Quinta-feira, 10 de janeiro de 2008.
Comentários, dúvidas e sugestões:
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1. Brasil apresenta candidatura à Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI)
2. Inpi sugere padrão para marcas e patentes do Mercosul
3. Moda perde R$ 6 bi por ano com pirataria no Brasil
4. Fabricante de óculos chinês poderá usar a marca Windows
5. 5º Curso de Estruturação de Núcleos de Inovação Tecnológica
6. Brasil transfere produção para a Ásia
7. Tecido de bambu consolida presença nas passarelas
8. Philips dá um toque feminino na tecnologia
9. Capital sai em busca de empresas e projetos inovadores
10. Brasil substitui tecnologia importada para dessalinização de água
11. Nanofio de silício captura calor para gerar energia
12. Tecnologia made in Brasil
13. Marca Lapidada
14. O estilo corre o mundo
15. Pequenas Notáveis
16. A nova riqueza
17. Jim O’Neill : "Dos BRICs, o Brasil é o mais promissor"
Brasil apresenta candidatura à Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) volta
A eleição do novo DG da OMPI está prevista para setembro próximo, no contexto da reunião da Assembléia Geral da Organização.
Mídia eletrônica: Portugal Digital
http://www.portugaldigital.com.br
Da Redação
09/01/2008
Brasília - O Brasil lançou a candidatura de José Graça Aranha ao cargo de diretor-geral da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI). A eleição do novo DG da OMPI está prevista para setembro próximo, no contexto da reunião da Assembléia Geral da Organização, anunciou nesta quarta-feira (9) o Ministério das Relações Exteriores.
José Graça Aranha ocupou cargos naquela organização de 1993 a 1996 nas áreas de cooperação com a América Latina e Caribe e de Marcas e Desenhos Industriais. Desde 2004, o candidato brasileiro tem exercido o cargo de Diretor do Departamento de Registros Internacionais da OMPI.
No período de 1999 a 2004, Graça Aranha exerceu a presidência do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). "A trajetória profissional de José Graça Aranha tem sido marcada por domínio técnico do tema da propriedade intelectual e pela capacidade de construir consensos", realça a nota do Itamaraty.
A OMPI, com sede em Genebra, é Agência Especializada das Nações Unidas desde 1974 e constitui o principal foro internacional para as negociações multilaterais sobre o direito de propriedade industrial e intelectual.
A Organização administra mais de duas dezenas de tratados internacionais, alguns dos quais, como a Convenção de Paris (1883), sobre patentes e invenções, e a Convenção de Berna (1886), sobre direitos de autor, negociados há mais de cento e vinte anos e ainda plenamente relevantes.
Esses acordos sofrem atualizações freqüentes, minuciosamente negociadas entre Governos, e estabelecem o padrão mínimo de proteção a ser observado pelos Estados signatários por meio de suas legislações nacionais. O Brasil é membro fundador da Organização e signatário original dos seus tratados principais.
Inpi sugere padrão para marcas e patentes do Mercosul volta
Mídia eletrônica: Agência Estado
http://www.ae.com.br
10/01/2008
Rio - Os órgãos responsáveis pelos registros de marcas e patentes nos países do Mercosul pretendem harmonizar seus procedimentos e sincronizar seus trabalhos. "A idéia é produzir uma aproximação maior para que no futuro possamos ter marcas e patentes do Mercosul", disse o presidente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), Jorge Ávila, em palestra hoje na Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro(Amcham-Rio).
Pela proposta, os registros vão continuar sendo tirados e válidos apenas em cada país, mas a coordenação entre os órgãos aumentará. Isso abre a possibilidade de que o Inpi de cada país seja uma porta de entrada para encaminhar os processos aos demais países e obter o registro em todos eles simultaneamente, segundo Ávila.
As proposições são resultado de uma reunião entre os presidentes dos órgãos responsáveis por marcas e patentes de cada país que ocorreu em Montevidéu, na semana passada e serão avaliadas em reunião do subgrupo de indústria do Mercosul a ser marcada, mas com previsão para março.
Uma vez feita a harmonização no Mercosul, a idéia é ampliar isso para a América do Sul. Ávila comentou que está havendo um processo semelhante com a Comunidade Andina de Nações (CAN), o que deve facilitar o alcance do objetivo.
Agronegócio, bioenergia e biotecnologia
Com o potencial que o Brasil possui em áreas como agronegócio, bioenergia e biotecnologia, o País deveria debater a revisão de sua legislação de propriedade intelectual nesses campos. A opinião é do presidente do Inpi. Ávila não fechou questão em que a mudança deve ser feita, mas ressaltou acreditar que o tema deve ser debatido.
De acordo com ele, o Brasil dá o nível de proteção mínima à propriedade intelectual no campo de biotecnologia permitida por acordo internacional. A posição do País em relação a isso foi dada na década passada, orientada pela questão dos medicamentos na época em que o governador de São Paulo, José Serra, era ministro da Saúde e estava preocupado em garantir o direito ao licenciamento compulsório de remédios para doenças como a Aids.
"Devemos perguntar se é a melhor estratégia para um país que pretende ser líder em biotecnologia, agronegócio, bioenergia e biomateriais", disse Ávila na apresentação na Amcham-Rio. De acordo com ele, o problema é a possibilidade de esta baixa proteção à propriedade intelectual em biotecnologia tirar incentivo ao desenvolvimento de novas tecnologias e patentes na área.
Na apresentação, Ávila disse também que a licença compulsória para a produção de medicamentos tem o objetivo de reequilibrar as relações entre vendedor e comprador, em casos em que o vendedor tem grande poder, por exemplo, por ser um laboratório com o monopólio de determinado produto e o comprador é um governo obrigado por lei a comprar o tal item. "É um instrumento que é para não ser ou ser muito pouco utilizado, é para barganha. No Brasil, só foi utilizado uma vez", afirmou Ávila. (Adriana Chiarini)
Moda perde R$ 6 bi por ano com pirataria no Brasil volta
Mídia eletrônica: Sidney Rezende
www.sidneyrezende.com
Marcelo Abdenur
09/01/2008
Um dos líderes de pirataria do mundo, o Brasil também sofre as conseqüências dessa atividade na indústria da moda. Segundo a Associação Brasileira de Vestuário (Abravest), o setor perde cerca de R$ 6 bilhões por ano com cópias ilegais. Para o presidente do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), Jorge Ávila, a proteção das criações – seja com marcas, patentes ou desenhos industriais – é fundamental para que a cópia não destrua a confiança do consumidor na empresa.
“A pirataria acaba com o valor da marca”, diz Ávila. “O consumidor usa produtos de qualidade inferior, que afetam a imagem da marca original. Como a cópia tira da empresa o seu diferencial, ela desorganiza as relações comerciais, prejudica a formação de parcerias e dificulta o acesso ao mercado global”, completa.
Susana Serrão, coordenadora substituta de Desenho Industrial do INPI, destaca que, caso a marca não seja protegida, ela passa a ser de domínio público, tornando as cópias, apesar de não-autorizadas, lícitas – o que as tiram da esfera da pirataria. “O criador deixa de ganhar. Ainda há uma falta de conscientização em relação à propriedade intelectual no Brasil”, afirma Susana.
No entanto, ela destaca que, desde que o INPI adotou um novo e mais eficiente sistema de registro, em 1996, os números de registros no órgão vêm crescendo substancialmente a cada ano. Uma forte campanha adotada pelo INPI, a partir de 2002, para conscientizar as pessoas da importância da propriedade industrial também ajudou a impulsionar os números de registro a partir de 2003, segundo a especialista.
