
Terça-feira, 03 de junho de 2008.
Comentários, dúvidas e sugestões:
sercom@inpi.gov.br
1. Decisão corajosa
2. Caminho virtuoso
3. O mundo de cabeça para baixo
4. Devastação em ritmo acelerado
5. Negócios & Cia
6. As vantagens competitivas do Brasil quanto à celulose
7. Para Brasil, subsídio agrícola causa "destruição em massa"
8. O futuro do Brasil é sem fio
9. 12º Fashion business amplia área e agrega novas grifes
10. Menos de um terço de portadores do HIV tem acesso a remédios contra aids
11. Brasil vence disputa contra subsídios ao algodão nos EUA
12. CADE: Convergência tecnológica é irreversível
13. FEEVALE: Pesquisa na área de nanotecnologia busca o desenvolvimento de produtos inovadores
Decisão corajosa Volta
Mídia Impressa: Folha de S. Paulo
Benjamin Steinbruch
03/06/2008
Quando se trata de vida humana, a autoridade pública precisa ter a coragem não só de proibir mas de autorizar
É MUITO difícil cuidar de temas que envolvem fé. Corre-se o risco de desrespeitar princípios de pessoas guiadas por legítimos direitos à religiosidade.
Por isso, foi muito corajosa a decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal na semana passada, ao aprovar a continuidade de pesquisas com células-tronco embrionárias para usos terapêuticos no país. O julgamento dividiu a corte suprema, formada por homens e mulheres de ilibada reputação, e colocou em lados opostos a comunidade científica e parcelas da população que nutrem convicções religiosas. O placar apertado -seis ministros votaram a favor das pesquisas, e cinco, contra- mostra o tamanho das divergências.
Deixo claro, desde logo, que considero a decisão acertada. Mas, ao longo da discussão, que já dura três anos no país -começou com a aprovação da Lei de Biossegurança-, às vezes perdeu-se um pouco o foco do debate.
Trata-se, na verdade, de uma discussão sobre a origem da vida. Para a Igreja Católica, por exemplo, a vida começa no exato momento da fecundação. Assim, como as leis obviamente proíbem a qualquer pessoa tirar a vida de outra, ao manipular e destruir um embrião o cientista estaria cometendo um crime. Convicções científicas, porém, sustentam que a vida só se inicia no momento em que o embrião é transferido para o útero materno para se transformar em um ser humano.
Não creio que o Supremo tenha respondido a essa questão de cunho quase filosófico. Mas a decisão abriu caminho para que os cientistas brasileiros possam acompanhar sem ressalvas o avanço das pesquisas nesse setor, muito importante para renovar esperanças de pacientes acometidos de moléstias hoje consideradas incuráveis.
As células-tronco dos embriões, segundo os cientistas, têm a capacidade de se transformar em outros tecidos do corpo humano. Podem regenerar ossos, nervos e músculos, por exemplo. Por isso, podem ajudar a combater um grande número de doenças, desde as cardiovasculares até as neurodegenerativas e as paralisias provocadas por traumas na medula espinhal. As dezenas de pessoas que acompanharam o julgamento do Supremo em cadeiras de rodas dão uma mostra da esperança que a decisão trouxe para milhares de brasileiros, diante da perspectiva de que as células-tronco possam ser usadas para recuperar tecidos danificados do corpo humano.
É lícito considerar, portanto, como disse o leitor Luiz Thadeu Nunes e Silva, em carta a esta Folha, que a decisão do Supremo foi "uma vitória da vida". Merece elogio especial o comportamento lúcido do ministro Celso de Mello, ao dizer que o Tribunal deveria optar pela concepção de início da vida que mais se adaptasse ao interesse público.
E também sua firmeza ao evitar que, após o encerramento da votação, a vitória fosse atenuada com a ressalva de que as pesquisas terão de ser acompanhadas e fiscalizadas pela Conep (Comissão de Ética e Pesquisa).
Mesmo sendo leigo no assunto, deixo hoje de lado a economia por considerar o tema de grande relevância para o país. Como as pesquisas com células-tronco ainda estão no início, a abertura permite ao Brasil entrar na competição mundial nesse setor em igualdade de condições, desde que, a partir de agora, haja coordenação de trabalhos e apoio financeiro explícito ao desenvolvimento das pesquisas.
Quando se trata de vida humana, a autoridade pública precisa ter a coragem não só de proibir mas também de autorizar.
*BENJAMIN STEINBRUCH , 54, empresário, é diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional, presidente do conselho de administração da empresa e primeiro vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
Caminho virtuoso Volta
Mídia Impressa: O Estado de S. Paulo
Xico Graziano
03/06/2008
Agricultura sustentável. Assim se denomina a filha do casamento entre o ruralismo e o ambientalismo. Seu bonito nome, futurista, carrega enorme desafio: compatibilizar a produção rural com o meio ambiente. Será possível?
O assunto começa controverso. Acontece que, historicamente, o avanço da agricultura sempre exigiu o aniquilamento de áreas naturais, surrupiadas para servir à produção humana. Não havia, nem se conhecia, outra forma de expansão. Assim, o progresso da humanidade somente pôde ocorrer com o domínio do território virgem, transformando-o por meio do cultivo da terra. O desmatamento, portanto, pertence à antropologia.
Há 10 mil anos se processa a domesticação do mundo selvagem, livrando a espécie humana do nomadismo. Inicialmente, o efeito deletério para a natureza se resume à supressão de vegetação. O fogo ajuda na coivara, pântanos são drenados. Milênios se passam, a população explode. Até chegar à moderna civilização.
Descobre-se, então, novo e perverso fenômeno ecológico: a perda da biodiversidade. Aí se complica a produção rural. Ocorre que os agroecossistemas, ao serem implantados, simplificam o ambiente, rompendo as cadeias produtivas da natureza. E cada perda de complexidade significa tendência à maior instabilidade. Por isso, em decorrência da alteração causada pela força do homem, surgem pragas e doenças. Tal problema inexiste, salvo ocasionalmente, nos ecossistemas originais. Quem garante são os predadores naturais, que controlam a população das espécies. Chama-se homeostase tal clímax.
Como se percebe, o problema ecológico da agropecuária reside, exatamente, em seu próprio berço. Primeiro, pela necessária supressão da vegetação nativa. Segundo, porque a implantação de sistemas produtivos tende a elevar, permanentemente, a instabilidade do processo. Vencer esse endêmico obstáculo é o papel fundamental da agronomia, a ciência da terra. Como? Por meio da tecnologia.
