
Quarta-feira, 23 de janeiro de 2008.
Comentários, dúvidas e sugestões:
sercom@inpi.gov.br
1. Receita do INPI supera marca de R$ 200 milhões em 2007
2. Países ricos reprovam produtos brasileiros
3. França vê emergentes como oportunidade de negócios
4. Profetas da crise são estrelas em Davos
5. É melhor jogar os búzios
6. Redução da pirataria pode gerar US$ 2,9 bi para indústria no Brasil
7. O impacto da pirataria de software
8. Software inédito vai monitorar qualidade da cachaça
9. Marcas mineiras conquistam clientes internacionais
10. Receita apreende R$ 1,5 mi em bolsas Dolce e Gucci piratas
11. Devemos temer um direito made in China?
Receita do INPI supera marca de R$ 200 milhões em 2007 Volta
Mídia Eletrônica: Mídiamaxnews
http://www.midiamax.com
Jorge Franco
22/01/2008
Impulsionada pelo aumento da produtividade, a receita do INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) bateu um recorde histórico e superou a marca de R$ 200 milhões em 2007, fechando o ano com R$ 201,12 milhões. O valor representou um aumento de 25,94% em relação a 2006 e também ficou 9,92% acima da meta estabelecida no Orçamento da União.
O principal responsável por este resultado foi o êxito na reestruturação da Diretoria de Marcas. Em 2007, a área arrecadou R$ 119,6 milhões (quase 60% do total), superando em 51,2% a marca do ano anterior. Com o aumento no número de examinadores (40 para 110), os serviços ganharam eficiência e rapidez.
As marcas concedidas, por exemplo, saltaram de 32.658 em 2006 para 128.540 no ano passado. Para este ano, o servidor Júlio Grevy Montenegro, responsável pela análise da arrecadação, aposta num novo recorde em 2008: "A tendência de crescimento da arrecadação vem desde 2004 e deve continuar. A previsão orçamentária de 2008 é de R$ 197,2 milhões, mas a nossa expectativa é que os números superem os de 2007", comentou.
Os números de 2007 revelaram uma tendência homogênea ao longo do ano. Em todos os bimestres houve crescimento em relação aos mesmos períodos de 2006. Pelos resultados recentes, a tendência é que esta situação se repita em 2008.
Países ricos reprovam produtos brasileiros Volta
Mídia Impressa: Valor Econômico
Raquel Landim
23/1/2008
Os tomadores de decisão dos países ricos desconfiam dos produtos e das empresas com sede em países emergentes, incluindo o Brasil. Entre 18 nações pesquisadas, as companhias brasileiras amargaram a 15ª posição em um ranking de confiança elaborado pela Edelman, que será divulgado hoje no Fórum Econômico Mundial, que se realiza na cidade de Davos, na Suíça. Perderam apenas para as empresas chinesas, mexicanas e russas, que ocuparam as últimas posições, nessa ordem.
A Polônia e a Irlanda são os países que menos confiam nos produtos brasileiros. Apenas 9% e 13% dos formadores de opinião, respectivamente, responderam que têm uma boa imagem das companhias do Brasil. Na Suécia e na Inglaterra, o indicador também foi baixo: 19%. Nos Estados Unidos, o maior mercado do mundo, só 34% dos executivos disseram que confiam nas empresas brasileiras.
Por blocos econômicos, os resultados não são bons para o Brasil. Na União Européia, apenas 20% dos entrevistados acreditam nas empresas brasileiras. Esse percentual fica em 32% na América do Norte e 44% na Ásia. Na América Latina, o resultado é muito melhor: 69% dos entrevistados confiam nas empresas e nos produtos do Brasil.
"As empresas de países emergentes estão comprando companhias no mundo rico, mas não se preocupam em melhorar a comunicação", diz Ronald Mincheff, presidente da Edelman no Brasil. "O Brasil é relativamente novo no mercado internacional, porque até pouco tempo só vendia commodities. A identidade "Brasil" é nova e, por isso, precisa ser trabalhada", completa o executivo.
As companhias brasileiras causam uma boa impressão na China e no México, que também são países emergentes. Entre os executivos chineses e mexicanos, 61% e 64% afirmaram que confiam nas empresas do Brasil. Na Rússia e na Índia, no entanto, o país não vai bem, conquistando apenas 25% e 35% dos entrevistados, respectivamente.
O lugar onde as companhias brasileiras causam a melhor impressão é dentro de casa. Dos executivos entrevistados no país, 73% disseram que acreditam nas empresas brasileiras. Os brasileiros, no entanto, ainda apostam suas fichas nos produtos e nas empresas japonesas, com o índice de confiança chegando a 88%. Também possuem uma boa imagem no Brasil as empresas alemãs (86%), suecas (85%) e holandesas (89%). Os produtos que os brasileiros menos confiam são os chineses, com apenas 33% dos entrevistados a favor. Pesam contra a imagem dos produtos chineses escândalos recentes como a contaminação de brinquedos e rações animais produzidos no gigante asiático.
