
Quarta-feira, 23 de julho de 2008.
Comentários, dúvidas e sugestões:
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1. O Brasil para asiáticos
2. Compensando pela conservação da Amazônica
3. Amorim pede moderação à China para manter G-20 unido
4. Países desenvolvidos querem limitar flexibilidade solicitada pelo Mercosul
5. Após três anos, Anvisa cancela registro de Prexige
6. Risco de acordo
7. Da forma mais natural possível
8. Queda do etanol nos EUA encerra negócios com o Brasil
9. Brasil está dormindo no ponto na área de biocombustíveis
10. Consumidores preferem produtos verdes (Portugal)
11. Importância do Registro de Marca no cenário internacional
12. Especial Consumo Consciente: Marcas já fazem a sua parte
13. Núcleo de Inovação Tecnológica alerta sobre patentes
O Brasil para asiáticos Volta
Mídia Impressa: Valor Econômico
Por Angelo Pavini, de São Paulo
23/07/2008
O Brasil está invadindo os mercados asiáticos. Nos últimos meses, cresceu acentuadamente o valor investido em fundos sediados na Coréia e no Japão que aplicam em papéis brasileiros com recursos de aplicadores de varejo. No Japão, segundo dados da HSBC Global Asset Management, o saldo passou de pouco mais de US$ 1 bilhão em julho do ano passado para US$ 6 bilhões em maio deste ano. A esse valor deve-se acrescentar mais US$ 2 bilhões aplicados na semana passada em apenas um fundo do UBS Pactual de papéis de renda fixa brasileira.
Na Coréia, o cenário é parecido, com cerca de oito fundos criados do ano passado para cá e um patrimônio de US$ 1,009 bilhão. Somando os dois países, há um total de R$ 9 bilhões nos mercados locais, dos quais cerca de US$ 8 bilhões captados nos últimos 12 meses. Há ainda US$ 1,1 bilhão em um fundo de ações de América Latina do BNP Paribas na Coréia, dos quais cerca de US$ 600 milhões estão aplicados em Brasil.
O que chama a atenção é que a quase totalidade desses fundos tem aplicações baixas, entre US$ 100 e US$ 10 mil. Ou seja, são destinados a pequenos e médios investidores japoneses e coreanos, que procuram ganhar mais aplicando fora de seus países e que estão descobrindo o Brasil. E a maior parcela dos recursos das carteiras, por incrível que pareça, ainda está em ações brasileiras. A procura é tão grande que uma das maiores gestoras coreana, a Mirae, abriu recentemente escritório em São Paulo.
E esse valor deve aumentar em breve. O UBS Pactual detectou interesse por mais US$ 1 bilhão em aplicações no recém-criado fundo de renda fixa japonês, enquanto o Itaú espera captar US$ 2 bilhões com duas carteiras, uma de renda fixa e outra de ações brasileiras, em parceria com a Daiwa Securities.
Um dos pioneiros a levar o Brasil para o Japão, o HSBC, criou sua carteira em abril de 2006. Hoje o fundo tem US$ 1,4 bilhão e é o maior fundo de ações brasileiras do mercado local, diz seu gestor, Luiz Ribeiro. E o interesse japonês continua alto, conforme explica Kenji Yamamoto, um japonês que viveu no Brasil e que é responsável pelo atendimento aos clientes em Tóquio. Ele está no Brasil esta semana com um grupo de cinco representantes de corretoras e um de um banco japonês que distribuem as carteiras brasileiras. "Eles ficaram impressionados com a visita que fizemos à Embraer", diz ele, antecipando que o banco vai lançar mais um fundo de ações brasileiras e estuda um fundo de renda fixa Brasil.
Em fevereiro deste ano, o HSBC fez uma parceria com o coreano Shin Han Bank, o segundo maior banco da Coréia, para criar uma carteira de ações brasileiras também lá. A carteira tem agora US$ 87 milhões. "E a iniciativa partiu dos coreanos", diz Luiz Ribeiro.
Segundo Ribeiro, o interesse pelo Brasil tem a ver com a visibilidade dada pelo retorno da bolsa brasileira nos últimos anos. "Antes eles tinha exposição à China, Índia e Rússia, e agora estão procurando América Latina". Além disso, o Brasil continua interessante no médio e longo prazos. "Olhando o Ibovespa, hoje nossa relação Preço/Lucro (P/L) está abaixo de 11 vezes, o que indica que estamos mais baratos que China, com 13 vezes, e Índia, com 14", diz. Há, claro, a preocupação global de curto prazo por conta da inflação em alta nos emergentes e dos balanços dos bancos americanos. Segundo ele, os fundos asiáticos têm maior apetite por ações de matérias-primas, como petróleo, ações e mineração.
O Brasil tem duas forças a favor, que são o comportamento da Bovespa nos últimos 12 meses, bem melhor que o resto do mundo, e o grau de investimento, diz Luiz Sorge, diretor da BNP Paribas Asset Management Brasil. O BNP tem um fundo de ações do Brasil na Coréia, com US$ 200 milhões, além do América Latina, com US$ 1,1 bilhão, em uma parceria com o banco coreano Shin Han. No Japão, são duas carteiras em parceria com a Daiwa Securities, uma de ações brasileiras, com US$ 1,2 bilhão, e outra de renda fixa, com US$ 200 milhões. "O Brasil é uma história única, porque tem a atratividade em ações e em renda fixa também, pois os juros estão subindo para segurar a inflação e mantendo nosso juro real como um dos mais altos e atrativos do mundo", diz.
Outra gestora que desembarcou recentemente na Coréia e no Japão com fundos brasileiros é a americana Franklin Templeton. Segundo o gestor Frederico Santana Sampaio, a carteira coreana tem quatro meses. "É um processo inexorável", diz ele, que conta que a asset está conversando com instituições japonesas para criar uma carteira lá, também de ações. "Tivemos captação forte quando as commodities dispararam, agora, com a turbulência, diminuiu, mas não temos visto saques". O fundo é destinado ao varejo coreano.
Outra instituição que já conhece o interesse dos asiáticos pelos ativos brasileiros é a BNY Mellon Arx. A gestora fechou no ano passado parceria com o banco coreano Kookmin Bank para ser o co-gestor do KB Brazil Equity Fund e já prepara outra carteira do tipo para o mercado japonês. O fundo do KB Brazil é oficialmente gerido pelo braço de gestão da instituição coreana, a KB Asset Management, como requer a legislação de lá, mas possui lastro em ativos brasileiros e tem gestão com estratégia parecida com a do fundo BNY Mellon Arx Income, que já existe há muitos anos no mercado local.
O fundo foi lançado em outubro de 2007 e, em junho, contava com US$ 118 milhões. "É um fundo que é vendido a investidores de varejo lá e o interesse tem sido grande", conta Rogério Poppe, gestor de renda variável da BNY Mellon Arx. A meta inicial, de alcançar os US$ 150 milhões, deve ser alcançada antes de a carteira completar um ano, avalia. A partir dessa experiência, a gestora estrutura algo semelhante no mercado japonês. (Colaboraram Catherine Vieira, do Rio, e Danilo Fariello, de São Paulo)
Compensando pela conservação da Amazônica Volta
Mídia Impressa: Valor Econômico
Daniel Nepstad
23/07/2008
A demanda global para carne, grãos e biocombustíveis está crescendo, aumentando os preços dessas commodities a um ritmo vertiginoso. Caso esta tendência se consolide, o resultado será mais desmatamento na Amazônia. Mas esse quadro poderá ser evitado se um novo princípio passar a nortear as estratégias de conservação para a região: o da compensação aos protetores da floresta. Antes de tudo, será necessário premiar quem está defendendo a floresta e cumprindo a lei - seja índio, seringueiro, agricultor ou pecuarista. E o mercado está pronto para pagar a conta dessa premiação.