Vejam as pragas e doenças. Num primeiro momento, venenos terríveis se utilizam no combate a elas. Funcionam, entretanto, por breve tempo. Novas espécies de dano surgem, resistentes aos agrotóxicos. Mais tarde, utilizando-se nova geração de defensivos agrícolas, avista-se o controle integrado de pragas. Neste se alterna o controle químico com práticas culturais. A inovadora idéia, viabilizada com o avanço no conhecimento, minimiza os impactos ambientais da agropecuária.
Pensando assim, nasceu, muito antes, a agricultura orgânica. Vinculada aos movimentos religiosos ou naturalistas, no Japão e na Alemanha especialmente, grupos de agricultores alternativos se propuseram a desenvolver sistemas de produção rural pouco agressivos à natureza. Embora menos produtivos, avançaram e conquistaram sucesso. Foram rotulados de "agricultura alternativa".
Empurrados pelo mercado, recentemente se aproximam a agricultura comercial e a produção orgânica. Aquela, buscando qualidade; esta, ganhando eficiência. Ambas experimentam movimentos renovadores e, certamente, a nova fronteira despertada pela biotecnologia irá sedimentar sua integração. Espera-se que a engenharia genética, ao criar plantas resistentes, dispense o uso de agroquímicos e favoreça a agricultura "natural". Ironia da história.
Tiro no pé. Com a evolução tecnológica, o desmatamento, especialmente nas regiões tropicais, passou a ser visto como empecilho ao desenvolvimento rural. Chega o conceito da sustentabilidade, exigindo visão de futuro. O corte raso, ou o correntão, aquele que tudo destrói, acabou condenado. Após anos surrupiando a beirada do rio, com medo da malária, surge a recuperação da mata ciliar. Começa a proteção dos mananciais.
Ao contrário de antigamente, defender agora o desmatamento soa atrasado. A grande vantagem está na tecnologia, que permite elevar a produção na mesma área. Ou sem área alguma, como na hidroponia. Na pecuária, a produtividade cresce de forma sensacional, liberando antigas pastagens. Resultado: o Brasil não precisa mais derrubar nenhuma árvore para aumentar sua produção agropecuária.
Em 5 de junho se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente. A agenda é complexa, do combate à poluição à proteção das florestas. Mesmo difícil, avança o tema do desenvolvimento sustentável. A cada ano aumenta a consciência coletiva sobre a necessidade de conciliar o crescimento econômico com a preservação. Pudera, no aquecimento global se vislumbra a tragédia.
A agricultura, se enfrentar a peleja, ajuda na solução. Florestas se plantam facilmente. Árvores seqüestram carbono da atmosfera para respirar na fotossíntese. Sua energia se renova no alimento que gera. Falta acertar o passo na história, rever o passado, construir um futuro de maior sintonia com a natureza. Produzir conservando, conservar produzindo.
A chave do caminho virtuoso está na educação ambiental. Os produtores rurais passam por um duro aprendizado. Suas tradições, recolhidas na recente história familiar, os ensinaram a abrir florestas e campos, ocupando várzeas e veredas, pois a expansão da cidade exigia comida farta e barata. Em duas gerações, de heróis do desenvolvimento os desbravadores viraram vilões do desmatamento.
Não será longa, nem difícil, a transição produtiva na agropecuária se aos homens do campo for dado o direito ao conhecimento, para que entendam corretamente o apelo ecológico da sociedade atual. E consigam descobrir, pela tecnologia, como vencer o desafio inato do usufruto da terra. Proativo, participante, respeitado, o agricultor poderá ser o ambientalista do amanhã. E o ecologista agradecerá ao ruralista pelo alimento saudável na mesa.
Tomara.
*Xico Graziano, agrônomo, é secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. E-mail: xico@xicograziano.com.br
Site: www.xicograziano.com.br
O mundo de cabeça para baixo Volta
Mídia Impressa: O Globo
Roger Cohen
03/06/2008
Por um tempo, o mundo estava plano. Agora, está de cabeça para baixo.
Para entender isso, inverta seu raciocínio. Veja o mundo desenvolvido como dependente do mundo em desenvolvimento. Entenda que dois terços do crescimento da economia mundial vieram de países emergentes, cujas economias vão se expandir cerca de 6,7% em 2008, contra avanço de 1,3% previsto para EUA, Japão e zona do euro.
O brusco aumento nos preços de energia, commodities, metais e minerais produzidos principalmente nos países em desenvolvimento explica parte da mudança. Isso criou os excedentes de dólares no balanço de pagamentos dos fundos soberanos de país da região do Golfo e no Leste da Ásia. Eles se divertem comprando uma fatia da BP aqui, um naco do Morgan Stanley acolá.
Nós, da espécie do mundo desenvolvido paleolítico, nos tornamos presas para os novos ricos, nosso papel de predador se exauriu.
Para colocar essa inversão em foco, ajuda estar no Brasil, onde o otimismo econômico, tão exuberante quanto a vegetação, aumenta no mesmo ritmo das execuções hipotecárias nos EUA.
Descoberta de grandes campos de petróleo, boom do etanol, vastas reservas de terras agricultáveis, riqueza mineral e água doce abundante contribuem para a bonança brasileira. Mas recursos naturais são apenas parte da história. O mercado interno está impulsionando o crescimento, e a sofisticação corporativa está crescendo.
A Petrobras, que levou o Brasil à auto-suficiência em petróleo, vai mais que dobrar sua produção, para 4,2 milhões de barris em 2015. E a Vale, como muitas empresas de países emergentes, vive uma farra de aquisições. É uma nova gigante das Nações Recém-Compradoras (NAN, na sigla em inglês).
*ROGER COHEN é colunista do "New York Times"
Amazônia perdeu em abril área equivalente à do Rio
Somente em abril, foram desmatados da Amazônia 1.123 km², quase a mesma área de todo o município do Rio de Janeiro, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O estado que mais destruiu a floresta foi Mato Grosso, do governador Blairo Maggi: 794,1 km² (70,8% do total). Para o Inpe, o balanço de abril comprova o crescimento acelerado da devastação: no período de 12 meses entre agosto de 2006 e agosto de 2007, o sistema Deter apontou 4.974 km² de desmatamento. Nos nove meses entre agosto de 2007 e abril de 2008, 5.850 km² já foram derrubados. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, admitiu que o aumento no desmatamento é preocupante e anunciou que o governo iniciará uma ofensiva ao "boi pirata": haverá apreensão de gado criado em pastagens ilegais. O secretário de Meio Ambiente de Mato Grosso atribuiu parte da culpa pelo desmatamento aos índios. Maggi minimizou os números.
