
Quarta-feira, 04 de junho de 2008.
Comentários, dúvidas e sugestões:
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1. O passo a passo do avanço científico
2. Lula defende etanol contra "dedos sujos de óleo"
3. Os inimigos da Amazônia estão aqui
4. ONU e Banco Mundial defendem explicitamente o etanol brasileiro
5. Hypermarcas incorpora Farmasa e se firma em medicamentos
6. Entidades do setor de software debatem políticas públicas com o governo
7. Crianças influenciam 80% das marcas compradas pelos pais
O passo a passo do avanço científico Volta
Mídia Impressa: Valor Econômico
Rosângela Bittar
04/06/2008
A dramática sessão em que o Supremo Tribunal Federal deu ao Brasil o diploma de país avançado em legislação sobre pesquisa científica foi decisiva mas não a única na trajetória conflituada da Lei de Biossegurança. Em especial, do seu artigo 5º , o que foi objeto de referendo do STF, que permite a pesquisa com célula-tronco.
O artigo é de autoria do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), foi por sua iniciativa criado, e a partir dele tomou forma e personalidade a lei que tramitava no Congresso Nacional.
Em 2003, o governo mandou um projeto de Lei de Biossegurança para o Congresso. Aldo relembra hoje como estava o país, em matéria de pesquisas, àquela época: "O Brasil vivia uma fase de moratória branca nessa área de pesquisa de organismos geneticamente modificados. Não havia legislação nem para pesquisa, nem para produção, nem para comercialização, nem para o consumo". Esta situação impunha sacrifícios. Com tudo parado, as instituições científicas não podiam pesquisar, produzir, plantar, industrializar, comercializar, consumir.
A pressão para aprovação da lei começou tendo como foco a pesquisa com plantas, e só depois entraram as questões relacionadas à saúde. Os pesquisadores da Embrapa, por exemplo, passavam pelo constrangimento de plantar no Brasil e fazer pesquisas em Cuba e na Índia, porque a legislação, aqui, não permitia. A partir desses problemas, o governo juntou idéias dos ministérios do Meio Ambiente, da Agricultura, da Casa Civil, onde foi redigido o texto da Lei de Biossegurança, e enviou-as ao Congresso. "Chegou à Câmara, onde são muitos os grupos de pressão, um monstrengo", define Aldo Rebelo.
Líder do governo na Câmara à época, Aldo recebeu das lideranças o apelo para relatar o polêmico projeto da Lei de Biossegurança. Logo, o deputado recebeu de cientistas a advertência de que o projeto de Lei da Biossegurança deveria contemplar a pesquisa com célula-tronco. Argumentavam que o Brasil estava ficando para trás nesta área de pesquisa importante para a ciência, em primeiro lugar, mas também para a saúde. O relator foi procurado tanto pelas ONGs ambientalistas, quanto por associações de portadores de doenças, seus familiares e grupos diversos já organizados no país. "O país não podia continuar paralisado em uma área do conhecimento decisiva".
Aldo Rebelo foi autor do artigo da célula-tronco
Aldo Rebelo concordou e, em meio às modificações que fez no projeto do governo, criou o artigo 5º para autorizar a pesquisa com célula-tronco. Diz o artigo da que viria se tornar a Lei 11.105, de 2005: "Art. 5º - É permitida, para fins de pesquisa e terapia, a utilização de células-tronco embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro e não utilizados no respectivo procedimento". A permissão está condicionada a condições relacionados em dois incisos e três parágrafos. É preciso ser embriões inviáveis, com determinado tempo de congelamento, consentimento dos genitores e projetos aprovados por comitês de ética em pesquisa. Ficou vedada a comercialização do material biológico, com previsão de pena para o crime.
Mesmo cercado de cuidados e restrições, o artigo 5º , em matéria de controvérsia, disputou as atenções com os transgênicos, até então o centro da polêmica da Lei de Biossegurança, sobretudo sob pressão dos ambientalistas. Os grupos religiosos se concentraram na célula-tronco, mas não tiveram força para evitar que o projeto fosse aprovado na Comissão Especial instituída para analisar a lei.