O Brasil deve se orgulhar das conquistas históricas em prol da conservação da Amazônia. O país tem o maior sistema de áreas protegidas, de terras indígenas e de monitoramento de florestas (este último criado e mantido pelo INPE) do mundo.
No entanto, o desmatamento segue a taxa ainda elevadas, gerado especialmente pela conversão de florestas em pastagens extensivas. Em parte, este cenário persiste pela falta de um mecanismo que diferencie os produtores rurais "do bem" - que querem cumprir a lei e cuidar da terra - e daqueles "do mal". Enquanto tiver uma criminalização generalizada da agropecuária, o êxito da luta contra desmatamento será limitado.
O primeiro passo para um novo paradigma de conservação que resulte na permanência de grandes áreas de floresta "em pé" é tornar a legalidade mais acessível e fácil de se atingir. Ser legal hoje na Amazônia é quase impossível. Quando a "reserva legal" florestal de propriedades rurais passou de 50% para 80% de cada propriedade, faltou um mecanismo que facilitasse o cumprimento desta nova exigência pelos proprietários. Quem tenta legalizar a sua propriedade enfrenta custos altíssimos, burocracia lenta e, às vezes, corrupção. Hoje, existe a possibilidade de reduzir a reserva legal para 50% no contexto de um Zoneamento Ecológico/Econômico aprovado pelo Estado, que deve ser uma prioridade do governo. O processo de titulação de terras também é um grande obstáculo à legalização. Há, contudo, iniciativas promissoras no Estado do Pará, que está dando passos históricos na legalização fundiária de propriedades.
É necessário premiar quem busca a legalidade e defende a floresta, seja índio, seringueiro, agricultor ou pecuarista
O segundo passo é ter um sistema eficaz de identificação de produtores rurais "do bem". O Sistema de Licenciamento Ambiental da Propriedade Rural (SLAPR) do Estado de Mato Grosso é um exemplo importante - embora ainda com deficiências - de licenciamento de terras. Este sistema poderia se tornar uma ferramenta valiosa na identificação de propriedades cujos donos estão buscando a legalidade. Tal sistema, que já conta com o registro de um terço das terras privadas no Estado, precisa, contudo, ser ampliado urgentemente. Isto significa, em primeiro lugar, ter instituições estaduais fortes, especialmente uma Secretaria de Meio Ambiente (Sema) que possa ser ágil, sem perder o rigor.
O terceiro passo deve ser a premiação dos produtores que estão buscando a legalidade e a responsabilidade sócio-ambiental. Os pecuaristas e agricultores membros do Cadastro de Compromisso Sócio-Ambiental já começam a ter o devido reconhecimento pela opção que fizeram na luta contra a erosão e o incêndio florestais, no tratamento digno dos seus funcionários e na proteção dos seus córregos e rios. Alguns proprietários listados neste cadastro, que é uma iniciativa da Aliança da Terra e do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, já estão recebendo pagamentos do Rabobank para a recuperação das suas matas ciliares. O banco holandês, que atua na Amazônia, vai traduzir estes investimentos em créditos de carbono. Além disto, em breve, o Frigorífico Independência começará a pagar um preço maior pelos bovinos criados em fazendas listadas no Cadastro. O Cadastro deve se estender, em breve, para assentamentos agrícolas rurais e para populações indígenas.
Uma vez criadas as condições básicas para se cumprir a lei, premiando os produtores que entram na legalidade e investem na responsabilidade sócio-ambiental, a Amazônia estará pronta para implementar medidas punitivas contra os proprietários ilegais. Os pecuaristas e agricultores legais e responsáveis que estarão sendo premiados irão se tornar aliados chaves na identificação e denúncia de pecuaristas e agricultores que não seguem a lei. Um movimento como este já teve início no nordeste mato-grossense no ano passado, quando pecuaristas listados no cadastro denunciaram grileiros para as autoridades estaduais e federais. Quem desmata ilegalmente, maltrata os seus funcionários e faz uso irresponsável do fogo acaba prejudicando a "imagem" da região, espantando potenciais compradores que estão à procura de uma produção mais sustentável.
Aliado ao novo paradigma de conservação, exposto acima, o Brasil poderia em breve começar a ser compensado pelo "mercado de carbono" para reduzir as suas emissões de carbono para a atmosfera oriundas do desmatamento. O mecanismo "Redd" (Redução de Emissões de Desmatamento e Degradação florestal) está sendo negociado no âmbito da Conferência sobre Mudança Climática da ONU, e até dezembro de 2009 as negociações devem definir as regras de compensações. Estudo liderado pelo Ipam (www.climaedesmatamento.org.br), estima que o Redd poderia dobrar ou triplicar a renda média dos povos da floresta e pagar proprietários rurais pela manutenção das suas reservas legais. Os pagamentos do Redd poderiam equipar o governo federal e estadual para implementar os planos de zoneamento, para montar sistemas de licenciamento ambiental, avançar com o ordenamento fundiário e punir as atividades criminosas. A Noruega já doou centenas de milhões de reais para o Brasil para tocar esta idéia de compensação por redução de desmatamento para frente.
Talvez o caminho de curto prazo para um novo paradigma de conservação para a Amazônia deva passar pelo estabelecimento de uma moratória de desmatamento na Amazônia para os próximos dois anos. Neste período, poderia se dar início a uma negociação entre os povos da floresta, agricultores e os pecuaristas "do bem", junto com a sociedade civil e o governo, a definição das regras de um programa Redd e os mecanismos de distribuição dos benefícios gerados pelo mercado de carbono.
*Daniel Nepstad é cientista sênior do Woods Hole Research Center, professor e doutor em ecologia florestal pela Universidade de Yale.
Amorim pede moderação à China para manter G-20 unido Volta
Mídia Impressa: Valor Ecnômico
De Genebra
23/07/2008
O Brasil, na liderança do G-20, pediu ontem para a China mostrar flexibilidade na negociação agrícola na Rodada Doha. Isso significa moderar suas demandas para frear importações agrícolas, o que causa reações fortes de alguns membros do grupo. A discussão sobre mecanismos para manter a unidade do G-20 fez parte de reunião entre o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, e o ministro de Comércio chinês, Chen Deming, à margem das negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Amorim disse ao representante chinês que tem de haver moderação na designação de "produtos especiais" (que terão corte tarifário menor) e, sobretudo, para o uso do mecanismo de salvaguarda especial, pelo qual a China e outros querem bloquear um súbito aumento de importações ou uma queda de preços agrícolas.
Ele pediu a Pequim "atitudes construtivas" para encontrar soluções para o problema. E observou que o Brasil, na coordenação do G-20, não se associou a nenhuma proposta sobre os dois temas, para manter a unidade do grupo. Metade das exportações agrícolas do Brasil, estimadas em mais de US$ 60 bilhões este ano, vai para países em desenvolvimento e o setor privado pediu para o Itamaraty ser especialmente atento sobre o gatilho que deflagrará a salvaguarda.
