Sexta-feira, 18 de janeiro de 2008.
Comentários, dúvidas e sugestões:
sercom@inpi.gov.br
1. Marcas: Por que e quando mudar?
2. Candidato a diretor-geral da OMPI quer vencer a crise na qual a instituição está inserida
3. Propriedade intelectual é tema de reunião no Itamaraty
4. Bem-vindo ao século do genoma
5. Grupo faz o primeiro clone humano com célula adulta
6. Arte e design se chocam em mostra
7. Disputa tecnológica
8. Brasil cobra do Japão promessa de fábrica de semicondutores
9. Remédio para trombose está sob domínio público
10. Tribunal nega pedido de prorrogação de patente a fabricante de medicamento contra trombose
11. Pequenas e médias empresas investem em TI
Marcas: Por que e quando mudar? volta
Mídia eletrônica: Mundo do marketing
http://www.mundodomarketing.com.br
Por Thiago Terra
thiago@mundodomarketing.com.br
17/01/2008
Mudar a marca de uma empresa parece ser fácil devido ao fato de que, hoje, há tecnologias, meios e processos que permitem uma troca de qualquer lugar, em qualquer momento, e com uma mudança às vezes menos drástica. Em pequenas e até em médias empresas, esta decisão pela troca da identidade é feita pelo proprietário. Neste caso, modificar uma marca torna-se tão fácil quanto falar. O perigo desta atitude pode ser a descaracterização da empresa e a perda de sua identidade perante o seu público. Por outro lado, uma mudança na marca pode marcar a mudança no posicionamento de uma companhia no mercado, uma nova comunicação, além de ser a principal medida tomada por empresas que querem se tornar contemporâneas, atuais, modernas e acreditam que, neste processo, fazer uma plástica dá resultado.
Recentemente, a rede de drogarias Onofre mudou a sua marca. Segundo a Gerente de Marketing da empresa, Ana D’arco, desde 2003 o conceito da drogaria vem sofrendo mudanças com a idéia de não lembrar apenas doenças. A Onofre planejou cuidadosamente a mudança que não foi somente na marca. Além da fachada, a rede apresenta mudanças no ponto-de-venda e na sinalização das lojas. “É importante que tenha uma seqüência lógica, uma base. A nossa mudança foi natural e de dentro para fora”, conta Ana D’arco em entrevista ao Mundo do Marketing.
Fazer parte de um posicionamento estratégico é um dos motivos que levam uma empresa a mudar a sua marca. Esta alteração não pode e não deve ser uma atitude tomada de forma isolada, segundo Raphael Muller, gerente de marketing da Resultado Consultoria. “A mudança tem que estar alinhada com os objetivos estratégicos da empresa”, alerta. Desta forma, ao acompanhar as tendências do mercado moderno, as empresas devem ficar de olho nas oportunidades, mudar quando for preciso, mas dentro de uma estratégia estudada de novo posicionamento.
Colaboradores como público e termômetro
Outra companhia que também anunciou a mudança de sua marca foi a Xerox, depois de realizar uma pesquisa com funcionários, clientes e parceiros de todas as unidades. O resultado foi apresentado no dia 7 de janeiro primeiramente a todos os funcionários da companhia. No Brasil, a transição para nova identidade deve ser concluída em um ano, contando a troca de fachadas dos prédios da empresa até a campanha publicitária, que começa no primeiro trimestre deste ano em mídia impressa e marketing direto.

O mercado brasileiro conheceu ainda a nova identidade de uma das maiores empresas do país. Com campanhas intensificadas na TV e em diversos meios, a Vale apresentou seu novo posicionamento, assim como sua nova identidade, com o nome abreviado e nas cores verde e amarelo. No processo de mudança, a principal preocupação da empresa era com a rejeição dos funcionários mais antigos e, para isto, a agência de endomarketing, HappyHouseBrasil, foi contratada para envolver os colaboradores no projeto. Cristiane Mallmann Brun, Diretora de Planejamento da agência, esteve presente em todo o processo, que começou vestindo a empresa com a nova identidade nos veículos internos com os atributos e posicionamento que a empresa deseja manter. “Uma semana antes da apresentação da nova marca, vestimos a empresa com as novas cores, para que os empregados se alinhassem ao novo sistema”, explica Cristiane.
Neste processo, a Vale trabalhou o conceito de transformação. A apresentação da nova identidade foi feita em um evento de gestores no mundo todo, com transmissão via satélite e pela Internet para o exterior. “Houve muita vibração quando entramos no ar com a primeira campanha da nova marca, simultaneamente para todos os funcionários da empresa pelo mundo”, lembra Cristiane (foto). Segundo ela, mesmo os colaboradores mais antigos entenderam que a empresa não é a mesma de alguns anos atrás e que a marca colorida transmite vida e um posicionamento de marca mundial. “Os colaboradores se sentiram inseridos no conceito e não em um momento de transformação. Todo o esforço era para evitar um rompimento com a antiga marca”, explica.
A importância dos funcionários para uma empresa é determinante para o sucesso dela, pois uma marca é construída primeiro pelo seu público interno. Com colaboradores mobilizados no projeto, acontecem melhores resultados já que ele compreende que é peça fundamental para a empresa. “Isto desperta o sentimento de pertencer a uma marca que ele construiu. Este processo de mudança bem estruturado contribui para que eles levem uma opinião positiva e se sentam valorizados e engajados”, ressalta Cristiane Mallmann.
Tradição X Modernidade
No mundo em que as marcas ganham importância ímpar na escolha pelos produtos, a tradição faz parte do conceito e da percepção do consumidor. Sendo assim, como fazer na hora de atualizar e modernizar uma marca com anos de história, baseados em uma única imagem corporativa? De acordo com o Gerente de Marketing da Resultado Consultoria, Raphael Muller, neste caso a empresa deve tomar extremo cuidado ao remodelar sua marca. Muller cita nomes como Leite moça, Granado e Maisena, como marcas que inspiram e comunicam a idéia de tradição que é passada de mãe para filha, de maneira familiar. “A marca Leite Moça fez mudanças pequenas em sua marca e focou na alteração da embalagem. É importante saber o que agregar de valor ao produto”, diz Raphael Muller em entrevista ao Mundo do Marketing. De acordo com o executivo, a tipologia usada pela Coca-Cola não seria aprovada hoje por ser antiga, tanto que atualmente a marca usa o desenho da garrafa que já remete à todos os produtos da marca.