Em 2005, houve 5,142 depósitos de registro de desenho industrial (que englobam qualquer coisa ligada a desenho ou marca, desde cadeiras e roupas até carros). No ano seguinte, o número já subiu para 5,315 e, em novembro de 2007, o número já chegava a 4.917 (o total dos registros para este ano ainda não foi computado). São dados que revelam que, enfim, o Brasil começa a perceber a importância da propriedade industrial.
Fabricante de óculos chinês poderá usar a marca Windows volta
Mídia eletrônica: Folha Online
http://www1.folha.uol.com.br
da Efe, em Pequim
09/01/2008
Uma pequena empresa de óculos do sudeste da China venceu uma disputa com o gigante americano de software Microsoft, o que a permitirá vender na China óculos com a marca "Windows".
Cinco anos após iniciada a disputa, a Administração Estatal de Indústria e Comércio deu razão à empresa chinesa, fundada em 2001 e que primeiro figurou no registro de marcas com seu nome mandarim "Shichuang" ("Janela"), mas a partir de agora também poderá usar sua versão inglesa, informou a agência "Xinhua".
Além disso, em virtude da decisão tomada pelas autoridades, a empresa presidida por Bill Gates não poderia, em um caso hipotético e pouco provável, tentar vender óculos ou outros produtos oculares com o nome do Windows.
A empresa chinesa, com sede na cidade de Ningbo (província de Zhejiang), solicitou ao órgão estatal de marcas permissão para produzir e vender óculos com o nome do Windows por volta do ano 2003, e pouco depois recebeu um comunicado da Microsoft pedindo-lhe que se abstivesse disso.
A circular, assinada por advogados da Microsoft em Hong Kong, argumentava que os óculos Windows "prejudicariam os direitos da marca" do gigante do software.
A representante legal da firma chinesa, Wang Ping, respondeu a Microsoft que ao se tratar de setores comercialmente diferentes, não haveria tal prejuízo, por isso que apelou ao escritório de marcas, que cinco anos depois decidiu a seu favor.
A vitória da firma chinesa, que muitos na China achavam pouco provável, é "um fato muito significativo para as marcas" de cidades como Ningbo, um dos principais portos comerciais e industriais da China, segundo disseram representantes empresariais dessa localidade.
A site da companhia chinesa continua citando por enquanto só seu nome chinês, embora seu endereço eletrônico seja www.nbwindows.com.
5º Curso de Estruturação de Núcleos de Inovação Tecnológica volta
Mídia eletrônica: Agência Fapesp
http://www.agencia.fapesp.br
10/01/2008
Agência FAPESP – O 5º Curso de Estruturação de Núcleos de Inovação Tecnológica, organizado pelo Projeto InovaNIT da Agência de Inovação da Universidade Estadual de Campinas (Inova Unicamp), será realizado de 11 a 14 de fevereiro, no interior paulista.
Os interessados já podem fazer pré-inscrições até 23 de janeiro. O objetivo do curso é contribuir para a estruturação e desenvolvimento de Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs) em Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs).
“Institucionalização e organização de NIT”, “Estruturação de programas e atividades para os NIT”, “Gestão da Propriedade Intelectual”, “Comercialização de Tecnologias” e “Empreendedorismo” serão assuntos abordados.
O treinamento se destina preferencialmente a pessoas vinculadas a NITs e ICTs da região Sudeste do país.
Mais informações: www.inova.unicamp.br
Brasil transfere produção para a Ásia volta
Valor Econômico
Beth Koike, De Frankfurt
10/01/2008
A Teka tentou durante anos lutar contra os chineses, mas diante da força dos asiáticos e do dólar em queda, a tradicional fabricante brasileira de cama, mesa e banho decidiu se juntar a eles.
A Teka está fabricando uma parte de sua produção na China, Índia e Paquistão, países onde o preço FOB (produto já embarcado para exportação) é, em média, 50% menor, podendo em alguns casos chegar a 120%, quando comparado ao Brasil.
Para este ano de 2008, a previsão é que 8% do faturamento da Teka seja proveniente de produtos importados da Ásia. "Nossa meta é aumentar significativamente as importações, enquanto o dólar estiver nesse patamar", disse ao Valor Marcello Stewers, diretor de exportações e relações com investidores da Teka. O executivo participa da Heimtextil, a principal feira do setor de cam, mesa e banho e que abriu as portas ontem em Frankfurt.
A empresa tem fornecedores de toalhas de banho na China e de artigos de cama e mesa no Paquistão. Já os indianos produzem os três tipos de produtos para a Teka, porém são itens mais sofisticados. "Passamos seis meses escolhendo as empresas que iríamos trabalhar. Nossos parceiros têm certificações de qualidade e ISO (normas internacionais de padronização)", diz Stewers. Os principais países compradores dos produtos da Teka feitos na Ásia são o próprio Brasil e a Alemanha. Com a nova logística montada na Ásia, a empresa reinaugurou neste mês seu escritório em Stutgard, que possui ainda um depósito e showroom. A unidade de negócios ficou fechada entre 2003 e 2007. Atualmente, a Teka produz 2 mil toneladas por mês em suas quatro unidades produtivas, localizadas em Santa Catarina e São Paulo. Deste total, 25% são exportados. Em 2006, a o faturamento chegou a R$ 403 milhões.
Não é só a Teka que está aderindo a esse modelo de negócio. Outro exemplo é a Tecelagem São Carlos, que fabrica cerca de 400 toneladas de toalhas por mês e há cerca de dois anos tem um quarto da produção feita na Ásia. "Fazemos toalhas no Paquistão, Índia e Turquia. A diferença de preço varia de 15% a 18%", diz Eduardo Abdelnur, diretor comercial da São Carlos, que também possui escritório em Hamburgo há mais de 15 anos.
Diferentemente de sua concorrente, a São Carlos informa que quase não trabalha com os chineses. Mas, ontem, na Heimtextil o pavilhão mais movimentado, com grande número de visitantes fechando negócios, era o dos asiáticos, com destaque para a China.
O clima no pavilhão asiático é o de um grande mercado. Logo na entrada, uma paquistanesa faz tatuagens nos visitantes. O cheiro de comida se sobressai entre os corredores lotados de pequenos estandes com dezenas de produtos pendurados. Há também outros estandes gigantescos, que se assemelham a uma sofisticada tenda indiana. Há mais de 100 estandes de fabricantes da China. Apenas para comparação, há 23 expositores do Egito, 29 ingleses e apenas seis brasileiros - Teka, Buettner, Buddemeyer, São Carlos, Pictura e Atelier Aline & Junior -; além da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit).
A Karsten, que neste ano não está participando da Heimtextil, que termina amanhã, por causa da queda das exportações, também tem produção na Ásia. E, um dos planos da empresa catarinense, que desde 2006 é administrada por gestão profissionalizada, é ainda mais ambicioso. A idéia é no futuro ter uma unidade fabril em outro país, cujo custo seja mais acessível. "Primeiro queremos ganhar musculatura no mercado nacional e depois pretendemos abrir algo lá fora para ganharmos competitividade", disse Luciano Eric Reis, presidente da Karsten.
(A repórter viajou a convite da Messe Frankfurt)
Tecido de bambu consolida presença nas passarelas volta
Valor Econômico
Ana Paula Grabois, do Rio
10/01/2008
Com forte apelo ecológico, a malha feita a partir da fibra de bambu tem se consolidado no mercado das grifes brasileiras de moda. No Fashion Rio, diversas marcas aderiram ao material nas suas coleções de outono/inverno mostradas ao longo desta semana na Marina da Glória.
A Apoena, cooperativa de 600 bordadeiras que vivem no entorno pobre de Brasília, criada pela ONG Proeza, utilizou a fibra em 35% de suas peças. "Procuramos usar tecidos orgânicos, que usem menos produtos químicos e que tenham compromisso com o respeito ao meio ambiente", diz Kátia Ferreira, estilista da marca e diretora da ONG. A grife, que fez seu primeiro desfile na Fashion Rio, se destaca pelos bordados e acabamentos artesanais de boa qualidade.
