
Terça-feira, 29 de julho de 2008.
Comentários, dúvidas e sugestões:
sercom@inpi.gov.br
1. Brasil engatinha quando assunto é patentes
2. MPs darão reajuste a mais 350 mil servidores públicos
3. Proteção da propriedade intelectual no Brasil é desigual e relativa
4. Protecionismo deixa negociação de Doha próxima do colapso
5. Após Doha, Brasil terá de fazer concessões à Argentina
6. Petrobras inicia produção de biodiesel
7. Contramão indesejável
8. Web 2.0 entra na moda, uma década depois
9. Temporão inicia viagem à Índia para impulsionar cooperação empresarial
10. Hypermarcas compra Bozzano e NY Looks e avança em beleza masculina
11. Bahia pleiteia sediar Pólo brasileiro de Robótica Emergente
Brasil engatinha quando assunto é patentes Volta
Lentidão nos processos de avaliações é um dos principais entraves
Mídia Impressa: Zero Hora
29/07/2008
Com 24,1 mil pedidos de patentes registrados em 2007, o Brasil ainda está longe de figurar entre os líderes mundiais em pesquisa e inovação tecnológica.
O número de projetos inscritos no país é bem inferior ao de economias desenvolvidas como Alemanha (60 mil) e Japão (420 mil) e também ao de nações em desenvolvimento como a China, que já superou a barreira dos 150 mil por ano.
O desempenho abaixo da média não se deve à falta de criatividade ou escassez de investimentos em pesquisa, na avaliação do presidente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), Jorge de Paula Ávila. Segundo ele, dois fatores contribuem para conter o crescimento do número de patentes solicitadas: a falta de conhecimento sobre o sistema e a demora para se obter o documento.No Brasil, o processo para a emissão pode levar entre seis e nove anos, dependendo do campo tecnológico do projeto. A média mundial, no entanto, é de cinco anos.
- Ninguém está contente com essa média. No mundo inteiro há um problema de atraso na entrega de patentes - observa Ávila.
Não bastasse a lentidão nas avaliações, o presidente do INPI afirma que o sistema de patentes é pouco procurado porque há uma crença de que apenas grandes inventos, como um novo aparelho eletrônico, são merecedores de registro. Na prática, o processo de inovação se caracteriza pela geração de novas tecnologias a partir de outras preexistentes.
- A esmagadora maioria das patentes é de aperfeiçoamento daquilo que já existe. E é essa a melhor maneira de criar uma cultura de inovação - reitera.
Para inverter esse quadro, o INPI aposta em um programa, previsto pela Lei de Inovação, de 2004, para cumprir uma meta de, até 2010, dobrar os pedidos de patentes no país e triplicar as solicitações brasileiras no Exterior. O texto determinou a criação de núcleos responsáveis pela elaboração e depósito dos requerimentos nas universidades e instituições públicas de pesquisa.
Fique por dentro
O que é uma patente?
Título de propriedade sobre uma invenção (produto novo) ou modelo de utilidade (aperfeiçoamento de produto já existente) concedido pelo Estado à pessoa ou à empresa criadora do produto. Para obter esse direito, o inventor precisa revelar todo o conteúdo técnico da invenção.
Por que ter uma patente?
Previne que concorrentes copiem e vendam o produto por um preço mais baixo, uma vez que não tiveram os custos de pesquisa. É importante para garantir a rentabilidade de mercado do invento.
O que pode ser patenteado?
Toda invenção que representa uma inovação tecnológica não patenteada e possa ser produzida industrialmente.
MPs darão reajuste a mais 350 mil servidores públicos
Grupo inclui carreiras de elite, que já ganham bem
Mídia Impressa: O Globo
Gustavo Paul
29/07/2008
BRASÍLIA. O governo vai editar nos próximos dias duas novas medidas provisórias que darão aumento salarial a 350 mil funcionários públicos, de 54 categorias. O reajuste deverá incidir na folha salarial de agosto, a ser paga no início de setembro. Esse grupo ficou fora dos aumentos do funcionalismo civil e militar incluídos na MP 431, já aprovada na Câmara dos Deputados.
O Ministério do Planejamento não enviou os textos semana passada, como chegou a anunciar, mas os sindicalistas aguardam a edição das MPs ainda esta semana. Com elas, o governo encerra o ciclo de ajustes no salário de 1,7 milhão de funcionários, que começou em março e prevê aumentos paulatinos até 2011. Este mês, a Câmara aprovou o texto da MP 431, que alcança 800.512 servidores civis, sendo 350.189 ativos, 271.114 aposentados e 179.209 pensionistas. A MP, cujos destaques serão votados em agosto, ainda beneficia 611.935 militares. O texto ainda passa pelo Senado.
