do planeta.

O argumento é de que outros fatores afetam o capital especulativo, como o "carry trade" (o investidor toma crédito em moeda de juro baixo e investe em economia com juro alto). A fonte até recentemente era o Japão, mas a moeda japonesa apreciou muito e quem a utilizou perdeu muito dinheiro.

Os EUA poderiam ser uma fonte de "carry trade", com o juro baixo e a moeda depreciando. Só que está com pouca liquidez. Assim, estima esse banqueiro, não se pode chegar a conclusão de que muito capital especulativo vai continuar procurando o Brasil nos próximos meses.

O Deutsche Bank estima que até 2010 somente a Argentina e a Venezuela não terão grau de investimento, entre os maiores países da América Latina. (AM)

 


 

Em aeroporto falso, Siemens testa novas tecnologias Volta

Mídia Impressa: Valor Econômico
Assis Moreira
05/05/2008


O gigante industrial alemão Siemens construiu um falso aeroporto, sem aviões e sem passageiros, no interior da Baviera, para testar novas tecnologias para infra-estrutura aeroportuária que quer vender em torno do mundo.

"Bem-vindo ao aeroporto do futuro", exclama o porta-voz Franz Friese, na entrada do Siemens Airport Center (SAC), localizado no discreto vilarejo de Fuerth, a alguns quilômetros da cidade de Nuremberg.

É daqui que o grupo alemão quer se tornar a única empresa a oferecer um pacote completo de soluções para o setor, desde gestão de estacionamentos, check-in com telefone celular, identificação biométrica, esteira veloz de bagagem, controle aéreo, até a redução de consumo de energia.

A Siemens se baseia na realidade de aeroportos cada vez mais congestionados - de aviões, de passageiros e de cargas -, no rastro de liberalização, preços baixos das passagens e mais opções de vôo, sobretudo na Europa e nos Estados Unidos.

Este ano, 2,3 bilhões de pessoas vão passar nos aeroportos em torno do mundo. Até 2010, esse número pode aumentar mais de 40%. O transporte de carga também cresce 6% ao ano. O gargalo tende a piorar com o reforço das medidas de segurança.

Assim, o negócio de infra-estrutura aeroportuária, estimado em ?13 bilhões de euros globalmente, tende a aumentar rapidamente. A Siemens detém apenas ?1 bilhão de euros desse mercado fragmentado, uma gota d'água no seu faturamento total de ? 72,4 bilhões de euros em 2007.

Para mudar isso, o grupo criou a "divisão mobility" no começo do ano, apoiando-se no Siemens Airport Center (SAC), construído em 2005 numa área de 8.500 metros quadrados, para agrupar diferentes áreas de especializações.

Franz Friese começa a visita pelo momento em que o passageiro chega ao aeroporto. A empresa desenvolve o "Sipark", sistema com sensores no estacionamento que guia o passageiro para as vagas. Em outras situações, as câmeras de TV podem identificar os motoristas de carros usados com freqüência nas instalações do aeroporto. Promete facilitar a gestão, otimizar a utilização dos estacionamentos e reduzir fortemente o tempo gasto pelo motorista na busca de vaga. A versão mais moderna será instalada até 2009 no aeroporto de Munique, com 15 mil vagas.

A segunda etapa é quando o passageiro chega no balcão da empresa para fazer o ckeck-in. A Siemens testa sistemas de identificação por impressão digital e por reconhecimento facial em três dimensões, com dados biométricos. A partir daí, o passageiro será identificado pela impressão ou foto eletrônica por onde passar no aeroporto, até embarcar.

Outra opção é o check-in com o telefone celular. Com um software instalado no aparelho, o passageiro pode ainda da reunião na empresa acionar o celular e obter a carta de embarque, transferida na forma de um código de barras com todas as informações do vôo. Também reserva seu assento. Quando chega no aeroporto, é identificado pelo código de barra já embutido no celular.