Na guerra entre a tradição das marcas e o caminho das novas tecnologias e da inovação, é difícil tomar partido para um dos lados. A sorveteria A Formiga, primeira sorveteria de Curitiba, no Paraná, sofreu a revitalização de seu conceito após vinte anos de mercado. De acordo com o atual dono da empresa, Max Frischmann, o objetivo era não perder a tradição e não criar um novo conceito para a marca. “Estilizamos sem mudar o conceito com um redesenho da marca, com formas novas e semelhantes ao original”, conta Frischmann ao site.
Antes, à esquerda, e depois
Após algumas pesquisas com o público, o foco da estratégia passou a ser direcionado a atualização e padronização da linguagem da sorveteria para que a empresa deixasse de ser pequena. A Formiga iniciou esta fase implantando a nova marca aos cardápios e pontos-de-venda, arquitetura, marca e funcionários, que ajudam com idéias, opiniões e estão engajados no projeto desde o início. Todo o investimento neste novo posicionamento da empresa, segundo Max Frischmann, gerou gastos em torno de R$ 10 a R$ 15 mil. “É necessário que as empresas não fiquem cegas no mercado e que acompanhem as tendências”, acredita o proprietário da sorveteria.
Mudar sem perder a identidade
Assim como qualquer estratégia, o que funcionou ontem pode ou não funcionar hoje. No processo de mudança de marca, o caminho é definir o posicionamento do produto antes de mexer na marca, para evitar futuros erros. “É preciso entender o que o consumidor quer o que ele precisa para conhecer e fazer uso destas informações”, diz Raphael Muller, Gerente de Marketing da Resultado Consultoria.
Para evitar que a marca perca a sua identidade, as mudanças devem acontecer naturalmente e não drasticamente, como no caso da rede de drogarias Onofre. “Tem que acontecer passo a passo para que o cliente receba esta mudança positivamente”, acredita Ana D’arco, Gerente de Marketing da Onofre. Com um processo gradativo e planejado, hoje um cliente que entra numa Mega Store Onofre e fica em média 20 minutos na loja, enquanto nos pontos-de-venda comuns a média é de cerca de cinco minutos.
Existe uma variação de como a mudança de uma marca é conduzida de acordo com cada empresa e o que se espera é que ela seja bem recebida. Antes de mudar, o ideal é procurar esgotar possíveis dúvidas a partir de pesquisas e testes. Para Raphael Muller, a marca serve como cartão de visitas ou como as roupas de um produto. “Eu me comunico pela roupa e um produto pela embalagem e a sua marca. É arriscado mexer na marca, mas muitas vezes necessário”, completa o executivo.
Passo a passo
Como foi a mudança da marca dentro da Vale

1 – As informação sobre as mudanças e os novos atributos foram passadas apenas nos veículos internos da empresa.
2 –Tieser com a marca colorida, adesivos em portas, elevadores, corredores e convite para os funcionários comparecerem ao local da transmissão simultânea, vestidos com as novas cores da marca foi o primeiro grande passo para envolver os colaboradores.
3 – Comunicação faz a diferença: A Vale editou uma newsletter explicando a mudança, o novo posicionamento e os motivos da mudança e seus atributos. Conteúdo similar foi informado em rádio interno, no segundo turno de trabalho, no mesmo dia.
4 – Na semana seguinte, jornais internos modificados com a nova identidade e posicionamento da Vale foram distribuídos, além do apoio de anúncios em dos veículos de comunicação e noticiário que aprofundaram o conteúdo.
Fonte: HappyHouseBrasil
Candidato a diretor-geral da OMPI quer vencer a crise na qual a instituição está inserida volta
Mídia eletrônica: ABIPTI
www.abipti.org.br
17/01/2008
O Brasil lançou, no início deste mês, a candidatura de José Graça Aranha ao cargo de diretor-geral da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI). Em entrevista ao Gestão C&T online, ele revela que vai tentar buscar o consenso para que a organização saia da crise da qual se encontra. “A OMPI passa, neste momento, por uma crise muito grande, uma crise de confiança, entre alguns países-membros e alguns setores, em relação ao trabalho que a organização vem desenvolvendo”, explica Aranha. Segundo ele, sua prioridade será fortalecer e restaurar a confiança dos estados-membros na organização.
Para isso, Graça Aranha revela que levará a experiência brasileira do diálogo. “Minha proposta será a construção de um diálogo entre os países-membros para eliminar a divisão existente hoje entre alguns países em desenvolvimento”, diz. Ele acredita que o diálogo irá permitir a construção de pontes para se eliminar a divisão criada entre os países-membros da OMPI.
Graça Aranha avalia que o Brasil está em um bom cenário quando se fala no número de pedidos de patentes brasileiras depositadas no país. Ele considera que o número de patentes ainda é pequeno em vista do potencial que existe de desenvolvimento de tecnologia no país e pequeno em relação ao tamanho da economia. “Mas, se nós examinarmos todos os países em desenvolvimento, que existem, apenas dois depositam mais patentes que o Brasil, a China e a Coréia do Sul. O Brasil tem mais pedidos de patentes nacionais do que todos os outros países em desenvolvimento”, avalia.
O candidato brasileiro considera ainda que a cada dia a propriedade intelectual passa a ser mais importante, para os países de todos os níveis econômico. “Tanto os países industrializados, como os desenvolvidos, como os em desenvolvimento”, observa.
A eleição para novo diretor-geral da OMPI está marcada para setembro. Graça Aranha foi presidente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), entre 1999 e 2004. Desde então, ele tem exercido o cargo de Diretor do Departamento de Registros Internacionais da OMPI, em Genebra, na Suíça.
