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12/02/2008

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Terça-feira, 12 de fevereiro de 2008.

Comentários, dúvidas e sugestões:
sercom@inpi.gov.br

 


1. Seis passos para registrar a patente de seu produto
2. Número de patentes registradas na China cresce 31,3% em 2007
3. Fim de patentes preocupa as grandes farmacêuticas
4. Companhias avaliam como lucrar na nova fase da mobilidade
5. Fast desenvolve software de busca que une blog e e-mail
6. Yahoo! recusa proposta da Microsoft
7. Tecnologias e produtos que vão mudar o mundo
8. Mercado agrícola em transformação

 

 

Seis passos para registrar a patente de seu produto   volta

Você investiu em pesquisa, desenvolveu um produto novo e agora é hora de protegê-lo. Confira as dicas do site Pró-inovação tecnológica para saber como fazer isso.

Mídia eletrônica: Computerworld
http://computerworld.uol.com.br
Por Redação do COMPUTERWORLD
11/02/2008

Se você teme investir em pesquisa - para diversificar os negócios e aumentar a participação de mercado desenvolvendo novos produtos - porque não quer ver sua inovação ser copiada e, por conseqüência, sofrer concorrência desleal, a solução é patentear. Assim, seus direitos ficam garantidos.


Entretanto, poucos sabem como fazer isso. Para resolver a questão, confira os passos de como entrar com um processo de pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O Estado concederá a você a propriedade temporária da inovação, mediante o detalhamento do conteúdo técnico do material a ser patenteado.


1. Verifique se seu produto pode ser patenteado
Antes de tentar registrar o produto, é necessário certificar-se de que ele pode ser patenteável. Para isso, consulte a Lei 9.279/96 - conhecida como Lei de Propriedade Industrial (LPI) -, que está disponível no site do INPI (www.inpi.gov.br) e no edifício sede do instituto (Praça Mauá, 7, 7º andar, Rio de Janeiro).

2. Saiba se sua idéia já existe
Nestes endereços, você também encontra o banco de dados de patentes do INPI, onde saberá se sua idéia é realmente inovadora e se não houve um produto igual ao que você imaginou acessível ao público antes da data de depósito do pedido. Através do Sistema Eletrônico de Gestão da Propriedade Industrial, conhecido como e-INPI, você tem acesso aos registros dos produtos que foram depositados pela Internet. Certificado de que vai inovar no mercado, é hora de registrar sua patente.

3. Preencha o formulário
O primeiro passo é preencher o formulário de pedido de patente com um relatório descritivo. Nele, você deve explicar a técnica e os problemas técnicos que sua patente resolve; escrever reivindicações, com base em seus direitos de inventor; apresentar os desenhos, se houver necessidade, e um resumo.

Nele também deve constar o comprovante de pagamento da retribuição relativa ao depósito. O formulário está disponível no INPI e no site do instituto. Para o preenchimento eletrônico, você precisa estar cadastrado no e-INPI.

4. Depositar o pedido de patente
Você deve depositar o pedido de patente na sede do INPI ou enviá-lo para Diretoria de Patentes DIRPA/CGPROP, com indicação do código DVP (AN 127 itens 4.2, 4.2.1 e 4.4).

Se não está no Rio de Janeiro, seu pedido pode ser depositado nas Divisões Regionais ou Representações nos demais Estados. Para conhecer estes locais, entre no site do INPI e siga o caminho Instituto/Endereços e telefones/Divisões Regionais ou Instituto/Endereços e telefones/Representações.

5. Solicitar o exame do pedido de patente
Depois de permanecer em sigilo por 18 meses, seu pedido é publicado e é hora de solicitar o exame. Para isso, você tem até 36 meses, contados a partir da data do depósito. Depositado, acompanhe seu processo através da Revista de Propriedade Industrial (RPI) - disponível no acervo da Biblioteca do INPI e no site do instituto - até o momento em que for proferido o resultado.

6. Pagar a retribuição
Concedido o pedido, o INPI oferece um prazo de até 60 dias para você pagar a retribuição correspondente e, então, solicitar a expedição da carta-patente. Verifique se na carta estão o número, o título e a natureza da patente, seu nome (do inventor), qualificação e domicílio, além do prazo de vigência, o relatório descritivo, as reivindicações, os desenhos, e os dados relativos à prioridade. Expedida a carta, você deve efetuar um pagamento anual a partir do terceiro ano após o depósito.

Para maiores esclarecimentos, a Diretoria de Patentes do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (DIRPA) atende pelo e-mail (patente@inpi.gov.br).


 

Número de patentes registradas na China cresce 31,3% em 2007  volta


Gazeta Mercantil
12/02/2008


SÃO PAULO, 12 de fevereiro de 2008 - O número de patentes registradas na China aumentou em 31,7% em 2007, em termos anuais, para 351.782, informou hoje a State Intellectual Property Office (SIPO). Os pedidos de patente de novas invenções e de novas tecnologias atingiram 67.948 e 150.036, respectivamente.