Friese admite um problema: será necessário integrar o ckeck-in do celular com a identificação digital. "Imagine que alguém dê o telefone para outra pessoa no bar", argumenta. Ele briga um pouco com as máquinas, coloca o dedo, usa o celular, e só na terceira demonstração é que consegue faze-la funcionar - o suficiente para destacar a tecnologia.

Atualmente, só a Lutfhansa faz alguns testes com essas tecnologias. A Suíça e a Eslovênia usam os sistemas para confeccionar passaportes, por exemplo. O problema é menos técnico que político e econômico. Para serem utilizadas, a União Européia precisa chegar a um acordo sobre confidencialidade de dados. E só tem sentido econômico se forem adotadas em larga escala, por muitas companhias e pelos grandes aeroportos. A Siemens acha também que os Estados Unidos continuarão exigindo cartão de embarque em papel por razões de segurança.

Outras inovações envolvem a etiquetagem da mala, que fica invisível mas é monitorada em todo lugar por internet sem fio.

Onde a empresa espera realmente ganhar mais dinheiro é pelo seu sistema de esteira para bagagem, a parte escondida que os passageiros quase nunca vêem. O sistema integra alta resolução de checagem, direcionamento e rastreamento das malas para os diferentes vôos. Na checagem, os problemas são provocados por chocolate e marzipan nas malas, que o sistema identifica como plástico explosivo em alguns casos.

Um novo terminal no aeroporto de Pequim foi o ultimo grande projeto da Siemens, no valor de ? 170 milhões de euros . A empresa diz ter batido o recorde mundial em fazer a transferência da mala de um avião que aterrissa para outro que vai decolar, em apenas 25 minutos - a metade da média atual.

O terminal em Pequim tem mais de 330 balcões de ckeck-in conectados a um sistema rápido de esteira de 1.300 metros. As malas são transportadas através de um túnel de 2,2 quilômetros, e a operação envolve 20 mil malas por hora.

As concorrentes da Siemens nessa área são a FKI, dos EUA, e a Vanderlande, da Holanda. Juntas, tem 30% do mercado, e o resto são mais empresas locais.

A questão de bagagem ocupou as manchetes recentemente com o caos que a British Airways amargou na inauguração do terminal 5 do aeroporto de Heathrow, em Londres, que custou U$ 8 bilhões para ser construído. Nos três primeiros dias, 20 mil malas não seguiram nos aviões que puderam decolar. Outros 208 vôos foram cancelados.

"Não tivemos nada com isso", avisa logo Friese. Mas poupa a concorrente holandesa Vanderlande. "As câmeras de TV apareceram aqui para explicarmos como se poderia evitar os problemas. Mas o caos em Londres foi administrativo, não do sistema de bagagem". O porta-voz alemão lamenta que "infelizmente o Siemens Airport não tem recebido encomendas importantes do Brasil nos últimos anos".

 


 

Acabaram as utopias? Volta

Mídia Impressa: Folha de S. Paulo
GILBERTO DUPAS
05/05/2008

Assim como a esperança, a utopia não morrerá nunca. Mas seu destino parece sempre fazer morada em outro lugar  


O MUNDO parece abandonar definitivamente as utopias e atirar-se de joelhos diante do mercado. A China virou uma das sócias maiores do capitalismo global; a Itália entrega-se mais uma vez ao megaempresário Berlusconi; e Cuba abre brechas à propriedade privada e à sociedade de consumo. O capitalismo transformou-se em regime único.

O mercado implacável define ganhadores e perdedores, o Estado de bem-estar social definha e parecemos nos satisfazer com iPods, telefones celulares, telas de plasma e carros de US$ 3.000.

