Segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008.
Comentários, dúvidas e sugestões:
sercom@inpi.gov.br
1. Inpi fará registros de patentes no exterior em abril
2. Obstáculos patentes
3. Expansão da marca requer cuidados
4. Patente dá garantia a produtos exclusivos
5. Celulares e tocadores de mp3 poderão ser recarregados por camiseta
6. China está a caminho de ultrapassar Estados Unidos em ciência e tecnologia
7. Brasil e Argentina definem cooperação nuclear, mas acordo sobre gás fracassa
8. Aquecimento global
9. Pesquisadores querem liberdade para ir além do 'arroz com feijão'
10. 'Temos muita gente boa para pouco dinheiro'
11. Coréia do Sul é janela para o futuro
12. Tecnologia é um dos pilares da Coréia do Sul
13. DVD de alta definição: agora vai?
14. Bahia anuncia investimento de R$ 100 mi em TI
Inpi fará registros de patentes no exterior em abril volta
Instituto ganhou autoridade para exercer funções internacionais; novas atividades começam em dois meses
Inventores ainda enfrentam demora na obtenção de patentes no país; em média, um inventor espera até 5 anos, às vezes até 8 anos
Folha de São Paulo
JULIO WIZIACK
DA REPORTAGEM LOCAL
23/02/2008
Os brasileiros que quiserem patentear suas invenções no exterior não precisarão mais dos serviços das agências estrangeiras. A partir de abril, o Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Intelectual) começará a atuar como um escritório internacional de busca e exame de patentes.
"Na semana passada, já visitamos os escritórios europeus para fazer alguns testes", afirma Ademir Sardelli, vice-presidente do Inpi. Segundo ele, representantes da Ompi (Organização Mundial de Propriedade Intelectual) já avaliaram o andamento das mudanças no Inpi e só aguardam a comunicação oficial. "Estamos prontos para entrar em atividade", diz.
Antes, para conseguir um registro no exterior, o interessado em validar sua patente tinha de pagar as taxas exigidas lá fora ao Inpi, que só repassava os pedidos para o exterior.
Os documentos tinham obrigatoriamente de ser traduzidos para a língua oficial do país. Lá, o interessado em obter a patente também tinha de contratar um representante legal.
Após esse processo, começam os trâmites para a concessão da patente. Basicamente, são dois os procedimentos. O primeiro é uma busca em todos os escritórios internacionais para saber se a invenção já não está registrada. Em seguida, exige-se um exame técnico, que consiste em uma avaliação da natureza da invenção para saber se ela tem aplicação industrial, por exemplo.
Nos EUA, a primeira etapa custa US$ 1.800 e a segunda, US$ 600. A tradução, mais US$ 130. Isso sem contar a contratação de um procurador.
Com a inclusão do Inpi na lista dos escritórios que podem fazer esse tipo de serviço, os brasileiros só terão de pagar uma taxa que ainda será definida. Estima-se que ela ficará entre R$ 1.000 e R$ 2.000.
Patente pela internet
Além do novo serviço, o Inpi também anunciará, em abril, a implementação de um projeto de pedidos de patentes pela internet. Sardelli acredita que o serviço estará disponível em 2009. "Até os pedidos de patentes no exterior poderão ser feitos via internet", diz Sardelli.
A mudança deve não apenas reduzir os custos como agilizar o processo de obtenção dos registros. "Assim poderemos avançar na lista dos países que mais têm registros," diz.
Em 2007, o Brasil teve 384 patentes registradas, índice que colocou o país na 24ª posição entre os 138 signatários do Tratado de Cooperação de Patentes, da ONU.
Para os inventores, as mudanças em curso no Inpi são fundamentais. De acordo com a tabela do Inpi, grandes empresas pagam R$ 640 por uma patente, pequenas e médias desembolsam R$ 255.
"Isso se elas não contratarem escritórios de advocacia especializados em preparar a documentação da patente", afirma Sardelli. "No site do Inpi, já é possível ter um "passo-a-passo" para que o próprio inventor faça esse trabalho, livrando-se de gastos extras," diz.
Outro problema é a demora na obtenção da patente. Em média, um inventor espera até 5 anos. Há setores em que a demora é de 8 anos. Em outros, como os de engenharia mecânica, é de 4 anos, considerado um padrão internacional. Nesse prazo já estão incluídos os 18 meses, previstos em lei, em que o Inpi nada pode fazer porque é um prazo para que o inventor faça alterações em seu pedido.
Segundo Sardelli, o Inpi contratou 135 funcionários, em 2006, e deverá chegar a 360, até o final de 2008, o que deve reduzir os prazos atuais.
Obstáculos patentes volta
Folha de São Paulo
24/02/2008
FOI DIVULGADO nesta semana um novo ranking de países segundo seu desempenho na inovação científica. Mais uma vez, o Brasil permanece entalado no que parece ser uma incapacidade crônica de converter sua produção acadêmica em invenções que gerem patentes.
Analisando isoladamente os dados relativos a pedidos de patentes internacionais, até que o país não se saiu muito mal. Em 2007, apresentamos 384 requisições, um aumento de 15,4% em relação ao ano anterior. Com isso, galgamos quatro posições e passamos a ocupar o 24º lugar na lista dos 138 signatários do Tratado de Cooperação de Patentes.
O problema é que a colocação é incompatível seja com a produção científica nacional, seja com o tamanho da economia brasileira. O país é o 15º do mundo na publicação de artigos científicos em periódicos de primeira linha e o 10º na soma de todos os bens e serviços produzidos.
O diagnóstico de que temos dificuldades para levar a pesquisa acadêmica ao setor industrial não é novo. Ele norteou as políticas científicas dos governos Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. Com base nessa avaliação, surgiram importantes iniciativas, como os fundos setoriais, criados para tornar permanente o financiamento de pesquisa. Vale citar também a Lei de Inovação, de 2004, voltada a ampliar a cooperação entre a academia e o setor privado e a incentivar a contratação de pesquisadores por empresas.
Os resultados dessas políticas, entretanto, estão custando a se materializar. Em parte porque são iniciativas de maturação a longo prazo, mas também porque o próprio governo as sabota -contingenciando os fundos setoriais, por exemplo.
É preciso identificar as falhas no sistema e eliminá-las. O Brasil não pode se conformar ao papel de exportador de commodities.
Expansão da marca requer cuidados volta
Estratégia deve ser precedida de pesquisa de mercado
Folha de São Paulo
MARIA CAROLINA NOMURA
DA REPORTAGEM LOCAL
24/02/2008
Crescer é a meta de todo empresário, mas, quando alcançar esse objetivo implica em expandir a marca para segmentos ou públicos diferentes, a recomendação é ter cautela.
O diretor da Troiano Consultoria de Marca, Jaime Troiano, afirma que, antes de ampliar os horizontes, o empresário precisa verificar o grau de consolidação de sua marca.