A OMPI é a agência especializada das Nações Unidas que, desde 1974, constitui o principal foro internacional para as negociações multilaterais sobre o direito de propriedade industrial e intelectual no mundo.
Para mais informações sobre a organização acesse o site www.wipo.int.
(Tatiana Fiuza para o Gestão C&T online)
Propriedade intelectual é tema de reunião no Itamaraty volta
Mídia eletrônica: Agência Brasil
http://www.agenciabrasil.gov.br
18/01/2008
Brasília - A candidatura - lançada pelo Brasil - do advogado José Graça Aranha ao cargo de diretor-geral da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (Ompi) deve ser um dos temas da reunião do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, com dirigentes da instituição. O encontro será às 10h30 no Itamaraty.
A eleição do novo diretor-geral da organização está prevista para setembro. Participam o diretor executivo do Setor sobre o Uso Estratégico da Propriedade Intelectual para o Desenvolvimento, Sherif Saadallah, o diretor do Departamento de Registro Internacional de Marcas, José Graça Aranha, e a chefe da Divisão de Novas Tecnologias e Propriedade Intelectual, também da Ompi, Maria Beatriz Amorim.
Bem-vindo ao século do genoma volta
Valor Econômico
Por Ediane Tiago, para o Valor, de São Paulo
18/01/2008
Herança científica do século XX, os avanços na área da genética já transformam a fisionomia da ciência, da medicina e da tecnologia do século XXI ao promover impactos inimagináveis à vida das pessoas. A pesquisa do genoma traz promessas de completa alteração no eixo genético, o que garantirá a manipulação de genes para tratar de doenças graves, como câncer, artrite reumatóide e esclerose múltipla, e equacionar questões como a produção de alimentos e a degradação do meio ambiente. "Este será o século do genoma. Conhecemos cada vez mais o funcionamento dos genes", afirma Mayana Zatz, geneticista, coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo (USP) e uma das maiores autoridades no assunto.
Boa parte das conquistas e das ofertas de futuro animador proporcionadas por essa revolução poderá ser conhecida na mostra que ocorre em São Paulo a partir de 26 de fevereiro. Com público próximo de 1 milhão de visitantes nos Estados Unidos, a exposição será aberta no Brasil no Pavilhão Armando de Arruda Pereira (ex-sede da Prodam), no Parque do Ibirapuera, onde os visitantes poderão mergulhar no mundo dos genes em três segmentos, montados em dois mil metros quadrados de área: "Grande Salão da Biodiversidade", "A Era do Genoma" e "O Brasil e a Genética dos Alimentos".
A exclusividade está no terceiro segmento, montado para a mostra brasileira. "O país é um importante ator da revolução genômica. Por isso, pudemos ampliar a exposição com projetos brasileiros", diz o físico e empresário Ben Sangari, do Instituto Sangari, representante oficial do Museu de História Natural de Nova York no Brasil e organizador da mostra. O instituto investiu R$ 5 milhões para a realização do evento paulistano.
A importância de uma mostra como essa é que o uso e o desenvolvimento da tecnologia genética são estratégicos para o futuro de qualquer nação: podem influenciar não apenas a ciência como a economia mundial, a exemplo das transformações ocorridas com a Revolução Industrial e com a revolução da eletrônica. De acordo com Fernando Reinach, diretor-executivo da Votorantim Novos Negócios, fundador e coorde-nador do Projeto Genoma Brasileiro, a forma como as nações vão apostar suas fichas na biotecnologia será capaz de definir sua posição na economia global. "É a chance de distribuir melhor a renda no mundo."
O Brasil não está fazendo feio nessa batalha. A ciência verde-e-amarela entrou para o mapa da genômica mundial depois do seqüenciamento da bactéria "Xyllella fastidiosa", causadora da praga do amarelinho. Concluído em 1999, o projeto foi capa da prestigiada revista científica "Nature" e destacou o trabalho de mapeamento genético do primeiro fitopatógeno - organismo causador de uma doença em uma planta economicamente importante - no mundo. "Com esse projeto, a ciência brasileira melhorou sua auto-estima, ganhou motivação e partiu para outros projetos, como o seqüenciamento da cana-de-açúcar e do genoma do câncer humano", diz Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que financiou estudos sobre a "Xyllella".
São três grandes áreas na genética que podem ser exploradas pela pesquisa científica e o Brasil pode se destacar em duas delas. Reinach as batiza de verde, branca e vermelha. Na área verde, o foco será a produção de plantas e animais transgênicos, basicamente para o mercado de alimentação. Nesse segmento, o país é forte participante e pode despontar pela possibilidade de aplicar a tecnologia em seu território para aumentar a produtividade agropecuária. "Essa área é que chamamos de geograficamente dependente. Ou seja, depende não só de capital humano, mas de clima, área para plantio e água."
Já a área branca também pode beneficiar países como o Brasil, uma vez que dependerá do desenvolvimento de plantas para a fabricação de insumos para cadeias industriais. Como exemplo, Reinach cita o desenvolvimento da cultura da cana, que pode gerar o etanol como insumo para a cadeia alcoolquímica. "Do etanol pode ser extraído o etileno e dele ser fabricado o polietileno, substituindo o petróleo na produção do plástico. Existem muitos projetos nessa área", observa.
A vermelha está relacionada ao desenvolvimento de produtos para os seres humanos, como remédios, vacinas e tratamentos com células-tronco. Essa tecnologia será produzida em países desenvolvidos, que possuem capital humano e dinheiro para pesquisas e poderão ser distribuídas em todo o mundo.
Um bom exemplo é o que ocorre com a insulina recombinante, remédio que resulta da biotecnologia, fabricado pela americana Genentech, que clonou o gene da insulina humana e o reproduziu dentro de uma bactéria em 1982. A técnica de produção anterior previa a retirada de insulina de animais, como porcos, o que causava efeitos colaterais no tratamento. Com a aplicação do gene na bactéria, a substância reproduzida é idêntica à encontrada no corpo humano. "Atualmente, diabéticos no mundo inteiro dependem desse tipo de insulina", explica.