Um porta-voz chinês disse que o ministro Chen Deming concordou com Amorim em trabalhar juntos "para preservar a unidade do G-20"". E acrescentou que Pequim "aprecia o papel de liderança do Brasil na negociação de Doha", e que os dois países vão colaborar nas discussões desta semana em vista de um acordo. Para negociadores, sem o G-20 os países em desenvolvimento estariam desarticulados e mais expostos às pressões dos Estados Unidos e da União Européia.
As diferenças dentro do G-20 são persistentes quando se trata de acesso ao mercado. Parte dos membros também participa do G-33, como China, Índia e Indonésia. Esse grupo quer designar 8% das linhas tarifárias agrícolas como "produtos especiais", que não teriam corte nenhum, para manter proteção de setores destinados à segurança alimentar, sustento da população e desenvolvimento rural.
O elemento mais controverso é a ampla flexibilidade para utilizar o mecanismo de salvaguarda especial, desejada pela China, Índia, Indonésia e outros emergentes. O mediador da negociação agrícola, Crawford Falconer, alertou mais de uma vez que essa salvaguarda tem todo o potencial para se transformar no elemento que pode implodir a Rodada.
Esta semana, o Paraguai e o Uruguai, membros do G-20, denunciaram como "totalmente inaceitável" para as pequenas economias a maneira como o G-33 quer deflagrar o mecanismo de salvaguarda especial. Exemplificaram que a China poderá acionar a salvaguarda e impor sobretaxa sobre 70% a 80% de suas importações agrícolas, já que elas vêm aumentando rapidamente no rastro do crescimento econômico chinês. O maior exemplo é a soja, com expansão de 48% ao ano. Nesse caso, a tarifa atual de 3% poderia chegar a até 18% se as negociações de Doha levarem em conta o que China, Índia, Indonésia e outros desejam, e se Pequim quiser restringir suas compras.
As discussões sobre a negociação global só tomaram 10% da conversa entre Amorim e Deming. A maior parte do tempo foi mesmo sobre as relações bilaterais. Amorim conclamou o colega chinês a abrir seu mercado para mais produtos agrícolas brasileiros, incluindo as carnes. Ele argumentou que o Brasil passou a acumular déficit considerável no comércio bilateral, depois de anos de superávit. E que para equilibrar a situação, vale aumentar os esforços para conciliar a necessidade chinesa de combater a inflação provocada pela alta dos preços dos alimentos, com o potencial brasileiro de exportações agrícolas.
Amorim pediu para Pequim estimular investimentos que agregam valor. O interesse pelo etanol foi destacado. (AM)
Países desenvolvidos querem limitar flexibilidade solicitada pelo Mercosul Volta
Mídia Impressa: Valor Econômico
De Genebra
23/07/2008
Os países desenvolvidos aumentaram ontem a pressão para limitar a flexibilidade para o Mercosul proteger suas indústrias num acordo na Rodada Doha. Eles insistiram em só aceitar que o bloco proteja 12% de suas linhas tarifárias industriais, comparados aos 16% pedidos pela Argentina para poder acomodar as sensibilidades de cada país.
Os Estados Unidos apresentaram proposta por acordos setoriais, oferecendo uma espécie de "bonus" como estímulo para quem aceitar eliminar ou reduzir substancialmente as alíquotas dos setores negociados. Pelo bônus, teriam 1a 2 pontos nos coeficientes para reduzir menos as tarifas no resto. Os emergentes são contra.
Os países continuaram fortemente divididos após sete horas de negociações agrícola e industrial no "green room" (reunião ministerial restrita), com cobranças recíprocas e manutenção de posições. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reclamou que a negociação está lenta demais, mas logo acrescentou ser "melhor um começo em câmara lenta do que paralisia total, assim podemos continuar a discordar".
Pascal Lamy, diretor da OMC, mudou o formato das negociacões a partir de hoje, agora em pequenos grupos ou bilaterais. A negociação de serviços foi empurrada para sexta-feira.
Peter Mandelson, o comissário europeu de comércio, disse que um dos momentos ruins foi quando "um ou dois países", Argentina e Índia, pareceram rejeitar o texto de base da negociação industrial, mas que as coisas teriam entrado nos eixos mais tarde.
Pela manhã, quando Lamy mencionou aceitação dos parâmetros fixados pelos textos dos mediadores agrícola e industrial, o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Jorge Taiana, contestou: "Isso não é verdade dentro de Nama [o texto para a liberalização industrial]".
As cobranças dos países desenvolvidos continuaram fortes por uma cláusula "anti-concentração" na área industrial, para os emergentes não protegerem todo um setor, como automotivo. "No geral, o tabuleiro não se mexeu", resumiu um negociador já a meia-noite em Genebra. (AM)
Após três anos, Anvisa cancela registro de Prexige Volta
Mídia Impressa: Valor Econômico
André Vieira, de São Paulo
23/07/2008
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou ontem o cancelamento do registro do antiinflamatório Prexige 100mg e suspendeu por 90 dias a apresentação de 400mg do mesmo medicamento. A agência informou que medida foi provocada por incertezas sobre a segurança do medicamento que causaria problemas hepáticos.
O Brasil é um dos últimos países a tomar a decisão de tirar a droga do mercado. A determinação ocorre três anos depois de o remédio ter sido liberado para a venda no país pela própria Anvisa a despeito de quase 30 países que chegaram a comercializar a droga no mundo terem retirado o produto do mercado nos últimos anos.
A retirada do medicamento é um golpe nas vendas da farmacêutica suíça Novartis no Brasil. Em 2007, o Prexige faturou US$ 91 milhões em todo o mundo, dos quais cerca de US$ 50 milhões no país. A droga continua sendo comercializada apenas no México, Colômbia, Equador, República Dominicana e Bahamas.
O Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador dos EUA, rejeitou duas vezes o pedido de registro do Prexige por parte da Novartis e nunca permitiu o lançamento da droga. Depois de o Reino Unido ter aprovado por meio do procedimento de reconhecimento mútuo, a droga chegou a ser vendida em vários países da União Européia antes de ser recolhida.
A decisão da Anvisa foi precedida pela medida de suspensão da venda da droga determinada na sexta-feira pelo Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo. O órgão havia identificado um número alarmante de reações adversas, incluindo uma suspeita de morte pelo uso do medicamento, cuja relação ainda não foi comprovada.
A Anvisa justificou que vinha analisando o caso desde agosto quando a Austrália tirou o produto do mercado. Segundo a Anvisa, o número de reações adversas subiu intensamente nos últimos meses, levando o Brasil a responder por um terço dos casos notificados no mundo pelas agências regulatórias. Dos 3.585 casos notificados, 1.265 ocorreram no país.
O Prexige faz parte da mesma família do Vioxx, o antiinflamatório retirado em setembro de 2004 do mercado mundial pela americana Merck por conter risco cardíaco em casos de uso por mais de 18 meses. Das cinco drogas mais conhecidas da família dos inibidores da Cox-2, apenas duas delas continuam no mercado brasileiros: o Celebra, da Pfizer, e o Arcoxia, da Merck Sharp & Dohme.