Chamado então para ser ministro da Articulação Política do governo Lula, Aldo não pôde relatar a lei em plenário. Seu substituto foi Renildo Calheiros (PCdoB-AL) que, sob pressão de grupos religiosos - os evangélicos canalizaram sua voz pela então ministra Marina Silva, os católicos pelo próprio presidente da Câmara na época, deputado João Paulo Cunha (PT-SP) -, derrubou, com uma emenda supressiva, o artigo 5º . No Senado, foi restabelecido, e ao voltar à Câmara, referendado.
Aldo não se surpreendeu com a decisão do STF. "O artigo 5º foi um consenso na comunidade científica, e nela está uma gente muito séria, que já tem tudo preparado, o código de ética, o que é possível fazer, as restrições. A legislação também proíbe a ação de aventureiros que queiram fazer clonagem de ser humano completo, por exemplo. A permissão é de uso na medicina, a favor da saúde. São pessoas corretas que estão nisso, não há risco".
Ciro, o outro
Ele tem viajado bastante, circulado muitíssimo bem por todos os estados e partidos, tem conseguido se desvencilhar de todo e qualquer tipo de desgaste. Do seu partido é o mais importante ministro do PAC do momento, Márcio Fortes, das Cidades, pois é quem tem verbas ao vivo para os projetos que, teoricamente, entrariam em execução imediata nos Estados. Esta é a campanha do deputado Ciro Nogueira (PP-PI) para ser eleito presidente da Câmara, na sucessão de Arlindo Chinaglia (PT-SP).
Por um grande acordo selado na eleição de Chinaglia, o PMDB o apoiaria, decisivamente, como de fato o fez, em troca de ter garantida a vez na sua sucessão. O candidato, escolhido lá atrás, seria o presidente do partido, Michel Temer (SP). Sem compromisso com este acerto, Ciro Nogueira saiu em campanha e está conseguindo, segundo se informa, uma grande adesão. Os desafetos de Arlindo, debitam sua desdita ao candidato do acordo. Os insatisfeitos com o presidente Lula, dão baixa nos sentimentos pela candidatura oficial. No próprio PMDB, os desatendidos em seus pleitos ao governo e à presidência da Câmara bandeiam-se, ou fingem ir, para os lados adversário.
Ciro Nogueira pode dedicar-se 24 horas à campanha e nem a tentativa de severinizá-lo (ele foi o braço direito do ex-presidente da Câmara, rei do baixo clero, Severino Cavalcanti) colou. Como o PMDB define votações e o governo não governa sem ele, a tensão é generalizada: do Planalto ao candidato Temer.
*Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras
Lula defende etanol contra "dedos sujos de óleo" Volta
O presidente Lula discursou ontem na abertura do encontro das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em Roma, e defendeu a produção de etanol a partir da cana-de-açúcar. “Muitos dos dedos apontados contra os biocombustíveis estão sujos de óleo e de carvão”, disse e foi muito aplaudido.
"Críticos do etanol têm dedos sujos de óleo"
Lula diz que petróleo e subsídios agrícolas causam alta dos alimentos
Mídia Impressa: O Estado de S. Paulo
Lisandra Paraguassú, ROMA
04/06/2008
“Vejo, com indignação, que muitos dos dedos apontados contra a energia limpa dos biocombustíveis estão sujos de óleo e carvão.” Com essa frase, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou ontem, na abertura da Cúpula do Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o “lobby poderoso” dos produtores de petróleo pela campanha mundial que ataca o etanol e responsabiliza os biocombustíveis pelo aumento dos preços dos alimentos. Lula chamou a campanha de “burla” e de “cortina de fumaça”.
Muito aplaudido no final do discurso, o presidente também considerou “sem pé nem cabeça” a acusação de que “os canaviais estão invadindo a Amazônia”. Depois de lembrar que toda a Região Norte tem apenas 21 mil hectares de cana, o equivalente a 0,3% da área total dos canaviais brasileiros, Lula disse que essas plantações estão a pelo menos 2 mil quilômetros de distância da Amazônia. E arrematou, com ironia: “A distância entre nossos canaviais e a Amazônia é a mesma que existe entre o Vaticano e o Kremlin”.
