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21/01/2008

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Segunda-feira, 21 de janeiro de 2008.

Comentários, dúvidas e sugestões:
sercom@inpi.gov.br

 


1. Frutas frescas por mais tempo
2. Portal da Capes é modelo de acesso à ciência
3. A importância da sustentabilidade
4. As novas multinacionais
5. Empresa deixa de lançar antiaids por discordar de lei de patentes do País
6. Terapia com células-tronco alivia sintomas de distrofia
7. TV digital aproxima países com tecnologia
8. Apple quer a maçã toda, não só uma mordida
9. Soluções de ponta com baixo custo
10. O surgimento de internets paralelas
11. Microsoft é acusada de infringir patente na China

 

Frutas frescas por mais tempo   volta

Mídia eletrônica: Agência Fapesp
http://www.agencia.fapesp.br
Por Thiago Romero
21/08/2008


Agência FAPESP – Preservar a qualidade e prolongar a vida útil de frutas e hortaliças com o auxílio de uma ferramenta prática de auxílio aos processos de resfriamento desses produtos. Essa é a proposta do software CoolSys, destinado à comunidade acadêmica e ao setor produtivo, que está disponível para download gratuito no site da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

De acordo com a coordenadora do projeto de desenvolvimento do software, Barbara Teruel Mederos, professora do Conselho Integrado de Infra-Estrutura Rural da Feagri, as baixas temperaturas, usadas na medida certa, podem aumentar a vida útil dos alimentos. Mas, quando usado de maneira incorreta, o frio pode comprometer os valores nutritivos e econômicos do produto: os alimentos ficam com o metabolismo acelerado e amadurecem mais rápido, fazendo com que, muitas vezes, tenham que ser jogados fora antes de serem consumidos.
“Com o software, por meio de dados extraídos de pesquisas científicas e inseridos em modelos matemáticos, o produtor ou o revendedor podem calcular quais os tipos de alimentos, que podem ser refrigerados juntos, com a mesma temperatura e umidade relativa do ar, e quais devem ser conservados separadamente”, disse Barbara à Agência FAPESP.

“Assim os produtos chegarão à mesa do consumidor com a melhor relação custo-benefício possível. Muitas pessoas compram alimentos, principalmente frutas, que, mesmo aparentemente bonitas, podem ter perdido seu valor nutricional devido ao armazenamento incorreto. Os danos nos alimentos começam internamente e só aparecem na casca quando todo o produto está comprometido”, complementa.

O programa é dividido em dois módulos. O primeiro possui um banco de dados com informações técnicas, colhidas na literatura nacional e internacional, sobre cerca de cem frutas e hortaliças consumidas no Brasil. São dados como os nomes científico e comercial, temperatura de conservação e tempo de armazenamento recomendados pela literatura, além de sensibilidade ao etileno, gás liberado pelas frutas que contribui para a aceleração de seu envelhecimento.

Nesse primeiro módulo também podem ser encontradas as propriedades térmicas e físicas de cada alimento. Já no segundo módulo são feitas as simulações por meio de uma interface gráfica, de modo que o usuário entenda como um produto fresco deve se comportar na chamada “cadeia do frio”, que é o conjunto de operações, realizadas depois da colheita até a comercialização, para manter o produto sob as condições ideais de temperatura.

A idéia da simulação é garantir, quando o conhecimento adquirido for aplicado em procedimentos práticos, o prolongamento da vida útil dos alimentos com a diminuição de sua degradação enzimática, da velocidade de proliferação de fungos e da perda de água, fatores que afetam a aparência, o sabor e o aroma dos produtos.

“Na prática, boa parte do setor produtivo e do varejo realiza inadequadamente os procedimentos da cadeia do frio. Por falta de conhecimento tecnológico, eles normalmente submetem diferentes tipos de frutas e hortaliças a uma mesma temperatura padrão, incompatível com a fisiologia de cada alimento”, afirma Barbara.

Para as simulações do processo de resfriamento do software, explica Barbara, o usuário precisa introduzir informações como as dimensões do alimento e da embalagem, temperatura inicial do fruto e a velocidade e o sentido da circulação do ar refrigerado.

“Não precisa ser especialista na área para coletar esses dados. Normalmente a temperatura do produto é a ambiente, por exemplo. Em caso de dúvidas, o usuário pode consultar o primeiro módulo do software e obter dados de literatura para cada alimento. Esse módulo pode inclusive ser usado como fonte de informações para outras atividades de pesquisa por estudantes das engenharias”, conta a professora.

O programa informa ainda os melhores tipos de embalagens para cada tipo de alimento, sem fazer alusão a nenhuma marca comercial. O software, registrado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), foi desenvolvido em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), na Paraíba e teve um auxílio à pesquisa da FAPESP.

Mais informações: www.feagri.unicamp.br/agripaginas.php

 



Portal da Capes é modelo de acesso à ciência   volta

 

Folha de São Paulo
MARCO ANTONIO RAUPP, JACOB PALIS JR. e LUIZ EUGÊNIO ARAÚJO DE MORAES MELLO
21/01/2008


Se não fosse o Portal de Periódicos da Capes, nosso país como um todo estaria à margem do acesso ao conhecimento

O ACESSO livre e gratuito a revistas e publicações científicas tem sido objeto de artigos publicados neste e em outros jornais, sobretudo comparando os modelos de outros países (EUA e Reino Unido) e minimizando os esforços e avanços já alcançados pelo Brasil nessa área. A defesa dessa lógica parece razoável.

Se a ciência é primariamente paga pelo dinheiro público, então seu resultado deve ser igualmente desse mesmo público e, portanto, de livre acesso. Mas publicar tem um custo, mesmo na internet. Quando há trabalhos de editoria, avaliação e revisão de texto, esses custos aumentam.