A atenção dos cientistas se multiplica com o número de empresas de biotecnologia que surgem para testar e criar produtos com tecnologia genética para tornar disponível no mercado. O negócio nacional na área de biotecnologia tem crescido de forma significativa e já conta com mais de 70 empresas que trabalham especificamente com alteração genética de algum tipo de organismo na fabricação de seus produtos, segundo Eduardo Emrich Soares, diretor-executivo da Associação Brasileira de Empresas de Biotecnologia.
"Temos evoluído muito e já vemos a integração de empresas com os cientistas para colocar soluções no mercado." Como exemplo, Soares cita a formação de um consórcio de empresas da área de papel e celulose para estudar o genoma do eucalipto. "A melhora genética dessa planta possibilita o aumento da produtividade e, como resultado, não há necessidade de ampliar a área plantada."
Como se vê, a revolução genômica está em curso e é possível identificá-la na utilização de plantas transgênicas e na evolução das pesquisas com células-tronco. Em relatório divulgado em 2006, o Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações Agro-biotecnológicas (Isaaa, na sigla em inglês) mostrou que as plantações biotecnológicas - que utilizam técnicas como a transgênese - devem ocupar 102 milhões de hectares em todo o mundo até 2015. O crescimento na adoção de biotecnologia é de 13% frente ao último período medido. No Brasil, a utilização de plantas modificadas cresceu 22% do total da área plantada e o grupo dos países em desenvolvimento é responsável por 40% das plantações biotecnológicas globais. "Hoje, 20% da área agrícola mundial é transgênica", afirma Reinach.
A sociedade tem de saber o que significa exatamente a aplicação de tecnologia genética, na opinião de Soares. "Todos estão preocupados com o meio ambiente. Mas a nossa realidade é a de que a produção de alimentos e de outros tipos de produtos terá de aumentar para dar conta da demanda mundial crescente. Se não utilizarmos tecnologia, teremos de aumentar a área de plantio."
Na área da agricultura, de fato, a pressa é imensa em arranjar soluções porque, segundo projeções da Organização das Nações Unidas (ONU), a população mundial chegará a 9,2 bilhões de habitantes em 2050. Com essa perspectiva de aumento de consumo de alimentos, cientistas estudam o genoma do boi e o aumento de produtividade em tantos outros animais e plantas. No Brasil, as empresas de energia também se preocupam com o abastecimento da população e apostam na melhoria da cana-de-açúcar.
A preocupação dos cientistas para aprimorar as pesquisas nessa área se deve à tendência global de alta no preço dos alimentos - um efeito colateral não apenas do crescimento da demanda em países emergentes e altamente povoados, como China e Índia, mas também do plantio de cana-de-açúcar e de milho para a produção de biocombustíveis. A combinação desses dois fatores é considerada a vilã para a alta da inflação no Brasil, que interrompeu uma tendência de queda que já durava anos. "Com o potencial do Brasil para biocombustíveis, é necessário desenvolver variedades de plantas mais resistentes e produtivas", afirma Soares.
Na medicina, além dos estudos de células-tronco para combater uma série de doenças e tentar resolver a dura questão do transplante de órgãos, o mercado aplica na produção de remédios mais eficientes. A técnica consiste em modificar ou produzir um organismo vivo para tratar de forma mais eficaz doenças que têm origem nos genes.
Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento na indústria farmacêutica chegaram a US$ 51,3 bilhões nos Estados Unidos, dos quais US$ 18,5 bilhões foram aplicados na área de biofármacos, de acordo com Wellington Briques, diretor da Biogen Idec Brasil, empresa de biotecnologia. Cerca de 3% do PIB brasileiro já é gerado pelo mercado de produtos de biotecnologia, colocando o Brasil no segundo lugar do ranking entre os países em desenvolvimento - o país perde apenas para a Índia. "Esse é um ramo que exige investimento. Segundo o BNDES, para montar uma empresa especializada em biotecnologia são necessários 25 doutores e capital inicial de US$ 20 milhões."
Segundo Briques, já foram aprovados pelo Food and Drugs Administration (FDA), agência reguladora americana, 76 medicamentos que usam biotecnologia em seu processo de fabricação. Duas delas estão disponíveis no Brasil e são utilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para tratar linfomas (câncer), como é o caso do Rituxan, e esclerose múltipla, tratada com o Avonex, distribuídos pela Roche. Briques admite que o tratamento tem custo elevado para o consumidor: a média de gasto mensal com os medicamentos por paciente é de R$ 2 mil. Assim, o acesso tem de contar com subsídio do governo.
O preço deve-se ao alto grau tecnológico das drogas e à sua especificidade. Mas médicos dizem acreditar que a tendência é que os custos sejam reduzidos com o aumento da produção desse tipo de droga. "Há ainda mais de 350 medicamentos elaborados com uso de biotecnologia em fase de avaliação pela FDA. Com eles, será possível tratar mais de 150 doenças, como câncer e mal de Alzheimer", informa Briques.
Jorge Kalil, diretor do Instituto de Ciências do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), vê com bons olhos as pesquisas genéticas e diz acreditar que será possível oferecer tratamentos individualizados para os pacientes. "Podemos fazer o mapeamento genético do paciente para identificar como ele reagirá a cada tipo de droga e qual é a mais eficiente para o caso dele. É um avanço enorme no tratamento."
Cada organismo reage de uma forma a um tipo de droga e possui predisposição para algumas doenças, explica Kalil. "Além de identificar o melhor tratamento, conseguimos saber com antecedência a propensão de um indivíduo para determinados tipos de doença, agindo na prevenção." É o caso de quem tem problemas recorrentes de algum mal na família e faz um teste genético para identificar a sua real tendência para desenvolvê-lo. "Acredito que nos próximos anos poderemos oferecer esse serviço no Brasil", destaca o médico.