Ao falar do preço dos alimentos, Lula fez um prólogo dramático sobre os “flagelos da desnutrição”, propagandeou o fracassado Fome Zero do início do seu governo e disse que “a inflação dos alimentos não tem uma única explicação”. Apontou seis causas para o problema: alta do preço do petróleo, mudanças cambiais, baixa nos estoques reguladores, mais pessoas comendo e - enfatizou - o “intolerável protecionismo” dos países ricos, o que mantém “práticas desleais na produção agrícola”. Disse que “os subsídios criam dependência, desmantelam estruturas produtivas inteiras, geram fome e pobreza onde poderia haver prosperidade”.
Lula chegou a fazer profissão de fé no “mercado livre” como instrumento para melhorar a produção agrícola dos países em desenvolvimento. Disse que, se esse “mercado livre” fosse dominante nos países mais pobres, “talvez não estivéssemos vivendo essa crise de alimentos hoje”.
O presidente aproveitou a conferência da FAO para abrir claramente a sua diferença com o etanol americano, de milho - tratou-o como o colesterol ruim. “É evidente que o etanol do milho só consegue competir com o etanol de cana quando é anabolizado por subsídios e protegido por barreiras tarifárias”, disse. “O etanol da cana gera 8,3 vezes mais energia renovável do que a energia fóssil empregada na sua produção. Já o etanol do milho gera apenas uma vez e meia a energia que consome. É por isso que há quem diga que o etanol é como o colesterol. Há o bom etanol e o mau etanol. O bom etanol ajuda a despoluir o planeta e é competitivo. O mau etanol depende das gorduras dos subsídios.”
São os Estados Unidos que investem na produção do etanol de milho, desviando boa parte da produção alimentar para o combustível, aumentando o preço do grão. Até hoje, o governo americano tem evitado críticas a programas de biocombustíveis porque investe na área na esperança de reduzir a sua dependência do petróleo. Mas, ao mesmo tempo, o governo norte-americano recusa-se a comprar etanol brasileiro e mantém um programa apontado como bastante problemático.
Lula insistiu no potencial dos biocombustíveis para ajudar o desenvolvimento de países com problemas econômicos sérios. Afirmou que o etanol pode ser uma “revolução verde” para os países em desenvolvimento que têm “terra, sol e tecnologia de ponta”.
Se não conseguiu apoio absoluto para as suas teses - os demais líderes que falaram na plenária se restringiram a pedir um debate menos apaixonado e mais estudos -, o programa brasileiro teve uma vitória: o documento da FAO a ser distribuído para os chefes de Estado afirma que só o etanol brasileiro tem se mostrado competitivo quando comparado com outras fontes de energia.
“O aumento do preço do petróleo e do gás tem tornado a bioenergia mais competitiva para todas as aplicações - energia, calor e transporte. No entanto, de todos os biocombustíveis líquidos, só o etanol brasileiro à base de cana-de-açúcar tem sido consistentemente competitivo nos últimos anos, sem necessidade de subsídios contínuos”, diz o documento, lembrando que os incentivos fiscais são hoje a principal arma dos países que investem nesses tecnologias, com exceção do Brasil, para tentar torná-las competitivas, o que distorce o mercado.
Também houve apoio do Secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, e do diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, às críticas brasileiras aos subsídios agrícolas. “Precisamos agir para uma resistência de longo prazo e contribuir para a segurança alimentar global. Isso significa eliminar taxas de comércio que distorcem os mercados”, afirmou Moon.
Diouf foi mais enfático: “Ninguém pode entender como, primeiro, os Países da OCDE criaram uma distorção tal no mercado mundial, com US$ 372 bilhões de gastos em 2006 para apoiar a sua agricultura; depois, que o desperdício de comida em um único país pode chegar a U$ 100 milhões por ano; finalmente, que em 2006 o mundo tenha gasto U$ 1,2 trilhão em compras de armas”, disse ele.