Quando esse processo de reajustes se encerrar, em 2011, a conta para o futuro presidente da República será de cerca de R$32 bilhões. Para conceder esses aumentos, o governo modificou a lei orçamentária aprovada pelo Congresso e elevou de R$3,5 bilhões para R$11,1 bilhões a dotação voltada para reajustes salariais. O impacto anual desses aumentos, que seria de R$7,4 bilhões, passou a R$19,7 bilhões, sem contar as parcelas de ajustes previstas.
Segundo o secretário-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), José Milton Costa, falta apenas fechar detalhes dos ajustes dos funcionários da Funai e do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Para ele, o governo não teve vontade política para acelerar as negociações, que ocorrem desde o início do ano:
- O governo protelou bastante. Detalhes foram acumulando e demoraram a ser resolvidos.
A preocupação dos sindicalistas é com a possibilidade de os textos não serem editados até o início de agosto. Como a folha de pagamento dos funcionários públicos é fechada no dia 20 de cada mês, eles temem que não haja tempo suficiente para incluí-las mesmo em agosto.
Uma das medidas provisórias é voltada para as carreiras típicas de Estado, como auditores da Receita Federal, Banco Central, Advocacia Geral da União e fiscais do Ministério do Trabalho, além dos gestores públicos. A outra abrangerá as demais carreiras, como 70 mil servidores e peritos médicos do INSS. Para o ministro da Previdência, José Pimentel, os ajustes são fundamentais para melhorar o atendimento nos postos. Também serão beneficiados servidores das agências reguladores, da Fiocruz, do Inmetro, Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e do Ministério da Ciência e Tecnologia.
Segundo o Ministério do Planejamento, os ajustes fazem parte da política de fortalecimento do funcionalismo, reduzindo distorções em relação aos salários da iniciativa privada e entre categorias de servidores. Com esses aumentos, o governo alega que poderá atrair e reter profissionais de alto nível.
Proteção da propriedade intelectual no Brasil é desigual e relativa Volta
Mídia Eletrônica: http://www.inovacaotecnologica.com.br/
Thiago Romero
29/07/2008
Sérgio Paulino, do INPI e da Unicamp, afirma que a capacidade de apropriação da propriedade intelectual no Brasil é restrita e relativa. "A lei de patentes é ótima para alguns e péssima para outros", afirma ele.
O impacto e a importância da legislação sobre propriedade intelectual no Brasil no dia-a-dia das empresas e dos laboratórios acadêmicos são completamente distintos. O poder de proteção desse tipo de propriedade muda de acordo com variáveis como o setor empresarial, a área do conhecimento e a tecnologia envolvida.
Tudo é desigual
"Os diferentes tipos de aproveitamento da propriedade intelectual no Brasil dependem da posição dos indivíduos como agentes econômicos, o que envolve variáveis como origem e acesso ao capital, e do nível de competência tecnológica industrial e científica dos pesquisadores", explicou Sérgio Paulino, assistente da presidência do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Segundo o economista, que também é professor do curso de especialização em gestão e inovação tecnológica na Unicamp, 12 anos depois da criação da Lei da Propriedade Industrial, de 1996, os usuários desse tipo de regulamentação no Brasil ainda não entendem com clareza os benefícios oferecidos pela legislação.
Atraso no exame dos pedidos de patentes
"Do ponto de vista das patentes, ainda não podemos dizer quais são os impactos da legislação, apesar de sabermos que eles são diferentes. Esse quadro não é muito claro uma vez que ainda não conseguimos torná-lo trabalhável. Isso é frustrante e se justifica, em parte, pela própria capacidade de exame de patentes, que não é linear e também não está atrasada igualmente em todos os setores industriais. O atraso das análises varia muito", afirmou.
Paulino reconheceu as desvantagens desse atraso, como, por exemplo, a perda de competitividade da indústria farmacêutica nacional. "Esse setor foi fortemente impactado em termos regressivos nas últimas décadas, perdendo capacidade de disputa no mercado exatamente pela falta de reconhecimento de patentes nessa área", disse.
<<Ótima para alguns e péssima para outros
Ele disse ainda que a capacidade de apropriação da propriedade intelectual no Brasil é absolutamente restrita e relativa, o que faz com que a lei de patentes não seja nem muito boa nem muito ruim. "Ela é ótima para alguns e péssima para outros, dependendo do setor de atividades e de cada leitura, percepção, incentivo ou perda, que serão sempre diferentes", sinalizou ele.