A pesquisa da Edelman também tenta quantificar a confiança que inspiram governos, organizações não-governamentais e empresas. Com relação à credibilidade do governo, apenas 22% dos entrevistados no Brasil responderam que confiam na instituição. É o segundo indicador mais baixo, perdendo apenas para a Polônia, com 11%. Na avaliação de Mincheff, o dado é "grave" e pode ser atribuído a uma seqüência de crises, como mensalão, caos aéreo, apagão energético e febre amarela.
Questionados sobre o que as empresas devem fazer para construir sua reputação, a maioria dos entrevistados no Brasil (73%) optou por respeito ao meio ambiente, seguido de geração de empregos (65%). O Brasil e a Holanda foram os únicos países que colocaram o meio ambiente em primeiro lugar entre as opções. "É natural essa preocupação, já que o Brasil, onde está a Amazônia e o Pantanal, é o país que mais tem a preservar", diz Mincheff.
Junto com a Índia, o Brasil foi o país que apresentou o maior grau de confiança nas empresas de tecnologia (91%). Em seguida, aparece o setor automotivo (84%). Os bancos possuem o menor índice de confiança entre os brasileiros (52%). Os dados apontam que 46% dos formadores de opinião no Brasil lêem blogs ao entrar na internet. Um fenômeno que está no início em outros países emergentes.
Na maioria das nações, os líderes de opinião afirmaram que as instituições que mais acreditam são as ONGs e as empresas. Nos Estados Unidos, o índice de confiança nas empresas atingiu 58%, um recorde histórico após os escândalos contábeis envolvendo empresas americanas e acima do piso de 44% de 2002.
Já no Brasil, a mídia foi a instituição de maior credibilidade, apontada por 64% dos entrevistados, seguida de empresas (61%), instituições religiosas (48%) e, por último, o governo, com apenas 22% de indicações.
Maior empresa de relações públicas do mundo, a Edelman elabora anualmente um índice de confiança, para o qual são entrevistados 3.100 líderes de opinião em 18 países. Os entrevistados têm entre 35 e 64 anos, possuem formação superior e fazem parte dos 25% da população de seus países com maior renda familiar.
França vê emergentes como oportunidade de negócios Volta
Mídia Impressa: Valor Econômico
De Paris
23/01/2008
Em um mundo no qual a economia americana terá crescimento menor e o dólar cada vez fraco em relação ao euro dificulta exportações da Europa para os Estados Unidos, países emergentes, que crescem 5% ao ano, como o Brasil, são uma oportunidade de negócios. A declaração faz parte de discurso de Hervé Novelli, ministro do Comércio e Desenvolvimento de Estado da França, em almoço durante a conferência sobre risco-país organizada pela Coface, em Paris.
Ele convidou os representantes de empresas médias presentes a se juntarem a ele em visita que fará ao Brasil, programa para acontecer em outubro. Segundo ele, o Brasil é o principal cliente da França na América Latina e compra 1% do total das exportações do país. "Os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) dobraram sua participação no comércio internacional em sete anos e têm um potencial que não pode ser ignorado", disse o ministro do governo francês. "Temos certeza de que a economia dos EUA está desacelerando e os emergentes já emergiram e merecem atenção especial", disse.
Em seu discurso de abertura na conferência, o presidente da Coface, François David, destacou o papel dos países emergentes, que ajudaram a "amortizar" os impactos da crise americana. "Também por causa desses países, a queda no crescimento econômico mundial em 2008 será de apenas 0,3 a 0,4 ponto percentual em relação a 2007", estimou. Para David, a recessão de 2001 foi mais severa.
Nem o "estouro das bolhas nos mercados de ações dos emergentes" terá impacto significativo na vida desses países e de suas empresas, na avaliação do economista-chefe da Coface, Yves Zlotowski. "As bolhas estão estourando e a volatilidade está elevada", afirmou, para completar que "um número ainda limitado de empresas nos países emergentes usa o mercado de ações para se financiar".
A situação se agravaria mais, no entanto, no caso de um aperto muito forte no crédito corporativo ("credit crunch"), que não faz parte de seu cenário básico. "Por enquanto, ainda acreditamos em uma redução e encarecimento do crédito, mas sem crunch", afirma Zlotowski. (CPL)
Profetas da crise são estrelas em Davos Volta
Recessão nos EUA e os riscos para a economia global dominam o evento
Mídia Impressa: O Estado de São Paulo
Fernando Dantas, DAVOS
23/01/2008
Com os mercados globais em seu momento de maior nervosismo em muitos anos, o Fórum Econômico Mundial será aberto hoje em Davos, na Suíça, com um debate econômico que reúne os dois principais profetas de crises e tempos difíceis na economia mundial: os economistas Nouriel Roubini, que hoje comanda um dos portais econômico-financeiros mais prestigiados do mundo, e Stephen Roach, chairman para a Ásia do banco de investimentos americano Morgan Stanley.