"O bambu é rapidamente renovável e o tingimento da malha é natural", diz Kátia. Criada há quatro anos, a marca cresceu cerca de 30% em 2007 e tem atraído compradores estrangeiros, seduzidos pelo tom de brasilidade e pela produção artesanal. As exportações vão para França, Espanha, Kuwait e Arábia Saudita.
A Redley, marca carioca de moda jovem que desfila amanhã no Fashion Rio, é outra que aderiu ao bambu. "É um material mais ecologicamente correto, além de ter um caimento mais natural e de ter a propriedade de absorver a umidade do corpo", diz o coordenador de estilo da Redley, Jurgen Oeltjenbruns. A malha será usada em cerca de 40% da coleção feminina e em algumas peças masculinas.
Mais leve, a malha de bambu é ambientalmente mais correta do que seu similar, a viscose, feita a partir da madeira do eucalipto, cujo plantio causa erosão no solo e precisa de agrotóxicos para se desenvolver. Além disso, o bambu se renova mais rapidamente (cresce cerca de um metro ao mês), enquanto uma árvore de eucalipto demora cerca de dez anos até ser cortada.
O presidente da tecelagem Marles, Michel Korich, avalia que a demanda para este produto está em expansão, mas ainda restrita a um mercado mais sofisticado no Brasil, das grifes de moda. A empresa, pioneira no Brasil na fabricação da malha, começou a usar a fibra do bambu importada da China há três anos. No primeiro ano, a malha de bambu correspondia a 5% da produção total da tecelagem e hoje participa com 15% do volume fabricado. "Nosso objetivo é chegar a 30% do volume", disse.
Para o empresário, embora seja um material mais caro que a viscose, o tecido de bambu tem propriedades que atraem os consumidores, como filtro solar natural e ação bacteriostática.
Korich diz que o material passou recentemente a ser utilizado na confecção de lingeries e de roupas esportivas. Ele aposta na sua popularização. "As grifes lançam a tendência e depois acontece a massificação do produto. As novidades vêm com esse pessoal e com o tempo, conseguimos diminuir o custo", afirmou.
No Fashion Rio, que termina sábado, a malha de bambu também foi utilizada pelo estilista Victor Dzenk. Na próxima edição do São Paulo Fashion Week, na semana que vem, a malha de bambu será usada pelos estilistas Lorenzo Merlino, Wilson Ranieri e Priscila Darolt.
Philips dá um toque feminino na tecnologia volta
Valor Econômico
Claudia Facchini
10/01/2008
A Philips quer dar um toque feminino ao que até agora parecia ser um território predominantemente masculino, o mundo da tecnologia. "As mulheres compram 40% dos aparelhos eletrônicos de consumo, um mercado que movimenta US$ 200 bilhões por ano. Considerando a influência das mães na decisão de compra, esse percentual supera 50%", diz Andrea Ragnetti, recém-nomeado CEO para a nova divisão de "estilo de vida" da multinacional holandesa.
A divisão reúne as áreas de eletroportáteis, cuidados pessoais (depiladores e barbeadores) e produtos de som e imagem. A ascensão de Ragnetti, que antes ocupava o cargo de executivo-chefe de marketing do grupo, faz parte dos esforços da Philips em se tornar uma empresa 100% voltada ao consumidor final. "A Philips é hoje uma empresa verdadeiramente orientada para o marketing", disse ele, no domingo, na Feira de Produtos Eletrônicos de Las Vegas, o maior evento de tecnologia do mundo.
Entender as mulheres e desenvolver produtos que agradem a elas também fazem parte do conceito "senso e simplicidade", cartilha criada pela Philips há cerca de dois anos e que passou a nortear as estratégias da companhia. No Brasil, a Philips seguiu o mesmo caminho ao nomear no ano passado Paulo Zottolo, ex-executivo da Nivea, umas das maiores fabricantes de cosméticos do mundo, como o CEO para a América Latina.
Segundo Ragnetti, as mulheres influenciam a aquisição até mesmo de produtos que aparentemente seriam voltados para o público masculino, como barbeadores elétricos. Em quase 50% dos casos, são elas que escolhem o aparelho. Para seduzi-las, a Philips criou uma linha dirigida exclusivamente para mulheres, como um "pen-drive" (dispositivo portátil para arquivar dados) em forma de cadeado com cristais Swarovsky. "É um ótimo presente para o Dia dos Namorados", brincou Ragnetti.
A marca holandesa, a maior fabricante de produtos eletrônicos de consumo da Europa, também investe em design minimalista e em produtos sem fio. Ragnetti mostrou em Las Vegas a nova TV da Philips, batizada de Ambisound, que possui um sofisticado e potente sistema de som invisível e que dispensa as caixas do "home theater". A nova linha é uma evolução da Ambilight, cuja maior inovação foi o uso de luzes fora da tela da TV e que potencializam a sensação visual das imagens. "O futuro para os eletrônicos de consumo é azul", disse Ragnetti. Para a Philips, o futuro também promete ser cor-de-rosa.
A repórter viajou a convite da Panasonic
Capital sai em busca de empresas e projetos inovadores volta
Mídia eletrônica: Inovação Tecnológica
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Thiago Romero
Agência FAPESP
09/01/2008
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está selecionando pequenas e médias empresas inovadoras para receber recursos de seu Programa de Capital Semente (Criatec). A estimativa é que pelo menos 50 empresas recebam R$ 80 milhões nos próximos quatro anos.
Capital semente
Criado em janeiro de 2007, o Criatec, que tem agora sua primeira chamada, é um fundo de investimentos de capital semente, ou seja, destinado a apoiar negócios emergentes em estágio inicial e com grande potencial de crescimento, muitas vezes ainda dentro de incubadoras vinculadas a universidades e institutos de pesquisa. As empresas selecionadas não terão que aportar contrapartida aos recursos investidos, mas o BNDES assumirá uma porcentagem do negócio contratado.
"Os recursos serão investidos com perspectiva de rentabilidade. É como se o banco entrasse como sócio da empresa e, para isso, assumisse parte do risco que envolve todo empreendimento no início da curva de crescimento", disse Pedro Duncan, chefe do Departamento de Investimento em Fundos do BNDES, à Agência FAPESP. "O termo semente se caracteriza pelo fato de que aportaremos recursos em novas oportunidades que podem estar, inclusive, no campo das idéias."
Portadores de futuro
Os projetos de inovação tecnológica contratados devem contemplar os seguintes setores, chamados pelo fundo de "portadores de futuro": Tecnologia da Informação, Biotecnologia, Nanotecnologia, Alimentos, Fármacos, Agronegócios, Novos Materiais e Mecânica de Precisão.
A Antera Gestão de Recursos, no Rio de Janeiro, e o Instituto de Inovação, em Belo Horizonte, são as instituições contratadas pelo BNDES para gerir os recursos do novo fundo. As empresas serão escolhidas por meio de gestores regionais instalados em seis cidades, que também serão responsáveis pelo desembolso do investimento e do monitoramento das aplicações do fundo.
Pólos de inovação
As cidades são Florianópolis, Campinas, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza e Belém. As empresas devem estar localizadas a até 200 quilômetros desses municípios, considerados pelo programa como os pólos de maior inovação no país. Duncan explica que, mesmo que o empreendedor ainda não tenha uma empresa formalizada, é possível submeter uma oportunidade para avaliação.