Esse tipo de medicina deve chegar ao mercado, segundo Mayana Zatz, apoiada pela redução dos preços da tecnologia de seqüenciamento do genoma humano. "Foram investidos mundialmente muitos bilhões de dólares para chegarmos aos equipamentos que temos hoje. O mapeamento do genoma foi um investimento alto. Em compensação, estima-se que em dez anos será possível seqüenciar o genoma de uma pessoa por um custo de US$ 1 mil."
"Revolução Genômica" No Pavilhão Armando de Arruda Pereira (antiga sede do Prodam), av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Parque do Ibirapuera, São Paulo
Grupo faz o primeiro clone humano com célula adulta volta
Empresa californiana não conseguiu, porém, obter células-tronco para pesquisa
Autenticidade de um dos cinco embriões criados foi atestada por instituto de pesquisa independente dos autores do experimento
Folha de São Paulo
DA REPORTAGEM LOCAL
18/01/2008
Um grupo de cientistas dos EUA anunciou ontem ter conseguido obter o primeiro embrião clonado a partir de uma célula humana adulta. Em um artigo científico publicado na revista "Stem Cell", cientistas da empresa de biotecnologia Stemagen, de La Jolla (Califórnia), descreveram como foram criados cinco clones, um deles com autenticidade já atestada por um centro de pesquisa independente da empresa.
Embriões humanos clonados já haviam sido obtidos por meio estimulação de óvulos ou com o uso de células embrionárias, mas a clonagem a partir de uma célula adulta abre caminho para aquilo que os pesquisadores mais almejam: obter linhagens de células-tronco de grande potencial terapêutico e para uso em pesquisa.
As células-tronco embrionárias humanas são consideradas uma grande promessa da medicina porque são pluripotentes: têm a capacidade de se diferenciar em qualquer tecido do organismo. Produzir e "domar" essas células poderia, no futuro, levar ao tratamento de doenças hoje incuráveis, como o mal de Parkinson, o diabetes e lesões de medula. Células-tronco produzidas a partir de um clone humano poderiam levar a tratamentos "sob medida" para o doente, sem risco de rejeição -já que seriam feitas com o material genético dele.
Este passo crucial, porém, ainda não foi dado pelos cientistas da Stemagen, que é ligada a uma clínica de fertilidade.
De qualquer forma, o estudo foi visto por alguns cientistas como sinal de que o campo de pesquisa está finalmente conseguindo obter resultados e se recuperar do baque que sofreu em 2005. Naquele ano, o cientista coreano Hwang Woo-Suk anunciou a obtenção de células-tronco a partir de embriões clonados, mas o experimento se revelou uma fraude depois.
O novo trabalho foi apresentado como um desabafo. "Esperamos que ele seja uma espécie de virada para muitos outros estudos", diz Andrew French, cientista que liderou o experimento na Califórnia. O grupo construiu os clones a partir de células de pele de dois cientistas da equipe e de óvulos doados voluntariamente por mulheres de casais que passavam por tratamento de fertilidade.
O método adotado por French para produzir os clones foi basicamente o mesmo que gerou a ovelha clonada Dolly, em 1996, mas teve de ser aprimorado, já que em humanos e outros primatas existem complicações técnicas adicionais.
Sem células-tronco
Apesar de o experimento da Stemagen ter sido recebido com impacto, alguns cientistas questionaram se ele deve ser tratado como um avanço significativo na área, já que os americanos da Stemagen não conseguiram obter nenhuma linhagem de células tronco.
"Acho difícil determinar o que foi substancialmente novo", disse Douglas Melton, do Instituto de Células-Tronco de Harvard. Para ele, o próximo grande avanço no campo teria sido mesmo a criação de uma linhagem de células embrionárias a partir de um clone. "Isso ainda está por ser feito (...) mas é só uma questão de tempo antes que algum grupo consiga."
Ian Wilmut, criador da ovelha Dolly, se disse otimista. "Espero que os autores tenham a oportunidade de continuar seu trabalho e derivar as linhagens de células-tronco", afirmou.
Segundo a bióloga Lygia da Veiga Pereira, da USP, seria natural esperar que os cientistas conseguissem obter as linhagens de células tronco antes de publicar um trabalho. "Imagino que eles tenham tentado extrair as células e não tenham conseguido", afirmou. Pereira, porém, não questionou a autenticidade da clonagem. "Eles foram muito cuidadosos com os embriões", disse. "Para um deles, confirmaram que tinha de fato genoma idêntico à célula doadora, tanto no DNA nuclear [do núcleo da célula] quanto mitocondrial [da mitocôndria, unidade que processa energia na célula]."
Avaliação "ultracautelosa"
Alguns pesquisadores que estão na corrida pela obtenção das linhagens de células-tronco de clones receberam a notícia com ceticismo. "Precisamos ser ultracautelosos depois do escândalo de Hwang e não cometermos os mesmos erros de novo", disse Robert Lanza, da empresa Advanced Cell Technologies. "Eu realmente gostaria de acreditar nisso, mas ainda não estou convencido."
Alguns pesquisadores do campo abriram mão de trabalhar com células-tronco para pesquisar as chamadas iPS (células pluripotentes induzidas). São células com potencial terapêutico tão promissor quanto o das embrionárias, mas que podem ser feitas sem clonagem.
"Mas, neste estágio, não consideramos células iPS como substitutas da transferência nuclear", escreveu Miodrag Stojkovic, cientista do Centro de Pesquisa Príncipe Felipe, de Valência (Espanha), em comentário na "Stem Cell". "O uso nelas de genes e retrovírus conhecidos por causar câncer (...) torna questionável qualquer aplicação possível em medicina regenerativa."
Segundo Mayana Zatz, geneticista da USP, qualquer uso de tecido adulto para criar embriões ainda deve enfrentar dificuldades técnicas. "Ele pode ativar [no embrião] mutações que estavam silenciadas [na célula adulta]", explica. "Dependendo da mutação, ela pode tornar a célula inviável."