Devastação em ritmo acelerado Volta
POLÍTICA AMBIENTAL
Em abril, Amazônia perdeu área equivalente à da cidade do Rio; MT tem maior desmatamento
Mídia Impressa: O Globo
Soraya Aggege
03/06/2008
Odesmatamento da Amazônia voltou a crescer em ritmo acelerado. Em abril, foram desmatados pelo menos 1.123 km², área equivalente à da cidade do Rio de Janeiro, segundo divulgou ontem o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com base no Deter, sistema que só mostra grandes áreas de desflorestamento. Em março, o desmatamento havia sido de apenas 145 km², mas 78% das áreas de floresta estavam encobertas por nuvens (em abril, a área coberta por nuvens era menor, de 53%, e os satélites puderam detectar devastação bem maior). Mas, proporcionalmente, o aumento da área desmatada foi bem maior do que a melhora na visibilidade da região.
O estado que mais derrubou a floresta foi Mato Grosso: 794,1 km², ou aproximadamente 70,8% do total apurado pelo Inpe. Mas o ranking ainda não incluiu outras regiões de avanço das fronteiras agrícolas, como o Pará, encoberto de nuvens que impedem o registro dos satélites. Em abril, o Pará estava com 89% do território encoberto e Mato Grosso, com apenas 14%.
Para o Inpe, o balanço de abril comprova o crescimento da devastação: em 12 meses, entre agosto de 2006 e agosto de 2007, o mesmo sistema Deter mostrou 4.974 km² de desmatamento. No entanto, no período de nove meses entre agosto e abril de 2008 já foram registrados 5.850 km² de desmatamento. O Deter capta, geralmente, cerca de metade do que geralmente é mostrado pelo outro sistema, o Prodes, que é mais detalhado, mas só é feito anualmente. O próximo Prodes será divulgado em dezembro.
- A situação é muito preocupante. Com os dados que temos, afirmamos com certeza que há um crescimento claro do desmatamento da Amazônia. O processo de devastação é mais intenso do que imaginávamos - disse o diretor do Inpe, Gilberto Câmara.
Reservas são pontos de resistência verde
Para se ter uma idéia do que está acontecendo na floresta, o Inpe fez um cálculo aproximado, baseado nos últimos 20 anos de monitoramento na Amazônia Legal: a cada dez segundos, desmata-se uma área equivalente a um campo de futebol. A Floresta Amazônica somava 4 milhões de km². Um total de 700 mil km² já foram derrubados. Destes, mais de metade (360 km²) foram desmatados desde 1988, quando o Inpe passou a monitorar a Amazônia.
O recorde de desmatamento em Mato Grosso não pode ser considerado definitivo. De acordo com o Inpe, em abril o estado apresentou menos nuvens no céu, o que facilitou a cobertura dos satélites. Mas nos 14% que estavam encobertos podem ter ocorrido mais desmatamentos. Sem falar nas áreas menores que 25 hectares, já que o Deter só capta as maiores devastações. Por outro lado, estados que costumeiramente têm altos índices de desmatamento, como o Pará, não foram analisados.
- Podemos ter surpresas muito piores nos próximos meses - avalia o coordenador do programa de Amazônia no Inpe, João Vianei.
O segundo estado que mais desmatou em abril, pelos dados parciais do Deter, foi Roraima: 294,8 km². Nuvens cobriam só 18% do estado. Já em Rondônia, o registro foi de 34,6 km², com taxa de cobertura de 95% (5% de nuvens). Mas não há o que comemorar:
- O fato é que Rondônia não tem mais áreas a serem desmatadas. O que sobrou é formado por reservas legais e indígenas. As indígenas ainda não foram atingidas, mas nas demais o processo é diferente - disse Câmara.
Os desmatamentos já cercam áreas como o Xingu:
- Notamos que as áreas indígenas e outras reservas legais é que estão contendo o desmatamento mais generalizado ao redor - disse Câmara, explicando que elas formam uma espécie de bolsão verde em meio a grandes áreas de desmate.
O estado que menos tem desmatado é o Amazonas, onde foi registrado corte de 8,4 km².
Negócios & Cia Volta
Mídia Impressa: O Globo
Flávia Oliveira
03/06/2008
Os franceses Jean-Luc Barbier e Charles Goemaere falam amanhã, no INPI, sobre Indicação Geográfica dos vinhos de Champagne. Vão tratar das vantagens competitivas da certificação.
As vantagens competitivas do Brasil quanto à celulose Volta
Mídia Impressa: Valor Econômico
Rafael Salgado
03/06/2008
Muito tem-se noticiado a respeito de setores relacionados a commodities metálicas e ao petróleo nos últimos anos. Empresas brasileiras têm se tornado grandes corporações em meio à dinâmica global dos dias de hoje, a exemplo de Petrobras e Vale. A primeira, com investimentos e descobertas de novas reservas cada vez maiores, e a segunda, com a ambição de tornar-se a maior mineradora do mundo.
O momento pelo qual passa o país, conseqüência do seu desenvolvimento e crescimento, é mesmo inédito, tornando-o um importante "player" de mercado. Mas não somente em commodities metálicas e petróleo o Brasil têm-se destacado e demonstrado forças e vantagens competitivas. Outro setor, que também possui dinâmica própria de crescimento e cada vez mais conquista espaço ante os concorrentes internacionais, é o de celulose.
Com o aquecimento do mercado global e o impulso provocado pelo crescimento chinês, a celulose tem sido um produto cada vez mais escasso na oferta mundial. Os estoques mundiais estão cada vez mais baixos e países produtores de celulose possuem extensões territoriais limitadas. O aumento da demanda por celulose provoca crescentes valorizações no preço desta commodity.
Diante desse mercado tão aquecido, o Brasil tem se destacado, com diversas vantagens competitivas ante seus competidores. Por aqui, as questões ambientais, apesar de não menos rigorosas que externamente, são amenizadas pela vasta extensão territorial, o que proporciona maiores possibilidades de formação de florestas. Além disso, o clima brasileiro é propício à plantação de eucalipto, matéria-prima para a produção de celulose de fibra curta, o que nos torna o principal produtor mundial nesta categoria. Ressalte-se ainda que a produtividade da celulose no Brasil é bem superior comparativamente: o corte do eucalipto se dá em sete anos, ante mais de 20 anos nos demais países. Possuímos um dos menores custos para a produção de celulose, portanto. Em se tratando do potencial de receitas, a celulose de fibra curta está cada vez mais barata e torna-se substituta da celulose de fibra longa, amplamente utilizada pelos fabricantes de papel.