Protecionismo deixa negociação de Doha próxima do colapso Volta
Mídia Impressa: Valor Econômico
Assis Moreira, de Genebra
29/07/2008
"A Rodada Doha está por um fio", avisou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, por volta de 1h da manha desta terça-feira, em meio à batalha travada principalmente entre a Índia e a China, de um lado, e os Estados Unidos, de outro, sobre um mecanismo exigido pelos dois emergentes para frear importações agrícolas.
A negociação para liberalizar o comércio global chegou praticamente a morrer por volta das 17h de ontem, quando a Índia queria reabrir o pacote proposto por Pascal Lamy, diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), e os EUA recusavam. Com intermediações do Brasil, União Européia (UE) e Austrália, voltou a agonizar. Por volta da meia-noite, altos funcionários da OMC circulavam pela sala de imprensa, visivelmente em preparação para o anúncio oficial do o funeral da rodada. Até que enfim, nesta madrugada, os ministros decidiram continuar as discussões hoje.
Lamy tenta segurar a negociação insistindo junto aos ministros que os países já colocaram muito no bolso e que não vale a pena destruir tudo por causa de um único tema, justamente de barreira de importação.
Uma "aterrissagem suave"" foi proposta por alguns países, significando empurrar a negociação para setembro. O Brasil foi um dos países que recusou, dizendo que isso não tinha sentido, pois significava já desistir da rodada. Para o Brasil, se hoje é difícil negociar com o governo Bush a seis meses de seu fim, será quase impossível a três meses antes do novo governo assumir a Casa Branca.
Kamal Nath, apontado como o principal culpado, deixou a OMC declarando-se "otimista", mas alertou que não era questão de "concordar ou rejeitar, e sim de examinar propostas" hoje. O fato de a salvaguarda para congelar importações agrícolas ser o ponto crucial, quando existe uma crise alimentar na qual importadores baixam tarifas, demonstrou o que não era segredo: que a Índia e alguns outros países tem pouca vontade de fechar o acordo global.
O comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, disse que a questão de salvaguardas era "muito, muito sensível". O porta-voz da OMC, Keith Rockwell, reconheceu que a "situação é muito tensa e bastante incerta". Para Amorim, "a negociação está por fio, em estado crítico". Nesse cenário, o Brasil propôs, com apoio da Austrália e UE, uma solução para ressuscitá-la e as negociações foram retomadas em nível técnico. Nath disse mais tarde que aceitara um compromisso e acusou os EUA de terem sido o único a recusar.
Segundo os indianos, a idéia proposta por Lamy era de jogar no lixo tudo sobre a salvaguarda especial contida no pacote. Em contrapartida, os países em desenvolvimento teriam sinal verde para aplicar sobretaxa na importação sob certas condições: notificar a OMC, passar por exame no comitê de especialistas e, o mais importante, mostrar que o produtor doméstico é afetado pelas importações. Nova Déli disse "ok", mas Schwab recusou.
A expressão facial de alguns negociadores e funcionários da OMC era de cansaço e decepção. Persistia também o choque de personalidades. A americana Susan Schwab mostrava-se muito dura. Quando a negociação ficou interrompida, à tarde, ela desceu para fazer uma declaração a imprensa, acusando Índia e China de emperrarem a negociação e a levarem à beira do fiasco.
Amorim era reconhecido como uma espécie de estabilizador, o indiano Nath, sempre de olho em seu futuro político, o australiano Simon Creen , "abrasivo". Os ministros chinês e japonês pareciam perdidos, na tradução e no que se passava em volta deles. O chinês continuava lendo seus textos preparados com antecedência, endurecendo a posição também contra acordos setoriais na área industrial, quando Pequim é apontado justamente como um dos ganhadores da liberalização no setor.
Uruguai e Paraguai anunciaram em coletiva a uma centena de jornalistas que não aceitarão uma salvaguarda que possa adotar sobretaxa no acordo de Doha que seja acima da tarifa acertada na Rodada Uruguai (1987-1994). Os dois sócios do Mercosul tinham o solitário apoio da Costa Rica. A salvaguarda poderá ser usada por países em desenvolvimento com agricultura frágil, desde que as importações cresçam 40% em três anos.
A India acha que esse teto é demais, e queria baixá-lo. Além disso, achava pouco a sobretaxa de 15%, além de procurar aumentar a cobertura da salvaguarda de 2,5% para 7% das linhas tarifárias agrícolas. Para o Uruguai, ela certamente não será aplicada sobre as importações procedentes de países desenvolvidos, graças ao poder político desses para impedir que seus produtores sejam afetados.