Risco de acordo Volta
Mídia Impressa: O Globo
Miriam Leitão
PANORAMA ECONÔMICO
23/07/2008
O Uruguai e o Paraguai estão defendendo os interesses da agricultura brasileira nas negociações da Rodada Doha. Já o Brasil aceita, contra a posição dos produtores brasileiros, que a China tenha "salvaguardas especiais". Segundo o empresário Pedro de Camargo Neto, isso é o "cúmulo", "um retrocesso". O embaixador Rubens Barbosa acha que é "melhor o fracasso que um mau acordo".
O embaixador, que já foi no passado ativo participante de negociações comerciais, avalia que há dois cenários para a Rodada Doha: ou o fracasso puro e simples; ou o fracasso travestido de sucesso.
- Ou haverá um impasse total ou aprovarão um documento minimalista, aquém das expectativas, que não representa avanço algum, mas que será apresentado com grande fanfarra, como se fosse um grande acordo - diz ele, hoje presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp.
Pedro de Camargo Neto, empresário da área agrícola, e um dos mais ativos participantes das negociações, acha que algo pior que o fracasso pode acontecer:
- Tínhamos muitas ambições, mas já estávamos nos acostumando com a idéia de ter um pequeno avanço. Falávamos em avanços substanciais no início, e agora só se fala em um avanço modesto. Mas o que não dá para aceitar é o retrocesso que pode significar o Brasil apoiar as barreiras que a China quer impor ao comércio agrícola.
As contradições entre os países emergentes levaram o Brasil a esta situação absurda de, na mesa de negociações, ficar contra seus próprios interesses. Os Estados Unidos têm proposto que a abertura do comércio agrícola valha também para os países em desenvolvimento. Esse ponto é do interesse do Brasil, um produtor eficiente, com grande possibilidade de aumentar a produção, e que hoje exporta mais alimentos para os mercados emergentes que para os países ricos. Essa proposta de que a abertura valha para todos é vetada por China e Índia, que são produtores agrícolas ineficientes. A China propôs que valha para ela o chamado "mecanismo de salvaguarda especial", inicialmente aceito apenas para os países pobres da África. O Uruguai e o Paraguai ficaram contra a China. Mas, para manter a ficção da união do G-20, o Brasil aceita a proposta chinesa, e não assume oficialmente que concorda com Paraguai e Uruguai. Assim o mercado agrícola que mais cresce no mundo, o chinês, pode vir a ter barreiras que não tinha.
- É o cúmulo que nossos interesses sejam defendidos por Paraguai e Uruguai. Não foi isso que os produtores agrícolas brasileiros disseram para o Itamaraty. Somos contra as salvaguardas para a China. É um retrocesso - reclama Pedro de Camargo Neto.
Para o ministro Celso Amorim, admitir essa contradição dentro do G-20 seria abrir mão daquilo que ele apresenta como sua grande vitória: ter unido os países emergentes na reunião de Cancún, em 2003, uma das etapas dessa longa e complexa rodada de negociação. Naquela época, foi importante juntar os 20; hoje as contradições internas do grupo são maiores que as vantagens de estar nele.
Rubens Barbosa acha que a maior possibilidade é de um fracasso puro e simples. Mesmo assim, acredita que há 40% de chance de sair um acordo fraco, que será apresentado como bom. Se for dessa forma, será para salvar a face tanto da Europa quanto do governo Bush, e do governo brasileiro, que jogou tudo nessa negociação.
- Essa foi a única negociação de liberalização do comércio a que o Brasil se dedicou nos últimos seis anos - lembra ele.
- O Brasil tem feito todas essas concessões apenas para ter uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU - diz Camargo Neto.
- A aliança com China e Índia neste momento é contra nossos interesses - concorda o embaixador.
A proposta feita pelos EUA estava dentro do que se sabia que proporiam - entre US$13 bilhões e US$16 bilhões como teto para os subsídios. Atualmente o gasto do governo americano com os subsídios é de US$7 bilhões, pois a alta dos preços de alimentos derrubou a necessidade de subsídio. Apesar de ser o dobro do praticado hoje, há grande chance de que o Congresso democrata derrube uma proposta assim. Recentemente foi aprovada a nova Lei Agrícola, que estabelecia US$48 bilhões em gastos com subsídios. O presidente Bush vetou e o Congresso - com o apoio entusiasmado do senador Barack Obama - derrubou o veto. Ou seja, US$15 bilhões significa dobrar os subsídios, porém, mesmo assim, será considerado inaceitável pelos protecionistas americanos.
A Fiesp acha que a abertura do setor industrial, pedida como compensação dos emergentes para supostas concessões na área agrícola dos países ricos, será um preço alto por nada.
- A redução das tarifas de importação, pela fórmula que está sendo negociada, vai levar a alíquota máxima de 35% para 12%. Mas eles querem acordos setoriais para as áreas mais interessantes: automóveis, química, brinquedos e informática, e isso achamos inaceitável - diz Rubens Barbosa.
A Rodada Doha pode terminar num acordo que, apesar de minimalista, será trombeteado como sucesso; ele, na verdade, pode significar para o Brasil aceitar barreiras ao comércio agrícola com a China. Ou então será um fracasso assumido. Nesse último cenário, as conversas voltam a engrenar só em 2010.
Da forma mais natural possível Volta
Mídia Impressa: Correio Braziliense
Paloma Oliveto
23/07/2008
Anvisa determina adaptação das estruturas hospitalares, até dezembro, para garantir partos normais. Secretarias estaduais de saúde admitem que atendimento será difícil
Os hospitais públicos e particulares têm até dezembro para adaptar a estrutura das maternidades. De acordo com uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apresentada ontem no Ministério da Saúde, os estabelecimentos terão de oferecer leitos apropriados para mulheres que optarem pelo parto normal, com banheiros anexos e local para um acompanhante. A idéia, segundo o presidente da Anvisa, Dirceu Raposo, é intensificar a campanha, lançada em maio, de humanizar o procedimento para reduzir o número de cesárias.
Há 10 anos, o índice de cesariana não cai no país. Apesar da determinação da Organização Mundial da Saúde de apenas 15% dos partos serem cirúrgicos, no Brasil, 43% dos 3 milhões de procedimentos anuais são cesárias. O índice aumenta para 80% no caso de mulheres que usam planos de saúde. A prevalência de cesarianas, de acordo com o Ministério da Saúde, pode prejudicar o bebê e a mãe. Por se tratar de uma cirurgia, com o uso de anestesia, pode agravar, inclusive, o risco de morte. Crianças nascidas entre 36 e 38 semanas — o período normal de gestação é de 40 semanas — têm 120 vezes mais chances de desenvolver problemas respiratórios agudos.
A resolução da Anvisa vai exigir mudanças na rede hospitalar. O coordenador de ginecologia e obstetrícia da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Avelar de Holanda Barros, diz que em Brasília, os hospitais da capital da República ainda não estão preparados. “Esse tipo de mudança não se faz do dia para a noite”, diz.
No Hospital Regional da Asa Sul, referência no serviço público de saúde do DF, há quatro leitos em cada quarto, o que dificultaria a garantia de acomodação para o acompanhante. Os hospitais mais novos do DF, como o de Santa Maria, já estão mais próximos de atender as determinações da Anvisa. No entanto, o Hospital do Gama, responsável pelo maior número de partos da rede, com 700 procedimentos por mês, o que corresponde a 20% do total, enfrentará dificuldades para se adequar. “Há hospitais que estão muito distantes ainda e o do Gama é um exemplo”, comenta Holanda Barros, coordenador do hospital.