O número total de pedidos de patentes nacionais ultrapassa a quantidade de solicitações estrangeiras. O total de pedidos domésticos alcançou 301.632, um aumento de 34,7%, em termos anuais, enquanto as solicitações estrangeiras atingiram 50.150 pedidos, registrando uma elevação de 13,6% em comparação com 2006. (Redação - InvestNews)


 

Fim de patentes preocupa as grandes farmacêuticas   volta


Valor Econômico
Catherine Arnst
12/02/2008
 
As mulheres que sofrem com ossos fragilizados podem ter comemorado a data de 6 de fevereiro. Nesse dia, venceu a patente do remédio contra osteoporose Fosamax, da Merck, e os pacientes puderam começar a comprar versões genéricas. Os preços, levando em conta casos passados, deverão ficar entre 40% e 60% mais baixos do que os US$ 90 por mês que o Fosamax costuma custar.

O forte declínio de preço dos genéricos, no entanto, traz inquietação aos laboratórios farmacêuticos. Apenas neste ano, mais de dez drogas importantes perderão a proteção de patente e não há substitutos com vendas similares à vista saindo das linhas de produção.

Em 2010, Lipitor, um redutor de colesterol de altas vendas, perderá a patente. O medicamento mais vendido do mundo gerou vendas de US$ 13 bilhões para a Pfizer no ano passado e a empresa ainda está por lançar algum remédio de vendas similares.

A consultoria IMS Health informa que até 2011 medicamentos com vendas de US$ 60 bilhões verão a patente expirar. Fabricantes de genéricos, que detém 60% do mercado de vendas sob receita nos Estados Unidos, só têm a ganhar. "Entre os seis primeiros meses e um ano após uma marca ficar sem patente, perde 80% da receita para os concorrentes genéricos", diz Amanda Zuniga, analista sênior da empresa de pesquisas de mercado Cutting Edge Information.
Os grandes laboratórios, contudo, tentam estancar essa corrida aos genéricos com a criação de uma categoria relativamente nova: a de genéricos de marca. Basicamente, o fabricante original licencia cópias exatas de seu remédio de marca para um fabricante de genéricos, o que lhe permite receber parte da receita com as vendas. A estratégia atrai os pacientes que se sentem mais confortáveis com um nome familiar. A Merck, por exemplo, assinou um acordo em 11 de janeiro para fornecer o Fosamax à Watson Pharmaceuticals. "Tornou-se uma grande tática para os laboratórios farmacêuticos", diz Zuniga. "É sua última chance de continuarem competitivos."

Especialistas médicos, no entanto, recomendam aos pacientes avaliar os genéricos de marca como qualquer outro medicamento. "O genérico de marca não tem vantagem sobre qualquer outro genérico", afirma Catherine Tom-Revzon, do Montefiore Medical Center, em Nova York. "Não há motivo para continuar com a marca se houver um genérico disponível."


 

Companhias avaliam como lucrar na nova fase da mobilidade   volta


Valor Econômico
Talita Moreira
12/02/2008


É uma pergunta que vale algumas centenas de bilhões de dólares, e não por acaso os principais executivos das indústrias de comunicações e tecnologia estão debruçados sobre ela: quem vai ganhar dinheiro com os novos serviços móveis de conteúdo multimídia, e de que forma?

De operadoras a fabricantes de aparelhos, todos estão pensando em como tirar proveito da crescente demanda por produtos e serviços baseados nas redes sem fio.

Uma pesquisa da consultoria Telco 2.0, divulgada em parceria com a GSM Association (órgão que promove o padrão tecnológico de celulares GSM), estima em US$ 250 bilhões anuais o tamanho desse mercado - no qual o conteúdo é gerado tanto por fornecedores quanto pelos assinantes das operadoras. Esse volume de recursos deverá ser alcançado em dez anos, de acordo com o levantamento.

"A internet móvel será tão desejada como foi a voz 20 anos atrás", afirmou ontem o presidente da Nokia, Olli-Pekka Kallasvuo. Ele participa do Mobile World Congress, maior evento mundial sobre telefonia móvel, que acontece nesta semana em Barcelona.

A companhia finlandesa, maior fabricante mundial de aparelhos de celular, é um exemplo bem ilustrativo de como as coisas estão caminhando no setor. A empresa não quer mais apenas vender terminais. Ela começa também a se embrenhar no terreno dos serviços. Alguns modelos de aparelhos da Nokia terão um sistemas de navegação e localização via GPS (satélite), algo que hoje é oferecido pelas operadoras ou por fornecedores de conteúdo. Ela também anunciou planos de lançar, no segundo trimestre, um portal - o Ovi - em que o usuário poderá acessar seus conteúdos de fotos, vídeos e músicas do computador ou do telefone móvel. Será uma espécie de gerenciador de mídia pessoal.