Empresas nascentes
"Pelo risco envolvido nesse tipo de operação, o BNDES entende que investir em empresas nascentes também deve ser papel do Estado, pelo menos nesse primeiro momento, visando ao aumento da competitividade na indústria nacional. Essa é a melhor oportunidade que temos atualmente para conseguir tornar realidade o conjunto de novos empreendedores que estão surgindo no país", destacou.
"E esse tipo de fundo, operado em parceria com pequenas empresas inovadoras, é algo extremamente inovador em termos nacionais. Trata-se de um novo modelo de negócios que estamos tentando introduzir na indústria nacional, levando em conta o alto potencial de inovação das micro e pequenas empresas brasileiras", disse Duncan.
Empresas e projetos inovadores
As empresas interessadas podem submeter propostas e modelos de negócio para negociação junto ao BNDES por meio da seção Envio de Oportunidade, no site do Criatec.
Segundo Duncan, as primeiras empresas deverão começar a receber parcelas dos recursos no fim de janeiro. "Já temos quatro oportunidades sendo analisadas pelo comitê de investimentos do fundo. E, se o BNDES reconhecer que os primeiros R$ 80 milhões foram aplicados de forma bastante profícua, poderá lançar fundos dessa mesma natureza nos próximos anos", explicou.
De acordo com as regras do Criatec, cada empresa poderá receber até R$ 1,5 milhão em quatro anos.
Brasil substitui tecnologia importada para dessalinização de água volta
Mídia eletrônica: Inovação Tecnológica
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Antonio Arrais
Agência Brasil
10/01/2008
O Brasil poderá substituir em breve, em escala industrial, o material importado que é usado no processo de dessalinização de água salobra para o fornecimento de água doce ou potável a comunidades carentes na região do Semi-Árido nordestino.
Membrana de fibras
Para isso, pesquisadores do Laboratório de Referência em Dessalinização (Labdes) da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), na Paraíba, desenvolveram um tipo de membrana, feita com fibras ocas, para dessalinizar a água retirada de poços artesianos. O projeto está em fase de consolidação para atingir, em 2008, o patamar de escala industrial.
O grupo de pesquisadores é coordenado pelo professor Kepler França, responsável pelo projeto de substituição do material importado pelo congênere nacional, desenvolvido desde agosto de 2004, em parceria com a Coordenação dos Programas de Pós-graduação de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Autonomia nacional
A pesquisa, segundo dados do CNPq fornecidos a partir de informações do professor Kepler França, "buscou estudos que favorecessem a situação de emergência para uma autonomia nacional, em termos de equipamentos necessários, principalmente no caso das membranas para dessalinizadores".
Kleper França disse, por intermédio do CNPq, que foram estudados critérios "para viabilizar um maior acesso e a redução de custos das soluções técnicas já postas em vigor para o fornecimento de água potável a comunidades inseridas na região do semi-árido brasileiro, em especial no Nordeste".
Osmose inversa
O processo desenvolvido pelo Labdes, explicou o professor, leva em conta uma tecnologia que possa ser adaptada às condições locais de cada região, tanto econômicas como socioculturais. Nesse caso, acrescenta, "o processo por osmose inversa tem sido o mais viável e utilizado em diversos países, desde o final da década de 1960".
Nessa opção, em que a membrana obtida por meio de fibra oca é o material em fabricação na Paraíba que visa substituir o congênere importado, segundo o professor, os poços são perfurados na região e a água, geralmente salobra e de baixa qualidade, é retirada e submetida ao processo de osmose inversa por membrana.
O processo consiste, fundamentalmente, em pressurizar a água salobra, fazendo-a circular na superfície de membranas seletivas, acomodadas em módulos e que praticamente só deixam passar a água pura. O sal que sobra no processo é recolhido para descarte ou aproveitamento posterior, por exemplo, em tanques de criação de peixes.
Mortalidade infantil
O professor afirma que a conseqüência mais positiva é que a dessalinização da água salobra, transformada em água doce ou potável, pode trazer para a saúde, em especial para o combate à mortalidade infantil na região do Semi-Árido nordestino.
O município paraibano de Serra Branca, onde está centralizada a pesquisa, tem um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,662 e ocupa a 3.567ª posição no Brasil. Lá é alto o índice de mortalidade infantil: de cada mil crianças nascidas no município, 44 morrem antes de completar um ano de idade.
"Com esse projeto alcançamos impactos significativos na área de saúde e para a melhoria da qualidade de vida, com o consumo de água de boa qualidade, conseqüentemente contribuindo para a redução da mortalidade infantil e o combate ao baixo nível de desenvolvimento humano, social e econômico", disse o professor Kleper França.
Semi-árido
Os dados e necessidades relativos à cidade de Serra Branca, segundo o coordenador da pesquisa, "são também um reflexo do que ocorre em diversos municípios do Semi-Árido brasileiro, revelando a necessidade urgente de melhoria de qualidade de vida da população dessas regiões".
Ainda segundo os dados do professor Kleper França, repassados pelo CNPq, na década de 1990, com os avanços tecnológicos e os programas oficiais de apoio a municípios afetados pela seca, montadoras nacionais viabilizaram melhorias para as unidades de dessalinização, aproveitando a água salobra de poços já perfurados e transformando as unidades para capacidades de porte médio, de 2 mil a 5 mil litros por hora, mas usando tecnologia importada.
Nanofio de silício captura calor para gerar energia volta
Princípio poderá ser usado para evitar perda energética na queima de combustíveis
Dois grupos nos EUA usam truques nanotecnológicos para mudar propriedades do material, aumentando em cem vezes sua eficiência
Folha de São Paulo
DA REDAÇÃO
10/01/2008
Um material barato, abundante e fácil de manipular pode ser, no futuro, uma arma poderosa contra o aquecimento global. Pelo menos é o que prometem dois grupos de cientistas dos EUA, que conseguiram usar fios de silício para produzir energia a partir de calor.
Seus experimentos, diga-se de saída, ainda estão muito longe de qualquer aplicação prática. Mas os pesquisadores esperam que os chamados nanofios de silício possam ser usados em dispositivos que capturem o calor desperdiçado na geração de energia por combustíveis fósseis. Que não é pouco: até 70% da energia produzida por dispositivos que queimam carvão, petróleo e gás natural é dissipada em forma de calor.
"Nós não podemos aumentar a eficiência da geração de energia, mas podemos recuperar o calor dissipado", disse à Folha o engenheiro chinês Peidong Yang, da Universidade da Califórnia em Berkeley. Se todo esse calor pudesse ser capturado e convertido em eletricidade, estima o cientista, o mundo ganharia de lambuja, por ano, 15 terawatts. É o equivalente ao que toda a humanidade consumiu de energia em 2004. Isso poderia reduzir o ritmo de consumo de combustíveis fósseis, principais causadores do aquecimento anormal da Terra.
Yang diz não saber quanto do calor poderia ser recuperado no final. Mas, em dois estudos publicados na edição de hoje da revista "Nature", ele e o grupo de James Heath (do Instituto de Tecnologia da Califórnia) apresentam a primeira prova de que isso pode ser feito.
O que os dois grupos fizeram foi transformar o silício em um material termoelétrico. Esse tipo de material tem propriedades físico-químicas que permitem a conversão de calor em uma corrente elétrica ou vice-versa. Sua eficiência é dada por um índice chamado ZT, ou "número de mérito".
Embora o efeito termoelétrico seja conhecido há muito tempo, até hoje ninguém conseguiu um material termoelétrico eficiente o bastante para funcionar em escala comercial. Para serem usados na prática, esses materiais precisam ter um número de mérito maior que 1. Os únicos em uso hoje são semicondutores caros e feitos de materiais exóticos.
O silício é um material semicondutor barato e abundante -usado em chips de computador mundo afora. O problema é que sua eficiência é baixíssima, cerca de um centésimo do que seria necessário para que tivesse alguma utilidade.