"Ele deve fazer uma pesquisa com os consumidores para saber como a marca é lembrada e reconhecida e descobrir em qual "arara mental" do consumidor ela está", aconselha.
A Any Any, rede de lojas de roupas íntimas, expandiu sua atuação para o segmento das gestantes, criando a Any Any Mãe. Viktor Ljubtschenko, sócio-proprietário, diz que foram investidos R$ 300 mil em duas unidades da nova linha.
"O mercado está carente no segmento de maternidade", afirma. A marca, que tem somente lojas próprias, prevê a inauguração de mais quatro pontos-de-venda da Any Any Mãe para este semestre.
Já a Y/Man, loja de roupas masculinas, criou a Y/Club, focada no público infanto-juvenil. A novidade está disponível para lojas multimarcas. Neste ano, deverão ser inauguradas duas lojas próprias da nova marca, segundo o presidente da Y/ Man, Marcelo Abrão.
Entre as franquias, o grupo Ornatos, que tem a rede Morana, de bijuterias, fez uma parceria com a Disney para lançar a Balonè, marca de acessórios para adolescentes.
"Temos uma loja própria e já abrimos franquias", diz Eduardo Morita, diretor de marketing do grupo. O investimento inicial em uma loja da Balonè é de R$ 150 mil, com retorno previsto em cerca de dois anos.
Patente dá garantia a produtos exclusivos volta
Jornal do Commercio
Simone Garrafiel
25/02/2008
Entre os produtos, a exclusividade caminha ao lado da inovação e as empresas devem se proteger para não ficar à mercê dos plagiadores. A garantia da exclusividade e o direito de brigar pela autoria em caso de pirataria são as vantagens de uma empresa depositar a patente de sua invenção. Rita Pinheiro Machado, coordenadora da Academia de Inovação e Propriedade Intelectual do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), explica que patentear é como selar a qualidade do produto ou processo apresentado.
"Quando a empresa investe no desenvolvimento de um produto ou processo inédito, é importante proteger esse conhecimento. Além do fator segurança, é uma forma de creditar confiabilidade ao que está sendo comercializado. Quem compra, certamente, fica mais seguro se o produto for patenteado. Essa orientação serve para organizações de todos os portes", ressalta Rita.
Para fazer um pedido de patente, a coordenadora informa que é preciso que o produto ou processo tenha três requisitos básicos: ser novo, ter aplicação industrial e ser inventivo, ou seja, não ser o resultado óbvio da junção de dois outros produtos já existentes. Depositado o pedido, Rita diz que é feito um exame técnico para deferir ou não a expedição da carta-patente.
Telefone
Criado para utilização em transportes urbanos, o telefone público Télo, invenção da PVInova, empreendimento nascido no Instituto Gênesis, incubadora de empresas da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio), está em processo para obter a patente. Futuramente, a empresa pretende fazer o mesmo no exterior. "Em outros países, estamos depositando aos poucos, pois o custo das patentes internacionais é elevado, afirma Paulo Lerner, diretor de Tecnologia da PVInova.
O produto, resultado de uma série de pesquisas de mercado desenvolvidas nos últimos três anos pela empresa, surgiu a partir da percepção de que o tempo das viagens de ônibus, de 50 minutos em média, é visto como ocioso. Lerner, que também é um dos criadores do Télo, ressalta que ser contemplado pelo Programa de Subvenção Econômico à Empresa da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e firmar parcerias com uma empresa fornecedora de telefones públicos e com designers foram determinantes para que o produto fosse desenvolvido.
"Investimos cerca de R$ 2 milhões para que chegássemos ao que queríamos. Atualmente, 20 ônibus de Porto Alegre circulam com o telefone, em caráter de teste. A aceitação tem sido boa e os passageiros elogiaram o produto. O Télo possui tarifa mais barata que o celular pré-pago, a ligação tem qualidade melhor que a dos orelhões convencionais e possui tecnologia de supressão de ruídos", salienta ele.
Celulares e tocadores de mp3 poderão ser recarregados por camiseta volta
Mídia eletrônica: UOL Tecnologia
http://tecnologia.uol.com.br
Por Paula Gil São Francisco (EFE)
22/02/2008
Parece ficção, mas algum dia usaremos roupas fabricadas com tecidos tecnológicos que, ao serem vestidas, produzirão energia suficiente para recarregar um tocador de mp3 ou um telefone celular.
Um grupo de cientistas do Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos Estados Unidos, está trabalhando em um sistema para fabricar tecidos que geram eletricidade quando forem vestidos, friccionados ou simplesmente movidos pelo vento.
O estudo, publicado na última edição da revista "Nature", se baseia no chamado efeito piezoelétrico (eletricidade de pressão), conhecido no século XIX, mas que está sendo redescoberto agora em vários projetos que visam à geração de energias limpas.
As ferrovias japonesas, por exemplo, estão fazendo pesquisas com tapetes que transformam a pressão originada pelas pisadas dos milhões de viajantes que circulam pelas estações em eletricidade.
A "Nature" explica que a equipe do Instituto da Geórgia, liderada pelo professor Zhong Lin Wang, cobriu fibras de tecido com nanofibras de óxido de zinco 1.800 vezes mais finas do que um cabelo humano.
Depois essas fibras foram alternadas com outras recobertas de ouro. O atrito entre elas gera uma carga piezoelétrica que é captada pelas fibras cobertas de ouro e transferida a um circuito.
A equipe do professor Lin Wang calcula que um metro quadrado deste material pode gerar em torno de 80 miliwatts de eletricidade, energia suficiente para recarregar um aparelho eletrônico pequeno como um tocador de mp3.
A roupa fabricada com este material não será mais pesada do que as que usamos, e para gerar energia não será preciso fazer nada em especial: simplesmente vesti-la, movimentar-se e respirar.
O material pode ser usado também para fabricar cortinas ou estruturas como barracas que gerem eletricidade ao captar o movimento do vento ou a vibração do som, acrescenta a "Nature".
Os tecidos terão também várias aplicações no campo militar - o estudo é parcialmente financiado pelo Governo americano - e poderão ser usados para recarregar sensores químicos ou de gás.
Os pesquisadores do Instituto Tecnológico da Geórgia ainda não confeccionaram artigos feitos com o novo tecido, e acreditam que a roupa coberta com nanofibras deve demorar ainda algum tempo para aparecer no mercado.
"Damos um prazo de cinco anos ou mais" reconheceu à Agência Efe o professor Wang. "Ainda há muitos desafios a superar e um monte de trabalho a fazer", afirmou.
Um deles, por exemplo, é conseguir um preço aceitável para estes tecidos. A equipe de Wang utilizou ouro para recobrir parte das nanofibras, mas afirma que outros metais mais baratos poderiam funcionar da mesma forma.
Porém, nem tudo são flores. O principal problema, por enquanto, é a água. As nanofibras de óxido de zinco não podem ser molhadas e a camiseta geradora de energia perderia sua utilidade após a primeira lavada.
