
Segunda-feira, 23 de junho de 2008.
Comentários, dúvidas e sugestões:
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1. Roma 1 x Doha 0
2. Poupando recursos para crescer
3. Na defesa do Mercosul, Brasil quase pára Doha, mas impasse foi superado
4. Americanos mostram otimismo com o Brasil
5. Biólogos buscam na natureza receita do etanol de celulose
6. Microsoft busca espaço na propaganda online
7. Incentivo diplomático
8. Quem tem medo da China na África?
9. Biocombustíveis trocam um problema por outro
10. Audácia e ambição (Portugal)
11. Viagra completa dez no Brasil
12. Eduardo Ferreira critica entrada no país de marcas que não obedecem a regras de comercialização (Portugal)
13. A irresistível pirataria
14. Brasil já vive “inovação aberta”
15. Amazônia investe em qualidade e inovação de empresas
16. Redes sociais têm forte influência na imagem de uma marca
Roma 1 x Doha 0 Volta
Mídia Impressa: Valor Econômico
José Graziano da Silva
23/06/2008
Surpreendidos pela dificuldade encontrada para que a declaração final refletisse o avanço efetivo verificado nos debates, as repercussões no Brasil da Conferência recentemente promovida pela FAO não foram muito animadoras. De fato, as profundas divergências sobre o que fazer, que separam hoje os países desenvolvidos dos países em desenvolvimento, reafirma a cada momento a sensação de impotência frente a um desastre que todos reconhecem iminente. No centro dessas divergências estava a questão dos subsídios e do multilateralismo. Não era de se esperar que em três dias se conseguisse um acordo que vem paralisando as negociações em Doha há mais de três anos.
Já no seu discurso de abertura o diretor-geral da FAO, Jaques Diouf, recordava que "em 1996, nesta mesma sala, 112 chefes de Estado e de governo e os representantes de 186 membros desta organização se comprometeram solenemente a reduzir à metade o número de pessoas afetadas pela fome em todo o mundo para o ano de 2015, e aprovaram um programa para alcançar esse objetivo. Não obstante, já em 2002 nos vimos obrigados a convocar uma segunda Cúpula Mundial para chamar a atenção da comunidade internacional sobre o fato de que os recursos que deveriam financiar esses programas se estavam reduzindo em lugar de aumentar, de modo que os objetivos propostos só poderiam ser alcançados em 2150".
Também os pronunciamentos dos chefes de Estado no dia da abertura da Conferência ressaltaram as dificuldades de se chegar a um plano de ação comum. Vou ilustrar com apenas dois dos pronunciamentos que se seguiram, o do Brasil e da Argentina.
O presidente Lula foi enfático: "fiz do combate à fome e à pobreza uma prioridade da ação internacional do Brasil (...) reunimos na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, 60 chefes de Estado e altos representantes de mais de cem países, que aprovaram um documento que propunha medidas ao mesmo tempo viáveis e audaciosas. Mas, findas as reuniões e apagadas as luzes, parece que as pessoas se voltam para seus afazeres do dia-a-dia. Aí, a fome é esquecida, para ser lembrada apenas quando ocorre uma explosão como a das últimas semanas".
E concluiu afirmando que "o que fizemos é muito pouco em relação à enormidade da tarefa (...) apesar do amplo trabalho técnico e da vontade política de alguns líderes, resistências de todo tipo continuam a antepor-se a soluções inovadoras (...) não nos enganemos: não haverá solução estrutural para a questão da fome no mundo enquanto não formos capazes de direcionar recursos para a produção de alimentos nos países pobres e, simultaneamente, de eliminar as práticas comerciais desleais que caracterizam o comércio agrícola".
A presidenta da Argentina, que surpreendeu a todos falando sem ler o discurso preparado, também enfatizou as divergências das distintas exposições. "Podemos extrair visões diferentes acerca de qual é o coração do problema (do aumento de preços), quais são as suas causas; e como divergimos em quais são as causas, também seguramente teremos diferenças em quanto às soluções a implementar neste problema. A caracterização que fazemos acerca do problema alimentar não é somente um problema de produção mas também de distribuição de alimentos". Segundo Cristina Kirchner, entre as causas estruturais estão: 1) "a política protecionista realizada pelos países centrais desde os anos 70, que causou uma expropriação por parte dos países emergentes de seus recursos próprios". 2) "as condicionalidades que os organismos multilaterais de crédito, particularmente o FMI, impostas a distintos países"; e 3) "a forma de organização do mercado internacional, de caráter obligopólico".
Os alimentos são muito importantes para serem negociados em mercados sujeitos a manipulações de interesses privados
Depois de se recusar a aceitar entre as causas da alta de preços o fato de que os pobres nos países em desenvolvimento estejam comendo mais e melhor "porque seria paradoxal crer que o problema é a incorporação de pessoas à uma melhor qualidade de vida", apontou, no seu entender, um quarto e decisivo elemento: "A crise das hipotecas há transladado fortes movimentos especulativos ao mundo de commodities, não somente do mundo agrícola, mas também do petróleo, causando uma ação absolutamente distorcida nos preços dos mesmos".
Cristina Kirchner propôs: 1) "uma conclusão realista da Rodada Doha" para evitar o que chamou de "duplo estándar atual", onde os países desenvolvidos pregam o livre comércio mas mantêm uma política interna protecionista que impede o acesso a seus mercados; 2) "reorientar os financiamentos dos organismos multilaterais para os países que são grandes produtores de alimentos e que incorporaram massivamente novas tecnologias" para que possam estabelecer mecanismos de transferência tecnológica para os demais países menos desenvolvidos; de modo que eles possam também produzir os alimentos que precisam. Como se pode ver, uma receita que vai de encontro aos interesses de Argentina e Brasil, mas não de outros.
Vale lembrar, por exemplo, que em artigo assinado em conjunto com o primeiro-ministro inglês Gordon Brown, publicado no dia da inauguração da Conferência da FAO, José Luis Rodriguez Zapatero, o chefe de governo espanhol e parceiro do presidente Lula em várias das iniciativas internacionais de combate à fome, defendeu "uma rápida conclusão da Rodada Doha que permita uma maior abertura comercial" e exortou os países a "evitar cair na tentação de impor medidas comerciais restritivas, como as proibições as exportações".
Vale lembrar também que centenas de ONGs de todo o mundo protestavam no Circus Maximun (não é nenhuma ironia: era esse o lugar em frente à FAO em Roma) advogando o direito à soberania alimentar, o fim do livre comércio e da especulação financeira, bem como a interrupção das negociações da Rodada de Doha. Não é de se estranhar que não tenha havido um consenso em torno de soluções inovadoras, para utilizar a mesma qualificação de Lula.
Há 60 anos que a FAO tenta acabar com a fome no mundo e tudo o que podemos dizer hoje é que o equacionamento dessa questão, felizmente, é "apenas" um problema de melhor distribuição da renda que garanta o acesso aos alimentos produzidos. Mas a globalização das commodities agrícolas exige que se criem hoje novos mecanismos de regulação de caráter financeiro e regras específicas que permitam fortalecer o comércio de alimentos entre países vizinhos. Ficou claro que os alimentos, assim como a energia, são muito importantes para todos - ricos e pobres - para que possam ser tratados indiferenciadamente como apenas mais uma das inúmeras commodities em mercados sujeitos a tantas manipulações de interesses privados. Daí a reafirmação da importância do multilateralismo, o que sem dúvida fortalece o papel coordenador das Nações Unidas e, por conseqüência, também a FAO. A implantação de políticas de segurança alimentar, não apenas em nível local e nacional, mas também de regiões como Mercosul, Andino, Centro América, Caribe é a nova questão que emerge da reunião de Roma.
*José Graziano da Silva é representante Regional da FAO para América Latina e Caribe.
Poupando recursos para crescer Volta
Mídia Impressa: Valor Econômico
Jeffrey D. Sachs
23/06/2008
Conciliar o crescimento econômico mundial, especialmente nos países em desenvolvimento, com as restrições cada vez maiores aos suprimentos mundiais de energia, alimentos, terras e água é a grande questão de nosso tempo. Os preços das commodities estão em disparada em todo o mundo, não apenas de alimentos e energia, mas também de metais, terras aráveis, água potável e outros insumos cruciais para o crescimento porque o crescimento da demanda está pressionando as limitadas reservas mundiais. Em todo o mundo, o crescimento econômico já está diminuindo, sob as pressões de um petróleo a US$ 135 por barril e preços de grãos que mais que dobraram nos últimos 12 meses.
Uma nova estratégia de crescimento é necessária para manter o progresso econômico mundial. A questão básica é que a economia mundial é atualmente tão grande que está esbarrando em limites nunca antes testados. Há hoje 6,7 bilhões de pessoas no mundo e a população continua a crescer em torno de 75 milhões de pessoas por ano, especialmente nos países mais pobres. A produção anual média por pessoa, ajustada pelos níveis de preços em diferentes regiões do mundo, está em torno de US$ 10 mil, significando uma produção total em torno de US$ 67 trilhões.
Existe, como se sabe, um enorme desnível entre os países ricos, a aproximadamente US$ 40 mil per capita, e os mais pobres, a US$ 1 mil ou menos per capita. Porém, muitos países pobres, mais notoriamente a China e a Índia, alcançaram extraordinário crescimento econômico nos últimos anos mediante o emprego de tecnologias de ponta. Em conseqüência, a economia mundial vem crescendo 5% ao ano. A esse ritmo, a economia mundial dobrará de tamanho em 14 anos.