A inserção brasileira no cenário científico internacional cresceu exponencialmente nos últimos anos. O Brasil ocupa hoje a 15ª posição no ranking de produção científica mundial, fruto do esforço da comunidade científica e da avaliação continuada dos programas de pós-graduação.

O sistema de pós-graduação, que cresce ao redor de 15% ao ano, associado ao sistema de avaliação, foi responsável em grande parte pelo incremento qualitativo e quantitativo da nossa produção científica.

Lançado em novembro do ano 2000, o Portal de Periódicos da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) constitui o instrumento mais importante na disseminação da informação científica no Brasil e um recurso indispensável à produção científica e tecnológica nacional.
A um custo de US$ 35 milhões, o portal dá acesso a 188 instituições, das quais 156 o fazem inteiramente de graça. Estas incluem as instituições de ensino superior federais, os Cefets, as estaduais e municipais com pelo menos um curso de pós-graduação nota quatro e as privadas com pelo menos um curso de pós-graduação nota cinco.

Nessas instituições, o acesso individual a essa gigantesca biblioteca é permitido a todos estudantes, servidores e professores. Nas bibliotecas dessas instituições, o acesso é permitido ao público em geral.

O portal disponibiliza o conteúdo atualizado sobre as descobertas científico-tecnológicas mundiais de todas as áreas do conhecimento, sendo uma das maiores bases de dados eletrônicas do mundo.

Sua filosofia é ímpar na comunidade científica. Seu custo, quando analisado em função da sua distribuição geográfica igualitária e democrática, pelo impacto na graduação, na pós-graduação e na extensão e pela importância no desenvolvimento científico e tecnológico do país, é irrisório.

Os 51 milhões de artigos baixados em 2007 resultaram num custo de US$ 0,72 por artigo, o que está muitas vezes abaixo do valor que seria cobrado por acessos individuais ou mesmo fotocópias.

Em grandes universidades norte-americanas, como a Ucla, o custo da assinatura eletrônica de cerca de 11 mil periódicos e bases de dados atinge US$ 11 milhões anuais -restrita exclusivamente aos profissionais dessa universidade. Para Harvard, esse valor atinge US$ 27 milhões.

O custo médio para as instituições brasileiras, levando em consideração somente aquelas de acesso gratuito, atingiu em 2007 o valor de US$ 237 mil/instituição. Os dados mostram que o portal da Capes oferece um acesso semelhante ao de Harvard ou Ucla a um custo 114 ou 46 vezes menor do que aquelas duas instituições.

O acesso livre, na verdade, envolve pagamento pela publicação. Supondo que toda a produção científica brasileira indexada em 2007 houvesse sido realizada em periódicos de acesso livre imediato, os cofres públicos teriam arcado com uma despesa de cerca de US$ 24 milhões, assumindo um custo médio de cerca de US$ 1.000/ trabalho, quase o custo do portal.

Esses artigos estariam abertos ao domínio público, mas as nossas instituições, se todo o investimento fosse direcionado para somente "open access", estariam sem acesso à maior parte da produção científico-tecnológica mundial.
Num mundo ideal, o acesso seria livre e gratuito a todos. No entanto, a realidade é outra. E, se não fosse o Portal de Periódicos da Capes, nosso país como um todo estaria à margem do acesso ao conhecimento, e nossa ciência, certamente, não teria tido o avanço claramente constatado dos últimos anos.

MARCO ANTONIO RAUPP, 69, doutor em matemática, é presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência). JACOB PALIS JR., 67, doutor em matemática, é presidente da ABC (Academia Brasileira de Ciências). LUIZ EUGÊNIO ARAÚJO DE MORAES MELLO, 50, doutor em neurofisiologia, é presidente da FeSBE (Federação de Sociedades de Biologia Experimental).

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

 


 

 

A importância da sustentabilidade   volta

Valor Econômico
21/01/2008


O conceito de sustentabilidade tem sido muito mencionado. Fala-se muito do desenvolvimento sustentável e da sustentabilidade sócio-ambiental. Qual a definição precisa deste termo, e por que tem sido muito utilizado?

A noção de sustentabilidade parte do pressuposto que para que uma sociedade progrida e que tenha crescimento econômico estável, é preciso dar atenção a fatores que possam afetar esta estabilidade no futuro. A questão que se põe é por que estes fatores já não são normalmente levados em consideração nas decisões individuais do dia-a-dia. A razão para tal fenômeno é que não há preços para orientar as escolhas que impactam estes fatores. Os preços num mercado livre funcionam como direcionadores do crescimento e das decisões: quando há escassez de um bem, seu preço sobe. Isto faz com que: 1) as pessoas passem a demandá-lo menos, e 2) as empresas, por sua vez, aumentem a sua produção. Ou seja, em linhas gerais o sistema de preços guia os rumos da economia. A qualquer indivíduo ou empresa, basta observar como são os preços das mercadorias e dos serviços para decidirem se devem ou não alterar seu padrão de consumo ou produção. Ocorre que há certos fatores sociais e ambientais que são resultado das escolhas individuais, mas para os quais não há preços. E estes fatores influenciam as decisões que as pessoas e as empresas irão tomar no futuro. Para ser mais específico, considerem-se dois exemplos, um na dimensão social e um na ambiental.