Até domingo, quando se encerra o Fórum, a recessão nos EUA e os riscos para a economia global devem dominar as atenções em Davos, que contará este ano com a presença de várias autoridades econômicas e financeiras do mundo, como o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, e o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick.
No debate inicial sobre a conjuntura econômica global, Roubini deve se sentir vingado. Há um ano, no mesmo painel de abertura de Davos, ele ficou isolado ao prever, no momento em que se começava a falar em problemas no mercado hipotecário americano “subprime”, que os Estados Unidos entrariam em recessão, afetando toda a economia global. Roubini se contrapôs a visões bem mais otimistas de economistas de altíssima reputação como Laura Tyson, da Universidade de Berkeley, e ex-conselheira da Casa Branca, e Jacob Frenkel, vice-chairman do grupo segurador AIG.
O “timing” de Roubini não foi perfeito, já que os seus alertas no Fórum Econômico Mundial de 2007 indicavam que o ano já seria afetado pela crise iniciada no mercado hipotecário americano. Na realidade, embora o problema tenha estourado com toda a força em 2007, o ano ainda apresentou excepcional crescimento global, e as piores conseqüências parecem reservadas para 2008.
Mesmo assim, não há dúvida de que o relativo descrédito com que o pessimismo de Roubini era encarado no início de 2007 deve se transformar em admiração por sua capacidade profética. No caso de Roach, as previsões de problemas na economia global são ainda mais antigas - tão recuadas no tempo, na verdade, que ele mesmo arrefeceu seu pessimismo antes da chegada da crise atual.
Ainda hoje, dia inicial do Fórum, outro debate, com o tema provocativo de “quem está no comando”, vai reunir o megainvestidor George Soros e o Prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz, dois dos maiores críticos de como as principais autoridades econômicas do mundo vêm conduzindo o capitalismo globalizado. Não devem faltar críticas à forma frouxa com que os bancos centrais e outras autoridades financeiras deixaram grassar, com pouca ou nenhuma regulação, operações financeiras complexas e nebulosas, como aquelas que foram montadas a partir de carteiras de crédito hipotecário, que estão na origem da atual crise.
Outro tema quente desse e de outros painéis será o dos fundos soberanos de países emergentes, que são comandados por governos e estão comprando grandes nacos de empresas - e, com especial evidência agora, de bancos em dificuldade - das nações desenvolvidas.
AQUECIMENTO GLOBAL
Apesar do destaque que a economia global deve ter no Fórum de Davos de 2008 - com o colapso das bolsas e a tentativa de resgate do mercado pelo Fed, banco central americano, que cortou ontem a taxa básica em 0,75 ponto porcentual -, a programação será intensa em outros temas, como o aquecimento global, a instabilidade no Oriente Médio, o “choque de civilizações” na esteira do fundamentalismo islâmico e a superação da pobreza na África.
O debate desses assuntos geopolíticos contará com chefes de governo e estrelas do mundo político em atividade, como a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice (que será entrevistada hoje pelo chairman do Fórum, Klaus Schwab), o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, o presidente de Israel, Shimon Peres, e o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe. Esse time será reforçado por celebridades políticas como o ex-primeiro ministro britânico Tony Blair, o ex-secretário de Estado americano Henry Kissinger e o ex-presidente do Irã Mohammad Khatami. O roqueiro Bono e a atriz inglesa Emma Thomson são alguns dos representantes do universo das celebridades artísticas.
No mundo dos negócios, as principais atrações previstas são os líderes de diversas das principais empresas do mundo, como Bill Gates, da Microsoft; Sergey Brin e Larry Page, fundadores do Google; e Craig Barrett, da Intel. Do segmento bancário, constam da programação Lloyd Blankfein, do Goldman Sachs; James Dimon, do JP Morgan; Brady Dougan, do Crédit Suisse; Richard Fuld, do Lehman Brothers; e Bill Rhodes, do Citibank, entre outros.
É melhor jogar os búziosVolta
Mídia Impressa: Folha de São Paulo
Clóvis Rossi
23/01/2008
DAVOS - A portentosa consultoria PricewaterhouseCoopers, presente em 149 países, apresenta, todo ano, sua pesquisa com executivos de uns 50 países na véspera da abertura do encontro anual do Fórum Econômico Mundial. Nos últimos anos, a pesquisa era uma catarata de otimismo, reflexo do formidável ciclo de crescimento econômico no mundo todo.
Ontem deveria ser diferente, já que o otimismo, pelo menos no mundo rico, desabou. Mas Samuel DiPiazza, executivo-chefe global da empresa, conta, brincando, que mandou abrir um champanhe antes de apresentar o levantamento para festejar o corte de 0,75 ponto percentual na taxa norte-americana de juros. Em tese, seria a salvação da lavoura (ou dos mercados, mais exatamente).
Pode ter gastado dinheiro à toa. Chega a ser inacreditável a incompetência disseminada do empresariado e de seus gurus na academia e nas firmas financeiras para acertar o que vai acontecer nos meses seguintes ou até no mês seguinte.