Isso significa que qualquer proposta de transformação do mundo capitalista passou a ser uma ilusão irrealizável? Não é mais possível projetar para o futuro fundamentos de uma nova ordem? Os versos de Eduardo Galeano esclarecem: "Para que serve a Utopia?/ Ela está diante do horizonte./ Me aproximo dois passos/ e ela se afasta dois passos./ Caminho dez passos/ e o horizonte corre/ dez passos mais à frente./ Por muito que eu caminhe/ nunca a alcançarei. Para que serve a Utopia?/ Serve para isso: para caminhar".

Francisco Fernández Buey nos recorda que Thomas More escreveu "Utopia", sua ilha imaginária, inspirado nas notícias sobre o novo mundo vindas pelas cartas de Américo Vespúcio no início do século 16. More era um realista e falava em caminho oblíquo: o que não pode tornar-se bom, que se torne o menos mal possível. Embora vários utópicos contestassem a propriedade privada como raiz de todos os males, More era cuidadoso; não achava viável que todas as coisas fossem comuns.

Curioso ter sido o México, mais uma vez o novo mundo, o destino da primeira experiência utópica renascentista que Vasco de Quiroga, juiz e bispo de Nova Espanha, propôs levar à prática. Em 1530, com o apoio do imperador Carlos 1º, proibiu a escravidão dos índios. Fundou um colégio conservando as línguas autóctones e fazendo uma insólita experiência sociocultural. Durou pouco.

No final daquele século, Campanella imaginou que poderia operar uma transformação completa da sociedade e inventou uma república universal na sua Calábria. Foi submetido à Inquisição por suas práticas utópicas. Na prisão, idealizou "A Cidade do Sol", governada por um magistrado supremo e por três adjuntos, representando sabedoria, poder e amor. Nela, o direito era uma virtude coletiva, e a política, um ramo da ética.

Já Robert Burton propôs sua Atlântis, mas achava ser impossível sacerdotes imitadores de Cristo, advogados caridosos, médicos modestos, filósofos que conheciam a si mesmos, nobres honestos, mercadores que não mentissem e magistrados que nunca se corrompessem. Queria tentar o possível, com penas severas aos infratores: mãos cortadas a sacrílegos, morte a adúlteros e trabalho escravo para ladrões. Era realista como Maquiavel, para quem é máxima do demagogo que homens bons produzem boas leis. Para o legislador, as boas ordens é que fazem homens bons.

O pensamento utópico supõe sociedade de abundância: passar do reino das necessidades para o da liberdade; substituir a desordem -o mercado- por organização consciente e planejada da produção social; deixar florescer as capacidades humanas, fazendo triunfar a ajuda mútua e a solidariedade sobre o egoísmo da sociedade mercantil. Em suma, socialismo com democracia participativa. Esse modelo naufragou com o socialismo real.

Mas teria sido a Revolução Russa uma utopia? A experiência bolchevista virou uma tentativa fracassada de realização de um ideal em condições históricas dadas. Já do final do século 20 para nossos dias, o pessimismo se acentuou com a direção selvagem do progresso e o descobrimento do lado perverso das novas tecnologias. Buey resgata em Ernst Bloch a utopia como princípio regulador do real, parte substancial do pensar humano.

A razão não pode florescer sem esperança, nem a esperança pode falar sem a razão. Já para Bernard Shaw, há quem observe a realidade tal qual ela é e se pergunte por quê? E há quem a observe como ela jamais foi e se pergunte por que não? Mas pode uma boa utopia, que não seja mera ilusão, enunciar mais do que máximas morais ou tendências essenciais?

Um outro mundo talvez seja possível. E é o exercício da utopia, negando o narcisismo, que nos obriga a olhar em direção a uma sociedade menos injusta. Assim como a esperança, a utopia não morrerá nunca. Mas seu destino parece sempre fazer morada em outro lugar. Por isso utopia quer dizer nenhum lugar.

 
GILBERTO DUPAS , 65, é coordenador geral do Grupo de Conjuntura Internacional da USP, presidente do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais (IEEI) e autor, entre outros livros, de "O Mito do Progresso".
 