Os ganhos ante a competitividade mundial fazem com que as empresas atualmente fabricantes de celulose e papel foquem seus investimentos na procura por mais florestas, assegurando condições para ampliar sua capacidade de produção. Como exemplo, citamos investimentos realizados pelos principais participantes do setor: a Suzano Papel e Celulose, que inaugurou no ano passado a segunda linha de produção de sua fábrica em Mucuri - a maior linha de produção de celulose do mundo -, que contribuirá com um aumento de 116% na produção e o incremento de um milhão de toneladas de celulose de eucalipto no mercado para as atuais 830 mil.
A Votorantim Celulose e Papel é outro exemplo e deve inaugurar, em 2009, sua unidade em Três Lagoas, com aumento de 1,3 milhão de toneladas em sua atual capacidade produtiva. Por último, a Aracruz, com novos projetos para expansão em avaliação e que possui em curso os projetos Guaíba e Veracel, visando fornecer 25% da demanda mundial de celulose de fibra curta, o que representa sete milhões de toneladas até 2015. No total serão cerca de US$ 14 bilhões investidos no setor até 2012.
Adicionalmente aos fatos mencionados, é importante destacar o recente acordo firmado entre os acionistas do maior produtor de celulose do Brasil, a Aracruz, que elimina o limite de 28% de participação ordinária, abrindo espaço para uma consolidação no setor. Os potenciais protagonistas desta consolidação são a Suzano e a Votorantim Celulose e Papel (VCP). A aquisição do controle da Aracruz pela VCP estaria em linha com sua estratégia de redução dos ativos de papel e ampliação dos ativos de celulose. Já para a Suzano, que possui dinheiro em caixa dada a venda de sua petroquímica à Petrobras, significaria geração de valor aliada à estratégia de crescimento da companhia.
Assim como acontece com alguns segmentos em que somos referência mundial em termos de produção, diferencial tecnológico e ganhos de escala, no setor de celulose a situação também nos é favorável. A possível consolidação do setor, assim como os diferenciais comparativos e competitivos detidos por nosso país ensejam a formação de multinacionais brasileiras de destaque também no setor. Cabe ressaltar, no entanto, que o objetivo deste artigo não é oferecer recomendações no mercado de ações, mas enfatizar o destaque do nosso setor de celulose e papel.
*Rafael Salgado é analista da DLM Invista Administração de Recursos
Para Brasil, subsídio agrícola causa "destruição em massa" Volta
Mídia Impressa: Valor Econômico
Assis Moreira
03/06/2008
Depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter falado em "guerra comercial" na defesa do etanol, ontem foi a vez de o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, acusar os subsídios agrícolas dos países ricos de ser "a principal arma de destruição em massa, a que mais causa fome no mundo", e não os biocombustíveis.
A declaração de Amorim ocorreu pouco depois de o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, ter dito ao presidente Lula que desejava evitar uma "excessiva politização" da Conferência Mundial sobre Segurança Alimentar, Mudança Climática e Bioenergia, que começa hoje, em Roma.
Ban Ki-moon quer concentrar esforços na primeira resposta global à alta de 71% nos preços dos alimentos nos últimos dois anos, argumentando que a crise pode se estender e ameaçar a segurança global.
Na conversa com o secretário-geral da ONU, no Palácio Pamphili, prédio da embaixada brasileira, o presidente Lula respondeu que o Brasil deseja um debate científico sobre o uso do etanol, em vez de repetição de posições de apenas um ou outro setor, numa aparente referência ao lobby do petróleo.
Lula quer demonstrar que o país é parte da solução, e não do problema, ao ser grande produtor de grãos e ter aumentado a produtividade. Para Amorim, politiza o debate quem "esquece que há subsídios agrícolas e impacto do preço do petróleo [sobre a alta dos alimentos]".
Além de apontar os subsídios agrícolas dos ricos como uma das razões da crise alimentar atual, que desmantelou as agricultores dos países em desenvolvimento, o presidente Lula vai ilustrar com o impacto do petróleo no Brasil, onde essa matriz energética só representa 46% do total. Segundo o governo, o petróleo representa 30% do custo de produção dos alimentos no país. Cada aumento de R$ 1 no preço de fertilizantes significa alta de R$ 1,60 no produto final.
Diferentes estudos calculam que a expansão da produção de biocombustíveis representa entre 10% e 30% da alta dos preços mundiais de alimentos. As cifras foram contestadas ontem pelo secretário de Agricultura dos EUA, Ed Schafer. Para os EUA, a expansão de biocombustíveis só pesaria entre 2% e 3% nos preços dos alimentos. O secretário defendeu a produção americana, martelando que a exportação de milho do país fez foi aumentar nos últimos dez anos.
A declaração final da conferência, em negociação entre os países, mostra sobretudo um alto grau de divergências ainda. O texto deve reiterar o compromisso de os países alcançarem segurança alimentar e reduzir pela metade o numero de subnutridos até 2015. E considera "inaceitável" que 845 milhões de pessoas continuem famintas no mundo hoje.
O documento delineia três tipos de ação que a comunidade internacional deveria adotar. A primeira, a mais urgente, é para dar assistência aos 30 países onde a população saiu às ruas contra os preços. A segunda é o apoio imediato para melhorar a produção agrícola e facilitar o comércio. Jacques Diouf, o diretor-geral da Agência das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), estima que sao necessários US$ 30 bilhões por ano, dez vezes mais do que previsto inicialmente, para ajudar a resolver a crise alimentar global. A terceira linha de ação é de médio e longo prazo, incluindo alta de investimentos de para melhorar produtividade e abastecimento.
Persiste a divergência sobre menção ao etanol. O Brasil saiu ligeiramente do isolamento ontem com o apoio dado pela Argentina. A presidente Cristina Kirchner foi conversar com Lula e apoiou a tese brasileira contra os subsídios agrícolas dos ricos, acusados de serem a principal causa do desastre agrícola nos países pobres.
A própria Argentina, por sua vez, está sob pressão na conferência. O secretário-geral da ONU vai conclamar pela derrubada imediata de todas as restrições comerciais e taxas agrícolas, segundo assessores da entidade. O texto de declaração final do encontro também insiste nesse ponto. Mas Buenos Aires já sinalizou que, nesse caso, não respalda o texto.
As visitas ontem a Lula na embaixada brasileira, localizada na Piazza Navona, agitaram esse centro turístico de Roma. Cristina Kirchner chegou 15 minutos adiantada e resolveu esperar num café. Na saída, atravessou a praça em meio a multidão. Chegou a acreditar que ouvia elogios como um grito de "aguenta Argentina". Na verdade, era um protesto contra o braço de ferro do governo com agricultores.