Os inimigos da Amazônia estão aqui Volta
Mídia Impressa: O Estado de S. Paulo
Virgilio Viana
04/06/2008
Uma infeliz série de artigos, incluindo um publicado no jornal The New York Times, realimentou um fantasma que nos persegue há bastante tempo: o risco da internacionalização da Amazônia. Um dos poucos brasileiros que tinham a coragem de apontar para o equívoco desta “iminente ameaça à nossa soberania” era o saudoso senador Jefferson Péres, que, num dos seus últimos discursos, disse: “Não tenho tanto medo da cobiça internacional sobre a Amazônia. Tenho medo da cobiça nacional sobre a Amazônia, da ação de madeireiros, de pecuaristas e de outros que podem provocar, repito, o holocausto ecológico naquela região.”
Não creio que exista uma conspiração em curso com o objetivo de internacionalizar a Amazônia. A lógica é simples: os alegados interesses econômicos de outros países não precisam de tropas ou domínio estrangeiro para usufruir as riquezas da região. Basta ver o setor de mineração, com forte domínio de multinacionais, que lavram nossas riquezas à luz do dia, amparadas pela lei, em todo o território nacional, incluindo a Amazônia. Recentemente, uma licitação colocou nas mãos de um consórcio internacional a responsabilidade sobre a hidrelétrica de Jirau, que terá importância estratégica para a região e o País. Empresas multinacionais apóiam a produção de soja na Amazônia. Poderíamos falar sobre a participação estrangeira em setores estratégicos como telecomunicações, etc... Tudo isso sem a necessidade de nenhuma “invasão” ou “domínio” de outros países ou aquisição de terras por estrangeiros.
Alguns enganos são realimentados pela imprensa e servem para nutrir o debate sobre a “internacionalização”, que deveria ser periférico na discussão sobre o futuro da Amazônia. A frase atribuída a Al Gore não foi dita por ele, mas sim por um congressista norte-americano de pequena expressão. Os cadernos escolares americanos com o mapa da Amazônia excluída do Brasil nunca existiram de fato e foram montados por um site na internet. Existem muitos outros enganos repetidos de forma equivocada.
O cerne da “questão amazônica” é outro e mais incômodo: os inimigos da Amazônia estão aqui mesmo, dentro do nosso país. Na sua quase absoluta totalidade, são brasileiros os que desmatam, produzem e compram madeira ilegal, plantam soja, promovem a grilagem de terras e assassinam líderes dos movimentos sociais. A ação do poder público brasileiro, salvo raras exceções, tem sido insuficiente para reverter esse quadro. Infelizmente, essa é a dura realidade. O problema está aqui, e não no exterior.
A solução inclui quatro componentes principais.
Primeiro, precisamos de um Projeto Nacional para a Amazônia que explicite o óbvio: desmatar é contra o interesse nacional. Das florestas amazônicas depende a chuva que irriga a agropecuária e abastece as hidrelétricas e as cidades em quase todo o Brasil. Soma-se a isto o potencial socioeconômico de produtos florestais, obtidos sob regime de manejo sustentável. O Projeto Nacional para a Amazônia deve seguir o exemplo das políticas de sustentabilidade do Amazonas, baseadas num princípio simples: a floresta deve valer mais em pé do que derrubada.
Segundo, precisamos de políticas públicas eficazes e na escala correta. Sabemos como promover o desenvolvimento sustentável na região. Existem muitos exemplos de sucesso que precisam apenas ganhar escala. Faltam investimentos públicos e gestão eficiente.
Terceiro, precisamos envolver a sociedade civil, universidades e o setor privado numa grande cruzada em prol da sustentabilidade do desenvolvimento da Amazônia. Devemos combinar os conhecimentos tradicional e científico, a criatividade e o empreendedorismo brasileiros a favor de um projeto nacional de sustentabilidade para a região.