Isso será possível, porém, somente se os insumos essenciais ao crescimento continuarem amplamente disponíveis e se as mudanças climáticas provocadas pelo homem forem enfrentadas com sucesso. Se a oferta de insumos vitais for limitada ou o clima for desestabilizado, os preços subirão substancialmente, a produção industrial e os gastos do consumidor diminuirão e o crescimento econômico mundial cairá, talvez sensivelmente.
Muitos ideólogos defensores do livre mercado ridicularizam a idéia de que limitações na oferta de recursos naturais hoje provocarão uma redução significativa no crescimento mundial. Eles dizem que o temor de um "esgotamento de recursos", particularmente de alimentos e energia, já acontece há 200 anos e nós nunca sucumbimos. Com efeito, a produção continuou a crescer muito mais rapidamente do que a população.
Essa percepção contém alguma verdade. Melhores tecnologias permitiram que a economia mundial crescesse, a despeito de agudas limitações de recursos no passado. Mas o otimismo simplista baseado no livre mercado é infundado - devido a, pelo menos, quatro razões.
Em primeiro lugar, a história já mostrou como as limitações de recursos podem prejudicar o crescimento econômico mundial. Depois do salto nos preços de energia em 1973, o crescimento mundial anual caiu de aproximadamente 5% entre 1960 e 1973, para em torno de 3% entre 1973 e 1989.
Em segundo lugar, a economia mundial é enormemente maior do que no passado, de modo que a demanda por insumos cruciais de commodities e energia é também imensamente maior.
O mundo rico deveria se comprometer em financiar enormes programas de transferência tecnológica aos países em desenvolvimento
Em terceiro lugar, já consumimos muitas das opções baratas disponíveis no passado. Um petróleo barato está sendo esgotado rapidamente. O mesmo vale para a água disponível no subsolo. A terra também está ficando cada vez mais escassa.
Finalmente, nossos triunfos tecnológicos passados, na realidade, não conservaram recursos naturais, tendo, em vez disso, permitido à humanidade a extração e o consumo desses recursos a custos gerais mais baixos, apressando seu esgotamento.
Considerando o futuro, sabemos que a economia mundial necessitará adotar tecnologias alternativas que economizem energia, água e terras, ou que nos permitam usar novas formas de energia renovável (como energia de fontes solar e eólica) a custos muito inferiores aos atuais. Muitas dessas tecnologias já existem, e até mesmo tecnologias melhores podem ser desenvolvidas. Um problema crucial é que as tecnologias alternativas são freqüentemente mais caras do que as tecnologias atualmente em uso, responsáveis pelo esgotamento de recursos naturais.
Por exemplo, agricultores em todo o mundo poderão reduzir brutalmente seu consumo de água, abandonando a irrigação convencional e adotando a irrigação por gotejamento, que utiliza uma série de tubos para distribuir água diretamente a cada planta - durante a preservação de colheitas ou cultivo de plantações. Mas o investimento na irrigação por gotejamento é geralmente mais dispendiosa do que métodos de irrigação menos eficientes. Agricultores pobres podem não dispor do capital para investir na tecnologia, ou podem não ver vantagens em fazê-lo, se a água é obtida diretamente de fontes públicas ou se o governo subsidia seu uso.
São numerosos os exemplos similares. Com maiores investimentos, será possível fazer crescer a produtividade agrícola, reduzir o consumo energético para aquecimento e refrigeração de edifícios, conseguir maior eficiência em consumo de combustível de automóveis etc. Com novos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, podem ser alcançadas melhorias ainda maiores em tecnologias. Mas investimentos em novas tecnologias poupadoras de recursos naturais não estão sendo realizados em escala suficiente porque o mercado não sinaliza com os estímulos apropriados, e porque os governos ainda não estão cooperando adequadamente para desenvolver e disseminar sua utilização.
Se persistirmos em nosso curso atual, entregando nossa sorte aos mercados - ao deixarmos os governos competindo uns com os outros por petróleo e alimentos escassos - o crescimento mundial diminuirá, sob pressão das limitações de recursos. Mas se o mundo cooperar em pesquisa, desenvolvimento, comprovação de viabilidade e difusão de tecnologias poupadoras de recursos naturais e fontes de energia renováveis, poderemos continuar com o rápido progresso econômico.
Um bom lugar para começar seriam as negociações atualmente em curso sobre mudanças climáticas. O mundo rico deveria se comprometer em financiar um enorme programa de desenvolvimento tecnológico - energia renovável, carros eficientes em consumo de combustível e "edifícios verdes" - e com um programa de transferência de tecnologia aos países em desenvolvimento. Tal comprometimento também criaria a confiança essencial, nos países pobres, de que o controle das mudanças climáticas não se tornará um obstáculo de longo prazo ao desenvolvimento econômico.
*Jeffrey D. Sachs é professor de Economia e diretor do Instituto Terra, na Universidade Colúmbia. © Project Syndicate/Europe´s World, 2008. www.project-syndicate.org
Na defesa do Mercosul, Brasil quase pára Doha, mas impasse foi superado Volta
Mídia Impressa: Valor Econômico
Assis Moreira, De Genebra
23/06/2008
O Brasil praticamente desligou da tomada o tênue fio que mantém ligada a Rodada Doha, na quinta-feira, após um confronto com os Estados Unidos sobre flexibilidade para as indústrias do Mercosul, em um dos momentos mais dramáticos em sete anos da negociação para liberalizar o comércio global.
O resultado é que depois de intervenções do diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, e de trabalhos feitos por economistas da entidade durante todo o fim-de-semana, surgiu uma nova opção para garantir a proteção para o Mercosul. Com isso, ontem à noite, a negociação global recuperou um sopro de vida, depois de a temperatura ter subido forte nas reuniões fechadas, chegando a beira do precipício como nunca havia ocorrido antes.
A negociação sobre a liberalização de produtos industriais estava empacada porque os Estados Unidos, apoiados por outros países ricos, recusavam a metodologia para definir as flexibilidades para as indústrias do Mercosul. Em uma proposta desenhada para o Mercosul, o texto do mediador da negociação, o canadense Don Stephenson, sugere que as uniões aduaneiras possam proteger entre 12% a 14% de suas tarifas de importação industriais, cortando só pela metade do que for fixado para outros produtos. Mas essa flexibilidade não pode superar entre 12% e 19% do valor do comércio do bloco. A questão é como calcular esses percentuais.
A metodologia do mediador prevê que o Mercosul calcule o valor do comércio como bloco. Mas os EUA, sobretudo, recusavam aceitar o Mercosul como união aduaneira e queriam o cálculo separadamente. Achavam que, como está no texto atual, o Brasil ganharia flexibilidade adicional para proteger sua indústria, se escondendo atrás dos outros sócios.
Pelos cálculos do Brasil, porém, o que os americanos queriam era inaceitável porque, na prática, retirava boa parte das linhas tarifárias que o bloco quer proteger. Por exemplo, o valor do comércio de Argentina, Paraguai ou Uruguai receberia o teto previsto das flexibilidades, mas os países só poderiam usar metade das linhas negociadas. Ou seja, se fosse negociado 12%, só poderiam proteger cerca de 6% das tarifas de importação porque, do contrário, rompiam o teto do valor do comércio.
Os EUA organizaram um grupo denominado G-12 para tentar uma solução para a negociação industrial. Além do Brasil e EUA, o grupo reúne UE, Canadá, Japão, China, Índia, África do Sul, Austrália, México, Paquistão e Malásia. O impasse, contudo, continuou em torno do Mercosul e o comissário de comércio da União Européia, Peter Mandelson, chegou a advertir que a semana era decisiva para Doha. Na quinta-feira, o Brasil avisou que na verdade a negociação já estava na prorrogação.
E o momento da verdade chegou quando o representante brasileiro, Roberto Azevedo, bateu simbolicamente na mesa: avisou que ou se resolvia a proteção para o Mercosul antes de uma reunião de ministros, ou a negociação deslizava de vez para o fiasco. Foi o que negociadores chamam de "ter tirado a tomada" da negociação. O Valor apurou que na mesma quinta-feira a tarde, Azevedo voltou a se reunir com o embaixador americano Peter Allgeier e indagou se os EUA buscavam solução ou jogavam para a arquibancada.
Alertado de que a negociação global corria para o abismo rapidamente, o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, convocou Azevedo e Allgeier para uma conversa, em meio à expectativa de outros embaixadores visivelmente pessimistas diante do tamanho do impasse. Fontes concordam que, nesse encontro na sexta-feira cedo no gabinete de Lamy, com vistas para o lago de Genebra, o Brasil e os EUA "lavaram roupa suja" diante do olhar atônito do diretor-geral.
Lamy alertou que o fiasco daquele jeito estava ao alcance da mão. E para evitá-lo propôs que os economistas da OMC fizessem simulações sobre o real valor do comércio do Mercosul para tranqüilizar os dois beligerantes sobre a proteção que o bloco de fato utilizaria para sua indústria.
No mesmo dia, Azevedo deu uma entrevista à imprensa internacional advertindo que, sem progressos na negociação agrícola e cobranças desproporcionais na área industrial, os trabalhos do G-12 estavam ameaçados de serem encerrados ontem, domingo - ou seja, Doha entraria numa longa fase de congelamento.
No sábado, Brasil e EUA voltaram a se reunir na OMC com economistas da entidade, para ver como as simulações seriam feitas. Segundo fontes próximas da entidade, os economistas passaram a madrugada de sábado para domingo preparando opções. Quando o G-12 se reuniu ontem de manhã, os dois beligerantes apresentaram cinco opções de flexibilidade que saíram do secretariado da OMC, como tentativa para satisfazer Washington e o Mercosul
O grupo aceitou uma. Negociadores evitam detalhar, mas avisam que ela mantém a flexibilidade defendida pelo Brasil. O Brasil manteve uma postura cautelosa. Azevedo disse que a proposta será examinada com os outros países do Mercosul. Os EUA diminuíram a pressão. Ontem, tarde da noite, após as horas provavelmente mais perigosas de Doha, Roberto Azevedo, procurado pela reportagem, limitou-se a dizer: "Estou vendo de novo uma luz no túnel".