O agronegócio brasileiro tampouco gostou da concessão que o governo fez para a Índia, aceitando o rompimento do teto tarifário fixado na Rodada Uruguai, mas preferiu esperar o desenrolar das negociações para reagir.
À 1h desta manha, indagado pelo telefone celular se a negociação tinha acabado, um alto negociador respondeu: "not yet (não ainda)". Esta manhã, altos funcionários tentarão de novo uma solução técnica para a salvaguarda, depois os ministros voltam a se sentar para negociar ou dizer adeus.
Após Doha, Brasil terá de fazer concessões à Argentina Volta
Mídia Impressa: Valor Econômico
Sergio Leo, de Brasília
29/07/2008
As divergências entre Brasil e Argentina nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) devem levar o governo brasileiro a buscar uma acomodação de interesses com o governo argentino no Mercosul, caso se chegue a um acordo em Genebra, onde estão os negociadores. Os argentinos se queixam de que o Brasil abandonou a defesa das indústrias do Mercosul contra pressões dos países ricos por maior abertura do mercado de bens manufaturados. Os brasileiros, inclusive do setor privado, argumentam que as propostas em discussão são aceitáveis, em troca do êxito da Rodada Doha.
Segundo diplomatas que participam das discussões do Mercosul, os atritos entre a cúpula das duas diplomacias na OMC não afetaram, até agora, o ritmo das reuniões técnicas do bloco, porque, na Argentina, os funcionários de menor escalão que tratam essas questões são um grupo diferente da equipe de negociadores na OMC. Um diplomata brasileiro lembrava ontem que o Mercosul não foi paralisado - ainda que as decisões dos últimos anos tenham sido modestas - nem durante a maior crise recente do bloco, em que Argentina e Uruguai quase romperam relações por causa da construção de indústrias de celulose na fronteira, em solo uruguaio.
Para André Nassar, diretor-executivo do Ícone, órgão técnico que assessora o setor agrícola nas negociações comerciais, o Brasil agiu corretamente ao evitar identificar-se com a Argentina, que também não teve o apoio nem do Uruguai nem do Paraguai em sua oposição a qualquer redução significativa nas tarifas industriais.
"Se aderisse à posição argentina, o Brasil seria visto como um dos que não querem que haja acordo", diz Nassar. Entre as vantagens do "acordo medíocre" que poderia sair das discussões da OMC, ele aponta o fim dos subsídios à exportação, os limites aceitos pelos EUA para subsídios por produto e maiores cotas de exportação à Europa, principalmente de carnes.
Da mesma maneira, o Brasil teve de adotar uma posição que já era "previsível", de descolamento, com apoio da Argentina, em relação às posições da Índia e da China, que querem o direito de aumentar tarifas de produtos agrícolas em caso de surto de importações. O problema, diz Nassar, é que, negociada em uma rodada que tem como objetivo a queda de barreiras à agricultura, a proposta da Índia e da China permitiria que eles aumentassem as tarifas de importação de alimentos até acima do máximo permitido atualmente.
"Seria um retrocesso inadmissível", classifica o diretor do Ícone, que critica o Itamaraty por não ter deixado essa posição mais clara aos parceiros antes. Ele não acredita que as diferenças entre Brasil e Argentina em Genebra afetem substancialmente o Mercosul. Acredita, porém, que o Brasil será cobrado pela Argentina, por ter aceito medidas contra os interesses dos industriais do vizinho.
O ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, concorda com Nassar, sobre a pouca relevância dos desentendimentos em Genebra para o futuro da relação entre os dois países. Ele acredita que os dois países acabarão se entendendo. Um graduado diplomata, em Genebra, endossa a avaliação de que haverá negociações, no Mercosul, para acomodar as conclusões de Doha - com maior número de produtos argentinos protegidos na lista de mercadorias "sensíveis", por exemplo. No entanto, os sucessivos impasses nas discussões em Genebra, já despertar dúvidas entre os brasileiros, se será necessária essa conversa. Afinal, podem fracassar as negociações desta semana .
Petrobras inicia produção de biodiesel Volta
Mídia Impressa: Valor Econômico
Raquel Salgado, de Salvador
29/07/2008
A Petrobras inaugura hoje sua primeira usina de biodiesel no país. A unidade, localizada em Candeias, cidade a 50 km da capital baiana, tem capacidade de produção de 57 milhões de litros por ano e iniciará sua operação com a presença do presidente Lula - mas processando oleaginosas compradas de médios e grandes produtores e utilizando inclusive soja cultivada em Goiás e em Mato Grosso.