Com Reuters e Associated Press
Arte e design se chocam em mostra volta
Na primeira coletiva do ano na Vermelho, artistas violam copyright e questionam a lógica de ambientes e objetos do cotidiano
Superflex e a dupla de suecos Goldin+Senneby desmontam o mundo corporativo; Los Super Elegantes fazem vídeo-performance contra o hype
Folha de São Paulo
SILAS MARTÍ
DA REPORTAGEM LOCAL
18/01/2008
O design mostra seu poder de fogo na galeria Vermelho. Nove metralhadoras, pistolas e fuzis expostos numa parede formam o arsenal de uma guerra artística que começa hoje -vistas de perto, as armas não passam de dobraduras de papel com textura pixelada, copiadas de arquivos 3D de videogames hackeados por artistas. "As armas são elementos de violência, mas estão num jogo, e isso as torna quase banais", diz Gisela Motta, que assina o trabalho com Leandro Lima.
Juntos, eles dividem a galeria com outros 13 artistas na mostra "Looks Conceptual", com obras que se apropriam de objetos e estratégias do design - produção menos conceitual e mais utilitária- para montar seu discurso.
Em batalha aberta contra o copyright, o coletivo dinamarquês Superflex volta agora à Vermelho, onde foram tema de uma individual no ano passado, com uma máquina que estampa em camisetas de grife falsificadas a inscrição "Supercopy". Uma crítica à cópia e à padronização aparece também num vídeo de Nicolás Robbio e Carla Zaccagnini. Sem mostrar o rosto, eles se sentam frente à frente e tentam fazer os mesmos traços, copiando os movimentos um do outro.
"É um pensamento sobre o desenho, uma coreografia sobre algo pessoal, que pode ser padronizado", diz Robbio. Mergulhando em ácido essa mesma cartilha, os suecos da dupla Goldin+Senneby visitaram o local bucólico na Califórnia onde a Microsoft fotografou a paisagem que usa como pano de fundo de seu sistema operacional. Uma foto do campo sem retoques, acompanhada de um texto sobre a criação de marcas, denuncia o vazio por trás do mundo de céu azul e colinas verdejantes do Windows.
Na série "Objects of Virtual Desire", a mesma dupla reproduz, na vida real, objetos que só existem no Second Life, criados por usuários do site para suprir necessidades em campo virtual: um deles é a "esfera do amor", globo vermelho que faz rodopiar o retrato de um casal de lésbicas que assumiram o namoro on-line.
Decoração na mira
Com bem menos afeto e igual dose kitsch, Los Super Elegantes, a dupla de artistas Martiniano Lopez-Crozet e Milena Muzquiz, trazem o registro de uma performance que fizeram nos Estados Unidos. No vídeo, espécie de manifesto contra o hype, uma decoradora de interiores leva seus amigos clubbers a vandalizar uma casa.
É uma fúria comparável à que Marcius Galan desfere contra o mobiliário quando serra em pedaços uma mesa de jantar e as cadeiras que a rodeiam, deixando só os pés de madeira sobre um tapete verde na instalação "Mata".
São tentativas dos artistas de exorcizar a rigidez que o design pode conferir às relações sociais. João Loureiro constrói uma teia metálica para conectar todos os móveis de uma sala, incluindo sofás, cadeiras e a rede elétrica, que se transformam numa jaula imóvel.
A obra parece acrescentar mais ao discurso do gaúcho Rommulo Conceição, que tem planos de fundir a arquitetura de um supermercado com a de um cinema, e aqui mistura ambientes domésticos na instalação "Sala-Banheiro-Serviço".
LOOKS CONCEPTUAL
Quando: abertura hoje, às 20h; de ter. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 11h às 17h; até 16/2
Onde: galeria Vermelho (r. Minas Gerais, 350, tel. 0/xx/11/3257-2033)
Quanto: entrada franca
Disputa tecnológica volta
Mídia eletrônica: Agência Fapesp
http://www.agencia.fapesp.br
Por Thiago Romero
18/01/2008
Agência FAPESP – Depois do anúncio na terça-feira (15/01), pelos dirigentes da empresa norte-americana Symetrix Corporation, da construção de uma fábrica de semicondutores no Brasil, a dúvida que restou é em qual região ela será instalada. Os estados candidatos são Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo.
O projeto do empreendimento foi divulgado pelo diretor e co-fundador da empresa de alta tecnologia, o brasileiro Carlos Paz de Araujo, e por outros dirigentes, em cerimônia na capital federal que contou com a presença do ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Resende.
Na ocasião, Araujo, que é professor na Universidade do Colorado (EUA), disse que contará, nas atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) da indústria, com o suporte do Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (CMDMC), vinculado ao Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara.
Trata-se da primeira indústria voltada para a fabricação de semicondutores ferroelétricos da América Latina. Os investimentos previstos são da ordem de US$ 1 bilhão, por meio de uma parceria da Symetrix, um grupo de empresários estrangeiros e a Panasonic. Estima-se que serão gerados pelo menos 700 empregos diretos.
O investimento permitirá a produção de chips de memória para os chamados “cartões inteligentes”, que têm aplicações variáveis, como a utilização em movimentações bancárias de entidades financeiras, bilhetes para o transporte público, documentos e até para a telefonia celular e TV digital.
Presentes à cerimônia em Brasília, José Arana Varela e Élson Longo, diretores do CMDMC, defendem a instalação da fábrica da Symetrix em São Paulo. “A maior vantagem estratégica do estado é a proximidade que a fábrica teria com a mão-de-obra qualificada das centenas de mestres e doutores formados anualmente pelas universidades paulistas”, disse José Arana Varela, pró-reitor de Pesquisa da Unesp, à Agência FAPESP. “Sem contar que São Paulo reúne os principais grupos de pesquisa que trabalham com materiais ferroelétricos”, aponta.