Americanos mostram otimismo com o Brasil Volta
Mídia Impressa: Valor Econômico
De Nova York
23/06/2008
Tradicionalmente visto como o país do futuro que nunca chega, o Brasil vive um momento especial, na opinião de analistas estrangeiros, que contrasta com o pessimismo em relação aos EUA. No caso dos participantes do seminário da Universidade Colúmbia há duas semanas, o juízo foi unânime: o Brasil superou importantes vulnerabilidades e, agora, deve crescer de forma acelerada e sustentável.
"O Brasil tem sido um "sweet spot" [algo como exceção à regra]. É um dos únicos países do mundo neste momento que podem de fato se beneficiar de um descolamento [da crise americana]", elogia Bill Rhodes, que no passado lidou, em mais de uma ocasião, com crises envolvendo o país.
Nas avaliações feitas por Rubin, Rhodes e Geithner, por exemplo, foi destacado o fato de o Brasil ter estabilizado a economia sem incorrer em "medidas artificiais". "Quem imaginava, há cinco anos, que o Brasil estaria em situação tão favorável como a de hoje? O país está fazendo um trabalho extraordinário", comentou Rubin.
Na avaliação geral, o país superou vulnerabilidades que, no passado, impediam sua economia de crescer por períodos mais longos: a dependência de petróleo (hoje, o Brasil é auto-suficiente e, com as descobertas de novos campos, deve se transformar em exportador em poucos anos) e os déficits em conta corrente, que hoje são cobertos com folga pelos fluxos de investimento estrangeiro direto.
Em tempos de escassez mundial de energia e alimentos, o Brasil aparece com vantagens comparativas. "É um dos maiores beneficiários do boom de commodities, principalmente na área mineral e de alimentos", diz Rhodes. "O Brasil apresenta notáveis oportunidades neste momento. Tem governo estável, uma indústria energética muito atrativa, a classe média está crescendo", diz Abby Cohen.
Um terceiro aspecto mencionado foi o dinamismo do setor privado. "O Brasil tem um dos setores privados mais dinâmicos que já conheci", elogia Rhodes. Uma prova disso é que as ações de duas empresas brasileiras, Petrobras e Vale, estão hoje entre as dez mais negociadas da Bolsa de Nova York, diz Christiaan Brakman, diretor de relações da NYSE com a mídia.(CR)
Biólogos buscam na natureza receita do etanol de celulose Volta
Mídia Impressa: O Estado de S. Paulo
Herton Escobar
23/06/2008
Cientistas vasculham plantas e animais à procura das enzimas necessárias para tornar a tecnologia viável
Quando se formou em biologia, 20 anos atrás, Alexandre Rosado não imaginava que um dia daria entrevistas sobre o futuro energético do planeta. Naquela época, o aquecimento global era quase um mito, o preço do petróleo não chegava nem perto dos US$ 100 o barril e o programa de álcool brasileiro parecia sem futuro. Agora, a história é outra.
A “redescoberta” do etanol e a busca por novas fontes de energia renovável a partir de plantas está transformando completamente o cenário científico da indústria de combustíveis. O líquido energético que antes precisava ser extraído de rochas profundas agora é plantado na superfície, colhido, e plantado de novo. Em vez de brocas, sonares e capacetes, os especialistas agora usam pinças, microscópios e jalecos brancos. As plataformas de petróleo viraram colheitadeiras. A geologia cedeu lugar à biologia. E Alexandre Rosado ganhou uma nova função.
Enquanto a Petrobrás anuncia a descoberta de reservas petrolíferas milhares de metros abaixo da superfície, ele e outros biólogos ao redor do mundo vasculham o intestino de peixes, vacas e cupins à procura de micróbios capazes de digerir celulose e produzir os biocombustíveis do futuro. “É um momento muito interessante, a área está super quente”, diz Rosado, professor há dez anos do Instituto de Microbiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e chefe do Laboratório de Ecologia Microbiana Molecular.
Mais especificamente, os cientistas estão à caça de enzimas com ação celulolítica - ou seja, capazes de quebrar as moléculas longas e duras de celulose em moléculas menores e mais “digeríveis” (do ponto de vista de uma levedura), que possam ser aproveitadas nos processos clássicos de fermentação para produção de etanol. E não há lugar melhor para isso do que o intestino de animais herbívoros, fundos de lagos e outros ambientes exóticos onde matéria vegetal é naturalmente degradada.
A falta dessas enzimas, chamadas celulases, é um dos principais entraves à produção de etanol de celulose. “As enzimas que temos hoje são muito ineficientes e caras”, diz Paulo Arruda, biólogo molecular da empresa Alellyx, de Campinas. “Precisamos digerir mais bagaço com menos enzima. Esse é o gargalo.”
Os especialistas em produzir celulases na natureza são microrganismos. Na UFRJ, os cientistas estudam o arsenal enzimático de micróbios que vivem no intestino de peixes cascudos da mata atlântica. Dentre as centenas de bactérias identificadas, duas novas espécies já foram isoladas e caracterizadas. “São tipos tão diferentes que talvez sejam até gêneros novos”, diz Rosado, que orienta a pesquisa em parceria com a cientista Elba Bon, do Instituto de Química. O trabalho compõe a tese de mestrado do aluno André Castro.
Outro projeto do laboratório é o estudo de comunidades microbianas da água de bromélias - aquelas “piscininhas” que se formam na base das folhas e estão recheadas com microrganismos. Cerca de 500 espécies já foram isoladas e 80%, segundo Rosado, têm ação celulolítica. “A motivação inicial era apenas estudar a biodiversidade microbiana desses ambientes. Quando vimos o potencial que isso tinha para os biocombustíveis, porém, iniciamos a busca por enzimas também”, conta o cientista.
Ele exalta o potencial biotecnológico da biodiversidade brasileira: “Temos reservatórios enormes de genes, enzimas e microrganismos que não são explorados”, diz.
CUPINS
Nos EUA, um dos líderes nessa área é o microbiólogo Jared Leadbetter, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), que trabalha em parceria com a empresa Verenium. Em 2007, ele e vários cientistas da empresa publicaram na revista Nature Biotechnology uma análise de genes e proteínas de bactérias do intestino de cupins. Os insetos foram coletados na Costa Rica, com autorização do governo e participação de cientistas locais, que também assinam o estudo.
A escolha faz sentido: se o objetivo é digerir biomassa, ninguém sabe fazer isso melhor do que um cupim. O intestino do inseto está recheado de bactérias e outros micróbios que secretam celulases. Os cientistas querem isolar essas enzimas e testá-las na produção de etanol. E depois, quem sabe, isolar os genes responsáveis pelas enzimas e transferi-los para outros microrganismos que possam ser incorporados ao processo produtivo.
“Não há dúvida de que a solução para os biocombustíveis está nos micróbios”, disse Leadbetter ao Estado. “É neles que vamos encontrar o software que precisamos para fazer o etanol de celulose funcionar.”
Entender como funciona esse software genético, porém, não será fácil. O mais provável, diz Leadbetter, é que milhares de genes e enzimas participem do processo.
“Todos os resultados indicam que se trata de sistema muito complexo”, diz. A “receita mágica”, portanto, deverá ser um coquetel de enzimas selecionadas de vários organismos e misturadas sob medida para cada tipo de biomassa.
Microsoft busca espaço na propaganda online Volta
Empresa apresentou no Festival de Publicidade de Cannes novas tecnologias para tentar atrair agências e anunciantes
Mídia Impressa: O Estado de S. Paulo
Marili Ribeiro, CANNES
23/06/208
A guerra pela supremacia da propaganda online está apenas começando, embora o Google, que domina os anúncios em link patrocinado, tenha largado com vantagem nesse negócio. A concorrente Microsoft, que aparentemente perdeu o primeiro round, vem tentando se recuperar. Este ano, durante o Festival Internacional de Publicidade de Cannes, que patrocina há sete anos, apresentou ferramentas de mensuração de anúncios online para seduzir agências e anunciantes a investirem mais no meio digital, e também um centro de estudos, sediado na Europa, para acompanhar o desenvolvimento desse mercado.
“O serviço de mensuração deles é capaz de analisar cada clique dado pelo internauta, dando informações mais precisas do que ele realmente observou do que foi exposto na página da web”, diz Fernando Taralli, vice-presidente de Estratégia Digital da Young & Rubicam, que vai experimentar o produto no Brasil. “Vamos testá-lo com alguns clientes.”
A proposta da Microsoft é dar maior qualificação à construção de marca nas outras formas de anúncios, como os banners, e assim fazer frente ao uso do link patrocinado, que, pela simplicidade operacional, vem sendo chamado de commodity no meio publicitário. Ou seja, realiza a venda, mas não constrói marca. O que a Microsoft propõe, segundo Taralli, é uma resposta ao que o Google oferece ao possibilitar estudos do comportamento do consumidor. “Medir a propaganda online tem de ser mais do que uma taxa de volume de cliques”, diz Brian McAndrews, vice-presidente de Advertiser Publish Solutions da Microsoft.