Os produtos da agricultura familiar, como mamona, dendê e girassol, sempre exaltados pelo presidente como uma opção de atividade econômica para as famílias mais pobres do país, deverão chegar à usina a partir de outubro, e irão conviver com a presença de soja e outras oleaginosas vindas de fazendas que praticam, segunda a empresa, "a agricultura intensiva".
Segundo a Petrobras, 58% do volume de matéria-prima a ser processada neste ano foi adquirido da agricultura familiar. No Nordeste, para se valer de benefícios fiscais do governo federal concedidos à produção de biodiesel, a empresa deve adquirir pelo menos 50% dos insumos de pequenos agricultores familiares. A Petrobras espera que esses produtores forneçam nesse plantio 48,8 mil toneladas de grãos, sendo 30,6 mil toneladas de mamona, 18,2 mil toneladas de girassol e 1 mil toneladas de óleo de dendê.
A usina de Candeias absorveu investimento de R$ 101 milhões e empregará 64 funcionários. Junto com duas unidades a serem inauguradas no fim de agosto - uma em Quixadá (CE) e outra em Montes Claros (MG) -, será controlada por uma nova empresa da estatal, a Petrobras Combustível. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciará hoje o quadro de diretores dessa companhia, que tem como presidente Alan Kardec. O investimento total nas três usinas será de R$ 295 milhões.
Segundo Kardec, a decisão de criar uma nova empresa, que integrará atividades que já existem em diversos órgãos da Petrobras, foi tomada em março deste ano. "Com isso podemos contribuir para a redução do aquecimento global no planeta e agregar valor ambiental à questão da energia".
Maria das Graças Foster, diretora de gás e energia da Petrobras, diz que não é possível dar início à atividade da usina só com produtos da agricultura familiar porque essa cadeia ainda precisa de mais estrutura e escala de produção.
Em busca de maior produtividade para a usina de Candeias, a Petrobras forneceu 205,2 toneladas de sementes de mamona e girassol certificadas pela Embrapa a agricultores da Bahia e de Sergipe e contratou empresas de assistência técnica e rural para fornecer orientação aos agricultores no plantio e na colheita. No total, 28,9 mil agricultores plantam oleaginosas para surprir esse empreendimento.
Maria lembra que o projeto dessas usinas nasceu há cerca de seis anos, quando a empresa construiu no Rio Grande do Norte uma planta para estudar o processamento desse tipo de combustível. "Agora, a partir de amanhã [hoje], seremos uma empresa que produz biodiesel em escala comercial", comemora.
Contramão indesejável Volta
Mídia Impressa: O Estado de Minas
26/07/2008
A patente industrial confere ao inventor exclusividade de mercado por 20 anos
A decisão do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) de rever suas diretrizes de exame de patentes para reconhecer a patentabilidade de novas formas cristalinas de substâncias antigas, já em domínio público ou não, anda na contramão da política de desenvolvimento adotada pelo país desde o início do governo Lula e da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (Pitce), agora revigorada e ampliada com o recente anúncio da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP). Um dos objetivos da Pitce era exatamente a recuperação funcional do INPI, instituição que havia sido relegada a segundo plano durante todo o período em que prevaleceu a ideologia de livre mercado, e em que falar de política industrial proativa era anátema, sinônimo de atraso. Pois o resultado deste período de prevalência da ideologia de mercado foi para nós exatamente este: atraso.
Em termos de desenvolvimento industrial, o Brasil parou no tempo e foi ultrapassado por um leque de países que, há meros 20 anos, se encontravam em posição bem inferior à nossa, mas que resistiram ao consenso liberal e continuaram a praticar uma política industrial ativa. China e Índia são os maiores exemplos. A propriedade industrial, y compris a concessão de patentes, é extremamente importante para a política de desenvolvimento dos países retardatários, jà que a concessão de uma patente tem o efeito de bloquear o mercado do produto patenteado por 20 anos. Nada contra o sistema, isto é, contra a concessão de patentes cujo mérito inventivo justifique o privilégio. O problema é o abuso, é a concessão de patentes de escasso valor intelectual cuja finalidade é apenas impedir a concorrência.