Segundo o vice-presidente de serviços e software, Niklas Savander, até a metade do ano a Nokia expandirá para outros países europeus sua loja virtual de músicas, hoje disponível apenas no Reino Unido. Com isso, pretende acirrar a competição com a Apple, dona da loja iTunes e do celular iPhone.

Para colocar de pé essa estratégia, a empresa finlandesa aposta no compartilhamento de receitas com as operadoras de telefonia - um modelo até agora inusual entre os fabricantes de aparelhos. "Existe uma quantidade maciça de receitas para dividir", afirmou Savander. "As indústrias estão convergindo e muitas vezes colidindo", acrescentou Kallasvuo.

A divisão de receitas entre operadoras e fornecedores de conteúdos já existe há algum tempo. No entanto, o leque de provedores de serviços interessados em participar desse modelo está aumentando e começa a incluir fabricantes de aparelhos. Nesse caso, o que conta não é a venda dos terminais em si, mas sistemas oferecidos por essas empresas que gerem tráfego de dados para as operadoras.

A Apple fica com uma parte da receita de serviços gerada pelos usuários do iPhone que são clientes da operadora americana AT&T.

Outra companhia interessada nesse movimento é a Microsoft. O modelo de remuneração dos negócios da empresa na área de telefonia móvel está em fase de expansão, disse o vice-presidente sênior da divisão de negócios de comunicações móveis, Pieter Knook. O esquema tradicional, observou o executivo, está baseado no licenciamento dos softwares da empresa para os fabricantes de aparelhos. "Agora estamos começando a coletar receitas de outras fontes", destacou. Entre elas, estão a receita sobre serviços "empacotados" pelas operadoras de celular e o incipiente mercado de publicidade móvel.

Este, por sinal, é um tema importante na agenda das empresas. Um grupo de executivos passou o dia de ontem discutindo as possibilidades e as dificuldades para o uso de publicidade no celular. "Estamos debatendo por que até agora não deu certo e o que pode ser feito", afirmou o diretor de marketing para o segmento premium da Vivo, Roger Solé, que participou do encontro, restrito a convidados. "O modelo de negócios do setor está mudando", ponderou.

Na mesma linha, o presidente da TIM Brasil, Mario Cesar Pereira de Araujo, afirmou que o jeito de se fazer negócios no setor precisa mudar, com a expansão dos fornecedores de conteúdo. "Temos que reinventar o modelo de operação. Se as operadoras continuarem com os mesmos processos, não terão retorno", destacou. A TIM já trabalha no sistema de compartilhamento de receitas com fornecedores no caso de serviços como as mensagens pelo celular.

Os serviços baseados na transmissão de dados ainda representam menos de 10% da receita das operadoras no Brasil. As empresas têm a expectativa de que esse número aumente com a chegada das redes de terceira geração (3G), neste ano.

A repórter viajou a convite da Nokia


 

Fast desenvolve software de busca que une blog e e-mail   volta


Valor Econômico
João Luiz Rosa
12/02/2008
 
A cena é hipotética, mas vamos supor que no futuro próximo, o empresário Antonio Ermírio de Moraes dê uma entrevista no programa do apresentador Jô Soares falando de uma peça teatral que acabou de escrever. Com um clique no controle remoto, o espectador poderia abrir, na tela, uma janela com um resumo das incursões anteriores do presidente do grupo Votorantim no teatro, uma loja para comprar livros ou camisetas relacionados ao assunto abordado ou mesmo um link para o site de uma das companhias do conglomerado.

É nessa linha de pesquisa - capaz de indexar áudio, ou seja, identificar e catalogar o que é dito em uma entrevista de TV, por exemplo - que um grupo de pesquisadores da Fast, Search & Transfer está trabalhando, no Rio de Janeiro, como parte do esforço internacional do grupo na área de TV digital.
Os primeiros resultados desse tipo de sistema serão apresentados em Orlando, nos Estados Unidos, na semana que vem.

Mas se esta é uma aposta no futuro - que pode ou não dar certo comercialmente -, o negócio atual da Fast já se provou capaz de atrair a atenção da Microsoft. No mês passado, a companhia de Bill Gates fez uma oferta para adquirir a empresa norueguesa, por US$ 1,2 bilhão, sob um acordo cuja conclusão é aguardada para o segundo trimestre. Essas negociações acabaram eclipsadas pela batalha recente e bem mais cara da Microsoft para adquirir o Yahoo, por mais de US$ 44 bilhões. Perto dele, o acordo com a Fast é modesto, mas pode representar uma vantagem estratégica para a Microsoft em sua guerra com o Google: a especialização em sistemas de busca dirigidos a empresas. Se o Google tornou-se sinônimo da garimpagem de dados na internet, agora a Microsoft quer fazer o mesmo dentro das companhias.