Primeiro, considere um exemplo social. Imagine que, ao longo do processo de desenvolvimento econômico de um país, parte das pessoas fosse levada a empobrecer muito, comprometendo até mesmo sua subsistência (o nível de subsistência é aproximadamente o que se considera a linha de pobreza absoluta). Neste caso, estes indivíduos vão, ao longo do tempo, desinteressando-se do convívio segundo regras e leis que regem a sociedade (uma vez que foram levados por estas regras a terem problemas para sua sobrevivência). Isto, é claro, pode causar uma desagregação da sociedade. Desta forma, este país estava num processo de desenvolvimento econômico não sustentável do ponto de vista social. Note que o Brasil é o oposto disto: desde o início do século passado, e mais acentuadamente após o plano real, a pobreza absoluta tem caído acentuadamente. Qual é o problema neste exemplo de desenvolvimento não sustentável? Não há um mecanismo de "preço" para orientar decisões que possibilitem evitar as conseqüências nocivas do crescimento. Em geral o que as sociedades estabelecem para lidar com este problema são programas de proteção aos menos favorecidos. Programas estes que podem ser financiados pelo setor público (no Brasil: aposentadoria mínima não contributiva e o programa Bolsa Família) ou privado (indivíduos podem fazer doações a projetos sociais, ou ações de voluntariado e empresas podem investir recursos em projetos sociais).

 
Muitos problemas ambientais afetarão o futuro da sociedade e não há um sistema de preços para servir de guia às escolhas dos indivíduos e empresas
 

Segundo, o seguinte exemplo mostra a importância da sustentabilidade na dimensão ambiental. Pense num lago que tenha vários pescadores que morem ao seu redor. Se não houver um sistema de concessão de licenças de pesca organizado, efetivamente ninguém será o detentor dos direitos de pesca no lago. Assim, qualquer pescador pode pescar quando quiser, mesmo na época da reprodução. Como nenhum deles precisa de autorização para pescar, o incentivo individual é pescar o máximo possível. Isto pode levar, e de fato o faz em muitos casos, a acabar com a população de peixes do lago. Este problema, o da pesca predatória, é bem conhecido. Para resolver este problema ambiental existe uma solução simples: a introdução do direito de propriedade para explorar o lago (que pode ser público, cedido mediante a venda da concessão de licenças para pesca num prazo determinado e dentro de certos limites). As licenças podem ou não ser negociadas, mas o que importa é a existência de um preço de licença que vai fazer com que todos os que estiverem dispostos a pagar para pescar poderão fazê-lo. Quem não pagar não pode pescar. Uma vez que o direito de propriedade seja corretamente estabelecido e um sistema de preços para o direito de pesca também, acaba-se com o problema da pesca predatória, pois o detentor do direito de propriedade quer que haja todos os anos peixes para todos pescarem.

Ocorre que no caso do lago, foi possível achar uma forma de introduzir um sistema de preços que orientou as decisões das pessoas de modo a não causarem um problema ambiental. Mas, há muitos casos que são muito mais complexos que o do lago, embora partam do mesmo princípio. Pense, por exemplo, no aquecimento global: é causado pela emissão de gás carbônico no mundo como um todo. O protocolo de Quioto é uma tentativa muito tímida de colocar-se um certo "direito de propriedade" mundial sobre as emissões de gás carbônico na atmosfera. Problema semelhante, de falta de preços, ocorre com a poluição do ar e da água. Desta forma, muitos problemas ambientais afetarão o futuro da sociedade, e não há um sistema de preços para servir de guia às escolhas dos indivíduos e empresas.

É esta lacuna que a falta de mercados causa que deve ser mitigada com a sustentabilidade sócio-ambiental: difunde-se para cada cidadão e cada empresa a importância de boas práticas sócio-ambientais. Quando estes entes forem tomar decisões, levarão em consideração não somente os preços, mas também outros efeitos causados por suas escolhas que possam afetar negativamente o futuro.

Fixando-se no caso ambiental, ações típicas podem ser: 1) para que sistemas de preço sejam cada vez mais levados em consideração e implantados no mundo, deve haver uma ampliação grande do mercado de créditos de carbono, com metas mais ambiciosas; 2) cada indivíduo deve conscientizar-se de seu papel e das ações que pode tomar que sejam ambientalmente responsáveis (por exemplo, sempre preferir um carro flex a um que seja somente movido a gasolina); 3) no caso de uma empresa, utilizar técnicas de produção que, mesmo que não sejam as mais baratas, sejam sustentáveis ambientalmente; 4) no caso de uma instituição bancária pode-se pensar em estimular seus clientes empresas a adotarem boas práticas sócio-ambientais (o sistema bancário é um poderoso agente disseminador da sustentabilidade). Em suma, o conceito de sustentabilidade sócio-ambiental é de suma importância e tem um objetivo econômico muito claro: o de introduzir nas decisões das pessoas e empresas a consideração sobre seus impactos nas dimensões social e ambiental que não estão ainda (ou nunca estarão) refletidos no sistema de preços. A sustentabilidade sócio-ambiental é parte integrante das economias de mercado.

Sérgio Ribeiro da Costa Werlang, diretor-executivo do Banco Itaú e professor da Escola de Pós-graduação em Economia da FGV, escreve mensalmente às segundas-feiras.

 


 

 


As novas multinacionais   volta

O Estado de São Paulo
21/01/2008


Nos últimos anos vem surgindo no cenário econômico internacional uma nova geração de empresas multinacionais, formadas nas economias emergentes e que a revista britânica The Economist chamou de “As desafiantes”. Elas desafiam as grandes multinacionais que há muito tempo consolidaram seu prestígio e seu espaço no mercado mundial. Operando com baixos custos e apoiados num grande mercado interno que cresce rapidamente, grupos empresariais originários de países em desenvolvimento estão ocupando espaços cada vez maiores no mercado mundial, dele afastando empresas tradicionais, geralmente criadas nos países industrializados.

O grupo indiano Tata é o primeiro a ser citado pela revista, por causa de algumas recentes decisões que poderão alterar o cenário do mercado automobilístico - tais como o seu interesse em adquirir da Ford as fábricas inglesas da Jaguar e da Land Rover, e o lançamento, há pouco, do carro mais barato do mundo. Mas este é apenas um entre muitos casos que podem ser tomados como exemplos do novo gênero de empresa multinacional. Há empresas brasileiras na lista.