Não haverá uma rubrica própria para garantir as reformas, mas, de acordo com a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde, os estados que tiverem dificuldades financeiras poderão recorrer ao governo federal solicitando recursos extras. O secretário-executivo do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (Conass), Jurandi Frutuoso, reconhece que o desafio é enorme. “O Brasil expandiu a cobertura da assistência médica nos últimos 20 anos, mas tem tido dificuldade de reduzir a mortalidade materna, o que aponta para dificuldades que o sistema de saúde tem apresentado”, diz.
Desafio
De acordo com ele, estados e municípios não estão conseguindo garantir a qualidade necessária no atendimento.
“Alguns lugares terão mais dificuldade para se adequar às novas regras que outros. Mas é um desafio que tem de ser enfrentado”, afirma Frutuoso.
Pai de quatro filhos nascidos por parto normal, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, destacou a importância de se modificar também a cultura das parturientes e, principalmente, dos profissionais da saúde. Mãe de João, 4 meses, a psicóloga Ana Carolina Cavalcante, 26 anos, concorda. Desde que descobriu a gravidez, preparou-se para ganhar o filho da forma mais natural possível. Durante a gestação, fez ioga e meditação e conseguiu convencer outras grávidas a trocar a cesária pelo parto normal.
Ela explicou à médica da maternidade particular que não queria nenhum procedimento artificial. Mas, mesmo com os 5cm de dilatação da paciente, a obstetra induziu o parto por meio de hormônios colocados no soro. A psicóloga sofreu com as dores do remédio indutor e chateou-se por ter sido contrariada. “O próximo será normal também, mas sem indução. O parto normal te deixa mais em contato com o bebê e com a própria feminilidade.”
Já a dentista Lidiane Cristina de Sousa, 29 anos, teve a primeira filha na segunda-feira passada, no Hras. E por meio de um parto normal, seguindo a recomendação dos próprios médicos. Para ela, o que a estimulou foram a ausência de intervenção cirúrgica e as vantagens para o bebê. “Dói, mas os benefícios para a saúde da minha filha não se comparam.”
Queda do etanol nos EUA encerra negócios com o Brasil Volta
Mídia Impressa: Gazeta Mercantil
23/07/2008
São Paulo, 23 de Julho de 2008 - Depois de atingir quase US$ 3 na Bolsa de Chicago (CBOT), o preço do galão (3,785 litros) de etanol nos Estados Unidos desabou e junto fechou a "janela" de oportunidade de exportação ao Brasil. Da última sexta-feira até ontem, a queda acumula 9,1%. Em três pregões, as cotações do galão saíram de US$ 2,51 para US$ 2,28 na bolsa americana. Esse preço inviabiliza as exportações a partir do Brasil. Significa remuneração à usina 20% abaixo do custo de produção. Desde o início de julho, o recuo do preço do etanol é de 19,14%, praticamente o mesmo movimento das cotações do milho na CBOT, que desabaram 20,29% no período.
Mas a boa notícia é que, antes dessa forte queda do etanol, as usinas e tradings do Brasil conseguiram fechar contratos de 90% do volume de 4,8 bilhões de litros previstos para serem exportados até o final desta safra, segundo estimativas da consultoria Datagro.
Tarcilo Rodrigues, da Bioagência, afirma que a exportação de álcool aos Estados Unidos só compensa aos produtores brasileiros com a cotação na CBOT a US$ 2,50 o galão. Aos preços atuais, a remuneração à usina é de R$ 0,56 por litro (hidratado) 21% abaixo do custo de produção que, segundo cálculos da Datagro, nesta safra está em R$ 0,7126 por litro. "O mercado é muito dinâmico e as usinas souberam aproveitar de forma eficiente", avalia Rodrigues.
Os preços do etanol no mercado americano começaram a subir fortemente em maio, juntamente com os preços do milho, que dispararam com a deterioração das condições da lavoura de milho nos Estados Unidos. "Mas, com a melhora do clima e a recuperação das plantações, os preços do grão retornando aos patamares anteriores às cheias e puxaram o etanol junto", explica Miguel Biegai, da Safras & Mercado.
Com as exportações garantidas e o mercado doméstico em crescimento, o álcool deve continuar o movimento de alta interna. Apesar de o Centro-Sul estar em plena safra, desde a primeira semana de junho os preços do hidratado elevaram-se 14,6% em São Paulo, de R$ 0,6327 o litro para R$ 0,7251, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicado (Cepea/Esalq;USP). "A tendência é que as elevações continuem, a não ser que a capacidade de tancagem das usinas atinja o limite e force a liberação de produto", diz Nastari.
Projeções de safra
A Datagro revisou para baixo a estimativa de moagem de cana e de produção de açúcar no Brasil, mas manteve a de álcool nos patamares de 26 bilhões de litros - mais precisamente 26,69 bilhões (sendo 24,49 bilhões no Centro-Sul). "Aos preços do dia 21 deste mês, o álcool hidratado está remunerando 17,1% mais que o açúcar de mercado externo. No caso do anidro, cuja oferta está menor, essa remuneração é 35% maior", compara Nastari para justificar a preferência das usinas pela produção de álcool.
O resultado é que, até agora, o mix no Centro-Sul está surpreendentemente alcooleiro: 61,1%, percentual que se manterá até o final da moagem, na avaliação de Nastari. "Na safra passada foi de 56; no ciclo 2006/07, de 50,5%. É realmente um avanço muito expressivo em duas safras", completa Nastari.
A consultoria divulgou ontem que a moagem de cana no Brasil será de 542 milhões de toneladas, ante as 557 milhões da estimativa de maio. A revisão se deve à menor moagem no Centro-Sul, que será agora de 480 milhões de toneladas, segundo a Datagro, ante as 495 milhões da estimativa de maio. Essa queda na região se deve a dois fatores principais. O primeiro, já conhecido do mercado, é o excesso de chuva no início da moagem no Centro-Sul, que atrapalhou a moagem. O segundo é que menos usinas vão entrar em operação nesta safra. A previsão inicial era de 35 indústrias, mas quatro adiaram para o próximo ano, devido à falta de caixa para fazer frente à conclusão das obras. "As outras entrarão em operação do meio para o final da safra", completa Nastari.
Açúcar
A menor moagem recairá sobre a produção de açúcar, que será agora no Brasil de 30 milhões de toneladas, ante as 32 milhões de toneladas estimadas em maio. A diferença de 2 milhões é justamente o volume revisado para baixo no Centro-Sul, cuja previsão é de fabricação de 25,5 milhões de toneladas, ante as 27,5 milhões da projeção de maio.
Por causa da preferência pelo álcool nesta safra, tem-se notícia de que nos últimos 45 a 60 dias as usinas realizaram movimento de recompra de contratos de açúcar na CME Futures (antiga Bolsa de Nova York) para março e maio de 2009. "Estimamos que essa postergação de embarques para o ano que vem tenha ocorrido nos 2 milhões de recuo na produção no Centro Sul", acrescenta Nastari.