"A tecnologia permite a você obter a informação que está em um e-mail, uma apresentação em PowerPoint, um blog empresarial, um site da intranet do seu departamento jurídico ou qualquer outro lugar", afirma Geraldo Maroniene, vice-presidente da Fast. O sistema inclui tanto o que se convencionou chamar de informação estruturada - os dados cadastrais de um cliente, por exemplo - como a não-estruturada, que pode ser um número de telefone passado de um colega para o outro, por e-mail.

É esse segundo tipo de informação que tem preocupado as empresas nos últimos tempos. As companhias perceberam que, na maioria dos casos, ao perder um profissional experiente, também perdem uma base de conhecimento pessoal difícil de ser substituída. O desafio é, justamente, fazer com que esse conhecimento fique à disposição da empresa e seja facilmente encontrável, mesmo que seus autores tenham saído há muito tempo.

Tome-se o exemplo de um jornal ou uma revista, diz Maroniene. Com a tecnologia, é possível levantar e cruzar tanto o número de artigos e reportagens que um repórter escreveu sobre um assunto, como as mensagens de e-mail em que ele cita a palavra-chave em questão. "Com base no levantamento, dá para gerar gráficos e identificar quem é o principal especialista naquele assunto", afirma.

Para fazer isso, a Fast oferece tanto sistemas que buscam dados na rede da companhia - com conexões para a web -, como no próprio computador do usuário. O software trabalha dentro dos parâmetros de privacidade ditados pela companhia cliente. Para os usuários, o resultado da pesquisa tanto pode aparecer em uma janela parecida com a dos serviços de busca na internet, como na forma de um gráfico ou de um painel de dados: os formatos variam bastante, dependendo do objetivo de cada cliente.

No Brasil, onde a Fast tem cerca de 100 clientes ativos - metade da base na América Latina - a procura por esse tipo de software vem crescendo rapidamente, diz o executivo. Nos últimos anos, o mercado brasileiro representou de 70% a 80% do faturamento na região, de valor não-revelado, e para 2008 a expectativa é de que fique com algo entre 50% e 60%.

A empresa tem 50 funcionários diretos no país, com previsão de investir R$ 20 milhões em cinco anos, só na área de pesquisa e desenvolvimento.

Além do Rio de Janeiro, a Fast tem um escritório em São Paulo. As demais sedes regionais ficam na Cidade do México e em Santiago, onde a filial está em processo de abertura.

A expressiva participação brasileira, diz Maroniene, é resultado da combinação de uma série de fatores. "As grandes companhias nacionais estão se tornando globais e muitas empresas fazem sua abertura de capital em bolsa", afirma. Tudo isso exige controles mais rígidos e maior transparência das companhias. A lista de clientes locais da Fast inclui Petrobras, Companhia Vale do Rio Doce, Embraer e Gerdau, entre outras.

Em comparação com outros sistemas automatizados, a instalação do software de busca empresarial é rápida, diz Maroniene. "Nunca participei de um projeto de mais de seis meses. Em geral, ao fim de dois meses, (a tecnologia) já começa a gerar resultados." Os preços variam bastante dependendo da complexidade do projeto e do volume de informações. A faixa se estende dos US$ 50 mil até US$ 10 milhões, estima o executivo.

Em relação à aquisição pela Microsoft, é preciso esperar a conclusão do negócio, mas a previsão, diz Maroniene, é de que nos primeiros doze meses a Fast atuará como uma subsidiária independente, em sinergia com a nova companhia-mãe. "Com o poderio da Microsoft, nossa força de implementação aumentará de forma dramática", afirma o executivo.



Yahoo! recusa proposta da Microsoft   volta

Oferta era de US$ 44,6 bi; direção da empresa, no entanto, sinalizou que está aberta a novas negociações


Folha de São Paulo
DA REDAÇÃO
12/02/2008


A direção do Yahoo! confirmou ontem que recusou a oferta hostil de US$ 44,6 bilhões feita pela Microsoft há duas semanas, mas deixou aberta a possibilidade de novas negociações. Segundo a empresa, a proposta da Microsoft "deprecia substancialmente" o seu valor.

O Yahoo! disse, em comunicado, que "avalia todas as opções estratégicas" e "continua comprometido em buscar iniciativas" que elevem o valor da empresa. Uma das hipóteses em estudo é a fusão com a AOL.
A Microsoft disse que a decisão da concorrente foi "desapontadora" e reafirmou um trecho que já estava na carta de seu presidente-executivo, Steve Ballmer, que anunciava a oferta há duas semanas, sinalizando que não desistiria do negócio em caso de recusa. "A Microsoft se reserva o direito de seguir todos os passos necessários para garantir que os acionistas do Yahoo! tenham a oportunidade de constatar o valor de nossa proposta."

Segundo pessoas próximas às negociações, o Yahoo! quer uma oferta de pelo menos US$ 40 por ação, o que elevaria em cerca de US$ 12 bilhões o valor oferecido pela Microsoft. A proposta da Microsoft, anunciada em 1º de fevereiro, era de US$ 31 por papel da rival -62% superior ao preço das ações do Yahoo! no dia anterior. Ontem, as ações do Yahoo! subiram 2,29%, para US$ 29,87. As da Microsoft retrocederam 1,23%.