Um estudo do Boston Consulting Group identificou a existência de 100 empresas nos mercados emergentes com ativos totais de US$ 520 bilhões, valor superior ao ativo das 20 maiores montadoras do mundo. Em 2004, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) incluíra 5 empresas asiáticas entre as 100 maiores multinacionais do mundo; na lista das 200 maiores, havia 15 empresas de países emergentes.

O avanço tem sido rápido. Em 1990, os investimentos diretos estrangeiros originários desses países representavam 5% do total mundial e 8% do estoque existente, de acordo com a Unctad. Em 2006, empresas dos países emergentes investiram US$ 174 bilhões, ou 14% do total investido naquele ano. Esses países detinham 13% do estoque de investimentos estrangeiros. Mais expressivo é o avanço da participação das empresas dos países emergentes nas fusões e aquisições internacionais nos últimos anos. Em 2000, elas foram responsáveis por menos de 4% dessas operações realizadas em todo o mundo; em 2006, sua fatia tinha crescido para 14% do total.

A constituição da Arcelor Mittal, a maior siderúrgica do mundo, controlada desde o início de 2006 pelo indiano Lakshmi Mittal, foi um dos casos mais notórios da ascensão das empresas dos países em desenvolvimento e chamou a atenção do mundo para o novo papel que esses grupos passaram a desempenhar. Ainda no setor siderúrgico, a disputa do controle da gigante anglo-holandesa Corus pelo Grupo Tata e pela Companhia Siderúrgica Nacional, vencida no início do ano passado pelos indianos, tornou ainda mais claro o poderio das novas multinacionais.

A revista britânica resume a estratégia desses desafiantes das antigas múltis em cinco pontos. O primeiro deles é transformar em global seus produtos ou suas marcas, por meio da produção descentralizada e a agressiva conquista de novos mercados. O segundo é valer-se de sua capacidade tecnológica para tornar-se empresa mundial, que é o que faz a brasileira Embraer com êxito que a revista considera exemplar. O terceiro é concentrar-se em poucos produtos. O quarto é utilizar com eficiência os recursos disponíveis no país de origem e adotar políticas altamente eficazes de marketing e de distribuição internacional para conquistar e assegurar mercados. É o que fazem a Sadia e a Perdigão, também citadas pela Economist. Por fim, o quinto ponto é lançar um novo modelo de negócio que seja eficiente em diferentes mercados.

A entrada das novas múltis nos países industrializados nem sempre é fácil. Elas podem enfrentar restrições tarifárias, seus executivos nem sempre estão preparados para atuar nesses mercados e seus produtos são pouco conhecidos. Mesmo assim, têm tido êxito. Na verdade, elas dispõem de algumas vantagens em relação às antigas multinacionais. Geralmente, são empresas controladas por famílias, o que torna mais rápido o processo decisório, fator que pode ser decisivo na disputa do controle de outras empresas. Em muitos casos, também dispõem de financiamentos estatais a juros mais baixos.

 


 

 

Empresa deixa de lançar antiaids por discordar de lei de patentes do País   volta

Embora legal, decisão de não registrar remédio prejudica pacientes que necessitam dele para seguir tratamento


O Estado de São Paulo
Fabiane Leite
19/01/2008


O laboratório farmacêutico Boehringer Ingelheim decidiu não lançar no Brasil um medicamento contra a aids. A droga, chamada tipranavir, é utilizada em pacientes que já não têm mais sucesso com outros tipos de medicamento contra a doença. Ao não registrar o medicamento no País, a empresa dificultou o acesso de pacientes que necessitam do remédio como última alternativa de tratamento - nenhum remédio pode ser vendido, nem ofertado no SUS, sem registro.

Recentemente a Defensoria Pública do Estado de S. Paulo foi à Justiça para conseguir a droga e outro medicamento, recomendados a um paciente que está com o sistema imunológico extremamente abalado e que já não responde a outros remédios. O rapaz não tem recursos para importar a droga. A Justiça foi favorável ao pedido, mas a ordem ainda não chegou às autoridades do Estado de São Paulo, que serão obrigadas a importar o remédio. “O paciente está usando só alguns antibióticos”, afirma o defensor público Felipe Pereira.

“O laboratório desistiu de registrar e a decisão foi unilateral. Ele condicionou o registro à garantia de que a patente fosse honrada. Como o governo tem um trâmite para isso, o presidente do laboratório decidiu não registrar, apesar do esforço da filial aqui. Realmente o laboratório decidiu que não iria registrar por falta de garantia da patente. Foi uma decisão extremamente equivocada”, afirma o infectologista Adauto Castelo Filho, que participava do grupo de especialistas que analisavam estudos com o medicamento no Brasil.

Segundo Castelo, a decisão foi tomada ainda em meados 2006, antes portanto da quebra de patente de outro remédio contra a aids, o efavirenz, ocorrida em maio do ano passado. No entanto, jamais foi tornada pública. Colaboradores da empresa, no entanto, afirmaram ao Estado que o licenciamento compulsório sepultou a possibilidade de o remédio ser disponibilizado no Brasil. Mas também o fato de o mercado brasileiro da droga não ser prioridade para empresa pesou na decisão de negar acesso aos pacientes brasileiros - o remédio é vendido na Europa e nos EUA.

A Boehringuer destacou respeitar a legislação brasileira e prometeu trazer o produto ao País. “A substância tipranavir, em se tratando de um medicamento importante para o controle da infecção (...) figura na relação de lançamentos da companhia programados para os próximos anos, no Brasil”, informou em nota a empresa farmacêutica, uma das 20 principais companhias farmacêuticas do mundo. “Contudo, todo lançamento da Boehringer Ingelheim enquadra-se num cronograma pautado por estratégias globais da companhia, e, por isso, passíveis de sofrer alterações”, diz ainda o texto. Segundo a empresa, 92 pacientes que faziam parte do estudo com a droga no Brasil continuam a receber tratamento, pago pelo laboratório.