O exemplo mais óbvio está nas próprias pesquisas da PwC. No ano passado, havia a tal catarata de otimismo, na pesquisa divulgada em janeiro. Oito meses depois, vinha à tona a crise das hipotecas, que nenhum executivo no mundo todo previra. É bom frisar que a crise veio à tona em agosto de 2007, o que significa que, abaixo da superfície, já latejava havia sei lá quanto tempo. E ninguém viu ou ao menos ninguém contou ao público.
Mais tarde (maio), o clubão dos países ricos (a OCDE) previa para os EUA crescimento de 2,5% em 2008 (reduzido para 2% em julho).
O FMI, em abril, chutava 2,8% como índice de crescimento norte-americano em 2008. Se crescer zero alguma coisa já estará de bom tamanho.
Desconfio que, se a gente trocar esses adivinhos por um competente jogador de búzios, ganharemos todos.
Redução da pirataria pode gerar US$ 2,9 bi para indústria no Brasil Volta
Pesquisa mostra que combate ao software pirata pode gerar 11,5 mil novos empregos até o ano de 2011 no país
Mídia Eletrônica: Portal Exame
http://www.portalexame.abril.com.br
Camila Fusco
22.01.2008
A redução gradual da pirataria de software poderá levar a indústria brasileira a arrecadar 2,9 bilhões de dólares em receita até o ano 2011 e contabilizar 11,5 mil novos empregos. Os números são resultado da pesquisa divulgada pela Business Software Alliance (BSA) e Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES).
Segundo o estudo, realizado pela consultoria IDC, hoje o índice de pirataria do país está em 60% e para atingir tais resultados, seria necessária uma queda de dez pontos percentuais ao longo dos próximos quatro anos.
Na avaliação de Frank Caramuru, diretor geral da BSA no Brasil, apesar de acumular os maiores prejuízos da América Latina com a pirataria, avaliados em 1,14 bilhão de dólares, o país está abaixo da média dos demais países da região. “O mercado é maior, assim como o volume de perdas, mas estamos abaixo da média da região, que hoje fica entre 66% a 70%”, diz.
Entre as principais ações de combate à pirataria recomendadas mundialmente pela BSA estão a atualização das leis de proteção à propriedade intelectual, a criação de mecanismos reforçados para leis antipirataria, além de conscientização da população. “No Brasil, se tivéssemos um Judiciário com ação mais rápida, teríamos mais eficiência no combate. Uma sentença leva em média dez anos para sair e gera uma sensação de impunidade”, comenta.
O órgão no Brasil tem trabalhado para fiscalizar empresas que utilizam software pirata. Segundo o executivo, a primeira tentativa é de acordo amigável para legalização dos programas falsificados e, caso não aconteça nenhuma movimentação, o organismo parte para ação judicial.
O setor de TI é um dos principais geradores de empregos e impostos do País. No ano passado, investiu quase 20 bilhões de dólares em tecnologia, incluindo computadores, equipamentos de rede, software e serviços, o que representou cerca de 1,8% do PIB.
O setor soma 22,5 mil empresas e 372 mil colaboradores, que geraram 7,1 bilhões de dólares em impostos relacionados. Hoje, para cada dólar investido em software original, outro 1,25 dólar é direcionado para serviços como instalação, treinamento e manutenção.
Quanto à polêmica dos altos preços das licenças de software – justificada por boa parte dos usuários como motivo para a pirataria, mas refutada pela indústria como causa do problema -, Caramuru acredita que incentivos tributários auxiliariam na redução. “Temos lutado por uma tributação diferenciada para software, o que poderia levar licenças legais a todos os níveis da população, mas até agora não tivemos sinalização positiva”.
Pirataria no mundo
A mesma pesquisa conduzida nos Estados Unidos aponta que o corte em 10 pontos percentuais ao longo dos próximos quatro anos na taxa de pirataria - hoje em 21% -, poderia gerar mais de 32 mil empregos e 41 bilhões de dólares em crescimento econômico.
Em relação aos mercados emergentes, a BSA aponta que uma redução de 10% na taxa de pirataria da China, em estonteantes 82%, poderia fazer do país a maior força de trabalho em TI do mundo em quatro anos, superando o número de trabalhos dos Estados Unidos. O número de empregos em TI na China cresceria em adicionais 355 mil empregos, elevando a força de trabalho para quase 3,5 milhões de pessoas até 2011.
Da mesma forma, na Rússia, onde o índice de pirataria chega a 80%, uma redução de 10% faria com que o setor de TI do país superasse o indiano também até 2011. Até lá, com a redução no índice, o setor de TI russo seria uma indústria de 33,9 bilhões de dólares, comparados a 32,2 bilhões de dólares na Índia.
O impacto da pirataria de software Volta
Mídia Eletrônica: B2B Magazine
http://www.b2bmagazine.com.br
22/01/2008
A redução da pirataria de software nos próximos quatro anos no Brasil poderia gerar um mercado de Tecnologia da Informação mais forte, agregando até 2011 cerca de 11,5 mil novos empregos, 2,9 bilhões de dólares em receita para a indústria local e 389 milhões de dólares adicionais em impostos. Os dados são da pesquisa mundial da Business Software Alliance (BSA), que no Brasil, é apoiada pela Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES).