"Estamos desenvolvendo estratégias para resolver este problema", disse Wang, afirmando que tem certeza de que sua equipe encontrará uma boa solução.
China está a caminho de ultrapassar Estados Unidos em ciência e tecnologia volta
Mídia eletrônica: Inovação Tecnológica
http://www.inovacaotecnologica.com.br
Agência FAPESP
21/02/2008
"É como ter 40 anos de idade e jogar basquete contra um adversário de apenas 12 anos, mas que já tem a sua altura. Você é um pouco melhor do que ele, e tem mais experiência, mas não vai conseguir melhorar muito o seu desempenho. O futuro claramente não parece bom para os Estados Unidos."
Saem Estados Unidos, entra a China
As palavras são do norte-americano Nils Newman, diretor de novos negócios da Search Technology, e servem como resumo dos resultados de um estudo comparativo sobre competitividade dos países mais industrializados.
Em um momento em que a economia norte-americana dá sinais cada vez mais fortes de uma inevitável recessão, a pesquisa chega como um grande banho de água fria para o país. De acordo com o estudo, financiado pela National Science Foundation, a China em breve ultrapassará o gigante rival e se tornará o principal motor da economia mundial, posição ocupada pelos Estados Unidos desde o fim da Segunda Guerra.
Liderança chinesa
Os indicadores apontam que a inversão já começou, com os chineses aparecendo em 2007 na liderança no item competitividade tecnológica. O trabalho analisou o desempenho na exportação de produtos tecnológicos em 33 países, combinado com quatro fatores: orientação nacional no sentido da competitividade tecnológica, infra-estrutura socioeconômica, infra-estrutura tecnológica e capacidade de produção.
Os dados foram combinados com análises de especialistas para se chegar aos índices finais. Os Estados Unidos ficaram com 76,1, seguidos pela Alemanha com 66,8 e Japão com 66, mas com a China à frente, com um impressionante 82,8. Ao repetir a análise, mas para dados de 1996, os pesquisadores verificaram que o índice da China era de apenas 22,5, longe dos 95,4 dos norte-americanos, então no auge de seu domínio tecnológico.
Tecnologia chinesa
"A China mudou completamente o cenário mundial em relação à tecnologia. Pegue manufatura de baixo custo, foque em tecnologia e combine o resultado disso com a crescente ênfase em pesquisa e desenvolvimento e teremos um resultado que, ao final, não deixará muito espaço para os outros países", disse Alan Porter, diretor do Centro de Política Tecnológica do Instituto de Tecnologia de Georgia (Georgia Tech), que coordenou o estudo junto com Newman.
A pesquisa também indica que a China ultrapassará em breve os Estados Unidos no desenvolvimento de ciência e tecnologia básica, na capacidade de transformar inovações em produtos e serviços e na eficiência de venda para o resto do mundo.
Qualidade futura
Embora a China continue sendo encarada por muitos como um fabricante de produtos baratos e de baixa qualidade, o estudo, intitulado High Tech Indicators, mostra claramente que o gigante asiático tem aspirações muito maiores.
"Pela primeira vez em quase um século vemos a liderança em pesquisa básica e na capacidade econômica de buscar os benefícios das pesquisas - ou seja, criar e comercializar produtos baseados em pesquisa - em mais de um lugar no planeta", disse Newman.
"É uma situação em que temos produtos tecnológicos no mercado mundial que não são desenvolvidos ou mesmo comercializados nos Estados Unidos. Não temos mais envolvimento com eles e até mesmo não sabemos que eles estão sendo lançados", destacou.
Próximo Japão
A Georgia Tech tem produzido os High Tech Indicators desde a década de 1980, para tentar avaliar qual país se tornaria o "próximo Japão", ou seja, o novo adversário dos norte-americanos na economia mundial.
O novo estudo indica que tanto os Estados Unidos como o Japão estão em queda no item competitividade tecnológica, em contraste com o crescimento elevado da China e de outros tigres asiáticos, como Coréia do Sul, Cingapura e Taiwan. Além disso, se os 27 países da União Européia foram considerados em conjunto, o resultado também deixaria os norte-americanos para trás.
Mas o maior sinal dos novos tempos é que os indicadores mostram que a maior parte das nações industrializadas atingiu uma espécie de equilíbrio. O que não se verifica nos números da China, que sinalizam um avanço sem interrupções nos próximos anos.
Brasil e Argentina definem cooperação nuclear, mas acordo sobre gás fracassa volta
Valor Econômico
Janes Rocha
25/02/2008
Os governos do Brasil e da Argentina assinaram um amplo acordo na área energética, que vai garantir mais energia de fontes diversificadas para os dois países a médio e longo prazos. Mas o documento ficou ofuscado pela questão emergencial de curto prazo: o suprimento de gás para a Argentina no próximo inverno. Uma negociação para que o Brasil cedesse parte de sua cota do gás boliviano para a Argentina, fracassou após reunião trilateral realizada sábado na residência oficial de Olivos.
Os acordos assinados na sexta-feira, durante a primeira visita de Estado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, prevêem um histórico avanço na cooperação nuclear entre os dois países, além da construção de nova hidrelétrica no rio Uruguai, ampliação da estrutura de transmissão elétrica, um programa bilateral de energias novas e renováveis e a entrada do Brasil em um projeto de regaseificação de gás natural (GNL) venezuelano.
O acordo de cooperação nuclear prevê um projeto comum incluindo a constituição de uma nova empresa binacional de enriquecimento de urânio e o desenvolvimento de um modelo de reator nuclear que permitirá reforçar os sistemas elétricos dos dois países, com possibilidade de atender aos países vizinhos.
Uma novidade dos acordos assinados na visita de Lula é trazer, pela primeira vez, um cronograma de implementação de cada uma das medidas. No acordo nuclear, por exemplo, ficou determinado que até o fim de junho devem ter início as negociações para a constituição da empresa binacional que vai fazer o enriquecimento de urânio. Até 30 de agosto serão apresentados os relatórios específicos a esta etapa.
O ministro da Defesa, Nelson Jobin, que acompanhou Lula, explicou que o acordo prevê também a montagem conjunta de um submarino nuclear, com tecnologia francesa. "O Brasil já tem o ciclo de combustível e o que estamos discutindo com a França é a parte não-nuclear do submarino", afirmou o ministro.
Já a hidrelétrica de Garabi, que agora entra na fase de licitação de estudos de marco regulatório, vai representar o acréscimo de 1,8 mil MW, o equivalente a 20% da produção da hidrelétrica de Itaipu (binacional com o Paraguai). Mas é um projeto de longo prazo. O cronograma prevê o início da construção a partir de 2011, quando deve ficar pronto o relatório de impacto ambiental. A partir daí, dizem os especialistas, vai levar mais cinco anos para ser construída.