A decisão de registrar ou não um produto é um direito do detentor de sua patente. No entanto, atualmente, mesmo sem ter a garantia de que terão exclusividade sobre a produção de um remédio no país, outras farmacêuticas não deixam de ofertar seus produtos . O lançamento é feito mesmo antes do fim das análises feitas em um longo processo executado em conjunto pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A decisão da companhia também não é novidade no mundo das farmacêuticas - outras já se negaram a lançar drogas em países que têm legislações sobre patentes consideradas ruins para seus negócios, como a Tailândia, que também já quebrou patentes.

FALTA DE NEGOCIAÇÃO

Castelo Filho calcula que entre 2 mil e 3 mil pacientes poderiam ter benefício com o tipranavir. Para ele, faltou negociação entre o governo brasileiro e o ministério, que também não teria trabalhado o suficiente para trazer a droga, que é cara. A pasta irá ofertar em breve outro remédio para os casos em que há resistência, o darunavir.

 



Terapia com células-tronco alivia sintomas de distrofia   volta

 

Estudo feito com camundongos traz resultados positivos para futura aplicação em seres humanos


O Estado de São Paulo
Herton Escobar
21/08/2008


Pesquisadores nos Estados Unidos deram mais um passo no sentido de utilizar células-tronco embrionárias para o tratamento de distrofias musculares. O trabalho, coordenado por uma cientista brasileira no Texas, foi feito com camundongos portadores de uma condição semelhante à distrofia de Duchenne em seres humanos. Os resultados mostram como um transplante de células-tronco pode reverter os sintomas da doença - pelo menos parcialmente.

A distrofia de Duchenne é uma doença genética grave, na qual as células musculares não produzem distrofina, uma proteína-chave para o funcionamento dos músculos. Conseqüentemente, ocorre um processo de degeneração muscular, que deixa o paciente incapacitado e acaba levando-o à morte.

A idéia da terapia celular seria utilizar células-tronco embrionárias para formar células musculares (mioblastos) saudáveis in vitro e, depois, transplantá-las para o paciente. Foi o que fizeram os cientistas em camundongos - primeiro passo para o desenvolvimento de qualquer terapia em seres humanos. Animais doentes que receberam o transplante voltaram a produzir distrofina e tiveram aumento significativo de força muscular.

A autora principal do trabalho, publicado na revista Nature Medicine, é a bioquímica gaúcha Rita Perlingeiro, que desde 2003 é pesquisadora da University of Texas Southwestern.

Tão importante quanto o resultado clínico nos camundongos foi a técnica desenvolvida para chegar até ele. A primeira dificuldade foi induzir, de forma sistemática, a diferenciação das células-tronco embrionárias em células precursoras de músculo esquelético. Para isso, a equipe descobriu que é preciso ativar um gene chamado Pax3.

O segundo desafio foi selecionar estas células dentre todas as outras no meio de cultura. Sem essa “purificação” das amostras, é grande o risco de formação de tumores, como mostrou o primeiro transplante feito no estudo. Os cientistas, então, estabeleceram uma metodologia para seleção e purificação dos mioblastos, usando proteínas na superfície das células.

Nos transplantes seguintes, não houve formação de tumores. As células se integraram à musculatura dos camundongos e parte delas (15%) passou a produzir distrofina. Isso foi suficiente para dobrar a força muscular dos animais e aliviar os efeitos da doença.

“Há muitas etapas ainda, mas acredito que isso possa chegar ao paciente um dia”, disse Perlingeiro ao Estado. Segundo ela, a mesma técnica pode ser útil para várias formas de distrofia.

A especialista Mayana Zatz, da Universidade de São Paulo (USP), que faz pesquisas na mesma área, também está empolgada com o avanço dos estudos. “Não tenho dúvida de que chegaremos a um tratamento”, disse.

 


 

 

TV digital aproxima países com tecnologia   volta

Sistema adotado no Brasil tem como base o padrão japonês

O Estado de São Paulo
Renato Cruz
21/01/2008


A TV digital, que estreou em dezembro na cidade de São Paulo, aproxima o Brasil e o Japão por meio da tecnologia. O sistema adotado aqui tem como base o padrão japonês, chamado ISDB-T. Foram incorporadas atualizações sugeridas por grupos de pesquisas brasileiros. Nos últimos meses, técnicos japoneses de empresas como a NEC e a Toshiba trabalharam nas emissoras paulistanas para colocar o sinal no ar.

“A história e a cultura vivenciadas nos últimos 100 anos fizeram com que os brasileiros confiassem nos imigrantes e nos descendentes japoneses”, afirmou Tomio Okamoto, gerente de Vendas Internacionais da NEC Corporation, no Japão. “A confiança se estende à tecnologia do Japão.” A NEC formou uma equipe com seis engenheiros japoneses e quatro brasileiros para atender às emissoras brasileiras na transição do analógico para o digital.

“A adaptação do padrão japonês de TV digital pelo Brasil não é uma questão puramente técnica, na minha opinião”, explicou Okamoto. “Acredito que isto pode levar a mais 100 anos de um relacionamento ainda mais próximo entre os dois países.” O Brasil é o único país, até agora, a adotar o ISDB-T fora do Japão. O mercado japonês consome cerca de 10 milhões de televisores por ano, a mesma quantidade que o Brasil. A diferença é que lá são vendidos modelos mais caros e sofisticados.