O estudo, conduzido pela International Data Corporation (IDC), mostra que o setor de TI é um dos principais na geração de empregos, impostos e crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2007, o Brasil investiu quase 20 bilhões de dólares em tecnologia, incluindo computadores, equipamentos de rede, software e serviços, o que representa, aproximadamente, 1,8% do PIB. Este volume é suportado por mais de 22,5 mil empresas e seus 372 mil colaboradores, que auxiliaram a arrecadação de 7,1 bilhões de dólares em impostos relacionados.
“Quando a nação toma medidas para reduzir a pirataria todos são beneficiados”, declara Frank Caramuru, diretor-geral da BSA no Brasil. “Com melhores oportunidades de emprego, um ambiente de negócios seguro e contribuições econômicas importantes, a diminuição do índice de pirataria traz benefícios para todo o país”, completa o executivo.
A pesquisa indica que para cada dólar investido em software original outros US$ 1,25 são direcionados para serviços, como instalação, treinamento e manutenção. A maior parte destes serviços é realizada por empresas locais, o que significa que os benefícios econômicos da redução da pirataria permanecem no país.
As associações encorajam os governos que buscam atrativos econômicos pela redução da pirataria de software a seguir alguns passos, como a atualização das leis nacionais de direito autoral implementando as obrigações estabelecidas pela World Intellectual Property Organization (WIPO); o desenvolvimento de fortes mecanismos de fiscalização; a disponibilização de recursos operacionais para o combate a prática ilegal, incluindo treinamento de oficiais, operações conjuntas, além de elevar os níveis de conscientização da população.
Um estudo divulgado pela ABES e BSA em maio de 2007 apontou a redução de quatro pontos percentuais na taxa de pirataria de software do Brasil, atualmente, em 60%. Foi a maior queda registrada em todo o mundo, mas por outro lado é a nação com os maiores prejuízos na América Latina, estimados em 1,148 bilhão de dólares.
Software inédito vai monitorar qualidade da cachaça Volta
Mídia Eletrônica: Gazeta Online
http://www.gazetaonline.globo.com
22/01/2008
A 'branquinha' produzida no Brasil contém muito mais elementos de não-conformidade do que o olho humano pode identificar ou o paladar detectar. A produção da cachaça de alambique gira em torno de 1,5 bilhão de litros por ano no País, mas menos de 1% é considerada de qualidade.
Para mudar esse cenário, um software deve chegar ao mercado a partir do segundo semestre de 2008, voltado exclusivamente para rastrear todas as etapas da produção e oferecer dados suficientes para melhorar a gestão dos empreendimentos.
A equipe de trabalho é formada por dois especialistas em cachaça dois mestres em desenvolvimento de sistemas e dois programadores. O software, inédito, está sendo desenvolvido na Bahia a partir de recursos acima de R$ 100 mil, destinados a fundo perdido pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb).
A EQS Informática, empresa que integra a Bahia Digital - Rede Empresarial de Tecnologia da Informação, é a responsável pelo desenvolvimento do sistema. O projeto conta também com a participação das faculdades FTC e FTE, além da expertise da consultoria Agroindustrial BFLM Ltda.
Segundo explica o diretor da EQS, Fabrício Campos, o software de controle da produção da cachaça está sendo aplicado a todas as etapas de produção: agroindustrial, armazenagem/envelhecimento/envase, distribuição e gestão de recursos.
"Os custos envolvidos, quando não controlados, comprometem a lucratividade, a sobrevivência da empresa e também a qualidade do produto. Com o software, será possível conhecer a procedência da cachaça, assim como já é feito com o vinho", explica. Com o rastreamento do processo produtivo, a redução de perdas pode chegar a 30% da produção.
Em todo o País, não existe um software específico para o controle da produção da cachaça. Todos os mecanismos atualmente usados, segundo afirma Fabrício Campos, são baseados em planilhas simples ou softwares adaptados. Com a inovação tecnológica em processo de testes, os produtores poderão registrar todos os dados relativos a investimentos, insumos, mão-de-obra, capital de giro, procedimentos técnicos, custos, dentre outros.
A perspectiva é que, de posse desses relatórios, as associações e representantes de produtores identifiquem, com mais facilidade os problemas existentes na cadeia produtiva, formulando diagnósticos indispensáveis para a proposição de políticas públicas para o setor. O software tem como fundamento os parâmetros do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Toda empresa produtora de cachaça será um cliente potencial. De acordo com dados da Federação Nacional das Associações de Produtores de Cachaça (Fenaca), o número de estabelecimentos produtores da bebida ultrapassa a casa das 30 mil unidades. A Fenaca estima ainda a existência de mais de 150 mil empregos diretos.