Há menos de um ano na companhia - ele chegou após a aquisição da aQuantive, empresa especializada em endereçar peças publicitárias a públicos dirigidos nos EUA -, McAndrews é um dos defensores da rápida migração do público para os meios online. “Os consumidores passam cada vez mais tempo conectados e esse movimento é irreversível”, diz. “Essa mudança de comportamento requer também outra forma de se fazer publicidade. Ninguém senta à frente de uma tela para assistir anúncios, se pode escolher o que ver. Diante disso, a propaganda tem mesmo de ser engajada e relevante para reter a atenção”.
O espaço ocupado pela Microsoft em Cannes nos últimos anos tem sido crescente. Em especial, como diz Pedro Cabral, presidente da rede Isobar na América Latina - que no Brasil é dona da Agência Click -, porque os investimentos em publicidade online são ascendentes. No Brasil, embora ainda representem cerca de 4% da verba publicitária total, aumentaram 47% em 2007 na comparação com o ano anterior. Nos EUA, segundo dados divulgados no Festival, a participação da mídia digital fica em torno de 8% do total de investimentos no ano.
Enquanto a Microsoft marca presença há sete anos no Palais des Festivals, onde acontece o Festival de Publicidade, a rival Google tem comportamento oposto. Não mostra interesse por uma aproximação com o pessoal do setor que se reúne em Cannes. “Eles sempre dizem que o negócio deles dispensa intermédiários”, diz Cabral.
Mas a crescente presença dos anunciantes no evento justifica maior participação de executivos das empresas digitais. No painel realizado na sexta-feira, que teve Martin Sorrell, CEO do grupo WPP como moderador, representantes do Google, Yahoo, Microsoft e AOL debateram a necessidade de se entender melhor esse consumidor conectado.
Todos falaram em planos e investimentos nessa direção, mas ninguém abriu estratégias de curto prazo para que agências e anunciantes possam construir suas marcas na rede, o que resultou em questionamento de Sorrell, que não vê as verbas de grandes anunciantes, como Unilever e Nestlé, aumentarem nesse segmento.
A presidente do júri de Cyber Lions, a categoria que julga as campanhas criadas para o meio digital, a americana Colleen de Coury, sintetizou os atuais tempos reforçando a idéia de que a tecnologia faz com que o negócio da comunicação viva em constante processo de transição. “É assustador, todo dia é um novo dia e isso requer um novo aprendizado”, disse ela.
Incentivo diplomático
Mídia Impressa: A Folha de S. Paulo
23/06/2008
NUM GESTO bem calculado, os 27 países que compõem a União Européia (UE) decidiram levantar definitivamente as sanções diplomáticas que o bloco mantinha contra Cuba. O impacto da medida é mais simbólico do que prático, dado que as restrições, adotadas em 2003 após a prisão de 75 dissidentes por Havana, estavam suspensas desde 2005. Mas é muito em torno de simbolismos que se dá a disputa sobre os rumos do regime cubano.
Nesse contexto, a UE faz muito bem em premiar o novo dirigente da ilha, Raúl Castro, pelas reformas liberalizantes que vem promovendo desde que substituiu o irmão, Fidel, no comando do país quatro meses atrás.
Muitas das novas regras introduzidas por Raúl têm caráter apenas simbólico, como é o caso da autorização para que cubanos comprem computadores, aparelhos de DVD, fornos de microondas e celulares ou que se hospedem em hotéis de luxo. Mas há também medidas claramente pró-mercado, como a eliminação de tetos salariais para incentivar a produtividade e a introdução da livre iniciativa no campo. Agricultores privados podem agora plantar o que quiserem e arrendar terras públicas. Estima-se que 51% do território agrícola do país esteja ocioso.
Mesmo na esfera política houve avanços importantes, como a assinatura de duas convenções de direitos humanos da ONU, a soltura de alguns dissidentes e o afrouxamento parcial de restrições a viagens internacionais.
A decisão européia vem, portanto, em boa hora. Não se trata, como acusa o governo norte-americano, de legitimar o regime ditatorial cubano, mas de mostrar ao novo dirigente qual a rota que ele deve adotar para reintegrar o país à comunidade internacional. Essa parece ser a melhor forma de promover a transição cubana no menor tempo possível e com menos custos políticos e sociais.
Quem tem medo da China na África? Volta
Com taxas de crescimento médio elevadas, a África terá um papel cada vez maior no contexto econômico global do século 21
Mídia Impressa: Folha de S. Paulo
Jacques d'Adesky
23/06/2008
DESDE A década de 1960, a China tem estabelecido com a África uma cooperação silenciosa e eficaz nas áreas da saúde e construção civil. Nos dias atuais, a presença chinesa no continente africano faz parte da busca pelos recursos naturais indispensáveis para a expansão de sua economia. No plano político, isso implica não se intrometer em assuntos internos, como o não-respeito aos direitos humanos em determinados países africanos.
Com o fim dos acordos preferenciais com a União Européia, a África encontra-se, por sua vez, na obrigação de diversificar seus parceiros comerciais. Nesse contexto, a nova política africana da China é bem recebida, por sua contribuição para o desenvolvimento da agricultura por meio da construção de infra-estrutura -ferrovias, estradas e modernização de portos-, além do fornecimento de máquinas e equipamentos agrícolas de fácil manuseio e manutenção.
A China é hoje o terceiro parceiro comercial da África, logo abaixo da França e dos Estados Unidos. Por meio de uma rede de representações comerciais em 49 países africanos, compra matérias-primas essenciais ao seu crescimento, como cobre, ferro, bauxita e urânio. Desde 2004, tem despontado como o segundo comprador de petróleo, depois dos Estados Unidos e antes do Japão.
Além do comércio, a África aparece como um alvo privilegiado dos investimentos chineses, como uma espécie de plano piloto em uma estratégia para a globalização de suas grandes empresas.
A situação idílica criada a partir desse novo impulso expansionista da China no continente africano é algo para ser aplaudido ou deve ser motivo de preocupação? Sem sombra de dúvida, a presença chinesa não pode ser simplesmente um mar de rosas.
Um levantamento sobre a posição dos países africanos em relação à China ficaria distante de um consenso, abrangendo desde a forte oposição até uma inaceitável subserviência perante o gigante asiático.
Países como Malauí e Namíbia acusam a China de um comportamento predatório, ao empregar mão-de-obra mal remunerada sem assegurar a devida transferência tecnológica.
A crescente atuação dos chineses no varejo das grandes cidades africanas tem provocado descontentamento entre os comerciantes locais, incapazes de competir com os preços até cinco vezes mais baratos que as marcas tradicionais.
Por outro lado, essa situação não desagrada a todos -ao facilitarem aos mais pobres o acesso aos aparelhos eletrodomésticos como TV a cores, DVD, CD etc., os varejistas chineses têm contribuído para democratizar o consumo de massa.
Com elevadas taxas de crescimento médio -em torno de 5,8% em 2007, maior do que o da América Latina, de 5,2%-, o continente africano terá um papel cada vez maior no contexto econômico global do século 21. Nem a China, nem a Europa, nem os Estados Unidos serão capazes de responder sozinhos às imensas demandas de infra-estrutura resultantes da expansão econômica da África.
No início dos anos 1980, o Brasil havia estabelecido com a África um importante intercâmbio comercial e uma rica experiência de cooperação técnica. A recente expansão do intercâmbio Brasil-África atesta a retomada da política africana do Brasil.
O volume total de negócios (importações e exportações) foi multiplicado por quatro, passando de US$ 5 bilhões de em 2002 para US$ 20 bilhões em 2007. O interesse da África pelas tecnologias brasileiras, notadamente no campo do biocombustível, aponta para parcerias promissoras com Senegal, Gana, Argélia e outros.
Essa surpreendente revitalização poderia ter atingido patamares bem mais elevados se a política brasileira em relação à África não tivesse sido abortada na década de 1990.
Por exemplo, se na década de 1980 era possível viajar de avião diretamente do Rio de Janeiro para Lagos (Nigéria), Abidjan (Costa do Marfim) e Casablanca (Marrocos), nos dias de hoje tais viagens implicam estressantes voltas por Paris, Londres e Madri.
Considerando esse novo impulso das relações Brasil-África, é possível imaginar que a concertação multilateral com nossos vizinhos da América do Sul, fomentada pelo Brasil por meio da Afras (Cúpula África-América do Sul), desemboca na diversificação das relações econômico-comerciais, políticas e culturais entre esses dois continentes.
E, diante do papel das diásporas no mundo do século 21, os laços culturais entre a América do Sul e a África poderão constituir para o futuro um trunfo essencial na promoção de uma maior convergência de interesses no campo das relações de cooperação Sul-Sul.
*JACQUES D"ADESKY , 58, graduado em ciências econômicas pela Universidade Católica de Louvain (Bélgica), doutor em antropologia social pela USP, é pesquisador do Centro de Estudos das Américas da Universidade Candido Mendes e coordenador do Programa Sul-Sul do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais.
Biocombustíveis trocam um problema por outro Volta
Para especialista em energia, não faz sentido resolver o problema do petróleo, que é um recurso limitado, por terra, que é outro recurso limitado
Mídia Impressa: Folha de S. Paulo
SÉRGIO DÁVILA
DE WASHINGTON
23/06/2008
NÃO BASTA substituir uma matriz por outra, mas diversificar. Não adianta resolver só do ponto de vista de oferta, trocando gasolina por álcool, mas também de distribuição, que é arcaica, e de demanda, que não pode continuar no nível atual. É o que defende o autor americano dos livros "The End Of Oil" ("O Fim do Petróleo") e "The End of Food" ("O Fim do Alimento").
Seu primeiro livro falava da crise energética. O atual fala da crise alimentar. Nos quatro anos que os separam, um assunto ficou intimamente ligado ao outro. A alta do petróleo ajudou a elevar os preços dos alimentos. Agora, Paul Roberts vê com preocupação o caso brasileiro, em que biocombustíveis como o álcool são tratados como a solução para o primeiro problema.