O problema é que Brasil, Argentina e todos os países da região têm pressa. "A economia da Argentina crescendo a 8%, a do Brasil 5%, a da Bolívia a 4%, todos nós vamos precisar de mais energia", reconheceu o presidente Lula, na caótica entrevista que deu à imprensa brasileira e argentina sábado, no pátio da base aérea, minutos antes de embarcar no avião presidencial, debaixo de forte sol e com voz abafada pelas turbinas dos aviões e pelo som da banda militar que tocava em homenagem à delegação brasileira.
Lula havia acabado de sair da reunião com Cristina Kirchner, da qual também participou o presidente da Bolívia, Evo Morales. No encontro, segundo o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, Cristina pediu a Lula um milhão de metros cúbicos de gás da cota que o Brasil importa da Bolívia, que é de 31 milhões de m3 diários. A resposta foi não ao gás, mas Lula propôs ampliar o fornecimento de energia elétrica, com o envio adicional de 200 MW/hora, em troca do mesmo insumo que a Argentina pagaria quando pudesse. Seria o primeiro teste de um novo mecanismo, previsto nos acordos assinados na sexta-feira, de "intercâmbio compensado de energia elétrica entre os dois países, em base permanente". Ficou acertado que os ministros de energia dos três países vão se reunir em dez dias para encontrar uma solução.
O resultado da reunião trilateral de sábado foi decepcionante, não só para a Argentina, que precisa urgentemente de mais gás, mas também para o governo boliviano, que esperava promover um entendimento entre os maiores sócios do Mercosul. Morales queria evitar assumir o descumprimento dos contratos - que poderá resultar em multa para a Bolívia - diante do fato, já reconhecido, de que não poderá fornecer todo o gás prometido aos seus dois únicos clientes.
Morales, que normalmente é o presidente mais acessível à imprensa entre os três, ficou tão frustrado que cancelou uma entrevista coletiva que havia sido marcada pela embaixada boliviana em Buenos Aires e voltou para La Paz sem dizer uma palavra sobre o assunto.
Aquecimento global volta
O Estado de São Paulo
Carlos Aguiar
25/02/2008
Como único brasileiro convidado a participar de recente seminário internacional realizado na Índia sobre a importância das florestas plantadas na mitigação das mudanças climáticas naquele país, julguei oportuno dividir um pouco do que lá ouvi e algumas de minhas convicções sobre o assunto.
Como já é bem sabido, o dióxido de carbono CO2 é o maior contribuinte (50%) na emissão dos gases causadores do “efeito estufa”, que podem gerar mudanças climáticas como o aumento da temperatura, variação no ciclo de chuvas, encurtamento das estações do ano, redução no fluxo dos rios, aumento no nível do mar, secas mais intensas, ondas de calor e incêndios florestais, aumento dos tornados e furacões. Tudo isso com reflexos sobre a vida e a saúde das pessoas, as economias, a produção agrícola, os retornos sobre investimentos e os gastos sociais. Portanto é uma questão do interesse comum.
A Índia está fortemente inclinada a fomentar o plantio de plantas que tenham a possibilidade de produzir biocombustível e florestas produtivas que possam absorver CO2, resolvendo diversos problemas no país, como o suprimento de madeira sólida, carvão, celulose e papel, e a geração de emprego e industrialização. A ONU, pela convenção do clima, reconheceu o florestamento e o reflorestamento como meios de baixo custo para combater as mudanças climáticas e, por isso, reconheceu as florestas plantadas como um dos mecanismos de desenvolvimento limpo (CDM) no Acordo de Marrakesh.
Presente na reunião, o ministro do Meio Ambiente da Índia, Namo Narayan Meena, indicou que seu presidente aprovou o início do plantio de pinhão-manso em áreas de 500 mil hectares de terras do governo para, em seguida, implantar cerca de 12 milhões de hectares, procurando atrair empresas privadas para esta segunda fase. É importante lembrar que a Índia, com 1 bilhão de habitantes, tem de ter cuidado redobrado com sua produção de alimentos. O Ministério do Desenvolvimento Rural tem sob sua responsabilidade 306 milhões de hectares, dos quais 173 milhões estão cultivados e o restante é considerado terras erosivas ou não aráveis, portanto, aptas à produção de biocombustível e de florestas plantadas. O governo indiano já distribuiu 380 milhões de mudas de pinhão-manso aos fazendeiros, sem custo, e 80 prensas para a produção do óleo, com garantia de compra do produto. Os resultados deixam a desejar, mas é um primeiro passo.
Todo esse esforço vem em razão de a Índia crescer 9% ao ano e já ser hoje o 5º maior consumidor de energia do mundo. Grande parte dessa energia vem da biomassa do setor rural, implicando desmatamento. Como se sabe, o desmatamento é responsável por 25% a 30% da emissão de gases de efeito estufa e, infelizmente, o Brasil foi citado em todas as palestras como o principal responsável. Minha veemente defesa, explicando que havíamos conseguido reduzir em quase 60% o ritmo do desmatamento, me deixa constrangido após a divulgação dos últimos - e agora controversos - dados nas manchetes dos jornais.
O segundo plano da Índia no combate ao aquecimento global é a implantação de florestas de rápido crescimento. Elas têm um tremendo potencial por seqüestrar carbono a baixo custo, gerando diversos produtos, empregos e reduzindo o desmatamento. Dispõem de 64 milhões de hectares de terras degradadas e de 50 milhões de hectares de terras costeiras ou inclinadas. Pensam em cobrir essas áreas com árvores, privatizando essas terras e desenvolvendo tecnologias. Suas primeiras florestas de eucalipto, plantadas pelo governo com pouca tecnologia e assistência técnica, têm produtividade de não mais de 5 m³/ha/ano, enquanto no Brasil já se chega a 10 vezes esse valor. Com tecnologia, é possível que possam alcançar uma produtividade entre 12 e 15 m³/ha/ano.
Saí da conferência com a sensação de que o Brasil tem tudo para usar esse caminho no combate ao desmatamento, gerando mais biomassa, mais energia, mais produtos de madeira, maior uso das terras degradadas, mais negócios; enfim, resolver diversos problemas com uma única solução. Temos 200 milhões de hectares de pastagens e somente 5,5 milhões de florestas plantadas, que geram riqueza de quase 4% do PIB. Imaginem o que significam 20 ou 30 milhões de hectares de florestas plantadas em absorção de CO2 e possibilidade de redução do desmatamento! A biomassa gerada é renovável, diferentemente do petróleo, do gás e mesmo da energia hidráulica, que será dependente da chuva cada vez menos intensa.