“Estamos falando de um investimento total, em um período de dois ou três anos, de cerca de US$ 1 bilhão, em uma fábrica que vai produzir para o mercado nacional e estrangeiro. Mas infelizmente ainda não houve grandes contatos da administração pública paulista com os dirigentes da empresa. Precisamos chamar a atenção das autoridades de São Paulo de que essa é uma possibilidade próxima e real”, disse o também professor do Instituto de Química de Araraquara da Unesp.
Tradição em materiais ferroelétricos
Segundo Varela, há pouco mais de um ano, Carlos Paz de Araujo o procurou para fazer uma consulta sobre a instalação de um empreendimento dessa natureza no Brasil. “Naquela época ele já havia dito que iria precisar de nosso apoio acadêmico para a transferência de tecnologias, treinamento de pessoal e indicação de recursos humanos para ocupar os cargos de pesquisa e desenvolvimento na indústria. O projeto avançou de tal modo que hoje eles inclusive já iriam definir os nomes de alguns diretores que irão liderar a indústria aqui no Brasil”, disse.
O CMDMC, que é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da FAPESP, conta com cerca de 18 teses de doutorado e dissertações de mestrado concluídas na área de materiais ferroelétricos, especialmente filmes finos para memória. São mais de 60 artigos científicos publicados pelo grupo de pesquisa em revistas nacionais e internacionais.
Calcula-se que a tecnologia de memória ferroelétrica (FeRAM) possa ser lida e escrita por cerca de cem trilhões de vezes, enquanto a memória magnética de um cartão comum só suporta algumas dezenas de milhares de vezes. “Esses cartões ferroelétricos têm duração indefinida, a não ser que ele seja quebrado ou perdido. Nele será possível guardar muito mais informação em um espaço bem menor”, compara Varela.
Élson Longo, diretor-geral do CMDMC, afirma que, com o anúncio da fábrica no Brasil, iniciou-se uma corrida por parte dos dirigentes governamentais e da comunidade científica de São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco para a instalação em seus respectivos estados.
“É possível que nos próximos dias um protocolo de intenções seja assinado entre a Symetrix e o governo do Rio de Janeiro, estado que já deu um passo à frente. A eventual instalação no estado fluminense não impediria as atividades do CMDMC na fábrica. Mas os pesquisadores e o poder público de São Paulo precisam se mobilizar para que ela possa ser construída aqui”, disse Longo à Agência FAPESP.
“As instituições paulistas de ensino e pesquisa têm longa tradição em pesquisa e formação de pessoal em áreas de alta tecnologia, principalmente nos estudos relacionados à nanotecnologia. Isso já seria suficiente para criar um ambiente propício à instalação desse tipo de indústria no estado”, complementa Longo.
Para discutir a possibilidade de instalação da fábrica em São Paulo, uma reunião com a presença dos investidores e dirigentes da empresa e de representantes da Secretaria de Desenvolvimento e do CMDMC será realizada na próxima terça-feira (22/1), na sede da secretaria, na capital paulista.
A instalação da indústria se beneficiará de um decreto presidencial relacionado ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Ciência e Tecnologia, que isenta de todos os impostos federais as empresas do setor de semicondutores, uma das quatro prioridades da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (Pitce) do governo federal.
A Symetrix Corporation foi fundada em 1986 na cidade de Colorado Springs, nos Estados Unidos. A empresa tem mais de 180 patentes na área de microeletrônica e as licencia para fabricantes no Japão, Coréia, Europa e Estados Unidos.
Brasil cobra do Japão promessa de fábrica de semicondutores volta
Compromisso de instalar unidade fez parte das negociações para escolha da TV digital
O Estado de São Paulo
Denise Chrispim Marin, BRASÍLIA
18/01/2008
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, cobrou ontem o compromisso do governo japonês de instalar uma indústria de semicondutores no Brasil. A promessa fez parte das negociações bilaterais que culminaram com a adoção do modelo japonês de TV Digital pelo País, em meados de 2006. Em dezembro passado, as transmissões digitais começaram em São Paulo. Mas, até o momento, não houve nenhum sinal sólido de Tóquio sobre o investimento na planta de semicondutores.
A cobrança veio no discurso de Amorim na abertura do Ano do Intercâmbio Brasil-Japão, no Itamaraty, quando falou também em nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E foi repetida durante seu encontro reservado com o vice-ministro de Negócios Estrangeiros do Japão, Hitoshi Kimura. “Confiamos que a fábrica de semicondutores possa ser instalada no Brasil e venha a completar a nossa parceria estratégica”, afirmou o ministro.
RETOMADA
Amorim destacou que as atuais conjunturas econômicas do Brasil e do Japão são bastante favoráveis para a retomada da parceria estratégica entre os dois países, que esmoreceu nos últimos 20 anos. O chanceler insistiu que essa parceria deve também se estender ao campo da segurança energética, em uma referência direta ao interesse brasileiro na exportação de etanol ao Japão.
Uma segunda advertência foi direcionada pelo ministro ao tratamento do governo do Japão aos mais de 300 mil brasileiros que vivem no país. Segundo o embaixador do Brasil em Tóquio, André Amado, os brasileiros no Japão não contam, efetivamente, com todo o apoio necessário. As principais dificuldades estão no aprendizado do idioma, na adaptação ao sistema educacional e na ausência de um acordo bilateral na área de Previdência Social.
“É muito importante ouvir que o Japão valoriza essa presença, assim como nós valorizamos a comunidade japonesa no Brasil”, afirmou Amorim, valendo-se de uma declaração anterior de Kimura sobre a importância da comunidade brasileira para a revitalização da economia japonesa.
“Estamos certos de que os brasileiros no Japão contarão com a mesma oportunidade de inclusão social que nós oferecemos aos japoneses que aqui chegaram”, afirmou Amorim.
Na cerimônia, o esperado improviso do presidente Lula foi substituído por dois emocionados relatos. Kokei Uehara, que lecionou por 54 anos na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e que preside a Associação para a Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, ressaltou que o Brasil lhe ofereceu os melhores professores.
“Fui puxar enxada e depois trabalhei com arado. Caminhava quatro quilômetros para ir e para voltar da escola. Levava uma toalhinha e me lavava no córrego antes da aula”, contou Uehara, que chegou ao Brasil com 6 anos de idade.