Quarto, devemos ser proativos no cenário internacional. O caminho é utilizar o interesse internacional a nosso favor, cobrando dos países desenvolvidos mecanismos financeiros que valorizem o papel de nossas florestas para a sustentabilidade do planeta.
Buscar vilões estrangeiros é mais cômodo e simples, mas, infelizmente, não vai resolver o cerne do problema. O problema está aqui, na nossa cara. De nada adianta satanizar organizações não-governamentais, que, no geral, realizam ações positivas nos campos sociais e econômicos. Dificultar a participação de estrangeiros no desenvolvimento científico e tecnológico da região? Burrice. Deveríamos, ao contrário, fomentar parcerias e a cooperação inteligente. Proteger contra a biopirataria? O caminho é fomentar o desenvolvimento tecnológico e o de indústrias de biotecnologia na região. Deixar as florestas amazônicas fora do mercado de carbono? Não. Deveríamos defender a instituição de mecanismos de pagamento por serviços ambientais para remunerar as populações que vivem na floresta. Ao invés de optarmos por uma posição retranqueira e isolacionista, deveríamos ser proativos e propositivos no cenário internacional.
Obviamente, reposicionar o debate sobre a soberania da Amazônia não significa que devamos negligenciar os interesses e movimentos de outros países na região. Temos de estar alertas. Existem, em toda parte, interesses escusos que devemos combater, especialmente o narcotráfico em áreas de fronteira. Felizmente, os militares representam o que há de melhor em termos de presença do Estado na região, ao desempenharem com competência sua função de guardiões do nosso território.
Identificar os inimigos certos e nossas metas estratégicas é essencial para vencermos a batalha pela defesa da Amazônia. Nosso desafio é cuidar bem da sustentabilidade da Amazônia. Com competência e seriedade. Esta é a melhor arma para defendermos os interesses estratégicos e a soberania do Brasil na região.
*Virgilio Viana é diretor-geral da Fundação Amazonas Sustentável
Site: www.fas-amazonas.org
ONU elogia etanol brasileiro Volta
Na cúpula de Roma, o etanol brasileiro foi citado ontem pela ONU e pelo Banco Mundial como produto competitivo e capaz de ajudar a controlar a crise de alimentos.
ONU e Banco Mundial defendem explicitamente o etanol brasileiro
AMEAÇA GLOBAL: Bird pede abertura de mercado ao álcool à base de cana
Para FAO, das Nações Unidas, biocombustível do país é mais competitivo
ROMA e WASHINGTON. Pela primeira vez, uma agência da ONU e o Banco Mundial, que têm culpado indistintamente os biocombustíveis pela atual crise dos alimentos, farão uma defesa explícita do etanol brasileiro. Um documento preparado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês), para embasar as discussões da reunião de chefes de Estado iniciada ontem em Roma, diz que, entre os biocombustíveis líquidos, apenas o álcool brasileiro é competitivo. Já o presidente do Banco Mundial (Bird), Robert Zoellick, defenderá na cúpula a abertura dos mercados internacionais ao etanol de cana - caso do produto brasileiro -, para ajudar a conter a alta dos preços dos grãos.
A maior parte das críticas aos biocombustíveis costumava ser generalizada, como se a produção do etanol no Brasil tivesse o mesmo impacto sobre o preço dos alimentos que o etanol de milho produzido nos EUA, por exemplo.
No documento da FAO, intitulado "Bioenergia, segurança alimentar e sustentabilidade: em busca de um acordo internacional", a organização afirma que "o aumento do preço do petróleo e do gás tem tornado a bioenergia mais competitiva". No entanto, continua o texto, "de todos os biocombustíveis líquidos, só o etanol brasileiro à base de cana-de-açúcar tem sido consistentemente competitivo nos últimos anos, sem necessidade de subsídios contínuos."
<<Para Graziano, tema é de difícil consenso
No relatório, ao qual o site da BBC Brasil teve acesso, a FAO observa que subsídios e isenções fiscais aos biocombustíveis "introduziram distorções de mercado que favoreceram a produção doméstica e, freqüentemente, tecnologias ineficientes". A organização considera ainda que os biocombustíveis "são um fator significativo" no recente aumento do preço de commodities, pois o aumento da demanda por bioenergia tem levado a uma competição por terras.