A segurança de energia e água é extremamente estratégica para o futuro de qualquer nação e o Brasil, com o clima e a tecnologia que possui, não pode desperdiçar essa oportunidade de aumentar suas florestas plantadas em áreas degradadas, feita de forma tal que não compita com os alimentos e não promova desmatamento. Temos um manejo florestal moderno, em que para cada 2 hectares de floresta plantada é preservado 1 hectare de mata nativa; podemos combater as doenças e pragas, temos processos de plantio que incluem pequenos fazendeiros e temos mercado para diversos produtos como carvão vegetal, tábuas, placas, aglomerados, móveis, pisos, MDF, gaseificação, celulose e papel.
No Brasil também podemos incrementar a agrossivilcultura com ganhos de sinergias, pois a floresta baixa a temperatura dos plantios, melhorando a perda de água por evaporação, e reduz a erosão do solo, renovando o ciclo de nutrientes. E diminui a pressão sobre as matas nativas para a secagem de grãos e o uso doméstico, trazendo ainda um ganho econômico aos proprietários rurais.
O Brasil poderia seguir o exemplo da Índia com imensas vantagens de clima, solo, tecnologia e tempo. É preciso qualificar e aprofundar o debate dessa alternativa estratégica. O futuro do planeta e da humanidade depende, em boa medida, do futuro das florestas, nativas e plantadas.
Carlos Aguiar é diretor-presidente da Aracruz Celulose
Pesquisadores querem liberdade para ir além do 'arroz com feijão' volta
Físicos brasileiros cobram mais apoio do CNPq para projetos de risco, que podem ou não resultar em publicações
O Estado de São Paulo
Herton Escobar
24/02/2008
“O Brasil já faz muito bem o arroz com feijão. Está na hora de fazer coisas mais sofisticadas.” Com essa analogia culinária, o físico Constantino Tsallis chama a atenção para um gargalo cada vez mais apertado, que ameaça estrangular o crescimento da ciência brasileira: a dificuldade de distribuir recursos escassos, de maneira equilibrada, para uma população cada vez maior e mais exigente de pesquisadores.
Pelas regras atuais do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), principal órgão de fomento à pesquisa do governo, apenas projetos mais convencionais são contemplados, enquanto trabalhos mais arriscados e de longo prazo acabam negligenciados, segundo o físico.
Uma rigidez burocrática que, segundo ele, inibe a ousadia intelectual dos pesquisadores e diminui as chances de o País chegar a descobertas científicas mais significativas - daquelas que podem render um Prêmio Nobel. “Ninguém ganha o Nobel fazendo feijão com arroz. Isso todo mundo faz”, aponta Tsallis, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio.
Pratos mais elaborados, segundo ele, exigem liberdade para ousar nos condimentos e experimentar novas receitas. “Pela mentalidade atual, projetos de grande risco são jogados fora quase que de cara”, afirma Tsallis. “Muitas pesquisas que poderiam ter um impacto grande acabam não sendo feitas”, concorda o diretor do CBPF, Ricardo Galvão. “O pesquisador simplesmente não se arrisca. Prefere continuar sempre na mesma linha de pesquisa, porque sabe que aquilo vai render resultados garantidos.”
Tsallis, de 64 anos, expôs suas críticas em uma carta aberta à Sociedade Brasileira de Física (SBF), publicada no mês passado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e pela Academia Brasileira de Ciências (ABC).
O texto é especialmente direcionado ao Comitê de Assessoramento de Física e Astronomia do CNPq, grupo de cientistas responsável pela avaliação e concessão das prestigiosas Bolsas de Produtividade em Pesquisa. Mas as críticas, segundo Tsallis, valem para todo o sistema de bolsas e fomento.
Para ele, falta flexibilidade ao CNPq para apoiar cientistas que não se encaixam no modelo padrão de produção. Ele questiona algumas exigências básicas, como a obrigação de orientar alunos de doutorado e publicar um número mínimo de trabalhos por ano em revistas selecionadas.
“São todos critérios razoáveis, que na média funcionam muito bem, mas que, usados da maneira errada, se tornam extremamente nocivos”, disse Tsallis ao Estado. “Os critérios deveriam ser sempre indicativos, nunca eliminatórios.”
A reclamação, curiosamente, parte de um cientista que não tem muito do que reclamar. Nascido na Grécia e nacionalizado brasileiro, Tsallis preenche com folga todos os requisitos do CNPq. Mantém bolsa de produtividade há mais de 20 anos, já orientou 26 teses de doutorado e tem quase 300 trabalhos publicados, com cerca de 8 mil citações - números que o qualificam como um dos cientistas mais influentes no País.
É também o cientista brasileiro com o segundo maior número de citações nominais (quando um outro cientista menciona seu nome no título de um trabalho, por exemplo), com 1.019 citações - atrás apenas de Carlos Chagas, que tem 5.598. Isso graças a uma importante teoria da física estatística que ele publicou em 1988, conhecida como “entropia de Tsallis”. “Levanto essa questão porque estou cansado de ver dúzias de bons cientistas serem desestimulados pelo mau uso de critérios”, afirma o físico.
O Estado conversou com vários pesquisadores sobre o tema. Muitos concordaram com Tsallis, outros consideraram suas críticas exageradas e influenciadas por motivações pessoais. Mas todos estão de acordo que o sistema de avaliação brasileiro pode - e deve - ser melhorado. Ou pelo menos discutido (leia texto abaixo).
“Durante toda a minha gestão no CNPq insisti para que a comunidade científica discutisse os critérios de julgamento adotados pelos comitês”, disse o pesquisador Erney Camargo, da Universidade de São Paulo (USP), que presidiu o CNPq de 2003 a 2007. “O professor Constantino está apenas fazendo o aconselhável e sua proposta (de debater o tema) coincide plenamente com minha posição.”
'Temos muita gente boa para pouco dinheiro' volta
Para o físico Marcelo Knobel, tarefa de distribuir verba é complicada
O Estado de São Paulo
24/02/2008
A preocupação sobre a distribuição de bolsas e recursos surge como efeito colateral do crescimento explosivo da comunidade científica brasileira nas últimas décadas, impulsionado pela expansão da pós-graduação. O País forma, hoje, perto de 10 mil doutores por ano. Sem muitas oportunidades no setor privado, muitos permanecem na academia, criando uma demanda cada vez maior por bolsas e investimentos dos órgãos públicos. Resultado: mesmo com aumento do número de bolsas, a demanda ainda é bem maior.
“Tem muita gente boa para pouco dinheiro, o que torna a tarefa de distribuir recursos extremamente complicada”, observa o físico Marcelo Knobel, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Cinco anos atrás, o CNPq oferecia 7.800 bolsas de produtividade. Hoje, são 10.300, com cerca de 3.300 “vagas” para julgamento - as bolsas valem por três anos e podem ser renovadas ou não. Dentro disso, o setor de física e astronomia tem 780 bolsas. No último julgamento, concluído em janeiro, foram 416 solicitações para 243 vagas - quase duas para uma.