Cristina e Lula discutiram sobre alimentos, mas não sobre a decisão argentina de suspender a exportação de trigo para o Brasil.
O futuro do Brasil é sem fio Volta
Implicações da atual informatização das escolas foi tema de debate promovido ontem no Rio
Mídia Impressa: Jornal do Brasil
Cristine Gerk
03/06/2008
Na era da tecnologia, é impossível pensar em avanços da educação sem discutir como melhor aproveitar o computador para o aprendizado. No Brasil, afundado em problemas profundos no campo educacional, como a má remuneração dos professores, o tema "conectividade nas salas de aula" entra pouco em pauta. Mas com o avanço do acesso à informática em escolas e residências, é imperativo debater ferramentas, programas, conteúdos e investimentos para informatizar a educação.
– Hoje há 18 mil escolas públicas brasileiras com internet banda larga. Em dois anos, o número subirá para 55 mil, e em 10 anos, para 142 mil – anunciou o ministro das Comunicações, Hélio Costa, durante a conferência Conexão com o Futuro, realizada no Sesc-Rio. – As empresas de telefonia pagarão a conexão até 2025, além de levar a infra-estrutura. As operadoras de celular também estão ajudando.
Betina von Staa, coordenadora de Pesquisa e Tecnologia Educacional do Grupo Positivo, defende a necessidade de apoio aos professores para usar as soluções tecnológicas. No Brasil, só 10% dos professores com acesso à internet a usam para fins profissionais e 30% dos jovens direcionam a conexão para o estudo.
– Os alunos usariam mais a web para esse fim se os professores também o fizessem – diz Beatriz.
Segundo Tereza Porto, secretária de Educação do Estado do Rio, foram disponibilizados 31 mil laptops para professores no Estado, que ainda ganharam um DVD para aprender a usá-lo. A infra-estrutura já está montada para receber a internet banda larga nos municípios do Rio.
– Já provamos em pesquisas com o nosso laptop educacional, o Classmate, que os alunos ficam mais concentrados na tarefa e usam a ferramenta só para o trabalho. Eles ficam com mais vontade de ir à escola porque acham o aprendizado mais divertido. Para eles, a escola do futuro não tem lousa, e sim, computadores – conta Beatriz.
Para Felipe Dianese, fundador do portal Canal Kids, um dos desafios brasileiros é a produção de conteúdo infantil de qualidade.
– O conteúdo precisa ser interativo, ter imagem, som. Se é pra ler texto, é muito melhor que a criança leia um livro – explica Dianese. – O nosso desafio agora é seduzir o público infantil com conteúdo que tenha surpresa, humor, numa conexão com informações, diversidade e com conteúdo nacional. O regionalismo é muito importante no mundo globalizado, assim como a segurança e a confiabilidade do conteúdo. Temos medo de nossos filhos saírem nas ruas, mas podem estar em casa vendo algo bem mais perigoso.
Luiz Bressan, diretor do Instituto Embratel, explica que no Projeto Embratel Educação, que traz tecnologias da informação para locais de baixo Índice de Desenvolvimento Humano, a empresa comprovou que a escola é o espaço público mais respeitado da comunidade, e é o núcleo das atividades locais.
– A tecnologia é ampliada para fora do espaço escolar. Os usuários realizam cursos on-line e acessam conteúdos culturais e educacionais – acrescenta Bressan.
Uma pesquisa do ano passado do canal Nickelodeon mostrou que as crianças brasileiras com computadores são as que mais acessam a internet no mundo.
– Não estamos preparados para essa nova realidade convivendo com os nossos filhos – critica Dianese.
Hoje há 6 milhões de computadores com banda larga no país. O Brasil é o terceiro país do mundo em venda de computadores e este ano serão vendidas 14 milhões de máquinas. Com a TV digital encaminhada, o maior desafio agora do ministério é investir em banda largas nas escolas.
– O futuro é sem fio. A banda larga nas escolas é a resposta para o avanço na educação e na comunicação – explica Costa. – O celular já fez uma tentativa de universalização do sistema, mas a verdadeira universalização acontecerá agora.
Tereza lamenta o fato de a tecnologia ainda não ter sido amplamente incorporada à aula e ao modo de ensinar aqui.
– Há 1.117 laboratórios de informática em escolas fluminenses, mas estudos já comprovaram que eles não melhoram o aprendizado dos alunos. O motivo é que o espaço é usado para o ensino de informática e não de conteúdos disciplinares, como matemática – explica Tereza. – Precisamos fazer com o que os jovens usem o PC para aprender. Hoje o volume de informação que recebem é enorme. O professor precisa ter um computador em casa para poder ensinar os alunos a buscar conhecimento na ferramenta.
O presidente da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro, Orlando Diniz, elogiou a realização do evento, que contou com a participação do presidente da Companhia Brasileira de Multimídia (CBM), Nelson Tanure. Segundo Diniz, o país precisa promover uma democratização do conhecimento:
- O Senac já está de portas abertas para contribuir com o que for necessário.
O presidente do Centro de Integração Empresa-Escola do Rio, Arnaldo Niskier, disse que, atualmente, de 8% a 10% dos jovens freqüentam universidades, mas, com o programa Universidade Aberta, com cursos on-line, o percentual será dobrado.
O evento Conexão com o Futuro é uma iniciativa da Casa Brasil, braço de cultura e projetos do Grupo CBM, com o apoio do Senac-RJ, Jornal do Brasil e Gazeta Mercantil.
12º Fashion business amplia área e agrega novas grifes Volta
Mídia Eletrônica: http://www.revistafator.com.br
03/06/2008
A 12ª edição do Fashion Business, com a coleção primavera-verão 2008/09, que acontece de 10 a 13 de junho de 2008, das 10h30 às 21h, amplia seus domínios na Marina da Glória e passa a abrigar 15 novos estandes. Uma expansão que permitirá a participação de 13 novas grifes, que aguardavam na fila de espera há várias edições. Victor Hugo, Rogério Lima – que assina a charmosa bolsa dos vips - e a sofisticada moda praia Vix. Chica Brasil, Bia Brazil, Miss Alice e Mali completam o time de marcas que apresentarão a moda praia. De volta à bolsa de negócios estão Walter Rodrigues, Santa Ephigênia, Sacada, e Jonny Size, de Marcelo Falcão. Entre os patrocinadores, o retorno do Banco do Brasil com seu balcão de negócios internacionais e o Programa TexBrasil, parceria entre a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e de Investimentos) e a ABIT, que terá um estande para promover a moda brasileira.