Com base no documento, a FAO pretende, ao fim da reunião, chegar a um consenso sobre os biocombustíveis. Hoje, os especialistas estão divididos em três posições, segundo a agência: manter a produção como está, aplicar uma moratória ou construir um consenso intergovernamental. Algo que será difícil na opinião do representante da FAO para América Latina e Caribe, José Graziano da Silva.
"Esse é um dos temas mais controversos (da conferência), e eu não arriscaria qualquer prognóstico. Essas conferências emitem comunicados de consenso. E comunicados de consenso, em geral, não descem ao nível de detalhes e, sobretudo, evitam julgar ações que prejudiquem um ou outro país em particular", disse Graziano, por telefone, à BBC Brasil.
No discurso preparado para a cúpula de Roma, Zoellick, do Bird, afirmará que "a produção de comida tem que dobrar nos próximos 30 anos" e "isso significa (...) abrir mercados para combustíveis à base de açúcar, que não competem diretamente com a comida, incluindo da África."
<<EUA fazem defesa de etanol americano
Ele pregou também a redução de subsídios e tarifas para os biocombustíveis a partir do milho e de sementes oleaginosas, especialmente enquanto os preços desses produtos continuarem subindo no mercado internacional.
O secretário de Agricultura dos EUA, Ed Schafer, aproveitou a cúpula para defender o etanol americano, afirmando que "os EUA estão firmemente comprometidos com a produção sustentável dos biocombustíveis". Os produtores de biocombustíveis de EUA, Canadá e Europa endossaram a defesa. Em carta ao diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, eles pediram que se evitem condenações apressadas.
Hypermarcas incorpora Farmasa e se firma em medicamentos Volta
Mídia Impressa: Gazeta Mercantil
Anna Lúcia França
03/06/2008
Nem bem encerrou seu IPO (oferta pública inicial de ações), a Hypermarcas já dá prosseguimento a sua audaciosa estratégia de aquisições de novas marcas para compor seu extenso portfólio, que vai de higiene e limpeza a beleza, alimentos e mais recentemente medicamentos. Ontem a empresa anunciou um acordo para incorporação do Laboratório Americano de Farmacoterapia S.A. (Farmasa). O negócio, cujo valor não foi revelado, envolve a troca de ações entre Hypermarcas, o GP Investment e família Samaja, criando, assim, a maior farmacêutica brasileira de medicamentos isentos de prescrição médica (OTC), além de se firmar como a quinta maior farmacêutica nacional e a sétima maior do setor no Brasil, segundo comunicado.
Desde outubro, a Hypermarcas já havia adentrado neste segmento de saúde, com aquisição da DM Farmacêutica, que trouxe na bagagem marcas reconhecidas dos brasileiros como Biotônico Fontoura, Melhoral, Engov e Gelol. Tudo indica que agora o plano é prosseguir nesse caminho, com aquisição de nomes consagrados no território nacional como a solução nasal Rinosoro, o laxante Tamarine, o sabonete líquido Lucretin, o analgésico Lisador ou outras marcas que de alguma maneira, estejam no ostracismo no amplo portfólio das farmacêuticas.
Conforme protocolo enviado nesta segunda-feira à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), uma vez consumada a operação, o capital social da Hypermarcas, no valor de R$ 718,7 milhões será aumentado para R$ 1,592 bilhão, mediante a emissão de 39.720.140 novas ações ordinárias, que serão subscritas pelos acionistas do Farmasa.
Os atuais acionistas da Farmasa passarão a integrar o bloco de controle da Hypermarcas e a Farmasa passará a ser subsidiária integral de Hypermarcas. As novas ações do capital social da companhia, emitidas em razão da incorporação de ações, farão jus aos mesmos direitos que forem então assegurados às ações existentes, inclusive participação integral nos resultados relativos ao exercício social deste ano de 2008.