A Microsoft poderia entrar em contato direto com os acionistas do Yahoo!, aproveitando a insatisfação com os resultados da empresa -o lucro caiu nos últimos oito trimestres. Três dias antes de receber a oferta, o Yahoo! divulgou que seus ganhos caíram 23,4% no último trimestre de 2007 ante o mesmo período de 2006 e que pretende demitir 1.000 dos seus 14.300 funcionários.
O lucro em 2007, de US$ 660 milhões, foi praticamente metade do lucro do Google no último trimestre do ano passado, de US$ 1,21 bilhão -resultado considerado decepcionante.

Não é a primeira vez que o Yahoo! recusa uma proposta da Microsoft. O próprio Ballmer confirmou negociações anteriores na carta de 1º de fevereiro. Segundo o executivo, as duas companhias discutiram uma possível fusão e outras possibilidades de parceria no final de 2006 e no começo do ano passado, mas que, em fevereiro de 2007, a concorrente decidiu encerrar as negociações porque estava confiante no seu "potencial de alta".
"Um ano se passou e a situação competitiva não melhorou", escreveu Ballmer. Por isso, segundo ele, "enquanto uma parceria comercial podia fazer sentido há algum tempo, a Microsoft acredita que a única alternativa agora é a combinação que estamos propondo".

Opções
Segundo o diário londrino "The Times", o Yahoo! quer negociar uma fusão com a AOL para se proteger da oferta hostil da Microsoft. "Tudo o que eles [Microsoft] estão tentando é levar a empresa de barbada. Eles estão tentando roubá-la, e a direção não vai deixar que isso aconteça", disse uma fonte ligada ao Yahoo! ao jornal.

Também estariam sendo estudados acordos com a Disney e com o Google. Neste caso, o Yahoo! passaria a usar o sistema de publicidade on-line do rival. O crescente mercado de publicidade on-line, setor que é dominado pelo Google, é uma das principais razões que motivaram a oferta da Microsoft.
Microsoft e Yahoo! vêm enfrentando dificuldades para competir com o Google no setor de publicidade na internet, um dos mais lucrativos da área.
No ano passado, segundo o "Wall Street Journal", o Google faturou US$ 11,7 bilhões com as vendas de publicidade, contra US$ 5,1 bilhões do Yahoo! e US$ 2,8 bilhões da Microsoft.

A companhia de Bill Gates calcula que esse mercado "cada vez mais dominado por um "player'" totalizou US$ 40 bilhões em 2007 e deve chegar a US$ 80 bilhões em 2010.
 
Com agências internacionais



Tecnologias e produtos que vão mudar o mundo  volta


Revista Época Negócios
Edição 12 - Fevereiro de 2008


O fenômeno híbrido

Por dentro da novidade que está transformando a indústria automobilística – e que pode pavimentar o caminho para inovações ainda maiores

Por Norma Carr-Ruffino e John Acheson

As montadoras enfrentam a instabilidade energética e os altos preços da gasolina. Os consumidores pressionam a indústria por soluções mais limpas e eficientes. Na medida em que a população americana tenta lidar com as mais graves preocupações mundiais - o terrorismo e o aquecimento global -, novos veículos e combustíveis ganham força no mercado. Elas convergem para o fenômeno híbrido: milhões de proprietários de automóveis optando por sistemas híbridos e combustível alternativo como forma de incentivar a indústria automobilística a ficar mais verde. As montadoras americanas, que embarcaram na onda com algum a traso, têm de fazer hora extra para alcançar, e quem sabe ultrapassar, os concorrentes japoneses.

O transporte é responsável por cerca de um quarto dos gases do efeito estufa lançados na atmosfera, e os Estados Unidos são o maior produtor mundial desses gases. Os híbridos representam uma economia calculada em mais de 1 milhão de barris de petróleo, 1 milhão de toneladas de dióxido de carbono e cerca de 470 milhões de litros de gasolina. Os dólares híbridos ajudam a estimular a economia e a criar empregos. O fenômeno também cria comunidades virtuais mundiais e oferece à população o poder de incentivar a sustentabilidade ambiental. Ele se expressa de forma global e acontece de maneira local a cada dia. Apesar disso, pouca gente percebe a dimensão do impacto que essa tecnologia terá no futuro do setor de transportes, a virulência da batalha industrial que se avizinha pelo domínio do mercado dos híbridos e como, de fato, o fenômeno está apenas começando.