"Não me parece muito inteligente destinar cada vez mais terras para essa produção enquanto não sabemos com certeza qual será a demanda futura por alimentos", disse, em entrevista à Folha, por telefone, do Estado de Washington, onde mora com a mulher.
O jornalista investigativo de 54 anos defende uma mudança de hábitos dos consumidores.
"Não adianta falarmos que queremos que o governo, a ONU, seja quem for, resolva o problema, desde que nós possamos continuar tendo 2,5 carros, como é a média atual nos Estados Unidos."
FOLHA - "O Fim do Petróleo", título do seu primeiro livro, levará ao fim da alimentação, título do segundo?
PAUL ROBERTS - A crise energética sublinhou o papel central que a energia tem na produção de alimentos. Nós deveríamos saber já há tempos que energia e alimentação são intimamente ligadas e a crise de uma levaria à outra. Isso porque nossa estrutura alimentar foi pensada para um mundo em que o barril do petróleo custa US$ 15 [na última semana, bateu os US$ 140, ante US$ 10 há uma década].
Pense bem, todo o sistema de fertilizantes baseados em petróleo, o sistema de distribuição baseado em caminhões e aviões, tudo depende pesadamente do combustível fóssil. A origem disso tudo é uma época em que a energia era tão barata que quase não era levada em conta na equação.
Só isso já seria o suficiente para fazer a ligação entre as duas crises. Mas há ainda o caso recente dos programas de biocombustíveis, um novo dado na equação alimento-energia. Eles colocam mais pressão no setor de alimentação, pois ambos são feitos de maneira semelhante. Ou seja, antes nós ligávamos a alimentação, que é o setor mais importante do mundo, a uma mercadoria, o petróleo, que estava destinada fatalmente a subir de preço, pelo fato de ser um recurso que acabará um dia.
Agora, estamos substituindo por outro, o biocombustível, que briga por espaço com a própria produção de alimentos.
FOLHA - Em sua opinião, não faz sentido?
ROBERTS - Do ponto de vista de segurança alimentar, não, nenhum. Você troca um sistema que se baseia numa fonte limitada, que é o petróleo, por outro, de outra fonte limitada, que é a terra arável. Uma hora os dois acabam. O biocombustível pelo menos torna o problema mais evidente, por ser visível.
Quando você vê uma plantação de cana, ela está lá, ocupando espaço. Você é obrigado a enfrentá-lo, a pensar a respeito. O petróleo vem do fundo da terra e do mar, oculto. Do ponto de vista do público parece que vem de fonte inesgotável. É óbvio que acabará, mas não é tão visível.
FOLHA - Qual a solução, então? Há uma "terceira via"?
ROBERTS - Há todo tipo de possibilidades tecnológicas sendo pesquisadas neste momento, algumas que eu e você não podemos nem imaginar. Dá para presumir que a inovação vai continuar, principalmente quanto mais os preços subirem, historicamente o melhor estímulo intelectual. Veremos energia nuclear mais segura e barata, algas oceânicas que criem biocombustível de maneira sustentável, estamos próximos de anúncios históricos.
Mas, se a atual crise nos ensina algo, é que não bastará substituir uma matriz por outra, e sim diversificar. Mais: não adianta resolver só do ponto de vista de oferta, trocando gasolina por álcool, por exemplo, mas também de demanda, que não pode continuar no nível atual.
FOLHA - A produção de biocombustíveis diante da crise alimentar domina as discussões. No Brasil, o governo defende que as terras destinadas ao álcool ocupam perto de 2% do total que pode ser utilizado para alimentos. Já o relator especial da ONU sobre o assunto pede moratória de etanol. Qual o seu lado?
ROBERTS - Quando se fala que a terra ocupada para o biocombustível é pequena, eu pergunto: não é terra que poderia estar produzindo alimento? Ou é onde o dinheiro está? Quero ser cuidadoso nesse debate, mas não me parece muito inteligente destinar cada vez mais terras para a produção de biocombustíveis enquanto você não sabe com certeza qual será a demanda futura por alimentos. As pessoas dizem: "Bem, nós sempre podemos mudar de volta a exploração da terra para a produção de alimentos". Sim, mas depois que você constrói usinas ao lado dessas terras, investe bilhões de dólares na infra-estrutura para escoamento da produção, é extremamente difícil mudar. Há a demanda criada, a pressão política...
FOLHA - É possível reprimir a demanda por combustíveis, seja da origem que forem, sem comprometer o desenvolvimento de países emergentes, por exemplo?
ROBERTS - Essa é a pergunta de US$ 40 trilhões [risos]. É difícil, no quadro atual de desenvolvimento econômico. Mas, do jeito que está, caminhamos para o desastre. Faça as contas: pegue a situação das fontes naturais vitais para o desenvolvimento econômico, como água, terra e energia; adicione a mudança climática e o aumento de população; leve em conta que essa população não só cresce como está mais rica e consumista, com apetite por mais recursos.
É a receita do desastre. Não adianta falarmos que queremos que o governo, a ONU, seja quem for, resolva o problema, desde que nós possamos continuar tendo 2,5 carros, como é a média nos EUA, e comprando TV de tela de plasma. Eis a verdadeira discussão. Pegue por exemplo a questão da carne. É uma das mercadorias que mais energia e recursos naturais consome para ser produzida e uma das que mais afeta o ambiente. Os EUA, a Europa e o Canadá consomem em média cem quilos de carne por habitante por ano. A média mundial é muito menor que essa. O resto do mundo não pode comer carne como essas três regiões, ou o mundo entraria em colapso total.
Qual é a conclusão? Os EUA devem continuar comendo mais carne que o resto do mundo? O resto do mundo deve se contentar com menos? Ou nós deveríamos chegar a uma equação mais eqüânime no meio do caminho? Um futuro em que os norte-americanos comam menos carne e todo o sistema global de alimentação se adapte à nova realidade. O mesmo se aplica a todo o resto. Moradia, por exemplo. Nós precisamos de casas com três andares e dez cômodos, mesmo com a família média norte-americana diminuindo? Carros cada vez maiores? Se continuarmos a vender essa idéia, de que sem casas grandes e muitos carros você não é bem-sucedido, de novo, caminhamos para o colapso.
FOLHA - Pela primeira vez, há mais obesos do que famintos no mundo, segundo a ONU. Como chegamos a essa assimetria?
ROBERTS - É perverso, concordo. É a primeira vez na história que ser gordo não é privilégio da elite. Dito isso, o problema da comida não ser distribuída eficientemente acontece já há algum tempo. O Império Romano foi construído em grande parte para permitir o acesso de Roma ao trigo. E Roma garantiu esse acesso de maneira bem-sucedida, porque tinha poder para isso. Eles tomavam o trigo do Egito e deixavam o país com pouco. No século 13, o mesmo aconteceu na Polônia e no mar Báltico, que alimentavam a Europa Ocidental e passavam fome. As potências sempre consumiram mais alimento, à custa dos mais pobres.
Só que isso era menos problemático no século 20, pelo menos na segunda metade, porque vivíamos no mundo do excesso, das sobras. Naquele período, a população explodiu em grande parte por conta da nossa capacidade de processar alimentos industrialmente. Assim, esquecemos a realidade de um mundo com recursos limitados. E isso infelizmente está reaparecendo. Temos uma população enorme, recursos de menos, devemos nos reeducar à luz dessa realidade e nos descolarmos de uma economia alimentar que já tem milhares de anos de idade.
FOLHA - O sr. não é totalmente contra o uso de transgênicos?
ROBERTS - Não, não sou da tribo dos que rejeitam os transgênicos apenas porque são novos e, portanto, perigosos. Meu problema com essa indústria é que ela está voltada para a chamada agricultura dos ricos, para grãos que são sucessos de venda, mas não liga a mínima para as necessidades dos outros 75% da população, que precisa de grãos não tão mercadologicamente importantes. O milagre transgênico serve aos que não precisam do milagre em primeiro lugar. De novo é: onde está o dinheiro? Fazendeiros africanos não têm dinheiro para comprar sementes transgênicas, logo, por que a indústria se preocuparia com eles? Ela está preocupada com a soja, e o pequeno fazendeiro no Quênia não precisa de sementes de soja. Ou seja, a indústria precisa provar que está preocupada com a segurança alimentar.
Eles estão usando nossos preciosos dólares de pesquisa que poderiam estar sendo usados para melhorar a saúde e educar os fazendeiros mais pobres
Audácia e ambição (Portugal) Volta
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Epifânio da Franca, CEO da Chipidea
23/06/2008
A Corporación Tecnológica de Andalucía (CTA) é uma iniciativa regional que se desenvolve na vizinha Espanha e que, pela sua audácia e ambição, bem nos poderia servir de referência e modelo.
A audácia tem a ver com o facto de ser uma iniciativa que coloca a ciência e a tecnologia do domínio universitário ao serviço das empresas e da economia, sem receios ou preconceitos. A ambição tem a ver com os avultados meios envolvidos e, sobretudo, com os objectivos de (1) potenciar a imagem da Andaluzia como região competitiva em estratégias de investigação científica e tecnológica empresarial, (2) operar a transformação para uma economia tecnologicamente avançada e de alto valor acrescentado, (3) tornar a região atractiva para a captação de capital e recursos tecnológicos estrangeiros e (4) assumir-se como modelo de referência de inovação e empreendedorismo tecnológico, não só em Espanha mas também além-fronteiras.