Isso porque os materiais termoelétricos precisam esquentar devagar para que possam conduzir eletricidade (veja quadro à esq.). Já o silício é um excelente condutor de calor; como esquenta depressa, ele foi durante 60 anos considerado imprestável para a função.
Mudança de hábito
Yang e Heath descobriram um jeito de contornar esse problema: basta explorar as propriedades bizarras do mundo nanotecnológico.
Na escala dos nanômetros (o diâmetro de um fio de cabelo é 50 mil vezes maior que um nanômetro), os materiais sofrem alterações em seu comportamento. Ao reduzirem o silício a fios de 20 nanômetros de espessura e acrescentarem a eles algumas impurezas, por exemplo, os cientistas conseguiram impedir o fluxo de calor. "O fluxo de elétrons também sofre redução, mas pequena", disse Yang. No fim das contas, seu grupo conseguiu aumentar o índice ZT do silício de 0,01 para 0,6. Heath foi mais longe: conseguiu aumentar a eficiência em cem vezes, de 0,01 para 1.
Ainda não é a salvação do futuro energético do planeta. Mas o salto nanotecnológico anima os cientistas. "Se conseguirmos um ZT de 3, poderemos substituir todas as geladeiras domésticas", diz o chinês. Bastaria aplicar uma corrente a um material termoelétrico para que ele esfriasse, sem o uso de motores ou gases.
"Não tocamos nisso no estudo porque todo mundo hoje só fala em energia", brinca Yang.
Tecnologia made in Brasil volta
Isto é Dinheiro
Edição 0536
JOÃO PRADO
07/01/2008
Do flex às urnas eletrônicas - confira as inovações que podem impulsionar as exportações em 2008
O BRASIL CONTINUA a ser um forte exportador de produtos básicos. Mas, de tempos em tempos, uma tecnologia de ponta surge por aqui e rapidamente ganha o mercado externo. O sistema bicombustível para automóveis, a urna eletrônica, entre outros, podem ser destaques na pauta de exportação em 2008. “O Brasil precisa explorar esses nichos em que se destaca pelo avanço tecnológico”, afirma Djalma Petit, coordenador da Softex (Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro). A Bosch, uma das pioneiras no desenvolvimento do sistema flex, pode ser uma das empresas a abrir portas no mercado externo. “Lembro que há quatro anos poucas pessoas apostavam no álcool. Hoje, pela nossa qualidade, já atraímos o interesse de outros países”, explica Fábio Ferreira, diretor da Bosch. As exportações da companhia, para países como França e Suécia, já representam 4% das receitas de R$ 3,7 bilhões da empresa. “O flex será cada vez mais global”, aposta Ferreira.
Outro exemplo é a Embrapa. O laboratório de desenvolvimento agrícola aposta na nanotecnologia (dispositivos de tamanhos minúsculos e com alta capacidade de processamento) para tornar a agricultura brasileira mais competitiva lá fora. Com investimentos de R$ 4 milhões, a Embrapa será responsável por inserir o Brasil no mercado de tecnologia voltada para a agricultura, estimado em US$ 100 bilhões. “Estamos investindo em tecnologia de ponta para o agronegócio”, diz Luiz Henrique Mattoso, da Embrapa. Uma das primeiras novidades é a chamada “língua eletrônica”, um aparelho que ajuda os degustadores de café no mundo na seleção prévia dos diversos tipos da bebida. Em 2008, o governo federal ainda pretende exportar urnas eletrônicas para países como EUA e Alemanha. Antes, porém, terá de resolver um impasse. “Fechamos um contrato com a República Dominicana, mas fomos impedidos de exportar pelo governo, que entendeu ser dono das máquinas. Espero que essa situação se resolva rapidamente”, conta Carlos Rocha, diretor da Samurai, fabricante brasileira de urnas eletrônicas.
Marca Lapidada volta
Isto é Dinheiro
Edição 0536
07/01/2008
Como a H.Stern se transformou na joalheria mais globalizada do País, com loja até no longínquo Cazaquistão, e aonde a empresa pretende chegar
Faz parte do nosso DNA ser criativo, buscar o novo, surpreender. Nos anos 90, mais precisamente entre 1991 e 1994, fizemos um projeto piloto, que a princípio era restrito para a região de São Paulo. Mudamos todo o perfil dos produtos da H.Stern, introduzimos coleções de jóias com nomes de batismo e fomos o primeiro joalheiro no mundo a fazer isso. Hoje em dia, todo mundo dá nomes às suas jóias, mas, naquela época, chamar um colar de Sofia ou Victoire era algo totalmente diferente. Ao lançar coleções, nossa idéia era mostrar que um determinado desenho, quando “endossado” pela empresa, possibilitava mil variações. Até então, a indústria joalheira lançava sets de, por exemplo, brincos e colar combinados entre si. Mas fomos além. Criamos coleções em que todas as jóias “conversavam” entre si. Cada coleção tinha sua inspiração, sua individualidade e ganhava inúmeras variações, sempre seguindo o mesmo estilo. No início, perguntavam se queríamos nos equiparar ao ramo do vestuário, que era de onde fizemos o benchmarking. Mas não era nada disso. Não tínhamos intenção de vender a coleção inteira para o cliente, nem obrigá-lo a comprar mais de uma peça da mesma coleção e muito menos descontinuar a coleção tão logo acabasse a estação.
De forma intuitiva saímos de uma posição de varejista para nos tornar uma marca. Naqueles anos falava-se pouco em “branding”, palavra da moda de hoje. Investimos pesadamente em marketing, na construção da marca, na reformulação do produto e em design. Investimos nas lojas e na forma de apresentar os produtos nas vitrines. Investimos em treinamento, principalmente na área de vendas, com cursos que desembocaram na criação da Universidade H.Stern. Entre 1995 e 1998, foi feita uma verdadeira r(evolução) e os conceitos até então aplicados só no Brasil foram adotados nas lojas da H.Stern no mundo inteiro.
A H.Stern já atuava de forma internacional desde 1950 (meu pai nasceu cego, enxergava bem pouco com um olho só, mas tinha enorme visão de futuro e criou uma rede internacional antes que a globalização fosse algo importante), mas faltava coordenação de marca. Foi a partir daí que passamos a ter visibilidade, que conquistamos celebridades internacionais e que o público em geral passou a sentir que fazíamos algo que ninguém havia feito no mundo da joalheria.
Anos depois, em 2003, para crescer internacionalmente, passamos a participar de feiras internacionais e a vender através de pontos de terceiros, como Neuman Marcus, Saks Fifth Avenue, Harrod’s e Selfridges, entre outros. A expansão nos levou a países que provavelmente nunca chegaríamos com lojas próprias, como o longínquo Cazaquistão. 2007 foi um ano de expansão também, mas ao mesmo tempo de altos e baixos no quesito infra-estrutura. É com este foco que passo a gerir a empresa nos próximos dois anos.
O Brasil, em termos de logística, se tornou uma Austrália. Estamos longe da China, uma viagem até lá leva 36 horas e é um tremendo esforço de tempo e dinheiro. Os europeus têm vôos diretos de oito horas e mesmo de NY existem vôos diretos. Com o grandioso momento macroeconômico que o País atravessa, estamos tendo enormes saldos na balança comercial (exportando commodities) e um fluxo de investimentos, pois o Brasil se tornou atraente como pouso para o excesso de capital que existe no mundo. Indústrias como a construção civil estão sem cimento, sem energia, sem engenheiros.
A H.Stern, em 2008, investirá em aumento da capacidade produtiva no País, apesar de todas as dificuldades. Vai frear a expansão por falta de infra- estrutura de recursos humanos. O pleito é que haja menos legislação e que se pense nos tristes casos de países onde há muito petróleo, mas o povo é pobre. Sou filho de imigrantes e aprendi que a única coisa que não se pode perder é a educação. Temos que investir na capacitação intelectual dos nossos recursos humanos e a empresa é um veículo, não o único, para tal.