Assim, com volume produzido menor de açúcar e um mercado interno aquecido e pagando mais, as vendas ao exterior do Brasil devem recuar nesta safra de 20,2 milhões de toneladas para 18,8 milhões de toneladas. É provável, segundo Nastari, que a partir do último trimestre deste ano os preços do açúcar para exportação - que hoje estão remunerando menos que o açúcar de mercado interno - busquem equiparar-se aos níveis do mercado interno, primeiramente, com fortalecimento dos prêmios no porto (atualmente com desconto de 100 pontos em relação às cotações internacionais). Segundo cálculos da Datagro, a partir de preços de 21, o mercado nacional está pagando pelo açúcar 14,5% mais que o contrato março da CME Futures.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 10)(Fabiana Batista)
Brasil está dormindo no ponto na área de biocombustíveis Volta
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Luiz Sugimoto
23/07/2008
"O Brasil está dormindo em berço esplêndido, confortável com sua pseudoliderança na oferta de biocombustíveis para o mundo e exibindo os louros de uma história que não exigiu muita inovação tecnológica. Enquanto isso, o país já vem perdendo competitividade", afirma o professor Weber Antonio Neves do Amaral, da Esalq/USP, que até a semana passada era o diretor executivo do Pólo Nacional de Biocombustíveis, em Piracicaba.
<<Os movimentos da indústria do petróleo
Enquanto se enaltece o etanol como a commodity capaz de transformar o Brasil em potência dos biocombustíveis - sobretudo se aproveitado o bagaço da cana -, Weber Amaral recorre a um fato recente para sustentar sua hipótese de que estamos marcando passo: a compra pela BP (Beyond Petroleum, ex-British Petroleum) de 50% das ações dos novos negócios da usina Santa Elisa, o grupo sucroalcooleiro que mais investe em inovação. "A BP vai trazer pesquisadores de um centro de excelência em etanol de segunda geração. O foco será justamente o bagaço da cana, que eles já estudam nos Estados Unidos".
Segundo o professor da USP, este centro se chama Energy Biosciences Institute (EBI), da Universidade de Berkeley, criado para desenvolver pesquisas em biomassas com US$ 600 milhões da BP - Beyond Petroleum, aliás, significa "além do petróleo". "Berkeley venceu a concorrência internacional promovida pela companhia por ter reunido um grupo multidisciplinar e consistente de pesquisadores. Eles vão ocupar um espaço onde estamos muito pouco organizados".
Denvolvimento das energias renováveis
Na 60ª reunião da SBPC, Amaral deu conferência sobre o papel da pesquisa e inovação tecnológica para o desenvolvimento das energias renováveis, com base em pesquisas realizadas no Pólo de Biocombustíveis da Esalq, que envolvem quatro grandes cadeias produtivas: a do etanol a partir da cana, as diferentes matérias-primas para produção de biodiesel, as biomassas energéticas de atividades florestais e a produção de biogás.
O pesquisador observa que a inovação tecnológica exige uma visão integrada da cadeia. "De nada adianta ser competitivo na oferta da biomassa se não somos competitivos na sua conversão ou na distribuição do combustível. Quando se deixa de inovar, caímos na síndrome da auto-suficiência, nos acomodando em suprir de equipamentos, bens e serviços a indústria sucroalcooleira. Mas em termos de engenharia de processos e de tecnologias de conversão, especialmente quanto à segunda geração de biocombustíveis, vamos perdendo competitividade".
Lei dos rendimentos decrescentes
Weber Amaral afirma que já se atingiu um patamar tecnológico que permite custos baixíssimos do etanol brasileiro - variando entre US$ 0,32 e US$ 0,38 -, mas atenta que será bastante difícil diminuí-los. "Eles estão muito próximos do custo 'ótimo' de produtividade.
Por outro lado, há o aumento do preço da terra e dos custos de produção agrícola - especialmente devido ao uso de insumos derivados do petróleo, que está em 140 dólares e pode chegar a 200 no final do ano. É um cenário que ameaça a competitividade do etanol, que é o trunfo do Brasil".
Biologia sintética
O professor acrescenta que, se houve 30 anos de investimentos no programa de desenvolvimento do álcool, o mesmo não acontece com a área de biodiesel, onde ainda não se consegue ganhar em escala, devido aos elevados custos de produção. "Os custos superiores ao do diesel na bomba, impedem novos investimentos, inclusive em inovação tecnológica. Enquanto isso, nos Estados Unidos e na Europa, exercícios de inovação que já estão viabilizando combustíveis sintéticos a 8 ou 9 centavos de dólar. Até dez anos atrás, era impensável que o sintético pudesse competir com o nosso etanol".
Nesta linha, Weber lembra outro exemplo da Universidade de Berkeley, onde três pós-doutorandos de biologia sintética captaram US$ 120 milhões na iniciativa privada para isolar uma bactéria capaz de produzir um composto (hidrocarboneto) bastante semelhante ao diesel. "Os três jovens criaram uma empresa que em dois anos será de capital aberto, mas cujo valor atual de mercado já é de US$ 200 milhões".
Investimentos globais em energias renováveis
A tendência de alocação de investimentos globais em energias renováveis, na visão do pesquisador, é de que eles chegarão a US$ 100 bilhões em 2010, o que representam 15% do total de recursos em P&D. "O Brasil investe apenas 1,1% do seu PIB em inovação, contra 3,4% da Alemanha, 3,1% da França e 1,5% da Espanha. Fragmentando o 1,1%, veremos que apenas 31% vêm de empresas e a maior parte de transnacionais, que não geram inovação, apenas adaptam tecnologias desenvolvidas lá fora".
Na opinião de Weber Amaral, o Brasil deve construir quatro pilares essenciais para a competitividade do etanol: a construção de um mercado global, já que os biocombustíveis representam apenas 4% do total de combustíveis consumido no planeta; a expansão da capacidade de produção em bases sustentáveis - e assegurando terras para cultivo de alimentos -, o que será requisito para abertura de mercados; aprimorar as análises do ciclo de vida da cana, removendo os gargalos na agricultura; e redimensionar o papel da inovação tecnológica.
Capital intelectual
O pesquisador da Esalq enaltece o esforço da Fapesp, que há duas semanas anunciou a liberação de R$ 160 milhões - a metade dos recursos vinda do setor privado - para a consolidação de uma agenda de pesquisas em bioenergia. "Mesmo que os recursos sejam significativamente menores que dos Estados Unidos ou da União Européia, dar continuidade à pesquisa é fundamental. Também precisamos criar a cultura da interação entre academia, setor privado e governo, em que todos conversem com todos, gerando conhecimento, capital e recursos humanos".
Weber Amaral informa que seu grupo na Esalq fez um levantamento dos anúncios publicados nas revistas Nature e Science, com a oferta de vagas de professores permanentes nas universidades americanas. "Para cada vaga, a universidade reserva uma média de US$ 3 milhões que custearão toda a carreira do pesquisador. Nos últimos dois anos, somente para a área de bioenergia, foram oferecidas 650 vagas, o que totaliza US$ 1,8 bilhão em capital humano. É por isso que insisto na hipótese de que estamos acomodados numa pseudoliderança em biocombustíveis".