O que deixa muitos cientistas descontentes, segundo Constantino Tsallis, é a maneira “inflexível” com que os critérios são aplicados. As bolsas de produtividade são muito disputadas pelos cientistas, mais até pelo prestígio do que pelo dinheiro. São como um “selo de qualidade” do pesquisador, o que ajuda não só no reconhecimento acadêmico, mas na disputa por recursos e promoções. O valor para um pesquisador do nível mais alto do CNPq é de R$ 1.250, mais R$ 1.300 de “adicional de bancada”, para equipamentos e viagens.
Com o aumento da demanda, as seleções passaram a ser cada vez mais centradas em critérios estatísticos e menos em avaliações individuais de mérito. Para ter uma bolsa de produtividade, é preciso, no mínimo, publicar uma média de dois trabalhos por ano em revistas científicas consideradas de alto nível pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação.
As normas do CNPq já fazem a seguinte ressalva: “É importante salientar que esta não é uma regra fixa, havendo situações em que a qualidade das revistas, o número de autores e o tipo de trabalho são considerados relevantes, e não só o indicador quantitativo.” O problema, segundo os críticos, é que essa orientação nem sempre é colocada em prática. “O comitê tem flexibilidade para decidir, mas é muito pouca”, diz o físico Luiz Nunes de Oliveira, do Instituto de Física de São Carlos da USP. “A impressão é que as decisões são muito mais baseadas em processos numéricos.”
“O que chamam de avaliação é na verdade uma contagem de trabalhos”, contesta o pesquisador Gil da Costa Marques, professor titular e ex-diretor do Instituto de Física da USP. Ele teve a bolsa de produtividade cancelada em 2006, após resolver se dedicar a uma nova teoria unificada sobre partículas elementares. Focado na pesquisa, ele não publicou o mínimo de trabalhos e a bolsa - que mantinha havia 28 anos - foi cortada. “O problema da ciência no Brasil não é mais de números. O grande problema é que não há incentivos para trabalhos criativos e que demandem tempo para dar resultados.”
“Por que arriscar, se o meu tema está rendendo?”, pergunta o físico Roberto Jorge Vasconcelos dos Santos, aposentado da Universidade Federal de Alagoas. “Em vez de gerar o altíssimo padrão de produção que supostamente pretende, o sistema desestimula, mata no nascedouro novas vocações, desestimulando a pesquisa do novo e privilegiando a repetição de temas nos quais os já agraciados têm certeza de publicar.”
Outro físico reconhecido, que prefere que seu nome não seja publicado, também enfrentou dificuldades para manter a bolsa. Dono de um currículo invejável, teve a bolsa cancelada em 2003, após passar períodos como professor convidado na Universidade de Toulouse, na França. “Terminado meu período lá, pedi novamente a bolsa, mas foi negada porque minha produção estava baixa em conseqüência de eu ter mudado de rumo nas pesquisas.” Só recuperou a bolsa no mês passado. “Acho que regras mais flexíveis seriam melhor para todo mundo. Na média, não mudaria muito, mas há casos especiais que poderiam ser beneficiados.”
PROTEÇÃO
Propor um sistema alternativo que não traga o risco de mais e maiores injustiças é difícil, até para os críticos. Se, por um lado, critérios estatísticos penalizam alguns cientistas, por outro, são garantia de transparência e objetividade, blindando contra influências pessoais e favorecimentos.
Hoje, qualquer cientista pode entrar na internet e averiguar o currículo de um colega. Se um pesquisador que publica mais do que outro tem a bolsa negada, é certo que o comitê será questionado. “É preciso reconhecer que hoje tudo é transparente, e isso é fundamental”, diz o ex-presidente do CNPq, Erney Camargo. “Erros podem ser cometidos, mas são poucos”, diz o físico José Roberto Drugowich, diretor de Programas Horizontais e Instrumentais do CNPq. “Acho que o sistema funciona bem.”
Drugowich aponta que a bolsa de produtividade é apenas um entre muitos instrumentos de fomento, e que pesquisadores não contemplados nesses casos podem recorrer a outras fontes. “Quem tem um bom projeto consegue recurso.”
Coréia do Sul é janela para o futuro volta
Nação mais conectada do planeta aposta na web para capacitar as pessoas e na tecnologia como motor de desenvolvimento
O Estado de São Paulo
: Jocelyn Auricchio, Seul
25/02/2008
A Coréia do Sul é o maior laboratório global da web. O que acontece por lá atualmente é um bom indicativo de como as coisas acontecerão no futuro, no resto do mundo. Cerca de 90% da população está plugada à internet, usando a conexão mais rápida e barata do planeta.
Quase todas as casas possuem conexões ilimitadas de 50 Mb/s (megabits por segundo), pagando menos de R$ 35. No Brasil, uma conexão de 8 Mb/s - por enquanto a mais rápida disponível - não custa menos de R$ 200.
“A tecnologia deu poder às pessoas e, depois que teve acesso à internet super-rápida, o coreano está sempre buscando novos jeitos de usar a rede”, diz disse Jean K. Min, um dos diretores do OhMyNews, jornal colaborativo que é um verdadeiro fenômeno.
“Após rompermos a barreira da velocidade, o desafio agora é dar um salto de conteúdo, ou seja, o cidadão gerar seu próprio conteúdo, propagar suas próprias idéias”, afirmou.
Em um lance arriscado e visionário, o governo fez pesados investimentos, em parceria com a iniciativa privada, na infra-estrutura de telecomunicações do país, com a missão de capacitar a população para o século 21.
Essa facilidade de acesso à web transformou a vida do coreano e dinamizou o país.
Toda uma indústria se formou em torno da internet. A informação corre livre e sem censura. Games, música, vídeo são avidamente consumidos. E a maioria desse conteúdo é 100% legal, comprado online. Muitas vezes, o conteúdo é baixado direto para o celular.
Os games são parte integrante da nova cultura coreana. São mais de 20 mil lan houses (que por lá são chamadas de PC Baang, ou salas de PCs) e mais de 3 mil empresas desenvolvem games online e serviços de banda larga, movimentando mais de US$ 4 bilhões por ano.
Antes de apostar suas fichas na tecnologia como motor de desenvolvimento econômico e florescer na internet, a Coréia do Sul venceu o analfabetismo, com fortes investimentos em educação e cultivo ao hábito da leitura, o que pode ser vistos nos trens do metrô.
Atualmente, o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da Coréia do Sul é de 0.921, 26º lugar entre 177 países listados pela ONU. O Brasil está em 70º, com 0.8. Este índice busca medir o grau de desenvolvimento humano dos países com base em avanços na área social, como educação, saúde e expectativa de vida, entre outros.
Seul, a capital sul-coreana, tem um ar de metrópole pré-fabricada, com uma infinidade de prédios em construção e um visual meio genérico. É o centro nervoso da nação mais conectada do planeta, um pólo de prosperidade que lidera a revolução digital do século 21.