 


REMÉDIOS RASTREADOS Volta

Mídia Impressa: O Globo
Gustavo Paul
05/05/2008

<<Medicamentos serão monitorados com códigos. Preços podem subir

<<Governo vai monitorar medicamentos, da produção à venda nas farmácias. Preço pode subir

Todos os remédios vendidos no Brasil serão rastreados, desde a produção até as farmácias, para evitar a sonegação, coibir o roubo de cargas e a venda ilegal. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve implantar o sistema já no primeiro semestre do ano que vem. As embalagens terão código de barras, de pontos, números ou chips que identificarão o medicamento. O processo custará R$70 milhões por ano e pelo menos parte da conta pode sobrar para o consumidor.

Apartir de 2009 todos os remédios brasileiros, dos simples antigripais até os tarja-preta, passarão a ser rastreados. Começando na linha de produção, das fábricas, passando pelos caminhões que levam aos distribuidores e até o momento da venda no balcão das farmácias, o percurso das caixinhas será monitorado. Governo e fabricantes acreditam que, assim, terão um poderoso instrumento para controlar os medicamentos vendidos no país, evitando a sonegação, coibindo o roubo de cargas e a venda ilegal de medicamentos. O preço do rastreamento, porém, tende a ser diluído por toda a cadeia, desde o fabricante até o comprador. Ou seja, deve sobrar para o consumidor, pelo menos, parte da conta.

A decisão de rastrear os remédios foi tomada em março pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ontem, terminou a consulta pública para a apresentação de críticas e sugestões sobre os requisitos mínimos para definir como será o monitoramento e autenticação dos remédios.

O Brasil largou na frente e foi o primeiro país a discutir o tema, mas não está sozinho. Duas semanas depois do início da consulta pública local, a União Européia e os Estados Unidos lançaram consultas semelhantes.

- É uma tendência mundial e poderemos trabalhar com americanos e europeus nesse sistema - diz Dirceu Raposo, presidente da Anvisa.

A preocupação dos governos, da indústria e de entidades de defesa do consumidor e da ética é o crescimento exponencial dos crimes ligados aos medicamentos. De acordo com o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco), a informalidade no setor é alarmante. No Brasil, a sonegação é de 10% sobre o faturamento das empresas, o equivalente a US$1 bilhão. No mundo, 30% dos princípios ativos de remédios vendidos são falsificados. Também está aumentado a incidência de medicamentos falsificados no Brasil, a maioria originada do Sudeste da Ásia. Os números relativos ao roubo de cargas como um todo cresce anualmente, boa parte mirando caminhões com remédios.

Sistema deve começar em 2009

Por razões estratégicas, a indústria não revela o quanto perde com os assaltos, mas o presidente da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), Gabriel Tannus, tem um indicador da dimensão do problema:

- As companhias seguradoras se negam a fazer seguro de carga farmacêutica se o transporte não for monitorado por satélite e seguido por escolta armada.

A idéia é colocar algum tipo de instrumento nas embalagens - código de barras, de pontos, números, ou chips - que identificará o medicamento e pode ser enviado via internet ou radiofreqüência para um computador central do fabricante, que armazenará os dados. A Anvisa terá acesso às informações sempre que achar necessário.

Em 30 dias, a agência pretende analisar as sugestões apresentadas na consulta pública. Até o fim de abril, 57 contribuições haviam sido enviadas. A meta da Anvisa é implantar o sistema no primeiro semestre do ano que vem.

A medida foi sugerida pelo Instituto Etco, cuja inspiração veio do sistema de controle de vazão implantado pela Receita Federal nas cervejarias, que praticamente acabou com a sonegação do setor. Para o presidente do instituto, André Franco Montoro Filho, ao ser implantado, o sistema terá um efeito cascata de boas notícias. O poder público - particularmente estados e municípios - recupera arrecadação sonegada, as autoridades sanitárias melhoram o controle de medicamentos com reflexos na saúde pública, a indústria deixa de arcar com perdas de roubo e com a concorrência desleal e os consumidores passam a ter a garantia de comprar um remédio de qualidade.