Consumidores preferem produtos verdes (Portugal) Volta
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Marina Chiavegatto
23/07/2008
Uma pesquisa efectuada pelo grupo Havas dá conta das preferências dos consumidores pelos ditos produtos verdes
Quatro em cada cinco pessoas preferem comprar produtos de empresas com preocupações ambientais, revelou um recente estudo da Havas Media, realizado em nove países (Alemanha, China, Brasil, Espanha, Estados Unidos, França e México).
A nível global 79% dos consumidores prefere comprar «marcas verdes», sendo que 89% se mostrou disposto a aumentar a sua compra de produtos verdes no próximo ano e 35% não viu entrave em pagar mais por estes produtos.
O estudo foi apresentado por Fernando Rodés, conselheiro delegado do grupo Havas, que destacou que «não existem sectores bons ou maus, mas marcas boas ou más», referindo-se a um ponto do estudo que revela que o sector financeiro e os meios de comunicação são os mais preocupado com o meio ambiente, enquanto que as companhia petrolíferas e aéreas são as consideradas «menos ecológicas».
Importância do Registro de Marca no cenário internacional Volta
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Adriana Fernandes Lolata
22/07/2008
Para muitos empresários, a marca de um produto é tão somente um rótulo, etiqueta ou adesivo quem se encontra presente nos produtos, sem perceber a sua real importância. Os empresários nacionais devem se conscientizar e ter a percepção de que a proteção da marca, através do registro, é tão importante quanto a publicidade e lançamento de um produto em mercado nacional, quanto internacional, se atentando para o fato de que uma marca possibilita o estabelecimento de uma clientela leal e a conquista de um mercado. É imperioso afirmar que uma marca é possuidora de capacidade de transmissão ao consumidor, de uma série de valores que o empresário deseja ligar ao produto.
Após ter o conhecimento da importância da marca para o seu negócio local, é importante dar o segundo passo, qual seja reconhecer que a força de uma marca, poderá também ultrapassar fronteiras e, para tanto, requer proteção adequada. A ampliação de mercados não apenas no Brasil, mas também no exterior, é um objetivo perseguido pelo mundo empresarial. É bem verdade que a presença de produtos brasileiros exportados vem crescendo ao longo dos anos. Porém, quando se pensa em ampliação de mercado e conseqüente exportação, as principais preocupações do empresário baseiam-se tão somente no potencial de sucesso do produto ou serviço, pesquisas de mercado, normas para importação, certificações internacionais.
A última preocupação do empresário é com a proteção da marca do seu produto ou serviço e, quando isso ocorre, geralmente é feita apenas no Brasil, tendo em vista que a maioria dos produtos brasileiros exportados não leva suas marcas brasileiras, resultando esta exportação em simples embarque de mercadorias e, por fim, sustentando o mercado de empresas importadoras. Deve-se ter consciência que sem marca não há criação de mercado, por ela ser o sinal que permite ao consumidor a identificação da origem do produto constituindo, por sua vez, uma clientela.
O registro de marca, cujo órgão competente no Brasil é o Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI, permite que o seu titular adquira a propriedade sobre a marca, fazendo uso de uma série de medidas legais e objetivando o impedimento de concorrentes se utilizem de marcas idênticas ou semelhantes para identificar produtos ou serviços relacionados.
Entretanto, o registro da marca no INPI só garante a propriedade e proteção em território nacional. Daí a importância de se registrar a marca internacionalmente, mesmo que já detentora de um registro no Brasil, devendo ser feito, preferencialmente por um agente da propriedade industrial, capaz de fazer uso competente das diversas opções disponíveis através de acordos internacionais.
Se por descaso, ou desconhecimento, o empresário nacional permitir o registro de marca idêntica pelo importador no país de destino dos produtos, virá, inevitavelmente, a enfrentar uma batalha judicial que, além de demorada também é onerosa para ter o direito de utilizar a sua marca, deixando de expandir o valor de sua marca e podendo resultar na perda de seu maior patrimônio, qual seja, seu público consumidor.
É preciso se criar uma mentalidade de proteção jurídica às marcas aqui criadas, conscientizando os empresários da necessidade e extrema importância de proteger sua marca, tanto no Brasil quanto internacionalmente, uma vez que a riqueza que podem gerar traduz-se por sinais distintivos valiosos, e que asseguram o direito de exclusividade em sua exploração.
*Adriana Fernandes Lolata é advogada da Mattiuzo & Mello Oliveira Advogados Associados. E- mail: adriana@mmo.adv.br
Especial Consumo Consciente: Marcas já fazem a sua parte Volta
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Por Guilherme Neto
guilherme@mundodomarketing.com.br
22/07/2008
O mercado já está se movimentando a favor de sustentabilidade. Não bastasse o assunto ser tema de diversas palestras, campanhas, premiações e instituições - como a Associação Paulista de Supermercados e a Associação Brasileira das Indústrias de Café -, diversas marcas já utilizam e, principalmente, divulgam práticas sustentáveis para manter e atrair consumidores.
A reutilização de matéria-prima é uma das práticas mais comuns. A Baxter, empresa de equipamentos e terapias para a área de saúde, anunciou este ano uma redução de 80% de economia no consumo de água como resultado de um programa de reutilização. Foram poupados cerca de 12 milhões de litros de água, em uma economia de R$ 7 milhões. A empresa mantém um comitê dedicado à redução do consumo de água e espera diminuir em 10% o consumo este ano.
A Ambev, por sua vez, reduziu em 22% o consumo de água em um período de cinco anos. Para isso, a multinacional conta com 37 estações de tratamento em suas fábricas, com capacidade para tratar 200 mil metros cúbicos por dia – o equivalente ao consumido por uma população de 4,5 milhões de habitantes. A Basf é outra que comemora a redução de água em 13%, apesar de ter aumentado a sua produção.
Reciclagem já é prática comum
Reciclagem é outro tem presente em ações de Marketing Ambiental. A Petrobras é uma das empresas que investe nisso, tendo inaugurado há dois meses o projeto Catador dos Sonhos, programa de coleta seletiva e reciclagem que envolve 300 catadores na cidade de Duque de Caxias. Já a Coca-Cola, em parceria com o Wal-Mart, espera implementar estações de reciclagem em mais de 300 lojas da rede varejista até 2009.
A TetraPak, empresa especializada no processamento e envase de alimentos, investiu em branded content aliado à sustentabilidade. A companhia criou o site Rota da Reciclagem (http://www.rotadareciclagem.com.br/) para indicar pontos de coleta seletiva e reciclagem em várias cidades do país – com foco no Rio de Janeiro e São Paulo-, através da tecnologia Google Maps.
A preocupação com a embalagem também já começa a tornar-se padrão na indústria. A Sadia, por exemplo, já trabalha com invólucros de papel cartão e papel ondulado desenvolvido a partir de processos sustentáveis como o manejo florestal. Para reforçar a ação, a empresa estampa o selo da Forest Stewardship Council, que monitora o uso adequado de recursos florestais, conquistado com a iniciativa.
Gestão de embalagem integrada à sustentabilidade
A redução do tamanho de embalagens, a troca de material e o investimento em maior volume por unidade também são práticas recorrentes. A Unilever poupou o corte de 2,4 mil árvores por mês e reduziu em 9% o consumo de combustível ao diminuir a embalagem de Omo, além de trocar embalagens de vidro por PET para os produtos Hellmann´s e lançar o Dove em maior volume – 700ml.