O Brasil fez modificações no padrão japonês. A tecnologia de compressão de vídeo foi atualizada, trocando-se o chamado MPEG-2 pelo MPEG-4 (ou H.264). E foi criado localmente um software de interatividade, batizado de Ginga. “O bom é que Ginga em japonês também tem significado”, disse Luiz Fernando Soares, professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, e um dos criadores do software. “Quer dizer galáxia.”

Soares tem se correspondido, via correio eletrônico, com programadores que estão no Japão, e trabalham na adaptação do Ginga para os equipamentos que fabricantes japonesas planejam lançar no Brasil. Os primeiros conversores e televisores digitais a chegar ao mercado não têm o Ginga. O software permitirá serviços parecidos com os da internet, como acesso a informações personalizadas, enquetes e até comércio eletrônico, via televisão.

“Os trabalhos da TV digital não acabaram em 2 de dezembro”, afirmou Yasutoshi Miyoshi, presidente da Primotech21, que representa fabricantes japoneses de componentes eletrônicos no Brasil. “É só a ponta do iceberg. O Brasil tem 5,5 mil municípios que ainda precisam ser cobertos com a TV digital.” A Primotech21 fechou uma parceria com STB, fabricante brasileira de antenas de Santa Rita do Sapucaí (MG), para produzir transmissores de baixo custo para as cidades menores brasileiras.

Miyoshi tem 38 anos. Ele nasceu no Japão e veio para o Brasil com três anos e meio. Até os 10 anos estudou em escola japonesa. Seu pai trabalhava numa construtora japonesa e iria ficar cinco anos por aqui. Ele gostou do País e, quando chegou a hora de voltar, preferiu ficar.

“Uma aliança entre Brasil e Japão é extremamente positiva”, afirmou Miyoshi. “Existe uma relação de complementaridade. O Brasil tem vários produtos de que o Japão precisa - como metais, etanol, crédito de carbono - e tem a maior colônia japonesa fora do Japão. Não adianta o Brasil querer competir com a China, oferecendo mão-de-obra barata.”

A Semp Toshiba tem um técnico da Toshiba Corporation, do Japão, para acompanhar o lançamento dos produtos de TV digital. “Trabalhamos em estreita cooperação com a Toshiba”, disse Roberto Barbieri, diretor técnico da Semp Toshiba, joint venture entre a brasileira Semp e a japonesa Toshiba. A escolha do padrão japonês pelo Brasil fez com que a empresa preparasse sua reentrada no mercado de telefones celulares.

O padrão japonês tem um serviço, chamado One Seg, que permite às emissoras transmitir um sinal para celulares e outros dispositivos móveis dentro do canal de televisão. Ele é o principal diferencial do sistema japonês para os outros padrões internacionais. Apesar de as emissoras brasileiras estarem transmitindo o sinal para celulares, ainda não existem no País aparelhos capazes de receber TV aberta e fazer chamadas. Os modelos japoneses não funcionam nas redes celulares brasileiras.

Tsutomu Fujishima chegou ao Brasil em maio de 2007 e planeja ficar aqui até o fim do ano. Ele é especialista em eletrônicos de vídeo digital da Toshiba Digital Media Company, em Fukuya, no Japão, e veio para cá para auxiliar a Semp Toshiba no lançamento de seus produtos de TV digital.

“Como japonês, só posso ter muito orgulho da escolha do sistema pelo Brasil, mas me parece muito lógico, pois o ISDB (padrão japonês) é uma evolução dos sistemas americano e europeu, e já inclui soluções comprovadas de mobilidade e portabilidade, consideradas muito importantes pelos radiodifusores brasileiros”, disse Fujishima.

 


 

 

Apple quer a maçã toda, não só uma mordida  volta


Estado de São Paulo
21/01/2008


Todos os olhos se voltaram para San Francisco, nos Estados Unidos, na semana passada, quando o presidente da Apple, Steve Jobs, abriu mais uma convenção de sua empresa, a Macworld. O evento aconteceu no Moscone Center, principal centro de convenções da cidade, e a expectativa para o lançamento de um aparelho que superasse o iPhone, estrela da edição de 2007, era grande.

Desde o início do século, a empresa deixou de ser uma grife descolada de computadores bonitos, mas usados por pouca gente no mundo, para buscar atingir um mercado cada vez maior. Com o tocador de mídia iPod, a loja digital iTunes e o supercelular iPhone, a Apple deixou de ser um ícone entre os geeks para se tornar sonho de consumo de um número muito maior de pessoas no planeta.

Mas 2008 não foi um ano de revelações estarrecedoras, e sim de arrumar as diversas peças de um quebra-cabeças que a empresa monta ao redor de nosso dia-a-dia.

Como o Google nos cercou com serviços (Gmail, Google Maps, Google News, Google Docs, etc.) e conteúdo produzido pelo público (Blogger, Picasa, YouTube), a Apple quer nos cercar com entretenimento eletrônico, usando o computador como porta de entrada desse novo cenário, não o principal palco. Foi assim que a empresa se tornou portátil e popular - de verdade.

Jobs começou sua apresentação dizendo que 'há algo no ar', aludindo à frase que ornava os enormes banners espalhados pelo pavilhão oeste do centro de convenções. 'There's Something in the Air' deixava os fãs da marca e a imprensa especializada se perguntando sobre qual seria o sentido escondido na frase.

Entre as atrações apresentadas, atualizações para o iPod Touch e o iTunes, uma nova versão para a Apple TV, um HD externo que realiza backup automático de todos os computadores da casa (o Time Capsule) e os dois grandes momentos da feira: a parceria da empresa com todos os estúdios de Hollywood para criar um sistema de aluguel online de filmes (o iTunes Movie Rentals) e 'o computador mais fino do mundo', o Macbook Air.