O Estado da Bahia é o segundo maior produtor de cachaça de alambique do Brasil, atrás de Minas Gerais, com o volume de 50 milhões de litros por ano. Estima-se que apenas um milhão de litros são produzidos formalmente na Bahia.
Em todo o Estado, existem cerca de sete mil alambiques, dos quais 99% são clandestinos. A cadeia produtiva é responsável pela manutenção de 35 mil postos de trabalhos locais.
O público-alvo também inclui os alambiques que estão investindo em certificações como a do Instituto Baiano de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Ibametro). A Certificação de Conformidade e as demais exigem anotações de controle de todas as etapas - muitas vezes realizadas de forma manual ou em planilhas desenvolvidas por cada estabelecimento.
O software também significa uma nova perspectiva para a exportação e para a comercialização da cachaça em bares, restaurantes e hotéis de luxo. Da produção anual de 1,5 bilhão de litros de cachaça, apenas 14 milhões de litros têm como destino o mercado externo.
"O principal é você passar para o consumidor a certeza de que o produto tem qualidade", destaca o consultor do Sebrae na Bahia para o Programa Estadual de Derivados de Cana-de-Açúcar, Bráulio Araújo.
O título de cessão de uso do software deverá exigir um custo mensal médio de R$ 50 para o produtor, valor que poderá variar em função do número de módulos solicitados - cada etapa produtiva equivalerá a um módulo.
A EQS Tecnologia projeta a locação e implantação de 200 cópias do sistema, no primeiro ano. No segundo ano, a estimativa aumenta para mais 300 cópias e, no terceiro, o acréscimo de mais 300 cópias.
A taxa de retorno do investimento deve superar a margem de 40% no prazo de dois anos. A comercialização terá como premissa básica a construção de um software auto-explicativo, bem documentado, com um sistema de help-desk online, via ambiente virtual.
Sobre a EQS Tecnologia
A EQS Tecnologia foi fundada há seis anos, em Salvador. Localizada no bairro do Rio Vermelho, a empresa fatura R$ 200 mil por ano. Especializada em automação comercial, a EQS já informatizou dezenas de empresas, dos mais diferentes ramos de atividades, tanto no varejo quanto no atacado.
A proposta é analisar os processos e intervir nas áreas das organizações que possuem relacionamento direto com clientes, setores como vendas, marketing e atendimento, propondo conceitos formas de trabalho e tecnologias para obter maior satisfação do público-alvo e melhores resultados financeiros.
O software Integrato, atual carro-chefe da empresa, possui soluções integradas e modulares para as áreas gerencial, frente de loja e de serviços.
A Bahia Digital - Rede Empresarial de Tecnologia da Informação reúne as empresas localizadas em Salvador e microrregião, bem como na cidade de Feira de Santana, especializadas em desenvolvimento de software, infra-estrutura e serviços de consultoria em tecnologia da informação e comunicação (TIC).
Organizadas em rede para oferecer soluções tecnológicas ao mercado nacional, a Bahia Digital é apoiada pelo Sebrae, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação, Software e Internet - Regional Bahia (Assespro), Sindicato das Empresas de Processamento de Dados da Bahia (Sinepd), Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex - Salvador), Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb).
Marcas mineiras conquistam clientes internacionais Volta
Mídia Eletrônica: Site do Sebrae
http://www.sebraeminas.com.br
22/01/2008
Em sua quinta participação no Fashion Business, a marca Divinominas superou expectativas. Foram fechados pedidos para clientes nacionais de R$ 295 mil. Para os próximos seis meses as negociações devem atingir os R$ 800 mil, segundo os empresários. O grupo é formado por seis indústrias de confecção da cidade do centro-oeste de Minas.
Os compradores internacionais de países como Austrália, Filipinas, Estados Unidos, Argentina e Japão compraram cerca de US$ 40 mil. No entanto, as primeiras vendas geram ainda uma previsão de US$ 700 mil nos próximos seis meses. "Esta foi a melhor participação da indústria mineira", avalia a gerente da unidade de Indústria e Projetos Territoriais do Sebrae em Minas Gerais, Marise Brandão.
Para entrar no mundo da moda, as confecções dos pólos de Divinópolis e de Muriaé foram orientadas pelos estilistas Ronaldo Fraga e Renato Loureiro, respectivamente. Elas aprenderam a conceber suas coleções, interpretar as tendências e usar a criatividade para agradar clientes mais exigentes. "Nossa coleção deste ano teve um tema muito pessoal, a história da empresa. Acho que agradamos, tanto que realizamos vendas nacionais e internacionais", conta a proprietária da marca Cactus, de Divinópolis, Neilma Faria.
O que Neilma achava que só interessaria a ela própria, fez sucesso no Fashion Business. "Não fechamos negócios com volumes muito grandes mas o importante é que eles são o início de um relacionamento comercial com potencial para ser mais duradouro", avalia.
O pólo de Muriaé, que fez a sua estréia no mundo fashion, fechou R$ 60 mil em pedidos. "Foi uma oportunidade de contato com um evento desse porte e com o trabalho de um estilista consagrado. Os empresários achavam que era impossível concorrer com as grandes marcas mas viram que podem conquistar seu lugar no mercado", afirma Marise Brandão.