A presidir à CTA está um professor universitário de prestígio internacional, imbuído de um forte desejo de contribuir para a transformação, porventura radical, de uma economia com forte tradição agrícola e turística. A execução da sua missão assenta em quatro aspectos fundamentais do modelo fundacional, de governo e operacional da instituição: (1) ser uma iniciativa pública com gestão privada; (2) ser integradora e fazer 'sentar à mesma mesa' empresários, investigadores e todos os agentes de inovação; (3) ser multisectorial e abranger todos os sectores relevantes da economia andaluza; (4) estabelecer mecanismos que efectivamente assegurem a transferência do conhecimento para a economia.
O modelo de funcionamento é desarmante na sua simplicidade e os resultados surpreendem. São as empresas que candidatam projectos economicamente viáveis e para os quais são obrigatoriamente chamados a contribuir grupos de investigação e universidades. Um quadro de financiamento estável e previsível, cerca de 150 milhões de euros investidos, dos quais 50 milhões financiados pela CTA, e mil investigadores a trabalhar em conjunto com empresas no desenvolvimento de produtos inovadores para o mercado, são testemunho do sucesso da audácia e da ambição.
Tudo isto é fácil, não é caro e pode dar milhões... Apenas é preciso que a ciência deixe de gostar de si mesma e passe a gostar da economia e das suas empresas.
Viagra completa dez no Brasil Volta
Mídia Eletrônica: http://www.alagoas24horas.com.br
22/06/2008
Os dez anos têm tudo para serem comemorados, pois o Viagra, de uma maneira geral trouxe melhoras, porque mais de 50% da população masculina no Brasil tem, problemas de ereção peniana na faixa dos 40 aos 70 anos. O medicamento deve ser consumido através de prescrição médica.
Há dez anos surgia no mercado brasileiro um comprimido promissor para amenizar o problema da disfunção erétil. A droga mais conhecida no mundo todo, o Viagra (sildenafil), hoje atinge uma faixa etária dez anos mais jovem que em 1998, em que o consumo se dava por homens a partir de 50 anos. Foi uma verdadeira revolução, uma corrida as farmácias, muitas vezes sem uma avaliação mais correta se o organismo reagiria favoravelmente pois poderia trazer seqüelas no organismo.
VASOS SANGÜÍNEOS
O Viagra é um vasodilatador, ou seja, aumenta a espessura dos vasos sangüíneos, e conseqüentemente a circulação de sangue. Com isso, a musculatura peniana lisa relaxa, permitindo que o sangue encha o corpo cavernoso provocando a ereção. Os principais efeitos do colaterais do Viagra são dor de cabeça, rubor facial, obstrução nasal, um pouco de dispepsia (azia).
PRESCRIÇÃO MÉDICA
Porém a principal preocupação é o consumo desse medicamento por uma faixa etária ainda inferior aos 40 anos. Além de que, o medicamento só deve ser consumido com prescrição médica. O número de jovens que experimentam esse medicamento cresce a cada dia, e a maior justificativa é a de saber qual os efeitos que ele provoca. Estudos recentes mostram que o Viagra pode ser eficaz para tratar de hipertensão pulmonar, arterial, distrofia pulmonar, entre outros.
EXPIRA EM 2010
Hoje a patente do Viagra é do laboratório Pfizer, estima-se que em 2010 expira-se o prazo, o Laboratório pretende estender por mais um ano, mas o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) se posicionou contra ao prazo. A questão já foi parar na justiça e deverá ser analisada ainda este ano pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). Em 2007, foram vendidos 7,1 milhões de comprimidos de Viagra no Brasil, contra 3,.8 milhões em 1988.
Eduardo Ferreira critica entrada no país de marcas que não obedecem a regras de comercialização (Portugal)
Mídia Eletrônica: http://da.online.pt
Vera Borges
22/06/2008
Esta semana, o Diário dos Açores entrevistou o presidente de Administração da Fábrica de Licores, localizada na cidade da Ribeira Grande, Eduardo Ferreira. De acordo com este responsável: "É preciso ter noção de que os idosos e deficientes necessitam de acessos especializados que facilitem a sua estadia na Ribeira Grande, bem como é necessário facilitar o estacionamento e circulação de autocarros dentro cidade. Para além disso, a cidade da Ribeira Grande tem uma oferta muito limitada no que respeita à capacidade hoteleira, tanto em quantidade como em qualidade. Esse último ponto é extremamente importante e deve ser revertido com alguma urgência".
DA- Como surgiu a empresa?
EF- Iniciei a minha actividade como empresário em nome individual dedicando-me à produção de vinhos e aguardentes. De certo modo, é um gosto que me foi transmitido pelo meu pai, que também produzia vinhos e aguardentes. Depois de viver muitos anos nos Estados Unidos da América, o meu regresso aos Açores foi marcado pelo mito existente em torno do licor de maracujá. Parecia um enigma. Ninguém sabia como fazê-lo. Como a curiosidade é uma característica que marca a minha personalidade, investi o meu tempo na procura da fórmula mágica, até conseguir produzir o tão mítico licor de maracujá dando-lhe uma nova vida.
DA- Tem projectos futuros quanto ao alargamento da empresa?
EF- Sim. Neste momento, já está em execução a ampliação/duplicação da nossa unidade fabril e a aquisição de nova maquinaria com intuito de aumentar as exportações e melhorar as condições de trabalho, de forma a beneficiar a produtividade e qualidade.
DA- Segundo o seu ponto de vista, a formação é importante para o sucesso de qualquer negócio?
EF- É muito importante e é por isso que a empresa tem vindo a investir, cada vez mais, em acções de formação nas mais diversas áreas, desde gestão até à segurança no trabalho, passando por formações que visam não só a aquisição de conhecimentos teóricos mas, sobretudo, de conhecimentos práticos.
DA- Acredita que o turismo será uma mais-valia para a economia açoriana?
EF- Sem dúvida! Actualmente, o turismo representa cerca de 20% das nossas vendas. Este valor é notório, porque reflecte uma área em franca expansão, com várias oportunidades de investimento. Cada vez mais a economia açoriana deve orientar as suas linhas estratégicas para o turismo, de maneira a que este recurso seja também uma base de sustentabilidade da Região.
DA- O que é falta à Ribeira Grande para se tornar num pólo turístico maior?
EF- Neste momento, o ponto fulcral a melhorar é o acesso e disponibilidade da Ribeira Grande a todo o turismo. Para isso, é necessário que se pense em turismo direccionado a todas as idades. É preciso ter noção de que os idosos e deficientes necessitam de acessos especializados que facilitem a sua estadia na Ribeira Grande, bem como é necessário facilitar o estacionamento e circulação de autocarros dentro cidade. Para além disso, a cidade da Ribeira Grande tem uma oferta muito limitada no que respeita à capacidade hoteleira, tanto em quantidade como em qualidade. Esse último ponto é extremamente importante e deve ser revertido com alguma urgência.
DA- Tem aumentado o número de turistas que visitam a sua (loja) Fábrica?
EF- De ano para ano, o aumento é visível. Acreditamos que a promoção que fazemos da nossa empresa é eficaz e atrai os turistas. A visita à nossa fábrica revela-se agradável, pelo facto de ser possível visitar as instalações na sua totalidade, tendo assim os turistas acesso à visualização de todo o processo de fabrico, assim como à prova de todos os licores.
DA- Quais são as maiores dificuldades com que a empresa se depara neste momento?
EF- As maiores dificuldades que a empresa enfrenta são a nível das exportações.
Para que possamos exportar um produto temos que passar por várias etapas que, para além de nos ocupar muito tempo, acabam por ser bastante dispendiosas.
Temos por exemplo, o facto de toda a rotulagem ter de ser modificada, as caixas personalizadas, a obrigatoriedade de serem efectuadas análises nos laboratórios por eles estabelecidos, tendo em conta as normas de exportação definidas por cada país.
Outra dificuldade que enfrentamos é a promoção dos nossos produtos via comunicação social. Os custos que acarreta uma campanha publicitária são demasiado elevados para o nosso orçamento.
O que me impressiona é a burocracia dentro no nosso país para com os produtos nacionais e, digo isto porque existe um número considerável de produtos, de marcas de renome internacional, que não obedecem as regras mínimas de comercialização, como por exemplo, terem os rótulos apenas em inglês. É nesta área que encontro grande dificuldade, porque para sairmos de Portugal são inúmeros os processos e procedimentos a realizar, enquanto que a entrada em Portugal é facilitada.
DA- Se recuasse alguns anos no tempo o que não voltaria a fazer em termos empresariais?
EF- Voltaria a fazer muita coisa igual, contudo teria investido não só na nossa Região, mas também noutros mercados.
DA- Que medidas acredita serem necessárias para mudar a situação económica em que se encontra a Região e o país?
EF- Uma aposta na indústria, em produtos de qualidade e em mão- de- obra qualificada. Penso que este é o caminho para que a nossa Região e país evoluam de forma sustentada.
DA- "Crise económica". Esta frase assusta-o como comerciante?
EF- Assustar não assusta, só faz com que trabalhemos cada vez mais para a qualidade na qualidade.
DA- Marketing e Publicidade são conceitos importantes na sua empresa?
EF- São fundamentais. Tentamos estar presentes e representar a nossa marca no máximo possível de actividades, como em feiras, tal como em todo o tipo de roteiros e mapas da região. Gostaríamos de estar presente na televisão, por exemplo, mas de momento não é possível pelos custos que algo desta dimensão comporta.
DA- Certificação dos seus produtos é uma ambição no seu negócio?
EF- Sim. É por isso que já está a decorrer a implementação da certificação da empresa para que depois seja possível certificar também os produtos por nós produzidos.