Shoppings centers gigantes dividem espaço com quilométricas galerias subterrâneas apinhadas de lojas onde vende-se de tudo: de garrafas de ginseng a esculturas luminosas feitas de LEDs, um tipo de lâmpada supereconômica.
A escalada do crescimento sul-coreano já dura três décadas. Já chegou a atingir impressionantes 9% ao ano e hoje se mantém em respeitáveis 5%. Isso tudo mesmo após sofrer um verdadeiro colapso econômico em 1997.
Empresas de renome mundial como Samsung, LG e Hyundai, gigantes industriais da eletrônica e automobilismo, oferecem produtos de altíssima tecnologia, com design único, conquistando respeito e mais espaço no mercado mundial a cada dia.
A Coréia fabrica de nanopartículas de prata a navios inteiros. Lidera em vários campos de pesquisa, desde células-tronco a robótica e nanotecnologia. E pensar que, na década de 1950, era um dos países mais pobres da Ásia.
Todo esse esforço se traduz em mais qualidade de vida e oportunidades para a população. Para conhecer um pouco desse fenômeno, o Link foi com a cara e a coragem para Seul.
A primeira sensação foi de total alienação. Além de não falar a língua, leva-se algum tempo para digerir e compreender as diferenças culturais, em especial o choque entre o moderno e o antigo, as novidades e a tradição.
Mas logo a ficha cai e percebe-se como a tecnologia é onipresente e vai muito além dos celulares equipados com TV digital, bastante comuns.
Bem vindo à Coréia. Ou melhor: Hanguk-e oshingosur hwan-young-hamnida.
Tecnologia é um dos pilares da Coréia do Sul volta
A nação mais plugada do planeta é exemplo de como o desenvolvimento planejado pode modificar e melhorar a vida das pessoas; produtos de altíssima tecnologia são acessíveis para todos e a internet está presente em tudo o que o coreano faz
O Estado de São Paulo
: Jocelyn Auricchio, Seul
25/02/2008
Andar por Seul é quase como fazer uma expedição ao futuro. A cidade tem tecnologia entremeada em tudo. Mesmo as coisas mais simples trazem algum elemento de alta tecnologia.
As lojas de tecnologia, tão simples que mais parecem armazéns, vendem todo tipo de componentes para computadores e equipamentos eletrônicos. “Na Coréia, as pessoas querem as novidades logo. Ninguém liga para uma loja bonita, só querem saber de comprar as novidades”, explica Lee Yeongsang, de 23 anos, que trabalha como vendedor no Techno Mart, uma enorme loja de eletrônicos. Localizada em um prédio de 11 andares, a megaloja conta até com um enorme cinema digital 3D.
Uma rua de Seul, Euljiro, é forrada com lojas de lustres e iluminação. Até aí nada de mais. O que é extraordinário é o tipo de lâmpadas à venda: LEDs de última geração, de alto brilho e baixíssimo consumo, já iluminam as casas de Seul. Além de conservar energia, as lâmpadas têm altíssima durabilidade, são pequenas e quase não liberam calor.
Robustas maçanetas equipadas com leitores de impressões digitais equipam um número impressionante de portas. No Ocidente, esse tipo de fechadura já existe, mas, em Seul, ela é barata e acessível para quem quiser.
Geladeiras e lavadoras equipadas com motores eficientes consomem pouca energia, ao mesmo tempo que nanopartículas de prata amalgamadas ao revestimento dos eletrodomésticos garantem a limpeza das roupas e o frescor dos alimentos. Não são artigos de luxo, mas produtos que qualquer trabalhador pode comprar.
Os computadores, poderosos e de todas as formas e tamanhos, carregam chips de memória fabricados no país. O preço é tão baixo que até dá medo de comprar. Um pente de memória DDR2 de 2GB sai por meros US$ 20 (cerca de R$ 34). No Brasil, o mesmo componente não sai por menos de R$ 150.
Os monitores para PC sul-coreanos, bastante populares no Brasil, são tão avançados que dispensam placas de vídeo para funcionar. Ligados direto à entrada USB, eles podem ser interconectados para formar uma verdadeira parede digital.
Minúsculos computadores, conectados o tempo todo à internet sem fio de altíssima velocidade, podem ser vistos nas mãos de jovens engravatados que, apressados, lêem seu jornal preferido na tela do versátil aparelho.
Nos hotéis, mesmo os mais simples, televisores full HD são presença garantida em qualquer quarto, além de tocadores de DVD compatíveis com DivX. A internet é barata e liberada. Até mesmo o vaso sanitário é cercado de tecnologia, com assentos elétricos aquecidos e uma infinidade de controles.
O uso da tecnologia é tão disseminado que até causa estranheza. Novos usos para aparelhos já conhecidos começam a aparecer. A TV digital no celular é realidade desde 2005. Todo mundo assiste a televisão em aparelhos portáteis no metrô, no ônibus , em qualquer lugar. É um hábito tão comum como o radinho e o MP3 no Brasil.
Uma das últimas tendências é o estudo pelo celular. É muito comum os estudantes comprarem versões digitais de seus livros de escola e os carregarem no celular.
“Nunca me separo do meu telefone, por isso acho conveniente levar parte dos meus estudos dentro dele”, conta Hyun Kim, de 17 anos. No metrô, ela estuda história, entre uma mensagem de texto e outra.
MOTOR DO DESENVOLVIMENTO
A tecnologia aliada à educação foi o caminho escolhido pela Coréia do Sul para enfrentar a pobreza e caminhar rumo ao desenvolvimento. O país era agrário e a pouca infra-estrutura que já existia tinha sido comprometida durante o conflito com a Coréia do Norte.
Um cuidadoso plano de modernização e capacitação da população começou a ser implementado no começo da década de 1960. Isso fez com que a Coréia passasse da manufatura de produtos têxteis e calçados para o topo da indústria de alta tecnologia. Em pouco mais de quatro décadas, a Coréia do Sul mudou sua história e se firmou como um dos líderes tecnológicos do terceiro milênio.
Além de um pesado investimento em educação, houve uma mudança de mentalidade da Coréia. Em vez de simplesmente fabricar usando tecnologias estrangeiras, como fez até o final dos anos 1980, a Coréia saiu em busca do desenvolvimento próprio. Hoje, o país investe quase 3% de seu PIB em pesquisas.
DVD de alta definição: agora vai? volta
Toshiba desiste da tecnologia HD DVD e abre caminho para Blu-ray, da Sony, conquistar consumidor ainda reticente
O Estado de São Paulo
: Richard Wray e :Justin Mccurry, The Guardian
25/02/2008
O Blu-ray da Sony finalmente venceu a batalha do vídeo de alta definição com o anúncio da Toshiba de que abandonará sua tecnologia HD DVD. O mercado de vídeo doméstico tem um valor estimado de US$ 24 bilhões, mas a deslanchada da alta definição tem sido lenta porque os consumidores pareciam retardar a compra de um novo equipamento enquanto a Sony e a Toshiba disputavam a chamada guerra dos formatos.