É um espanto pensar que o movimento surgiu, sobretudo, a partir do Toyota Prius, a princípio um carro conceitual de aspecto esquisito, desenvolvido na década de 90. Cerca de mil engenheiros da Toyota criaram e depois abandonaram 80 projetos que pretendiam reduzir o consumo de gasolina. Acabaram por adotar uma tecnologia secular, o híbrido, que simplesmente aumentava a eficiência e dobrava a quilometragem. No final do século 19, quando a probabilidade de uma carruagem sem cavalos funcionar movida a gasolina era tão grande quanto de se locomover à base de energia ou vapor, o jovem engenheiro Ferdinand Porsche recebeu de seu chefe, Jacob Lohner, a incumbência de projetar um carro elétrico. Alguns anos mais tarde, a Lohner-Porsche ofereceu, com sucesso, uma alternativa híbrida. Era movida a gasolina, mas as rodas giravam graças a motores elétricos. O primeiro híbrido do mundo era cerca de quatro vezes mais eficiente do que a média dos automóveis existentes hoje.

Na década de 20 do século passado, os automóveis movidos a gasolina já haviam dominado o mercado de carros de passeio - graças à ignição elétrica e à linha de montagem idealizada pelo legendário Henry Ford, que tornou o modelo T acessível à maioria das famílias. Ainda assim, o uso industrial dos híbridos prosperou ao longo do século 20. Maquinarias pesadas e trens híbridos, movidos a diesel e a eletricidade, ajudaram a impulsionar a industrialização dos Estados Unidos. Em relação aos carros, diversas gerações de projetos híbridos foram produzidas, mas nenhum conseguiu uma fatia tão grande do mercado quanto o Prius, nascido no Japão em 1997 e que alcançou os Estados Unidos em 2000. Na verdade, o Honda Insight 2000 foi o primeiro veículo híbrido a ser produzido em escala industrial, mas o Prius 2001 e seus sucessores são recordistas de vendas na categoria há anos.

Com sua proposta de eficiência e flexibilidade, os híbridos sustentam uma indústria automobilística em crise. Os híbridos transformaram-se no tipo de transporte mais eficiente, flexível e de maior impacto no setor dentre todos os já inventados pelo homem. São compatíveis com praticamente qualquer veículo e combustível - por exemplo, com gasolina, diesel, misturas de etanol, eletricidade, hidrogênio, gás natural, gás hidráulico, ar, vapor, combustíveis nucleares e alternativos, como biocombustíveis feitos à base de lixo, resíduos orgânicos ou madeira. A tecnologia híbrida pode ser utilizada não apenas em carros, mas também em caminhões, trens, ônibus, navios, submarinos e até mesmo naves espaciais.

PARA TODOS OS GOSTOS

Atualmente existem modelos híbridos de todas as formas e tamanhos. Os mais eficientes e populares são os capazes de rodar movidos apenas a eletricidade. Em velocidade baixa, usam baterias, computadores e um complexo sistema de transmissão para que o carro entre em movimento sem ter de queimar combustível. Há modelos que reciclam eletricidade usando freios regenerativos, sistema que transforma a energia cinética do automóvel em energia elétrica. Nesses carros, o sistema de transmissão alterna dois combustíveis para realizar uma conexão que gira as rodas de forma suave. A Toyota fez do seu sistema de transmissão híbrida uma marca de vários modelos, e licenciou a tecnologia para a Ford e a Nissan.

Outros modelos funcionam essencialmente com um motor de combustão interna. Nesses casos, o motor elétrico auxilia o motor principal e aumenta a eficiência do automóvel, mas ele não é capaz de rodar usando apenas eletricidade. As transmissões são mais convencionais e a produção, mais barata. Já os chamados híbridos "light" não reciclam eletricidade. Neles o motor é desligado quando o carro está parado, reduzindo o consumo de combustível, e religado por computador, de modo que o motorista não precise se preocupar em executar esse processo. A GM é líder nessa tecnologia e oferece caminhões híbridos light para empreiteiras e empresas do ramo de construção.

A tecnologia plug-in é o próximo passo da indústria. Os veículos do tipo plug-in usam grandes baterias que podem ser ligadas à eletricidade externa. Os motoristas desfrutam de todos os benefícios de um híbrido completo e podem "encher o tanque" usando energia elétrica. Isso dá ao usuário a flexibilidade de ter duas fontes de combustível à disposição. Em 2005, a Toyota colocou os chamados kits pós-mercado à disposição dos proprietários de Prius que desejassem converter seus carros em plug-ins, que chegam a atingir a marca de 42 quilômetros por litro. A Toyota está desenvolvendo um Prius plug-in, mas a GM saiu na frente e exibiu, em 2007, o primeiro plug-in do mundo projetado para produção, o Volt.

MAIS DE 40 MODELOS

A indústria automobilística vem mudando radicalmente desde 2000. Foi como se os mercados, as tecnologias e o comportamento dos consumidores se transformassem da noite para o dia. De uma hora para outra, mais de 40 modelos híbridos ou movidos a combustíveis alternativos surgiram nas ruas e estradas, o equivalente a 8 milhões de carros e caminhões leves. As montadoras, em especial nos Estados Unidos, têm de se virar para inventar novas estratégias numa indústria que evolui muito rapidamente, de forma a reagir a diversas forças externas. Algumas delas:

>>> O fim do petróleo barato.