- Será um sistema ganha-ganha. A medida não vai conseguir acabar com todas as irregularidades, mas é um passo importante para contê-las - resume Montoro.
Cálculos ainda preliminares sinalizam que esse processo custará R$70 milhões por ano, já que o custo estimado é de R$0,06 por unidade vendida. No Brasil, comercializa-se 1,4 bilhão de embalagens por ano.

De acordo com Dirceu Raposo, da Anvisa, as empresas vão reduzir as despesas que têm hoje com seguro, escolta e medidas de segurança já adotadas. É o caso das "raspadinhas" que vêm em caixas de remédios e o selo de vedação das embalagens. Essa redução de custo compensará o investimento no rastreamento.

<<Anvisa não quer repasse de custo

A divisão do custo deve ser a parte mais polêmica do processo. Afinal, a Anvisa não quer que a conta sobre para o consumidor. Atualmente, cerca de 70% dos medicamentos têm seus preços controlados e nesta relação estão os mais visados por falsificadores e ladrões. Os outros 30% podem ser majorados de acordo com o interesse do fabricante. O presidente da Anvisa já tem a resposta:

- A indústria, que terá menos gastos, deverá pagar a conta.

Mas Gabriel Tannus, da Interfarma, admite que o custo tende a ser diluído na cadeia e poderá sobrar para o consumidor.

- Não vamos ser ingênuos. Vai ter custo e temos de encontrar uma forma de dividi-lo. Talvez o consumidor pague uma pequena parte da conta.

 

 


 

Plágio de sermão pode dar cadeia

Mídia Impressa: O Estado de S. Paulo
04/05/2008
The Guardian

Igreja Católica na Polônia publica manual para coibir hábito de copiar homilias da internet sem citar a fonte

Na Polônia, 28 mil padres foram advertidos pelas autoridades eclesiásticas de que podem ser multados se plagiarem seus sermões da internet. A pena pode chegar até mesmo a três anos de prisão.


A Igreja publicou um livro de auxílio para a redação de sermões, cujo objetivo é afastar os padres do hábito crescente de furtar as palavras de seus colegas do clero.

O padre Wieslaw Przyczyna, co-autor do livro Plagiar ou não Plagiar, disse à imprensa polonesa que o guia foi escrito numa tentativa de resolver um problema cada vez mais comum, com a popularização do hábito de tornar disponíveis os sermões paroquiais na rede mundial e o número cada vez maior de padres acessando a internet.

O padre Przyczyna, especialista em homilética (elaboração e pregação de sermões) da Academia Pontifícia de Teologia de Cracóvia, disse ainda que a finalidade do livro é mover os culpados ao arrependimento e à confissão.

“Infelizmente, é uma prática cada vez mais comum”, lamenta Przyczyna. “Quando um padre copia as palavras de outro padre e as apresenta como de sua própria autoria sem citar a fonte, age de forma antiética e contraria as regras da propriedade intelectual.”

A repercussão da publicação do guia indica que o problema também existe em outras partes do mundo, particularmente na Grã-Bretanha e nos EUA, onde a prática é apelidada de “plágio pastoral”. Nos Estados Unidos, Glenn Wagner, um ex-pastor evangélico, e Robert Hamm, ex-ministro da Igreja Unida de Cristo, renunciaram em 2004 depois de plagiarem sermões.

Especialistas na arte do discurso religioso ponderam que um sermão não costuma ser baseado em um pensamento original. Mesmo assim, um padre deveria tentar comunicar as idéias com suas próprias palavras para promover um diálogo mais fecundo com os fiéis.

O guia polonês de 150 páginas é vendido para os padres por um preço equivalente a cerca de R$ 20.