A tecnologia Blu-ray já tem a vantagem em termos de unidades vendidas porque seus aparelhos estão embutidos nos consoles de jogos Sony PlayStation 3, que já venderam mais de 10 milhões de unidades. Apenas 1 milhão de aparelhos de HD DVD foram vendidos, a vasta maioria deles no Japão.
A Toshiba, que inicialmente pareceu ter o domínio depois de se juntar à DreamWorks, sofreu um sério golpe no mês passado quando a Warner Bros, a maior produtora de DVDs do mundo, optou pelo uso do formato Blu-ray para todos os seus lançamentos, desistindo do HD DVD.
A Warner, que responde por cerca de um quinto do mercado de DVD dos EUA, foi o último grande estúdio de Hollywood a produzir discos em ambos os formatos. MGM, Fox, Walt Disney e Sony Pictures já aderiram ao formato Blu-ray. Do lado dos fabricantes do aparelho, o Blu-ray conta com o apoio da Hitachi, Matsushita e Sharp.
Então, há cerca de duas semanas, a maior loja varejista dos EUA e do mundo, a Wal-Mart, disse que no meio do ano deixará de vender equipamentos HD DVD em suas 4 mil lojas. A medida ocorreu após decisão parecida tomada pelos varejistas de produtos eletrônicos Best Buy e pela firma de aluguel de filmes online Netflix.
Na semana passada, a Toshiba anunciou sua decisão de abandonar a tecnologia HD DVD. 'Estudamos cuidadosamente o impacto de longo termo da chamada guerra dos formatos e concluímos que uma decisão rápida será melhor para o desenvolvimento do mercado', disse Atsutoshi Nishida, presidente da Toshiba.
A decisão representa um enorme sucesso para a Sony, que perdeu batalhas por formatos no passado. 'Todo mundo estava esperando para ver quem venceria. Com a desistência da Toshiba, a Sony poderá decolar', disse a porta-voz da CMC Magnetics de Taiwan, que fabrica um terço dos discos de DVD do mundo.
Certamente a indústria de vídeos espera que, com apenas um formato para os consumidores, as vendas decolem. 'Essa será uma boa notícia para a indústria de DVD da próxima geração porque é a concorrência pelo formato que tem coibido as compras', disse o analista do Credit Suisse, Koya Tabata.
A Toshiba também foi prejudicada pelo fato de um dos seus maiores parceiros tecnológicos, a Microsoft, não ter produzido uma versão do bem-sucedido console de jogos Xbox 360 com um drive de HD DVD instalado, como tinha sido originalmente proposto. Em vez disso, a Microsoft vem vendendo um aparelho de HD DVD plug-in.
Nesse ínterim, a Sony atrasou o lançamento do seu PlayStation 3 para disponibilizar um console com um Blu-ray já instalado. O PS3 ficou atrás do Wii da Nintendo em termos de vendas mensais, e o custo do aparelho de Blu-ray significa que a empresa tem prejuízo em cada console expedido, mas o fato de que o Blu-ray provavelmente vai se transformar no formato favorito da nova geração de vídeo significa que as vendas devem aumentar e os componentes ficarão mais baratos.
Os consumidores que compraram um aparelho HD DVD terão simplesmente que aceitar que, dessa vez, tomaram uma decisão errada. Os perdedores de outras guerras de formato são pouco mais que peças de colecionadores atualmente.
O êxito do Blu-ray será um grande alívio para Kiyoshi Nishitani, diretor da divisão de vídeo da Sony, por causa do seu fracasso na última 'guerra por formato' que disputou. Nishitani desenvolveu o padrão de fita de vídeo Betamax, que perdeu espetacularmente para o Video Home System (VHS), desenvolvido pela arqui-rival JVC, apesar do fato de que o Betamax, que surgiu antes em meados da década de 1970, ser uma tecnologia melhor porque era baseada num padrão usado por profissionais de televisão.
Os gravadores que podiam usar o sistema Betamax eram produzidos por uma série de fabricantes como Sony, Sanyo, Toshiba, Pioneer e NEC, mas eles fizeram pouco marketing na América do Norte. Temendo que a Sony acabasse dona de um monopólio, a JVC produziu o padrão VHS, que oferecia um tempo de reprodução mais longo do que o Betamax, e o comercializou fortemente nos EUA.
Usando a escala de produção que tinha nos EUA para reduzir os custos de fabricação, a JVC conseguiu inundar o mercado europeu de gravação doméstica com aparelhos mais baratos e tirar a vantagem de pioneira desfrutada pela Betamax. Em 1988, a Sony foi obrigada a admitir a derrota e lançar seus próprios gravadores VHS. Parou de fabricar gravadores Betamax em 2002.
O Betamax não foi o único revés sofrido pela Sony. Seus aparelhos para Digital Audio Tape (fita de áudio digital) lançados em meados da década de 1980 e sua tecnologia de minidisco, anunciada no início da década de 1990, tinham a intenção de substituir a tecnologia de cassete magnético da Philips, mas nenhum deles foi adotado pela indústria fonográfica com o mesmo entusiasmo que os CDs. E depois veio o MP3, que tornou ambos obsoletos.
Bahia anuncia investimento de R$ 100 mi em TI volta
Mídia eletrônica: Pequenas Empresas & Grandes Negócios
http://empresas.globo.com
21/02/2008
Órgãos de pesquisa relacionadas a tecnologia na Bahia ganharão 100 milhões de reais em incentivos de pesquisa até 2010 após a abertura de três editais e do lançamento do Programa Estadual de Incentivo à Inovação Tecnológica (Inovatec), feito nesta quarta-feira (20/01), informou a IDGNow.
Os projetos também serão beneficiados pela assinatura de um protocolo de intenções com o Banco do Nordeste.
Grande parte do investimento vem do Inovatec, que reservará, até 2010, 60 milhões de reais em recursos para ampliar a infra-estrutura de base tecnológica da Bahia, e do governo da Bahia, que, pelo Programa Juro Zero, financiará 20 milhões de reais para financiar atividades de inovação em micro e pequenas empresas.
Poderão se beneficiar as empresas e instituições dispostas a realizar novos investimentos de base tecnológica, além de órgãos da administração direta ou indireta nos níveis municipal, estadual ou federal que efetuem sistematicamente investimentos em ciência e tecnologia no estado.
A Fapesb e a Secti também assinaram um protocolo de intenções com o Banco do Nordeste. Juntas, as três instituições lançarão editais de interesse comum, oferecerão bolsas de mestrado e doutorado para pesquisadores baianos e criarão linhas de crédito para investimentos em incubadoras e empresas de bases tecnológicas da Bahia.
O termo tem validade de dois anos, podendo ser renovado. Os valores dos editais e das linhas de crédito ainda estão em fase de definição.