O tema escolhido para essa edição é reciclagem. Ou seja, em tempos de escassez de recursos naturais, o mantra que vai pairar sobre os participantes será repensar, renovar e reciclar. Isso, implica o máximo aproveitamento dos materiais utilizados nas várias etapas da cadeia têxtil e de confecção, incluindo os tecidos tecnológicos oriundos de garrafas PET, bem como a incorporação ao mundo da moda de tecidos usados em outras atividades, como a lona de carroceria de caminhão. O evento contará com a presença de mais de 90 expositores de 13 estados do Brasil, com predomínio de grifes consagradas e novos criadores de roupas femininas, masculinas e acessórios do Rio de Janeiro, que terá 13 pólos de moda e acessórios, Minas Gerais e São Paulo.
Jerônimo Vargas, diretor da Escala Eventos, um dos organizadores do Fashion Business, promovido pelo Sistema Firjan, projeta aumento de 5% nas vendas em relação à edição primavera-verão de 2007, ou seja, um total de R$ 435 milhões para o mercado interno. Cerca de 150 compradores multimarcas de todo o Brasil foram convidados para o evento que abre a temporada mundial de negócios da moda de primavera-verão, além de 30 compradores internacionais. Como nas edições anteriores, espera-se a vinda de um número bem superior de compradores nacionais e internacionais de forma espontânea. Estima-se que o evento conquiste um público superior a 10 mil pessoas entre compradores e visitantes.
O lounge, remodelado desde a edição passada, com espaços padronizados e decoração clean em MDF e cortinas de voil brancas contará ainda com um cyber-café montado pela Oi Paggo, um dos patrocinadores, ao lado do Sebrae-RJ, BNDES e INPI. O Fashion Business é uma promoção do Sistema Firjan e do Senai-Moda, idealizado e realizado pela Dupla Assessoria e Escala Eventos.
Grifes fazem oito desfiles técnicos - Grande sucesso na última edição, o Salão Multiuso do evento ampliará para oito o total de desfiles técnicos e também abrigará palestras sobre tendências de moda com especialistas do Senai Moda, da ABIT, além da renomada consultoria internacional WGSN, maior site de tendências de moda do mundo. O INPI também apresentará palestra sobre o valor das marcas.
Agenda salão de desfiles / palestras: 3ª- feira – 10/06 | 12h– Desfile Cláudia Simões | 15h – Desfile Pedro Motta | 17 h – Desfile Squadro.
4ª- feira 11/06: 11h – Palestra WGSN – Tendências outono-inverno 2009 | 12H – Desfile Cholet | 15H – Desfile Vivaz | 17 H – Desfile Equatore | 18H – Desfile Lucidez.
5ª- feira– 12/06? 10h30 – Palestra SENAI MODA Caderno Perfil (outono-inverno 2009) | 11h30 - Lançamento Portal Senai DN (moda, acessórios e mobiliário) | 12h – Desfile Faven | 17h – Palestra INPI – O valor da proteção da marca | 18h– Palestra ABIT – Tendências nos desfiles de moda em 2008.
6ª- feira– 11/12: 16h – Coletiva de imprensa . | * Todos os desfiles serão confirmados, assim como seus horários.
Menos de um terço de portadores do HIV tem acesso a remédios contra aids Volta
OMS se inspirou no modelo brasileiro para levar tratamento aos países mais pobres
Mídia Eletrônica: http://www.bemparana.com.br
02/06/2008
Menos de um terço dos pacientes no mundo com o vírus HIV tem acesso aos remédios contra a aids. Os dados são da Organização Mundial da Saúde (OMS), que em 2003 se inspirou no modelo brasileiro de distribuição de remédio para fazer chegar o tratamento nos países mais pobres do mundo.
A entidade, que agora se mantém em cima do muro em relação à quebra de patentes, já admite que a maioria dos países não conseguirá atingir a meta de dar acesso a todos os pacientes de aids até 2010 e que o mundo precisará de US$ 35 bilhões para financiar o tratamento.
Em 2003, a OMS decidiu adotar a estratégia considerada como exemplar do Brasil para tentar atingir a população mais pobre do mundo. Para isso, contratou na época o então diretor do Programa de Aids do Brasil, Paulo Teixeira. Hoje, a entidade abandonou parte da estratégia brasileira do uso de genéricos e defende um entendimento com a indústria.
Segundo a OMS, quase 3 milhões de pessoas estão recebendo hoje o tratamento no mundo. No total, a estratégia conseguiu multiplicar por sete o número de pessoas atingidas em apenas quatro anos. Em apenas um ano, 950 mil novas pessoas conseguiram acesso aos remédios.
A meta, porém, está sendo atingida com dois anos de atraso. Mas esse não é o maior problema. O que mais assusta os especialistas é que o número de pessoas infectadas por ano é superior ao total de novos beneficiados pelos medicamentos. Em apenas um ano, 2,5 milhões de novos casos de aids foram detectados, com 2,1 milhões de mortes.
No total, 33,2 milhões de pessoas vivem com o vírus, dos quais 2,1 milhões são crianças.
A OMS insiste que a estratégia permitiu importantes avanços. Em 2003, apenas 5% da população mundial afetada pela aids tinha acesso a medicamentos gratuitos, praticamente apenas os brasileiros. Em 2004, essa taxa subiu para 8% e, em 2005, para 15%. Em 2006, a proporção já seria de 22%.
Mas os 3 milhões de beneficiados hoje correspondem a apenas 31% da população mundial que precisaria receber de forma gratuita o tratamento. Hoje, são 9,7 milhões de pessoas no mundo que precisariam de ter o acesso aos remédios. A marca obtida pela ONU, portanto, significa que outros 6,7 milhões de pessoas ainda não contam com os remédios.
Em termos absolutos, a maior crise está na África. No continente, 2,1 milhões de pessoas já recebem o tratamento e a OMS destaca o avanço. Em 2003, apenas 5% dos africanos tinham acesso aos produtos. Mas a realidade é que os remédios deveriam atingir a 7 milhões de pacientes, o que demonstra o desafio que ainda existe pela frente.
Em termos percentuais, os piores cenários são o da Norte da África e o do Oriente Médio. De um total de 100 mil pessoas que precisam do tratamento, apenas 7% recebem os remédios. No Sudão, essa taxa é de apenas 1%.
Na Ásia Central, a proporção de beneficiados é de 17% e, no Sudeste Asiático, apenas um a cada quatro pacientes recebe o tratamento, ainda que a taxa seja seis vezes maior que em 2003.
A América Latina tem uma das melhores taxas do mundo, com 390 mil pessoas atendidas das 630 mil que necessitariam. O acesso aos remédios no continente passou de 58% da população em 2006 para 62% em 2007.