A patente industrial confere ao inventor exclusividade de mercado por 20 anos. Mas os polpudos lucros obtidos durante o período de proteção incentivam detentores de patente a tentar aumentar esse prazo. Na verdade é isto que está ocorrendo: o prazo legal de proteção, que vem sendo aumentado em todo o mundo, já foi de 10, 14, 15, 17 e agora, depois de Trips, foi harmonizado para todos os países que formam a Organização Mundial do Comércio (OMC) para 20 anos. Mas, como a ambição não conhece limites, os detentores de patentes querem mais. Na área de medicamentos, por exemplo, o monopólio faz um único produto farmacêutico gerar vendas mundiais em torno de US$ 1 bilhão ao ano, o que leva uma prorrogação, de um dia que seja, na exclusividade de mercado, valer cerca de US$ 2,6 milhões, o que justifica a formação de lobbies poderosos.
Fez muito bem o Ministério de Desenvolvimento da Indústria e Comércio em instituir o Grupo Interministerial de Propriedade Industrial. As apostas são altas, estão em jogo políticas fundamentais para o país, entre as quais acesso a alimentos e a medicamentos essenciais, exatamente aquelas que melhor diferenciam e qualificam o atual governo.
Web 2.0 entra na moda, uma década depois Volta
Mídia Impressa: Gazeta Mercantil
29/07/2008
Após um processo que levou dez anos, marcado por curiosidade, negação, euforia e traição, o mundo corporativo adotou a Web como uma plataforma para marketing, gerenciamento da cadeia de fornecimento (SCM, na sigla em inglês) e coordenação interna.
Agora, uma década depois, a Web 2.0 é a última moda. Ao permitir a capacitação de novas estratégias de produção, consumo, colaboração e experimentação, a Web 2.0 pode deslocar as fontes locais e mundiais de vantagem competitiva.
Dois princípios definem a Web 2.0. Primeiro, um relaxamento da modularidade, que descreve uma arquitetura de pequenas tarefas "ligadas livremente" - por exemplo, o "mash-up", no qual um site da net pode basear-se para a obtenção de dados (normalmente fornecidos gratuitamente por outros) para criar ofertas híbridas a um custo mínino. Segundo, um fortalecimento da periferia através de uma comunidade de confiança que compartilha propriedade intelectual e cuja reputação serve de motor e base de confiança.
Estes dois princípios tornam possível a distribuição da produção de "information goods" (espécie de commodity cujo valor de mercado depende da informação que ele contém) através da barata recombinação de contribuições anteriores. Os usuários podem tornar-se produtores e são constantemente motivados a retribuir à comunidade da qual eles extraíram aquilo de que necessitavam. Motivações econômicas e não-econômicas aparecem misturadas. Esta colaboração acontece com pouquíssima coordenação formal. As iniciativas originam-se nos limites da rede. Comunidades de mercado, ou não, substituem as tradicionais organizações hierárquicas.
Estes princípios não são novos. O que é recentemente é a marcante possibilidade de alterar a escalabilidade de uma aplicação.
Mais de 220 milhões de membros do eBay movimentam mais de US$ 50 bilhões por ano - um volume bruto de merchandising maior do que o da Lowe’s. Mil pessoas escrevendo as 30 milhões de linhas do código Linux, competindo com o investimento da Microsoft de US$ 10 bilhões no Windows Vista. A questão não é que, então, a Lowe’s ou a Microsoft se tornaram obsoletas ou isto seja um fenômeno universal, mas sim que existe algo de inédito e vigoroso no mercado.
Vamos tomar o caso da Toyota como exemplo. A companhia e seus diversos fornecedores definem a sua colaboração mútua com base em contratos de longa duração, sem data definida para expirar. O aprendizado acerca da melhoria do processo é tratado como "capital intelectual" e deve ser compartilhado entre os colegas da cadeia de fornecimento. A reputação de toda esta rede sublinha não apenas o capital social de empresas, mas também de engenheiros e times, formando, assim, uma comunidade de confiança. O trabalho é dividido segundo pequenos e precisos ciclos de hipótese-teste-medida, conduzido paralelamente por times independentes; em seguida, os resultados são enviados de forma resumida e obedecendo um formato padronizado a todos, de modo que os outros possam desenvolvê-los: flexibilização da modularidade.
Esta última tendência é uma estratégia consciente, muito diferente da hierarquia de tarefas e papéis que caracterizam os negócios convencionais. Da mesma forma, a comunidade de confiança também representa uma escolha estratégica que difere em muito das relações de poder que tradicionalmente definem as organizações, cadeias de fornecimento e relações de marketing.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 3)(Philip Evans/ The New York Times)
Temporão inicia viagem à Índia para impulsionar cooperação empresarial Volta
Mídia Eletrônica: http://ultimosegundo.ig.com.br/
28/07/2008
Nova Délhi, 28 jul (EFE) - O ministro da Saúde José Gomes Temporão iniciou hoje uma visita oficial à Índia com o objetivo de impulsionar a cooperação empresarial entre a indústria farmacêutica dos dois países e estimular investimentos nessa nação asiática.