Em sua exposição, Jobs não se conteve em citar números. Sobre o iPhone, lembrou que aquele era 200º dia desde o lançamento do aparelho para o mercado e, desde então, já foram vendidas mais de 4 milhões de aparelhos - o equivalente a 20 mil iPhones vendidos por dia. E lembrou que, desde que entrou no jogo da telefonia celular, a Apple é a vice-líder, com 19,5% do mercado americano, ficando atrás apenas da RiM (39%) e à frente da Palm, Motorola e Nokia.

Lembrou feliz que 20% da base de usuários de computadores Mac já tinha atualizado o sistema operacional para a versão mais recente, o Leopard, lançado final do ano passado. Aproveitou para falar que a feira ainda veria o lançamento da nova versão do Office para computadores Mac. E emendou dizendo ter 'uma boa notícia sobre o iTunes'.

'No dia de Natal, vendemos 20 milhões de canções. É um recorde', comemorou Jobs. Ao todo, a loja virtual iTunes já vendeu 4 bilhões de músicas.

Antes da Macworld, havia especulações sobre contratos da Apple com alguns estúdios, por isso Steve Jobs anunciou primeiramente que iria lançar o novo serviço com os principais estúdios independentes, como Miramax, Touchstone, Lions Gate e Fox, para, logo em seguida, completar a relação incluindo a Warner, a MGM, a Paramount, a Universal, a Disney e a Sony.

É um acordo espetacular, ninguém ficou de fora. O sistema, por enquanto, só funciona nos EUA, mas até o final de 2008 se estenderá aos países que têm a loja iTunes. O Brasil, por não ter iTunes, está fora por hora.

'Mas e a sua televisão?', Jobs perguntava, ao lembrar que, por mais que se consiga filmes via internet, as pessoas querem assistir filmes e programas de TV no aparelho da sala de estar. 'Tudo que posso dizer é que todos nós tentamos: Microsoft, Amazon, TiVo, NetFlix, Vudu. Todos nós tentamos acessar vídeos da internet pela sua TV. Nenhum de nós conseguiu.'

'Nós tentamos com a Apple TV e agora voltamos com a Apple TV, segunda fase.' Com o novo aparelho, é possível acessar o iTunes e pedir filmes pelo site através da televisão, em alta definição e com som 5.1, além de fotos online (nesse momento da fala de Jobs, a tela ficou preta ao não conseguir acesso ao Flickr) e vídeos do YouTube.

Steve foi ovacionado. Mas o aplauso foi ainda maior quando ele anunciou que a empresa estava lançando, em duas semanas, 'o computador mais fino do mundo'. E deixou o público impressionado ao tirar o Macbook Air de dentro de um envelope.

Com o anúncio de terça, a Apple em vez de surpreender o planeta, preferiu arrumar a casa. Comemorou trunfos e assumiu as próprias falhas, conectando TV, computador, iPods, iPhones. Cada vez mais onipresente, a marca não se contenta só com o computador - ela quer tudo.

 



Soluções de ponta com baixo custo   volta

 

Estado de São Paulo
20/01/2008


Durante muito tempo, uma área de tecnologia da informação era algo restrito a empresas grandes. Os investimentos necessários para manter servidores e arcar com as despesas de licença dos softwares dificultavam que pequenas empresas tivessem acesso a essa área.

Entretanto, o surgimento do software livre, a partir da década de 90, veio mudando gradualmente essa realidade, segundo explica o consultor de TI e professor de pós-graduação em redes da Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap), Marcelo Okano.

De acordo com ele, o software livre, cuja principal característica é a licença de uso gratuita, permite com que empresas menores tenham acesso a sistemas como o Linux e banco de dados a um custo bastante acessível .

“Os softwares livres, são, em sua maioria, desenvolvidos para rodar em computadores comuns, com isso o empresário economiza também no hardware”, enfatiza Okano. Ele frisa que o custo fica apenas a cargo da implantação e da manutenção, que pode ser feita por uma empresa terceirizada.

“Manter dados e informações organizados de forma racional é importante para qualquer empresa e o software livre possibilita isso a um custo mais justo”.

CUSTO

Foi justamente o baixo custo que levou o sócio-diretor da Hytronic, que atua no ramo de automação industrial, José Luis Larrebure, a adotar soluções baseadas em softwares livres. Hoje, o servidor de arquivos, de e-mail e o firewall (dispositivo que regula a transmissão de dados nocivos de uma rede para outra) da empresa são baseados na plataforma Linux.

Além disso, todas as 20 estações de trabalho estão equipadas com o sistema operacional livre e Open Office (pacote de softwares similar ao Microsoft Office). “Não pago nada além do suporte externo”, explica Larrebure. De acordo com Okano, para cada computador em que Larrebure adota esses programas, a economia é de aproximadamente R$ 2 mil em licenças.

SEGURANÇA

Para o sócio-diretor da Pier 17, empresa de logística de transporte internacional, Rogério Pirani, além do baixo custo, que permite que a empresa economize algo em torno de R$ 15 mil por ano, a segurança é outro grande atrativo do software livre. “No que diz respeito à segurança de internet, o Linux é mais confiável. Sem contar que os outros softwares exigem máquinas mais potentes, o que reduz o tempo de vida útil do hardware”, diz Pirani.

Atualmente, todos os servidores de e-mail e o firewall da empresa rodam com programas de código aberto.

FLEXIBILIDADE

A possibilidade de desenhar um aplicativo próprio e customizá-lo conforme sua necessidade é a maior vantagem dos softwares livres na visão do gerente da Thermojet, empresa especializada em soluções de engenharia térmica, Odenir Moreira. Ele conta que sua empresa criou um programa inteiro baseado na plataforma Linux. Ele faz a medição do ciclo térmico dos materiais com os quais a empresa trabalha. “A grande vantagem é poder desenvolver programas sem depender de um padrão”.