ROBERTO STERN Presidente e diretor de criação da H.Stern
O estilo corre o mundo volta
Isto é Dinheiro
Edição 0536
CARLOS SAMBRANA
07/01/2008
O que as empresas - e os empreendedores - do setor de luxo têm a ensinar para aqueles que pretendem criar grifes globais a partir do Brasil
BRASIL, COM MAIS de 8,5 milhões de quilômetros quadrados e uma população de 186 milhões de habitantes, ficou pequeno. Pelo menos, para grifes nacionais como Rosa Chá, Lilica Ripilica, Schutz, Arezzo, O Boticário e Natura, entre outras. De carona na globalização, elas estão desbravando os mercados internacionais e conquistando respeito no Exterior. E não é pouco. De acordo com a Apex, agência de fomento às exportações do governo brasileiro, as empresas de moda, jóias e cosméticos exportaram US$ 1,3 bilhão de janeiro a outubro de 2007.
“Estamos trabalhando a imagem das marcas brasileiras nos mercados prioritários e formadores de opinião como Estados Unidos e França”, diz Silvia Lima, gestora de projetos de moda da Apex. Mais do que vender no Exterior, as grifes sabem o quanto é importante estar nos principais centros de consumo do mundo. “O nosso objetivo é construir marcas”, diz Giuliano Donini, diretor de marketing da Marisol, empresa que é dona da grife de roupa infantil Lilica Ripilica e da marca de biquínis Rosa Chá.
Além de ter 21 lojas espalhadas pela América Latina, Europa e Estados Unidos, a Marisol inaugurou recentemente um ponto-de-venda da Lilica Ripilica na Via della Spiga, um dos endereços mais nobres de Milão, e, em 2008, vai inaugurar uma loja da Rosa Chá em Manhattan. Hoje, as exportações representam 8% do faturamento de R$ 400 milhões. “Nos últimos dois anos investimos US$ 5 milhões no mercado externo”, diz Donini. A Schutz, empresa recém-incorporada ao grupo Arezzo, é outra que percebeu a importância da construção de marca e ganhou o mundo. Em 2001, quando a grife passou a exportar, as vendas para outros países somavam US$ 1 milhão por ano. Em 2007, elas atingirão US$ 35 milhões. “São 1,2 milhão de pares de sapato”, diz Alexandre Birman, vice-presidente da Arezzo. Para desbravar o mercado, o empresário participou de feiras internacionais e investiu em showrooms em suítes presidenciais de hotéis cinco-estrelas. Hoje, a Schutz pode ser encontrada em templos de consumo, como Galeria Lafayette, na França; e Harrod’s, na Inglaterra.
A Arezzo, a outra grife do grupo, que já possui duas lojas em Portugal e quatro na Venezuela, tem nas mãos um ambicioso plano de expansão. A companhia acaba de assinar um acordo com uma cadeia varejista da China para abrir cerca de 207 lojas em cinco anos naquele país. Além disso, outros 93 pontos-de-venda serão inaugurados nos Estados Unidos, Europa, África do Sul e Oriente Médio. “Estamos estruturando o processo de internacionalização.” Enquanto o processo de expansão da Arezzo ainda é embrionário, empresas como H.Stern (ver artigo na página 62), O Boticário e a Natura são veteranas. O Boticário começou a internacionalização há 21 anos e hoje possui uma rede com 1166 pontos-de-venda espalhados em 20 países. A companhia está presente em 1047 lojas multimarcas, tem 70 lojas e mais 49 quiosques com a própria marca. “Só no Japão temos 470 pontos”, diz Roberto Neves, diretor da área internacional de O Boticário. A Natura, outra gigante do mercado de cosméticos, começou a exportar para o Chile, em 1982, mas a empresa aumentou sua participação de mercado a partir de 2000. A companhia estruturou a operação, lançou programas de incentivo para os 96 mil consultores espalhados pela Argentina, Chile, Peru, Colômbia e Venezuela e, em 2006, inaugurou uma loja em Paris para expor a marca na cidade. Em pouco tempo os resultados apareceram. Se em 2005, a empresa faturou US$ 92,6 milhões com as exportações, em 2006, ela alcançou US$ 133,6 milhões. “Está claro que o mercado externo é onde a Natura tem muito a crescer”, diz Pedro Villares, diretor de operações da Natura para a América Latina. Um fator decisivo nessa expansão é o trabalho da marca. “A Natura é um ícone em construção de imagem”, diz Silvia Lima, da Apex. “Eles vendem o que está fazendo sucesso no Exterior, a sustentabilidade.”
Pequenas Notáveis volta
Isto é Dinheiro
Edição 0536
07/01/2008
Persistência, planejamento e capacidade para entender hábitos culturais. Essa é a receita das pequenas e médias para atuarem no Exterior
EDILENE GRAVIA, diretora e filha dos fundadores do grupo Gravia, tem um probleminha pela frente. Fabricante de portas e janelas de aço, a empresa, com faturamento anual de R$ 150 milhões, está prestes a desembarcar na África e no Oriente Médio. Mas, para isso, vai ter de encarar uma saia-justa e tanto. Nos países árabes, a mulher raramente senta na mesa para negociar acordos comerciais com os homens. O Alcorão, livro religioso muçulmano, não as proíbe de trabalhar, desde que o marido dê permissão. Coisas como barganhar e falar de contratos, nem pensar. Para quem está tentando ganhar a confiança alheia, qualquer detalhe faz diferença. “Estou pensando em entrar em outros países e, depois, partir para lá. Talvez com o apoio de um executivo nas negociações. Mas a gente não vai desistir fácil”, diz ela. A persistência e o conhecimento do mercado onde se pretende atuar são fundamentais para o sucesso de companhias de médio e pequeno portes no Exterior. Dados do governo federal mostram que cresceu a participação dos pequenos empreendimentos nas exportações totais do País em 2007. Já os grandes negócios sofreram um encolhimento.
Há mais gente buscando o mercado internacional. Até junho, 388 novas empresas nacionais de portes pequeno e médio começaram a exportar, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Isso equivale a duas novas companhias por dia. Não se trata de um frenesi temporário. Essa turma foi para fora em tempos de câmbio valorizado, recebendo menos reais por dólar “Há um processo de formação de múltis brasileiras de médio porte no Exterior que não nasce em cima de decisões oportunistas, e sim de um plano sólido de expansão de um negócio, de uma marca”, diz Michel Alaby, consultor da Qualilog Consulting. Foi assim que o Café do Centro abriu em setembro sua segunda loja no Japão. E planeja mais três ou quatro unidades em 2008. Em dez anos, serão 100 pontos-de-venda na Ásia. Com clientes nos EUA e França, atualmente 15% do faturamento de R$ 300 milhões vem das vendas no Exterior. “A meta é chegar a uma taxa de 40% nos próximos anos”, diz o sócio Rafael Branco Peres.