Temporão, que viaja acompanhado de uma delegação empresarial, se reuniu com o ministro da saúde indiano, Anbumani Ramadoss, no primeiro dia de uma visita que se estenderá até quarta-feira.
O secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde brasileiro, Reinaldo Guimarães, disse à Agência Efe que o encontro tinha se desenvolvido de forma positiva.
Segundo Guimarães, essa é a primeira viagem que um ministro da Saúde do Brasil faz à Índia para discutir questões relacionadas com a indústria farmacêutica e acrescentou que a visita, além de um alto conteúdo empresarial, tem o objetivo de "reforçar a cooperação sul-sul".
O secretário qualificou essa cooperação de "relação simétrica" ao contrário da que se estabelece "entre o norte e o sul".
Além disso, destacou a sintonia existente entre Brasil e Índia por serem "dois países emergentes, que iniciaram sua industrialização de forma tardia e que hoje em dia têm peso junto aos organismos internacionais".
Com esta visita, o Brasil pretende facilitar a importação de tecnologia para a indústria farmacoquímica e o investimento direto de companhias brasileiras na Índia, especialmente no campo da produção de remédios.
O ministro da Saúde indiano destacou que é necessário "o desenvolvimento, em associação com a Organização Mundial de Saúde, das capacidades de outros países em desenvolvimento para que legislem e apliquem direitos de propriedade intelectual de modo que se potencializem os benefícios dos serviços de saúde públicos".
Em comunicado, Ramadoss ressaltou que existem três âmbitos nos quais ambos os países pretendem reforçar suas relações: a investigação, a potencialização das mudanças no estilo de vida através da medicina tradicional indiana e da ioga e a biotecnologia e a produção de remédios.
Além disso, o ministro indiano encorajou as empresas brasileiras a identificar oportunidades de negócio e, assim, aumentar o investimento no país asiático.
Está previsto que amanhã Ramadoss e Temporão se reúnam com a ministra da Saúde sul-africana , Manto Tshabalala-Msimang, para revisar os acordos de cooperação em pesquisa e produção e exportação de remédios genéricos.
*EFE mb/rr
Hypermarcas compra Bozzano e NY Looks e avança em beleza masculina Volta
Empresa passa a controlar marcas como Bozzano, Juvena, Acquamarine, Campos do Jordão, NY Looks, Radical e Bia Blanc
Mídia Eletrônica: http://portalexame.abril.com.br
28/07/2008
EXAME - A Hypermarcas anunciou nesta segunda-feira a compra de marcas locais da Revlon no Brasil por US$ 104 milhões. O negócio engloba as marcas Bozzano, Juvena, Acquamarine e Campos do Jordão. A Bozzano é líder no mercado de produtos de higiene e beleza voltados para o público masculino.
A companhia também concluiu outro negócio, de R$ 60 milhões, que envolveu a aquisição das marcas NY Looks e Radical, líderes no mercado de modeladores para cabelos, além dos hidratantes Bia Blanc.
“Essas aquisições expandem a presença da Hypermarcas para os principais segmentos do mercado de higiene e beleza masculina”, afirma o executivo-chefe da Hypermarcas, Claudio Bergamo. O faturamento combinado dos dois negócios foi de aproximadamente R$ 120 milhões em 2007.
A Hypermarcas também adquire as marcas Juvena, Acquamarine e Bia Blanc, que complementam o portfólio da companhia no segmento de xampus, condicionadores e cremes para pentear, e nos quais a empresa já atuava com as marcas Monange e Éh!.
“Estamos dando mais um importante passo para nos consolidarmos como a maior empresa de bens de consumo do Brasil”, comemora Bergamo. As novas aquisições estão em linha com o objetivo anunciado pela Hypermarcas em seu IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) de utilizar parte dos recursos em aquisições de empresas e marcas, de modo a montar um portfólio completo nos vários segmentos em que atua.
A Hypermarcas atua nos segmentos de higiene e limpeza, beleza, alimentos e medicamentos. A empresa possui um portfólio de mais de 65 marcas reconhecidas em todo o País, tais como Assolan, Monange, Paixão, Benegrip, Apracur, Doril, Engov, Gelol, Zero-Cal e Cenoura & Bronze. Em abril, as ações da Hypermarcas começaram a ser negociadas na Bovespa. Cada papel foi vendido a R$ 17 na oferta pública. Hoje, as ações ordinárias da empresa (HYPE3) fecharam cotadas a R$ 19,45, alta de 3,45%.