As autoridades da Igreja manifestaram a intenção de realizar inspeções sistemáticas para coibir a prática e pretendem contar com paroquianos atentos para comparar os textos online com aqueles da Biblioteka Kaznodziejska, revista mensal que publica sermões de diversos púlpitos da Polônia.

Os chefes da Igreja também estão discutindo a possibilidade de ensinar aos seminaristas conceitos de propriedade intelectual. Os principais suspeitos não são os padres mais velhos que, com freqüência, não acessam a internet, mas seus colegas mais novos.

Os jovens padres recorrem à internet quando não têm muita habilidade para falar em público. Especialmente no sábado à noite, quando entram em pânico por não terem nada para dizer na missa da manhã seguinte. “Administradores de sites de homilias na web notam um aumento considerável dos acessos nas noites de sábado”, afirma Przyczyna. “Isso separa o padre dos seus fiéis e cria um sério problema de comunicação. As pessoas percebem quando os padres estão simplesmente lendo um texto de outra pessoa.” Ele sublinha que os pregadores não devem falar para “pessoas virtuais”.

Mas Przyczyna já enfrenta uma reação à sua cruzada contra o plágio. Em entrevista à Catholic News Service, uma agência de notícias confessional, ele afirmou ter recebido reclamações por “perseguir os padres e expor suas fraquezas” ao apontar o problema.

 

 


 

Aumenta espaço de marcas próprias nas redes de varejo Volta

Mídia Eletrônica: http://www1.folha.uol.com.br
TATIANA RESENDE
03/05/2008

Um dos mais eficazes instrumentos de fidelização da clientela usado pelos supermercados, as marcas próprias ganham mais um representante de peso neste mês, com o lançamento da Qualitá pelo Grupo Pão de Açúcar, segunda maior rede de supermercados do país.

O objetivo é que os produtos tenham preço inferior, pelo menos, ao das duas marcas mais vendidas na categoria. A linha inicial terá itens da cesta básica, além de frutas e verduras. Até o final do ano, a marca vai englobar também higiene e limpeza, biscoitos, enlatados e congelados.

Segundo Alexandra Jakob Santos, diretora de marcas exclusivas da empresa, há uma área técnica que trabalha com os fornecedores até chegar ao padrão adequado e, como já acontece em outras redes, há itens que são produzidos pelos mesmos fabricantes das marcas líderes.

As redes não revelam a participação das marcas próprias no faturamento, mas, de acordo com a Abras (Associação Brasileira de Supermercados), elas responderam, na média, por 7% das vendas no ano passado, contra 5,5% em 2006. No início da década, em 2001, eram 4%. "É um instrumento de fidelização dos clientes, assim como os private labels", comentou o presidente de entidade, Sussumu Honda, referindo-se aos cartões de lojas.

Além dos produtos com o mesmo nome da rede, o grupo, que inclui também Extra, CompreBem, Sendas e Assai, já tinha a marca Taeq, voltada ao público das classes A e B. Há produtos em todas as bandeiras, mas o sortimento é diferenciado segundo a clientela.

Santos explica que, após várias pesquisas, foi constatado que os clientes enxergam os produtos de marca própria como itens de baixa qualidade. Por isso, a opção por usar o nome Qualitá, direcionada a um público mais amplo que a Taeq.

Líder no ranking brasileiro de supermercados, o Carrefour tem mais de 800 produtos com a marca da rede, considerando apenas os alimentares.

Com a linha Viver, focada em hábitos saudáveis e dividida em seis categorias (diet, light, orgânicos, zero, funcional e soja), são outros 300. O objetivo é ampliar as vendas em 25% neste ano em relação a 2007.

Terceira maior rede do país, o Wal-Mart Brasil tem 23 marcas próprias, das quais 15 são globais, como a Great Value. De acordo com a empresa, esse segmento cresce, em média, 25% ao ano e vende, em todo o mundo, US$ 126 bilhões. No Brasil, a expectativa de crescimento é de 20% em 2008.