O sucesso é reflexo de um casamento que deu certo. Em 2001, um grupo de investidores japoneses veio ao Brasil para visitar parceiros. A conversa avançou e o negócio foi fechado – metade da operação é de investidores locais. Jointventures funcionam como uma porta de acesso direto aos consumidores estrangeiros. A cearense Sucos Jandaia decidiu fazer esse mesmo caminho. Ela fechou parceria com um empresário francês para iniciar a venda de produtos marca própria ao Iraque e Senegal a partir de 2008 e ainda faz, em janeiro, a primeira entrega à Jordânia. Desde 2003, quando começou a exportar, a Jandaia já produz itens marca própria para cinco atacadistas dos EUA. Neste ano, as exportações subiram 30% em valor e serão responsáveis por 5% do faturamento. “A gente só cresce porque isso é foco para nós. Há planejamento e muita perseverança”, diz Veronica Freitas, gerente de exportação da Jandaia. Para o negócio decolar, a companhia precisou, antes de tudo, convencer os estrangeiros da qualidade do produto. Foi a mesma receita utilizada pela família Saccaro, dona da fabricante de móveis de mesmo nome. Presente em 28 países, a companhia fechou neste ano acordos de entrega para a Inglaterra, Irlanda, África do Sul, Guatemala e El Salvador. Deve começar a exportar para a Austrália em 2008. Cerca de 25% da receita total virá da exportação neste ano. Em 2006, era de 15%. “O Brasil não é referência nesse setor, então, tudo fica bem mais complicado. É preciso uma enorme dose de paciência”, diz Luis Paulo Guarnieri, gerente de exportações da Saccaro.
A nova riqueza volta
Isto é Dinheiro
Edição 0536
07/01/2008
Hoje, um dos componentes fundamentais da formação de valor está no conhecimento, na criação de novos produtos e novos equipamentos
Quando o Brasil começou, sua riqueza vinha da terra, propícia para a canade- açúcar, depois o ouro, o café, o algodão. Bastavam a terra e a mão-de-obra escrava. O africano descia do navio negreiro, recebia uma enxada – que não conhecia – e, com a força de seus braços, começava a produzir riqueza. Mais tarde, a industrialização exigiu qualificação do trabalhador livre. O nordestino descia em São Paulo apenas sabendo ler e logo aprendia a arte de pedreiro ou um ofício de operário metalúrgico. Bastava ter mãos treinadas para criar riqueza.
Porém, as coisas mudaram nas últimas décadas. Em vez de operários que usam mãos treinadas, a economia exige o operador, que usa os dedos em equipamentos digitais, e que precisa ter recebido formação educacional.
Para ter familiaridade com a operação dos novos equipamentos digitalizados, não basta que o novo trabalhador tenha somente habilidade manual, ele precisa ter um mínimo de conhecimentos de informática, de inglês. Aos poucos, os operários e o proletariado vão cedendo lugar aos operadores, uma nova classe de trabalhadores qualificados, sem os quais a economia não funciona. Mesmo a mão-de-obra mais simples, como os encarregados da limpeza do chão das fábricas, será em breve substituída por máquinas robotizadas, manejadas a distância por operadores altamente especializados.
A educação passou a ser fator determinante do processo produtivo e do sistema de garantia de emprego. Também de distribuição da renda, visto que nem o emprego nem o salário existirão sem qualificação. Hoje, a sociedade brasileira tem uma imensa massa de desempregados, enquanto a economia brasileira tem um acervo enorme de vagas não preenchidas, por falta de operadores qualificados. A economia emperra pela falta de educação de qualidade.
Há um fato ainda mais grave. Mesmo quando produz, a economia não gera mais a riqueza integral, porque o valor dos produtos não é mais a soma dos fatores tradicionais: mão-de-obra, capital, matéria-prima. O fator fundamental na geração de riqueza e do valor dos produtos está no conhecimento que inventa os produtos e os equipamentos que os produzem.
No início da nossa economia, o valor da saca de açúcar dependia do custo dos escravos, do valor da terra, do transporte e da remuneração do pouco capital. Com exceção do transporte em navios estrangeiros, a riqueza ficava aqui. Hoje, um dos componentes fundamentais da formação de valor está no conhecimento, na criação de novos produtos e novos equipamentos.
Quando um brasileiro compra um remédio fabricado no Brasil, a maior parte do valor vai para os cientistas do laboratório que patenteou a fórmula e para os tecnólogos que desenharam os equipamentos automáticos que o produzem. Em um consultório médico, parte substancial da renda vai para os fabricantes que criaram os equipamentos utilizados.
A ciência e a tecnologia que geram valor saem de centros de pesquisa, que têm origem no ensino superior, o qual só terá qualidade se o País tiver educação de qualidade para todos, até o final do ensino médio. Não haverá futuro para a economia que desperdiça o mais importante recurso da modernidade: os cérebros da sua sociedade. Cada criança deixada para trás por falta de educação é um recurso que ficará perdido, emperrando a economia por falta de operadores ou impedindo-a de avançar por falta de capital-conhecimento.
A nova riqueza nacional é produto do acúmulo da educação, e sua distribuição depende da educação de cada pessoa.
CRISTOVAM BUARQUE Senador pelo PDTDF, foi ministro da Educação entre janeiro de 2003 e janeiro de 2004
Jim O’Neill : "Dos BRICs, o Brasil é o mais promissor" volta
Isto é Dinheiro
Edição 0536
LEONARDO ATTUCH
07/01/2008
Aquilo que os ingleses chamam de insight e aqui se traduz como uma mistura de intuição e “sacada” foi o que ocorreu ao economista Jim O’Neill, chefe da área de pesquisa da Goldman Sachs, em 2001. Ao criar a palavra BRICs, que reúne Brasil, Rússia, Índia e China, ele mudou os rumos do debate econômico. Ao prever que os quatro países serão mais ricos que o G-6 em 2040, ele fez o mundo enxergar o despertar dos emergentes. “Hoje, não há um CEO que não tenha uma estratégia para os BRICs”, disse O’Neill, em entrevista exclusiva à DINHEIRO. A novidade é que, agora, o Brasil parece ser finalmente a bola da vez.
DINHEIRO – O Brasil está despertando e, finalmente, a letra B da palavra BRICs parece se justificar. A que o sr. atribui o crescimento brasileiro?
JIM O’NEILL – O Brasil está começando a colher os dividendos de vários anos de uma política de metas de inflação, associados a um quadro externo bem favorável, decorrente da sua posição como um dos maiores exportadores mundiais de commodities. Na prática, é como se o Brasil fosse um dos maiores beneficiários do extraordinário crescimento da China.
“No 11/9, percebi que a globalização só avançaria se fosse inclusiva e menos americana”
DINHEIRO – Então a razão é mais externa do que interna?
O’NEILL – Não propriamente. A estabilidade de preços que vocês estão testemunhando traz muitos ganhos. De um lado, as empresas se beneficiam pela expansão do consumo e o trabalhador ganha com o aumento dos investimentos. Isso não acontecia há três décadas e significa que o Brasil está, finalmente, se tornando um país normal.
DINHEIRO – O que seria necessário fazer para alcançar os outros BRICs, que crescem mais rápido?
O’NEILL – Eu penso que seria muito difícil para o Brasil alcançar taxas de crescimento semelhantes às dos outros três. A Índia e a China têm se beneficiado de um processo maciço de urbanização, que já aconteceu no Brasil muitos anos atrás. E a Rússia parece ser um país nascendo do zero, depois do colapso soviético. Portanto, taxas entre 8% e 10% são pouco realistas para o Brasil.
Mas algo entre 5% e 6% é alcançável, o que faria o Brasil ganhar posições nos nossos cenários sobre a evolução dos BRICs.
DINHEIRO – Estamos no início de um longo ciclo de expansão?
O’NEILL – Eu penso que o teste virá, não só para o Brasil mas para o mundo, quando a China começar a crescer menos de 10% ao ano. Enquanto isso não acontecer, é difícil imaginar uma desaceleração dos emergentes, especialmente aqueles favorecidos pela alta das commodities. De qualquer forma, o ciclo brasileiro será longo se o governo mantiver o regime de metas de inflação e se fizer mais para reduzir o gasto público. Com um Estado enxuto, é bem possível chegar a 6% ao ano.
DINHEIRO – Mas o que pode ser feito para acelerar o crescimento?