Bahia pleiteia sediar Pólo brasileiro de Robótica Emergente Volta
Mídia Eletrônica: http://www.convergenciadigital.com.br/
28/07/2008
Equipamento pioneiro no campo da Inteligência Artificial no Estado, com um potencial para movimentar milhões de dólares e gerar centenas de milhares de empregos no mundo todo, a Bahia poderá ganhar um Pólo de Robótica Emergente (Probem). Proposta por um grupo de pesquisadores de baianos, a iniciativa, uma vez implantada, vai transformar a Bahia em um pólo de tecnologia de ponta na indústria de produtos inovadores.
Em cerca de dois anos, as primeiras empresas geradas pelo projeto estarão deixando a fase de incubação e se tornando uma das principais ações do Parque Tecnológico. Estas empresas cobrirão todo o ciclo robótico desde a produção de circuitos integrados até robôs completos voltados para aplicações finais.
O Probem é um projeto que congrega os laboratórios da Universidade Federal da Bahia, da Universidade Estadual de Feira de Santana, da Universidade do Estado da Bahia, com a Cooperativa dos Saberes e do Centro Federal de Educação Tecnológica.
A implantação do Probem foi discutida nesta segunda-feira, 28/07, no auditório da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (FAMED/UFBA), durante a I Oficina de Projetos em Robótica Emergente. O evento discutiu também a consolidação de uma estrutura acadêmica multi-institucional e multidisciplinar para a criação do Instituto Internacional de Ciências da Cognição (IICC).
Pela proposta, o IICC será instalado no Parque Tecnológico de Salvador, que a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) está implantando na Avenida Paralela. O IICC foi concebido como o centro articulador da grande rede que será o Pólo de Robótica Emergente. Em março, foi proposta a primeira etapa do projeto Probem à Secti e ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).
O secretário estadual de CT&I, Ildes Ferreira, emcampou a proposta e pediu que fossem apresentados os projetos. Seis pedidos de patentes já estão em fase de elaboração e a expectativa dos pesquisadores é de que sejam geradas dezenas de novas patentes, nos próximos anos, abrindo novas perspectivas de financiamentos para as universidades públicas. Os projetos foram inscritos no Programa Estadual de Incentivos à Inovação Tecnológica (Inovatec), executado pela Secti.
A estimativa de investimentos para a primeira etapa do Probem é de quase R$ 40 milhões. Esses recursos deverão ser captados em diversas fontes de financiamento, como editais temáticos, Fundos Setoriais e instituições de pesquisa.
O passo inicial para a implantação do Probem será a construção de uma plataforma laboratorial, através de laboratórios que funcionarão sob a coordenação da rede de pesquisa SERLS – Sistemas Emergentes de Representações, Linguagens e Semióticas, instituída pelas instituições de ensino e pesquisa.
Projeto vai promover desenvolvimento tecnológico do Estado
Para a coordenadora do Doutorado de Difusão Científica (um projeto multiinstitucional), Teresinha Fróes, com projetos como o Probem "a universidade pública cumpre o seu papel de produtora do conhecimento e promotora do desenvolvimento tecnológico do Estado". Já o pesquisador Eduardo Santos Souza, autor da proposta do projeto inicial, disse que "o sonho dos primeiros pesquisadores em Inteligência Artificial da década de 50 do século passado está perto de se concretizar".
Dentre os resultados esperados pelos especialistas estão a criação de produtos inovadores e construção de motores e sensores para os robôs, no campo da inteligência artificial e, na área de engenharia de software, o apoio à criação de produtos como motores de jogos, agentes autônomos multicamadas, sistemas de respostas automáticas, jogos eletrônicos, repositórios de objetos de aprendizagem, ferramentas de autoria e ambientes de simulação com recursos de realidade virtual.
Já no terreno da robótica educativa deverão ser desenvolvidos protótipos de software livre e protótipos de robótica emergente. Também estão sendo esperada a geração de empresas de base tecnológica (produtos e patentes, primeira geração), a produção de componentes básicos para a fabricação de Inteligência Artificial e Robótica Emergente, a produção de controles de processos, computadores, console e robôs (segunda geração) e, na terceira geração, sistemas especialistas, softwares, games e robôs comportamentais.
*Com informações da Assessoria de Imprensa da Secretaria de Ciência e Tecnologia da Bahia