Há seis anos, o empresário goiano João Alves de Queiroz Filho voltou ao mercado, após a bem-sucedida venda da Arisco para a BestFoods em fevereiro de 2000 porUS$ 760 milhões. Com investimento de US$30 milhões ele comprou a Assolan e retomou sua escalada rumo ao sonho de construir uma gigante nacional em bens de consumo bem aos moldes da Unilever. Neste curto período, a Hypermarcas já deve valer algo entre R$ 4 bilhões e R$ 6 bilhões na bolsa, de acordo com avaliações de especialistas.
A entrada em produtos farmacêuticos, porém, dará à companhia mais segurança contra as oscilações do mercado varejista, segundo especialistas. Uma vez que o mercado farmacêutico está em expansão. Outro segmento cujas margens são bastante atraentes é o de cosméticos, no qual a Hypermarcas já colocou os dois pés, com nomes consagrados como Monange, Rastro, Avanço, Cenoura e Bronze e, mais recentemente, adquiriu a participação na Éh Cosméticos, da empresária Cristiana Arcangeli.
"Essa última transação alia a tradição da Farmasa na visitação médica com a expertise da Hypermarcas no segmento de OTCs, dando origem a um dos maiores laboratórios de medicamentos nacionais, com faturamento próximo a R$ 1 bilhão neste mercado", comenta o CEO da Hypermarcas, Claudio Bergamo. "Os negócios da Farmasa e da Hypermarcas são complementares, por isso esta consolidação gerará sinergias que se traduzirão em oportunidades concretas de crescimento para nossa companhia no setor farmacêutico."
Como resultado da transação, a Hypermarcas passa a controlar a totalidade das ações da Farmasa e também terá um incremento em torno de R$ 300 milhões no seu faturamento bruto. Os acionistas da Farmasa, por sua vez, passam a deter, após o negócio, 20% das ações da Hypermarcas.
Em decorrência desta transação, tanto a GP Investments como a família Samaja, que controlavam a Farmasa, passam a integrar o bloco de controle da Hypermarcas, ao lado da Igarapava e da Maiorem, um grupo de investidores de longo prazo mexicano. Assim, a GP Investments e a família Samaja assumem também assentos no Conselho de Administração da Hypermarcas.
Entidades do setor de software debatem políticas públicas com o governo Volta
ABES, Assespro, Softex e Sucesu apresentaram as necessidades do segmento durante o I Fórum de Debates do Setor de Software
Mídia Eletrônica: http://verdesmares.globo.com
04/06/2008
A Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), a Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação, Software e Internet (Assespro), a Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex) e a Associação dos Usuários de Informática e Telecomunicações (Sucesu) realizaram, na última semana, o I Fórum de Debates do Setor de Software. O evento apresentou aos representantes do governo e do legislativo propostas ligadas a capital humano e compras públicas.
O encontro contou com a participação do representante do Ministério da Ciência e da Tecnologia, Antenor Correa; do secretário de Política de Informática da SEPIN, Augusto Gadelha; do secretário adjunto de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rodrigo Assumpção; dos deputados federais Walter Pinheiro, Julio Semeghini, , Paulo Lustosa e Raquel Teixeira. Representando as entidades, participaram o presidente da ABES, José Curcelli; o presidente da Assespro Nacional, Ricardo Kurtz; o presidente da Softex, Waldemar Borges; o presidente da Sucesu-Nacional, Paulo Massara; o presidente da Assespro-SP, Roberto Carlos Mayer; o vice-presidente executivo da Softex, Arnaldo Bacha de Almeida; o presidente da Sucesu-SP, José Jairo Martins.
As associações ressaltaram o papel do governo não apenas como um órgão regulador, mas também como direcionador de tendências e um comprador estratégico; reforçaram a necessidade de um posicionamento neutro em relação à aquisição de softwares livre ou proprietário; e comentaram sobre a importância de garantir a propriedade intelectual. Para as autoridades presentes o governo tem sido coerente em relação à escolha dos programas de computadores a serem utilizados e defenderam o aperfeiçoamento das especificações na contratação de serviços de TI.