O’NEILL – O Brasil tem problemas na educação e em infra-estrutura, que devem ser atacados. Mas nada é tão importante quanto o regime de metas de inflação. É isso que está fazendo com que vocês deixem de ser o país exótico dos últimos 35 anos para se transformar numa economia dinâmica.
DINHEIRO – Não seria necessária uma nova agenda de reformas macro ou microeconômicas?
O’NEILL – A política macroeconômica brasileira já é excelente e eu penso que o progresso deve vir do campo microeconômico, com ações para reduzir o peso do Estado na economia. São coisas mais fáceis de recomendar do que de implementar, eu reconheço, mas podem ser realizadas de forma mais suave em períodos de grande crescimento, como agora. De certa forma, é um argumento circular. O Brasil precisa de crescimento para viabilizar as reformas, mas são as reformas que viabilizarão o crescimento de longo prazo.
DINHEIRO – Algo mais específico?
O’NEILL – O mais importante é reduzir o grau direto de gastos do governo em setores ineficientes, seja na forma de incentivos, subsídios ou favores.
DINHEIRO – Alguns analistas apontam que o real estaria supervalorizado. O sr. concorda?
O’NEILL – Olhando pelo prisma de um critério convencional, o Brasil, de fato, tem uma moeda valorizada. No modelo que nós chamamos de “equilíbrio dinâmico das taxas de câmbio reais”, o real está caro. Ocorre que esses modelos levam em conta a história, o passado. E os últimos 25 ou 30 anos brasileiros foram ligados à inflação, o que traz como conseqüência uma economia mais fraca e uma moeda também mais fraca. Agora, no entanto, as coisas são diferentes. O fato é que o Brasil terá mais facilidade para viver com uma moeda forte do que muitas pessoas imaginam.
DINHEIRO – Quais seriam as conseqüências econômicas e sociais de uma moeda forte no Brasil?
O’NEILL – Muito importantes. A moeda forte irá consolidar as conquistas da estabilidade e também reduzir expectativas inflacionárias futuras. Por outro lado, isso irá desestimular a produção industrial de produtos de baixo valor agregado, criando o risco de disputas com os sindicatos ligados à velha indústria. Mas muitos países que passam por isso não apenas sobreviveram como também melhoraram. No Reino Unido, a libra forte fez com que o país perdesse a sua velha indústria automotiva, mas o fato é que hoje a Inglaterra produz mais carros do que no passado. Apenas o faz com maior valor agregado.
DINHEIRO – De que maneira devem se comportar os preços das commodities nos próximos anos?
O’NEILL – Quando aplicamos ao setor de commodities uma análise semelhante à que fazemos com os BRICs, o que se percebe é que os preços continuarão elevados em função da demanda que seguirá muito alta até 2015. Isso é válido para o petróleo, mas também para produtos agrícolas e minerais. Depois, quando a China já tiver atingido uma certa riqueza, a demanda deve ceder.
DINHEIRO – Que riscos o sr. enxerga para o Brasil?
O’NEILL – Os maiores riscos são as pressões para o governo abandonar o real forte e a política de metas de inflação. O progresso da economia brasileira deriva essencialmente da inflação baixa e, se esse quadro mudasse, seria realmente uma decepção.
DINHEIRO – O Brasil poderá se descolar da crise imobiliária americana?
O’NEILL – Já descolou. É evidente que, se os Estados Unidos entrarem em recessão, todo o mundo, de alguma forma, será afetado. Só que hoje a China é uma influência externa maior do que a economia americana.
DINHEIRO – O crescimento do mercado interno dos emergentes então compensa o prejuízo?
O’NEILL – Isso está claro. No ano de 2007, a contribuição dos quatro BRICs para o aumento do consumo mundial foi duas vezes maior do que a dos Estados Unidos, o que demonstra que o descolamento já ocorreu. Um risco muito maior do que o subprime americano seria uma freada na China.
DINHEIRO – O sr. acha que o conceito de BRICs deve ser expandido, para incluir outros emergentes?
O’NEILL – Nós estamos constantemente atualizando nossos estudos sobre os BRICs. Olhando para trás, talvez tivesse sido correto falar em “BRIMC”, incluindo o México.
DINHEIRO – Algum outro país merece ser incluído na lista?
O’NEILL – Depois dos BRICs, fizemos um trabalho chamado “N11 – Next Eleven”, sobre os 11 emergentes mais relevantes, levando em conta a economia e a dinâmica populacional. Na verdade, só o México pode ser tão grande quanto os quatro BRICs, mas muitos investidores também já têm estratégias para os chamados N-11.
DINHEIRO – De onde veio sua inspiração para a palavra BRICs?
O’NEILL – Quando me tornei chefe de pesquisas da Goldman, eu buscava uma idéia para liderar o departamento. Depois, mais ou menos na mesma época, veio o 11 de setembro.
E isso me deu o insight de que a globalização só prosperaria se ocorresse de uma forma mais inclusiva, menos americana. E tudo começou em novembro de 2001, quando fiz um artigo dizendo que o mundo precisava de melhores BRICs.” [A palavra inglesa brick significa tijolo.]
DINHEIRO – O sr. esperava um impacto tão grande com sua idéia?
O’NEILL – De maneira alguma. O conceito mudou a minha vida e também o mundo. A empresa onde eu trabalho, assim como muitas outras, passaram a traçar estratégias para os BRICs. E tudo isso tem sido divertido.
DINHEIRO – O Brasil foi incluído na lista dos BRICs antes da posse de Lula. Seu governo foi uma surpresa?
O’NEILL – Foi uma surpresa para o mercado como um todo e os assessores do presidente Lula merecem crédito por terem seguido políticas macroeconômicas sensatas e racionais.
“O consumo dos BRICs, puxado pela China, é a força que hoje move o PIB global”
DINHEIRO – Que tipo de esquerda deve prevalecer na América Latina: a de Lula ou a de Hugo Chávez?
O’NEILL – Essa é uma grande questão. Tudo dependerá dos resultados econômicos. Se o Brasil, que é o maior país latino-americano, continuar tendo tanto sucesso, o modelo de Lula deverá prevalecer, dando o rumo e o sabor para o continente. Ao menos, é o que eu espero que aconteça.
DINHEIRO – Muitas empresas brasileiras estão comprando ativos no Exterior. É uma tendência ou só uma janela de oportunidade?
O’NEILL – É uma nova tendência. Se você der uma olhada na lista das 500 maiores empresas do mundo, verá que os BRICs ainda estão pouco representados. Existem apenas 40 empresas dos quatro países, das quais vinte são chinesas. Ocorre que os BRICs têm hoje 15% do PIB global e, portanto, deveriam controlar 75 empresas na lista das 500. O Brasil, que tem hoje sete ou oito empresas na lista, já poderia ter umas dez. E essa participação deverá aumentar muito nos próximos anos.
DINHEIRO – Ao falar dos BRICs, o sr. apenas antecipou um fenômeno ou também contribuiu para que ele ocorresse?
O’NEILL – Às vezes, tenho a sensação de ser uma das causas, em função do número de convites que tenho recebido para falar e encontrar gente interessante ao redor do mundo. Mas, na verdade, apenas tivemos sorte no timing do nosso trabalho, que abordou uma mudança estrutural na economia mundial, que talvez seja a mais importante da nossa geração.
DINHEIRO – Mas, depois do seu trabalho, vários investidores e empresários passaram a olhar mais atentamente para os BRICs.
O’NEILL – É verdade. A preços de hoje, talvez não seja o caso de entrar nos BRICs, especialmente Índia e China, que já subiram muito. Brasil e Rússia hoje parecem ser mais promissores. Mas, olhando o longo prazo, esses quatro países são os que oferecem as maiores oportunidades no mundo.