Para as cinco empresas que participaram, o efeito positivo começou antes da feira. Com Renato Loureiro, elas conheceram o processo de elaboração das coleções. "Precisávamos abrir os olhos para esta outra forma de fazer moda. Não estávamos habituados a isso", relata o empresário Carlos Magno.
Receita apreende R$ 1,5 mi em bolsas Dolce e Gucci piratas Volta
Mídia Eletrônica: Folha Online
http://www1.folha.uol.com.br
22/01/2008
A Alfândega da Receita Federal em Santos apreendeu sete toneladas de bolsas de marcas famosas falsificadas. As mercadorias estão avaliadas em R$ 1,5 milhão e estavam contidas em contêiner que teria sido despachado do porto de Chiwan, na China.
Segundo a Receita, os produtos estavam escondidos entre diversas caixas de bolsas sem marca, "com a intenção de dificultar a fiscalização da Receita".
Após inspeção da Divisão de Vigilância e Controle Aduaneiro foram localizadas aproximadamente 12 mil bolsas e mochilas falsificadas das marcas Miu Miu, Dolce & Gabbana, Gucci e Kipling.
Devemos temer um direito made in China? Volta
Mídia Eletrônica: Paraná Online
http://www.parana-online.com.br
Fábio Tokars
20/01/2008
O debate entre os defensores e os detratores da economia de mercado é caracterizado mais pela intolerância do que pela construção lógica de argumentos e contra-argumentos. O tom da conversa é bem demonstrado pelos títulos dados aos livros escritos e seis mãos por Plinio Apuleyo Mendoza, Carlos Alberto Montaner e Álvaro Vargas Llosa, nos quais se defende abertamente a necessidade de a América Latina promover as transformações que conduzam à economia de mercado. As obras, lançadas em 1996 e 2007, foram intituladas Manual do perfeito idiota Latino-Americano e A volta do idiota. Idiotas seriam os defensores de uma esquerda contrária à economia de mercado. A reação à ofensa, quando articulada, vem amparada em obras emocionais, como as produzidas por Eduardo Galeano, ou em intermináveis diatribes anticapitalistas, como as lançadas por Noam Chomsky. Em todos os casos, os argumentos perdem-se como vozes isoladas, e o conhecimento não se constrói.
Neste quadro, um dos pseudo-argumentos utilizados pelos combatentes da economia de mercado é a revelação de uma das facetas mais visíveis da economia chinesa: a exploração da mão de obra local, sujeita a intermináveis e nada salubres jornadas de trabalho, em troca de salários que não permitem mais do que a subsistência. Quando um defensor da economia de mercado aponta para a necessidade de flexibilização do direito do trabalho, reage um detrator com a invocação do caso chinês, por meio da inegável e quase sofista afirmação de que não queremos que o nosso povo se sujeite à repetição daquele modelo de regulação das relações trabalhistas, e mesmo de defesa dos direitos humanos. Neste contexto, surge a pergunta: devemos temer a adoção de normas jurídicas made in China?
Não haveria como aceitar passivamente o desrespeito aos direitos humanos e ambientais que dão sustentação à eficiência chinesa no plano industrial. Às populações que gozam de garantias trabalhistas mínimas, seria um pesadelo projetar-se em um operário do delta do Yang-tsé-kiang. No plano ambiental, se os dejetos e emissões não tratados fossem de igual forma produzidos pelos demais países, nosso planeta em poucos anos se transformaria em uma esfera inabitável. Para além destes dois aspectos mais evidentes, a China ainda fornece um histórico de corrupção e desrespeito à democracia que espanta até mesmo cidadãos de países tropicais pouco afetos à obediência a padrões razoáveis de civilidade.
Mas nossa natural (ainda que inócua) rejeição ao modelo chinês não deve tomar a forma de uma negação ao sistema de economia de mercado. O modelo econômico que eles implantaram não é uma imagem do futuro do capitalismo, mas sim um reflexo, atrasado em 150 anos, da fase inicial da industrialização européia. Nem que se desejasse, não haveria como replicar o modelo chinês em praticamente nenhum outro lugar do mundo.
A economia chinesa é produto da necessidade de sobrevivência de uma população que, em meados dos anos 1970, morria de fome aos borbotões. A versão mais encontrada vem no sentido de que a abertura da China para a economia de mercado foi obra de um conjunto de reformas bem planejadas, executadas por Deng Xiaoping a partir de 1978 como reação à grande fome que vitimou cerca de 30 milhões de pessoas. Mas atualmente se compreende que a construção daquele modelo econômico deu-se em grande parte pela aceitação, por parte das autoridades locais, de atos de desobediência praticados por empreendedores que se afastaram do modelo de exploração proposto pelo estado para buscar a eficiência (e os seus frutos). A necessidade de expansão da produção, somada à institucionalização da corrupção local, formou uma teia de pequenos empreendedores marginais, cujo sucesso motivava mais e mais pessoais, que formaram uma irresistível onda capitalista. Ou seja: o modelo econômico chinês é fruto da iniciativa de sua população e não de um bem urdido plano decenal produzido por seus burocratas.