As marcas próprias não querem ficar para trás e também já seguem essas novas tendências. O Wal-Mart lançou cobertores fabricados 100% a partir de fibras de garrafas PET através das marcas próprias Select Edition e Simply Basic. A medida já poupou 115 milhões de garrafas PET antes mesmo de seu lançamento, no fim de abril. São cerca de 200 garrafas PET a menos no meio ambiente para cada cobertor.
A Total Química é outra companhia investindo em sustentabilidade em marcas próprias. A empresa especializada na fabricação de produtos de higiene e embelezamento de animais de estimação (Sanol, Plush, TOT), investe em novos projetos que prevêem a redução de tamanho de embalagens, a diminuição de resíduos descartados na natureza, do uso de caixas de transporte e da necessidade de caminhões e combustível.
Já a Beneficiadora Boa Vista, produtora de batata industrializada, passou a utilizar um novo sistema de impressão de embalagens da Dupont, abandonando solventes potencialmente cancerígenos e diminuindo a emissão de gases que causam o efeito-estufa, além de economizar em energia elétrica.
Outra preocupação recorrente é a neutralização da emissão de poluentes no meio ambiente. Empresas como Wal-Mart, Bradesco, Suzano, e Coca-Cola já realizam práticas de compensação, como a plantação de novas árvores.
Consumidor reconhece as ações
O resultado de ações como essas são percebidas pelo consumidor, como comprovam pesquisas. A Market Analysis divulgou semana passada um ranking de Responsabilidade Social. O levantamento ouviu 805 pessoas em nove capitais do país. As marcas mais bem cotadas são a Petrobras (19,8%), Coca-Cola (4,8%) e Vale (3,8%). As marcas mais citadas quanto a falta ou mau uso de Responsabilidade Social são a Parmalat (10,6%), Souza Cruz (5,8%) e Oi (5,3%).
Curiosamente, duas das marcas bem qualificadas também aparecem entre as piores. A Petrobras e a Vale dividem o quarto lugar entre as mais classificadas negativamente junto com McDonald´s, Telefônica e Cedae. Para o diretor da Market Analysis, isso acontece por conta da “Natureza questionável dos negócios destas empresas, ligados à poluição e deteorização do meio ambiente”.
A International Paper também comemora o reconhecimento por parte dos consumidores depois dos resultados de uma pesquisa encomendada a Millward Brown com o objetivo de fazer um levantamento da imagem da marca de papéis Chamex. A marca foi a mais lembrada quanto à associação com o respeito à natureza, sendo citada por 72% dos respondentes, com 67% reconhecendo que o produto é fabricado a partir de florestas replantadas.
O reconhecimento dos consumidores reflete-se em vendas. A marca de biscoitos salgados Sun Chips, vendida nos Estados Unidos pela Frito-Lay – presente no Brasil sob o nome Elma Chips -, registrou um aumento de 17,6% em vendas em 12 meses após anunciar, há um ano, o uso de energia solar na produção do biscoito. A estratégia em sintonia com a marca (que em português significa “sol”), foi apoiada por um plano de mídia ao custo de US$ 15 milhões nos quatro primeiros meses. Resultados como esses animam muitas outras empresas. Veja o que outras empresas brasileiras estão desenvolvendo.
Reciclagem
:: A agência Y&R recolheu quase 70 toneladas de materiais para reciclagem entre 2004 e 2008. Além disso, transformou o hall da agência em uma galeria de arte com a exposição do artista Carlos Gomes, que cria suas obras a partir de garrafas PET.
:: A Drogaria São Paulo recolheu mais de 7 toneladas de pilhas e baterias em apenas cinco anos, através de recipientes próprios para o descarte desses produtos em suas mais de 215 unidades.
:: A LM² Consulting doou 15kg em equipamentos de informática inapropriados para utilização a Peacock do Brasil, empresa do Rio Grande do Sul que opera na coleta e reciclagem de lixo eletrônico.
Campanhas Educacionais
:: A HP fez parceria com o Instituto Akatu, instituição voltada a conscientização de consumidores, e lançou a campanha Escolha Consciente HP. Com a parceria, a compra de alguns produtos de imagem e impressão durante os meses de junho e julho terão parte do lucro adquirido revertido para o programa da ONG Consumo Consciente e Educação Ambiental na Escola.
:: A Cadbury lançou mundialmente a campanha “The Green Advocates” (Os Defensores Verdes), em que funcionários da empresa de todo o mundo se comprometem a apoiar causas ambientais em nome da companhia. Com isso em mente, a empresa tem implantado programas de redução de uso de energia, embalagens e água em suas plantas.
:: A Amanco, marca de tubos e conexões, lançou uma campanha interna para seus 1,6 mil colaboradores em suas quatro fábricas e escritório de São Paulo. Trata-se de uma iniciativa educativa e de estímulo para que os funcionários coloquem em prática os conceitos de gestão integrada dos recursos hídricos, disseminados pela Amanco. Um dos resultados disso é o lançamento da revista Aqua Vitae. Já produzida pela marca em outros países, é dirigida a formadores de opinião.
Preservação Ambiental
:: A Renault mantém 60% do Complexo Ayrton Senna reservado para a preservação da mata nativa. No total, o complexo ocupa 2,5 milhões de metros quadrados no município de São José dos Pinhais, na Grande Curitiba. A iniciativa rendeu o Prêmio AEA de Meio Ambiente 2008, concedido pela Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA).
Núcleo de Inovação Tecnológica alerta sobre patentes Volta
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22/07/2008
Desde 2006, o Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da Universidade Federal de Alagoas alerta à comunidade sobre a importância de patentear pesquisas, oferecendo o serviço de patentes aos pesquisadores com o objetivo de garantir o direito à propriedade intelectual. O Núcleo faz parte da Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação e é coordenado pelo professor José Carlos Cressoni.
Segundo o professor, a proteção de um produto por meio de uma patente evita que competidores o copiem e vendam para benefícios próprios. "Com isso é preciso que haja uma maior conscientização da comunidade acadêmica sobre a importância e os procedimentos para o pedido de marcas e patentes", alerta ele.
A Propep informa que o Núcleo registrou nove trabalhos com garantia intelectual até o fim do mês de junho, sendo que sete eram provenientes de cultivadores de cana-de-açúcar. Para efetuar o pedido é necessário ir ao Núcleo de Inovação Tecnológica, na Propep, situada no prédio da Reitoria. Após a negociação, o pedido de patente tem as referências publicadas na Revista da Prioridade Industrial (RPI), o que permite a qualquer interessado ter acesso a uma cópia integral do conteúdo junto ao Instituto Nacional para a Propriedade Intelectual (Inpi). A não solicitação do exame de patente colocará o conteúdo em domínio público, acessível a utilização por qualquer interessado.
Dados do Instituto Nacional para a Propriedade Intelectual, revelam que o Estado de Alagoas foi o antepenúltimo colocado no ranking de pedidos de patentes em 2007, registrando treze suscitações, ganhando apenas de Sergipe, com oito e Maranhão, último colocado, com três. Para o coordenador do Núcleo, considerando o volume de estudos desenvolvidos pelos 191 grupos de pesquisa que atuam na Universidade, esse número ainda é pequeno.
Informações sobre registros pelo telefone 3214-1069.
por Ufal