Pesquisa da LatinPanel feita a pedido da Abmapro (Associação Brasileira de Marcas Próprias e Terceirização) mostrou que há uma tendência de o consumidor brasileiro cada vez mais optar por esse segmento na hora de encher o carrinho no supermercado.

Houve um aumento de 58%, em 2005, para 67%, em 2007, do número de domicílios em que os moradores afirmaram ter comprado mercadorias com o nome do próprio estabelecimento ou de uma marca mantida pelo varejista. Essa ampliação significa que, nesse período, 3,8 milhões de famílias passaram a consumir marca própria, chegando ao armário de 29,4 milhões de lares.

 



2ª Semana da USP da Propriedade Intelectual Volta

Mídia Eletrônica: http://www.agencia.fapesp.br
05/05/2008

Com atividades em todos os campi da Universidade de São Paulo (USP), a 2ª Semana USP da Propriedade Intelectual será realizada entre os dias 6 e 9 de maio. O objetivo do evento é difundir a cultura da proteção à propriedade intelectual na universidade.

A programação deste ano abordará a valorização do capital intelectual da universidade por meio de palestras sobre proteção dos resultados de pesquisas das diversas áreas do conhecimento, como: medicina, farmácia, biotecnologia, além de relato de experiências internacionais, legislação para acesso ao patrimônio genético, direitos autorais, entre outras.

O evento, gratuito, será promovido pela Agência USP de Inovação e contará com o apoio do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). As palestras realizadas no campus de São Paulo serão transmitidas ao vivo pelo site www.iptv.usp.br

A Agência USP de Inovação auxilia todos os pesquisadores que queiram proteger o conhecimento gerado por meio de suas pesquisas, definindo uma estratégia de proteção e dando suporte às questões ligadas ao encaminhamento desse pedido junto aos órgãos responsáveis.

 


 

Planejamento autoriza concurso para 126 vagas no INPI Volta

Mídia Eletrônica: http://g1.globo.com
02/05/2008

Informação foi divulgada nesta sexta-feira pelo Ministério do Planejamento.
INPI é autarquia que regula a propriedade intelectual.

O Ministério do Planejamento informou nesta sexta-feira (2) que autorizou concurso público para 126 vagas de níveis médio e superior para o Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), autarquia criada na década de 70 para executar as leis que regulam a propriedade industrial.

 Além das atribuições relativas ao registro de marcas e patentes, o INPI também presta serviços de registros de programas de computador, desenho industrial e contratos de franquia empresarial.

De acordo com a Portaria 90, publicada no Diário Oficial da União nesta sexta, o INPI, que é vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), tem seis meses para lançar o edital. O provimento dos cargos no quadro de pessoal do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual dependerá de prévia autorização do Ministério do Planejamento, "condicionada a fatores orçamentários e financeiros".

Entre as contratações previstas pela portaria serão 108 vagas para a Carreira de Propriedade Industrial, sendo 95 para pesquisador, 7 para técnico e 6 para especialista sênior. As 18 vagas restantes serão oferecidas para a Carreira de Planejamento, Gestão e Infra-Estrutura em Propriedade Industrial, 11 para técnico e 7 para analista. Os vencimentos iniciais variam de R$ 1.089,75 a R$ 9.486,77.

 


 

Paraguai e EUA assinam acordo anti-pirataria Volta

30/04/2008
ASSUNÇÃO

O chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, e o embaixador dos Estados Unidos em Assunção, James Cason, assinaram hoje um acordo sobre propriedade intelectual destinado a fortalecer os mecanismos de luta contra pirataria.

Paraguai foi objeto de sanções por parte dos Estados Unidos devido à proliferação de falsificações de marcas e produtos, em especial aqueles relacionados à indústria audiovisual.

O chanceler Ramírez Lezcano informou que os Estados Unidos se comprometeram em fornecer US$ 350 mil, além de capacitação de recursos humanos, com o objetivo de combater o fenômeno. (ANSA)