Moreira, que também adota o Linux em grande parte das suas estações de trabalho, chama a atenção para a possibilidade de implementar melhorias ao programa.

“Temos uma pessoa na empresa que sempre mantém contato com a comunidade de desenvolvedores para propor novas soluções”.
 


 

O surgimento de internets paralelas   volta


Navegar Impreciso


O Estado de São Paulo
Pedro Doria, pedro.doria@grupoestado.com.br
21/01/2008


Há uma boa polêmica em curso envolvendo o ICANN, a organização norte-americana que gere a internet. A partir deste ano, a entidade vai permitir que os nomes de domínio da rede -endereços como o estadao.com.br - possam ser escritos com caracteres não latinos. Já havia pressão de russos e chineses para que isso acontecesse há bastante tempo.

Tem uma turma boa, como o professor de direito Tim Wu, da Universidade de Columbia, nos EUA, que vê a integridade da rede ameaçada por essa decisão. Mas seu ponto de vista não é unânime.

Existe um computador no mundo, ele fica nos EUA, no estado de Virgínia, que é o servidor-raiz da internet. Nele, está armazenada a lista de nomes de domínio e seus endereços numéricos (IP) correspondentes. Os EUA cuidam de todo e qualquer domínio que termine com .com, .edu, .net, .biz - e quaisquer outros sem a designação de país.

O sujeito que digita em seu browser um endereço remete ao servidor raiz ou a um dos servidores auxiliares que armazenam sempre uma cópia integral de seu conteúdo. É lá que o browser é informado sobre que máquina deve procurar na rede.

Pode parecer, a princípio, um contra-senso. Mas, neste caso exclusivo, é importante que o processo de endereçamento da internet seja centralizado. Se sistemas de domínios paralelos começam a surgir, pode haver conflito. Um servidor-raiz diz que um endereço corresponde a uma máquina, outro servidor diz que o mesmo endereço corresponde a outra. Seria uma bagunça só.

O ICANN já permitia o uso de acentos e outras marcas gráficas, decisão que poderia ser tomada pelas entidades responsáveis pelos domínios nacionais. A Espanha, de domínio .es, permitiu há alguns meses que se use acentos nos domínios.

Aqui, o Comitê Gestor o permite há anos: digite estadão.com.br, com til mesmo, e o leitor cairá na página do Estado na web. Mas há uma regra essencial: o Estadão pode ter esse endereço com til porque já tem o sem til, estadao.com.br. Assim como o principal jornal espanhol só pode registrar o domínio elpaís.es porque já lhe pertencia o elpais.es.

Qual é a diferença? Primeiro, não há confusão. Segundo, e mais importante, um leitor americano, com um teclado sem acentos, chega à página do Estado na web sem sequer precisar saber que há na língua portuguesa algo como um til. A web se mantém universal.

Quando ideogramas chineses ou os alfabetos cirílico (russo), árabe e hebraico são permitidos no registro de endereços, cria-se uma solução, um novo problema e um risco. A solução é evidente: o pobre russo com um teclado cirílico não precisa quebrar a cabeça buscando a tecla correspondente à letra A ou S para digitar o endereço de um site local.

O problema é que o brasileiro que quiser acessar aquele mesmo site vai ter de descobrir-lhe o endereço numérico - e nós, humanos, decoramos nomes, não uma série de até 12 algarismos em seqüência.

O risco é o poder que se coloca nas mãos dos governos de China e Rússia, e aí entra o argumento do professor Wu. O servidor-raiz em Virgínia centraliza o sistema de endereçamento da rede.

Se todo um novo sistema de domínios é criado só para a China, sob os encargos de um governo que notoriamente controla o acesso à internet em seu país, isso não é o mesmo que criar uma internet paralela? Essa decisão não aumentaria o poder do governo chinês sobre o conteúdo digital em sua terra?

Wu está convencido de que sim. O resultado, no futuro, será que Rússia e China terão em suas mãos internets paralelas sobre as quais exercerão poder absoluto. Ainda é cedo para dizer se o professor está certo - dependerá da maneira como o novo padrão de endereçamento será implementado. Dependerá da facilidade com que chineses terão de chegar à rede lá fora e que gente cá de fora tiver de entrar nos servidores lá dentro.

Porque, por outro lado, não podemos esquecer: a rede é de todos. O alfabeto latino, não. Ela deve representar todo mundo.

 


 

 

Microsoft é acusada de infringir patente na China   volta


Mídia eletrônica: Reuters Brasil
http://br.reuters.com
18/01/2008

 
PEQUIM (Reuters) - Uma pequena empresa de tecnologia da China está processando a Microsoft, acusando a gigante norte-americana de software de ter roubado sua criação que permite a usuários de Internet escrever com caracteres chineses. A Microsoft nega a infração de patentes.

A Zhongyi Electronic, que tem 100 empregados, alega que a Microsoft tem usado sua tecnologia de introdução de caracteres e fontes no sistema operacional Windows sem ter um acordo comercial durante uma década, segundo a agência estatal chinesa de notícias Xinhua.

O processo coloca a Microsoft em uma incomum posição de defender suas práticas relacionadas à propriedade intelectual na China, após anos lutando contra a pirataria de seus softwares naquele país.

Zhengma, principal produto da Zhongyi, permite que os internautas convertam palavras chinesas digitadas no alfabeto romano em caracteres chineses.

Em um comunicado, a Microsoft disse que assegurou o direito de usar o produto da Zhongyi e as fontes depois que as duas empresas chegaram a um acordo sob supervisão de agências governamentais chinesas.

"A Microsoft tem cumprido com suas obrigações de pagar taxas de licenciamento à Zhongyi", disse a companhia norte-americana.

A ação judicial começou na terça-feira em um tribunal de Pequim, de acordo com informações no site da Zhongyi.

(Reportagem de Simon Rabinovitch)