A nossa imagem de marca é a qualidade e é nesse sentido que lutamos e queremos evoluir. Há muito que a nossa qualidade é reconhecida, prova disso são as medalhas de ouro conquistadas na Europa. O nosso objectivo é o de continuar a ganhar reconhecimento a nível nacional e internacional.
DA- O que mais gosta de fazer nos tempos livres?
EF- Quando os tenho, o que mais aprecio é estar com a família e dar um "pulinho" à praia.
A irresistível pirataria Volta
Mídia Eletrônica: http://blog.estadao.com.br
por Cláudia Trevisan
21/06/2008
Comprar DVDs piratas está entre as diversões inescapáveis dos habitantes de Pequim. A cidade está cheia de lojas que parecem as vídeolocadoras do Brasil, mas ao invés de alugar, elas vendem os filmes. Os preços variam de R$ 2,50 a R$ 4,00, dependendo do lugar e da qualidade da cópia. Depois de jantar ontem, fui a uma loja de DVDs piratas em Sanlitun, um dos bairros boêmios de Pequim. Era quase meia-noite, o lugar estava cheio e a vendedora me disse que ele só fecharia às 5h.
No fundo da loja, no meio do corredor no qual os clientes passavam, a linha de montagem trabalhava a pleno vapor: um rapaz colocava o DVD em uma caixa preta e o passava a uma moça, que empurrava a embalagem dentro do invólucro que identificava o filme e dava ao produto uma aparência de autêntico _havia uma pilha de DVDs,caixas e embalagens entre eles. Em seguida, uma outra garota embrulhava a caixa em um plástico, que era selado com a ajuda de um ferro de passar roupa que estava à sua frente.
O resultado que vai parar nas prateleiras parece perfeito, ainda que todo mundo saiba que as cópias à venda são piratas. Ontem, comprei “Piaf” (ou “La Vie em Rose”) pelo equivalente a R$ 2,50, o que não paga nem a pipoca de um cinema no Brasil. A caixa com 44 filmes de Wood Allen custa um pouco mais que R$ 100. Ao lado dela, são vendidas as obras completas de Kubrick, Fellini, Hitchcock, Almodovar etc., por preços irrisórios.
As casas de DVDs piratas escapam à censura do governo chinês e vendem uma infinidade de filmes que não serão mostrados nos cinemas ou nas telas de TV do país. O mais novo hit é “Sex and the City”, para o qual muitas lojas fazem listas de espera entre seus clientes, em razão da grande demanda e a escassa oferta. Por incrível que pareça, o filme está proibido na China em razão do seu conteúdo demasiadamente sexual. “Lust, Caution”, de Ang Lee, também pode ser encontrado em qualquer loja de DVD, apesar de ter sido cortado e finalmente banido dos cinemas chineses.
Todos os seriados de TV norte-americanos de relativo sucesso podem ser comprados na China por um preço ridículo, apesar do fato de que quase nenhum deles tem autorização para ser mostrado na TV dentro do país. Nem mesmo o inofensivo “Friends” ganhou o aval da censura chinesa. Imagine “Nip, tuck” ou mesmo “Sex and the City”!
Claro que o baixo custo tem seu preço e muitos filmes vêm com problemas como legendas que não têm nenhuma relação com o que se passa na tela _o que significa que pertencem a outro filme_ ou legendas que correspondem ao que se vê na tela, mas contêm tantos erros de ortografia que acabam se transformando na atração da noite. Também há surpresas bizarras na apresentação dos produtos, como um DVD de “Sex and the City” que traz estampada a fotografia de quatro mulheres que NÃO são as atrizes da série.
Antes que eu seja acusada de apologia do crime, gostaria de dizer que a pirataria é absolutamente institucionalizada na China, com lojas instaladas em alguns dos melhores pontos comerciais da cidade. E ela está longe de se limitar aos DVDs. Mas isso é tema para outro blog...
Brasil já vive “inovação aberta” Volta
Mídia Eletrônica: http://www.revistafator.com.br
21/06/2008
Natura, Embraer, Laboratório Cristália e Omnisys inovam em parceria com outras empresas e universidades.
Inovar em segredo é coisa do passado, e empresas brasileiras já perceberam isso. Natura, Embraer, IBM do Brasil, Laboratório Cristália e Omnisys Engenharia são exemplos de empresas que fazem inovação em parceria com outras empresas ou com instituições de pesquisa. Com isso, praticam o modelo de “inovação aberta” – ou “open innovation”, como definiu Henry Chesbrough, diretor-executivo do Center for Open Innovation da Universidade da Califórnia, em Berkeley.
Chesbrough esteve em São Paulo na última segunda-feira (16) para dar uma palestra no Open Innovation Seminar 2008, primeiro evento totalmente dedicado ao tema no Brasil. Organizado pela Allagi Consultoria, o seminário durou todo o dia e atraiu gestores de empresas e empreendedores interessados em novas formas de superar os gargalos tradicionais na implementação de políticas e estratégias inovadoras nas empresas.
“A inovação agora é global” disse Chesbrough, contrastando com o caráter praticamente individual da atividade desde o início do século passado, quando Thomas Edison ou Henry Ford eram paradigmas da inventividade que transformou o planeta. Esse estilo de inovação, centrada na figura do inventor que cria um produto e o desenvolve em segredo até a comercialização, está caminhando para o colapso, na visão de Chesbrough.
Embora a inovação continue sendo o motor para quase a metade do valor do crescimento econômico dos países ricos, Chesbrough avalia que inovar unicamente com laboratórios e funcionários próprios está cada vez mais caro para as empresas, principalmente as de grande porte. Segundo Chesbrough, em 1971, as empresas com mais de 25 mil empregados eram responsáveis por 70,7% do valor das inovações no mercado, mas despencaram para 40,9% em 2003. Por outro lado, as pequenas empresas, com menos de mil empregados, subiram de 4,4% para os atuais 22,5%.
Uma das razões para essa assimetria, no entender de Chesbrough, é a nova forma adaptativa de lidar com a inovação das pequenas empresas. Com recursos escassos para investir na pesquisa e desenvolvimento cativos, elas apelam para contratos e parcerias externas. “As pessoas inteligentes que trabalham para você precisam falar com outras pessoas inteligentes que não trabalham para você. Esse é o paradigma da inovação aberta”, resume Chesbrough.
As pequenas e novas empresas têm um trunfo natural. “Darwin mostrou que não é o maior ou mais forte que sobrevive, mas quem se adapta melhor”, lembrou o professor, apontando as vantagens adaptativas das pequenas: foco em um mercado específico, capacidade maior de atender um nicho, capacidade de se especializar, custo de expansão menor e presença quase natural na Internet, onde as empresas podem ser mais globais com custos menores e mais competitivos.
Mas não só as pequenas empresas que proliferam nesse novo ambiente. A Procter & Gamble, gigante da criação de produtos de uso pessoal, era uma das mais tradicionais empresas de P&D fechadas. Resolveu abrir o processo de inovação e hoje tem mais de 50% dela vinda de fora. Outro exemplo dramático é a transformação radical vivida pela IBM. Em 2007, a Big Blue abriu 500 patentes para que desenvolvedores criassem soluções para seus usuários.
Após a palestra de Henry Chesbrough, o Open Innovation Seminar teve três mesas de discussão. Na primeira, Natura, Embraer, Laboratório Cristália, IBM e Omnisys Engenharia mostraram que já praticam – com excelentes resultados – o modelo de inovação aberta. A Natura, por exemplo, tem cerca de 200 grupos de pesquisa, formados em universidades brasileiras, cadastrados em seu portal Natura Campus. Já a Embraer está desenvolvendo um novo jato com a participação de 16 empresas parceiras. “Apanhamos prá burro até descobrir o caminho da ajuda de pesquisadores na universidade e da inovação aberta”, disse Ogari Pacheco, presidente do conselho diretor do Laboratório Cristália.
O seminário contou também com a participação de representantes de entidades empresariais, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a entidade que congrega as empresas inovadoras (Anpei) e a que abriga incubadoras e parques tecnológicos (Anprotec). Do setor governamental, participaram o presidente do Instituto Nacional de Propriedade Industrial, Jorge Ávila, e o diretor de Inovação da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), Eduardo Costa.
Balanço – O Open Innovation Seminar 2008 teve resultados francamente positivos. Tanto que a Allagi Consultoria já planeja repetir o evento em 2009, dessa vez com dois dias de programação. Bruno Rondani, diretor da empresa, informou que foram inscritas cerca de 350 pessoas, representando 130 entidades de 13 Estados. “São números excelentes para o primeiro evento sobre um tema ainda novo no País”, avalia Rondani, que destaca ainda “a forte presença da Natura, com a participação de 32 de seus funcionários, e do setor farmacêutico, com oito empresas, além de representantes do Ministério da Saúde e do BNDES”.
O seminário agradou Henry Chesbrough, que se disse “impressionado com o excelente nível dos debates”. Ele elogiou a organização do evento por ter conseguido articular diferentes setores, convidando empresas diversificadas, academia e representantes do governo. “Gostei muito das empresas e tive a oportunidade de aprender sobre o sistema de inovação do Brasil e as oportunidades de empreendedorismo que surgem no País”.
Amazônia investe em qualidade e inovação de empresas Volta
Pequenas e médias empresas do Amazonas são incentivadas a investirem em inovação e tecnologia.
Mídia Eletrônica: http://www.agenciaamazonia.com.br
20/06/2008
MANAUS, AM — Ciência, tecnologia e inovação. São esses os pilares do mundo moderno. Empresas e o setor industrial, como um todo, não podem mais prescindir dos instrumentos de desenvolvimento científico e tecnológico. E a oportunidade de se inserirem nesse mercado já bate à porta das representantes do Amazonas. Na terça-feira, 24, será lançado o novo edital do Programa Amazonas de Apoio à Pesquisa em Micro e Pequenas Empresas (Pappe), versão Subvenção.