Mas a região teve um dos menores crescimentos percentuais no último ano, com alta de apenas 13%, contra mais de 50% em outros continentes. A OMS explica que isso ocorre diante das taxas mais elevadas de cobertura dos programas latino-americanos. Hoje, a região representa apenas 6,5% das necessidades do mundo em termos de novos acessos a remédio. Mas conta com 13% de todos os pacientes que recebem o tratamento no mundo.
Para a ONU, desde 2002, a expansão do tratamento fez principalmente com que a população afetada voltasse a ter vida ativa. Nas plantações no Quênia, por exemplo, uma pessoa com o vírus e que recebe o tratamento trabalha duas vezes mais que os que não recebem.
Mesmo assim, a OMS alerta que os obstáculos serão ainda maiores a partir de agora e admite que a maioria dos governos não conseguirá cumprir a meta de dar acesso a todos até 2010, como se pretendia.
Calcula-se que 6,8 mil pessoas sejam infectadas pela aids por dia, contra apenas 2,7 mil novos pacientes com acesso ao remédio. Muitos ainda nem sabem que estão contaminados, o que dificulta ainda mais o tarefa.
Uma pesquisa da OMS apontou que apenas 10% das pessoas entrevistadas nos países pobres afirmaram que foram testadas. Na Bolívia e na Nigéria, apenas 3% dos postos de saúde tem equipamentos para realizar o teste da aids.
Mas um dos principais problemas é ainda a falta de recursos. Segundo a entidade, a diferença entre o que foi gasto e o que seria necessário chegou a US$ 8,1 bilhões em 2007. "Para que as metas possam ser atingidas, os recursos financeiros disponíveis precisam ser multiplicados por mais de quatro até 2010, cerca de US$ 35 bilhões. As projeções ainda relevam que o financiamento teria de aumentar para US$ 41 bilhões até 2015", afirmou a OMS.
A falta de recursos ainda impede que os governos possam comprar remédios de segunda linha e a maioria dos pacientes hoje nos países pobres só tenha acesso ao tratamento de primeira linhas.
Nos países mais pobres, a combinação mais comum do tratamento de segunda linha custa em média US$ 1,2 mil, contra US$ 3,3 mil nos países emergentes. A OMS admite que um dos desafios é o fato de que um número cada vez maior de pessoas precisará do tratamento de segunda linha.
A entidade, porém, se recusa a ser clara em relação ao papel da quebra de patentes para distribuir remédios. Há poucos dias, os países da OMS adotaram uma resolução reconhecendo o direito dos governos de quebrar patentes para garantir a distribuição de remédios genéricos.
A própria estratégia brasileira teve sucesso, segundo os especialistas, graças à pressão feita pelo governo para reduzir os preços dos medicamentos. A pressão é feita com ameaças de quebra de patentes.
Mas pressionada pelas empresas de medicamentos e pelos governos ricos que são os doadores de remédios e de recursos, a OMS é cautelosa ao implementar a estratégia de promoção dos genéricos e não adota a mesma postura do Brasil.
"Não podemos ficar sem as pesquisas sobre novos medicamentos e isso só ocorre com patentes", afirmou Kevin de Cock, diretor do departamento de Aids da OMS. Para ele, a quebra de patentes nem sempre dá resultado. "Os produtos genéricos podem ajudar, mas precisamos da indústria também e a melhor forma é uma posição de consenso", afirmou.
A OMS, porém, prefere insistir que um problema é a falta de investimento nos serviços de saúde pública, o que dificulta a expansão do acesso ao tratamento, mesmo que o remédio seja disponibilizado.
Apesar de todos os desafios, a OMS aponta que o feito de distribuir remédios para 3 milhões de pessoas marca "um passo importante na história da epidemia da aids". "Isso prova que, com compromisso e determinação, todos os obstáculos podem ser superados", afirmou Margaret Chan, diretora-geral da OMS.
Brasil vence disputa contra subsídios ao algodão nos EUA Volta
Mídia Eletrônica: http://www.atarde.com.br
Agencia Estado
02/06/2008
A Organização Mundial do Comércio (OMC) confirmou hoje que o Brasil venceu no seu tribunal uma disputa sobre a legalidade dos subsídios norte-americanos para o algodão. A decisão abre a possibilidade para que o País retalie o governo dos EUA, suspendendo direitos de patentes e interrompendo parte do comércio. A OMC condenou os subsídios americanos e pede sua retirada.
Nos últimos meses, a Casa Branca vem tentando convencer os Estados do Sul do país de que o Partido Republicano, o mesmo do presidente George W. Bush, não abandonará os produtores de algodão. O setor é um dos importantes doadores de recursos aos candidatos. A estratégia, portanto, foi a de arrastar o quanto pôde a disputa com o Brasil nos tribunais da OMC.
A guerra entre os dois países durava cinco anos, sem qualquer resultado concreto na redução dos subsídios, apesar das inúmeras derrotas dos norte-americanos. O Brasil se queixava em 2003 de que os subsídios agrícolas dos Estados Unidos estavam prejudicando os produtores nacionais de algodão.
Distribuindo volumes bilionários, os americanos acabavam distorcendo os preços internacionais do produto, ferindo a competitividade dos concorrentes e ainda deprimindo os preços do algodão e vários mercados.
O Itamaraty entrou com um processo na OMC e a entidade acabou acatando a posição do Brasil, exigindo que os americanos reformassem seus programas de ajuda aos produtores. Dois anos depois, o governo de Washington não fez as modificações necessárias e continuava dando os subsídios ilegais até hoje. Segundo o Brasil, US$ 12,5 bilhões foram dados ao setor desde 1999, o que explicaria a competitividade das exportações americanas.
O Brasil então iniciou um segundo caso para provar que a determinação da OMC não havia sido respeitada. A entidade máxima do comércio internacional mais uma vez condenou os Estados Unidos.
O governo de Washington argumentou que os árbitros estariam se equivocando na análise e pediu que todo o caso fosse revisto. Para a Casa Branca, não há dúvidas de que sua legislação já está de acordo com as leis internacionais.
Com a vitória definitiva hoje, o Brasil poderá aplicar medidas de sanções, entre elas a suspensão de direitos de patentes e mesmo deixar de importar certos produtos norte-americanos.
CADE: Convergência tecnológica é irreversível Volta
Mídia Eletrônica: http://www.convergenciadigital.com.br
Ana Paula Lobo*
02/06/2008
O Conselho de Administrativo de Defesa Econômica (CADE) mostra-se favorável ao fim de restrições de novos competidores no mercado de TV por assinatura, mas enfatiza uma série de pontos cruciais para que o consumidor brasileiro possa vir, de fato, a ser beneficiado pela inovação.