No segundo momento, o criador da Turma da Mônica, Mauricio de Sousa, entregou ao presidente Lula o desenho de seu novo personagem nipo-brasileiro, que será o mascote do centenário. Emocionado, Sousa lembrou que seus personagens foram sempre inspirados em pessoas da família. O mascote é uma “cópia” de Mauro, seu segundo filho com Alice Taketa.
Remédio para trombose está sob domínio público volta
O Estado de São Paulo
Felipe Werneck, RIO
18/01/2008
A 1ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região negou, por unanimidade, a prorrogação do prazo da patente do Plavix, medicamento do laboratório Sanofi-Aventis usado no tratamento da trombose arterial. Na prática, fica mantida decisão de primeira instância - a patente do remédio é de domínio público desde fevereiro de 2007.
Foi mais uma decisão favorável ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), que defende a data - 20 anos do primeiro depósito mundial desta patente, na França - como prazo final da vigência no Brasil.
O laboratório alega que os 20 anos deveriam ser contados a partir do depósito do pedido no País, dezembro de 1996. A Assessoria de Imprensa da Sanofi-Aventis afirma que a empresa vai “tomar todas as medidas cabíveis na defesa de seus direitos”. Ainda cabe recurso no Superior Tribunal de Justiça.
“A decisão é um marco jurídico. O que os laboratórios têm feito até hoje é tentar buscar via Judiciário o prolongamento do tempo de proteção das patentes”, declarou o vice-presidente da Pró-Genéricos (Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos), Odnir Finotti. Segundo ele, o custo do tratamento anual com Plavix é de R$ 3,3 mil. Com genéricos, o valor caiu em até 67%.
Desde agosto do ano passado, o laboratório comercializa no País um genérico do Plavix, o Clopidogrel, nome do princípio ativo. A empresa também informou que o “Plavix faz parte de um projeto mundial de genéricos, o Winthrop, implantado em 15 países”.
“É um fenômeno curioso. O que posso imaginar é que a empresa quer manter a reserva de mercado dos dois lados. Mas isso é especulação. Na verdade é uma pergunta para a qual ainda não descobrimos resposta”, disse Finotti. Segundo ele, atualmente existe o genérico “oficial” e mais um, além de outros três em fase final de registro.
Tribunal nega pedido de prorrogação de patente a fabricante de medicamento contra trombose volta
Mídia eletrônica: ABIPTI
www.abipti.org.br
18/01/2008
Na última terça-feira (15), um julgamento decidiu o destino da patente do medicamento Plavix, usado no tratamento da trombose arterial. A Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, correspondente aos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, que recebe os casos que envolvem propriedade industrial, decidiu, por unanimidade, negar o pedido do fabricante de prorrogação da patente do remédio. Com a decisão, outros fabricantes poderão continuar produzindo os genéricos da medicação.
De acordo com os desembargadores, a garantia de patente para o fabricante iria ferir o interesse público. Isso porque uma caixa do medicamento original custa, em média, R$ 260. Já os genéricos custam entre R$ 80 e R$ 110.
Mais informações, no site www.inpi.gov.br.
Pequenas e médias empresas investem em TI volta
Jornal do Commercio
18/01/2008
O investimento das pequenas e médias empresas em soluções de tecnologia da informação tem ganho um maior espaço dentro do planejamento anual e, segundo levantamento da consultoria americana AMI Research, as pequenas e médias empresas investiram cerca de US$ 241 bilhões em 2007 para ampliar sua infra-estrutura e serviços de TI e Telecom. Nesse montante incluem-se hardware, software e serviços. O volume representa crescimento de 6,5% sobre 2006.
Segundo Tadeu Fucci, presidente da Cimcorp, "atualmente existem inúmeras opções de acesso aos recursos de tecnologia da informação a um custo mais acessível e de forma adaptada às suas necessidades. Isto tem feito com que todos - pequenos, médios e grandes - tenham oportunidades iguais no mercado".
"As empresas de pequeno e médio porte já investem em TI para se tornarem mais produtivas para competir na economia global. Por este motivo, esse segmento tem apresentado um alto potencial de investimento em tecnologia da informação", afirma o executivo.
A empresa, fornecedora e integradora de produtos, serviços e soluções de tecnologia da informação e outsourcing, possui forte atuação entre as 500 maiores companhias do País, e prepara agora sua oferta para atender este nicho de mercado.
Investimentos
Para o presidente da Cimcorp, os serviços de gestão de TI voltados para as médias empresas prometem render bons frutos para a empresa em 2008. A expectativa da companhia é de que os contratos desta natureza atinjam cerca de 10% da sua receita total até o final de próximo ano. "Nossos mercados-alvo são os setores sucroalcooleiro e de agrobusiness, sobretudo as empresas localizadas no Norte, Nordeste, Sul do País e interior do Estado de São Paulo", revelou o executivo. Em 2007, já foram fechados mais de 20 contratos com companhias de médio porte, entre eles Fesp e Lojas Insinuante. A expectativa para 2008 é conquistar mais 50 clientes no segmento de middle market.
Uma das soluções mais demandadas pelo segmento de médias empresas é o de Gerência de Servidores e Rede (GSS), criada para melhorar a qualidade dos serviços prestados ao cliente final, além de garantir maior disponibilidade dos serviços de TI e realizar o gerenciamento pró-ativo de toda a infra-estrutura. Além deste serviço, a virtualização de servidores também permitirá o acesso das pequenas empresas às melhores tecnologias e às melhores práticas de negócios. "Através da virtualização, os pequenos não apenas competirão em igualdade de condições, como também poderão se integrar aos grandes", conclui Fucci.
Fundada em 1988, a Cimcorp é hoje uma empresa S/A de capital fechado, que tem como acionistas o BancBoston Capital, braço de investimentos private equity do FleetBoston Financial, o ABN AMRO Capital, subsidiária do ABN AMRO Bank, e os fundadores.