>>> As agências reguladoras do governo, que começam a incentivar o consumo verde.

>>> A tecnologia da informação, que torna as empresas mais transparente, e permite aos defensores do consumo eficiente colaborar melhor entre si, compartilhando informações e influenciando decisões políticas.

>>> O fato de que há mais pessoas a par das questões relativas à energia associadas ao aquecimento global.

Os produtores de híbridos mudam suas estratégias constantemente, à medida que os consumidores migram para novos sistemas e combustíveis. Os presidentes das montadoras vêem-se diante do desafio de apostar em várias tecnologias e veículos novos. As inovações que ocorrem no setor de combustíveis são, cada vez mais, impulsionadas por gente que não faz parte dos conselhos das empresas. Os engenheiros estão dominando os híbridos e melhorando o desempenho dos carros. Empreendedores abrem empresas de baterias, de carros elétricos e de combustível. Ambientalistas recolhem óleo de cozinha para encher o tanque de antigos carros movidos a diesel. Fazendeiros aumentam a produção de milho para atender a caminhões, vans e utilitários que rodam movidos a etanol. Donos de casas equipadas com carregadores de bateria ou saídas de gás natural podem encher o tanque na própria garagem. Investidores de risco apostam bilhões na indústria de combustíveis alternativos e em tecnologias verdes. Políticos discutem um futuro mais limpo, no qual não haverá dependência de energia ou petróleo.

Muitos observadores acreditam que as montadoras americanas ficaram tão para trás no fenômeno híbrido que a situação resultará na maior guerra comercial já travada na indústria automobilística dos Estados Unidos. Cada carro ou caminhão vendido tem efeito direto na contabilidade final dessa guerra. Cada veículo que demora a ser vendido representa uma baixa numa batalha de longo prazo, travada enquanto fábricas fecham as portas e linhas de montagem são substituídas. Modelos alternativos e híbridos que saiam das lojas com rapidez são uma promessa de novas fatias de mercado, novos empregos e um novo futuro. É evidente que o fenômeno híbrido é preponderante no futuro do mercado de trabalho, das empresas, das economias e dos países - e também, na nossa visão de mundo da energia, dos transportes e do meio ambiente. Afinal de contas, os carros são uma conexão entre tudo o que faz parte da nossa vida, do lazer ao trabalho.

FOI DADA A LARGADA

Quem saiu na frente e quem está tentando tirar o atraso na corrida pelos carros híbridos

 


NOVAS APLICAÇÕES

Os benefícios das tecnologias híbridas vão muito além do desempenho dos automóveis e da economia de dinheiro. Eles conduzem a novas aplicações. O híbrido pode pavimentar o caminho para inovações maiores, que atingiriam um número crescente de produtos e serviços. Por exemplo: pesquisadores australianos criaram o protótipo de uma estação doméstica de abastecimento de hidrogênio. Do tamanho de um armário, funciona com eletricidade gerada por painéis solares, ou com uma turbina eólica doméstica, e pode transformar água em hidrogênio. O protótipo é capaz de abastecer um veículo movido a célula de combustível ou um híbrido com motor a hidrogênio. O carro pode rodar cerca de 160 quilômetros a cada tanque, sem gerar poluição.

As plataformas híbridas têm o potencial de aumentar a eficiência de qualquer tipo de combustível ou automóvel. Os custos decorrentes parecem mínimos diante da lista crescente de benefícios. Mantida a taxa atual de investimento, a tecnologia se transformará, sem dúvida, no cerne da indústria automobilística. Montadoras, políticos e cientistas são o combustível desse fenômeno. Mas o acelerador da transição são as escolhas cotidianas que nós, consumidores, fazemos, ao exigir novos modelos de automóvel e combustíveis. Essas escolhas são o que realmente importa na busca por formas sustentáveis de viver bem - para todas as pessoas, e não apenas para alguns poucos privilegiados. O fenômeno híbrido é formado por milhões de consumidores que decidem se afastar da dependência de petróleo e partir rumo a um planeta mais limpo.


 

Mercado agrícola em transformação  volta


O Estado de São Paulo
Rubens Barbosa *
12/02/2008


A grande transformação por que passa o mercado agrícola mundial interessa diretamente ao Brasil. O preço das commodities tem influência direta sobre as exportações brasileiras e o biocombustível põe o Brasil na linha de frente na luta para reduzir a dependência do petróleo e diminuir as emissões de gás carbono, que tantos prejuízos causam ao meio ambiente.

A revista The Economist, em recente estudo, com dados significativos, chama a atenção para as conseqüências do aumento do preço dos alimentos sobre a economia global e, em especial, sobre a dos países em desenvolvimento.

Contrastando com a queda de 75% dos preços das commodities agrícolas no período 1974-2005, o índice The Economist de produtos agrícolas no mercado mundial está hoje no nível mais elevado desde sua criação, em 1845. Mesmo em termos reais, os preços cresceram 75% desde 2005 e deverão manter-se nesses níveis, pelo menos por uma década. Estudos mostram que o preço dos cereais deverá crescer entre 10% e 20% até 2015.