Indo adiante, percebemos que, se a gênese da economia chinesa é conseqüência de uma situação social inexistente em outros países, sua forma atual também não é verificada em outras economias por seu particularismo no cenário internacional. Se há uma exploração dos trabalhadores (cuja renda chega a ser inferior à das primeiras fases da Revolução Industrial), ela é em grande parte derivada da existência de um gigantesco exército de reserva formado por pessoas dispostas a aceitar o que for necessário para que sua família tenha acesso ao indispensável à sobrevivência. Calcula-se que cerca de 700 milhões de chineses tentem o sustento com menos de 2 dólares por dia. Já o desrespeito ao meio ambiente deriva tanto da corrupção institucionalizada quanto da necessidade de uma expansão da atividade econômica que possa suprir a demanda anual por 24 milhões de novos postos de trabalho. Ou seja: a China não é o modelo do futuro, mas sim o de um passado que deve ser intensamente combatido, o que tenderá a ocorrer quando houver uma razoável transferência da riqueza à população, com o fortalecimento de uma ainda insipiente classe média.
Mas, voltando para a análise dos reflexos da China no futuro da economia mundial, especialmente a ocidental, devemos ainda considerar que a atual estrutura dos mercados, tendente à especialização, fez com que o modelo chinês fosse integrado à ordem econômica mundial, mas não seja passível de replicação em outros locais. Isto porque a manufatura é apenas uma das atividades envolvidas na oferta de um determinado produto ao mercado. Do preço de um bem fabricado no oriente e distribuído para as prateleiras ocidentais, apenas uma pequena fração é destinada ao pagamento de seu custo de produção. A maior parte do valor é direcionada aos distribuidores, aos detentores das marcas e aos responsáveis pelos esforços em publicidade; ou seja, por empresas ocidentais (principalmente a considerar que as marcas chinesas não são bem recebidas pelos mercados ocidentais).
Na cidade de Zhuhai, perto de Hong Kong, está instalado um dos maiores pólos de fabricação de calçados em todo o mundo. Lá são produzidos itens sobre os quais são aplicadas marcas famosas, e que depois serão expostos em elegantes vitrines européias e norte-americanas. Estima-se que do preço de venda destes calçados no máximo 2% sejam empregados com o pagamento dos funcionários que o produziram.
Em média, o pagamento da manufatura de um produto made in China corresponde a 10% de seu preço de venda. O restante é recebido pelo vendedor final, pelos intermediários, pelos detentores das marcas, pelas agências de publicidade e tantos outros agentes que têm por característica comum o fato de atuarem fora da China.
Vale citar mais um exemplo: a Galanz é a maior fábrica de fornos de microondas do mundo. Cerca de 40% dos aparelhos existentes no planeta foram fabricados lá. Mas poucos conhecem a marca, já que a Galanz atua no interesse de empresas estrangeiras, detentoras de marcas de renome mundial que dela encomendam, total ou parcialmente, a atividade de manufatura, concentrando seus esforços nas atividades que geram maiores excedentes; principalmente no desenvolvimento de novas tecnologias.
Podemos então concluir que a China é um agente especializado no cenário econômico mundial. Ocupa, por suas características internas, uma posição centrada na manufatura, com baixo desenvolvimento tecnológico próprio. A regulação das relações trabalhistas é altamente desfavorável aos seus operários, principalmente porque há um grande contingente de cidadãos tentando fugir da miséria da vida no campo. Mas este modelo não pode ser tomado como um exemplo de sucesso econômico por outros países que buscam uma posição de destaque no plano econômico internacional. Assim como as condições que levaram à China atual são muito específicas, o seu papel na ordem econômica não pode, e nem deve, ser intentado por outros países.
A partir da compreensão de que a produção de riqueza não mais advém da exploração da massa trabalhadora, mas decorre principalmente do desenvolvimento de tecnologia, cumpre aos países emergentes (e especialmente aos demais integrantes do BRIC Brasil, Índia e Rússia) encontrar o seu papel no cenário econômico internacional. É o que faz a Índia, que se fixa como pólo mundial no desenvolvimento de softwares, e é o que deveria fazer o Brasil. E, para tanto, não há necessidade de tratar nossos trabalhadores como são tratados os operários chineses.
A China continuará a invadir nossas casas com seus produtos, mas não será capaz de exportar seu direito, seja no campo do direito do trabalho, seja no de outras áreas.
Fábio Tokars é mestre e doutor em Direito. Professor de Direito Empresarial na PUCPR e no Unicuritiba. Autor dos livros Estabelecimento Empresarial, Sociedades Limitadas e Primeiros Estudos de Direito Empresarial, todos publicados pela LTr Editora.
E-mail: fabio.tokars@pucpr.br