Um dos pontos cruciais para o órgão é a adaptação do cenário nacional de forma a permitir incentivos a novos investimentos e a promoção e proteção do conteúdo nacional. CADE admite que no Brasil haverá poucos, mas fortes atores atuando em escala nacional. Convergência Digital disponibiliza a íntegra do relatório (veja PDF abaixo).
Elaborado pelo conselheiro Luiz Carlos Delorme Prado, o levantamento foi feito a partir do ciclo de debates "Convergência Tecnológica e seus Impactos Concorrenciais", realizado entre maio e setembro do ano passado, onde foram ouvidos diversos executivos ligados aos setores de telecomunicações, radiodifusão e produção de conteúdo.
No levantamento de 63 páginas, o conselheiro, depois da série de depoimentos enumera seis conclusões com relação à Convergência. Para o conselheiro, há quatro princípios que deverão nortear os ajustes no marco legal e regulatório para adaptá-los à realidade imposta, de forma irreversível, pela convergência da tecnologia.
Os pontos centrais são:
(i) diversificação, ampliação e inovação dos serviços;
(ii) estímulo à competição no mercado convergente;
(iii) incentivos a novos investimentos e à modernização do setor;
(iv) promoção e proteção do conteúdo nacional.
O levantamento discorre ainda que o "cenário convergente possibilitará aos consumidores um maior poder de escolha, acesso mais amplo (múltiplas redes oferecendo o mesmo serviço; redes mais abrangentes); maior flexibilidade (pacotes mais flexíveis, dando ao consumidor o poder de escolha); e menor preço (pacotes mais básicos, pacotes incrementais reduzidos). Assim, a percepção desses atores é que o usuário final será beneficiado pela convergência".
Para o CADE, as mudanças no marco legal e regulatório devem ser feitas com o intuito de aumentar o equilíbrio entre os diversos atores, observando-se a uniformização de direitos e obrigações entre prestadores que ofereçam serviços similares, independentemente da tecnologia empregada, nacionalidade do capital e estágio de desenvolvimento das redes.
Ainda de acordo com a posição do conselheiro Luiz Carlos Delorme Prado, " a convergência é um processo que não pode ser contido, em função da dinâmica do processo de inovação dessa área em escala global e que a sociedade é a maior beneficiária do processo. Nesse sentido caberia ao Estado agir como promotor da inovação, incentivando investimentos e o desenvolvimento de um ambiente competitivo e saudável".
O relatório diz ainda que o mercado de triple play surgiu no Brasil com uma dinâmica competitiva desbalanceada, devido às restrições à entrada de novos players. Caberia ao estado reduzir às restrições à entrada, particularmente em serviços de TV por assinatura. Nesse sentido dever-se-ia estimular a criação de novas programadoras brasileiras e garantir mecanismos para a promoção da diversidade de produção e conteúdo nacional.
O CADE destaca ainda como fundamental "que se construa de um arcabouço regulatório estável, que contenha os meios e instrumentos para articular os diversos segmentos de serviços (inclusive o de conteúdo midiático), primeiramente em mercados separados e quando necessário em um único mercado. Para que seja estável é necessário que esses marcos legais sejam flexíveis".
Para Luiz Carlos Delorme Prado, "a inovação é impossibilitada com a falta de flexibilidade das regras. A rapidez da evolução tecnológica, a redução do tempo de vida das soluções e a imprevisibilidade do futuro demandam um alto grau de flexibilidade da legislação e da regulamentação".
Competição
No caso do Brasil, avalia ainda o relatório feito pelo conselheiro Luiz Carlos Delorme Prado, a tendência é de que haja poucos, mas fortes atores atuando em escala nacional. O modelo será de concorrência oligopolista, com forte rivalidade, que levará a diversidade de produtos e pressão competitiva sobre os preços. Nesse cenário, além da atuação das agencias reguladoras será necessária forte atuação dos órgãos de defesa da concorrência.
Segundo o levantamento do CADE, alguns efeitos do aumento da competição, mesmo em um mercado concentrado, são esperados. Entre eles uma maior difusão da TV paga, hoje restrita às famílias de renda elevada. A penetração de TV paga no Brasil está entre as mais baixas, comparando-se com países cujas condições socioeconômicas são similares às brasileiras.
Apesar de não existir diferença entre os níveis de penetração de serviços de telefonia, diferenças significativas são sentidas no caso da TV por assinatura. A taxa de penetração, no Brasil, é de apenas 8%, inferior às taxas da Argentina, Chile e México.
Exatamente por isso, entende o conselheiro Luiz Carlos Delorme Prado, a entrada das operadoras de telecomunicação no mercado de pacotes não deve ser considerada prejudicial, a priori, para a competição. Até porque, enfatiza o conselheiro do CADE, em países europeus, como França e Espanha, a entrada de operadoras de telefonia no mercado de TV por assinatura não gerou efeitos anticoncorrenciais.
O conselheiro do CADE apura ainda que, atualmente, existe uma série de infra-estruturas disponíveis para oferta dos serviços (par metálico, WLL, cabo coaxial, fibras ópticas, banda de 2,5 GHz, banda de 3,5 GHz, celular, satélite) porém, o acesso não é uniforme entre os players, cabendo aqui uma ação mais efetiva da Anatel e dos órgãos reguladores do mercado brasileiro.
*Com informações do CADE
FEEVALE: Pesquisa na área de nanotecnologia busca o desenvolvimento de produtos inovadores Volta
Mídia Eletrônica: http://www.universia.com.br
02/06/2008
Um projeto de pesquisa da Feevale, que possibilita ações conjuntas com três empresas da região do Vale do Sinos, foi contemplado com recursos do governo federal. O projeto "Nanocargas em materiais poliméricos flexíveis", ligado ao Grupo de Pesquisa em Materiais da Instituição, deverá receber R$ 460.756,00. O processo de seleção das propostas teve início em agosto de 2007 e envolveu quatro etapas: pré-qualificação, avaliação de mérito, análise técnico-jurídica e deliberação.
A iniciativa de apoiar projetos de inovação tecnológica de interesse de micro e pequenas empresas foi do Ministério da Ciência e Tecnologia, por intermédio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Os projetos deveriam atender as prioridades estabelecidas na Política Industrial Tecnológica e de Comércio Exterior, entre as quais, áreas consideradas portadoras de futuro, como biotecnologia, nanotecnologia, biomassa e energias renováveis.
Fonte: Feevale