Normalmente, o aumento no preço das commodities deriva da escassez do produto e de baixos estoques, refletindo uma situação de desequilíbrio entre a oferta e a demanda. O que ocorre agora é a elevação das cotações, mesmo quando existe excedente, visto que a produção de cereais em 2008 será a maior da história. The Economist denomina esse fato, pelo seu impacto sobre a economia internacional, de 'agflation'.

Essa situação indica que as alterações do quadro são estruturais e não temporárias. Duas razões básicas podem ser apontadas para justificar a atual alta no preço dos produtos agrícolas: o aumento do consumo de alimentos na China e na Índia e o rápido crescimento da demanda por etanol como combustível. A demanda por etanol foi a principal razão do aumento do preço dos grãos em 2007, o que, por sua vez, acarretou a elevação do preço de outros produtos, como soja e milho.

A médio e longo prazos, os avanços tecnológicos, especialmente na genética agrícola, poderão beneficiar muitos agricultores. O acréscimo de novas regiões produtoras, porém, apresenta problemas significativos: a maior parte das novas áreas que poderão ser incorporadas para o plantio se encontra em áreas remotas do Brasil, da Rússia, do Casaquistão, do Congo e do Sudão; a necessidade de enormes investimentos em infra-estrutura (estradas, ferrovias); o crescente perigo de mudanças climáticas (segundo alguns estudos, o aquecimento global poderá reduzir a produção agrícola mundial em cerca de 15% em 2020; e o alto preço do petróleo (influência sobre o preço dos fertilizantes, responsáveis em boa parte pelo incremento da produção agrícola nos últimos 50 anos).

Os países mais pobres com reduzida produção agrícola e os países mais ricos serão os grandes perdedores. Segundo o Banco Mundial, 3 bilhões de pessoas, 75% dentre as mais pobres do mundo, vivem nas áreas rurais dos países em desenvolvimento e, dessas, 2,5 milhões estão na agricultura.

Assim, se, por um lado, os mais pobres poderiam ser beneficiados pelos altos preços das commodities, o que ocorre na prática é o contrário: a maior parte dos países vive com renda abaixo do nível de pobreza e não pode pagar os alimentos cada vez mais caros. Os países em desenvolvimento deverão gastar mais de US$ 50 bilhões com a importação de cereais em 2007, 10% a mais do que no ano passado. Por outro lado, entre outros países desenvolvidos, Japão, México e Arábia Saudita serão afetados diretamente pelo aumento dos preços dos alimentos. Segundo o Prêmio Nobel de Economia, Gary Becker, da Universidade de Chicago, se o preço dos produtos agrícolas crescer 33%, o nível de vida dos países desenvolvidos deverá reduzir-se ao redor de 3%, enquanto o dos países mais pobres, acima de 20%.

Para alguns países, o aumento dos preços passou a ser um problema. Muitos, como a Argentina, o Marrocos, o Egito, o México e a China, a fim de minimizar os efeitos negativos, estão aplicando algum tipo de controle de preços sobre produtos alimentícios; outros países, incluindo a Índia, o Vietnã, a Sérvia e a Ucrânia, impuseram imposto de exportação ou limitaram as exportações. Argentina e Rússia, para evitar os aumentos internos de preço, fizeram as duas coisas ao mesmo tempo.

Evidentemente, há também ganhadores com essa situação. Nos EUA, o maior exportador mundial de produtos agrícolas, a renda líquida do agricultor em 2007 será de US$ 87 bilhões, 50% a mais do que a média dos últimos 10 anos. Outros beneficiários, pelo aumento da eficiência e dos preços, são países em desenvolvimento, como o Brasil, a Argentina, a Índia, a África do Sul e alguns outros africanos.

A intervenção do governo por meio de subsídios e barreiras comerciais acarretou um elevado custo para os países em desenvolvimento. As tarifas aumentaram, houve perda de qualidade, superprodução e altos preços internacionais que tanto prejudicam os produtores, na maioria países em desenvolvimento. A redução dos subsídios nos EUA e na Europa ajudaria a alterar substancialmente esse quadro.

Finalmente, poderá haver um importante efeito político gerado pela 'agflation'. A escassez de alimentos e o alto preço das commodities agrícolas, num contexto internacional mais aberto, poderão mudar o equilíbrio de poder na economia mundial em benefício dos mercados emergentes.

O Brasil está muito bem posicionado para ser um dos principais países favorecidos por essa tendência.Tanto em pesquisa e na extensão de terras agriculturáveis quanto na produção agrícola, do etanol e do biodiesel, o Brasil goza de vantagens competitivas importantes. Isso representa uma enorme oportunidade que não podemos deixar passar.

*Rubens Barbosa, consultor de negócios, é presidente do Conselho de Comércio Exterior da Fiesp