Além disso, as entidades apresentaram o cenário atual do setor, alguns fatores que dificultam a formação de profissionais e soluções para reverter esse quadro. Segundo as associações, como 89% das instituições de ensino são privadas muitos estudantes acabam não tendo condições de concluir seus cursos. Além disso, muitas vezes as grades curriculares não atendem as necessidades do mercado. Sendo assim, acreditam que seja importante aprimorar o ensino superior, incentivar a capacitação dos alunos desde o 2º grau, além de construir uma política de estado eficaz. Os deputados reforçaram que o setor de tecnologia é uma fonte preciosa de empregos e salientaram que o ensino brasileiro precisa ser melhorado desde a sua base, para que no futuro esses estudantes se tornem profissionais qualificados.
Segundo as organizações o evento foi muito positivo, pois criou um canal de comunicação importante com o governo e o legislativo, além de possibilitar maior alinhamento entre as necessidades do setor e a definição de políticas industriais setoriais.
Crianças influenciam 80% das marcas compradas pelos pais Volta
Mídia Eletrônica: http://dn.sapo.pt
CARLA AGUIAR
03/06/2008
Quase metade das crianças até aos 12 anos tem televisor no quarto
As crianças portuguesas entre os 7 e os 12 anos gerem cerca de 5,6 milhões de euros por ano através de mesadas ou semanadas, o equivalente aos lucros diários dos quatro maiores bancos privados, e influenciam cada vez mais as escolhas de consumo dos pais. Segundo um estudo da agência de meios Consumer Insight OMG, as crianças metem a colherada em muitas das escolhas lá em casa: 80% das marcas adquiridas pelos pais são influenciadas pelas crianças. Na compra de automóvel, por exemplo, elas chegam a ter uma influência em 67% das decisões.
Mas, de acordo com o estudo realizado em finais de 2007, esta nova geração de tweens (entre a infância e a adolescência) revela preocupações de poupança e planeamento surpreendentes. Quando questionados sobre o que fariam se dispusessem de uma grande quantia, 66% responderam que "guardariam o dinheiro no mealheiro ou no banco".
As respostas levam os autores do estudo a concluir que esta nova geração, em regra mais informada e selectiva, representa uma "mudança de paradigma", assumindo uma "tendência contrária ao endividamento nacional dos anos mais recentes". Isto, tendo em conta os padrões actuais, medidos recentemente pelo Banco de Portugal, que apontam para uma queda de 7,9% na poupança dos portugueses em 2007 e para o aumento dos níveis de endividamento das famílias para os 129% do rendimento disponível anual.
Para a Consumer Insight OMG, a aparente nova atitude, mais racional, no uso do dinheiro "é também resultado do processo de aprendizagem na gestão das mesadas". O estudo refere que 56% das crianças entre os 7 e os 12 anos recebem dinheiro dos pais para gerir, a título de semanada ou mesada, rondando esse valor, em média, os 30 euros mensais, o equivalente a 360 euros anuais.
Neste escalão etário, que representa 15% da população portuguesa, as crianças estão particularmente expostas aos média, à publicidade e à tecnologia. Quase metade (44%) dispõem de televisão no quarto, sendo que 55% afirmam gostar de ver publicidade. As marcas que gozam de maior notoriedade entre este grupo são, por ordem descendente, os sumos, bolachas, cadeias de distribuição, telecomunicações e congelados.
Outro dado relevante é que uma em cada cinco crianças entre os 5 anos e os 12 anos de idade tem um telemóvel, com 70% a utilizá-lo para enviar SMS várias vezes ao dia. Quanto à internet, daqueles que a ela acedem, a grande maioria (73%) fá-lo a partir de casa, sendo que apenas 23% utiliza a internet na escola. No acesso à internet, existe um elevado grau de autonomia, uma vez que 71% fazem consultas sozinhos, sem a companhia dos pais, o que só se verifica em 24% dos casos.
A chamada geração Net, nascida depois de 1995, nasceu com um rato nas mãos e um écrã de computador como janela para o mundo, ensinando, pela primeira vez, pais, avós e professores.