“No Pappe Subvenção, o recurso já não vai para o pesquisador, mas sim para a empresa. É uma quebra de paradigma, uma vez que no Brasil não existe uma tradição do governo investir em inovação e tecnologia dentro das empresas”, explica o diretor-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), comparando o novo edital com o lançado em 2004, pela entidade.
Na categoria subvenção, o programa ganha um novo fôlego, recebendo o aporte de R$ 6 milhões de reais, para aplicação de recursos não-reembolsáveis. O público-alvo são as próprias empresas de pequeno porte da região, em detrimento da versão passada que focava pesquisadores associados a empresas. A idéia é consolidar uma cultura de inovação e a competitividade nesses espaços.
Ainda segundo Sena, o programa tem grande relevância por aprimorar toda uma cadeia produtiva, possibilitando mais patentes, registros e processos, criando, assim, mais emprego e renda.
A opinião é compartilhada pelo secretário de Ciência e Tecnologia, José Aldemir de Oliveira. “O investimento direto nas empresas se insere no novo modelo de desenvolvimento que o Estado precisa. Hoje, 87% das pesquisas são realizadas em instituições públicas de pesquisa. Inovar nas empresas se torna possível graças à ação do Governo do estado em C&T e trará como resultado, geração de produtos e renda para a sociedade; esse é o principal impacto que o Pappe Subvenção vai trazer: a devolução dos investimentos será feita diretamente à sociedade, em forma de produtos e processos”.
A proposta do programa é encabeçada nacionalmente pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que alocou o montante de R$ 4 milhões pro PAPPE. Em nível estadual, os esforços são divididos entre a Fapeam (com investimento de R$ 1 milhão), a Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado (Sect), Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico (Seplan, que aplicou R$ 1 milhão), a Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/AM).
O Pappe ainda conta com importantes agentes mobilizadores: o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Amazonas (Idam).
O diretor administrativo do Sebrae, Nelson Rocha, destaca a oportunidade para MPEs que objetivam consolidar-se. “O Pappe, ao permitir que as empresas invistam em processos e produtos inovadores, abre novas oportunidades de mercado. A inovação é, hoje, uma necessidade para alavancar os negócios. E o PAPPE, nesse sentido, posiciona-se como uma solução para os empreendedores que buscam a excelência produtiva".
De acordo com o presidente da Afeam, Pedro Falabella, por conta da experiência e do conhecimento das peculiaridades do Estado, principalmente na área de crédito, a Agência participará de dois comitês, o gestor e o técnico operacional.
“Num segundo momento, quando os projetos que foram contemplados com o Pappe Subvenção e, após análise, apresentarem potencial de mercado, poderão ter continuidade com a disponibilização de recursos reembolsáveis (crédito produtivo), com financiamentos através de linhas de crédito diferenciadas, principalmente característica das Agências de Fomento e dos Bancos de Desenvolvimento”, garante Falabella.
Calendário
Após o lançamento, as empresas interessadas em participar devem se atentar para o seguinte calendário: FASE I: Cadastro da Empresa, que acontece até 25 de Julho de 2008; FASE II: Apresentação da proposta, com prazo até 22 de agosto. A divulgação dos resultados acontecerá a partir de 22 de setembro do ano vigente. Todas as etapas poderão ser acompanhadas pelo site da Fapeam (www.fapeam.am.gov.br).
Capacitação dos candidatos
A ausência de uma cultura de investimento via subvenção, conforme destacou Sena, contribui também para a falta de experiência em elaboração de projetos de pesquisa, por parte das empresas. Para não desmotivar os concorrentes e despertar o interesse de novos segmentos, a Fapeam, o Sebrae, o IEL e o Idam (este com uma responsabilidade grande que é mobilizar empresas do interior) estão articulando com os demais parceiros meios de capacitação de uma parte do próprio corpo técnico, para que eles atendam e dêem suporte aos empresários em todo o processo seletivo.
A idéia é que sejam elaboradas atividades contínuas de motivação e incentivo, inclusive de convite para a participação do edital, até a data final de cadastramento das empresas. Segundo a coordenação do Escritório de Projetos e Negócios do IEL-AM, serão prestadas, ainda, consultorias aos empresários selecionados para elaboração e correção de projetos.
O que é subvenção
Segundo a Lei de n.º 10.973, de 02/12/2004, a Subvenção Econômica é um instrumento de estímulo à inovação tecnológica nas empresas, mediante o qual a União, por intermédio das agências de fomento de ciência e tecnologia (a Fapeam, por exemplo), promove e incentiva a implementação de atividades de pesquisa e desenvolvimento tecnológico com a concessão de recursos financeiros. Em nível estadual, a subvenção é amparada pela Lei nº. 3095, de 17/11/2006.
A Subvenção Econômica atua diretamente no aumento das atividades de inovação, promovendo a competitividade das empresas e da economia do País. Essa nova modalidade de apoio financeiro permite a aplicação de recursos públicos não-reembolsáveis diretamente em empresas, para compartilhar com elas os custos e riscos inerentes a tais atividades.
Serviço:
Data: 24 de junho de 2008.
Lançamento do Edital PAPPE-SUBVENÇÃO.
Local: Auditório Gilberto Mendes de Azevedo – Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM) – Av. Joaquim Nabuco 1919, Centro.
Redes sociais têm forte influência na imagem de uma marca Volta
Mídia Eletrônica: http://www.tiinside.com.br
19/06/2008
O Brasil é o país que mais acessa redes sociais com 18,5 milhões de pessoas que navegaram em sites relacionados a comunidades e blogs, de acordo com uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (19/6) pelo Ibope/NetRatings, que analisou o comportamento dos usuários que navegam de casa por esse tipo de site em dez países da América Latina, Europa e Ásia, além dos Estados Unidos.
O levantamento faz parte da área Analytcs do instituto de pesquisas – uma nova divisão responsável pela análise qualitativa dos dados coletados – e trará análises aprofundadas sobre o impacto das redes sociais brasileiras na construção, sustentação e até mesmo destruição de marca e reputação das organizações.
Segundo dados do estudo, se forem acrescidos a este número os fotologs, videologs e os mensageiros instantâneos, o número salta para 20,6 milhões de brasileiros por mês acessando as chamadas redes sociais. Esse número representa cerca de 90% do total de usuários que acessam a internet mensalmente.
“O crescimento acentuado das redes sociais no Brasil e a influência que elas exercem sobre os usuários que são também consumidores, ainda não são amplamente conhecidos pelas corporações. Pelo que temos observado ao longo dos últimos meses, conhecer bem essas redes sociais e aprender como fazer parte delas não apenas previne eventuais crises ou problemas de imagem das empresas, como também as aproxima de seus públicos, funcionando como uma valiosa ferramenta estratégica”, afirma Alexandre Magalhães, gerente de análise do Ibope/NetRatings e responsável pelo novo produto, batizado de Redes Sociais.
Para apresentar o novo produto, a empresa realizou uma espécie de relatório piloto tomando como referência as grandes montadoras de automóveis e a relação destas com as redes sociais. Os resultados obtidos mostram dados interessantes. Um deles é que caso as montadoras decidissem realizar uma grande campanha para impulsionar o consumo de automóveis e, para isso, utilizassem seus sites oficiais, elas falariam para cerca de 2 milhões de pessoas duplicadas em um mês.
Por outro lado, se os membros das comunidades relacionadas às marcas de veículos decidissem fazer uma campanha a favor ou contra o consumo de veículos, atingiriam 1 bilhão de pessoas duplicadas. Ou seja, 500 vezes ou 49.900% mais impactos possíveis do que as montadoras.
O estudo aponta ainda que 94,1% dos usuários que visitam os sites das montadoras freqüentam comunidades, o que mostra que uma ação das montadoras poderia ser rapidamente contraposta pelos membros das comunidades. No caso contrário, em que os participantes das comunidades visitam sites oficiais das montadoras, o número não chegou a 8% em maio.
Foi constatado também no levantamento que mais de 90% dos membros das comunidades relacionadas a veículos, com sentimentos negativos, positivos ou neutros, têm até 24 anos de idade. Isso revela que uma onda de comentários contra uma marca de automóvel pode matar o futuro comprador.
Magalhães observa que os usuários de comunidades não são homogêneos. “Ao contrário, encontramos variações enormes de sentimentos em relação a quase todas as marcas quando comparamos dois estados vizinhos: Rio de Janeiro e São Paulo. Marcas podem ser odiadas em um local e amadas em outro, o que também indica que a comunicação na internet não deve e não pode ser única para todo o território nacional.” Além disso, os membros de comunidades de algumas marcas de veículos demonstram mais afinidade com marcas de produtos de outras categorias e menos com outras. Informação que, segundo o Ibope/NetRatings, gera possibilidade de comunicação indireta com o público de interesse das empresas.
Para fazer o levantamento dos dados da nova pesquisa, o Ibope/NetRatings tomou como base o Orkut, o maior site de relacionamentos do Brasil, com 17,5 milhões de internautas. O instituto de pesquisas desenvolveu um robô em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) que passou a mapear o freqüentador das redes. O robô capturou as últimas 50 pessoas dessas redes, que ao todo somou a um número máximo de 5 milhões de usuários. O robô varreu as comunidades para avaliar quais outras estavam ligadas a elas.
Segundo o Ibope/NetRatings, esse cruzamento de dados é capaz de até identificar perfil dos internautas por tema, como por exemplo, se ele gosta de esporte, bebidas, que hobbys possui e em que área profissional atual. Da Redação